Hulk Hogan: Real American — A Netflix Fez um Documentário sobre Hulk Hogan sem Coragem para Contar a História de Hulk Hogan

Werner Herzog aparece no quarto episódio de Hulk Hogan: Real American para dizer, com a gravidade que só Herzog consegue: “Na vida de Hulk Hogan, o que é a realidade? Qual é a verdade real? Estranhamente, as emoções são sempre verdadeiras, por mais loucas e implausíveis que as histórias possam ser. E a procura da verdade dá-nos dignidade, dá-nos sentido.” É uma introdução perfeita para um documentário muito melhor do que o que a Netflix fez. Pena que seja o documentário que Herzog devia ter feito — e não o que estamos a ver.

A série de quatro episódios dirigida por Bryan Storkel acompanha a ascensão de Terry Bollea — o homem por baixo das bandanas e dos calções amarelos — ao estatuto de Hulk Hogan, um dos fenómenos culturais mais reconhecíveis da América dos anos 80. Tem acesso considerável: horas de material de arquivo, filmagens caseiras, entrevistas com contemporâneos como Jesse Ventura, Bret Hart, Jimmy Hart e Ted DiBiase, e as últimas entrevistas que Hogan concedeu antes de morrer em Julho de 2025. Tem, portanto, todos os ingredientes para ser um retrato definitivo. Escolhe não o ser.

O problema começa na primeira frase da sinopse oficial: “Antes de ser Hulk Hogan, era Terry Bollea.” A promessa implícita é a de que vamos descobrir o homem por baixo da máscara. O que o documentário entrega é Hulk Hogan com o volume baixado quinze por cento. Terry Bollea gosta de bandanas também. É, como revelações vão, anticlimática. A distinção entre o homem e a personagem — que podia ser o coração de toda a série — dissolve-se rapidamente numa celebração da marca.

O contexto de produção explica muito. Hulk Hogan: Real American foi produzido “em associação” com a WWE Entertainment, que tem uma parceria lucrativa com a Netflix. Vince McMahon não participa — aparece apenas em áudio não atribuído, com o suficiente para quem não presta atenção ficar com a impressão de que participou. Brooke Hogan, filha do lutador, não aparece de todo. A acusação de agressão sexual de 1996 não é mencionada. O processo Gawker — um dos episódios mais reveladores da vida de Hogan, que envolveu financiamento secreto de Peter Thiel e levou à falência de um meio de comunicação social — é tratado de forma superficial e unilateral, sem vozes do outro lado e sem o nome de Thiel. Os insultos raciais da sex tape são reconhecidos mas nunca citados. Um casamento inteiro de dez anos é praticamente ignorado.

O que sobra é a parte fácil da história: a ascensão extraordinária de um músico de baixo da Florida à maior estrela do wrestling mundial, a Hulkamania, os anúncios, o programa de animação de sábado de manhã, os cameos. Para quem cresceu nos anos 80 com aquela cultura — e são muitos —, é uma viagem nostálgica genuinamente eficaz. Andre the Giant, Randy Savage, Roddy Piper passam pelo ecrã, e é impossível não sentir o peso da quantidade de nomes grandes que morreram prematuramente naquele mundo.

Mas há um documentário mais importante algures neste material que a Netflix não quis fazer. Um documentário sobre o custo físico do wrestling profissional no corpo de homens explorados durante décadas sem sindicato — porque Hogan terá sido um dos que se opuseram à sindicalização nos anos 80. Um documentário sobre a forma como a América fabrica heróis e o que acontece quando esses heróis revelam as suas contradições. Um documentário sobre como Donald Trump — que aparece aqui como talking head monossilábico e é tratado com uma deferência que a série não questiona — e Hulk Hogan partilharam exactamente o mesmo espaço cultural e o mesmo tipo de masculinidade performativa durante décadas.

Esse documentário não existe. Existe este — hagiografia corporativa bem filmada, com arquivo generoso e sem espinha dorsal. O público-alvo ficará satisfeito. Os outros ficam com a sensação de que alguém, em algum momento do processo, decidiu que a verdade era demasiado cara.

Gen V Cancelada — A Spinoff de The Boys Fecha com Dois Alunos a Menos e uma Promessa de Regresso

A Universidade de Godolkin está a fechar as portas. A Prime Video confirmou que Gen V — a spinoff de The Boyscentrada nos estudantes com superpoderes da universidade mais perigosa do mundo — foi cancelada após duas temporadas. A segunda e agora última temporada tinha concluído em Outubro de 2025, sem que na altura houvesse qualquer indicação de que seria a final.

O cancelamento não é propriamente uma surpresa para quem acompanhou os números da série. A primeira temporada beneficiou do halo de The Boys e de uma recepção crítica sólida — 82% no Rotten Tomatoes —, mas a segunda temporada registou uma quebra de audiências considerável e críticas mais divididas. A Prime Video nunca divulgou números concretos de visualizações para a série, mas a ausência de renovação rápida após o final da segunda temporada já era um sinal de que a decisão estava a ser ponderada.

Eric Kripke e Evan Goldberg, produtores executivos da série, fizeram questão de enquadrar o cancelamento com uma promessa de continuidade. “Enquanto gostaríamos de poder continuar a festa mais uma temporada em Godolkin, estamos comprometidos em continuar as histórias dos personagens de Gen V em The Boys temporada cinco e noutros projectos do universo VCU no horizonte. Vão vê-los de novo”, disseram em comunicado conjunto. A promessa tem substância: o final da segunda temporada de Gen V mostrava os personagens principais a serem recrutados para a resistência contra a Vought e o Homelander — uma saída narrativa que foi deliberadamente construída para uma fusão com a série-mãe.

O timing do cancelamento é sintomático do estado actual do universo de The Boys na Prime Video. A série principal está em curso com a sua quinta e última temporada, o que significa que a plataforma está a concentrar recursos e atenção no encerramento da história central. Em paralelo, há dois novos projectos em desenvolvimento: Vought Rising, uma série prequel prevista para 2027, e The Boys: Mexico, ainda nas fases iniciais. É um universo que a Amazon quer manter activo — mas com uma estrutura diferente da que Gen V representava.

Jaz Sinclair, Lizze Broadway, Maddie Phillips e London Thor — os rostos centrais de Gen V — devem aparecer nos episódios finais de The Boys, o que torna o cancelamento menos um fim do que uma absorção. Para os fãs que investiram nas duas temporadas da spinoff, é uma consolação parcial: os personagens continuam, mesmo que a série não. Para a Prime Video, é uma racionalização de um universo que cresceu rapidamente e precisa agora de uma arquitectura mais sustentável.

Gen V era, no fundo, a versão universitária de uma pergunta que The Boys faz desde o início: o que acontece quando o poder não tem supervisão, quando os heróis são produtos de uma corporação, quando a admiração é fabricada? A resposta da spinoff era mais desordenada e menos afiada do que a da série original — mas tinha momentos de genuína coragem criativa, especialmente na forma como explorava a cumplicidade institucional e a toxicidade dos sistemas de poder sobre os mais novos. Fecha com dignidade suficiente.

Jack Nicholson Aparece numa Foto Rara ao Lado de Joni Mitchell — e Faz 89 Anos

Jack Nicholson fez ontem 89 anos. A filha Lorraine Nicholson assinalou a data da única forma possível para um homem que há anos recusou o escrutínio público: com uma fotografia rara, publicada nos Instagram Stories, onde o pai aparece a aplaudir e a sorrir ao lado de Joni Mitchell — que está exactamente na mesma posição. Lorraine não indicou quando a foto foi tirada. Escreveu apenas “¡¡ 89 !!” por cima da imagem, depois de ter publicado outra fotografia de um Jack mais jovem numa t-shirt da Coca-Cola com a pergunta “89?”. É exactamente o tipo de celebração discreta que combina com um homem que decidiu, em determinado momento, simplesmente desaparecer.

A última aparição pública de Nicholson foi em Fevereiro de 2025, ao lado da própria Lorraine, durante o especial televisivo do 50.º aniversário do Saturday Night Live na NBC. Entrou em palco para apresentar uma actuação musical de Adam Sandler e recebeu uma ovação prolongada. Antes disso, a última aparição nos Óscares tinha sido em 2013, quando subiu ao palco com a então First Lady Michelle Obama para apresentar o prémio de Melhor Filme. Entre uma coisa e outra, passou uma década. Nicholson sempre soube como fazer uma saída — e como fazer uma entrada.

A carreira que ficou para trás é de uma dimensão que poucos actores de qualquer geração conseguiram aproximar. Três Óscares — Um Estranho no Ninho (1975), Laços de Ternura (1983) e Melhor é Impossível (1997) —, seis Globos de Ouro, três BAFTAs e até um Grammy. A estreia foi em 1958 num filme de Roger Corman chamado Cry Baby Killer. O último papel foi uma participação em Como Sabes de James L. Brooks, em 2010, com Reese Witherspoon, Paul Rudd e Owen Wilson — um fim de carreira tão discreto quanto o retiro que se seguiu.

A última nomeação ao Óscar foi em 2003, por A Propósito de Schmidt. Vinte e três anos depois, Nicholson continua a ser uma das presenças mais imediatas e inconfundíveis da história do cinema americano — uma daquelas raras figuras em que basta uma imagem, um sorriso, um par de óculos escuros, para que tudo o resto venha atrás. A foto com Joni Mitchell — dois veteranos do século XX a aplaudir algo que não sabemos o quê — é, sem querer ser, o retrato perfeito de duas pessoas que fizeram tudo o que tinham a fazer e agora simplesmente estão.

Lorraine é uma das seis filhas de Nicholson. A mãe é a actriz Rebecca Broussard, com quem o actor tem também um filho, Ray Nicholson, recentemente visto em Smile 2. A família mantém uma presença pública mínima — exactamente como o pai parece preferir.

Manuel Luís Goucha Perde Disputa de 1,17 Milhões com o Fisco — e Ainda Pode Recorrer

Há uma prática comum entre figuras públicas de alto rendimento — actores, apresentadores, desportistas — que consiste em criar uma empresa para canalizar os rendimentos profissionais, beneficiando da tributação em IRC em vez do IRS, geralmente mais pesado para rendimentos elevados. É uma estratégia que os advogados fiscalistas conhecem bem, que o Fisco conhece igualmente bem, e que quando ultrapassa determinados limites activa instrumentos específicos de combate à evasão fiscal. Manuel Luís Goucha ficou do lado errado dessa linha — e o tribunal arbitral acaba de o confirmar.

O Centro de Arbitragem Administrativa (CAAD) deu razão à Autoridade Tributária e Aduaneira num processo que envolve o apresentador da TVI. De acordo com o Jornal de Negócios, Goucha criou uma empresa à qual cedeu, a título gratuito, os seus direitos de imagem e o direito à sua exploração. A partir daí, era a empresa — e não o apresentador a título pessoal — que prestava serviços às entidades que o contratavam, e os rendimentos correspondentes eram tributados em IRC. A vantagem fiscal em relação ao IRS era considerável.

Uma inspecção do Fisco concluiu que a sociedade tinha sido criada exclusivamente com o objectivo de ali parquear esses rendimentos — sem actividade autónoma, sem razão de ser além da vantagem fiscal. A Autoridade Tributária activou a Cláusula Geral Antiabuso, o instrumento legal que permite desconsiderar estruturas criadas artificialmente para obter benefícios fiscais que não seriam possíveis de outra forma. O raciocínio do Fisco era simples: os rendimentos derivavam do trabalho pessoal de Goucha — da sua imagem, da sua voz, da sua presença física — e como tal deviam ser tributados em IRS, independentemente da estrutura societária criada para os receber.

O tribunal arbitral considerou “correcta” a aplicação da cláusula, sublinhando que a empresa recebeu gratuitamente “o direito à exploração da imagem e voz” do apresentador, e que as entidades contratantes “deixaram de contratar e pagar ao requerente os serviços por ele prestados, passando a fazê-lo com a sociedade.” Em linguagem mais directa: Goucha prestava o serviço, a empresa recebia o dinheiro, e o Fisco considerou que isso era, na prática, uma ficção.

A fatura final ficou fixada em 1,17 milhões de euros — 670 mil relativos a imposto e 500 mil a juros compensatórios — referentes apenas aos rendimentos de 2019. O valor já reflecte um acerto de contas com o IRC anteriormente pago pela empresa, pelo que não é o montante bruto da divergência fiscal mas o saldo final a liquidar.

Goucha não fica, no entanto, sem saída. Um dos três árbitros do CAAD votou vencido, o que significa que a decisão não foi unânime — e essa divergência abre-lhe a porta para recurso judicial. Se avançar, o processo pode ainda arrastar-se por mais alguns anos. A TVI não comentou o caso.

O processo de Goucha não é único nem surpreendente para quem acompanha a fiscalidade das figuras públicas em Portugal. A Autoridade Tributária tem intensificado nos últimos anos a inspecção a estruturas societárias criadas por personalidades de alta visibilidade — apresentadores, influenciadores, desportistas —, e a Cláusula Geral Antiabuso tem sido cada vez mais invocada com sucesso nos tribunais arbitrais. A linha entre planeamento fiscal legítimo e abuso é muitas vezes ténue, mas o critério dos tribunais tem sido consistente: quando a empresa não tem substância própria além de receber rendimentos que derivam directamente do trabalho pessoal do seu sócio, a ficção não se sustenta.

Cristina Ferreira, a TVI e o Limite do que se Pode Dizer sobre Violação em Directo

Há frases que, uma vez ditas em público, não têm retorno. “Mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve — claro que têm de ouvir —, alguém entende aquele: ‘não quero mais?'” Estas palavras, ditas por Cristina Ferreira no passado dia 14 de Abril em directo na TVI, durante a rubrica “Crónica Criminal” do programa “Dois às 10”, instalaram em Portugal um debate que dura há mais de uma semana e que não dá sinais de se esgotar.

O caso discutido era real e grave: uma rapariga de 16 anos terá sido violada em fevereiro do ano passado em Santo António dos Cavaleiros, num encontro que começou consentido e que continuou numa garagem próxima, onde a adolescente pediu que fosse parado. O Ministério Público acusa quatro influenciadores digitais — três com 19 a 20 anos à data, um com 17 — de mais de 30 crimes, entre violação, pornografia de menores e ofensa à integridade física. O julgamento decorre à porta fechada no Tribunal de Loures.

O que Cristina Ferreira disse — ou perguntou, como ela própria insiste na distinção — não foi recebido como uma questão jornalística. Foi recebido como uma naturalização. A reacção foi imediata e crescente: mais de 140 personalidades assinaram uma Carta Aberta de condenação, incluindo colegas de profissão. Mais de 4.400 queixas chegaram à Entidade Reguladora para a Comunicação Social. As redes sociais transformaram o clip numa prova de acusação. A TVI respondeu falando em “manipulação grosseira” e prometeu recurso judicial para “repor a justiça”.

Dez dias depois, Cristina Ferreira foi ao Jornal Nacional do seu próprio canal falar sobre o assunto. Não pediu desculpa. Lamentou as proporções que o caso tomou. Distinguiu entre uma pergunta e uma opinião. Disse que “não é não, ponto.” Disse que quis perceber “o que se passou na cabeça de quatro jovens que não respeitaram aquela rapariga.” Perguntou, confrontada com as acusações de machismo: “Por que é que sou machista em querer perceber o comportamento de um violador?” O Jornal Nacional bateu 9,3% de rating e 19,1% de share nessa noite. O pico — 1,3 milhões de espectadores — coincidiu com a entrevista.

Maria João Faustino, doutorada em psicologia e primeira subscritora da Carta Aberta, não tem dúvidas sobre o que aconteceu. “Aquela pergunta não é uma pergunta neutra. É enviesada e problemática. Só a formulação já admite a possibilidade. A linguagem usada, ‘fazer sexo com’, é um eufemismo. O retrato ali quase nos transportaria para uma orgia. Não foi uma orgia. Aquilo foi uma violação em grupo.” A especialista aponta ainda a intervenção da psicóloga comentadora do programa como reveladora de “uma falta de preparação absoluta” — porque, no contexto de interacção sexual, “as pessoas são perfeitamente capazes de ler os sinais de recusa, e essa recusa não tem de ser verbal.”

Para Faustino, o que está em causa vai além das palavras de Cristina Ferreira. É o modelo de como os média em Portugal tratam a violência sexual — em “tom quase de tertúlia”, como conversa de café. “Os discursos amplificados pelos média têm um impacto tremendo na percepção das pessoas sobre a violência sexual. E muitas vezes são palco de profusão de mitos e de desinformação.” Em 2025, os crimes de violação em Portugal atingiram o valor mais elevado da última década, com um quinto dos arguidos entre os 16 e os 20 anos. “O problema é estrutural”, sublinha.

A presença de Cristina Ferreira no Jornal Nacional para responder à polémica foi, para a investigadora, mais um problema do que uma solução. “Foi uma espetacularização da violência. A resposta institucional responsável seria pedir desculpa às pessoas que se sentiram magoadas e indignadas — incluindo aquela vítima em particular.” A TVI, acusa, “aproveitou o momento para monetizar a tragédia e ganhar audiências.” Os números dão-lhe razão aritmética.

Do lado regulatório, a ERC confirmou à Euronews que recebeu cerca de 4.400 participações e que o Conselho Regulador abriu um procedimento de averiguações. Alberto Arons de Carvalho, professor universitário e ex-vice-presidente do Conselho Regulador, considera que foram ultrapassados os limites à liberdade de programação “com a agravante de que tudo se passou num horário acessível a crianças e adolescentes.” O caso, diz, pode justificar uma deliberação de condenação com divulgação obrigatória pelo canal — um instrumento raro mas previsto nos estatutos da ERC. Qualquer decisão nunca chegará antes de dois a três meses, uma vez que os visados ainda têm de ser ouvidos no processo.

O que este caso expõe não é apenas Cristina Ferreira. Expõe um modelo de televisão que trata crimes sexuais como entretenimento de horário da manhã, que convida comentadores sem formação específica para analisar violações em directo, e que mede o sucesso em rating — incluindo o rating gerado pela própria controvérsia. A apresentadora mais poderosa da televisão portuguesa disse o que disse. A pergunta que fica não é só sobre ela. É sobre o sistema que a deixou dizê-lo.

Apex — Charlize Theron é Caçada no Deserto Australiano e a Netflix Tem o Thriller do Fim-de-Semana

Há um tipo de thriller que não precisa de ser profundo para ser excelente. Precisa de saber exactamente o que é, de ter dois actores capazes de o sustentar, e de um realizador que conheça o terreno. Apex, que estreou hoje na Netflix, tem as três coisas — e os 95 minutos que dura não desperdiçam um único.

Sasha, interpretada por Charlize Theron, é uma aventureira americana cujo parceiro de escalada morre no início do filme durante uma subida ao Troll Wall norueguês. Em luto, parte em viagem solitária pelo interior da Austrália — uma decisão que qualquer espectador com alguma memória cinematográfica reconhece imediatamente como imprudente. O realizador Baltasar Kormákur e o director de fotografia Lawrence Sher estabelecem desde o início um sentido de perigo físico real, com planos aéreos vertiginosos que capturam tanto a beleza como a hostilidade da paisagem.

A ameaça assume a forma de Ben, um rapaz local de aparência jovial e sotaque australiano, interpretado por Taron Egerton com uma inteligência de casting considerável: projecta uma masculidade mais descontraída e prestável do que o tipo que normalmente se teme nestes cenários — até que muito claramente deixa de o fazer, com uma besta armada na mão. Egerton, que o público conhece de Rocketman e Kingsman, é genuinamente inquietante precisamente porque não parece um villain convencional — e o filme usa isso com habilidade, atrasando o momento em que o perigo se torna inegável.

Kormákur é magistral na utilização das localizações, casando cada curva, gruta, rápido e cascata com a narrativa. É o tipo de realização que raramente recebe o crédito que merece porque parece natural — mas a geografia de um thriller de sobrevivência é tudo, e Apex nunca perde o sentido do espaço nem a consciência de onde estão os dois personagens em relação um ao outro. O filme abre com Theron e Eric Bana a escalar o Troll Wall norueguês em condições meteorológicas extremas, uma sequência que estabelece imediatamente a competência física de Sasha e o nível de risco que ela normaliza. Quando a perseguição australiana começa, o espectador já acredita que esta mulher tem os recursos para sobreviver — o que é exactamente o que o thriller precisa que acredite.

O Deadline descreveu o filme como tendo “uma economia narrativa de bom augúrio” — e é uma descrição justa. Apexnão se detém em backstory desnecessário nem em subtexto que não tem intenção de desenvolver. É um filme sobre duas pessoas num espaço grande e perigoso, uma a tentar matar a outra, a outra a recusar-se a deixar. A balança vai-se inclinando lentamente entre os dois ao longo de uma série de sequências de acção bem coreografadas e revelações bem ganhas.

Gouvernákur — o realizador islandês de Adrift e Beast — rodou Apex em colaboração com a produtora de Theron, Denver and Delilah Productions, o que explica em parte o controlo criativo visível em cada frame. Theron não está aqui apenas como estrela — está como co-arquitecta do projecto, e a diferença nota-se. A força composta de Theron e os olhos assustadoramente lúcidos de Egerton fazem uma combinação que o filme merecia, e que eleva o material acima do thriller de sobrevivência genérico.

É previsível em alguns momentos? Sim. Porque Apex está mais interessado em adrenalina branca do que em emoção excessiva e explicações, o que acaba por ser uma das suas qualidades mais refrescantes. Num fim-de-semana em que os cinemas estão tomados por um biopic que divide críticos e público, a Netflix tem a alternativa mais simples e mais satisfatória. Às vezes isso é mais do que suficiente.

As Estrelas Mais Simpáticas de Hollywood (E Porque Toda a Gente Fala Delas)

Quando o talento encontra a humanidade

Hollywood pode ser um mundo de egos gigantes, agendas impossíveis e pressão constante — mas, no meio de tudo isso, há actores que parecem remar contra a maré. Não pela polémica, nem pelos escândalos, mas por algo bem mais raro: genuína simpatia.

E não estamos a falar de sorrisos ensaiados na passadeira vermelha. Falamos de atitudes consistentes, histórias repetidas por colegas, fãs e equipas técnicas. Pequenos gestos que, ao longo do tempo, constroem reputações… e lendas.

Keanu Reeves: o padrão impossível de bater

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Se há nome que surge sempre nestas conversas, é o de Keanu Reeves. E não é por acaso.

Entre histórias de oferecer lugares no metro, distribuir bónus milionários à equipa de efeitos especiais de The Matrix e manter uma vida surpreendentemente discreta, Reeves tornou-se quase um símbolo de humildade em Hollywood.

Mais do que gestos isolados, o que impressiona é a consistência. Ao longo de décadas, praticamente não existem relatos negativos sobre o actor — algo quase impossível numa indústria onde tudo acaba por vir à superfície.

Tom Hanks: o “boa pessoa” oficial da América

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Tom Hanks construiu uma carreira sólida, mas também uma reputação que vai muito além dos filmes.

Conhecido por tirar fotografias com fãs, responder a cartas e até devolver objectos perdidos com mensagens escritas à máquina, Hanks é frequentemente descrito como alguém acessível e genuinamente interessado nas pessoas à sua volta.

Nos bastidores, técnicos e colegas apontam a mesma característica: respeito. E, em Hollywood, isso vale ouro.

Dwayne Johnson: energia, carisma e respeito

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Dwayne Johnson, também conhecido como “The Rock”, é outro caso curioso: uma estrela gigantesca com uma abordagem quase… familiar.

Nas redes sociais, nos sets de filmagem ou em eventos, há uma constante: energia positiva e proximidade. Johnson faz questão de destacar equipas, agradecer publicamente e envolver-se com fãs de forma directa.

É uma estratégia? Talvez. Mas é também uma prática contínua que consolidou a sua imagem como um dos profissionais mais agradáveis da indústria.

Ryan Reynolds: simpatia com sentido de humor

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Ryan Reynolds acrescenta um ingrediente extra à equação: humor.

A sua simpatia manifesta-se muitas vezes através de interacções divertidas — seja com fãs, colegas ou até outras celebridades. Mas por trás da ironia está uma postura respeitadora e generosa, frequentemente destacada por quem trabalha com ele.

É o tipo de estrela que consegue ser acessível… sem deixar de ser estrela.

Emma Stone: naturalidade num mundo artificial

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Emma Stone é muitas vezes descrita como “normal” — o que, em Hollywood, é quase revolucionário.

Com uma postura descontraída, alguma timidez assumida e um sentido de humor auto-depreciativo, a actriz conquistou não só o público, mas também colegas de profissão.

Nos bastidores, é vista como colaborativa, acessível e livre de pretensões — uma combinação rara num meio onde a pressão pode facilmente distorcer comportamentos.

Mais do que imagem: quando a simpatia é consistente

Há uma diferença clara entre simpatia pontual e carácter consistente. Em Hollywood, onde tudo é observado, repetido e amplificado, manter uma reputação positiva durante anos não é obra do acaso.

Estas estrelas têm algo em comum: tratam as pessoas da mesma forma, estejam perante uma câmara, um colega de elenco ou um técnico nos bastidores.

E talvez seja essa a verdadeira medida do “bom feitio”.

Afinal, o que torna uma estrela verdadeiramente grande?

O talento abre portas. O carisma conquista audiências. Mas é a forma como se trata os outros que constrói legado.

Num mundo onde as histórias negativas viajam depressa, estas figuras mostram que a simpatia — quando é genuína — também se torna notícia.

E talvez, no fim de contas, seja isso que mais perdura.

Elden Ring — Alex Garland Filma para a A24 com Kit Connor e Cailee Spaeny, Estreia em Março de 2028

Há videojogos que são arte. Elden Ring — o RPG de acção da FromSoftware e Bandai Namco lançado em Fevereiro de 2022, com world-building de George R.R. Martin e direcção criativa de Hidetaka Miyazaki — é um deles. Mais de 30 milhões de cópias vendidas, mais de 400 prémios Jogo do Ano, e uma comunidade global que continua activa e apaixonada quatro anos depois do lançamento. É o tipo de material que o cinema raramente toca bem — porque a experiência de jogar Elden Ring é fundamentalmente sobre solidão, descoberta e morte repetida, e nenhuma dessas coisas se traduz directamente para o ecrã. Alex Garland é provavelmente a escolha mais inteligente que a A24 poderia ter feito para tentar

A produção do filme está já em curso, com estreia confirmada para 3 de Março de 2028, filmagem para IMAX e um elenco que inclui Kit Connor, Ben Whishaw, Cailee Spaeny, Tom Burke, Nick Offerman, Jonathan Pryce e Havana Rose Liu. Garland — o realizador de Ex MachinaAnnihilation e Civil War, e argumentista de 28 Days Later e Sunshine — fez uma apresentação pessoal à Bandai Namco e à FromSoftware para ganhar os direitos de adaptação. É o sinal mais claro possível de que este projecto parte de uma obsessão genuína, não de um cálculo comercial.

O elenco é um estudo em escolhas inesperadas. Kit Connor — que toda a gente conhece de Heartstopper e que Garland já trabalhou em Warfare — como protagonista de uma fantasia de acção medieval sombria é uma subversão deliberada das expectativas. Ben Whishaw, um dos actores mais completos da sua geração, num universo de monstros e ruínas. Nick Offerman, recentemente nomeado ao Emmy por The Last of Us, num papel que os fãs do jogo especulam ser o do Dung Eater — o personagem mais perturbador de toda a narrativa. E George R.R. Martin como produtor executivo, fechando um círculo entre os dois criadores de mundos mais influentes da fantasia contemporânea.

O orçamento reportado de 100 milhões de dólares torna-o no filme mais caro da história da A24  — uma aposta que reflecte tanto a dimensão do projecto como a confiança que o estúdio deposita em Garland. O realizador descreveu Elden Ring como um universo que lhe permite explorar “a liberdade criativa total” — o mesmo adjectivo que usou para descrever o que a FromSoftware deu aos jogadores. Se Garland conseguir transferir para o ecrã a sensação de descoberta que define o jogo — a arquitectura de significado escondido, a narrativa que existe para quem a procura —, pode ser um dos filmes mais originais de 2028.

Rabo de Peixe: a série portuguesa que conquistou o mundo chega ao capítulo final na Netflix
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Tiago Guedes em Cannes Première — Aqui Leva o Cinema Português à Selecção Oficial

Quando se fala de cinema português em Cannes, a memória recente não é escassa. Miguel Gomes esteve em competição com As Mil e Uma Noites. João Pedro Rodrigues tem uma relação longa com o festival. Teresa Villaverde, João Salaviza, Susana de Sousa Dias — o cinema português tem uma presença discreta mas consistente na Croisette ao longo das últimas décadas. E ontem, com o anúncio das últimas adições à Selecção Oficial de 2026, o nome de Tiago Guedes entrou nessa lista.

Aqui, o novo filme de Tiago Guedes, foi seleccionado para Cannes Première — a secção que acolhe filmes fora da competição principal mas com uma visibilidade e um prestígio que qualquer realizador do mundo reconhece imediatamente como significativos. Cannes Première é onde estreiam filmes de realizadores com carreira consolidada que o festival quer celebrar sem os colocar na corrida pela Palma de Ouro. É um lugar de honra, não uma concessão.

Tiago Guedes é um dos realizadores portugueses mais interessantes da sua geração. Tristeza e Alegria na Vida das Girafas (2013) — a adaptação da peça de Tiago Rodrigues sobre uma rapariga que decide falar com o primeiro-ministro — foi uma estreia que demonstrava uma voz cinematográfica com confiança e originalidade raras. O Filho (2019), com Albano Jerónimo e Sandra Faleiro, confirmou que Guedes sabe explorar a intimidade das relações familiares com uma contenção formal que amplifica em vez de diminuir a intensidade emocional.

Os detalhes de Aqui são ainda escassos — o festival não disponibilizou sinopse no momento do anúncio. Mas a presença em Cannes Première, numa edição que já inclui filmes de Almodóvar, Farhadi, Koreeda, Zvyagintsev, Dhont e James Gray, é por si mesma uma afirmação sobre a qualidade e a relevância do projecto. Para o cinema português, e para os que o acompanham, é a confirmação de que Tiago Guedes pertence a essa conversa internacional — e que Cannes, o árbitro mais exigente do cinema de autor mundial, reconhece isso.

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Stranger Things: Tales From ’85 — O Universo de Hawkins Regressa Hoje em Animação

O universo de Stranger Things ficou formalmente fechado em 2025, quando a quinta e última temporada encerrou a história de Eleven, Mike, Dustin, Lucas e Will com uma despedida que a Netflix tratou como um evento cultural de primeira ordem. O que a Netflix e os Duffer Brothers deixaram em aberto — deliberadamente — foi a possibilidade de regressar ao universo sem regressar à mesma história. Stranger Things: Tales From ’85, que estreia hoje na plataforma, é a primeira resposta a essa possibilidade.

A série animada passa-se no inverno de 1985, em Hawkins, e segue os personagens originais em novas aventuras paranormais.  É, nas palavras dos Duffer Brothers, uma tentativa de capturar “a magia de Hawkins de uma forma nova” — e a forma nova é a animação, com uma estética deliberadamente inspirada nos desenhos animados de sábado de manhã dos anos 80. O showrunner é Eric Robles, que produziu o projecto através da Flying Bark Productions, os mesmos responsáveis por What If…? da Marvel.

A aposta é arriscada por razões que qualquer fã de franchise conhece bem. A animação pode parecer uma extensão comercial — um produto para manter a marca activa entre os fãs mais jovens sem o risco criativo e financeiro de uma nova temporada live-action. Ou pode ser exactamente o oposto: uma forma de explorar o universo com uma liberdade que a série original não tinha, sem o peso das expectativas que cada temporada carregava. Os Duffer descreveram-na como uma oportunidade de “regressar no tempo e simplesmente estar com estas crianças” — uma frase que soa sincera e que, se a série concretizar essa promessa, pode ser exactamente o que a franchise precisava para sobreviver além do seu arco principal.

A série junta ao elenco de vozes de personagens familiares uma nova personagem, Nikki Baxter, com voz de Odessa A’zion, conhecida de Marty Supreme. Os Duffer Brothers e Hilary Leavitt produzem executivamente através da Upside Down Pictures, junto com Shawn Levy e Dan Cohen. É uma produção com o mesmo nível de cuidado da série original — a questão é se o público vai abraçar Hawkins numa dimensão diferente, ou se a magia era inseparável dos actores que a construíram ao longo de oito anos.

Clayface — O Primeiro Trailer do Horror do DCU Chegou e É Exactamente Tão Perturbador Quanto Precisava de Ser
Miami Vice ’85 — Michael B. Jordan e Austin Butler São Tubbs e Crockett no Regresso ao Neon de Miami
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Heartstopper Forever — Nick e Charlie Dizem Adeus a 17 de Julho num Filme em Vez de uma Temporada

Há séries que criam comunidades. Heartstopper — a história de amor adolescente entre Nick Nelson e Charlie Spring, baseada nas graphic novels de Alice Oseman — é claramente uma delas. Desde que estreou na Netflix em Abril de 2022, tornou-se num fenómeno de representação LGBTQ+ com uma gentileza e uma autenticidade que raramente se encontram na televisão mainstream. Três temporadas, oito Emmys, e uma base de fãs que aguardou com uma paciência que raramente se vê no consumo de streaming contemporâneo. Ontem, no quarto aniversário exacto da estreia da primeira temporada, a Netflix confirmou que o fim está marcado: Heartstopper Forever chega à plataforma a 17 de Julho. 

O formato da despedida é uma decisão criativa que Oseman admitiu ter inicialmente encarado com “apreensão”. Em vez de uma quarta temporada — o que os fãs esperavam e o que parecia a continuação natural — a história vai concluir-se num único filme de longa-metragem. A razão é simples: Nick vai para a universidade, e Nick e Charlie vão enfrentar a realidade de uma relação à distância. É o momento de viragem que qualquer casal adolescente tem de atravessar — e Oseman argumentou que o formato de filme, sem a necessidade de cliffhangers episódicos ou reviravoltas semanais, permite uma narrativa mais contemplativa e atmosférica. “Toda a parte do Heartstopper pode ser elevada a uma qualidade superior para criar algo memorável, sofisticado e atmosférico”, disse a criadora.

Kit Connor e Joe Locke regressam como Nick e Charlie — e pela primeira vez servem também como produtores executivos, um reconhecimento do papel que os dois actores tiveram na construção da série além das suas performances. O restante elenco principal regressa quase na íntegra: Yasmin Finney, Will Gao, Corinna Brown, Kizzy Edgell, Tobie Donovan, Rhea Norwood. Há uma mudança de casting significativa: Olivia Colman, que interpretou a mãe de Nick nas três temporadas, não regressa — foi substituída por Anna Maxwell Martin, a actriz de Line of Duty e Philomena. Derek Jacobi junta-se ao elenco numa aparição ainda não revelada.

A realização é de Wash Westmoreland — o realizador de Still Alice e Colette, dois filmes sobre transformação identitária e sobre o custo emocional de viver fiel a si mesmo —, que traz ao projecto uma sensibilidade que é uma extensão natural do que a série sempre foi. Oseman descreveu o filme como “uma exploração do tempo, da memória, do amor, da dor, da mudança das estações, dos fins e dos começos.” É a linguagem de alguém que está a preparar uma despedida digna — não um encerramento apressado, mas um adeus que tem o espaço e a calma necessários para ser sentido.

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Miami Vice ’85 — Michael B. Jordan e Austin Butler São Tubbs e Crockett no Regresso ao Neon de Miami
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Clayface — O Primeiro Trailer do Horror do DCU Chegou e É Exactamente Tão Perturbador Quanto Precisava de Ser

James Gunn disse desde o início que queria que cada filme do novo DC Universe tivesse um tom diferente. Superman era esperança e optimismo. Supergirl era aventura espacial. Clayface é horror. Horror a sério, classificação R, body horror vitoriano com influências de Darkman e O Homem Invisível — e o trailer que a Warner Bros. e a DC Studios lançaram ontem confirma que ninguém exagerou na descrição.

O filme estreia a 23 de Outubro de 2026 — posicionamento de Halloween deliberado e inteligente — e é realizado por James Watkins, com argumento de Mike Flanagan e Hossein Amini. A combinação de Flanagan — o mestre do horror literário adaptado, responsável por Haunting of Hill HouseMidnight Mass e a adaptação de Stephen King Doctor Sleep — com Watkins, realizador de A Mulher de Negro e episódios de Black Mirror, é exatamente o tipo de parceria criativa que sugere um filme com ambições além do franchising.

A história segue Matt Hagen, um actor em ascensão em Hollywood que é violentamente desfigurado por um gangster. Para recuperar a face e a carreira, submete-se a uma cirurgia experimental que o transforma no Clayface — feito de argila viva, capaz de se moldar a qualquer forma, imparável na sua busca de vingança. O trailer, com banda sonora de um remix etéreo de “Do You Realize??” dos Flaming Lips, mostra Hagen na cama de hospital com o rosto coberto de ligaduras, flashbacks da vida anterior, e finalmente a transformação — um braço que se transforma numa maça espinhosa para golpear alguém. É uma promessa de body horror que evita deliberadamente a estética de superhero habitual.

Tom Rhys Harries — o actor galês conhecido do público de streaming por White Lines e The Gentlemen — lidera o elenco no papel de Matt Hagen. A escolha é consistente com a estratégia de Gunn de evitar estrelas de primeira linha nos papéis principais em favor de actores menos conhecidos que possam ser associados definitivamente com as suas personagens. Naomi Ackie — indicada ao Óscar por I Wanna Dance with Somebody — interpreta a Dra. Caitlin Bates, a cientista cujos experimentos são centrais à transformação. Max Minghella é um detective de Gotham, e Eddie Marsan e David Dencik completam o elenco principal.

O que torna Clayface potencialmente o filme DC mais interessante do ano não é o horror em si — é o que o horror permite explorar. A história de um actor que perde o rosto e com ele a identidade, e que encontra na capacidade de ser qualquer coisa uma forma perversa de liberdade, tem uma densidade psicológica que a maioria dos filmes de superhero não tem paciência para explorar. O trailer sugere que Watkins e Flanagan não desperdiçaram essa oportunidade.

Miami Vice ’85 — Michael B. Jordan e Austin Butler São Tubbs e Crockett no Regresso ao Neon de Miami

Há franchises que o tempo trata com uma generosidade que os seus criadores não previram. Miami Vice — a série da NBC que entre 1984 e 1989 definiu literalmente a estética de uma década, da moda ao cinema, das gravatas às mangas dobradas dos fatos brancos — é uma delas. A adaptação cinematográfica de Michael Mann em 2006 com Colin Farrell e Jamie Foxx foi recebida com frieza na altura e tem vindo a ser progressivamente reabilitada pela crítica nas últimas duas décadas. A Universal Pictures decidiu que é hora de tentar de novo — e desta vez com uma combinação de estrelas e realizador que torna a aposta muito mais clara.

Miami Vice ’85 foi confirmado ontem com Michael B. Jordan e Austin Butler a fecharem os contratos para interpretar Tubbs e Crockett, respectivamente, sob a direcção de Joseph Kosinski.  O título diz tudo sobre a abordagem: não é uma adaptação contemporânea nem uma reimaginação que foge ao material original — é um regresso deliberado e assumido ao Miami dos anos 80, ao neon, à corrupção, à estética que a série original transformou em ícone cultural. O filme vai ser rodado para IMAX e está previsto para 6 de Agosto de 2027. 

O elenco é uma declaração de intenções. Michael B. Jordan acaba de ganhar o Óscar de Melhor Actor por Sinners de Ryan Coogler — o thriller de horror de blues que foi a maior surpresa cinematográfica de 2025 — e está no pico da sua relevância artística e comercial. Austin Butler transformou-se em nome bankable depois de Elvis e consolidou essa posição com Dune: Parte Dois e Bonecracker. Os dois juntos representam exactamente o tipo de casting que a Universal precisa para fazer de Miami Vice ’85 algo mais do que nostalgia.

Joseph Kosinski, por seu lado, tem uma relação muito específica com o cinema de acção de grande escala. Top Gun: Maverick — o maior blockbuster de 2022, com 1,49 mil milhões de dólares mundiais — demonstrou que o realizador sabe como fazer filmes de acção que funcionam tanto como espectáculo visual como como estudo de personagens. F1, estreado este ano, confirmou essa capacidade. A rodagem para IMAX é um sinal de que a Universal está a posicionar Miami Vice ’85 como um evento cinematográfico, não apenas como um produto de franchise.

O argumento é de Dan Gilroy — o realizador e argumentista de Nightcrawler, o thriller de 2014 com Jake Gyllenhaal que é um dos filmes mais perturbadores sobre o jornalismo e a América contemporânea. O filme baseia-se na inspiração do episódio piloto e da primeira temporada da série original, criada por Anthony Yerkovich e executivamente produzida por Michael Mann. TV Guide Mann, cujo nome está indissociavelmente ligado à série e ao filme de 2006, está associado ao projecto como produtor executivo. Há rumores de que Tom Cruise está em conversas para o papel do antagonista — conhece bem Kosinski de Oblivion e de Top Gun: Maverick, e o seu calendário de verão está aparentemente disponível.

Cannes 2026 Fecha a Selecção — James Gray, Victorian Psycho, Judith Godrèche e Tiago Guedes na Lista Final
Rabo de Peixe: a série portuguesa que conquistou o mundo chega ao capítulo final na Netflix
Maio no NOS Studios: ação, terror, romance e fantasia para todas as noites de cinema em casa

Cannes 2026 Fecha a Selecção — James Gray, Victorian Psycho, Judith Godrèche e Tiago Guedes na Lista Final

A selecção oficial de Cannes 2026 está fechada. Ontem, o festival anunciou os últimos 16 títulos que completam a programação da 79.ª edição — e a notícia mais aguardada era a que toda a indústria sabia que ia acontecer mas precisava de ver confirmada: Paper Tiger, de James Gray, entra em competição pela Palma de Ouro.

O filme é um thriller de crime passado em Nova Iorque sobre dois irmãos que tentam realizar o sonho americano e se enredam numa esquema com a máfia russa.  Estelarizado por Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller, é o sexto filme de Gray em competição em Cannes — ele esteve pela última vez na Croisette com Armageddon Time em 2022 — e foi adquirido pela Neon para a América do Norte, a distribuidora que já tem quatro filmes em competição esta edição e que está na corrida para a sua sétima Palma de Ouro consecutiva, depois de ParasitasTitaneTriângulo de TristezaAnatomia de uma QuedaAnora e It Was Just an Accident. A competição fica assim fechada com 22 filmes. Ira Sachs é o único outro americano em competição com The Man I Love.

Em Un Certain Regard, a adição mais comentada é Victorian Psycho de Zachary Wigon — um thriller de horror gótico passado na Inglaterra vitoriana sobre uma governanta excêntrica que chega a uma mansão remota e começa a gerar suspeitas entre os residentes. Maika Monroe, que substituiu Margaret Qualley após um conflito de agenda, lidera o elenco com Thomasin McKenzie, Jason Isaacs e Ruth Wilson. O filme foi originalmente desenvolvido na A24 antes de aterrar na Bleecker Street, e a sua presença em Cannes confirma Monroe como uma das presenças mais relevantes do cinema de género contemporâneo.

Também em Un Certain Regard, A Girl’s Story de Judith Godrèche. A actriz francesa que se tornou uma das figuras centrais do movimento #MeToo em França — depois de revelar em 2024 abusos sexuais por parte dos realizadores Benoît Jacquot e Jacques Doillon — estreia-se como realizadora de longa-metragem no mesmo festival onde denunciou os seus agressores. TheWrap Godrèche já tinha estado em Cannes como realizadora em 2023 com a curta-metragem Moi Aussi, que abriu precisamente o Un Certain Regard. Este regresso em formato longo é um dos momentos mais carregados de significado de toda a edição.

A lista de adições inclui ainda Titanic Ocean da realizadora grega Konstantina Kotzamani — uma história de formação passada numa escola especial no Japão que treina adolescentes como sereias profissionais —, Ulysse de Laetitia Masson como filme de encerramento de Un Certain Regard, e Ceniza en la Boca de Diego Luna na secção Cannes Première, onde estreia a sua primeira longa-metragem como realizador. Também em Cannes Première, Mariage au Goût d’Orange de Christophe Honoré, um drama familiar dos anos 70 com Adèle Exarchopoulos e Paul Kircher.

E há uma notícia especialmente relevante para o cinema português: Aqui de Tiago Guedes foi seleccionado para Cannes Première. O realizador de Tristeza e Alegria na Vida das Girafas e O Filho leva ao festival mais importante do mundo o seu mais recente trabalho, numa secção que acolhe filmes fora da competição principal mas com visibilidade e prestígio consideráveis. É uma das melhores notícias do cinema nacional deste ano.

Cannes 2026 decorre de 12 a 23 de Maio. Com a selecção agora completa — Almodóvar, Farhadi, Koreeda, Hamaguchi, Mungiu, Pawlikowski, Zvyagintsev, Dhont, Na Hong-jin, Ira Sachs e agora James Gray em competição — é difícil não concluir que esta é uma das edições mais densas em talento da última década.

Rabo de Peixe: a série portuguesa que conquistou o mundo chega ao capítulo final na Netflix
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IndieLisboa 2026 na TVCine: uma viagem pelo cinema independente português e as suas inquietações contemporâneas

Rabo de Peixe: a série portuguesa que conquistou o mundo chega ao capítulo final na Netflix

A terceira temporada de Rabo de Peixe chegou há poucos dias à Netflix e marca o desfecho de uma das produções portuguesas mais ambiciosas alguma vez lançadas na plataforma. Desde a estreia em 2023, a série transformou-se num fenómeno nacional e internacional, levando os Açores, a sua paisagem agreste e uma história inspirada em factos reais a milhões de espectadores em todo o mundo.  

Uma história nascida do caos

Inspirada, ainda que de forma livre, num caso real ocorrido nos Açores no início dos anos 2000, Rabo de Peixe parte de uma premissa explosiva: um carregamento de cocaína dá à costa na ilha de São Miguel e muda para sempre a vida de uma pequena comunidade piscatória.

No centro da narrativa está Eduardo, interpretado por José Condessa, um jovem pescador que vive entre dificuldades económicas, responsabilidades familiares e o sonho de escapar ao destino aparentemente traçado pela ilha. Ao lado dos amigos Rafael, Carlinhos e Sílvia, vê naquele achado uma oportunidade única para mudar de vida.

A primeira temporada acompanha a ascensão deste grupo improvisado no mundo do narcotráfico, misturando tensão policial, violência, ambição e, acima de tudo, amizade. Foi precisamente esta combinação entre thriller criminal e drama humano que ajudou a série a destacar-se.

A segunda temporada elevou a escala do conflito. O negócio da droga já não era apenas uma aventura perigosa: tornou-se uma guerra aberta, com novos inimigos, traições e consequências devastadoras para todos os envolvidos. A série passou a explorar também o impacto social na própria vila, mostrando como o dinheiro fácil corrói relações e destrói inocências.  

A terceira temporada: justiça, vingança e despedida

A nova temporada, estreada a 10 de Abril, avança três anos no tempo. Eduardo regressa após cumprir pena de prisão e encontra uma comunidade profundamente transformada, ameaçada por interesses económicos e políticos que colocam em risco a pesca e as famílias locais.  

É neste cenário que os protagonistas criam um movimento clandestino, a chamada “Justiça da Noite”, numa tentativa de devolver poder à comunidade. A fronteira entre heroísmo, vingança e violência torna-se cada vez mais ténue, prometendo um final carregado de tensão.

Com seis episódios, esta terceira temporada serve como o grande final da série, fechando o arco das personagens que acompanharam os espectadores ao longo de três anos.

Produção de luxo made in Portugal

Criada por Augusto Fraga, Rabo de Peixe foi produzida pela Ukbar Filmes e pela RB Filmes, representando um dos maiores investimentos feitos numa série portuguesa para streaming.  

A realização dividida entre Augusto Fraga e Patrícia Sequeira trouxe à série um visual cinematográfico impressionante. As paisagens açorianas, o mar revolto, as falésias e as ruas da vila funcionam quase como uma personagem própria.

A fotografia é um dos pontos mais elogiados da produção, ajudando a criar uma atmosfera simultaneamente bela e ameaçadora.

Um elenco que ajudou a elevar a fasquia

Além de José Condessa, o elenco conta com Helena Caldeira, Rodrigo Tomás e André Leitão nos papéis centrais.

Ao longo das temporadas, juntaram-se nomes de peso como Maria João Bastos, Joaquim de Almeida, Kelly Bailey e Pêpê Rapazote, contribuindo para dar ainda mais densidade dramática à série.  

Mais do que uma série sobre crime, Rabo de Peixe tornou-se um retrato sobre amizade, desigualdade social, ambição e sobrevivência. E isso explica porque continua a gerar conversa — e alguma polémica — mesmo agora que chega ao fim.

Estreias da Semana em Portugal: Hollywood lidera, cinema português ganha força e o drama europeu completa o cartaz
IndieLisboa 2026 na TVCine: uma viagem pelo cinema independente português e as suas inquietações contemporâneas
Maio no NOS Studios: ação, terror, romance e fantasia para todas as noites de cinema em casa

Maio no NOS Studios: ação, terror, romance e fantasia para todas as noites de cinema em casa

O mês de Maio chega ao NOS Studios com uma programação particularmente variada, que vai do suspense à comédia romântica, passando pela ação explosiva, fantasia e até animação para os mais pequenos. É um alinhamento pensado para diferentes públicos, com estreias semanais que prometem manter as noites de televisão bem ocupadas.

Entre os grandes destaques do mês estão dois nomes de peso de Hollywood: Tim Burton e Clint Eastwood, cada um com propostas muito diferentes, mas igualmente marcantes no panorama cinematográfico.

🎃 Beetlejuice Beetlejuice: Tim Burton regressa ao universo dos mortos-vivos

Um dos filmes mais aguardados do mês é Beetlejuice Beetlejuice, de Tim Burton, que traz de volta Michael Keaton no icónico papel do fantasista Beetlejuice.

Depois de uma tragédia familiar, a família Deetz regressa a Winter River, onde antigos fantasmas continuam bem vivos… ou melhor, bem mortos. A situação complica-se quando a filha de Lydia abre um portal para o mundo dos mortos, desencadeando o caos habitual do universo criado por Burton.

Com Jenna Ortega, Winona Ryder e Catherine O’Hara no elenco, este é um regresso carregado de nostalgia e estética gótica, marca registada do realizador.

⚖️ Jurado #2: o dilema moral segundo Clint Eastwood

No lado oposto do espectro cinematográfico surge Jurado #2, realizado por Clint Eastwood.

O filme acompanha Justin Kemp, um jurado envolvido num julgamento de homicídio que começa a enfrentar um dilema moral profundo: a verdade do caso pode estar directamente ligada às suas próprias decisões.

Com Nicholas Hoult, Toni Collette e J.K. Simmons, o filme aposta num thriller judicial centrado em tensão psicológica e escolhas éticas difíceis, algo muito característico da filmografia recente de Eastwood.

💣 Ação, espionagem e conspirações internacionais

O mês inclui também várias propostas de ação.

Em Operação Fortune: Missão Mortífera, de Guy Ritchie, Jason Statham lidera uma missão secreta para travar a venda de tecnologia militar perigosa, num registo típico de espionagem com humor britânico e ritmo acelerado.

Já The Bricklayer: Missão Mortal, de Renny Harlin, coloca um antigo agente da CIA no centro de uma conspiração internacional, depois de ser forçado a regressar ao activo para evitar uma crise global.

❤️ Romance, comédia e encontros improváveis

Maio também traz várias histórias românticas.

Em Um Encontro na Escócia, uma escritora vê-se envolvida num mal-entendido que pode mudar a sua vida amorosa.

Um Amor à Beira D’Água aposta numa narrativa emocional sobre segundas oportunidades.

Ao Som do Amor mistura música e romance num encontro inesperado.

Já Engenharia do Amor traz uma abordagem mais moderna, onde tecnologia e sentimentos se cruzam de forma imprevisível.

E em Love is a Dog’s Best Friend, até um cão traquinas serve de catalisador para novas relações e mudanças pessoais.

🔍 Thriller digital e tensão contemporânea

No registo mais moderno, 1 Milhão de Seguidores explora o lado sombrio da fama digital, onde a ascensão nas redes sociais traz consigo perigos inesperados, obsessões e consequências extremas.

👧 Domingos Animados para toda a família

Os mais pequenos também têm lugar garantido com os tradicionais Domingos Animados, que incluem títulos como Os MauzõesDavidOs Super Elfkins – Uma Nova Aventura e Snow e a Princesa, sempre em versão portuguesa.

🎬 Um mês de cinema para ver no sofá

Entre fantasia, ação, romance e suspense, Maio no NOS Studios aposta numa programação pensada para todos os gostos, com grandes nomes de Hollywood e uma oferta diversificada que transforma cada noite numa sessão diferente.

IndieLisboa 2026 na TVCine: uma viagem pelo cinema independente português e as suas inquietações contemporâneas

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IndieLisboa 2026 na TVCine: uma viagem pelo cinema independente português e as suas inquietações contemporâneas

Na semana que antecede o início do IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema 2026, o canal TVCine Edition propõe uma viagem pelo cinema independente nacional com um especial dedicado a quatro filmes que marcaram edições anteriores do festival. Entre 27 e 30 de Abril, sempre pelas 23h00, o ciclo destaca obras que exploram temas como identidade, activismo, resistência comunitária e fragilidade emocional, reafirmando o papel do cinema independente como espaço de liberdade criativa.

Mais do que uma simples programação televisiva, trata-se de uma antevisão do espírito do festival: filmes que desafiam convenções e que colocam o olhar sobre o que é muitas vezes invisível no cinema mais comercial.

🎭 Carmen Troubles: desconstruir estereótipos através da arte

O ciclo abre com Carmen Troubles, de Vasco Araújo, uma obra que revisita a célebre ópera de Georges Bizet para questionar a forma como a figura da mulher cigana foi construída no imaginário ocidental.

Misturando cinema, performance e ensaio artístico, o filme funciona como uma reflexão crítica sobre representações culturais e preconceitos enraizados, ao mesmo tempo que dá voz a organizações de mulheres ciganas que procuram redefinir a sua própria narrativa.

Apresentado no IndieLisboa 2023, o filme destaca-se pela sua abordagem experimental e politicamente consciente.

🎶 As Fado Bicha: música como ferramenta de resistência

Na terça-feira, é a vez de As Fado Bicha, de Justine Lemahieu, um documentário que acompanha o percurso do projecto musical Fado Bicha.

Ao longo de vários anos, o filme segue Lila Tiago e João Caçador, explorando a forma como a sua música se tornou uma plataforma de intervenção social e política no contexto LGBTQIA+.

Com presença em festivais como o IndieLisboa 2024 e o Queer Porto, o documentário revela o lado íntimo de um projecto artístico que desafia tradições e preconceitos, reinventando o fado como espaço de resistência contemporânea.

🌄 A Savana e a Montanha: a luta por um território

Na quarta-feira, o destaque vai para A Savana e a Montanha, de Paulo Carneiro, uma obra que cruza documentário e ficção num registo próximo do western.

O filme acompanha a comunidade de Covas do Barroso, em Trás-os-Montes, que se organiza contra um projecto de exploração de lítio a céu aberto.

Mais do que um retrato ambiental, trata-se de uma narrativa sobre identidade colectiva, resistência e ligação ao território, onde a fronteira entre realidade e encenação se dissolve para reforçar a força do testemunho.

🌫️ Estamos no Ar: solidão, desejo e imaginação

A encerrar o ciclo, Estamos no Ar, de Diogo Costa Amarante, propõe uma viagem mais intimista e sensorial pelas vidas de três membros de uma mesma família.

Entre solidão, desejo e fuga emocional, o filme explora as fragilidades humanas num registo que oscila entre o real e o onírico, construindo uma atmosfera de inquietação silenciosa.

É uma obra que não procura respostas fáceis, antes convida o espectador a habitar as zonas cinzentas da emoção e da memória.

🎬 Um retrato do cinema independente português

No conjunto, este especial do TVCine Edition funciona como uma pequena montra do que o cinema independente português tem vindo a produzir nos últimos anos: obras que cruzam géneros, desafiam estruturas narrativas tradicionais e colocam o foco em temas sociais, políticos e existenciais.

Mais do que histórias fechadas, são filmes que abrem discussões — e que refletem a vitalidade criativa de uma nova geração de realizadores.

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Estreias da Semana em Portugal: Hollywood lidera, cinema português ganha força e o drama europeu completa o cartaz

As salas de cinema em Portugal recebem esta semana uma programação particularmente diversificada, onde convivem grandes produções de Hollywood, cinema português com ambição autoral e uma forte presença de cinema europeu e documental. Apesar da variedade, a lógica do mercado mantém-se clara: o destaque comercial pertence aos Estados Unidos, mas há espaço para propostas nacionais que merecem atenção especial.

🎥 “Michael”: o peso pesado de Hollywood lidera as estreias

O grande destaque da semana é Michael, realizado por Antoine Fuqua, um drama biográfico que pretendee atrair largas audiências. Com Jaafar Jackson no papel principal, acompanhado por nomes como Colman Domingo e Nia Long, o filme mergulha na vida de uma das figuras mais icónicas da cultura pop mundial.

Com 124 minutos de duração e uma produção de grande escala, Michael posiciona-se como o verdadeiro motor de bilheteira desta semana em Portugal. A assinatura de Fuqua, conhecido por filmes de forte impacto emocional e visual, reforça a expectativa de uma narrativa intensa e cinematográfica, pensada para grande público e grande ecrã.

Cabe-nos no entanto dizer que a crítica considera o filme um retrato muito embelezado do ícone pop e que uma série de controvérsias foram simplesmente apagadas de toda história.

🇵🇹 Cinema português em evidência: “Projecto Global” e “Cherchez la Femme”

Entre as estreias nacionais, destaca-se Projecto Global, de Ivo M. Ferreira, um drama histórico com 141 minutos de duração que conta com Jani Zhao, Rodrigo Tomás e Gonçalo Waddington no elenco. Trata-se de uma produção ambiciosa, tanto em escala como em duração, que reforça a tendência recente do cinema português em apostar em narrativas mais complexas e de maior fôlego.

Também português é Cherchez la Femme, de António da Cunha Telles, um filme que mistura crime, drama, mistério e romance. Com Joana Barradas, Ângelo Rodrigues e Romeu Costa, a obra aposta num registo mais popular, cruzando géneros e aproximando-se de um thriller emocional com forte componente de relações humanas e segredos.

Estes dois títulos representam bem a dualidade do cinema nacional actual: por um lado, o risco artístico e histórico; por outro, uma aproximação mais directa ao público.

💰 O olhar europeu: luxo, identidade e fantasia

Do lado europeu, A Mulher Mais Rica do Mundo, de Thierry Klifa, destaca-se como um drama com toques de comédia protagonizado por Isabelle Huppert. O filme explora o universo da riqueza extrema e das relações familiares, num registo sofisticado que combina crítica social e ironia.

Já A Rapariga Que Sabia Demais, de Frédéric Hambalek, mistura drama, comédia e fantasia, numa abordagem mais leve e original, centrada numa jovem cuja percepção da realidade se altera de forma inesperada.

Ambos reforçam a vitalidade do cinema europeu em explorar narrativas menos convencionais e mais focadas em personagens.

🎞️ Documentário em força: memória, educação e música

A semana traz ainda uma forte presença documental. Aprender, de Claire Simon, mergulha no sistema educativo francês, observando o quotidiano de escolas e professores com um olhar atento e humano.

Chão Verde de Pássaros Escritos, de Sandra Inês Cruz, propõe uma abordagem mais poética, cruzando natureza, memória e identidade cultural num registo visualmente sensível.

Já My Way – A História de uma Canção, de Lisa Azuelos e Thierry Teston, recupera a história de um dos temas mais icónicos da música popular, com testemunhos de figuras como Jane Fonda e Paul Anka.

🎬 Uma semana equilibrada entre espectáculo e autor

No conjunto, esta semana de estreias em Portugal reflecte bem a realidade do mercado: um blockbuster de Hollywood a liderar claramente o interesse do público, um cinema português cada vez mais ambicioso e presente, e uma oferta europeia e documental que garante diversidade e profundidade ao cartaz.

Mais do que uma semana de grandes surpresas comerciais, trata-se de uma semana de equilíbrio — entre o espectáculo, a identidade e a reflexão.

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Mark Ruffalo volta a fazê-lo? Actor deixa escapar possível spoiler sobre o futuro de Spider-Man

Quando se fala em spoilers no universo Marvel, o nome de Mark Ruffalo surge quase sempre na conversa. O actor, que interpreta Bruce Banner / Hulk no MCU, voltou a dar que falar depois de uma recente aparição no Cinema Adriano, em Roma, onde deixou uma frase que está a incendiar as redes sociais e os fóruns de fãs.

Sem entrar em detalhes sobre o Hulk, Ruffalo acabou por comentar o futuro do Homem-Aranha e lançou a bomba: “prometo-vos, a mil por cento, que ele vai lutar contra um alien no futuro.” A declaração foi rapidamente partilhada online e muitos fãs interpretaram-na como mais um daqueles momentos clássicos em que o actor revela mais do que devia.  

👽 Venom a caminho de Brand New Day?

A leitura mais imediata dos fãs aponta para a presença de Venom em Spider-Man: Brand New Day, o novo filme protagonizado por Tom Holland.

A teoria não surge do nada. Há já vários meses que circulam rumores sobre a possível entrada do simbionte na narrativa, e a frase de Ruffalo veio dar novo combustível a essa especulação. Em fóruns e redes sociais, muitos apontam mesmo para algumas imagens promocionais e para o trailer, que, segundo alguns espectadores, sugerem uma ameaça de origem alienígena.  

Ainda assim, é importante manter algum cuidado. Ruffalo não mencionou directamente Venom, e a palavra “alien” pode significar várias coisas dentro do vasto universo Marvel.

📚 A pista de Secret Wars

Outra possibilidade que está a ganhar força entre os fãs mais atentos aos comics é a de Ruffalo estar, na verdade, a referir-se a Avengers: Secret Wars.

Nas bandas desenhadas, é precisamente durante a saga Secret Wars que Peter Parker entra em contacto com o simbionte alienígena que viria a tornar-se Venom — um dos momentos mais icónicos da história do personagem.

Com a Marvel Studios a preparar a adaptação cinematográfica dessa saga para 2027, não é impossível que Ruffalo esteja a falar de um futuro mais alargado do MCU e não necessariamente do próximo filme a solo do Homem-Aranha.  

🎬 O que sabemos sobre o novo filme

Para já, o que é oficial é que Spider-Man: Brand New Day estreia a 31 de Julho de 2026 e contará com o regresso de Mark Ruffalo ao lado de Tom Holland. O filme deverá mostrar Peter Parker quatro anos depois dos acontecimentos de No Way Home, agora completamente sozinho e a actuar como um verdadeiro herói de rua em Nova Iorque.  

Se Venom está mesmo no filme ou se tudo isto não passa de mais uma “Ruffalo moment”, ainda é cedo para saber.

Mas uma coisa é certa: o rei dos spoilers da Marvel continua em grande forma.

Coyote vs. Acme está vivo! Primeiro trailer confirma a chegada aos cinemas

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Coyote vs. Acme está vivo! Primeiro trailer confirma a chegada aos cinemas

Depois de anos de incerteza, cancelamentos e muita indignação entre fãs, Coyote vs. Acme está oficialmente de regresso — e desta vez é mesmo a sério. A Warner Bros. Pictures e a Ketchup Entertainment revelaram finalmente o primeiro trailer oficial do filme, confirmando a estreia nos cinemas a 28 de Agosto de 2026.  

Durante muito tempo, muitos acreditaram que este seria mais um projecto perdido nos cofres do estúdio, tal como aconteceu com Batgirl. Mas o lendário coiote mais azarado da animação conseguiu sobreviver ao que parecia ser um destino inevitável.

🎬 O filme que Hollywood quase apagou

A história de Coyote vs. Acme é quase tão caótica como os planos de Wile E. Coyote.

O filme, produzido pela Warner Animation Group e pela produtora de James Gunn, foi originalmente concluído há vários anos, mas acabou por ser “arrumado na gaveta” pela Warner Bros. numa decisão polémica ligada a benefícios fiscais.

A reacção negativa dos fãs e da indústria foi imediata, e a pressão acabou por resultar na venda dos direitos à Ketchup Entertainment, que agora leva finalmente o projecto ao grande ecrã.  

É, sem exagero, um dos casos mais insólitos dos últimos anos em Hollywood: um filme praticamente concluído, quase descartado, e depois resgatado à última hora.

⚖️ Wile E. Coyote vai processar a ACME

A premissa é tão brilhante quanto inevitável.

Depois de décadas a ser lançado de penhascos, explodido por dinamite defeituosa, esmagado por pedras gigantes e traído por foguetes que nunca funcionam, Wile E. Coyote decide que já chega.

Em vez de continuar a perseguir o Road Runner, resolve processar a empresa responsável por todos os seus falhanços: a infame ACME, Inc.

Ao seu lado surge Kevin Avery, interpretado por Will Forte, um advogado especializado em acidentes, enquanto John Cena assume o papel de Buddy Crane, o homem chamado para defender os interesses da corporação.

Segundo a sinopse oficial, o caso transforma-se num confronto entre um personagem de animação desesperado e uma multinacional obcecada pelo lucro.  

🎞️ Um tom à Who Framed Roger Rabbit?

O trailer sugere um híbrido entre live-action e animação muito ao estilo de Who Framed Roger Rabbit, uma comparação que está a entusiasmar os fãs nas redes sociais.

A mistura entre actores reais e personagens clássicos dos Looney Tunes promete ser um dos grandes trunfos do filme, que junta humor absurdo, nostalgia e uma boa dose de sátira corporativa.

Se cumprir o potencial que o trailer sugere, Coyote vs. Acme poderá tornar-se numa das surpresas mais divertidas do final do Verão.

E, sejamos honestos, depois de tudo o que passou… talvez nenhum filme mereça tanto chegar finalmente ao cinema.

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