Tom Hardy pode estar a perder o papel em “MobLand” — e para quem acompanha a série, é uma notícia que custa a digerir

Vamos começar pelo que mais importa a quem acompanha a série: MobLand é uma das melhores séries de crime dos últimos anos, Tom Hardy como Harry Da Souza é uma das suas melhores performances televisivas — e agora o Hollywood Reporter informa que o seu futuro na série está “muito em limbo” devido a conflitos com os produtores. Para nós, que temos seguido Da Souza desde o primeiro episódio, é uma notícia que custa a digerir.

Segundo o Hollywood Reporter, Hardy não foi despedido — como outros meios chegaram a reportar — mas há discussões em curso sobre essa possibilidade. Os conflitos envolvem o produtor executivo Jez Butterworth e elementos da 101 Studios, a produtora por detrás das séries de Taylor Sheridan. A segunda temporada de MobLand terminou as rodagens em Março e a Paramount+ ainda não confirmou uma terceira temporada — embora tenha aberto uma sala de argumentistas para um potencial terceiro ciclo, o que é um sinal de intenção mas não uma garantia. 

Hardy interpreta Harry Da Souza, o fixer de uma família do crime organizado liderada por Helen Mirren e Pierce Brosnan — uma combinação de elenco que diz tudo sobre o nível de ambição da série. Paddy Considine, Joanne Froggatt e Jasmine Jobson completam um conjunto que Guy Ritchie produz executivamente, com o showrunner Ronan Bennett a assinar os argumentos. 

Esta não é a primeira vez que Hardy se envolve em conflitos no set. A tensão com Charlize Theron durante as filmagens de Mad Max: Fury Road é provavelmente o caso mais documentado — o realizador George Miller descreveu Hardy como alguém com “um dano mas também uma brilliance que vem com isso”, e apontou a sua habitual falta de pontualidade como fonte de atrito com Theron, que era “incrivelmente disciplinada — sempre a primeira no set”. “Não há desculpa para isso”, disse Miller, “e acho que há uma tendência neste negócio de usar grandes performances como desculpa para outras perturbações que poderiam ser evitadas.”

É uma frase que se aplica directamente ao dilema de MobLand: Hardy é extraordinário como Da Souza. A série pode sobreviver sem ele — o Hollywood Reporter diz explicitamente que o formato é suficientemente forte para continuar. Mas não seria a mesma coisa. E quem investiu duas temporadas nesta história sabe exactamente o que se perde se Harry Da Souza ficar mesmo por aqui.

O Late Show terminou com 6,74 milhões de espectadores — o episódio mais visto da era Colbert

Encontros do Cinema Português regressam a 28 de Maio — e trazem 40 novos projetos e um estudo inédito sobre o que os portugueses pensam do cinema nacional

“O Passageiro do Inferno” estreou ontem em Portugal — um dia antes dos Estados Unidos — e é terror da melhor escola

As estreias de 21 de Maio: Star Wars regressa aos cinemas e André Øvredal traz o terror às estradas

O Late Show terminou com 6,74 milhões de espectadores — o episódio mais visto da era Colbert

The Late Show with Stephen Colbert encerrou na quinta-feira com 6,74 milhões de espectadores em live + same-day — o episódio de dia de semana mais visto de toda a era Colbert, superando até o episódio de estreia de Setembro de 2015, que tinha reunido 6,55 milhões. É uma despedida que a CBS certamente não esperava quando cancelou o programa. 

Paul McCartney foi o único convidado do sofá na noite final — mas o episódio encheu-se de visitas dos colegas de late-night de Colbert: John Oliver, Seth Meyers, Jimmy Kimmel, Jimmy Fallon e Andy Cohen, além de Neil DeGrasse Tyson e Elvis Costello. É o tipo de reunião que só acontece quando toda a indústria reconhece que está a assistir ao fim de uma era. 

O contexto do cancelamento continua a pairar sobre o encerramento. O Late Show foi cancelado três semanas antes de David Ellison assumir formalmente o controlo da Paramount — e a CBS insistiu que foi “uma decisão puramente financeira” sem qualquer relação com o conteúdo do programa. Mas o cancelamento chegou dias depois de Colbert ter chamado ao acordo de 16 milhões de dólares da Paramount com Donald Trump “um suborno enorme” — e tem sido difícil para muitos acreditar que as duas coisas não estão relacionadas. 

The Late Show começou em Agosto de 1993 com David Letterman, que o abandonou em Maio de 2015 após 33 anos. Colbert assumiu em Setembro de 2015. Onze anos depois, o programa que sobreviveu a mudanças políticas, pandemias e guerras de audiências não sobreviveu à mudança de dono da rede. Acontece. 

Já tínhamos coberto a despedida antecipada com Letterman no telhado — mas os números do episódio final confirmam o que já se suspeitava: quando a audiência quer dizer adeus, aparece. 6,74 milhões de pessoas disseram adeus a Colbert. A CBS devia estar a corar.

Encontros do Cinema Português regressam a 28 de Maio — e trazem 40 novos projetos e um estudo inédito sobre o que os portugueses pensam do cinema nacional

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Encontros do Cinema Português regressam a 28 de Maio — e trazem 40 novos projetos e um estudo inédito sobre o que os portugueses pensam do cinema nacional

A pergunta que o cinema português tem evitado fazer a si próprio durante décadas vai finalmente ter resposta. Na próxima quinta-feira, 28 de Maio, nos Cinemas NOS Vasco da Gama, a 11.ª edição dos Encontros do Cinema Português apresenta pela primeira vez um estudo de mercado dedicado exclusivamente à percepção dos portugueses sobre o cinema nacional — os seus hábitos de consumo, as barreiras que os afastam das salas, as expectativas e as motivações. Chama-se Cinema Português aos Olhos do Público e pode ser o documento mais útil que a indústria nacional produziu em anos.

O evento — promovido pela NOS Audiovisuais com apoio do ICA — reúne anualmente produtores, realizadores, distribuidores e exibidores num dia de reflexão sobre o estado e o futuro do sector. Em dez edições, passaram pelo encontro mais de 400 projetos e cerca de 2.500 participantes. Esta edição tem o mote Como transformar o cinema português num verdadeiro instrumento de audiências para as salas nacionais — uma formulação que reconhece abertamente aquilo que os dados de bilheteira confirmam ano após ano: o cinema português tem dificuldade em convencer o grande público a comprar bilhete.

A sessão de abertura está a cargo da Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes. Ao longo do dia serão apresentados cerca de 40 novos projetos de longa-metragem — uma fotografia do que o cinema português vai ser nos próximos anos. A lista é suficientemente diversa para ser interessante: Santo António — O Casamenteiro de Lisboa de Ruben Alves (o realizador de A Gaiola Dourada), Carminho de Ana Rocha de Sousa, Playback de Sérgio Graciano — o biopic de Carlos Paião que já anunciámos e que chega aos cinemas em Agosto —, Memórias de um Cárcere também de Graciano, Ela Olhava Sem Nada Ver de Fanny Ardant — sim, a actriz francesa a realizar em Portugal — e O Dia em que Ewan McGregor Me Apresentou aos Seus Pais, de Marta Puig, que é simultaneamente o título mais longo e mais intrigante da lista.

Será também apresentado o estudo CresCine Produção de Cinema em Pequenos Países Europeus de Manuel Damásio, que coloca Portugal em perspectiva comparativa com outras cinematografias europeias de menor dimensão — uma análise que pode ajudar a perceber se os problemas do cinema português são únicos ou partilhados com outros mercados semelhantes.

O debate de encerramento, moderado por Graça Costa Pereira da SIC, reúne Susanna Barbato (NOS Audiovisuais), Luis Chabi (ICA), Manuel Damásio e os produtores Luis Urbano, Rui Lima Miranda e Paulo Branco. São nomes com visões muito diferentes sobre o que o cinema português deve ser — e essa diferença de perspectivas é precisamente o que torna o debate interessante.

Os Encontros do Cinema Português realizam-se a 28 de Maio nos Cinemas NOS Vasco da Gama, em Lisboa.

“O Passageiro do Inferno” estreou ontem em Portugal — um dia antes dos Estados Unidos — e é terror da melhor escola
TVCine Edition dedica dois domingos ao melhor cinema de festival que não passou por Cannes
As estreias de 21 de Maio: Star Wars regressa aos cinemas e André Øvredal traz o terror às estradas

“O Passageiro do Inferno” estreou ontem em Portugal — um dia antes dos Estados Unidos — e é terror da melhor escola

Raramente um filme de terror estreia em Portugal antes de estrear nos Estados Unidos. O Passageiro do Inferno fez exactamente isso — chegou às salas portuguesas ontem, 21 de Maio, com um dia de avanço sobre o mercado americano. É um sinal de confiança da Paramount Pictures e da NOS Audiovisuais num filme que tem por detrás uma equipa com um historial invejável no género.

André Øvredal realiza — o norueguês de Autópsia de Jane Doe e Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro, dois dos títulos de terror mais respeitados da última década. A produção é de Walter Hamada, o homem por detrás dos universos The Conjuring e It — responsável por alguns dos maiores êxitos comerciais e críticos do terror contemporâneo. O argumento é de Gary Dauberman, que escreveu AnnabelleA Freira e It. É uma combinação de nomes que qualquer fã do género reconhece imediatamente — e que diz muito sobre o nível de ambição do projecto.

A premissa é clássica na sua eficácia: um jovem casal testemunha um acidente grave numa estrada isolada. Param. Saem do carro. E quando retomam a viagem, percebem que não saíram do local sozinhos. A presença que os acompanha — conhecida como “The Passenger” — não descansa e não negoceia. O que começa como uma noite fora do comum transforma-se numa luta pela sobrevivência contra algo que não obedece às regras do mundo físico.

Jacob Scipio, Lou Llobell e Melissa Leo protagonizam. Scipio — que o público português conhece de Mau Rapaz e de A Esquadrão Suicida — lidera numa performance que as primeiras reacções descrevem como fisicamente exigente e emocionalmente contida. Leo, Óscar de Melhor Actriz de Apoio por The Fighter, traz ao filme o peso dramático que o género frequentemente dispensa e de que raramente não beneficiaria.

Øvredal tem uma assinatura muito específica como realizador de terror: constrói a ameaça através do que não se vê, instala o desconforto antes de o justificar e recusa a gratuitidade fácil dos sustos sem contexto. Autópsia de Jane Doe é um estudo de como o medo se instala quando a explicação racional vai falhando uma a uma. O Passageiro do Infernopromete a mesma lógica — desta vez numa estrada aberta que, paradoxalmente, oferece menos saídas do que uma sala fechada.

Já em cartaz nas salas portuguesas, com distribuição NOS Audiovisuais.

As estreias de 21 de Maio: Star Wars regressa aos cinemas e André Øvredal traz o terror às estradas
Alec Baldwin respondeu a Elon Musk sobre o casting de Lupita Nyong’o em “The Odyssey” — e foi em duas linhas

TVCine Edition dedica dois domingos ao melhor cinema de festival que não passou por Cannes

Cannes tem toda a atenção — e merece-a. Mas o mapa do cinema contemporâneo é muito maior do que a Croisette, e o TVCine Edition decidiu prová-lo. Nos domingos de 24 e 31 de Maio, a partir das 15h20, o canal emite dez filmes distinguidos nos festivais mais relevantes do mundo — Berlim, Veneza, Sundance, San Sebastián, Karlovy Vary — num ciclo chamado Além Cannes que é, provavelmente, a programação televisiva mais ambiciosa do mês.

No domingo de 24 de Maio, a tarde começa com O Lugar do Trabalho de Michele Riondino — vencedor de três David di Donatello e cinco Nastri d’Argento, os prémios mais importantes do cinema italiano. Riondino, que é simultaneamente realizador e protagonista do filme, retrata a empresa siderúrgica ILVA de Taranto, a sua terra natal, através da história de Caterino, um operário recrutado para espiar os colegas que acaba confinado num edifício destinado a funcionários “incómodos”. É um retrato da violência do poder industrial com Elio Germano no elenco — às 15h20.

Até Sempre da norueguesa Lilja Ingolfsdóttir — Prémio Especial do Júri e Melhor Actriz em Karlovy Vary para Helga Guren — segue às 17h00: um drama sobre um casamento perfeito que desmorona quando o marido pede o divórcio sem explicação. Do Outro Lado do Muro de Kate Beecroft, vencedor do Prémio do Público em Sundance 2025, chega às 18h45 com a história de uma treinadora de cavalos viúva que cria um refúgio improvável para animais e jovens em risco. Na Linha da Frente de Petra Volpe — Melhor Filme no Haifa International Film Festival, Golden Frog no Camerimage — mostra a Leonie Benesch como enfermeira num turno que escapa progressivamente ao controlo, às 20h25. A noite fecha às 22h00 com Não Deixemos Que Tudo Se Perca Esta Noite, a estreia na realização de Embeth Davidtz — a actriz de A Lista de Schindler — numa adaptação das memórias de Alexandra Fuller sobre a infância no Zimbabué do final da Guerra de Independência.

O domingo de 31 de Maio é ainda mais denso. Pequenos Clarões de Pilar Palomero — Concha de Prata de Melhor Interpretação em San Sebastián para Patricia López Arnaiz — abre às 14h20 com um drama sobre uma mulher que volta a cruzar-se com o ex-marido doente após quinze anos de separação. Três Amigas de Emmanuel Mouret, em Veneza 2024, é a tragicomédia romântica mais elegante e mais melancólica de ver às 16h00: três mulheres, três relações, e a descoberta progressiva de que ninguém está a ser honesto com ninguém. Abril de Dea Kulumbegashvili — Prémio Especial do Júri em Veneza 2024 — chega às 18h00 com Ia Sukhitashvili como obstetra numa zona rural da Geórgia que ajuda mulheres em situações clandestinas de aborto. É um dos filmes mais corajosos do ciclo.

Kontinental ’25 de Radu Jude — Urso de Prata de Melhor Argumento em Berlim 2025 — é a sátira social do realizador romeno de Má Sorte no Sexo ou Porno Acidental sobre uma oficial de justiça que executa um despejo com consequências trágicas, às 20h15. O ciclo fecha às 22h00 com Na Terra dos Nossos Irmãos da dupla iraniana Alireza Ghasemi e Raha Amirfazli — Melhor Realização em Sundance 2025 — sobre refugiados afegãos no Irão e o preço invisível de ser estrangeiro num país hostil.

Dez filmes, dois domingos, dez países diferentes. TVCine Edition e TVCine+.

As estreias de 21 de Maio: Star Wars regressa aos cinemas e André Øvredal traz o terror às estradas

Esta semana o cartaz português tem sete estreias — e pela primeira vez em sete anos, Star Wars está de volta ao grande ecrã. É o acontecimento cinematográfico da semana, mas não é o único motivo para ir ao cinema.

Star Wars: The Mandalorian e Grogu (NOS Audiovisuais, M/12) é o filme do momento — 140 minutos com Pedro Pascal como Din Djarin e o seu aprendiz Grogu numa missão para a Nova República, com Sigourney Weaver como a Coronel Ward e Jeremy Allen White num papel que a produção mantém em segredo. Jon Favreau realiza com um orçamento de 165 milhões de dólares e a promessa de um filme que funciona para quem nunca viu um episódio da série. As primeiras críticas estão nos 61% no Rotten Tomatoes — abaixo do esperado mas com audiências entusiastas. Em cartaz nos Cinemas NOS e UCI, com sessões em IMAX no NOS Colombo e Forum Almada.

O Passageiro do Inferno (NOS Audiovisuais) é o thriller de terror da semana — e vem com um nome por detrás que garante qualidade. André Øvredal, o realizador norueguês de Autópsia de Jane Doe e Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro, constrói a história de um jovem casal que testemunha um acidente numa estrada isolada e percebe que não saiu do local sozinho. Jacob Scipio, Lou Llobell e Melissa Leo protagonizam. É o tipo de terror que trabalha a atmosfera antes de trabalhar os sustos — e Øvredal raramente desilude.

Família à Força (Outsider Films) é a comédia dramática francesa da semana: Sandrine Kiberlain como uma mulher que descobre, depois da morte do marido, que ele tinha uma família secreta — e que agora tem de lidar com os filhos que não sabia que existiam. Jean-Baptiste Léonetti realiza com o humor contido que o cinema francês domina como nenhum outro. 100 minutos, sem classificação etária indicada.

A Baleia Cantora (Pris Audiovisuais) completa o cartaz familiar — uma animação de aventura sobre uma baleia cantora e a missão de a proteger, realizada por Reza Memari com 91 minutos e adequada a todas as idades.

Para o público mais exigente, esta semana tem dois títulos que merecem atenção especial. Fogo do Vento, de Marta Mateus, é um drama português de 72 minutos com Soraia Prudêncio que passou por vários festivais internacionais — o cinema português mais radical e mais pessoal, para quem aprecia esse território. E Uma Mãe e o Seu Filho (Midas Filmes), do iraniano Saeed Roustaee — o realizador de Leila’s Brothers, um dos filmes mais aclamados de Cannes 2022 — é um drama de 131 minutos com Parinaz Izadyar e Payman Maadi sobre uma mãe que luta pelo filho numa sociedade que os esmaga. É cinema iraniano contemporâneo no seu melhor: denso, político e absolutamente humano.

Fecha o cartaz A Memória das Borboletas, um documentário de Tatiana Fuentes Sadowski sobre memória e identidade, com 77 minutos.

Alec Baldwin respondeu a Elon Musk sobre o casting de Lupita Nyong’o em “The Odyssey” — e foi em duas linhas

Christopher Nolan está a preparar a adaptação cinematográfica de A Odisseia de Homero — um dos projectos mais aguardados do cinema de autor dos próximos anos — e o casting de Lupita Nyong’o como Helena de Troia gerou uma das polémicas mais desnecessárias da semana. Elon Musk publicou repetidamente no X a sua oposição à escolha, argumentando que Helena de Troia deveria ser interpretada por uma actriz branca. Alec Baldwin respondeu no Instagram com uma fotografia de Nyong’o e a legenda: “Caro Elon… mas ela É a mulher mais bela do mundo… Alec.”

Musk respondeu ao artigo do New York Post sobre o post de Baldwin: “Concordo que ela é bela, mas colocar uma mulher negra a interpretar uma mulher branca numa obra fundacional da literatura europeia não é mais correcto do que colocar um homem branco a interpretar Shaka Zulu.” O problema com a comparação é simples: Shaka Zulu existiu. Helena de Troia é uma personagem da mitologia grega — uma figura literária sem registo histórico verificável, cuja aparência física nunca foi documentada além das descrições poéticas de Homero, que a descreve apenas como extraordinariamente bela.

O que torna esta polémica interessante do ponto de vista cinematográfico é o contexto do projecto. The Odyssey de Nolan está a tomar forma como uma das produções mais ambiciosas do cinema dos próximos anos — rodado parcialmente em IMAX, com um elenco que inclui Tom Holland como Telémaco, Matt Damon como Odisseu, Anne Hathaway como Penélope, Robert Pattinson, Zendaya e Charlize Theron. Nyong’o — Óscar de Melhor Actriz de Apoio por 12 Anos de Escravidão, protagonista de Pantera Negra e de Nós de Jordan Peele — interpreta simultaneamente Helena e a sua irmã Clitemnestra. É um casting duplo que exige uma actriz com alcance dramático considerável, e Nyong’o tem exactamente isso.

A polémica vai certamente continuar — este tipo de debate raramente se resolve com factos — mas o filme de Nolan está em produção independentemente do ruído. A estreia está prevista para 2027.

“The Mandalorian and Grogu” estreia quinta-feira — e as primeiras críticas estão a dividir os fãs de Star Wars

Shonda Rhimes regressa a “Grey’s Anatomy” — e o novo spinoff passa-se num hospital rural no Texas

The Pitt” — a série médica que toda a gente está a recomendar e que ainda não viste

“The Mandalorian and Grogu” estreia quinta-feira — e as primeiras críticas estão a dividir os fãs de Star Wars

The Mandalorian and Grogu estreia quinta-feira, 22 de Maio, nos cinemas portugueses — o primeiro filme de Star Wars em sete anos, com projecções de bilheteira entre 80 e 100 milhões de dólares no fim-de-semana de abertura americano. O embargo das críticas levantou ontem e o Rotten Tomatoes está nos 61% — um número que, para uma franchise desta escala, já está a gerar debate intenso.

O filme, realizado por Jon Favreau, passa-se após a queda do Império Galáctico, numa época em que os senhores da guerra imperiais dispersos continuam a ameaçar a galáxia. A Nova República recruta Din Djarin (Pedro Pascal) e o seu aprendiz Grogu para resgatar Rotta, o Hutt (Jeremy Allen White), em troca de informação do clã Hutt sobre um alvo da República. Sigourney Weaver interpreta a Coronel Ward, a nova contacto de Djarin na República. 

As críticas apontam para um filme familiar e acessível — mas dividem-se sobre se essa acessibilidade é uma virtude ou um problema. O Comingsoon.net chamou-lhe “um filme de Star Wars de baixos riscos”, enquanto outras publicações elogiam exactamente a mesma contenção como uma escolha deliberada e corajosa numa franchise que se perdeu a tentar ser grande de mais. Há também uma decisão narrativa do filme que está a gerar polémica entre os fãs — sem spoilers, é algo que acontece com Grogu que alguns consideram um erro criativo e outros consideram a escolha mais corajosa da saga desde O Último Jedi

Pedro Pascal, Sigourney Weaver, Jeremy Allen White e — em cameo — Martin Scorsese. Em cartaz a partir de quinta-feira nos Cinemas NOS, UCI e restantes salas portuguesas. Em IMAX disponível no NOS Colombo e Forum Almada.

Shonda Rhimes regressa a “Grey’s Anatomy” — e o novo spinoff passa-se num hospital rural no Texas

Noah Centineo é o jovem John Rambo — e o filme acabou de terminar as rodagens na Tailândia

“The Mandalorian and Grogu” estreia quinta-feira — e as primeiras críticas estão a dividir os fãs de Star Wars

Shonda Rhimes regressa a “Grey’s Anatomy” — e o novo spinoff passa-se num hospital rural no Texas

A ABC encomendou hoje um novo spinoff de Grey’s Anatomy — o quarto na história da franchise, co-criado por Shonda Rhimes e pela actual showrunner Meg Marinis, com Ellen Pompeo como produtora executiva. A série estreia em meados de 2027. 

É uma notícia com mais do que uma camada. A primeira: Shonda Rhimes está a escrever ficção médica para a ABC pela primeira vez desde que assinou o exclusivo com a Netflix em 2017. Como se trata de um spinoff de uma série já existente, o projecto cai fora do contrato Netflix — uma distinção legal que abre uma janela criativa que há anos parecia fechada. A segunda: o Texas. O spinoff é descrito como “um drama ousado sobre uma equipa num centro médico rural no West Texas — o último recurso antes de quilómetros de nada”. É a primeira vez que a franchise sai do ambiente urbano da costa oeste americano — sem Seattle, sem Los Angeles, sem o tipo de hospital de ponta onde Grey’s sempre se moveu. 

A personagem que pode fazer a ligação entre as duas séries é Catherine Fox, interpretada por Debbie Allen — uma das figuras mais duradouras da franchise e a única com razões narrativas plausíveis para aparecer num hospital do Texas. O elenco principal ainda não foi anunciado. Marinis, que já gere Grey’s Anatomy na 23.ª temporada, pode acumular os dois cargos de showrunner — como a sua antecessora Krista Vernoff fez com Grey’s e Station 19 em simultâneo. 

Em Portugal, Grey’s Anatomy está disponível na Disney+. O spinoff chegará pela mesma via em 2027.

Gaten Matarazzo de “Stranger Things” estreia-se no West End com “Rent” — e Jonathan Larson faria 66 anos este mês

“Hope” dividiu Cannes em dois — e as críticas são as mais divertidas do ano

“Outlander” terminou — Jamie e Claire saíram juntos, o final é ambíguo e o showrunner já quer fazer mais

Noah Centineo é o jovem John Rambo — e o filme acabou de terminar as rodagens na Tailândia

John Rambo terminou as rodagens na Tailândia em Abril — e Noah Centineo, o actor de To All the Boys que convenceu o realizador Jalmari Helander a dar-lhe o papel depois de meses de conversas e Zoom calls, está a descrever a experiência como transformadora. “Jalmari não me queria”, disse Centineo à Collider. “Tive de me ir metendo na cabeça dele. Um dia ligou-me e disse: ‘Tu és o Rambo.’ Foi surreal.” 

O filme é uma prequela de First Blood (1982), realizada por Jalmari Helander — o finlandês de Sisu — e situa-se anos antes dos eventos que tornaram John J. Rambo num dos anti-heróis mais icónicos do cinema de acção. O elenco inclui David Harbour como o Coronel Trautman, Yao (Sinners), Jefferson White (Yellowstone) e Tayme Thapthimthong (The White Lotus). James Franco tem um papel secundário — o seu primeiro em grande produção em quase uma década. Os irmãos Russo são produtores executivos, tal como Sylvester Stallone, que confirmou o envolvimento no Instagram: “Rambo fez parte da minha vida durante muito tempo. Estou entusiasmado por ser produtor executivo e explorar o capítulo inicial do homem antes da lenda.” 

O North Star criativo de Centineo foi o monólogo final de Stallone em First Blood — a cena na esquadra onde Rambo colapsa e explica ao Coronel Trautman o trauma que o Vietname lhe deixou. “Queríamos que as pessoas tivessem uma compreensão visceral do que ele passou para se tornar na personagem que todos conhecemos”, disse o actor. O presidente da Lionsgate descreveu as primagens como “eléctricas”: “É raro os dailies me surpreenderem. Estes foram eléctricos.” Data de estreia ainda não confirmada.

“The Pitt” — a série médica que toda a gente está a recomendar e que ainda não viste

Noah Wyle tem 54 anos e passou a maior parte da vida profissional a ser reconhecido na rua como o Dr. Carter de ER — a série médica que definiu o género durante quinze temporadas e que terminou em 2009. The Pitt, que estreou no Max em Janeiro de 2026 e chegou entretanto a Portugal, é o regresso de Wyle ao hospital — e segundo toda a gente que a viu, é o melhor trabalho da sua carreira.

A premissa é radical na sua simplicidade: cada episódio corresponde exactamente a uma hora real de trabalho num serviço de urgência de Pittsburgh. Não há saltos temporais, não há flashbacks, não há cenas em casa dos personagens. São quinze episódios, quinze horas consecutivas num único dia de trabalho no Pittsburgh Trauma Medical Center. O criador R. Scott Gemmill — que trabalhou em ER durante anos — construiu uma série que usa a unidade de tempo como princípio dramatúrgico: tudo o que acontece, acontece em tempo real, com toda a pressão que isso implica para o espectador e para as personagens.

O Hollywood Reporter coloca The Pitt entre os maiores sucessos do Max em 2026 — uma plataforma que não é conhecida por fenómenos de word-of-mouth orgânico, mas que neste caso viu a série crescer semana a semana por recomendação directa. Wyle interpreta o Dr. Robby, o médico chefe de urgência que tenta gerir uma equipa sob pressão constante, com um elenco que inclui Patrick Ball, Supriya Ganesh, Fiona Dourif e Taylor Dearden. A primeira temporada tem quinze episódios. A segunda foi confirmada antes do final da primeira. Em Portugal está disponível no Max. 

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Gaten Matarazzo de “Stranger Things” estreia-se no West End com “Rent” — e Jonathan Larson faria 66 anos este mês

Gaten Matarazzo — Dustin Henderson em Stranger Things — vai fazer a sua estreia nos palcos de Londres num revival de Rent de Jonathan Larson no West End este Outono. É a primeira grande aposta teatral de um actor da geração Stranger Things — e uma escolha que diz muito sobre o que Matarazzo quer fazer a seguir ao fim da série. 

Rent estreou na Broadway em 1996, um ano após a morte súbita de Larson na noite da primeira apresentação para convidados, e tornou-se num dos musicais mais influentes de sempre — uma adaptação da ópera La Bohème de Puccini para o East Village de Nova Iorque dos anos 90, com personagens que vivem com HIV/SIDA, lutam contra a pobreza e tentam fazer arte num mundo que os ignora. Ganhou o Pulitzer e o Tony de Melhor Musical em 1996. O filme de Chris Columbus com o elenco original saiu em 2005. E tick, tick… BOOM! de Lin-Manuel Miranda em 2021 reintroduziu Larson a uma nova geração — incluindo, muito provavelmente, Matarazzo.

O papel que Matarazzo vai interpretar no revival não foi ainda confirmado — o anúncio do Deadline indica a sua participação mas não o personagem específico. O West End tem uma tradição de revivals de Rent desde que o musical estreou em Londres em 1998 no Shaftesbury Theatre, mas esta produção parece ser a mais ambiciosa em anos. Para os fãs de Stranger Things em Portugal — onde a série foi um fenómeno — é exactamente o tipo de notícia de personalidade que vale a pena acompanhar.

James Gray tentou fazer FaceTime a Scarlett Johansson durante a ovação de “Paper Tiger” — ela não atendeu

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James Gray tentou fazer FaceTime a Scarlett Johansson durante a ovação de “Paper Tiger” — ela não atendeu

James Gray tentou fazer FaceTime a Scarlett Johansson durante os sete minutos de ovação que Paper Tiger recebeu na estreia em Cannes. Ela não atendeu. Johansson tem uma boa desculpa: está em rodagens do Exorcist de Mike Flanagan e não conseguiu ir à Croisette. 

O filme que ela não pôde ver sendo aplaudido é provavelmente o melhor da sua carreira fora do MCU. A TIME chamou-lhe “um thriller à moda antiga no melhor sentido — quietamente operático na sua intensidade”. O Hollywood Reporter disse que é o melhor filme de James Gray. O IndieWire elogiou uma obra “simultaneamente épica e pessoalmente assombrada”. Johansson substituiu Anne Hathaway no papel da mulher de Harvey Pearl, o que lhe permite explorar um sotaque do Tri-State area que já tinha usado na comédia Don Jon de 2013. 

Baseado em Queens nos anos 80, Paper Tiger segue dois irmãos judeus americanos, Gary Pearl (Adam Driver) e Irwin Pearl (Miles Teller), ambiciosos e desesperados, que acabam enredados com a máfia russa. É o Gray mais acessível desde Two Lovers — um realizador que sempre soube construir personagens com a complexidade moral que o thriller americano raramente permite. A Neon adquiriu os direitos norte-americanos e internacionais. Data de estreia em Portugal ainda não confirmada mas esperada para o segundo semestre de 2026. 

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Os 10 Melhores Filmes de Dwayne Johnson — e onde os ver em Portugal e no Brasil

Dwayne Johnson tem uma das carreiras mais consistentes do cinema de entretenimento dos últimos vinte anos. Com The Smashing Machine — o seu trabalho mais aclamado pela crítica, disponível no Max em Portugal e rodar nos canais TVCine — a redefinir o que se espera dele como actor, aqui estão os dez filmes que valem mesmo a pena ver.

10. G.I. Joe: Retaliação (2013) Johnson entrou na franchise como Roadblock para salvar uma segunda parte que ninguém esperava que funcionasse — e funcionou. Acção directa e eficaz, com Johnson a fazer o que faz melhor: presença física e carisma que tapam qualquer buraco no argumento. Prime Video ✅ | Brasil: Prime Video ✅

9. Skyscraper (2018) Ex-agente do FBI com uma perna amputada a escalar o edifício mais alto do mundo em chamas para salvar a família. Mistura Die Hard com Cliffhanger e funciona porque Johnson nunca pisca — leva tudo a sério com uma convicção que o torna irresistível. Portugal: verificar JustWatch | Brasil: verificar JustWatch

8. San Andreas (2015) O maior terramoto da história da Califórnia e Johnson num helicóptero de salvamento a atravessar o estado para salvar a filha. Catástrofe de grande escala com coração — e sequências de destruição que ainda impressionam. Portugal: verificar JustWatch | Brasil: verificar JustWatch

7. Velocidade Furiosa 5 (2011) A entrada de Hobbs na franchise foi um dos momentos mais energéticos da saga. Johnson como o agente federal implacável que persegue Dom Toretto criou uma dinâmica com Vin Diesel que definiu os filmes seguintes — e a cena do confronto físico entre os dois continua a ser uma das mais memoráveis da saga. Portugal: verificar JustWatch | Brasil: verificar JustWatch

6. O Rundown (2003) Peter Berg dirigiu esta comédia de acção na selva com Seann William Scott e Christopher Walken. Arnold Schwarzenegger tem um cameo de passagem de testemunho que diz tudo sobre o que Johnson ia ser. É o Dwayne Johnson mais honesto e mais divertido fora da franchise Velocidade FuriosaPortugal: alugar na Apple TV | Brasil: alugar na O Rundown

5. Jumanji: Bem-Vindo à Selva (2017) Johnson como o avatar do dweeb da escola é um dos seus papéis mais divertidos — e um dos mais inteligentes. 962 milhões de dólares globalmente. A química com Kevin Hart, Jack Black e Karen Gillan fez deste filme um dos maiores êxitos da sua carreira. Portugal: Netflix ✅ | Brasil: HBO Max ✅

4. Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw (2019) Johnson e Jason Statham num dueto de insultos mútuos e acção de escala épica. David Leitch realizou com a mesma energia de Deadpool 2 e Atomic Blonde. A sequência na Samoa, com Johnson a parar helicópteros com correntes humanas, é puro cinema de acção sem vergonha nenhuma.  Prime Video/ SkyShowtime ✅ | Brasil: Prime Video ✅

3. Rampage (2018) Um gorila gigante, um lobo voador e um crocodilo enorme a destruir Chicago — e Johnson como o primatologista que tenta salvar o seu amigo animal. O melhor filme de monstros de Johnson e um dos mais honestos: sabe exactamente o que é e entrega sem hesitar. 

2. Moana (2016) “You’re Welcome” é uma das canções de um filme Disney mais cantadas da última década. Johnson entregou-a com um prazer genuíno que ressoa em todas as versões do mundo. Tecnicamente animação — mas a sua presença vocal é tão central que ignorar o filme seria uma injustiça. Portugal: Disney+ ✅ | Brasil: Disney+ ✅

1. The Smashing Machine (2025) Benny Safdie dirigiu Johnson como Mark Kerr — o campeão de MMA que batalhou contra a dependência de drogas no auge da carreira — num biopic rodado em 16mm com Emily Blunt como a namorada que tentou mantê-lo à tona. Ganhou o Silver Lion em Veneza, valeu a Johnson uma nomeação ao Globo de Ouro e tem 71% no Rotten Tomatoes. É o Dwayne Johnson que ninguém esperava ver — e que muda completamente o que se pode esperar dele a seguir. Portugal: Max ✅ | Brasil: Max ✅ 

Menção honorária: Central Intelligence (2016) Johnson como Bob Stone — o aluno gordo e bullied do liceu que cresceu para se tornar num agente da CIA musculado mas socialmente desajustado — é o seu melhor trabalho de comédia. A dinâmica com Kevin Hart funciona com uma precisão que os seus filmes de acção pura raramente atingem.

E vocês? O que acham desta lista? Deixei-nos os vossos comentários.

Russell Crowe é Göring e Rami Malek é o homem que tentou percebê-lo — “Nuremberga” estreia sexta-feira no TVCine

Hermann Göring foi o segundo homem mais poderoso do Terceiro Reich, o criador da Gestapo, o comandante da Luftwaffe e o único líder nazi com carisma e inteligência suficientes para ameaçar o próprio Hitler. No banco dos réus em Nuremberga, em 1945, mostrou-se também o único acusado capaz de usar o julgamento como palco — respondendo com argúcia às perguntas dos procuradores, manipulando os seus co-arguidos e, segundo os registos históricos, gerindo a sua própria defesa com uma competência que perturbou profundamente os aliados. Nuremberga — que estreia esta sexta-feira, 22 de Maio, às 21h30, em exclusivo no TVCine Top e TVCine+ — é a história do homem encarregado de o avaliar antes do julgamento: o psiquiatra americano Douglas Kelley.

Russell Crowe interpreta Göring com a contenção calculada que a personagem exige — não o monstro berrador do imaginário popular, mas o político astuto que sabia exactamente o efeito que cada palavra produzia. Rami Malek é Kelley, o jovem psiquiatra do exército americano que chega a Nuremberga convicto de que vai encontrar a explicação clínica para a maldade — e que progressivamente percebe que Göring não cabe em nenhuma categoria que a psiquiatria da época conseguia definir. O duelo entre os dois — intelectual, psicológico, moral — é o coração do filme.

James Vanderbilt realiza a partir do seu próprio argumento — o mesmo Vanderbilt que escreveu Zodíaco de David Fincher, talvez o melhor thriller de procedimento policial da última década. A comparação não é acidental: Nurembergatem a mesma estrutura de investigação obsessiva, a mesma atenção ao detalhe histórico e a mesma recusa em simplificar o que é genuinamente complexo. Göring não é reabilitado — mas é compreendido com uma profundidade que torna o filme mais perturbador do que qualquer retrato de maldade directa conseguiria ser.

O filme chegou aos cinemas portugueses em Fevereiro e foi um dos títulos mais discutidos do início do ano — com historiadores e críticos a debater a fidelidade histórica e a pertinência de humanizar, mesmo que parcialmente, uma figura como Göring. Essa discussão não tem resposta fácil. É precisamente isso que o faz valer a pena ver uma segunda vez — ou uma primeira, para quem perdeu a estreia em sala. Sexta-feira, 22 de Maio, às 21h30, TVCine Top e TVCine+.

“The Boys” termina hoje — o episódio final chega ao Prime Video depois de sessões de cinema hoje

“Fjord” de Mungiu recebeu 10 minutos de ovação — e Sebastian Stan falou romeno pela primeira vez no cinema

“Hope” dividiu Cannes em dois — e as críticas são as mais divertidas do ano

“The Boys” termina amanhã — o episódio final chega ao Prime Video depois de sessões de cinema hoje

O fim chegou. Depois de cinco temporadas, oito anos e uma das franjas mais criativas e mais corajosas da televisão de streaming, The Boys termina amanhã — com o episódio final disponível no Prime Video a partir das primeiras horas da manhã de 19 de Maio em Portugal.

Antes disso, hoje é dia de cinema. Os dois últimos episódios de The Boys estão a ser exibidos em sessões de cinema em 4DX em todo o mundo — em Portugal nos cinemas UCI El Corte Inglés em Lisboa e NOS Forum Almada, entre outros. É uma forma de despedida que a Amazon escolheu deliberadamente: uma série que sempre funcionou como evento merece um encerramento à altura.

A quinta temporada foi a mais ambiciosa. A morte de Homelander no episódio seis — depois de anos a ser o vilão mais ameaçador e mais complexo do streaming — foi tratada com uma seriedade que o personagem merecia. O cameo de Samuel L. Jackson como a voz de um tubarão-martelo foi o momento mais divertido. E o penúltimo episódio, onde a ideologia de Homelander encontra o seu espelho no mundo real americano, foi o mais perturbador de toda a série. Eric Kripke prometeu um final “sem precedentes”. Amanhã ficamos a saber se cumpriu.

As cinco temporadas estão disponíveis no Prime Video em Portugal. Para quem ainda não viu e quer tentar uma maratona antes do final — boa sorte.

“Fjord” de Mungiu recebeu 10 minutos de ovação — e Sebastian Stan falou romeno pela primeira vez no cinema

Hope” dividiu Cannes em dois — e as críticas são as mais divertidas do ano

“Outlander” terminou — Jamie e Claire saíram juntos, o final é ambíguo e o showrunner já quer fazer mais

“Fjord” de Mungiu recebeu 10 minutos de ovação — e Sebastian Stan falou romeno pela primeira vez no cinema

Fjord de Cristian Mungiu recebeu 10 minutos de ovação na estreia em Cannes esta noite — com Sebastian Stan e Renate Reinsve em lágrimas no palco. É o maior acolhimento do festival até agora, superando os seis minutos de Hope ontem.

A história é simples na premissa e devastadora na execução: Mihai Gheorghiu (Stan) é um pai romeno devoto, austero e sem sentido de humor que se muda com a família para a aldeia norueguesa natal da mulher (Reinsve). Quando suspeitas de comportamento perturbador em relação aos filhos surgem, o serviço de protecção de menores norueguês intervém — e o que se segue é uma guerra de valores entre a criação conservadora da família e as normas progressistas do estado nórdico.

O Deadline considerou o filme “Palme d’Or-worthy” — um filme que “se recusa a tomar partido e encontra o seu poder em não dar respostas fáceis, apenas questões sobre o que é certo e o que é errado”. O IndieWire e o Variety foram mais cautelosos, apontando que o filme perde força quando transita para o drama de tribunal — mas ambos elogiam as performances dos dois protagonistas.

Stan, nascido na Roménia, falou romeno no filme pela primeira vez na sua carreira cinematográfica — uma escolha de Mungiu que o realizador descreveu como “uma feliz coincidência: ele fala algum romeno e quis usar isso”. É um detalhe que os fãs do actor vão certamente apreciar. A Neon adquiriu os direitos norte-americanos e internacionais — a mesma distribuidora de Hope, de Paper Tiger e de todos os vencedores da Palma de Ouro desde 2019.

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“Hope” dividiu Cannes em dois — e as críticas são as mais divertidas do ano

Hope de Na Hong-jin recebeu seis minutos de ovação no Grande Auditório Lumière — e depois dividiu radicalmente a crítica. É o filme mais polarizador do festival até agora, e as reacções de ambos os lados são suficientemente expressivas para contar uma história própria.

Do lado dos entusiastas: “Electrizante e completamente maluco — como se o RRR estivesse em crack com ficção científica e queimado com combustível de avião”, escreveu um crítico no X. “Acordei a pensar nele. Justificou toda a viagem a Cannes”, escreveu outro. O Hollywood Reporter foi mais medido mas igualmente positivo: “É raro um thriller de acção que acontece quase inteiramente em plena luz do dia. Hope agarra-te imediatamente com a sua cinematografia virtuosa, banda sonora de pulso acelerado e personagens bem definidas.”

Do lado dos céticos: o IndieWire foi directo: “Tem alguns dos piores efeitos visuais deste lado do canal Syfy.” A mesma crítica comparou um momento de Fassbender a “o seu próprio momento Rei dos Escorpiões em 2026 — e em Competição em Cannes, não menos.” Outros apontam para VFX “inacabados” que sugerem que Na Hong-jin acelerou a pós-produção para cumprir o prazo de Cannes — e que isso se nota em determinadas sequências onde a física simplesmente não convence.

O TheWrap chamou-lhe “um glorioso filme de género” e o Screen International descreveu-o como “um massacre pedal ao fundo cheio de ritmo implacável e espectáculo gráfico”. O Rotten Tomatoes está nos 75% com apenas 12 críticas — um número que vai certamente mudar nas próximas horas. A distribuição em Portugal ficará a cargo da MUBI, que adquiriu os direitos para a Península Ibérica.

“Outlander” terminou — Jamie e Claire saíram juntos, o final é ambíguo e o showrunner já quer fazer mais

“Michael” voltou ao número 1 da bilheteira americana — e “Obsession” surpreendeu com 14 milhões no primeiro fim-de-semana

A Bulgária ganhou a Eurovision pela primeira vez — e “Bangaranga” foi a maior surpresa da noite em Viena

“Outlander” terminou — Jamie e Claire saíram juntos, o final é ambíguo e o showrunner já quer fazer mais

Atenção: Este artigo contém spoilers do episódio final de Outlander.

Outlander encerrou oito temporadas e doze anos com um final deliberadamente ambíguo — o showrunner Matthew B. Roberts queria que os espectadores “fizessem o seu próprio final”. A série, baseada nos romances de Diana Gabaldon, acompanhou Jamie e Claire Fraser desde 1945 até aos campos de batalha da Revolução Americana — e o episódio final não fugiu à tradição da série de deixar questões em aberto. 

A Batalha de Kings Mountain termina com os Patriotas vitoriosos e Jamie a sobreviver — contrariando a profecia de Frank Randall que durante anos pesou sobre a série. Mas a vitória é imediatamente seguida de tragédia: Jamie é baleado no coração por um oficial britânico capturado, e Claire, que sente o tiro à distância, corre de volta para ele. O final mostra os dois a abrirem os olhos e a respirarem fundo — uma imagem que Roberts descreveu como aberta a interpretação: “Podes fazer o teu próprio final. O que é que significa para ti?” 

A última cena filmada por Caitríona Balfe e Sam Heughan foi Claire e Jamie na cama a falar sobre abelhas. “Chorei uma montanha de lágrimas depois de gritar ‘Corta'”, disse Balfe. “O Sam ficou muito quieto — a forma dele de lidar com as emoções. A minha foi emocionar toda a gente à minha volta.” 

Roberts confirmou que está a explorar possíveis spin-offs para além de Outlander: Blood of My Blood — a série prequel sobre os pais de Jamie e Claire, cuja segunda temporada chega no Outono de 2026. Um spin-off sobre Lord John Grey com o actor David Berry está “em consideração activa”. Quando questionados sobre um possível regresso, Heughan disse “nunca digam nunca” e Balfe repetiu as mesmas palavras — acrescentando que “os nossos olhos abriram-se, por isso nunca digam nunca”.

Em Portugal, Outlander está disponível em todas as temporadas no Amazon Prime Video.

“Michael” voltou ao número 1 da bilheteira americana — e “Obsession” surpreendeu com 14 milhões no primeiro fim-de-semana
A Bulgária ganhou a Eurovision pela primeira vez — e “Bangaranga” foi a maior surpresa da noite em Viena
“The Boys” termina na próxima semana — os últimos dois episódios vão a cinema antes de chegar ao Prime Video

“Michael” voltou ao número 1 da bilheteira americana — e “Obsession” surpreendeu com 14 milhões no primeiro fim-de-semana

Michael — o biopic de Michael Jackson — voltou ao número 1 da bilheteira americana com 27 milhões de dólares na sua terceira semana de exibição, enquanto Obsession, o novo thriller de terror com Michael Johnston, abriu em segundo lugar com 14 milhões de dólares e uma nota CinemaScore de A-. O Diabo Veste Prada 2 caiu para terceiro lugar na sua terceira semana. 

Que Michael regresse ao número 1 na terceira semana é um feito que raramente acontece — significa que há espectadores a ver o filme pela segunda vez e que o word-of-mouth está a funcionar de forma consistente. O biopic de Antoine Fuqua sobre Jackson, com Jaafar Jackson no papel do pai, tem gerado debate intenso desde a estreia — sobre a representação dos abusos, sobre a separação entre artista e obra, sobre o legado de uma das figuras mais complexas da história da música popular — e esse debate, paradoxalmente, continua a levar pessoas às salas.

Obsession, por sua vez, confirma a tendência do verão americano de 2026: o terror está a funcionar. Com um orçamento modesto e uma nota CinemaScore de A- — o que significa que o público que foi vê-lo gostou genuinamente — é exactamente o tipo de surpresa que o mercado de Maio raramente produz. O título ainda não tem data de estreia confirmada em Portugal.

O total acumulado da bilheteira americana em 2026 continua a correr bem acima do mesmo período do ano passado, com MichaelO Diabo Veste Prada 2The Mandalorian and Grogu e Obsession a prometem um verão sólido para o cinema em sala.

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