James Gunn disse desde o início que queria que cada filme do novo DC Universe tivesse um tom diferente. Superman era esperança e optimismo. Supergirl era aventura espacial. Clayface é horror. Horror a sério, classificação R, body horror vitoriano com influências de Darkman e O Homem Invisível — e o trailer que a Warner Bros. e a DC Studios lançaram ontem confirma que ninguém exagerou na descrição.
O filme estreia a 23 de Outubro de 2026 — posicionamento de Halloween deliberado e inteligente — e é realizado por James Watkins, com argumento de Mike Flanagan e Hossein Amini. A combinação de Flanagan — o mestre do horror literário adaptado, responsável por Haunting of Hill House, Midnight Mass e a adaptação de Stephen King Doctor Sleep — com Watkins, realizador de A Mulher de Negro e episódios de Black Mirror, é exatamente o tipo de parceria criativa que sugere um filme com ambições além do franchising.
A história segue Matt Hagen, um actor em ascensão em Hollywood que é violentamente desfigurado por um gangster. Para recuperar a face e a carreira, submete-se a uma cirurgia experimental que o transforma no Clayface — feito de argila viva, capaz de se moldar a qualquer forma, imparável na sua busca de vingança. O trailer, com banda sonora de um remix etéreo de “Do You Realize??” dos Flaming Lips, mostra Hagen na cama de hospital com o rosto coberto de ligaduras, flashbacks da vida anterior, e finalmente a transformação — um braço que se transforma numa maça espinhosa para golpear alguém. É uma promessa de body horror que evita deliberadamente a estética de superhero habitual.
Tom Rhys Harries — o actor galês conhecido do público de streaming por White Lines e The Gentlemen — lidera o elenco no papel de Matt Hagen. A escolha é consistente com a estratégia de Gunn de evitar estrelas de primeira linha nos papéis principais em favor de actores menos conhecidos que possam ser associados definitivamente com as suas personagens. Naomi Ackie — indicada ao Óscar por I Wanna Dance with Somebody — interpreta a Dra. Caitlin Bates, a cientista cujos experimentos são centrais à transformação. Max Minghella é um detective de Gotham, e Eddie Marsan e David Dencik completam o elenco principal.
O que torna Clayface potencialmente o filme DC mais interessante do ano não é o horror em si — é o que o horror permite explorar. A história de um actor que perde o rosto e com ele a identidade, e que encontra na capacidade de ser qualquer coisa uma forma perversa de liberdade, tem uma densidade psicológica que a maioria dos filmes de superhero não tem paciência para explorar. O trailer sugere que Watkins e Flanagan não desperdiçaram essa oportunidade.
