Há videojogos que são arte. Elden Ring — o RPG de acção da FromSoftware e Bandai Namco lançado em Fevereiro de 2022, com world-building de George R.R. Martin e direcção criativa de Hidetaka Miyazaki — é um deles. Mais de 30 milhões de cópias vendidas, mais de 400 prémios Jogo do Ano, e uma comunidade global que continua activa e apaixonada quatro anos depois do lançamento. É o tipo de material que o cinema raramente toca bem — porque a experiência de jogar Elden Ring é fundamentalmente sobre solidão, descoberta e morte repetida, e nenhuma dessas coisas se traduz directamente para o ecrã. Alex Garland é provavelmente a escolha mais inteligente que a A24 poderia ter feito para tentar

A produção do filme está já em curso, com estreia confirmada para 3 de Março de 2028, filmagem para IMAX e um elenco que inclui Kit Connor, Ben Whishaw, Cailee Spaeny, Tom Burke, Nick Offerman, Jonathan Pryce e Havana Rose Liu. Garland — o realizador de Ex Machina, Annihilation e Civil War, e argumentista de 28 Days Later e Sunshine — fez uma apresentação pessoal à Bandai Namco e à FromSoftware para ganhar os direitos de adaptação. É o sinal mais claro possível de que este projecto parte de uma obsessão genuína, não de um cálculo comercial.
O elenco é um estudo em escolhas inesperadas. Kit Connor — que toda a gente conhece de Heartstopper e que Garland já trabalhou em Warfare — como protagonista de uma fantasia de acção medieval sombria é uma subversão deliberada das expectativas. Ben Whishaw, um dos actores mais completos da sua geração, num universo de monstros e ruínas. Nick Offerman, recentemente nomeado ao Emmy por The Last of Us, num papel que os fãs do jogo especulam ser o do Dung Eater — o personagem mais perturbador de toda a narrativa. E George R.R. Martin como produtor executivo, fechando um círculo entre os dois criadores de mundos mais influentes da fantasia contemporânea.
O orçamento reportado de 100 milhões de dólares torna-o no filme mais caro da história da A24 — uma aposta que reflecte tanto a dimensão do projecto como a confiança que o estúdio deposita em Garland. O realizador descreveu Elden Ring como um universo que lhe permite explorar “a liberdade criativa total” — o mesmo adjectivo que usou para descrever o que a FromSoftware deu aos jogadores. Se Garland conseguir transferir para o ecrã a sensação de descoberta que define o jogo — a arquitectura de significado escondido, a narrativa que existe para quem a procura —, pode ser um dos filmes mais originais de 2028.
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