Demorou 12 Anos a Nascer — e Apenas 15 Dias a Ser Filmado: “Blue Moon” Chega Finalmente às Salas Portuguesas

Richard Linklater filma o ocaso de um génio num drama íntimo com Ethan Hawke nomeado ao Óscar

Há projectos que exigem tempo. Não apenas financiamento ou logística, mas maturidade. Blue Moon, o mais recente filme de Richard Linklater, estreia finalmente nas salas portuguesas depois de um percurso invulgar: levou 12 anos a amadurecer e foi filmado em apenas 15 dias.

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O argumento, assinado por Robert Kaplow, chegou às mãos de Linklater há mais de uma década. O realizador enviou-o de imediato a Ethan Hawke, mas sentiu que ainda não era o momento certo. Hawke era, nas suas palavras, “demasiado jovem e bem-parecido” para interpretar Lorenz Hart nos seus últimos dias. Em vez de recorrer a maquilhagem ou truques de caracterização, decidiu esperar. Ao longo de anos, realizaram leituras regulares do texto, afinando personagens e deixando que o tempo marcasse naturalmente o rosto do actor.

Quando finalmente avançaram para a rodagem, o processo foi fulgurante: 15 dias bastaram para filmar uma história concentrada quase inteiramente numa única noite — 31 de Março de 1943, a estreia do musical Oklahoma!.

O Génio e o Declínio

Blue Moon centra-se em Lorenz Hart, metade da lendária dupla Rodgers & Hart. Enquanto Richard Rodgers era disciplinado e metódico, Hart era um poeta brilhante, mas profundamente instável. Sofria de depressão, lutava com a sua sexualidade num tempo em que esta era clandestina e enfrentava um alcoolismo que se tornava cada vez mais devastador.

O filme acompanha o momento em que Rodgers decide avançar com Oscar Hammerstein II para criar um novo tipo de musical, em que as canções fazem avançar a narrativa — revolução que culminaria em Oklahoma!. Hart, incapaz de acompanhar essa viragem criativa, assiste à estreia como um homem deixado para trás. Pouco depois, desaparece numa espiral autodestrutiva que o levaria à morte aos 48 anos.

Linklater evita o biopic tradicional. Em vez de percorrer toda a vida do compositor, concentra-se num recorte temporal preciso, fiel ao seu gosto por narrativas contidas. Como explicou numa entrevista, trata-se de um filme sobre vulnerabilidade: “São 100 minutos em que sentimos que somos todos vulneráveis.”

Um Filme de Palavra e Presença

Rodado integralmente em estúdio, com uma recriação minuciosa do restaurante Sardi’s, em Nova Iorque, o filme respira teatro e diálogo. Andrew Scott interpreta Richard Rodgers, Margaret Qualley surge como a jovem Elizabeth Weiland e Bobby Cannavale encarna o barman Eddie, o último confidente de Hart.

Mas é Ethan Hawke quem sustenta o filme. A sua interpretação valeu-lhe nomeações ao Globo de Ouro e ao Óscar de Melhor Actor, a quinta colaboração de peso com Linklater. Hawke descreveu o papel como algo que “exige uma vida inteira para lá chegar”, uma personagem simultaneamente insegura e excessivamente confiante, genial e autodestrutiva.

Linklater optou por gravar vários momentos musicais ao vivo no set, privilegiando a crueza da interpretação sobre a perfeição técnica de estúdio. O resultado é um retrato íntimo e melancólico de um artista à beira do abismo.

De Berlim às Salas Portuguesas

Apresentado na Berlinale 2025, onde recebeu elogios consistentes, Blue Moon enfrentou inicialmente dificuldades na distribuição internacional. Em Portugal, chega agora às salas numa estreia tardia mas significativa, impulsionada pela visibilidade das nomeações de Hawke.

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O filme funciona como contraponto a Me and Orson Welles, também de Linklater. Se esse celebrava o entusiasmo juvenil da criação, Blue Moon é o filme do “depois”: quando o génio já brilhou e resta apenas o eco.

O título não é casual. “Blue Moon”, uma das canções mais célebres da dupla, simboliza algo raro e belo — mas também melancólico. Como o próprio Hart, cujo talento extraordinário foi inseparável da sua fragilidade.

Ghostface Está de Volta — E Desta Vez a Ameaça é Pessoal

“Gritos 7” estreia hoje nos cinemas portugueses com Neve Campbell novamente no centro do pesadelo

O telefone volta a tocar. E quando isso acontece, ninguém está seguro. Gritos 7 estreia hoje nas salas portuguesas, inaugurando um novo capítulo da saga que redefiniu o terror contemporâneo e que, pela primeira vez, pode ser visto também em formato IMAX®  .

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O regresso mais aguardado é o de Neve Campbell, que volta a vestir a pele de Sidney Prescott. Depois de anos a tentar construir uma vida tranquila longe da violência que marcou o seu passado, Sidney vê-se novamente confrontada com o ressurgimento de Ghostface. Mas desta vez o perigo é ainda mais íntimo: a sua filha, interpretada por Isabel May, torna-se o novo alvo do assassino  .

Um Novo Capítulo Sob o Olhar de Kevin Williamson

A realização está a cargo de Kevin Williamson, criador da saga e responsável pelo argumento em conjunto com Guy Busick  . O regresso de Williamson atrás das câmaras reforça a ligação às origens, num filme que promete honrar o legado da série enquanto introduz novas personagens e reviravoltas.

Além de Neve Campbell e Isabel May, o elenco inclui Courteney Cox, Jasmin Savoy Brown, Mason Gooding, Anna Camp, Joel McHale, McKenna Grace e Celeste O’Connor, entre outros  . A mistura entre rostos clássicos e novos elementos tem sido uma das marcas da fase mais recente da franquia.

Tecnologia, IMAX® e Uma Experiência Digital Global

A estreia assinala também uma novidade tecnológica: é a primeira vez que um filme da saga é exibido em IMAX®  , prometendo uma experiência mais imersiva para os fãs do terror.

Paralelamente, foi estabelecida uma parceria global entre a Meta AI e a Paramount Pictures para promover o lançamento do filme através de uma activação digital que permite aos utilizadores criar vídeos personalizados inspirados no universo de Ghostface  . A iniciativa aposta na inteligência artificial generativa como forma de envolver novas audiências e potenciar a presença do filme nas redes sociais.

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A História Continua

A sinopse coloca Sidney novamente frente a frente com os fantasmas do passado. Quando um novo Ghostface surge na cidade onde construiu uma nova vida, a protagonista é forçada a enfrentar, mais uma vez, a violência que a perseguiu durante décadas — agora com a responsabilidade de proteger a própria filha  .

Distribuído pela NOS Audiovisuais, Gritos 7 já está em exibição nos cinemas portugueses, incluindo formatos IMAX®, 4DX, ScreenX e D-BOX  . O terror regressa às salas — e desta vez promete ser ainda mais pessoal.

O Mundo em Alerta no Porto: Fantasporto 2026 Promete Uma Edição de Confronto com o Presente e o Futuro

Guerra, Inteligência Artificial e Migrações dominam a 46ª edição do Festival Internacional de Cinema do Porto

O Fantasporto regressa em 2026 para a sua 46ª edição com um programa que volta a afirmar o festival como um dos grandes palcos internacionais do cinema de vanguarda. Com 73 países a enviarem filmes para selecção e mais de mil obras analisadas, a programação final integra produções de 29 países, distribuídas por várias secções competitivas e paralelas, confirmando o alcance global do certame  .

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A abertura oficial, a 27 de Fevereiro, no Batalha, ficará a cargo da super-produção japonesa “Suzuki=Bakudan”, de Akira Naguai, que já ultrapassou os 20 milhões de yens de receita no Japão. O encerramento será feito com o filme finlandês “After Us, The Flood”, de Arto Halonen, uma reflexão sobre o impacto das decisões actuais no futuro do planeta, recorrendo a uma narrativa que envolve viagens no tempo  .

A edição deste ano volta a colocar no centro da programação os grandes temas contemporâneos. A Guerra e a Inteligência Artificial assumem papel dominante, numa linha de continuidade com a reflexão iniciada em 2025. Entre os títulos destacados encontra-se “Post Truth”, de Alkan Avcioglu, que questiona o poder dos algoritmos e a manipulação digital da informação  .

A ficção científica surge como território privilegiado para pensar o amanhã. “Futuro, Futuro”, do brasileiro Davi Pretto, aborda desigualdades sociais extremadas, enquanto o chinês “Journey to No End” imagina um mundo virtual obrigatório aos 40 anos como resposta à solidão. Já “Skeleton Girls, a Kidnapped Society”, da Austrália, cruza especulação imobiliária e crítica mediática num registo de “punk thriller”  .

O festival mantém também o seu ADN fantástico, com a Competição Oficial de Cinema Fantástico a integrar títulos como “The Curse”, “Gaua”, “Lenore” ou “Under Your Feet (Bajo Tus Piés)”, confirmando a vitalidade do género e o peso crescente do cinema espanhol e asiático na produção europeia e mundial  .

Entre as longas da Semana dos Realizadores destacam-se “Cativos”, de Luís Alves, o único filme português em competição nesta secção, “Papa Buka”, do indiano Dr. Biju Damodaran, e “Don’t Call Me Mama”, da norueguesa Nina Knag  .

A presença portuguesa é reforçada no Prémio de Cinema Português, que inclui longas e curtas-metragens, bem como uma competição dedicada às Escolas de Cinema, envolvendo sete instituições de ensino superior  .

Em paralelo, regressam as Movie Talks, que em 2026 centram o debate nas transformações da indústria cinematográfica e nas condições de produção num sector impactado pelos avanços tecnológicos. As conferências decorrem no Bar do Batalha, com entrada livre  .

A programação inclui ainda uma retrospectiva dedicada ao cinema contemporâneo da Noruega, organizada em colaboração com o Norwegian Film Institute, reforçando o compromisso do Fantasporto com a descoberta de cinematografias emergentes  .

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Com dezenas de antestreias mundiais, internacionais e europeias, convidados de vários continentes e um alinhamento que cruza ficção científica, horror, drama histórico e reflexão social, o Fantasporto 2026 reafirma-se como um festival atento às convulsões do presente e às interrogações do futuro  .

Óscares a 5,95€? Cinemas NOS Lançam Campanha Especial com Filmes Nomeados

De 19 de Fevereiro a 26 de Março, a temporada dos prémios celebra-se na sala de cinema

A época mais aguardada do calendário cinematográfico está oficialmente aberta — e este ano vem com desconto. A NOS volta a assinalar a temporada dos Óscares® com uma campanha especial nos Cinemas NOS, permitindo ao público ver (ou rever) os filmes nomeados nas categorias principais por um preço único de 5,95€

A iniciativa decorre entre 19 de Fevereiro e 26 de Março, abrangendo qualquer dia da semana, incluindo fins-de-semana, e qualquer horário, desde que o filme tenha pelo menos uma nomeação nas categorias principais da Academia  .

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Num momento em que o cinema volta a afirmar-se como experiência colectiva, esta é uma oportunidade para acompanhar na sala grande os títulos que poderão fazer história na 98.ª edição dos Óscares®.

O que inclui — e o que não inclui — o bilhete especial

O bilhete especial de 5,95€ está disponível em todos os canais de venda dos Cinemas NOS e é válido exclusivamente para salas standard e sessões 2D  .

Para quem quiser elevar a experiência, existem opções de upgrade:

  • Salas XVision: acréscimo de 1€ (total de 6,95€)  
  • Sala XL Vision: acréscimo de 2,15€ (total de 8,10€)  

Estão também disponíveis upgrades para salas Premium e sessões 3D (mediante pagamento adicional). A campanha exclui, no entanto, as salas IMAX, ScreenX e 4DX  , e não é acumulável com outras promoções.

Os filmes nomeados já em exibição

Durante este período, os Cinemas NOS exibem e repõem vários dos filmes nomeados, permitindo ao público acompanhar de perto os títulos que estão no centro da corrida aos prémios  .

Entre os filmes actualmente em exibição destacam-se:

  • Batalha Atrás de Batalha
  • Pecadores
  • Hamnet
  • Marty Supreme
  • Valor Sentimental
  • Bugonia
  • O Agente Secreto
  • Arco
  • Zootropolis
  • Little Amélie or The Character of Rain
  • Blue Moon
  • Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te Um Pontapé  

A disponibilização pode variar consoante a sala e a programação, que pode ser consultada no site oficial ou na aplicação dos Cinemas NOS

Em paralelo com a campanha, a NOS prepara a 10.ª edição da Festa dos Óscares®, marcada para 14 de Março, no Centro Colombo, em Lisboa  . O evento promete reforçar a dimensão festiva da noite mais mediática da indústria cinematográfica, com acesso exclusivo à exibição de alguns dos filmes nomeados nas salas dos Cinemas NOS Colombo.

Já a 98.ª cerimónia dos Óscares® realiza-se a 15 de Março, em Los Angeles  , encerrando uma temporada que, como sempre, promete emoções fortes e debates acesos.

Para os cinéfilos, a equação é simples: grandes filmes, ecrã gigante e um preço especial.

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Porque há histórias que merecem ser vistas como deve ser — na sala escura, com o som no máximo e a expectativa no ar.

Produtor de Melania Acusa Nomeados aos Óscares de Mentira: “Temos Direito Legal à Música”

Disputa sobre banda sonora de Phantom Thread aquece polémica em torno do documentário da primeira-dama

A polémica em torno do documentário Melania ganhou um novo capítulo depois de o produtor Marc Beckman ter reagido publicamente às críticas de Paul Thomas Anderson e Jonny Greenwood. Em causa está a utilização de música composta para o filme Phantom Thread (2017), que os dois artistas consideram ter sido usada sem o devido respeito pelo acordo contratual existente.

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Beckman, produtor do documentário realizado por Brett Ratner sobre Melania Trump, rejeitou categoricamente as acusações. Em declarações ao site Breitbart News, classificou as críticas como “uma mentira flagrante” e garantiu que a produção detém todos os direitos necessários para utilizar a música em questão. “Temos o direito legal e a permissão para usar cada música e cada peça musical no filme. Fizemos tudo correctamente, seguimos o protocolo, respeitamos os artistas e compensámos todos pela utilização da sua música”, afirmou.

A posição de Paul Thomas Anderson e Jonny Greenwood

Do outro lado, Paul Thomas Anderson e Jonny Greenwood divulgaram uma declaração conjunta onde expressam desagrado com a inclusão de uma peça da banda sonora de Phantom Thread no documentário. Segundo os dois criadores, a Universal — estúdio responsável pelo filme original — não terá consultado Greenwood relativamente à utilização da música num projecto de terceiros, o que consideram uma violação do acordo celebrado com o compositor.

Na declaração enviada à Entertainment Weekly, afirmam que, embora Greenwood não detenha os direitos de autor sobre a partitura, o contrato previa consulta prévia para este tipo de utilização. Como consequência, pediram que a música fosse retirada do documentário.

Importa sublinhar que as críticas foram dirigidas à Universal e não directamente à equipa de produção de Melania, que foi produzido pela Amazon MGM Studios.

Contexto de prémios e tensão na indústria

A controvérsia surge numa altura particularmente visível para os envolvidos. Greenwood foi nomeado para o Óscar de Melhor Banda Sonora Original por Phantom Thread em 2018, enquanto Anderson recebeu nomeações para Melhor Filme e Melhor Realização pelo mesmo projecto. Este ano, ambos voltaram a ser nomeados pelos seus trabalhos em One Battle After Another, com Anderson a somar ainda uma nomeação para Melhor Argumento Adaptado.

O episódio acrescenta mais um elemento à já debatida trajectória do documentário Melania, que marca o regresso de Brett Ratner à realização depois de, em 2017, ter sido acusado de má conduta sexual por várias mulheres. Desde então, o realizador afastou-se de grandes produções até este projecto.

Bilheteira e investimento milionário

Apesar da polémica, Melania tem tido um percurso sólido nas salas de cinema, acumulando cerca de 13,3 milhões de dólares em bilheteira mundial até ao momento. A Amazon terá investido aproximadamente 75 milhões de dólares na aquisição e promoção do documentário, num movimento que chamou a atenção da indústria pelo valor envolvido num projecto documental.

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Resta agora perceber se a disputa sobre a banda sonora terá implicações legais ou se será resolvida nos bastidores. Para já, as posições estão bem definidas: de um lado, criadores que alegam violação contratual; do outro, produtores que garantem ter seguido todos os trâmites legais.

Cinemas NOS Amoreiras Fazem História com a Primeira Sala Permanente de Cinema Português

Uma semana, sete filmes e um compromisso claro com o futuro do cinema nacional

Há decisões que não são apenas simbólicas — são estruturais. A inauguração da Sala de Cinema Português nos Cinemas NOS Amoreiras, marcada para 12 de Fevereiro, é uma dessas decisões. Pela primeira vez, um grande complexo comercial em Lisboa passa a ter uma sala dedicada de forma permanente ao cinema português, afirmando-se como casa regular da produção nacional e não apenas como palco ocasional de excepções  .

Para assinalar este momento, a NOS preparou um ciclo inaugural com um conceito simples e eficaz: “7 dias, 7 filmes”, de 12 a 18 de Fevereiro, apresentando sete obras portuguesas que vão estrear comercialmente ao longo de 2026. Não se trata de um olhar para o passado, mas de uma aposta clara no presente e no futuro do cinema feito em Portugal.

Um ciclo que mostra a diversidade do cinema português contemporâneo

O alinhamento escolhido para esta semana inaugural funciona quase como um retrato em miniatura do cinema nacional actual: diferentes géneros, diferentes sensibilidades e diferentes gerações de realizadores, reunidos num mesmo espaço e com o mesmo objectivo — chegar ao público.

Os filmes que integram o ciclo são:

  • O Entroncamento, de Pedro Cabeleira
  • O Barqueiro, de Simão Cayatte
  • Projecto Global, de Ivo M. Ferreira
  • Pai Nosso – Os Últimos Dias de Salazar, de José Filipe Costa
  • Maria Vitória, de Mário Patrocínio
  • Match, de Duarte Neves
  • Terra Vil, de Luís Campos

Sete filmes, sete olhares, sete propostas distintas que demonstram como o cinema português contemporâneo está longe de ser monolítico — e como merece espaço regular nas salas comerciais.

Cinema português… com criadores presentes

Outro dos aspectos mais relevantes desta iniciativa é a presença de realizadores e membros do elenco nas sessões, promovendo conversas com o público após as exibições. Estes momentos de proximidade são fundamentais para criar uma relação mais directa entre quem faz os filmes e quem os vê, algo que o cinema português raramente consegue em contexto de exibição comercial regular.

Mais do que eventos pontuais, estas sessões reforçam a ideia de que esta sala não é um gesto decorativo, mas um espaço vivo, pensado para fomentar diálogo, curiosidade e fidelização de público.

Uma aposta que não fica por aqui

O ciclo inaugural é apenas o começo. A partir de agora, os Cinemas NOS Amoreiras passam a integrar uma rede de salas com programação diária de cinema português, juntando-se aos Cinemas NOS Alameda Shopping e ao Cinemas NOS Alma Shopping.

Segundo Nuno Aguiar, director da NOS Cinemas, esta iniciativa sublinha o papel activo da empresa na criação de um ecossistema cultural mais forte, diverso e sustentável, onde o cinema nacional deixa de ser uma nota de rodapé e passa a ter visibilidade contínua.

Um passo necessário — e há muito esperado

Durante décadas, falou-se da dificuldade do cinema português em encontrar espaço nas salas. Esta iniciativa não resolve todos os problemas, mas ataca um dos mais antigos: a falta de continuidade. Uma sala permanente muda hábitos, cria rotinas e permite que os filmes encontrem o seu público com tempo — algo essencial para qualquer cinematografia.

De 12 a 18 de Fevereiro, o ciclo 7 dias, 7 filmes inaugura oficialmente esta nova fase. A partir daí, o cinema português passa a ter, nas Amoreiras, algo que sempre lhe faltou: uma casa fixa.

Sam Raimi Cumpre Promessa e Dá Finalmente a Rachel McAdams o Papel Que Hollywood Lhe Devia

Depois de Doctor Strange, o realizador regressa à actriz com um papel sombrio e surpreendente em Send Help

Há promessas que Hollywood faz em silêncio — e que, felizmente, acabam por ser cumpridas. Sam Raimi revelou que ficou com a sensação clara de que Rachel McAdams foi subaproveitada em Doctor Strange in the Multiverse of Madness, e que saiu dessa experiência com uma ideia fixa: voltar a trabalhar com a actriz… mas agora a sério.

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Em declarações recentes à Total Film, Raimi não deixou margem para dúvidas. McAdams, que interpretou novamente a Dra. Christine Palmer no Universo Cinematográfico da Marvel, merecia muito mais espaço dramático. “Vi o quão talentosa ela é e senti que foi, de facto, subutilizada”, confessou o realizador. “Prometi a mim próprio que iria trabalhar com ela outra vez.”

Essa promessa materializou-se em Send Help, um thriller de sobrevivência que, apesar de partir de uma premissa aparentemente simples, se transforma num exercício cruel de tensão psicológica — e numa inesperada desconstrução da imagem pública de McAdams.

De figura calorosa a ameaça imprevisível

Em Send Help, Rachel McAdams interpreta Linda, uma executiva que sobrevive a um acidente de avião juntamente com o seu chefe Bradley, vivido por Dylan O’Brien. Isolados numa ilha deserta, os dois são obrigados a cooperar para sobreviver… mas rapidamente as tensões acumuladas do passado profissional emergem com violência.

O grande trunfo do filme está precisamente na transformação da personagem de McAdams. Conhecida por papéis empáticos e emocionalmente acessíveis, a actriz é aqui empurrada para um território mais sombrio. Raimi sublinha que essa inversão foi totalmente intencional: o público entra no filme a confiar nela — e isso torna a viragem ainda mais perturbadora.

Segundo o realizador, a ideia de escalar McAdams como potencial vilã partiu também da produtora Zainab Azizi, que destacou o facto de a actriz nunca ter explorado verdadeiramente esse lado mais cruel. O resultado, garante Raimi, é uma surpresa constante para o espectador.

Um thriller que recusa caminhos óbvios

Raimi descreve Send Help como um filme que não quer saber “quem fez o quê”, mas sim “o que vem a seguir”. Não há estrutura clássica de mistério nem conforto narrativo. O realizador aposta numa sucessão de viragens inesperadas, onde cada decisão parece levar o filme para um lugar que o público não antecipa.

Essa abordagem encaixa perfeitamente no ADN de Raimi, conhecido por brincar com expectativas desde The Evil Deadaté aos seus thrillers mais recentes. Aqui, a tensão nasce não apenas da sobrevivência física, mas da erosão moral das personagens — e da percepção de que ninguém é exactamente aquilo que parecia ser no início.

Um reencontro que já está a dar frutos

Send Help encontra-se actualmente em exibição nos cinemas e está no bom caminho para alcançar o primeiro lugar do box office norte-americano no seu segundo fim-de-semana, mesmo competindo com a atenção mediática do Super Bowl. Um sinal claro de que a aposta de Raimi não foi apenas artística, mas também estratégica.

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Para Rachel McAdams, este papel pode marcar um ponto de viragem na sua carreira recente. Para Sam Raimi, é a confirmação de que, às vezes, cumprir uma promessa pessoal pode resultar num dos filmes mais inquietantes do ano.

O Regresso de Ghostface Está Próximo… e Nunca Foi Tão Pessoal

Gritos 7 chega aos cinemas com IMAX, pré-vendas abertas e Sidney Prescott de volta ao centro do pesadelo

A contagem decrescente começou oficialmente. Ghostface está de regresso e, desta vez, não vem apenas para reavivar traumas antigos — vem para atacar onde mais dói. Com a divulgação do novo poster oficial e de um spot promocional exibido durante o Super Bowl, Gritos 7 prepara-se para chegar aos cinemas portugueses a 26 de Fevereiro de 2026, marcando também um momento histórico para a saga: é o primeiro filme Gritos a estrear em salas IMAX®  .

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Sidney Prescott regressa… mas o passado nunca ficou para trás

Anos depois de ter sobrevivido a sucessivos massacres, Sidney Prescott tentou aquilo que sempre lhe foi negado: uma vida normal. Longe de Woodsboro, longe das máscaras, longe das chamadas telefónicas sinistras. Mas, como a própria saga nos ensinou, o terror não esquece — apenas espera.

Neste novo capítulo, Neve Campbell regressa ao papel que definiu uma geração de final girls, agora numa fase mais madura da personagem. Sidney é mãe, tem uma filha adolescente e acredita que deixou o pior para trás. Até surgir um novo Ghostface, mais próximo, mais obsessivo e com motivações profundamente pessoais.

A filha de Sidney, interpretada por Isabel May, torna-se o novo alvo do assassino, forçando a protagonista a confrontar, mais uma vez, os fantasmas do seu passado. O resultado promete ser um dos capítulos mais intensos emocionalmente de toda a saga, elevando o suspense psicológico a um novo patamar.

Um Gritos maior, mais intenso… e agora em IMAX®

Para além da narrativa mais íntima, Gritos 7 aposta também numa experiência cinematográfica reforçada. Pela primeira vez, um filme da saga estreia em formato IMAX®, juntando-se ainda às exibições em 4DX e D-BOX nos cinemas portugueses. Uma escolha que sublinha a ambição deste novo capítulo, pensado para ser sentido tanto no corpo como nos nervos.

As pré-vendas de bilhetes já estão disponíveis, permitindo aos fãs garantir lugar antecipadamente — incluindo nas sessões IMAX, que prometem tornar cada aparição de Ghostface ainda mais sufocante  .

Um elenco recheado e uma banda sonora com peso próprio

Além de Neve Campbell, o elenco reúne vários rostos familiares da nova fase da franquia, como Courteney Cox, Jasmin Savoy Brown e Mason Gooding, ao lado de novas adições como Anna Camp, Joel McHale e Mckenna Grace.

No plano musical, Gritos 7 contará com canções originais de artistas como Jessie Murph, Stella Lefty, Sueco e a banda Ice Nine Kills, com participação especial de Mckenna Grace — uma aposta clara em cruzar o terror cinematográfico com uma identidade sonora contemporânea.

O regresso às origens… com novas feridas abertas

Realizado por Kevin Williamson, criador original da saga, Gritos 7 assume-se como um regresso às raízes, mas sem nostalgia fácil. Aqui, o terror não vive apenas da auto-referência ou do humor meta — vive da ameaça real àquilo que Sidney sempre tentou proteger.

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No fim, a pergunta mantém-se: quantas vezes se pode sobreviver ao mesmo pesadelo antes de ele nos destruir por dentro?

A resposta começa a 26 de Fevereiro, nos cinemas.

Muito Barulho Mediático, Poucos Bilhetes Vendidos: Melania  Falha Estreia no Reino Unido

O documentário sobre a primeira-dama americana passa quase despercebido nas salas britânicas

Apesar de toda a polémica, curiosidade mediática e ruído político que antecederam a sua estreia, Melania revelou-se um verdadeiro fiasco comercial no Reino Unido. O documentário centrado na primeira-dama dos Estados Unidos arrecadou apenas cerca de 38.600 euros no seu primeiro fim-de-semana em cartaz, valor que o colocou num discreto 29.º lugar do box office britânico — muito longe de qualquer impacto relevante junto do público.

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Exibido em 155 salas, o filme registou uma média de apenas cerca de 249 euros por cinema, um número que ajuda a explicar o cenário descrito por vários jornalistas: sessões quase vazias e, nalguns casos, totalmente desertas.

Um investimento milionário… com retorno mínimo

O desempenho fraco torna-se ainda mais embaraçoso quando comparado com o investimento envolvido. A Amazon terá desembolsado aproximadamente 33,9 milhões de euros apenas para adquirir os direitos de distribuição e assegurar a promoção do documentário. O custo total do projecto — produção incluída — é estimado em cerca de 69 milhões de euros.

Um contraste brutal com a realidade das salas britânicas, onde Melania mal conseguiu justificar a sua presença em cartaz.

Sessões vazias… e jornalistas em maioria

Antes da estreia, os sinais já eram preocupantes. Tim Richards, director executivo da cadeia de cinemas Vue, descreveu as vendas antecipadas como “fracas”. No dia de estreia, essa previsão confirmou-se: várias sessões decorreram com menos de meia dúzia de espectadores.

Em Londres, uma projecção no Vue Westfield Stratford contou com apenas cinco pessoas na sala — duas das quais jornalistas. Algumas exibições, como no Vue Islington, estiveram mais compostas, mas quase exclusivamente por membros da imprensa, depois de a Amazon ter decidido não realizar sessões de antevisão.

Enquanto 

Melania

 cai, outros filmes sobem

O contraste com outros títulos em exibição é particularmente revelador. No topo do box office britânico da semana surge Hamnet, realizado por Chloé Zhao, que liderou com cerca de 1,64 milhões de euros no fim-de-semana, elevando o seu total acumulado para aproximadamente 17,3 milhões de euros.

Outro caso que sublinha o embaraço de Melania é Iron Lung, um filme de terror independente financiado pelo YouTuber Mark Fischbach (Markiplier). Produzido com um orçamento modesto de cerca de 2,8 milhões de euros, o filme já arrecadou mais de 19 milhões de euros a nível global. No Reino Unido, alcançou o 4.º lugar, com receitas na ordem dos 1,11 milhões de euros, superando inclusivamente Shelter, protagonizado por Jason Statham.

Crítica demolidora, apoio ideológico

A recepção crítica a Melania tem sido amplamente negativa, com avaliações a rondar os 10% de aprovação da críticaem plataformas especializadas. Curiosamente, o público apresenta uma taxa de aprovação próxima dos 99%, algo interpretado por muitos analistas como um gesto político de apoio a Donald Trump, mais do que uma apreciação cinematográfica genuína.

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Numa crítica particularmente dura, o jornalista Nick Hilton descreveu o filme como “algo entre reality show encenado e ficção deliberada”, afirmando que Melania “não é, na verdade, um documentário”.

Muito ruído, pouco cinema

No final de contas, Melania confirma um fenómeno cada vez mais comum: a polémica gera cliques, mas não garante espectadores. No Reino Unido, o filme fez muito barulho fora das salas — mas dentro delas, o silêncio foi quase total.

Paixão, Vento e Carne Viva: As Primeiras Reacções a Wuthering Heights de Emerald Fennell

Um clássico literário regressa… mais intenso do que nunca

A nova adaptação de Wuthering Heights ainda nem chegou oficialmente às salas de cinema e já está a incendiar as redes sociais. O filme realizado por Emerald Fennell teve esta semana as suas primeiras exibições para a imprensa e, apesar do embargo às críticas completas se manter até mais perto da estreia, marcada para 13 de Fevereiro, a Warner Bros. Picturesautorizou a divulgação de reacções nas redes sociais. O veredicto inicial parece consensual: esta versão de Wuthering Heights é intensa, visceral… e assumidamente ardente.

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Baseado no romance publicado em 1847 por Emily Brontë, o filme transporta-nos para os ventosos e inóspitos páramos de West Yorkshire, cenário de uma das histórias de amor mais tóxicas, obsessivas e trágicas da literatura inglesa. No centro da narrativa estão Catherine Earnshaw e Heathcliff, duas figuras condenadas a amar-se de forma destrutiva.

Margot Robbie e Jacob Elordi no olho do furacão

Nesta nova leitura cinematográfica, Catherine é interpretada por Margot Robbie, enquanto Heathcliff ganha corpo através de Jacob Elordi. As primeiras reacções destacam a química explosiva entre os dois protagonistas, sublinhando uma abordagem física, crua e emocionalmente intensa à relação central do filme — algo que parece alinhar-se perfeitamente com o estilo provocador de Fennell.

O elenco conta ainda com Hong Chau, Shazad Latif, Alison Oliver, Martin Clunes e Ewan Mitchell, compondo um conjunto que promete dar profundidade e tensão a um universo já de si carregado de conflito.

Um clássico revisitado… outra vez, mas com nova ferocidade

Wuthering Heights é, provavelmente, um dos romances mais adaptados da história do cinema. Desde a versão clássica de 1939 realizada por William Wyler, com Laurence Olivier, passando pela interpretação de Ralph Fiennes em 1992, até à leitura mais austera e naturalista de Andrea Arnold em 2011, o material de Brontë tem sido constantemente reinterpretado à luz de diferentes sensibilidades.

A expectativa em torno desta nova versão nasce precisamente do histórico recente de Emerald Fennell. Depois do impacto crítico e político de Promising Young Woman, vencedor do Óscar de Melhor Argumento Original, e do fenómeno cultural Saltburn, a realizadora construiu uma reputação assente na provocação, no desconforto e na exploração de dinâmicas de poder.

Expectativa elevada antes da estreia

Sem críticas formais ainda disponíveis, as reacções iniciais apontam para uma adaptação que não suaviza o material original — pelo contrário, parece amplificar a sua natureza obsessiva e carnal. Se Wuthering Heights sempre foi uma história de amor que dói, a versão de Fennell promete fazê-lo com ainda mais intensidade.

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A estreia acontece a 13 de Fevereiro. Até lá, o vento já começou a uivar… que mais não sejam as campanhas de vá ao cinema no dia dos namorados.

Melania: glamour em Washington, polémica internacional e estreia hoje em Portugal

O documentário da primeira-dama divide atenções antes de chegar às salas portuguesas

O documentário Melania, centrado na vida de Melania Trump, chega hoje às salas de cinema portuguesas, com exibição assegurada em grande parte dos complexos da NOS Audiovisuais. A estreia acontece num contexto particularmente tenso a nível internacional, depois de o filme ter sido retirado das salas sul-africanas ainda antes da sua estreia naquele país, invocando-se de forma vaga o “clima atual”.

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O contraste não podia ser maior: enquanto em Washington o documentário foi apresentado numa noite de luxo, poder político e celebridades, na África do Sul o mesmo filme foi afastado silenciosamente da programação, levantando questões sobre política, diplomacia e liberdade de exibição cultural.

Uma estreia de alto perfil no coração do poder americano

A estreia mundial de Melania decorreu no Trump Kennedy Center, em Washington, perante uma plateia onde se misturaram membros do Governo norte-americano, figuras da música, empresários e personalidades mediáticas. Donald Trump marcou presença e descreveu o documentário como “uma história moderna da Casa Branca”, elogiando o seu potencial de sucesso junto do público.

Melania Trump surgiu como anfitriã da noite, vestida com um conjunto preto da Dolce & Gabbana, e acompanhada pelo realizador Brett Ratner e pelos produtores Fernando Sulichin e Marc Beckman. A primeira-dama afirmou estar “muito orgulhosa” do trabalho desenvolvido, destacando a coesão da equipa criativa.

Entre os convidados estiveram Robert F. Kennedy Jr.Nicki MinajGianni Infantino, Waka Flocka Flame, Dr. Phil McGraw e Jordan Belfort, numa lista que sublinha a dimensão simbólica e mediática do evento.

Um filme retirado das salas sul-africanas antes da estreia

Quase em simultâneo com o brilho da estreia em Washington, surgiu a notícia de que Melania tinha sido retirado das principais cadeias de cinema da África do Sul, a Nu Metro e a Ster Kinekor, poucas horas antes da sua estreia internacional, prevista para 30 de Janeiro.

Em declarações ao portal News24, Thobashan Govindarajulu, responsável de marketing da distribuidora Filmfinity, afirmou que “tendo em conta o clima atual, o filme não será mais exibido em salas no território”, sem especificar a que clima se referia. A agência France-Presse acrescenta que não foi possível obter esclarecimentos adicionais junto da empresa.

A decisão surge num momento de relações particularmente tensas entre o Governo sul-africano e a administração Trump, marcadas por divergências diplomáticas profundas, incluindo críticas de Washington à política externa de Pretória e à acusação apresentada pela África do Sul contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça.

Cinema, imagem e política — tudo no mesmo ecrã

Melania apresenta-se como um retrato próximo de 20 dias decisivos antes da tomada de posse de Donald Trump, acompanhando a primeira-dama num momento de transição e reposicionamento político. Mais do que um simples documentário biográfico, o filme assume-se como um exercício de controlo narrativo e de afirmação pública, algo que ajuda a explicar tanto o aparato da estreia americana como o desconforto gerado noutros contextos internacionais.

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A chegada do documentário às salas portuguesas acontece, assim, envolta em polémica e curiosidade. Entre glamour, diplomacia e cinema político, Melania promete não passar despercebido — nem dentro, nem fora do grande ecrã.

O vento da mudança não espera: Living the Land e a China num ponto de viragem histórico

Há filmes que chegam às salas como simples estreias semanais e há outros que se impõem como verdadeiros retratos de um país em transformação. Living the Land – O Vento é Imparável, que se estreia esta quinta-feira em Portugal, pertence claramente ao segundo grupo. Vencedor do Urso de Prata para Melhor Realização no Festival de Cinema de Berlim em 2025, o segundo filme do realizador Huo Meng afirma-se como um olhar delicado, sensorial e profundamente humano sobre uma China em mutação acelerada.

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Da Revolução Cultural à explosão criativa

Durante décadas, o cinema chinês viveu sob fortes limitações, especialmente no período da Revolução Cultural. O seu ressurgimento internacional começou nos anos 1980 com a chamada Quinta Geração, onde se destacaram nomes como Zhang Yimou e Chen Kaige. Hoje, essa classificação tornou-se quase irrelevante: o número de cineastas chineses revelados e premiados em grandes festivais é tal que já não se contam gerações — contam-se filmes marcantes.

Huo Meng é um desses novos nomes a acompanhar de perto. Com apenas a sua segunda longa-metragem, conquista Berlim e confirma que o cinema chinês contemporâneo continua a reinventar-se, agora com um olhar mais íntimo, menos épico e mais atento ao quotidiano.

Um ano, um lugar, um país em transição

Living the Land decorre numa região rural do nordeste da China, em 1991, um ano simbólico num país que acelerava a modernização económica e social. Partindo das suas próprias memórias de infância, Huo Meng constrói um retrato sensível das consequências dessa mudança, sobretudo na relação entre campo e cidade.

A narrativa acompanha uma família rural ao longo de um ciclo completo das estações do ano. No centro está Chuang, um rapaz de dez anos que vê os dois irmãos mais velhos partirem para a cidade em busca de trabalho e futuro, enquanto ele permanece no campo, ligado à terra, aos rituais e a uma forma de vida que começa lentamente a desaparecer.

Cinema como experiência sensorial

Mais do que uma história linear, Living the Land propõe uma experiência impressionista. Pessoas e paisagem surgem em pé de igualdade, num cinema que observa gestos, silêncios e rituais com paciência quase contemplativa. O realizador recorre maioritariamente a actores amadores, reforçando a autenticidade dos rostos e das emoções, e constrói um universo onde o som — do vento, da terra, dos animais — é tão importante quanto a imagem.

Sem negar o progresso nem cair na nostalgia fácil, o filme sublinha algo essencial: a modernização tem custos, e a ruptura total com a tradição pode significar a perda de uma identidade espiritual profunda, enraizada na vida rural chinesa.

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Um filme necessário

Encantador enquanto espectáculo cinematográfico e revelador na sua dimensão sociológica, Living the Land – O Vento é Imparável confirma Huo Meng como uma voz a seguir com atenção. Um filme discreto, mas poderoso, que observa a História a partir do chão — literalmente — e lembra que, por mais imparável que seja o vento da mudança, a terra guarda sempre memória.

Falso documentário, sucesso bem real: filme de Charli XCX esgota sessões e agita Sundance

O que acontece quando uma mega-estrela pop decide rir de si própria, da indústria que a rodeia e do circo mediático que ajudou a criar? A resposta chama-se The Moment — um falso documentário protagonizado por Charli XCX que está a provar ser tudo menos uma brincadeira passageira. Apresentado recentemente no Festival de Sundance, o filme tornou-se no lançamento limitado da A24 com vendas mais rápidas de sempre nos Estados Unidos.

De acordo com o estúdio, mais de 50 sessões esgotaram em tempo recorde nos chamados mercados estratégicos, com bilhetes a desaparecerem antes mesmo da estreia oficial. Para completar o fenómeno, uma sessão especial com perguntas e respostas, em Brooklyn, com Charli XCX e o realizador Aidan Zamiri, esgotou de imediato e viu os ingressos a serem revendidos online — algo raro para um filme de lançamento limitado e ainda sem distribuição alargada.

Uma diva fictícia… demasiado próxima da realidade

Em The Moment, Charli XCX interpreta uma versão exagerada e autoconsciente de si própria: uma “diva” controladora, obsessiva com detalhes e presa entre a vontade de evoluir artisticamente e a pressão constante para manter uma imagem rentável. O ponto de partida é simples e irónico: depois de dominar um verão inteiro, lançar um álbum multimilionário (Brat) e até influenciar dicionários a elegerem a palavra do ano, o que deve fazer uma estrela pop a seguir?

A resposta surge sob a forma de crise existencial, sátira mordaz e um olhar desconfortavelmente honesto sobre a fama contemporânea. A Charli do filme tenta afastar-se da estética “brat”, das tank tops justas e da atitude “IDGAF” que definiram 2024, mas encontra resistência precisamente onde menos queria: na máquina industrial que vive dessa persona.

Indústria vs. artista, com humor ácido

O elenco secundário reforça esta guerra de visões criativas. Hailey Benton Gates interpreta Celeste, a directora criativa da digressão, aliada na tentativa de mudança estética. Do outro lado da barricada estão a executiva da editora discográfica, vivida por Rosanna Arquette, e Johannes, um realizador egocêntrico contratado para supervisionar o filme da digressão, interpretado por Alexander Skarsgård.

O choque de egos e ideias transforma o planeamento da digressão num campo de batalha criativo: luzes estroboscópicas e mensagens directas dão lugar a pulseiras luminosas e a um palco que, segundo uma das personagens, “parece uma lâmpada de lava”. Pelo meio, surgem absurdos deliciosos, como uma campanha publicitária de um cartão de crédito dirigido a jovens queer ou uma fuga para um spa em Ibiza, símbolo máximo da alienação pop.

Críticos divididos, público rendido

A estreia em Sundance dividiu a crítica — como costuma acontecer com obras que brincam com o ego da indústria —, mas o público respondeu em força. Durante a sessão no festival, Charli XCX assumiu com humor a proximidade entre ficção e realidade:

“Gostaria de acreditar que não sou tão problemática como a Charli do filme”, brincou, arrancando gargalhadas.

O argumento, assinado por Bertie Brandes e pelo próprio Zamiri, assume conscientemente os arquétipos do clássico “artista contra a indústria”, algo que a cantora defendeu como realista: “Conheci versões de todas estas pessoas. Algumas torcem mesmo por ti; outras só querem estar perto do artista.”

De Spinal Tap à Berlim

O estilo de falso documentário deve muito a This Is Spinal Tap, influência assumida por Zamiri, que aproveitou a estreia para prestar homenagem a Rob Reiner, realizador do clássico de 1984.

Depois de Sundance, The Moment prepara-se para a estreia europeia na Festival de Berlim, que decorre de 12 a 22 de Fevereiro, levando consigo o estatuto de fenómeno inesperado. Para Charli XCX, o cinema surge também como uma tentativa consciente de se afastar da persona “brat” — ou, como a própria resumiu citando uma das suas canções: quando se ama algo, simplesmente faz-se, sem dormir nem parar.

Muito Para Além do Mito: o retrato definitivo de Liza Minnelli chega finalmente ao cinema

Durante décadas, Liza Minnelli foi vista como um ícone maior do que a vida: a voz poderosa, a presença eléctrica em palco, o sorriso indestrutível mesmo nos momentos mais difíceis. Mas por detrás da figura pública existiu sempre uma mulher complexa, moldada por uma herança artística esmagadora e por uma determinação rara. Liza Minnelli: A Incrível e Absolutamente Verdadeira História propõe-se finalmente olhar para essa vida sem filtros nem reverências fáceis. O documentário estreia em exclusivo nos cinemas portugueses a 29 de Janeiro de 2026.

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Uma infância vivida sob holofotes intensos demais

Filha de Vincente Minnelli, um dos grandes nomes do cinema clássico de Hollywood, e da lendária Judy Garland, Liza Minnelli cresceu num mundo onde o espectáculo não era excepção, mas regra. O filme acompanha de perto essa infância pouco convencional, marcada por bastidores de estúdios, ensaios intermináveis e a consciência precoce de que o talento, por si só, não garante felicidade.

Sem cair no sensacionalismo, o documentário contextualiza o impacto psicológico de crescer à sombra de um mito como Garland, mostrando como essa herança foi simultaneamente um privilégio e um fardo. Mais do que “a filha de”, Liza foi obrigada desde cedo a provar que existia por mérito próprio.

A afirmação de uma artista irrepetível

É nos anos 1970 que Liza Minnelli: A Incrível e Absolutamente Verdadeira História ganha uma energia particular. O filme acompanha a afirmação artística de Minnelli num período em que se torna uma referência internacional absoluta, tanto no cinema como nos palcos. O Oscar por Cabaret surge aqui não como um ponto de chegada, mas como a confirmação pública de um percurso feito de disciplina, estudo e resistência.

Através de imagens de arquivo raramente exibidas, entrevistas e momentos de bastidores, o documentário revela uma artista obcecada pelo rigor, pela entrega total e pela ideia de que cada actuação poderia ser a última. Uma ética de trabalho que ajudou a construir um legado singular no entretenimento do século XX.

Um olhar humano, informado e sem mitificações fáceis

Realizado por Bruce David Klein, o filme distingue-se pela abordagem clara e profundamente humana. Não há aqui tentativa de criar uma narrativa artificialmente heróica, nem de esconder fragilidades. Pelo contrário: o documentário entende que é precisamente nas contradições, nas quedas e nos recomeços que se constrói a verdadeira dimensão de Liza Minnelli.

O resultado é uma leitura rigorosa e informada sobre uma carreira extraordinária, mas também um retrato íntimo de uma mulher que nunca deixou de lutar pela sua identidade artística, mesmo quando o mundo parecia exigir apenas que fosse uma continuação do passado.

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Um documentário essencial para cinéfilos e melómanos

Mais do que um simples exercício biográfico, Liza Minnelli: A Incrível e Absolutamente Verdadeira História afirma-se como um documento essencial sobre fama, herança e sobrevivência artística. Um filme que respeita a inteligência do espectador e faz justiça a uma das figuras mais marcantes do entretenimento moderno.

Gritos 7 regressa aos cinemas com novo poster e promessa de terror mais pessoal do que nunca

Uma saga que recusa morrer (e ainda bem)

O regresso de uma das franquias mais influentes do cinema de terror contemporâneo já tem data marcada. Gritos 7 estreia nos cinemas portugueses a 26 de Fevereiro, trazendo consigo um novo poster oficial que reforça aquilo que os fãs da saga já aprenderam ao longo de décadas: quando se trata de Ghostface, o passado nunca fica verdadeiramente enterrado.

Mais do que apenas um novo capítulo, Gritos 7 assume-se como uma reafirmação da vitalidade de um universo que ajudou a redefinir o género slasher. A imagem agora divulgada recupera o legado visual da série e coloca novamente a icónica máscara no centro da ameaça, num tom sombrio que sugere um confronto directo entre memórias antigas e horrores renovados.

O peso emocional de uma saga que cresceu com o público

Um dos aspectos mais sublinhados nesta nova entrada é o aprofundamento emocional da narrativa. Sem abdicar da violência, do suspense e da ironia que sempre caracterizaram a saga, Gritos 7 aposta numa abordagem mais íntima, onde o perigo se torna mais próximo e pessoal. A presença ameaçadora de Ghostface volta a funcionar como espelho dos traumas acumulados ao longo de gerações.

Essa dimensão emocional ganha especial força com o regresso de Neve Campbell ao papel de Sidney Prescott. Agora mãe, Sidney construiu uma nova vida longe do horror que marcou o seu passado, mas o surgimento de um novo assassino obriga-a a enfrentar, uma vez mais, os seus piores pesadelos — desta vez para proteger aquilo que tem de mais precioso.

Sinopse: quando o terror bate à porta de casa

Segundo a sinopse oficial, a tranquilidade da nova vida de Sidney é abruptamente interrompida quando um novo Ghostface surge na cidade onde vive. A sua filha, interpretada por Isabel May, torna-se o próximo alvo, forçando Sidney a regressar ao campo de batalha emocional e físico que pensava ter deixado para trás. O confronto promete ser definitivo, num esforço para pôr fim à matança “de uma vez por todas”.

Kevin Williamson volta a comandar o pesadelo

Outro elemento de peso neste novo capítulo é o regresso de Kevin Williamson à realização. Criador das personagens originais da saga, Williamson assume também o argumento, em parceria com Guy Busick, garantindo uma ligação directa às raízes do franchise. A produção fica a cargo de William Sherak, James Vanderbilt e Paul Neinstein.

O elenco reúne vários nomes já conhecidos do público, como Courteney Cox, Jasmin Savoy Brown e Mason Gooding, ao lado de novas adições como Anna Camp, Joel McHale e Mckenna Grace, reforçando a ideia de continuidade entre gerações — dentro e fora do ecrã.

Estreia em grande nos cinemas portugueses

Gritos 7 chega às salas nacionais a 26 de Fevereiro, com exibição também nos formatos IMAX e 4DX, prometendo uma experiência imersiva para os fãs mais corajosos. A distribuição em Portugal está a cargo da NOS Audiovisuais, que aposta forte num título com um legado sólido e uma base de fãs fiel.

Se o novo poster serve de indicador, o terror está longe de perder fôlego. Pelo contrário: em Gritos 7, o medo volta a ser pessoal — e talvez mais cortante do que nunca.

Os Melhores Filmes de 2025 Regressam ao Grande Ecrã: O Ciclo Imperdível do Cinema Nimas

Dez filmes essenciais (e mais uma surpresa) para (re)ver em Lisboa entre Janeiro e Fevereiro

Entre 23 de Janeiro e 18 de Fevereiro, o Cinema Medeia Nimas transforma-se no ponto de encontro obrigatório para quem leva o cinema a sério. A Medeia Filmes apresenta o ciclo “Os Melhores do Ano 2025”, uma selecção criteriosa que cruza listas nacionais e internacionais com escolhas apaixonadas — os tais crushes cinéfilos que ajudam a definir um ano memorável nas salas escuras.

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O resultado são dez filmes essenciais e um “extra” especialLavagante, uma das grandes surpresas do final do ano, que conquistou público e crítica e mereceu, por direito próprio, um lugar neste alinhamento. Muitos dos títulos continuam, aliás, a fazer o seu percurso na época de prémios, pelo que desta lista sairão certamente alguns dos filmes distinguidos nos Óscares. Para quem perdeu na estreia — ou quer rever no ecrã certo — esta é a oportunidade.

Um mapa do melhor cinema contemporâneo

O ciclo desenha um retrato plural do cinema recente: do autor europeu à grande produção americana, do cinema político ao experimental, passando por obras que desafiam géneros e expectativas. É um programa que pede tempo, curiosidade e entrega — exactamente aquilo que o cinema merece.

Entre os destaques está Sirât, de Oliver Laxe, uma experiência intensa e física que confirma o realizador como uma das vozes mais singulares do cinema europeu actual. Também O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, regressa ao grande ecrã, reforçando o estatuto do cineasta brasileiro como um cronista atento do poder, da memória e da resistência.

O cinema de autor internacional marca forte presença com The Shrouds – As Mortalhas, onde David Cronenberg volta a explorar obsessões antigas através de novas formas, e com Verdades Difíceis, que confirma Mike Leigh como um mestre absoluto da observação humana.

Política, exílio e resistência

Há também espaço para o cinema que olha o mundo de frente. Foi Só Um Acidente, de Jafar Panahi, e A Semente do Figo Sagrado, de Mohammad Rasoulof, são exemplos claros de um cinema que nasce da urgência política e da experiência do exílio, transformando a adversidade em matéria cinematográfica de primeira linha.

O mesmo espírito atravessa O Riso e a Faca, de Pedro Pinho, apresentado numa sessão especial com apresentação, sublinhando a importância do diálogo entre filme, contexto e público.

Hollywood de autor e grandes nomes

Do outro lado do Atlântico, Batalha Atrás de Batalha, de Paul Thomas Anderson, representa o cinema americano de autor no seu esplendor máximo, com um elenco liderado por Leonardo DiCaprio. Um filme-evento que confirma Anderson como um dos grandes cronistas da América contemporânea.

O “extra” que ninguém viu chegar

E depois há Lavagante, de Mário Barroso. Fora das listas mais previsíveis, mas dentro do coração de quem o viu, o filme afirma-se como uma das revelações de 2025, justificando plenamente o estatuto de “mais um” neste ciclo que celebra o melhor do ano.

Datas, horários e a sala certa

As sessões decorrem ao longo de várias datas, com reposições estratégicas de alguns títulos, permitindo diferentes opções de horário. Tudo acontece no Cinema Medeia Nimas, em Lisboa, uma das salas históricas da cidade e o local ideal para um ciclo que pede atenção, silêncio e amor pelo grande ecrã 🎬.

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Mais do que um simples conjunto de exibições, “Os Melhores do Ano 2025” é um convite à memória recente do cinema — e uma afirmação clara de que ver filmes continua a ser um acto colectivo, vivido melhor numa sala escura.

“Shelter: Sem Limites” — Jason Statham Enfrenta o Passado Num Thriller de Sobrevivência à Beira do Abismo

Um homem isolado, uma jovem em perigo e uma ilha onde não existe refúgio possível

Há filmes que não precisam de grandes voltas para deixar clara a sua proposta. Shelter: Sem Limites é um deles. Com estreia marcada em Portugal para 5 de Fevereiro, o novo thriller protagonizado por Jason Statham aposta numa combinação clássica — isolamento, redenção e violência inevitável — para contar uma história onde o instinto de sobrevivência fala sempre mais alto.

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Com o título original Shelter, o filme transporta-nos para uma ilha escocesa remota, um cenário agreste e implacável que funciona quase como mais uma personagem. É aqui que vive um homem recluso, afastado do mundo e claramente a fugir de um passado que prefere não revisitar. A tranquilidade forçada da sua existência termina no momento em que resgata uma jovem do mar, um acto aparentemente simples que desencadeia uma sucessão de acontecimentos cada vez mais perigosos.

Quando salvar alguém significa declarar guerra

A jovem resgatada, interpretada por Naomi Ackie, não é apenas uma vítima indefesa. A sua presença traz consigo ameaças invisíveis, inimigos determinados e segredos que rapidamente colocam o protagonista na mira de forças implacáveis. Aquilo que começou como um gesto de humanidade transforma-se numa luta brutal pela sobrevivência, obrigando o personagem de Statham a confrontar tudo aquilo que tentou deixar para trás.

O filme constrói a sua tensão a partir dessa ideia simples, mas eficaz: não existe salvação sem consequências. Cada passo dado para proteger a jovem aproxima o protagonista de um passado violento que volta a reclamar o seu preço.

Acção crua e personagens com peso

Na realização está Ric Roman Waugh, conhecido por thrillers de acção de tom sério e físico, onde a violência não é estilizada nem glorificada. Em Shelter: Sem Limites, essa abordagem traduz-se em confrontos directos, poucos diálogos explicativos e uma narrativa que confia mais nas acções do que nas palavras.

O elenco conta ainda com Bill Nighy, cuja presença acrescenta densidade dramática a um filme que, apesar de assente na acção, não abdica de trabalhar temas como culpa, isolamento e redenção. Não estamos perante um herói clássico, mas sim um homem quebrado, empurrado para a violência porque todas as outras opções lhe foram retiradas.

Um thriller pensado para o grande ecrã

Visualmente, o filme tira partido da paisagem escocesa para criar uma atmosfera fria, opressiva e permanentemente ameaçadora. O isolamento geográfico reforça a ideia central da história: quando não há para onde fugir, resta apenas resistir.

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Shelter: Sem Limites não promete reinventar o cinema de acção, mas entrega exactamente aquilo que propõe — um thriller intenso, seco e eficaz, sustentado por um protagonista que sabe ocupar o centro do ecrã como poucos. Para os fãs de Jason Statham, é mais uma variação sólida do seu arquétipo preferido; para os restantes, um filme de tensão constante onde cada decisão pode ser a última 💥🎬.

A estreia acontece a 5 de Fevereiro, nas salas de cinema portuguesas.

Quando a Natureza Morde de Volta: “PRIMATA” e o Terror Onde Não Há Escapatória

Um thriller de sobrevivência que transforma o conforto em ameaça

Estreia hoje nas salas de cinema portuguesas PRIMATA, um thriller de sobrevivência que aposta numa premissa simples e perturbadora: e se aquilo que conhecemos, controlamos e até tratamos como parte da família se tornasse, de um momento para o outro, a maior ameaça às nossas vidas? Realizado por Johannes Roberts, o filme chega ao grande ecrã com a promessa de tensão constante, atmosfera claustrofóbica e um confronto directo com o instinto mais básico de todos — sobreviver.  

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A história acompanha Lucy, interpretada por Johnny Sequoyah, que regressa a casa depois do primeiro semestre na universidade. O reencontro com a família e com Ben, o chimpanzé de estimação, parece inicialmente tranquilo, quase idílico. No entanto, o que começa como uma simples festa na piscina transforma-se rapidamente num pesadelo quando Ben é infectado por um vírus que altera de forma violenta o seu comportamento. A partir desse momento, o filme fecha-se sobre os seus protagonistas, encurralando-os num espaço onde cada decisão pode ser fatal.

Terror psicológico e urgência em tempo real

PRIMATA cruza habilmente terror psicológico com tensão em tempo real. A ameaça não vem de monstros sobrenaturais nem de entidades invisíveis, mas de algo visceral, físico e perigosamente plausível. O filme explora a frágil linha que separa a domesticação da selvajaria, questionando até que ponto o ser humano acredita controlar a natureza — e o quão ilusória essa crença pode ser 🧠🐒.

A realização aposta num ritmo crescente e numa sensação constante de urgência. O confinamento dos personagens intensifica a ansiedade e cria uma atmosfera sufocante, pensada claramente para o grande ecrã. Cada minuto conta, cada erro aproxima-os do pior desfecho possível, e o espectador sente esse peso do início ao fim.

Um elenco sólido e uma experiência pensada para o cinema

Além de Johnny Sequoyah, o elenco conta com nomes como Jessica Alexander e Troy Kotsur, contribuindo para uma dinâmica de grupo marcada pelo pânico, pela desconfiança e pela necessidade de improvisar estratégias de sobrevivência. O argumento, assinado por Johannes Roberts e Ernest Riera, nunca perde de vista o seu foco principal: colocar as personagens — e o público — numa corrida desesperada contra o tempo.

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PRIMATA assume-se como uma proposta directa, intensa e sem concessões, ideal para quem procura uma experiência de suspense que se cola à pele e não larga facilmente.

No fundo, este é um filme que lembra uma verdade incómoda: quando a civilização falha, resta apenas o instinto. E nem sempre estamos preparados para lidar com ele.

Justiça Sob Algoritmo: Mercy: Prova de Culpa Chega a Portugal com Chris Pratt em Modo Sombrio

O thriller futurista estreia nos cinemas portugueses a 22 de Janeiro de 2026 e questiona quem deve julgar: humanos ou máquinas

À primeira vista, Mercy parecia um projecto condenado ao cepticismo. Um thriller distópico sobre justiça algorítmica protagonizado por Chris Pratt, actor que passou a última década soterrado pelo peso das grandes franquias, dificilmente soaria a proposta refrescante. No entanto, o filme revela-se uma surpresa moderada — não revolucionária, mas mais inteligente, dinâmica e provocadora do que o seu ponto de partida fazia prever.

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Em Portugal, o filme chega com o título Mercy: Prova de Culpa e tem estreia marcada para 22 de Janeiro de 2026, alinhando-se com o lançamento internacional. Uma data que coloca este thriller de ficção científica mesmo no início do ano cinematográfico, com ambições claras de captar a atenção de quem gosta de histórias tensas, tecnológicas e moralmente desconfortáveis.

Um julgamento onde o relógio dita a sentença

A acção decorre num futuro próximo, demasiado plausível para conforto. Chris Raven é um agente da polícia de Los Angeles que acorda após uma noite de excessos para descobrir que foi detido e colocado numa cadeira de interrogatório digital. A acusação é devastadora: o homicídio da própria mulher. Sem direito a um julgamento tradicional, Raven é integrado no programa “Mercy”, uma experiência judicial radical onde o arguido é avaliado por uma inteligência artificial.

Essa entidade chama-se Judge Maddox, interpretada com frieza elegante por Rebecca Ferguson, e acumula os papéis de juíza, júri e carrasca. A lógica do sistema é simples e aterradora: Raven dispõe de 90 minutos para provar a sua inocência. Se a probabilidade calculada de inocência ultrapassar os 94%, é libertado. Caso contrário, a execução acontece automaticamente quando o tempo termina.

A culpa é presumida. A dúvida razoável é um número. A justiça é um algoritmo.

Menos panfleto, mais mistério

Seria fácil transformar Mercy: Prova de Culpa num manifesto anti-tecnologia ou numa sátira pesada ao Estado policial. O filme evita esse caminho mais óbvio e opta por algo mais interessante. O tribunal virtual não está completamente viciado contra o arguido. Pelo contrário, Raven tem acesso total a provas, testemunhas, imagens de vigilância e documentos, navegando por um arquivo digital quase infinito.

Este dispositivo transforma o filme num híbrido curioso: parte thriller em tempo real, parte investigação criminal acelerada, com ecos de Minority ReportMemento e até de videojogos de detectives. As pistas acumulam-se rapidamente, o ritmo raramente abranda e a narrativa mantém-se envolvente mesmo quando a conspiração central não foge a terrenos muito inovadores.

Um Chris Pratt mais áspero e eficaz

Chris Raven é um protagonista imperfeito: alcoólico em recaída, emocionalmente instável, divorciado e com um passado profissional que o coloca numa posição irónica — foi ele próprio responsável por levar a tribunal o primeiro arguido julgado pelo programa Mercy, num processo pensado para legitimar o sistema.

Pratt interpreta-o como um herdeiro directo dos detectives dos anos 90, à la Bruce Willis, abandonando a persona de boa disposição genérica que marcou a sua fase mais comercial. Aqui, está mais duro, mais agressivo e mais convincente. É uma das suas performances mais interessantes fora do universo das franquias.

Rebecca Ferguson domina o filme

Apesar de um elenco secundário competente, é Judge Maddox quem verdadeiramente marca o filme. Rebecca Fergusonconsegue dar a uma entidade programada uma estranha sensação de presença e quase-consciência, falando com uma lógica autoritária que nunca perde o controlo.

É através desta personagem que o filme lança a sua questão mais provocadora: será que uma inteligência artificial pode avaliar provas com mais objectividade do que um júri humano? Mercy: Prova de Culpa não responde de forma simplista. Pelo contrário, sugere que o problema não está apenas na tecnologia, mas na forma como os humanos a utilizam — ou se escondem atrás dela.

Um thriller eficaz, mesmo sem reinventar o género

Realizado por Timur Bekmambetov, conhecido por Wanted, o filme aposta numa montagem nervosa, numa estética digital agressiva e num ritmo quase constante, ao ponto de justificar a existência de três editores. Nem todas as personagens secundárias são plenamente desenvolvidas, mas o foco mantém-se onde interessa: no dilema moral e na corrida contra o tempo.

Mercy: Prova de Culpa não vai redefinir o cinema de ficção científica nem o thriller judicial, mas é um exemplo sólido de entretenimento adulto, consciente do mundo em que vivemos e das perguntas desconfortáveis que já não podemos evitar.

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Veredicto final

Sem ser brilhante, Mercy: Prova de Culpa é um thriller eficaz, tenso e surpreendentemente equilibrado na forma como aborda a justiça, a tecnologia e o papel humano no meio de ambos. Uma estreia interessante para quem procura mais do que explosões e respostas fáceis.

“28 Anos Depois: O Templo dos Ossos” — O Quarto Capítulo da Saga Zombi Que Está a Dividir Opiniões

“No que dizem lá fora”: um quatroquel que supera as expectativas

Há franquias que, por definição, parecem fadadas a decair com o tempo. Sequências, prequelas e derivados inundam o mercado e muitas vezes tornam-se sombras pálidas do original. Ainda assim, 28 Years Later: The Bone Temple — traduzido para o português como 28 Anos Depois: O Templo dos Ossos — está a contrariar essa lógica, com muitos críticos a considerarem-no o melhor capítulo da saga desde 28 Days Later (2002).  

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O argumento de que um “quatroquel” possa ser superior ao resto da franquia parece improvável, mas é justamente esse o sentimento que paira nas primeiras reacções críticas: uma energia mais crua, personagens mais complexos e um sentido de crescente perigo que vai além do simples terror zumbi. Neste aspecto, o destaque vai, em particular, à performance de Ralph Fiennes, cuja interpretação é unanimemente elogiada como “fenomenal” e uma das melhores da sua carreira, com momentos memoráveis que misturam intensidade física com nuances inesperadas de humor negro e surrealismo.  

A narrativa — menos mortos-vivos, mais humanos perigosos

Ao contrário da esmagadora maioria dos filmes de zombies, onde “os infectados” são o centro da ameaça, O Templo dos Ossos vira esse cliché do avesso. No coração do filme está um confronto feroz entre humanidades agressivas e crepusculares, personificadas pela bizarra gangue liderada por Jack O’Connell como Sir Lord Jimmy Crystal. Esta facção — descrita por algumas críticas como quase mais assustadora do que os próprios zombies — transforma a narrativa num estudo de poder, manipulação e psicose colectiva.  

A história segue Spike (Alfie Williams), um jovem que se vê atolado no meio desta nova ordem brutal, confrontando a desumanidade que floresceu num mundo pós-apocalíptico. Ao mesmo tempo, o Dr. Ian Kelson (Fiennes) representa um contra-ponto quase messiânico — um homem que vive numa estranha quietude moral enquanto tenta compreender e, eventualmente, domar a ameaça gigantesca conhecida como Samson.  

O que dizem por aí: cinema que desafia expectativas

As primeiras impressões partilhadas por críticos e fãs que já viram o filme em exibições antecipadas sugerem que O Templo dos Ossos não se limita a repetir o mesmo formulaico terror zumbi a que estamos habituados. Pelo contrário, há quem o descreva como um filme “energético, cruel e profundamente humano”, onde a verdadeira ameaça já não é o vírus, mas sim a própria natureza humana quando despojada de estrutura social.  

Este enfoque renovado tem sido visto como um sopro de ar fresco para uma série que começou há mais de duas décadas e que, apesar de reverenciada, corria o risco de cair no esquecimento criativo. A mudança de realizador — com Nia DaCosta a assumir a direcção depois de Danny Boyle — parece ter rejuvenescido a franquia, oferecendo um olhar contemporâneo sobre um universo cheio de decay e violência visceral.  

Datas de estreia nos países de língua portuguesa

Se és fã do género e já queres marcar no calendário, aqui vai o que se sabe sobre as estreias no mundo lusófono:

  • Portugal: estreia nos cinemas a 15 de Janeiro de 2026.  
  • Brasil: está também confirmado para 15 de Janeiro de 2026.  

Para muitos, esta estreia conjunta em países lusófonos é um convite para comparar experiências e ver como a cultura local reage a um filme que está a gerar conversas intensas tanto pela sua abordagem narrativa como pelas performances surpreendentes.

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Conclusão

28 Anos Depois: O Templo dos Ossos” está a chegar como um capítulo controverso e, curiosamente, celebrativo de tudo aquilo que o cinema de horror pode oferecer: tensão, reacções inesperadas do público e uma narrativa que, mesmo no meio de mortos-vivos, encontra significado nos vivos. Se as reacções iniciais se confirmarem após o lançamento generalizado, poderemos estar perante um dos melhores filmes do género dos últimos anos.