As estreias de 28 de Maio: Kane Parsons leva as Backrooms ao grande ecrã e Hitler tinha provadoras de comida

Esta semana o cartaz português tem nove filmes novos — com um terror da A24 que nasceu de um fenómeno viral da internet, um drama histórico baseado numa história real perturbadora da Segunda Guerra Mundial e um thriller de Guy Ritchie com Jake Gyllenhaal e Henry Cavill.

Backrooms — O Labirinto é o destaque mais aguardado da semana. Kane Parsons — o realizador de apenas 19 anos que criou a webserie viral de YouTube que deu origem ao filme, tornando-se no realizador mais jovem da história da A24 — dirige Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve, Mark Duplass, Finn Bennett e Lukita Maxwell. A história segue a descoberta de uma passagem misteriosa que conduz a uma dimensão paralela de corredores intermináveis e labirínticos, iluminados por uma luz artificial inquietante — onde algo se esconde nas sombras. É o fenómeno das Backrooms — a creepypasta que assombrou a internet durante anos — finalmente no grande ecrã, com James Wan e Shawn Levy como produtores executivos. Antes de ir, confirmem sessões no cinema da vossa preferência — algumas salas ainda não têm sessões disponíveis.

As Provadoras de Hitler é o título mais perturbador da semana — e merece atenção precisamente por isso. Baseado no romance de Rosella Postorino e realizado pelo italiano Silvio Soldini, o filme acompanha Rosa, uma jovem alemã que foge de Berlim bombardeada em 1943 e chega à aldeia dos sogros, perto da “Toca do Lobo” — o quartel-general de Hitler. Recolhida de madrugada pelas SS para provar os alimentos destinados ao Führer, vive entre o medo constante de morrer envenenada, a fome e as tensões com as outras provadoras. A história baseia-se num facto real: em 2013, Margot Wölk, a última sobrevivente das 15 provadoras de Hitler, revelou pela primeira vez a existência deste grupo numa entrevista ao Der Spiegel — um detalhe que permanecera desconhecido durante décadas. Com Elisa Schlott e Max Riemelt. 123 minutos. 

Em Zona Cinzenta (In the Grey, 2026) é o thriller de acção da semana. Guy Ritchie realiza Jake Gyllenhaal, Henry Cavill e Eiza González numa história sobre dois especialistas em extração encarregados de abrir uma rota de fuga para uma negociadora sénior em território hostil. É Guy Ritchie no seu elemento — acção estilizada, ritmo implacável, elenco de peso. Distribuição Pris Audiovisuais. 

Para o público mais cinéfilo, Ali, Aqui (2025) é um documentário de Ana Pérez-Quiroga sobre memória e exílio durante a Guerra Civil Espanhola. M/12, 73 minutos. Falta Muito Para Amanhã (Tomorrow Is a Long Time, 2024) é um drama chinês premiado internacionalmente. Hagen — Guerra dos Reinos é a epopeia fantástica alemã baseada no ciclo dos Nibelungos. Leibniz — Crónica de uma Pintura Perdida é o documentário alemão sobre uma pintura desaparecida associada ao filósofo Leibniz. E Pai Nosso — Os Últimos Dias de Salazar é o documentário português sobre os últimos anos do ditador — um título que, dado o momento político europeu, chega com uma oportunidade de contextualização rara.

Para as famílias, Bichos a Bordo (Falcon Express, 2025) é a animação da semana — adequada para todas as idades.

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As estreias de 21 de Maio: Star Wars regressa aos cinemas e André Øvredal traz o terror às estradas

Esta semana o cartaz português tem sete estreias — e pela primeira vez em sete anos, Star Wars está de volta ao grande ecrã. É o acontecimento cinematográfico da semana, mas não é o único motivo para ir ao cinema.

Star Wars: The Mandalorian e Grogu (NOS Audiovisuais, M/12) é o filme do momento — 140 minutos com Pedro Pascal como Din Djarin e o seu aprendiz Grogu numa missão para a Nova República, com Sigourney Weaver como a Coronel Ward e Jeremy Allen White num papel que a produção mantém em segredo. Jon Favreau realiza com um orçamento de 165 milhões de dólares e a promessa de um filme que funciona para quem nunca viu um episódio da série. As primeiras críticas estão nos 61% no Rotten Tomatoes — abaixo do esperado mas com audiências entusiastas. Em cartaz nos Cinemas NOS e UCI, com sessões em IMAX no NOS Colombo e Forum Almada.

O Passageiro do Inferno (NOS Audiovisuais) é o thriller de terror da semana — e vem com um nome por detrás que garante qualidade. André Øvredal, o realizador norueguês de Autópsia de Jane Doe e Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro, constrói a história de um jovem casal que testemunha um acidente numa estrada isolada e percebe que não saiu do local sozinho. Jacob Scipio, Lou Llobell e Melissa Leo protagonizam. É o tipo de terror que trabalha a atmosfera antes de trabalhar os sustos — e Øvredal raramente desilude.

Família à Força (Outsider Films) é a comédia dramática francesa da semana: Sandrine Kiberlain como uma mulher que descobre, depois da morte do marido, que ele tinha uma família secreta — e que agora tem de lidar com os filhos que não sabia que existiam. Jean-Baptiste Léonetti realiza com o humor contido que o cinema francês domina como nenhum outro. 100 minutos, sem classificação etária indicada.

A Baleia Cantora (Pris Audiovisuais) completa o cartaz familiar — uma animação de aventura sobre uma baleia cantora e a missão de a proteger, realizada por Reza Memari com 91 minutos e adequada a todas as idades.

Para o público mais exigente, esta semana tem dois títulos que merecem atenção especial. Fogo do Vento, de Marta Mateus, é um drama português de 72 minutos com Soraia Prudêncio que passou por vários festivais internacionais — o cinema português mais radical e mais pessoal, para quem aprecia esse território. E Uma Mãe e o Seu Filho (Midas Filmes), do iraniano Saeed Roustaee — o realizador de Leila’s Brothers, um dos filmes mais aclamados de Cannes 2022 — é um drama de 131 minutos com Parinaz Izadyar e Payman Maadi sobre uma mãe que luta pelo filho numa sociedade que os esmaga. É cinema iraniano contemporâneo no seu melhor: denso, político e absolutamente humano.

Fecha o cartaz A Memória das Borboletas, um documentário de Tatiana Fuentes Sadowski sobre memória e identidade, com 77 minutos.

As estreias de 14 de Maio: uma saga com Salvador Sobral, o documentário dos Iron Maiden e uma Madre de Calcutá com Noomi Rapace

Esta semana o cartaz português é presidido por um filme português premiado no IndieLisboa, um documentário sobre uma das maiores bandas de metal de sempre e um biopic sobre Teresa de Calcutá com uma das melhores actrizes europeias em cena. São dez estreias — aqui estão as que mais merecem atenção, por ordem de potencial de audiência.

Iron Maiden: Burning Ambition (Cinemundo, M/12) é provavelmente o título mais aguardado da semana para a audiência do Clube de Cinema — não porque o metal seja o género mais transversal, mas porque este documentário vai muito além dos fãs da banda. Cinquenta anos de carreira contados através de entrevistas com os membros da banda, a última conversa registada com o vocalista original Paul Di’Anno — que morreu em Outubro de 2024 — e testemunhos de Lars Ulrich dos Metallica, do actor Javier Bardem e de Chuck D dos Public Enemy. É a história de como uma banda de East London se tornou num fenómeno global com um exército de fãs em todos os continentes — incluindo Portugal, onde os Iron Maiden têm uma das maiores bases de fãs da Europa. O documentário estreou mundialmente a 7 de Maio e chega agora às salas portuguesas. 

A Providência e a Guitarra (Desforra Apache) é o destaque do cinema português desta semana — e não por acaso. O novo filme de João Nicolau, com Pedro Inês, Clara Riedenstein e Salvador Sobral, ganhou o Prémio de Melhor Realização no IndieLisboa há menos de duas semanas, com o júri a elogiar “um humor inteligente e uma construção narrativa audaciosa”. Nicolau é um dos realizadores portugueses mais singulares da sua geração — RapaceJohn From e Technoboss definem um cinema que não se parece com nada — e a presença de Sobral no elenco é uma garantia de que a música e a errância vão ter aqui um papel central.

Teresa – A Madre de Calcutá (NOS Audiovisuais, M/12) é realizado pela macedónia Teona Strugar Mitevska e protagonizado por Noomi Rapace numa das personagens históricas mais complexas e mais debatidas do século XX. O filme não é uma hagiografia — Mitevska tem um historial de retratos femininos que recusam o conforto — e Rapace, depois de PrometheusThe Girl with the Dragon Tattoo e Lamb, está completamente à vontade em personagens de intensidade extrema. Com Nikola Ristanovski e Sylvia Hoeks no elenco de apoio.

13 Dias, 13 Noites (Cinemundo) é um thriller político francês sobre a evacuação da embaixada francesa em Cabul durante a tomada taliban em Agosto de 2021. Baseado no livro de Mohamed Bida, com realização de Martin Bourboulon — o mesmo de Os Mosqueteiros — e Roschdy Zem no papel principal, o filme estreou fora de competição em Cannes 2025 com críticas positivas, com destaque para a performance de Zem. É o tipo de thriller de acção com substância política que raramente chega ao cinema português — e que vale a pena ver em sala. IMDb

As Águias da República (Leopardo Filmes) é um thriller do sueco-egípcio Tarik Saleh — o mesmo de O Cairo Confidencial e Boy from Heaven — desta vez com Fares Fares e Lyna Khoudri numa história de espionagem e poder político no mundo árabe contemporâneo. Saleh é um dos realizadores mais consistentes do thriller político europeu e o filme foi bem recebido nos festivais onde passou.

Mais Forte Que Eu (Pris Audiovisuais, M/12) é um drama britânico realizado por Kirk Jones com Robert Aramayo — conhecido de Game of Thrones como o jovem Ned Stark — e Maxine Peake numa história de luta e resistência ambientada no norte de Inglaterra. Peter Mullan completa o elenco. É o tipo de filme britânico de classe trabalhadora que tem uma tradição sólida e uma audiência fiel.

Completa o cartaz Soco a Soco (sem classificação etária atribuída), o documentário português de Diogo Varela Silva sobre o pugilista Orlando Jesus — que já esteve em cartaz durante o IndieLisboa e que chega agora ao circuito comercial — e Obsession – A Felicidade É Relativa (Cinemundo, M/14), um terror americano. Para o público mais jovem e familiar há Tom & Jerry: A Bússola Perdida (Cinemundo), uma animação chinesa baseada nos personagens clássicos, e A Dança das Raposas, drama belga de estreia.