Hermann Göring foi o segundo homem mais poderoso do Terceiro Reich, o criador da Gestapo, o comandante da Luftwaffe e o único líder nazi com carisma e inteligência suficientes para ameaçar o próprio Hitler. No banco dos réus em Nuremberga, em 1945, mostrou-se também o único acusado capaz de usar o julgamento como palco — respondendo com argúcia às perguntas dos procuradores, manipulando os seus co-arguidos e, segundo os registos históricos, gerindo a sua própria defesa com uma competência que perturbou profundamente os aliados. Nuremberga — que estreia esta sexta-feira, 22 de Maio, às 21h30, em exclusivo no TVCine Top e TVCine+ — é a história do homem encarregado de o avaliar antes do julgamento: o psiquiatra americano Douglas Kelley.
Russell Crowe interpreta Göring com a contenção calculada que a personagem exige — não o monstro berrador do imaginário popular, mas o político astuto que sabia exactamente o efeito que cada palavra produzia. Rami Malek é Kelley, o jovem psiquiatra do exército americano que chega a Nuremberga convicto de que vai encontrar a explicação clínica para a maldade — e que progressivamente percebe que Göring não cabe em nenhuma categoria que a psiquiatria da época conseguia definir. O duelo entre os dois — intelectual, psicológico, moral — é o coração do filme.
James Vanderbilt realiza a partir do seu próprio argumento — o mesmo Vanderbilt que escreveu Zodíaco de David Fincher, talvez o melhor thriller de procedimento policial da última década. A comparação não é acidental: Nurembergatem a mesma estrutura de investigação obsessiva, a mesma atenção ao detalhe histórico e a mesma recusa em simplificar o que é genuinamente complexo. Göring não é reabilitado — mas é compreendido com uma profundidade que torna o filme mais perturbador do que qualquer retrato de maldade directa conseguiria ser.
O filme chegou aos cinemas portugueses em Fevereiro e foi um dos títulos mais discutidos do início do ano — com historiadores e críticos a debater a fidelidade histórica e a pertinência de humanizar, mesmo que parcialmente, uma figura como Göring. Essa discussão não tem resposta fácil. É precisamente isso que o faz valer a pena ver uma segunda vez — ou uma primeira, para quem perdeu a estreia em sala. Sexta-feira, 22 de Maio, às 21h30, TVCine Top e TVCine+.
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