Hope de Na Hong-jin recebeu seis minutos de ovação no Grande Auditório Lumière — e depois dividiu radicalmente a crítica. É o filme mais polarizador do festival até agora, e as reacções de ambos os lados são suficientemente expressivas para contar uma história própria.
Do lado dos entusiastas: “Electrizante e completamente maluco — como se o RRR estivesse em crack com ficção científica e queimado com combustível de avião”, escreveu um crítico no X. “Acordei a pensar nele. Justificou toda a viagem a Cannes”, escreveu outro. O Hollywood Reporter foi mais medido mas igualmente positivo: “É raro um thriller de acção que acontece quase inteiramente em plena luz do dia. Hope agarra-te imediatamente com a sua cinematografia virtuosa, banda sonora de pulso acelerado e personagens bem definidas.”

Do lado dos céticos: o IndieWire foi directo: “Tem alguns dos piores efeitos visuais deste lado do canal Syfy.” A mesma crítica comparou um momento de Fassbender a “o seu próprio momento Rei dos Escorpiões em 2026 — e em Competição em Cannes, não menos.” Outros apontam para VFX “inacabados” que sugerem que Na Hong-jin acelerou a pós-produção para cumprir o prazo de Cannes — e que isso se nota em determinadas sequências onde a física simplesmente não convence.
O TheWrap chamou-lhe “um glorioso filme de género” e o Screen International descreveu-o como “um massacre pedal ao fundo cheio de ritmo implacável e espectáculo gráfico”. O Rotten Tomatoes está nos 75% com apenas 12 críticas — um número que vai certamente mudar nas próximas horas. A distribuição em Portugal ficará a cargo da MUBI, que adquiriu os direitos para a Península Ibérica.
