Em 2001, Reese Witherspoon entrou em Harvard com um fato cor-de-rosa e um chihuahua na mala e mudou para sempre o que se entendia por comédia de formação feminina. Vinte e cinco anos depois, o Prime Video vai mostrar quem era Elle Woods antes de tudo isso. Elle — o prequel da série — estreia a 1 de Julho com dez episódios, já renovado para uma segunda temporada antes de a primeira chegar ao ecrã.
A série passa-se em 1995 e segue Elle Woods (Lexi Minetree) no liceu em Bel-Air, antes de a família se mudar para Seattle quando o pai perde o emprego. É um universo conhecido — amizades complicadas, romance proibido e escolhas de moda questionáveis — mas numa versão mais jovem e mais vulnerável da personagem que toda a gente conhece. Minetree foi escolhida entre centenas de candidatas numa procura que Witherspoon — produtora executiva da série — disse ter sido inspirada por Wednesday da Netflix: “Vi aquela série e pensei: devíamos fazer Elle Woods no liceu, porque queria perceber quem ela era antes da faculdade.”
O elenco inclui June Diane Raphael como a mãe de Elle e Tom Everett Scott como o pai. Num dos seus últimos papéis antes de falecer, James Van Der Beek — Dawson de Dawson’s Creek — interpreta o director da escola. É um detalhe que vai certamente emocionar quem cresceu com ambas as séries nos anos 90 e 2000.
A segunda temporada já está em rodagens em Vancouver — o que significa que o Prime Video apostou na série muito antes de saber como o público vai reagir. Em Portugal, Elle estará disponível a 1 de Julho no Prime Video.
ATENÇÃO: Este artigo contém spoilers do episódio 7 da quinta temporada de The Boys.
Com dois episódios para o fim da série — a estreia do episódio final está marcada para 19 de Maio em sessões de cinema em 4DX, antes de chegar ao Prime Video a 20 de Maio — Eric Kripke conseguiu encaixar no penúltimo episódio um cameo que fez toda a gente fazer pausa e recuar. A voz inconfundível pertencia a Samuel L. Jackson. A personagem era Xander — um tubarão-martelo.
Jackson empresta a voz a Xander, o animal marinho que transportou The Deep (Chace Crawford) numa perseguição a A-Train no início da temporada. No episódio 7, Xander regressa — furioso. Uma explosão de pipeline destruiu grande parte da vida marinha do oceano, e Xander não está com paciência para The Deep. É a continuação natural da tradição da série de escalar celebridades para vozes de animais marinhos: Tilda Swinton foi a voz de Ambrosius, o polvo com quem The Deep se apaixonou na quarta temporada.
“Queríamos uma voz muito distinta — e quem tem uma voz mais distinta em Hollywood do que Sam Jackson? Fomos directamente ao agente dele. Era a nossa primeira escolha, e perguntámos: ‘Ele quer fazer isto?’ Jackson gosta da série e aceitou de imediato. Isso é um item da lista de desejos — ouvir Sam Jackson a ler os teus diálogos”, disse Kripke ao Polygon. Jackson gravou as suas falas durante uma manhã livre em Nova Iorque, com Kripke a dirigir remotamente de Los Angeles. A quinta temporada de The Boys está disponível no Prime Video em Portugal.
Matt Reeves não fez nenhum comunicado de imprensa. Publicou GIFs no X. Para anunciar Scarlett Johansson, usou uma imagem dela em Under the Skin com a legenda “Next exit, Gotham… Welcome.” Para Sebastian Stan, um GIF do actor com a legenda “In a Gotham state of mind… Welcome.” É a forma mais 2026 possível de confirmar o elenco de um dos filmes mais aguardados de 2027 — e funcionou exactamente como estava planeado.
Stan está confirmado no papel de Harvey Dent, o procurador de Gotham que se tornará em Duas Caras. Johansson interpreta Gilda Dent, a mulher de Harvey — um papel central na história de Batman: The Long Halloween de Jeph Loeb, que parece inspirar este segundo filme. Charles Dance foi confirmado como Charles Dent, o pai de Harvey; Brian Tyree Henry e Sebastian Koch juntam-se também ao elenco. Os actores confirmados anteriormente — Robert Pattinson como Bruce Wayne, Colin Farrell como o Pinguim, Jeffrey Wright como o Comissário Gordon e Andy Serkis como Alfred — regressam.
A migração de actores Marvel para DC continua a ser um dos temas mais comentados da indústria. Stan e Johansson co-protagonizaram os filmes dos Vingadores durante uma década — e agora aparecem juntos em Gotham. Reeves disse que o segundo filme se focará mais em Bruce Wayne do que em Batman, “porque o primeiro está tão focado no Batman”. A estreia está marcada para 1 de Outubro de 2027 nos cinemas portugueses.
John Travolta pilotou o seu próprio avião até Cannes — a única forma de chegar que fazia sentido para um homem com mais de 9.000 horas de voo no currículo e um filme sobre aviação para estrear. O que não esperava era o que o esperava antes da sessão.
Thierry Frémaux, o director artístico do festival, apresentou a Travolta uma Palma de Ouro honorária surpresa momentos antes da estreia mundial de Propeller One-Way Night Coach, o seu filme de estreia como realizador. Travolta agarrou o peito visivelmente emocionado. “Surprise complétement!”, exclamou em francês entre lágrimas. “Não acredito. Era a última coisa que esperava.”
“Quando me disseste que esta seria a noite especial, não sabia que significaria isto. Este momento é de uma humildade enorme”, disse a Frémaux. “Isto está para além do Óscar.” A afirmação — vinda de um actor com duas nomeações ao Óscar, o autor de Danny Zuko, Tony Manero e Vincent Vega — diz tudo sobre o peso que Cannes tem para os cineastas que o frequentam há décadas.
Propeller One-Way Night Coach, baseado no livro homónimo que Travolta escreveu em 1997 como prenda de Natal para a família, foi o primeiro filme escolhido para a 79.ª edição do festival — selecionado por Frémaux em Novembro passado antes de qualquer outro título. A história passa-se em 1962 e segue um jovem entusiasta da aviação e a sua mãe numa viagem de avião cross-country de Washington para Los Angeles. A filha de Travolta, Ella Bleu, está no elenco como uma hospedeira de bordo. Pai e filha percorreram o tapete vermelho juntos, de preto coordenado.
Toda a gente conhece as imagens das praias da Normandia, os soldados a desembarcar sob fogo, o sacrifício que definiu o rumo da Segunda Guerra Mundial. Mas nas 72 horas antes de tudo isso acontecer, havia dois homens a enfrentar uma decisão que nenhum manual militar poderia preparar: avançar com a maior operação anfíbia da história num tempo incerto, ou esperar e arriscar comprometer meses de planeamento e o elemento surpresa. Dia D: Sob Pressão é a história desses dois homens — e estreia nas salas portuguesas a 25 de Junho, com distribuição da NOS Audiovisuais.
O General Dwight D. Eisenhower, Comandante Supremo das Forças Aliadas, e o Capitão James Stagg, o meteorologista escocês que lhe disse o que o tempo ia fazer — e cuja previsão foi provavelmente a mais consequente da história da humanidade. Eisenhower precisava de condições específicas: lua cheia para os paraquedistas, maré baixa ao amanhecer para as praias, céu suficientemente claro para a cobertura aérea. Stagg tinha dados contraditórios, pressão de todos os lados e uma janela de tempo de quarenta e oito horas que identificou no meio de um sistema de tempestades que estava a fazer duvidar toda a gente à sua volta. Eisenhower acreditou nele. O resto é história.
Andrew Scott — o Padre Fleabag, o Hot Priest, o Moriarty de Sherlock, o Andrew Scott de Ripley que está neste momento no topo de todas as listas de actores europeus mais desejados — interpreta Stagg. Brendan Fraser, Óscar de Melhor Actor por The Whale, é Eisenhower. Kerry Condon, Damian Lewis e Chris Messina completam um elenco que tem em si mesmo uma garantia de qualidade difícil de ignorar. A realização é de Anthony Maras, que em Hotel Mumbai(2018) mostrou uma capacidade rara para construir tensão a partir de acontecimentos históricos reais sem perder a dimensão humana dos intervenientes.
O filme é baseado na peça homónima de David Haig — que estreou em Londres em 2013 e se tornou numa das peças históricas mais respeitadas do teatro britânico contemporâneo. Haig, que interpretou Stagg na peça original durante anos, co-escreveu o argumento da adaptação. É o tipo de origem que garante fidelidade ao material e profundidade às personagens: Haig passou anos a investigar a relação entre os dois homens, as pressões que ambos enfrentaram e o que significou, para cada um deles, a responsabilidade de uma decisão desta escala.
Dia D: Sob Pressão estreia a 25 de Junho nas salas portuguesas.
Clint Eastwood fez apenas um telefonema quando decidiu quem ia interpretar Francesca Johnson. Do outro lado estava Meryl Streep. Spielberg tinha resistido inicialmente, mas Eastwood insistiu — e o resultado, domingo dia 7 de Junho às 22h20 na STAR Life, é um dos romances mais bem realizados do cinema americano dos anos 90.
A história é simples até à crueldade. Francesca Johnson é uma dona de casa italiana casada com um agricultor do Iowa, vivendo uma vida boa mas pequena, num mundo onde a palavra “escolha” raramente se aplica às mulheres. Em 1965, o marido e os filhos partem para uma feira agrícola durante quatro dias. Um fotógrafo da National Geographic chama-se Robert Kincaid e precisa de encontrar as pontes cobertas do condado de Madison. Os quatro dias que se seguem mudam tudo — e não mudam nada. Eastwood filmou o romance cronologicamente, do ponto de vista de Francesca, “porque era importante trabalhar assim. Éramos duas pessoas a conhecermo-nos, em tempo real, como actores e como personagens.”
Catherine Deneuve e Isabella Rossellini fizeram testes para o papel de Francesca. Meryl Streep fez uma iteração de Francesca que torna essa hipótese impossível de imaginar. A performance — décima nomeação ao Óscar de Meryl Streep, que ganhou peso para o papel e trabalhou o sotaque italiano com uma precisão que os italianos reconhecem como autêntica — é construída em detalhes: a forma como fecha o frigorífico, os sorrisos envergonhados do início, a mão na maçaneta do carro na chuva numa das cenas mais tensas e mais contidas do romance cinematográfico. O New York Times escreveu que Streep “se eleva directamente de Christina’s World para encarnar toda a solidão e o desejo feroz que Andrew Wyeth capturou na tela”.
Eastwood, que tinha 65 anos quando rodou o filme, compôs parte da banda sonora em parceria com Lennie Niehaus. É uma música de jazz que serve o filme como um terceiro personagem — presente nas canções do rádio que acompanham os quatro dias, ausente quando o silêncio diz mais do que qualquer nota. É o tipo de detalhe que só um realizador que é também músico consegue acertar desta forma.
O filme fez 182 milhões de dólares globalmente com um orçamento de 22 milhões — um dos romances mais rentáveis da história de Hollywood. Trinta anos depois, a cena da maçaneta continua a ser uma das mais citadas do género. Domingo, 7 de Junho, às 22h20, na STAR Life.
Sorry, Baby é um filme sobre trauma que sussurra — e é precisamente essa contenção que o torna tão difícil de ignorar. A primeira longa-metragem de Eva Victor, premiada no Sundance de 2025 com o prémio de Melhor Argumento, estreia no domingo, 17 de Maio, às 21h40, em exclusivo no TVCine Top e TVCine+.
Agnes é professora de literatura. Algo aconteceu-lhe — algo que o filme não nomeia com facilidade, porque a nomeação fácil é parte do problema. O que Sorry, Baby acompanha não é o acontecimento em si mas o que vem a seguir: os dias e meses depois de um momento que a marcou profundamente, quando o mundo à volta de Agnes parece querer avançar rapidamente para a frente e Agnes ainda não conseguiu perceber onde está. O isolamento. As conversas que ficam a meio. Os gestos hesitantes. A dificuldade de regressar a uma normalidade que já não existe da forma que existia antes. Eva Victor interpreta Agnes — e escreveu também o argumento, o que explica a precisão com que cada cena sabe exactamente quanto pode dizer e quanto deve guardar.
Naomi Ackie — que o público português conhece de Station Eleven, Master of None e do papel de Whitney Houston em I Wanna Dance with Somebody — interpreta Lydie, a amiga que se torna no principal ponto de apoio de Agnes. É numa relação de amizade feminina, e não num arco de resolução, que o filme encontra o seu centro emocional. Victor tem um talento específico para filmar a proximidade entre mulheres — os gestos pequenos, as conversas que não chegam ao fim, os momentos em que não é preciso explicar nada porque a outra pessoa já percebeu.
Sorry, Baby foi descrito pela crítica do Sundance como “uma das obras mais honestas sobre sobrevivência emocional dos últimos anos” — uma formulação que capta bem o que o filme faz sem o que o filme recusa fazer: não há catarse limpa, não há resolução arrumada, não há momento em que Agnes fica “curada”. Há vida a continuar, de forma imperfeita e às vezes estranha e ocasionalmente até com humor, porque é assim que a vida continua. Domingo, 17 de Maio, às 21h40, no TVCine Top e TVCine+.
Brad Pitt tem 62 anos, um Óscar de Melhor Actor de Apoio por C’era una Volta a… Hollywood, quatro nomeações ao Óscar de Melhor Actor, e uma das filmografias mais consistentemente interessantes do cinema americano dos últimos trinta anos. Com Heart of the Beast a chegar em Setembro, é o momento certo para revisitar o essencial.
10. Snatch — Porcos e Diamantes (2000) Guy Ritchie reuniu um elenco impossível — Jason Statham, Benicio del Toro, Dennis Farina — e colocou Brad Pitt no centro como Mickey O’Neil, um boxeur irlandês de pura gíria que ninguém consegue perceber. É um dos papéis mais divertidos da sua carreira, e a cena do combate de boxe é puro prazer cinematográfico.
9. O Curioso Caso de Benjamin Button (2008) David Fincher dirigiu Pitt como um homem que nasce velho e rejuvenesce ao longo da vida — uma premissa que podia ter sido kitsch e que se torna numa meditação genuinamente tocante sobre o tempo, o amor e a memória. A nomeação ao Óscar de Melhor Actor foi merecida.
8. Inglourious Basterds (2009) O Tenente Aldo Raine e o seu sotaque do Tennessee são um dos grandes prazeres do cinema de Tarantino. Pitt sabe exactamente o que o realizador quer e entrega-o com uma generosidade e um sentido de ritmo que tornam cada uma das suas cenas num presente. “Voglio il mio scalpo.”
7. Twelve Monkeys — Os Doze Macacos (1995) Terry Gilliam dirigiu Pitt como um paciente psiquiátrico frenético num thriller de ficção científica sobre viagens no tempo — e o resultado foi a sua primeira nomeação ao Óscar e a primeira prova de que havia muito mais no actor do que o sorriso de Thelma e Louise. É uma performance física e vocalmente arriscada que ainda hoje surpreende.
6. Fury — Fúria (2014) David Ayer dirigiu Pitt como Don “Wardaddy” Collado, o sargento de um tanque Sherman nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial. É um filme de guerra brutal, sem romantismo, com uma sequência final dentro do tanque que é uma das mais tensas do género. A reunião com Ayer em Heart of the Beast partiu daqui.
5.Era uma vez em… Hollywood (2019) Cliff Booth é uma das personagens mais estranhas e mais cativantes que Quentin Tarantino alguma vez escreveu — um duplo de acrobacias de Hollywood, possível assassino da mulher, completamente sem ambições e completamente em paz consigo próprio. O Óscar de Melhor Actor de Apoio foi o reconhecimento de uma performance que parece não estar a fazer nada enquanto faz tudo.
4. Fight Club (1999) Tyler Durden. Não precisa de mais explicação. A segunda colaboração de Pitt com Fincher é um dos filmes mais citados, mais imitados e mais mal-entendidos do cinema americano dos anos 90 — e Pitt está num modo de carisma absoluto que raramente voltou a atingir com esta intensidade.
3. Thelma e Louise (1991) O papel que lançou tudo. Oito minutos de ecrã como JD, o ladrão encantador que seduz Thelma e the rouba o dinheiro, e Hollywood percebeu que existia um novo astro. Ridley Scott nunca esqueceu — e trabalhou com Pitt novamente trinta anos depois em The Counselor.
2. F1 (2025) Joseph Kosinski — o mesmo de Top Gun: Maverick — fez com a Fórmula 1 o que fez com a aviação: um filme de entretenimento de alta octanagem com emoção genuína por detrás da velocidade. Pitt como Sonny Hayes, o piloto veterano que regressa à corrida de topo, recebeu quatro nomeações ao Óscar. É o Pitt do momento — experiente, carismático, completamente à vontade numa escala de blockbuster.
1. Seven — Pecados por Morte (1995) A segunda colaboração com David Fincher é o melhor filme de ambos — um thriller de série de crimes com Morgan Freeman, um final que ninguém esperava e uma caixa que toda a gente conhece. “What’s in the box?” é uma das frases mais icónicas da história do cinema de suspense, e Pitt entrega-a com uma intensidade que faz doer. Trinta anos depois, Seven continua a ser o filme de referência do género.
Digam-nos nos comentários se concordam com esta escolha.
Courtney A. Kemp ajudou a redefinir o crime televisivo americano com Power — a saga de James St. Patrick que durante seis temporadas foi uma das séries mais vistas do Starz e que gerou quatro spin-offs. Nemesis, que estreia hoje no Netflix com oito episódios, é o seu regresso ao género com um ângulo ligeiramente diferente: em vez de um protagonista moral e politicamente ambíguo, são dois.
A série centra-se na colisão entre Coltrane Wilder (Y’lan Noel), um ladrão mestre, e Isaiah Stiles (Matthew Law), um detective implacável da LAPD — dois homens com motivações semelhantes e métodos radicalmente opostos, em Los Angeles. A história explora o que acontece quando duas pessoas com os mesmos impulsos — ambição, lealdade, sobrevivência — escolhem lados diferentes da lei para os satisfazer. É um cat-and-mouse clássico, mas com a profundidade emocional e familiar que Kemp trouxe a Power.
O elenco inclui ainda Cleopatra Coleman, Gabrielle Dennis, Domenick Lombardozzi, Michael Potts e Quincy Isaiah. A co-criadora é Tani Marole. Os primeiros oito episódios estão disponíveis em simultâneo — o modelo Netflix habitual, que convida à maratona e penaliza quem prefere o ritmo semanal.
Para quem viu Power e ficou a querer mais do mesmo universo moral do crime americano, Nemesis é a próxima paragem natural. Para quem não conhece Kemp, é uma boa introdução ao seu estilo.
James Franco confirmou ao Deadline em Cannes que tem um papel num “grande filme de estúdio” — o primeiro desde The Disaster Artist em 2017. O actor não revelou o título, mas deu detalhes suficientes para alimentar a especulação: “Isso foi a New Line e depois deixaram-nos vender à A24.” O filme já foi rodado mas “não estará pronto para este verão — o meu palpite é que será no final do ano ou primavera-verão de 2027.”
Franco estava em Cannes a promover Foster, um thriller de acção dos anos 80 rodado em Los Angeles onde interpreta Donald “Don” Foster, um veterano de guerra assombrado pelo passado e em luta pela sobriedade. É o quarto ano consecutivo que o actor tem filmes no mercado de Cannes — o que contradiz a narrativa de que esteve completamente afastado da indústria desde as acusações de assédio sexual em 2018 e o subsequente acordo extrajudicial em 2021.
Quando questionado sobre se foi tratado injustamente, Franco manteve o tom conciliatório que tem adoptado nas suas aparições públicas recentes: “Não sei. O que é que eu vou fazer? Eu avanço e tento viver uma vida positiva. Honestamente, acho que fui colocado neste planeta para fazer filmes.” É uma resposta que diz muito sobre o estado das coisas — sem assumir responsabilidade explícita, sem pedir perdão, mas também sem a agressividade que outros actores em situação semelhante adoptaram. A internet vai ter opiniões. Já as está a ter.
Franco esteve na cerimónia de abertura de Cannes ao lado da namorada Izabel Pakzad, e foi rodeado por fãs no lobby do Palais entre a cerimónia e a sessão do filme de abertura. A reabilitação, lenta e sem declarações dramáticas, parece estar em curso.
A Paramount confirmou ontem que Heart of the Beast estreia a 25 de Setembro de 2026. A premissa é tão simples quanto eficaz: um ex-soldado das Forças Especiais fica perdido nas profundezas do Alasca com o seu cão de combate reformado depois de um acidente de aviação — e a luta pela sobrevivência contra os elementos e a vida selvagem é tudo o que os separa da civilização.
Brad Pitt e David Ayer estão juntos pela segunda vez desde Fury (2014) — o filme de guerra que os dois consideram o melhor trabalho conjunto de ambos e que fez mais de 200 milhões globalmente. As primeiras palavras de quem viu o filme em sessões de teste descrevem-no como “o melhor filme de Ayer desde Fury” — uma comparação que, vinda de quem já conhece o material, é um bom sinal. J.K. Simmons e Anna Lambe completam o elenco; o argumento é de Cameron Alexander; e Damien Chazelle é produtor executivo.
O cão tem papel central. No trailer apresentado na CinemaCon em Abril, Pitt assegura ao animal depois do acidente: “Vou levar-te para casa. Só vamos ter de fazer isto da maneira difícil.” É uma frase que, num trailer, faz exactamente o que deve fazer: estabelece a relação, define o tom e garante que toda a gente na sala já está emocionalmente investida antes de a história começar. Pitt e Ayer sabem o que estão a fazer — e o cão provavelmente também.
Na mesma data estreia Forgotten Island, da DreamWorks, com Dave Franco e Jenny Slate — e um relançamento de Vingadores: Fim do Jogo da Marvel. É um fim-de-semana de Setembro com opções para toda a gente. Heart of the Beastestá em Portugal a 25 de Setembro.
Carlos Paião morreu em 1983, aos 26 anos, num acidente de viação. Tinha lançado três álbuns em dois anos, vendido centenas de milhares de discos com canções que combinavam pop de salão com humor negro e sarcasmo subtil, e estava no início de uma carreira que ninguém consegue saber onde teria chegado. Quarenta e três anos depois, o seu universo vai chegar ao NOS Alive — reconstruído por The Legendary Tigerman — e aos cinemas portugueses em Agosto, num biopic realizado por Sérgio Graciano.
O percurso que une os dois acontecimentos é invulgar. Graciano desafiou Paulo Furtado — o músico por detrás do projecto The Legendary Tigerman — a assumir a produção musical de Playback — Um Filme Sobre Carlos Paião. O que começou como um trabalho de arquivo transformou-se numa imersão criativa: Furtado dissecou a forma como Paião escrevia canções, percebeu a lógica interna dos seus arranjos e construiu uma nova identidade sonora para o filme — fiel ao humor e ao sarcasmo do original, mas passada pelo filtro do seu próprio universo. “Por baixo de cada hit pop, existe um mundo mais negro, onde se cruzam pós-punk, Badalamenti, Morricone e synths lo-fi”, diz Furtado. “Um cocktail que me pareceu a forma certa de trazer a música de Carlos Paião para o século XXI.”
Desta colaboração nasceu PLAYBACK — PAIÃO POR TIGERMAN, a banda criada especificamente para dar vida à banda sonora do filme em contexto ao vivo. A estreia acontece no NOS Alive, nos dias 10 e 11 de Julho, no Palco Galp Fado Café. Em palco estarão Rafael Ferreira — o actor que interpreta Carlos Paião no filme e que canta as canções em cena —, The Legendary Tigerman, Mike Ghost, Sara Badalo, João Cabrita e Ray nos coros. É o tipo de apresentação que só existe quando um filme e a sua música são inseparáveis — e que faz do NOS Alive um ensaio geral antes da estreia nos cinemas.
Playback — Um Filme Sobre Carlos Paião chega às salas a 5 de Agosto, com distribuição NOS Audiovisuais. Para quem cresceu com “Playback”, “Computador de Palmo e Meio” ou “Néon”, é a melhor notícia do verão português.
André Øvredal tem uma carreira construída sobre um princípio simples: pegar num cenário familiar e torná-lo insuportável. Trollhunter transformou as lendas escandinavas em found footage claustrofóbico. Autópsia de Jane Doe colocou dois médicos legistas numa sala com um cadáver e não os deixou sair. Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro produziu páginas de um livro infantil em imagens que ficam. Com O Passageiro do Inferno, o realizador norueguês pega num dos medos mais primários do cinema de terror — a estrada vazia de noite, o acidente que não devia ter acontecido — e transforma-o num pesadelo de perseguição sem paragem. Estreia nas salas portuguesas a 21 de Maio.
A premissa é deliberadamente simples: um jovem casal testemunha um acidente grave numa estrada isolada. Param. Saem do carro. E quando continuam viagem, percebem que não saíram do local sozinhos. A presença que os acompanha — conhecida como “The Passenger” — não descansa e não negoceia. O que começa como uma noite fora do comum transforma-se numa luta desesperada pela sobrevivência contra algo que não obedece às regras do mundo físico.
É um terreno que Øvredal conhece bem. A sua marca como realizador é a construção de tensão através do que não se vê — o som antes da imagem, a sombra antes da criatura, o silêncio antes do grito. Autópsia de Jane Doe, talvez o seu filme mais conseguido, é um estudo de como o medo se instala quando a explicação racional vai falhando uma a uma. O Passageiro do Inferno parece trabalhar a mesma lógica num espaço diferente: não uma sala fechada mas uma estrada aberta que, paradoxalmente, oferece menos saídas.
Para os fãs do género, o nome de Øvredal é garantia suficiente de que o filme foi feito com seriedade. Para quem ainda não conhece o seu trabalho, O Passageiro do Inferno é uma entrada directa e eficaz. A 21 de Maio nas salas portuguesas.
Osgood Perkins tem um talento específico e inconfundível: construir terror a partir do dentro para fora. Não há monstros que saltam da escuridão nos seus filmes — há atmosferas que se instalam devagar, realidades que começam a ceder, personagens que já não sabem distinguir o que é real do que o seu próprio cérebro está a fabricar. The Blackcoat’s Daughter, I Am the Pretty Thing That Lives in the House, Longlegs — são filmes que ficam depois de acabarem, não pela adrenalina mas pelo desconforto. Keeper: Para Sempre segue a mesma lógica e estreia esta sexta-feira, 16 de Maio, às 21h30, em exclusivo no TVCine Top e TVCine+.
A premissa usa um dos cenários mais clássicos do género — a cabana isolada na floresta — mas recusa o que habitualmente se faz com ele. Liz e Malcolm celebram o primeiro aniversário da relação num refúgio aparentemente idílico. Quando Malcolm se ausenta subitamente, alegando ter de regressar à cidade para tratar de um paciente, Liz fica sozinha numa cabana que começa a revelar um passado que não estava nos planos da viagem. As visões chegam devagar. A percepção da realidade vai cedendo. E quando Malcolm regressa, o seu comportamento levanta questões que Liz não consegue ignorar: o horror pode não estar apenas em quem habita a casa, mas no que se esconde dentro dela — e dentro dela própria.
Tatiana Maslany carrega o filme praticamente sozinha durante grande parte da sua duração — uma tarefa que conhece bem desde Orphan Black, onde interpretou múltiplas personagens em simultâneo com uma precisão técnica e emocional que lhe valeu o Emmy. Aqui está num registo mais contido e mais interior, e o resultado valeu-lhe o prémio de Melhor Actriz nos Film Critics Circle Awards de Vancouver. Rossif Sutherland, filho de Donald Sutherland e irmão de Kiefer, interpreta Malcolm com uma ambiguidade calculada que o argumento precisa.
James Wan — o realizador de Saw, Insidious e The Conjuring, e uma das vozes mais influentes do terror contemporâneo — descreveu o filme como “uma descida aterradora à loucura”. É uma formulação que serve bem o que Perkins faz: não é um filme de sustos, é um filme de erosão. Esta sexta-feira, às 21h30, no TVCine Top e TVCine+.
The Bear termina após a próxima temporada, confirmou o FX esta semana. É uma decisão que os criadores tomaram com a mesma filosofia que tem definido a série desde o primeiro episódio: saber quando parar.
The Bear estreou em Junho de 2022 e tornou-se rapidamente numa das séries mais discutidas da televisão contemporânea — não pelo espectáculo, mas pela intensidade. Uma cozinha de Chicago, um chefe em colapso depois da morte do irmão, uma equipa disfuncional que tenta transformar um restaurante de sanduíches num lugar de refeições a sério. É uma série sobre trabalho, trauma, família e a obsessão que separa as pessoas que fazem algo de forma mediana das que fazem de forma extraordinária. Jeremy Allen White, Ayo Edebiri e Ebon Moss-Bachrach construíram três personagens que raramente aparecem na televisão com esta profundidade.
A quinta temporada — que ainda não tem data de estreia mas que deverá chegar em 2027 — será a última. Os criadores da série, liderados por Christopher Storer, têm evitado consistentemente esticar a narrativa para além do que ela aguenta, e a decisão de terminar está alinhada com essa postura. O episódio surpresa “Gary”, lançado em Abril sem qualquer anúncio prévio e protagonizado por Ebon Moss-Bachrach e Jon Bernthal, foi o primeiro sinal de que a série estava a preparar uma despedida em condições. Em Portugal, The Bear está disponível no Disney+.
Steven Spielberg tem uma relação de décadas com o extraterrestre. Encontros Imediatos do Terceiro Grau, E.T., A Guerra dos Mundos — são filmes que definiram como o cinema imagina o contacto com o desconhecido. Depois de The Fabelmans em 2022, Spielberg regressa com Disclosure Day, um thriller de ficção científica sobre o que aconteceria se a prova definitiva da existência de vida extraterrestre fosse tornada pública. Estreia nos cinemas a 12 de Junho.
A história segue Josh O’Connor como um homem com acesso a segredos governamentais sobre contacto extraterrestre; Emily Blunt como uma meteorologista que começa inexplicavelmente a falar em línguas durante um directo televisivo; e Colin Firth como um burocratas disposto a tudo para impedir a divulgação pública. “Essa verdade vai subverter toda a ordem estabelecida no mundo inteiro”, diz Firth a O’Connor no trailer. “Se fizeres isto, não há como desfazê-lo.” Colman Domingo interpreta Hugo Wakefield, um desertor que defende activamente a divulgação.
O argumento é de David Koepp — Parque Jurássico, A Guerra dos Mundos, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal — e Spielberg disse na CinemaCon que a premissa é “mais próxima da verdade do que se pensa”: “Tenho curiosidade desde que era criança sobre o que acontece no céu nocturno. O mundo tornou-se mais receptivo ao facto de que provavelmente não estamos sozinhos.” A partitura é de John Williams — a sua trigésima colaboração com Spielberg.
É o maior filme do verão que ainda não está em cartaz. Chega a Portugal a 12 de Junho.
O Prime Video renovou Reacher para uma quinta temporada antes de a quarta ter sequer data de estreia confirmada. A terceira temporada foi vista por 54,6 milhões de espectadores globalmente nos primeiros 19 dias — o registo mais alto da plataforma desde Fallout. Com esses números, a renovação antecipada não é uma surpresa. É uma declaração de franchise.
A quarta temporada baseia-se em Gone Tomorrow, o 13.º livro de Lee Child, e começa quando um encontro fortuito com uma desconhecida perturbada no metro corre terrivelmente mal, arrastando Reacher para uma conspiração que chega aos níveis mais altos do poder americano. O novo elenco inclui Chris Marquette, Sydelle Noel, Agnez Mo, Anggun, Kevin Weisman, Marc Blucas, Kevin Corrigan e Kathleen Robertson. A data de estreia não foi ainda confirmada mas espera-se para o segundo semestre de 2026.
“De os romances globalmente adorados de Lee Child à sua adaptação exemplar no ecrã, Reacher tornou-se numa verdadeira franchise de poder”, disse Peter Friedlander, responsável pela televisão global da Amazon MGM Studios. Alan Ritchson, que também é produtor executivo da série, é neste momento a maior estrela de acção da televisão de streaming — um título que sustenta com uma consistência e uma presença física que o género exige e raramente encontra.
Para os fãs portugueses, as primeiras três temporadas estão disponíveis no Prime Video. A quarta chegará pela mesma via assim que tiver data confirmada.
Conan O’Brien foi confirmado como apresentador da cerimónia dos Óscares pelo terceiro ano consecutivo, com Raj Kapoor e Katy Mullan a regressarem como produtores executivos pelo quarto ano seguido. A notícia gerou a reacção mais previsível possível nas redes sociais: “Claro que sim.”
A progressão foi rápida. O’Brien apresentou a 96.ª cerimónia em 2024 como substituto de última hora depois de uma série de escolhas controversas — e resultou tão bem que a Academia o convidou imediatamente para 2025. A 97.ª confirmou o que a 96.ª tinha sugerido: Conan O’Brien tem exactamente o registo certo para os Óscares — suficientemente irreverente para ser divertido, suficientemente respeitoso para não eclipsar o evento, e com um talento de improvisação que transforma os momentos embaraçosos inevitáveis de qualquer cerimónia ao vivo em material de comédia. A cena em que consolou um realizador que tropeçou a subir ao palco foi um dos momentos mais partilhados da noite passada.
A 99.ª cerimónia dos Óscares — que reconhecerá os filmes de 2026, incluindo provavelmente títulos de Cannes que estão a estrear esta semana — realiza-se a 14 de Março de 2027. Com Disclosure Day de Spielberg a estrear em Junho, Paper Tiger de James Gray em Cannes esta semana e The Mandalorian and Grogu a chegar em Maio, o calendário de potenciais nomeados já está a tomar forma. Conan O’Brien vai ter muito material.
O episódio final de Good Omens chegou hoje ao Prime Video como um telefilme de 90 minutos — uma redução forçada face à temporada completa de seis episódios que estava planeada, após a saída de Neil Gaiman do projecto em 2024 na sequência de acusações de agressão sexual. O que poderia ter sido um desastre narrativo acabou por ser, nas palavras de quem o viu esta manhã, “o melhor final possível dado o que estava disponível.”
A crítica do TV Fanatic descreve o episódio como uma “carta de amor a uma história de amor inesquecível”, elogiando a forma como os 90 minutos equilibram o caos narrativo dos dois primeiros terços com “os momentos finais devastadores”. A missão de encontrar o Livro da Vida e o desaparecimento de Jesus são tratados com a leveza característica da série, enquanto Aziraphale e Crowley navegam as consequências do cliffhanger da segunda temporada.
O Review Geek dá 4 em 5 estrelas e nota um callback ao Doctor Who de David Tennant — a Bentley a mover-se pelo espaço como uma Tardis — e a utilização de “Don’t Stop Me Now” dos Queen no clímax como “o número perfeito”. A crítica mais cautelosa, do Screen Rant, aponta o ritmo acelerado e personagens secundárias subaproveitadas, mas reconhece que “Aziraphale e Crowley são a cola que mantém tudo”.
Nas palavras do Cinemablend: “Os fãs de Good Omens são, francamente, sortudos por terem um final de todo.” É uma frase que resume tudo — e que qualquer fã da série vai reconhecer como verdadeira. Good Omens está disponível no Prime Video em Portugal.
Jon Bernthal fez exactamente o que os fãs esperavam: The Punisher: One Last Kill tem 86% no Rotten Tomatoes e 91% de aprovação do público. A performance de Bernthal como Frank Castle é descrita unanimemente como um dos pontos mais fortes do especial. E ainda assim, a internet está a falar de outra coisa.
Uma cena de stunt no segundo acto — em que Frank Castle é empurrado de um edifício e cai numa grelha de ventilação metálica — está a ser ridicularizada por parecer “um cutscene de PlayStation”. As reacções incluem: “Parece genuinamente um cutscene de GTA”; “Parece uma versão de teste de uma cena de Joel de The Last of Us“; “A Marvel a lançar VFX inacabados em 2026 é loucura — o Bernthal está a fazer uma raiva de nível divino mas meteram-lhe física de ragdoll de PS3.”
Uma fonte próxima da produção disse ao Hollywood Reporter que o plano é real — Bernthal fez o início da queda, o seu duplo de acção fez o impacto, e houve uma substituição de rosto por VFX que pode explicar o aspecto estranho do resultado. O Disney+ reconheceu publicamente o problema do som — diálogos demasiado baixos, configuração de surround incorrecta — e confirmou que está a trabalhar numa correcção.
O resultado é um especial tecnicamente imperfeito que a crítica e o público consideram, ainda assim, uma das melhores versões do Justiceiro alguma vez colocada em ecrã. Frank Castle merecia melhor do que física de PS3 — mas Bernthal entregou exactamente o que prometeu. O resto é conversa de internet.