“Sacrifício”: Anya Taylor-Joy lidera uma seita apocalíptica no primeiro filme em inglês de Romain Gavras

Romain Gavras, o realizador francês que já tinha conquistado Veneza com “Athena” e o Festival de Cannes com “Le Monde Est à Toi”, estreia-se agora na realização em língua inglesa com “Sacrifício”, filme que chega aos cinemas portugueses a 1 de outubro.

A história acompanha Joan, interpretada por Anya Taylor-Joy, que depois da morte da mãe num incêndio, e movida por uma profecia vulcânica, se convence de que ela e o seu grupo radical têm o dever sagrado de purificar a Terra. Numa noite de gala beneficente glamorosa, o grupo toma reféns três figuras improváveis para um ritual de sacrifício: o astro de cinema em decadência Mike Tyler, interpretado por Chris Evans, o multimilionário implacável Ben Bracken, interpretado por Vincent Cassel, e uma artista com azar crónico chamada Katie, interpretada por Ambika Mod. À medida que a noite mergulha no caos, o filme promete esbater a fronteira entre representação e crença, entre salvação e sacrifício, um território temático que já é praticamente uma assinatura do cinema de Gavras.

Filho do lendário realizador greco-francês Costa-Gavras e da produtora e jornalista Michèle Ray-Gavras, Romain Gavras construiu a sua reputação inicial através de videoclipes provocadores para nomes como M.I.A. e Justice, antes de se afirmar no cinema com “Le Monde Est à Toi”, exibido na Quinzena dos Realizadores em Cannes em 2018, e sobretudo com “Athena”, o thriller de revolta social financiado pela Netflix e filmado numa única sequência ininterrupta de 39 minutos, que estreou em Veneza em 2022 e recebeu cinco nomeações aos César, incluindo Melhor Realizador. “Sacrifício” surge assim como a sua primeira incursão no cinema americano de estrelas, coescrito com Will Arbery, argumentista de “Succession”, e com um elenco que inclui ainda Salma Hayek Pinault, além de participações do rapper sueco Yung Lean e da cantora Charli XCX.

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Convém, no entanto, gerir expectativas com alguma cautela: “Sacrifício” já tinha estreado mundialmente na secção Special Presentations do Festival de Toronto, em setembro de 2025, onde recebeu uma recepção brutalmente negativa por parte de vários críticos especializados, chegando a ser apontado por alguns meios como um dos filmes pior avaliados de toda a edição do festival. As críticas destacaram consistentemente a interpretação magnética de Anya Taylor-Joy como o único ponto verdadeiramente alto de uma sátira pop que, segundo vários críticos, acaba por ficar surpreendentemente morna apesar da sua ambição visual e da extravagância do elenco reunido. O próprio percurso comercial do filme reflete essa receção difícil: passaram-se nove meses entre a estreia arrasada em Toronto e o anúncio, em maio deste ano, de que a Netflix tinha finalmente adquirido os direitos de distribuição nos Estados Unidos, um intervalo de tempo pouco habitual para um filme com um elenco desta dimensão, que normalmente indicia dificuldades em encontrar comprador disposto a apostar no projeto.

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A estratégia de lançamento acabou por ser híbrida: depois de uma passagem pelos cinemas italianos em agosto, e agora pela distribuição em Portugal através da NOS Lusomundo Audiovisuais a partir de 1 de outubro, o filme chega finalmente à Netflix em França e nos Estados Unidos a 16 de outubro, seguindo o modelo cada vez mais comum de conceder uma curta janela de exibição em sala antes do lançamento em streaming. Resta aos espectadores portugueses decidir se preferem arriscar nos cinemas ou aguardar pela chegada à plataforma, mas para os fãs de Anya Taylor-Joy, pelo menos, a promessa de uma interpretação memorável parece ser consensual entre quem já viu o filme.

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TVCine Action junta três sagas renascidas num só domingo: Rohirrim, Transformers e Predador em modo animação

Este domingo, dia 13, a partir das 17h25, a TVCine Action reúne num único especial três das franquias mais icónicas do cinema de género, todas reinventadas através da animação. “Três Sagas, Uma Nova Abordagem” é o mote: “O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim”, “Transformers: O Início” e “Predador: Derradeiro Assassino” chegam em sequência, cada um a explorar as origens ou episódios paralelos das suas mitologias, todos em versão original.

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O que une os três filmes não é apenas o canal e a data, mas uma estratégia comum: em vez de continuar as histórias principais, cada saga recuou no tempo para contar algo que os fãs só conheciam por alusão, usando a animação como ferramenta narrativa e não como substituto de orçamento.

“O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim”

Realizado por Kenji Kamiyama, nome habituado a território sombrio e adulto em animação (assinou “Blade Runner: Black Lotus” e “Ghost in the Shell: Stand Alone Complex”), este anime situa-se 183 anos antes dos acontecimentos da trilogia original de Peter Jackson. A história centra-se em Helm Martelo-de-Mão, nono Rei de Rohan, e no ataque de vingança lançado por Wulf após uma disputa que custa a Helm a vida do filho de Wulf num duelo. Quando Wulf cerca Edoras, é Héra, filha de Helm, quem lidera a resistência que se refugia em Hornburgo, a fortaleza que mais tarde ficaria conhecida como o Abismo de Helm. Brian Cox empresta a voz a Helm, um dos poucos elementos de elenco confirmados de peso internacional numa produção que, de resto, aposta na estética anime para expandir o legado tolkieniano sem repetir a fórmula live-action.

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O filme estreou nos cinemas em dezembro de 2024 com resultados de bilheteira modestos face às expectativas, mas manteve-se fiel ao tom mais duro e menos family-friendly que Kamiyama é conhecido por explorar, distinguindo-se claramente da trilogia cinematográfica original.

“Transformers: O Início”

Título internacional “Transformers One”, este é o oitavo filme da franquia e o primeiro a apostar inteiramente em animação CGI. Reconta a génese de uma das relações mais centrais de toda a mitologia Transformers: a amizade entre Optimus Prime e Megatron antes de se tornarem líderes rivais, ainda em Cybertron, numa altura em que eram conhecidos por outros nomes e ocupavam posições muito mais humildes na hierarquia do planeta. A realização é de Josh Cooley, vencedor do Óscar de Melhor Filme de Animação por “Toy Story 4” e co-argumentista de “Inside Out”, o que ajuda a explicar o tom mais emocional e menos dependente de espetáculo mecânico do que seria de esperar.

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A aposta valeu a pena em termos críticos: o filme foi recebido com entusiasmo generalizado, incluindo uma cotação de 88% no Rotten Tomatoes e 98% de aprovação do público, apesar de a bilheteira ter ficado aquém das previsões iniciais. É hoje frequentemente citado como um dos pontos altos da franquia em anos recentes, precisamente por arriscar contar uma história de origem em vez de mais uma sequela de ação.

“Predador: Derradeiro Assassino”

Título internacional “Predator: Killer of Killers”, este é um antologia animada assinada por Dan Trachtenberg (responsável pela revitalização da franquia com “Prey”) e Joshua Wassung. A estrutura segue três guerreiros de diferentes épocas históricas: uma saqueadora viking que parte numa missão de vingança acompanhada do filho, um ninja no Japão feudal que se volta contra o irmão samurai numa batalha brutal pela sucessão, e um piloto da Segunda Guerra Mundial que investiga uma ameaça sobrenatural nos céus. As três histórias convergem quando todos se tornam presa do “assassino derradeiro”, o Predador.

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O filme estreou em 2025 e foi bem recebido pela crítica, elogiado pela animação estilizada e pela disposição em mostrar a violência das caçadas do Predador sem filtros, distinguindo-se dentro de uma franquia que nos últimos anos tem experimentado com formatos fora do modelo tradicional de ação em live-action.

“Vidas em Cena”: o TVCine Edition dedica a tarde de 12 de setembro a uma maratona de documentários sobre ícones do espetáculo

O TVCine Edition transforma o próximo sábado, dia 12 de setembro, numa verdadeira maratona documental dedicada a figuras que marcaram, de formas muito diferentes, o mundo do espetáculo. A partir das 13h45, e sempre em exclusivo no canal e no TVCine+, o “Especial Mundo do Espetáculo” reúne quatro estreias absolutas em Portugal, três delas documentários biográficos internacionais e um retrato de uma das mais emblemáticas companhias de teatro portuguesas, além da já anunciada minissérie da BBC sobre Michael Jackson, que esta redação já dedicou um artigo próprio nos últimos dias.

Complô, às 13h45

Abre a maratona “Complô”, de João Miller Guerra, um retrato imersivo de Bruno Furtado, conhecido como Ghoya, rapper crioulo nascido no bairro da Fontainhas, na Amadora, filho de mãe são-tomense e pai cabo-verdiano. O documentário acompanha cerca de uma década da vida de Ghoya, incluindo longos períodos de reclusão, retratando a prisão não como um fim mas como um espaço de resistência, inspiração e denúncia. Ao longo de 85 minutos, o filme cruza crioulo cabo-verdiano e referências afro-portuguesas na música de Ghoya para abordar discriminação, violência policial, requalificação urbana e o legado colonial português. Segundo o próprio realizador, “Complô surgiu de um envolvimento profundo com o Bruno, a sua comunidade, a sua história e a luta política que eles personificam”, uma abordagem que privilegiou deliberadamente a colaboração em vez da simples observação externa. O filme estreou mundialmente no Festival Internacional de Cinema de Marselha em 2025, antes da estreia nacional no Doclisboa.

Memórias do Teatro da Cornucópia, às 15h10

Segue-se “Memórias do Teatro da Cornucópia”, de Solveig Nordlund, um retrato dos 43 anos de vida de uma das companhias mais emblemáticas do teatro interventivo português, fundada em 1973 por Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo ainda sob a obscuridade do Estado Novo, precisamente para combater a ditadura através do palco. Cintra, que se manteve o rosto mais identificável da Cornucópia ao longo de décadas, partilha o testemunho ao lado da cenógrafa Cristina Reis, sua cúmplice artística permanente e corresponsável pela direção da companhia depois da saída de Silva Melo em 1980. Nordlund, que assistiu de perto aos primórdios da Cornucópia enquanto amiga pessoal dos dois fundadores, decidiu avançar com o projeto precisamente no momento em que o teatro encerrou portas, transformando o documentário numa despedida tão afetiva quanto historicamente relevante.

A Minha Vida Como Roger Moore, às 16h45

Pela primeira vez em Portugal, chega também “A Minha Vida Como Roger Moore” (“From Roger Moore with Love”), produção da BBC realizada por Jack Cocker, feita em estreita colaboração com o espólio e a família do ator, com acesso privilegiado a arquivos pessoais, incluindo cartas e filmes caseiros nunca antes mostrados publicamente. O documentário traça o percurso improvável de Moore, de jovem modelo de malhas da classe trabalhadora do sul de Londres a ícone global, culminando no papel que definiria a sua carreira: James Bond, personagem a que Moore trouxe um humor e um charme muito próprios, distintos da interpretação mais dura que Sean Connery tinha consagrado antes dele, tornando a sua estreia em “007 – Vive e Deixa Morrer” um sucesso imediato.

Bardot, às 18h15

Fecha a maratona “Bardot”, de Alain Berliner, o realizador de “Ma Vie en Rose”, e Elora Thevenet, um retrato íntimo construído com o apoio total da própria Brigitte Bardot e da sua equipa, que participou ativamente no projeto e chega mesmo a narrar partes do próprio filme. Construído a partir de arquivos inéditos, entrevistas e reconstituições, o documentário revisita o percurso de uma mulher que se tornou simultaneamente ícone do cinema francês e uma das ativistas mais persistentes na defesa dos direitos dos animais, sem esconder as dificuldades e provações pessoais que marcaram essa dupla trajetória. O filme estreou no Festival de Cannes antes da passagem pelos cinemas franceses no final de 2025.

A fechar o dia, às 19h45, chega “A História de Michael Jackson”, a minissérie documental da BBC já anteriormente destacada nesta redação, sobre a qual mantemos disponível o artigo dedicado publicado esta semana.

“The Paper” regressa para a 2ª temporada e finalmente sai da sombra de “The Office”

O spin-off mais recente do universo de “The Office” acaba de dar um salto de qualidade que a crítica já não esperava tão cedo. A segunda temporada de “The Paper” estreou a 9 de setembro no Peacock, com os dez episódios disponíveis de uma só vez, e as primeiras críticas sugerem que a série, finalmente, começou a encontrar identidade própria em vez de continuar refém das comparações inevitáveis com a sitcom que lhe deu origem.

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Criada por Greg Daniels, o mesmo responsável pela adaptação americana de “The Office”, e Michael Koman, “The Paper” segue Ned Sampson, interpretado por Domhnall Gleeson, um editor improvável tentando salvar um pequeno jornal local em Toledo, no Ohio. A série não é uma sequela direta, mas partilha universo com “The Office” através da mesma equipa de documentaristas fictícios que acompanha agora esta nova redação, com Oscar Nuñez a reprisar o seu papel de Oscar Martinez, um dos raros elos diretos entre as duas produções. Na segunda temporada, o fio condutor passa pela procura incessante da próxima grande história por parte de Ned e da sua equipa de jornalistas, obrigando-os a confrontar as consequências reais, por vezes incómodas, de perseguir reportagens de impacto, com subtramas paralelas, incluindo um tornado que atinge a cidade, a gerarem efeitos inesperados ao longo da temporada.

“North of North” regressa para uma segunda temporada “mais louca”, depois de conquistar a crítica com um retrato inédito da vida inuk

Talvez o dado mais relevante para os fãs mais céticos de “The Office” seja precisamente a evolução crítica que esta segunda temporada representa. Depois de uma primeira temporada recebida com reservas consideráveis, acusada de tentar demasiado imitar o ritmo e o humor de outras sitcoms de sucesso como “Parks and Recreation”, as primeiras análises à segunda temporada descrevem um afastamento claro e bem-sucedido dessa sombra, com uma escrita mais afiada, um elenco secundário mais confiante e um ritmo consideravelmente mais rápido e seguro daquilo que a série quer ser. Não há unanimidade, longe disso: alguns críticos continuam a apontar um excesso de reviravoltas dramáticas que por vezes soam a esforço excessivo, mas o consenso geral aponta para uma série que, pela primeira vez, consegue ser vista ao lado de “The Office” em vez de ser constantemente comparada, de forma desfavorável, a ela.

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Vale lembrar que a Peacock já tinha renovado “The Paper” para esta segunda temporada ainda antes da estreia da primeira, um voto de confiança pouco habitual que reflete a aposta clara da plataforma em construir, a partir do legado de “The Office”, uma segunda geração de comédias de formato documental ambientadas em espaços de trabalho. Falta agora saber se este salto de qualidade na segunda temporada será suficiente para garantir uma terceira, uma decisão que, ao contrário da anterior, a Peacock e a NBC ainda não confirmaram publicamente, preferindo provavelmente esperar pela reação do público a este novo capítulo antes de comprometerem recursos adicionais a uma série que, até agora, tem vivido sobretudo da paciência e da expectativa dos fãs da sitcom original.

“Fauda” termina com a quinta e mais pesada temporada, dois anos depois do 7 de outubro

Depois de mais de uma década a acompanhar as operações secretas de uma unidade israelita infiltrada em território palestiniano, “Fauda” chegou ao fim. A quinta e última temporada estreou a 8 de setembro na Netflix, com os 11 episódios disponíveis de uma só vez, e representa também o primeiro capítulo da série a lidar diretamente com o ataque liderado pelo Hamas a 7 de outubro de 2023, um acontecimento que os próprios criadores, Lior Raz e Avi Issacharoff, sabiam que teriam de enfrentar sem meias medidas.

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A ação retoma dois anos depois desse ataque, com Doron Kavillio, personagem interpretada pelo próprio Lior Raz desde a primeira temporada, a lidar com um stress pós-traumático que o próprio ator descreve como o retrato mais cru já feito da personagem. É esse estado emocional debilitado que o arrasta para uma missão de vingança não autorizada, promovida por um velho amigo, levando-o a uma operação secreta de infiltração em Marselha, França, numa mudança de cenário pouco habitual para uma série que sempre esteve firmemente ancorada no território israelo-palestiniano. Ao elenco habitual, que inclui Itzik Cohen, Doron Ben-David e Yaakov Zada Daniel, juntam-se agora a atriz francesa Melanie Laurent e o ator Hakim Djaziri, um sinal claro da expansão geográfica da narrativa nesta reta final. A realização ficou a cargo de Omri Givon, também responsável por “Hostages”, com argumento de Omri Shenhar, criador de “Tehran”.

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O mais interessante nesta última temporada é a forma como se recusa a oferecer ao público o desfecho triunfalista que uma série de ação sobre contraterrorismo poderia facilmente ter escolhido. Segundo as primeiras críticas publicadas, “Fauda” fecha não com uma vitória, mas com luto, memória e uma oração pela paz, depois de uma temporada inteira construída à volta do impulso de vingança, uma escolha temática que parece querer responder a uma pergunta incómoda que os próprios criadores admitem ter querido colocar: será que a vingança muda alguma coisa, ou apenas mantém o ciclo de violência em movimento? É uma nota final marcadamente mais sóbria e reflexiva do que a tensão puramente física que sempre foi a marca registada da série, um tom que a crítica tem recebido de forma dividida, com alguns a elogiar a maturidade da abordagem e outros a considerar o resultado emocionalmente pesado até para os padrões já de si intensos de “Fauda”.

Criada em 2015, “Fauda” tornou-se um fenómeno global pouco habitual para uma produção israelita, conquistando audiências bem para além do mercado local graças à sua abordagem pouco convencional para o género: em vez de retratar o conflito israelo-palestiniano através de uma lente estritamente heroica ou propagandística, a série sempre fez questão de humanizar também os seus antagonistas palestinianos, uma escolha narrativa que lhe valeu tanto elogios pela complexidade moral como críticas de diferentes lados do espectro político ao longo dos seus dez anos de existência. Que a série tenha decidido encerrar a sua história precisamente através do acontecimento mais traumático e mais divisivo da história recente da região sublinha até que ponto os seus criadores sempre encararam “Fauda” como um espelho, ainda que dramatizado, da realidade política e humana que procurava retratar.

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Com este final, a Netflix perde uma das suas produções internacionais mais duradouras e mais consistentemente premiadas, mas os próprios criadores parecem ter escolhido terminar no momento certo, antes que a série arriscasse tornar-se repetitiva, optando por um fecho que privilegia a reflexão em detrimento do espetáculo fácil.


“North of North” regressa para uma segunda temporada “mais louca”, depois de conquistar a crítica com um retrato inédito da vida inuk

Uma das séries mais surpreendentes e mais elogiadas da Netflix na última temporada está de regresso. “North of North” estreou a segunda temporada esta semana no Canadá, disponível na APTN+ desde 1 de setembro e agora também na CBC Gem, CBC TV e APTN TV a partir de 8 de setembro, com a estreia internacional na Netflix prevista ainda para este outono, embora sem data exata confirmada.

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Ambientada na vila fictícia ártica de Ice Cove, no Nunavut, a série acompanha Siaja, uma jovem inuk de 26 anos interpretada por Anna Lambe, que decide publicamente afastar-se do casamento com um marido bem-intencionado mas desligado da realidade, procurando reconstruir a sua própria identidade sem deixar de permanecer enraizada na comunidade onde cresceu. Como organizadora de eventos no centro comunitário local, Siaja lida com tudo, desde noites dedicadas aos mais idosos até eventos mais peculiares e culturalmente específicos, enquanto tenta, ao longo da primeira temporada, convencer a vila a acolher um novo centro de investigação, um fio narrativo que serve de pretexto para explorar as tensões entre tradição, modernidade e ambição pessoal numa comunidade pequena e isolada.

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O verdadeiro trunfo de “North of North” é aquilo que a tornou, desde a estreia em 2025, um caso raro de representação genuína na televisão de streaming: a série é a primeira produção original canadiana da Netflix, co-encomendada pela CBC em associação com a Aboriginal Peoples Television Network, e foi criada por Alethea Arnaquq-Baril e Stacey Aglok MacDonald, ambas inuk e residentes no Ártico, para quem contar esta história significava também dar visibilidade autêntica à sua própria comunidade e cultura. Esse compromisso com a autenticidade estendeu-se muito para além da sala de argumentistas: para um dos episódios da primeira temporada, a designer inuk Victoria Kakuktinniq viajou três horas de moto de neve para entregar pessoalmente o atigi, o casaco tradicional inuktitut, usado no casamento da personagem principal, um nível de detalhe cultural que a crítica destacou repetidamente como um dos pontos fortes da produção.

Esse cuidado traduziu-se em reconhecimento imediato: a primeira temporada arrecadou uma pontuação de 100% no Rotten Tomatoes e venceu cinco prémios nos Directors Guild of Canada Awards de 2025, incluindo Melhor Realização em Série de Comédia para Danis Goulet, além de outros reconhecimentos que a colocaram entre as estreias mais bem recebidas da televisão canadiana dos últimos anos. Para a segunda temporada, Anna Lambe já avisou que a história promete ficar “mais louca” e mais intensa do que a primeira, ao mesmo tempo que permite ao público conhecer as personagens secundárias com muito mais profundidade, com nomes convidados como o comediante canadiano Bruce McCulloch, dos lendários Kids in the Hall, e a cantora inuk Elisapie a juntarem-se ao elenco.

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Numa paisagem televisiva ainda dominada por representações limitadas ou estereotipadas de comunidades indígenas árticas, “North of North” continua a destacar-se precisamente por recusar tanto o exotismo como o vitimismo fácil, optando antes por uma comédia calorosa, específica e genuinamente enraizada na vida quotidiana de uma comunidade raramente vista com este grau de nuance no ecrã.

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Na véspera da abertura oficial da 51ª edição do Festival Internacional de Cinema de Toronto, marcada para amanhã, dia 10 de setembro, a organização revelou a programação completa da secção “Primetime”, dedicada a narrativa episódica de autor, com um alinhamento que junta nomes consagrados da televisão a vozes emergentes canadianas, refletindo a aposta declarada do festival em dar particular destaque a talento nacional nesta edição.

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O grande nome da secção é, sem dúvida, Mike Flanagan, o realizador responsável por êxitos de terror televisivo como “A Maldição da Residência Hill” e “O Andar do Meio”, que apresenta em Toronto a sua nova adaptação de “Carrie”, o romance de Stephen King, escolhida para encerrar a programação Primetime deste ano. A abrir a secção está “Below”, uma produção canadiana realizada por Jesse McKeown, escolhida precisamente para abrir a programação com uma voz nacional, uma decisão simbólica que sublinha a intenção do TIFF de dar palco de honra ao seu próprio país num ano particularmente significativo para o festival. Entre os títulos mais aguardados está ainda “Crystal Lake”, a esperada série que funciona como prelúdio à mitologia de “Sexta-Feira 13”, assinada por Brad Caleb Kane e Michael Lennox, um projeto que os fãs do género de terror slasher têm vindo a acompanhar de perto desde o anúncio.

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O lado canadiano da programação inclui ainda “Yaga”, de Kat Sandler, Rachel Talalay e David Frazee, com Hudson Williams no elenco, e “Alice”, uma coprodução franco-canadiana realizada por Virginie Verrier e Guillaume Lonergan, protagonizada por François Arnaud. Do lado internacional, a secção reserva ainda espaço para “American Hostage”, criada por Shawn Ryan com a colaboração de Eileen Myers e Adam Arkin, “Blindspot Berlin”, do realizador alemão David Nawrath, “2.6 Seconds: Death in the Outback”, documentário australiano de Darren Dale, e “Oxygen Masks Will (Not) Drop Automatically”, produção brasileira de Marcelo Gomes e Carol Minêm, um sinal de como o TIFF continua a fazer questão de equilibrar a sua seleção entre diferentes continentes e tradições televisivas. A sexta temporada de “Slow Horses”, já estreada este mês na Apple TV+, integra também a seleção, uma escolha que confirma o estatuto da série de espionagem britânica como uma das apostas mais seguras e mais consistentemente aclamadas da televisão de prestígio atual.

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Elencos de peso completam o quadro: nomes como Bérénice Bejo, Linda Cardellini, Jon Hamm, Carrie-Anne Moss e Gary Oldman surgem associados a diferentes projetos da secção, um indicador claro de que a fasquia de estrelas dispostas a trabalhar em formato televisivo de prestígio continua a subir ano após ano, um fenómeno que já não surpreende ninguém na indústria mas que continua a alimentar a relevância crescente destas secções televisivas dentro de festivais historicamente pensados apenas para cinema.

A escolha de destacar tão fortemente vozes canadianas nesta edição, tanto na programação Primetime como no resto do festival, não é acidental: numa altura em que a indústria audiovisual canadiana tem procurado ativamente maior visibilidade internacional face à hegemonia de produções americanas, o TIFF parece disposto a usar o seu peso simbólico como um dos maiores festivais do mundo para reforçar precisamente essa causa, sem por isso abdicar de continuar a atrair os maiores nomes internacionais da televisão de autor.

“A Ilha Esquecida”: a DreamWorks faz história com a primeira animação de um grande estúdio de Hollywood inspirada na mitologia filipina

A DreamWorks está prestes a assinalar um momento inédito na história da animação de grande orçamento: “A Ilha Esquecida” (“Forgotten Island”, no título original), com estreia marcada em Portugal para 1 de outubro através da Cinemundo e da Universal Pictures, é a primeira longa-metragem de animação de um grande estúdio de Hollywood construída inteiramente à volta da mitologia e do folclore filipinos, um marco de representação que os próprios realizadores fazem questão de sublinhar sempre que têm oportunidade.

A história acompanha Jo e Raissa, duas melhores amigas de infância nas Filipinas dos anos 90, que prometem uma à outra permanecer unidas para sempre na noite em que celebram o final do liceu. Nessa mesma noite, as duas descobrem um portal misterioso que as transporta para Nakali, uma ilha mágica que se alimenta gradualmente das memórias de quem nela entra. Quando percebem que o preço a pagar para regressar a casa é esquecerem-se de toda a amizade que construíram ao longo da vida, Jo e Raissa têm de correr contra o tempo para encontrar uma forma de escapar antes de se esquecerem uma da outra para sempre, um conceito que consegue transformar uma premissa de aventura fantástica num retrato genuinamente comovente sobre a fragilidade e o valor da memória partilhada.

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As vozes originais de Jo e Raissa ficam a cargo de H.E.R. e Liza Soberano, ambas de ascendência filipina, uma escolha de casting deliberada por parte dos realizadores Joel Crawford e Januel Mercado, que quiseram garantir autenticidade cultural em cada etapa da produção. O elenco inclui ainda Dave Franco no papel de Raww, um lobisomem bem-intencionado mas desajeitado, Jenny Slate como Batiba, personagem inspirada na Batibat, uma criatura da mitologia filipina, e Lea Salonga, lendária voz de Disney conhecida por “Mulan” e “Aladdin”, no papel da temida Manananggal, uma das criaturas mais assustadoras do panteão de monstros filipinos.

O compromisso da equipa criativa com a autenticidade cultural não se ficou pelas escolhas de elenco. Segundo revelaram os próprios realizadores, Crawford e Mercado passaram seis anos a desenvolver a história e viajaram até às Filipinas na primavera de 2025 numa investigação de dez dias que os levou por várias ilhas do arquipélago e por Manila, trabalhando lado a lado com centenas de artistas filipinos e americanos ao longo da produção. Mercado é filipino-americano, enquanto Crawford, realizador também de “O Gato das Botas 2”, tem uma família filipina própria, e chegou a dedicar publicamente o filme à mulher, uma escolha pessoal que ajuda a explicar o cuidado extremo com que a mitologia local é tratada ao longo da narrativa, evitando a apropriação superficial que por vezes tem marcado tentativas anteriores de Hollywood em retratar culturas menos representadas no ecrã.

Heart of the Beast”: o reencontro de Brad Pitt com David Ayer, doze anos depois de “Fury”, chega aos cinemas a 24 de setembro

A receção crítica antes da estreia tem sido descrita como um verdadeiro “cartão de amor” à cultura filipina, com vários meios especializados em representação a destacarem como o filme consegue fazer com que espectadores de ascendência filipina se sintam genuinamente vistos, um objetivo que raramente é alcançado com este nível de fidelidade em produções de animação de grande orçamento destinadas ao mercado global.

Vale notar que a data de estreia em Portugal, 1 de outubro, surge uma semana depois da estreia norte-americana, marcada para 25 de setembro, e um dia depois da estreia brasileira, a 24 de setembro, seguindo o padrão habitual de desfasamento entre mercados que a Universal costuma aplicar aos seus lançamentos de animação internacionais.

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“A História de Michael Jackson”: a BBC tenta contar a história definitiva do rei da pop, sem esconder as suas zonas mais sombrias

Poucas figuras da cultura popular do século XX resistem tão bem, e ao mesmo tempo tão mal, a uma tentativa de biografia definitiva como Michael Jackson. É precisamente essa ambição, difícil e inevitavelmente incompleta, que a BBC assume em “A História de Michael Jackson” (“Michael Jackson: An American Tragedy”, no título original), minissérie documental que estreia em Portugal no sábado, dia 12 de setembro, às 19h45, em exclusivo no TVCine Edition e no TVCine+.

Realizada por Sophie Fuller e produzida pela 72 Films, a série percorre a vida de Jackson desde a ascensão à fama ainda criança, num contexto de segregação racial na América dos anos 60, até à queda pública marcada por décadas de escândalo mediático e judicial. Estruturada originalmente pela BBC em três episódios, intitulados “Fame”, “The Reckoning” e “Resurrection”, a produção combina material de arquivo raro com testemunhos de pessoas que conviveram de perto com o artista: a irmã La Toya Jackson, a cantora Dionne Warwick, o antigo agente Dieter Wiesner, o guarda-costas Bill Whitfield, o advogado da família Brian Oxman e o procurador Ron Zonen, uma escolha de entrevistados que abrange tanto vozes próximas do círculo familiar como figuras do sistema judicial que acompanharam de perto os processos que marcaram a segunda metade da carreira de Jackson.

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O documentário não evita aquele que continua a ser o capítulo mais controverso e mais difícil da história de Jackson: as alegações de abuso sexual de menores que o perseguiram ao longo de mais de uma década, culminando no julgamento criminal de 2005, do qual saiu absolvido de todas as acusações. É importante notar, para contextualizar devidamente o momento em que esta série chega às televisões portuguesas, que o tema está longe de ser meramente histórico: Wade Robson e James Safechuck, os dois homens cujos testemunhos sustentaram o documentário “Leaving Neverland” em 2019 e que acusam Jackson de abuso sexual durante a infância, continuam com processos civis a decorrer contra o espólio do artista, reclamando 400 milhões de dólares em indemnizações, com um julgamento agendado para o final de 2026. O espólio de Jackson mantém a posição de que “as acusações não têm fundamento e Michael é inocente”, uma disputa legal que, segundo a própria série, é abordada como parte de um legado que continua ativamente a gerar tanto receitas milionárias como controvérsia.

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Essa tensão entre o valor comercial persistente da obra de Jackson e a sombra das acusações que a acompanham é, aliás, um dos eixos centrais da abordagem da série: o espólio do artista, gerido desde a sua morte em 2009, transformou uma herança inicialmente mergulhada em quase meio milhão de dólares de dívidas numa operação avaliada atualmente em milhares de milhões de dólares, um sucesso financeiro que a própria série procura confrontar com a pergunta incómoda sobre até que ponto é possível, ou desejável, separar a obra artística da pessoa e das alegações que a rodeiam.

Vale notar, para efeitos de rigor informativo, que o comunicado que acompanha esta estreia em Portugal refere a série como estando dividida em quatro episódios exibidos numa só sessão, uma diferença face à estrutura original de três episódios anunciada pela própria BBC, possivelmente resultante de um reformato específico para o mercado português; de qualquer forma, o conteúdo e a abordagem mantêm-se fiéis à produção original.

Santo António Ganha Filme, os Oasis Reencontram-se, e Mais 3 Estreias Esta Semana

Mais do que uma simples cronologia de sucessos musicais, “A História de Michael Jackson” posiciona-se como um estudo sobre a dificuldade de reconciliar genialidade artística inquestionável com um legado pessoal profundamente contestado, uma tensão que, quase duas décadas depois da morte do artista, continua longe de estar resolvida tanto nos tribunais como na opinião pública.

Santo António Ganha Filme, os Oasis Reencontram-se, e Mais 3 Estreias Esta Semana

Chegam esta quinta-feira aos cinemas portugueses cinco novas estreias, lideradas pela sequela “Magia e Sedução: Segredos de Família”, com Sandra Bullock e Nicole Kidman a reencontrarem-se vinte e cinco anos depois do filme original. A semana traz também “Santo António, O Casamenteiro de Lisboa”, de Ruben Alves, que depois da passagem pelas salas se torna o primeiro filme português a chegar ao Disney+, e o documentário “Oasis: Don’t Look Back in Anger”, com os irmãos Gallagher a falarem juntos pela primeira vez em quinze anos.

Magia e Sedução: Segredos de Família (Practical Magic 2)

Comédia fantástica romântica realizada por Susanne Bier, com Sandra Bullock e Nicole Kidman a reprisarem os papéis das irmãs bruxas Sally e Gillian Owens, vinte e cinco anos depois do filme original. O elenco inclui ainda Joey King, Lee Pace, Maisie Williams e Xolo Maridueña. A história, passada duas décadas e meia depois, segue a família Owens na descoberta de novos segredos sobre a origem da sua magia. Argumento de Akiva Goldsman, coguionista do primeiro filme. Distribuído pela Cinemundo.

Santo António, O Casamenteiro de Lisboa

Comédia romântica realizada por Ruben Alves, com Rita Blanco, Joaquim Monchique e Maria Rueff, sobre dois funcionários da Câmara de Lisboa que arriscam o emprego para reinventar os tradicionais Casamentos de Santo António. Estreia nas salas a 10 de setembro e, depois da passagem pelo circuito de cinemas, torna-se o primeiro filme português a chegar à plataforma Disney+. Guião coescrito pelo próprio Ruben Alves e pelo argumentista espanhol Fer Pérez. Distribuído pela NOS Audiovisuais.

Oasis: Don’t Look Back in Anger

Documentário realizado por Will Lovelace e Dylan Southern, com argumento de Steven Knight, sobre a digressão de reunião dos Oasis. Reúne imagens de ensaios, bastidores e concertos, e a primeira entrevista conjunta de Liam e Noel Gallagher em mais de quinze anos de afastamento. Estreou fora de competição no Festival de Veneza a 5 de setembro, com críticas favoráveis. Distribuído pela NOS Audiovisuais.

Hope (Ho-peu)

Thriller de ficção científica e ação realizado por Na Hong-jin, com Hwang Jung-min, Zo In-sung e Hoyeon. Segue o chefe da polícia de uma aldeia isolada e o seu jovem adjunto na defesa da comunidade contra uma criatura misteriosa, depois de incêndios florestais cortarem todas as comunicações. Produção sul-coreana orçada em 46 milhões de dólares, com 156 minutos de duração. Distribuído pela Big Picture.

Filho de Ninguém (Fils de personne)

Drama realizado por Safy Nebbou, com Romain Duris, Cristiana Capotondi e Vithaya Pansringarm, remake do filme norueguês “Hjertestart” (2017). Um pai vê-se viúvo pouco depois de adotar uma criança tailandesa de quatro anos, sem ainda ter criado com ela qualquer laço, e decide regressar à Tailândia para tentar encontrar a família biológica do filho. Distribuído pela Outsider Films.

Heart of the Beast”: o reencontro de Brad Pitt com David Ayer, doze anos depois de “Fury”, chega aos cinemas a 24 de setembro

Faltam menos de duas semanas para “Heart of the Beast: Heróis Inseparáveis” chegar aos cinemas portugueses, a 24 de setembro, um dia antes da estreia nos Estados Unidos através da Paramount Pictures, e os bastidores que têm vindo a público sugerem que o filme está longe de ser um simples thriller de sobrevivência genérico. Trata-se, antes de mais, do reencontro entre Brad Pitt e o realizador David Ayer, doze anos depois de “Fury” (2014), o drama bélico que os tinha unido pela primeira vez, e que agora regressam com uma proposta radicalmente diferente: um homem, um cão, e a natureza selvagem do Alasca como o verdadeiro antagonista da história.

Um dos detalhes mais reveladores sobre a produção, entretanto confirmado pelo próprio Pitt, é que o ator passou cerca de 95% do tempo de rodagem a contracenar diretamente com um cão verdadeiro, em vez de recorrer a efeitos digitais ou a um animal robótico, uma escolha que Ayer descreveu como um dos desafios mais exigentes de toda a sua carreira como realizador. O papel de Odin, o cão de combate reformado que acompanha a personagem de Pitt, o oficial das Forças Especiais James Belmont, ficou a cargo de um pastor-alemão chamado Uber, com três dos seus próprios descendentes reais, Seeka, Ryker e Hondo, a servirem de duplos ao longo das filmagens. Pitt chegou a assumir publicamente que se sentiu, em determinados momentos, mais como o “ator secundário” da produção do que como a estrela principal, obrigado a gerir o comportamento imprevisível do animal, que podia distrair-se com algo tão trivial como uma abelha a voar por perto, sem nunca sair da personagem.

“O Brutalista”, vencedor de três Óscares, estreia na televisão portuguesa a 11 de setembro

Apesar de a história se passar no Alasca, a produção decidiu filmar a maior parte das cenas na Ilha Sul da Nova Zelândia, incluindo localizações glaciares remotas de tal forma inacessíveis que a equipa técnica teve de se deslocar de helicóptero, limitada a transportar apenas algumas cargas de equipamento por viagem, uma logística que ajuda a explicar por que motivo Ayer descreveu esta rodagem como uma das mais fisicamente exigentes que já enfrentou. Pitt, por seu lado, descreveu a sua personagem como “uma alma assombrada”, e o próprio realizador não hesitou em elogiar publicamente a entrega do ator: “É uma fera. Expôs-se de uma forma vulnerável que nunca tinha visto antes”, afirmou Ayer numa entrevista recente à revista GQ, acrescentando que um comentário recorrente entre quem já viu o filme é precisamente o quão crua, credível e profunda é a interpretação de Pitt.

“Tenzing”: Tom Hiddleston e Willem Dafoe reconstroem a conquista do Evereste de 1953 no filme que abre o Festival de Zurique

O filme já começou também a percorrer o circuito de festivais antes da estreia comercial, tendo sido anunciado como uma das adições ao Festival de San Sebastián, marcando o regresso de Pitt a um certame que já visitou anteriormente, um movimento estratégico que sugere que a Paramount está a apostar em “Heart of the Beast” não apenas como um produto de entretenimento de género, mas também como uma peça com alguma ambição de reconhecimento crítico, à boleia das comparações que já começaram a surgir com “O Renascido”, de Alejandro González Iñárritu, o filme que rendeu a Leonardo DiCaprio o seu primeiro Óscar.

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Em termos comerciais, as previsões apontam para uma estreia moderada nos Estados Unidos, entre 15 e 25 milhões de dólares no fim de semana de abertura, uma vez que o filme vai competir diretamente contra o relançamento de “Vingadores: Endgame” e a estreia de “Forgotten Island”, da DreamWorks, com Dave Franco e Jenny Slate. Ainda assim, para Pitt, que continua a alternar com sucesso entre grandes produções, como “F1”, e apostas mais pessoais e intimistas como esta, “Heart of the Beast” surge como mais uma prova de versatilidade numa fase da carreira em que o ator parece cada vez mais seletivo, mas também cada vez mais disposto a arriscar fisicamente em papéis exigentes.

“O Brutalista”, vencedor de três Óscares, estreia na televisão portuguesa a 11 de setembro

Um dos filmes mais aclamados da temporada de prémios de 2025 chega finalmente à televisão portuguesa. “O Brutalista”, de Brady Corbet, estreia sexta-feira, dia 11 de setembro, às 21h30, no TVCine Top, com disponibilidade em streaming logo a seguir no TVCine+, trazendo consigo um currículo de prémios que poucos filmes conseguem igualar: três Óscares, incluindo Melhor Ator para Adrien Brody, e o Leão de Prata de Melhor Realização no Festival de Veneza, onde tinha estreado em 2024 com uma ovação de doze minutos.

O filme acompanha László Tóth, arquiteto judeu húngaro que, depois de sobreviver aos horrores da Segunda Guerra Mundial, emigra com a mulher Erzsébet (Felicity Jones) para os Estados Unidos, fugindo à pobreza e à devastação de uma Europa em ruínas. Ao longo de quatro décadas, o filme acompanha a tentativa de Tóth construir não só uma carreira num país que o fascina e o desafia em igual medida, mas também uma identidade inteiramente nova, longe do trauma que carrega. Os seus projetos monumentais em betão, a marca visual mais reconhecível do filme, tornam-se assim tanto um símbolo de ambição e reinvenção como um reflexo dos fantasmas que insiste em não conseguir deixar completamente para trás, sobretudo à medida que a sua relação com o rico mecenas americano que financia o seu trabalho, interpretado por Guy Pearce, se revela cada vez mais tóxica e desigual.

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Vale a pena esclarecer, para quem for ver o filme pela primeira vez, que László Tóth é uma personagem inteiramente fictícia, uma amálgama de vários arquitetos reais do século XX que trabalharam sobretudo com o género brutalista, entre eles Marcel Breuer, László Moholy-Nagy e Louis Kahn. O nome escolhido gerou alguma curiosidade entre cinéfilos mais atentos à história da arte, já que existiu um László Tóth real, geólogo húngaro que em 1972 vandalizou a “Pietà” de Michelangelo no Vaticano, alegando ser Jesus Cristo. Os realizadores já esclareceram não existir qualquer ligação intencional entre as duas figuras, mas a ironia não deixa de ser notada por muitos: enquanto o Tóth real destruiu uma obra-prima, o Tóth fictício dedica a vida a construir as suas próprias.

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“O Brutalista” tornou-se também um dos filmes mais discutidos da temporada de prémios por razões que pouco têm que ver com a sua qualidade artística, amplamente reconhecida pela crítica: a revelação, feita pelo próprio editor húngaro do filme, Dávid Jancsó, de que tecnologia de inteligência artificial tinha sido usada para refinar pontualmente a pronúncia húngara de Adrien Brody e Felicity Jones em determinadas falas no idioma original, através da ferramenta Respeecher. Importa sublinhar que a tecnologia foi aplicada exclusivamente às falas em húngaro, para aperfeiçoar vogais e consoantes específicas, e que todas as falas em inglês permaneceram exatamente como gravadas no set, sem qualquer intervenção digital. Ainda assim, a revelação gerou um debate intenso sobre transparência e ética no uso de inteligência artificial na interpretação, sem que isso, no entanto, tenha impedido Brody de arrecadar o seu segundo Óscar de Melhor Ator, mais de vinte anos depois de “O Pianista”.

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Realizado por Brady Corbet, um dos nomes mais promissores da sua geração de cineastas americanos, com um currículo que já incluía “The Childhood of a Leader” e “Vox Lux”, “O Brutalista” consolidou-se como uma referência incontornável do cinema de autor da década, um épico ambicioso sobre imigração, arte, trauma e a promessa, sempre incerta, do sonho americano. Com um elenco encabeçado por Adrien Brody, Felicity Jones e Guy Pearce, e uma banda sonora original premiada com o Óscar da autoria de Daniel Blumberg, esta é seguramente uma das estreias televisivas mais relevantes do mês de setembro.

Gael García Bernal leva “Hombre al Agua” a Veneza ao ritmo de Ricky Martin, que interpreta uma versão de si próprio dentro do próprio filme

O tapete vermelho de Veneza teve, esta semana, um dos seus momentos mais inesperados quando Gael García Bernal e Ricky Martin desceram juntos as escadarias do festival ao som de “María” e “Livin’ la Vida Loca”, aquecendo a plateia antes da estreia mundial de “Hombre al Agua”, a terceira longa-metragem de García Bernal como realizador, apresentada na secção Venice Spotlight, fora da competição principal pelo Leão de Ouro.

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O filme acompanha Camilo, um nadador-salvador cubano interpretado pelo próprio García Bernal, que salva da morte por afogamento Abel, um poderoso empresário mexicano. Grato, Abel leva Camilo para o México, onde este acaba por casar com a filha do empresário, Juana, e ter um filho com ela. Mas a vida aparentemente perfeita de Camilo revela-se rapidamente parte de um plano maquiavélico de manipulação e controlo orquestrado pelo próprio sogro, obrigando o protagonista a desmontar a trama e a retomar o controlo do seu próprio destino antes que tudo desmorone à sua volta.

É precisamente aqui que entra o elemento mais bizarro e mais comentado do filme: Ricky Martin não interpreta uma personagem convencional na trama, mas sim Roby, um ator contratado, dentro da própria ficção, para interpretar Camilo num filme biográfico sobre a vida deste último, um dispositivo de metacinema que a crítica especializada tem descrito como fascinante nalguns momentos e um pouco confuso noutros. É esse jogo de espelhos, entre a história “real” de Camilo e a sua versão dramatizada dentro do próprio filme, interpretada por Ricky Martin, que confere a “Hombre al Agua” o seu tom mais experimental, situando-o claramente dentro da tradição de sátiras latino-americanas sobre classe social e poder, um território que García Bernal já tinha explorado tanto como ator como, mais recentemente, atrás da câmara.

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O elenco reúne ainda Esmeralda Pimentel, Débora Nascimento, Natalia Oreiro, Anna Diaz, Manuel Garcia-Rulfo e Jorge Salinas, um conjunto de nomes que atravessa o cinema mexicano, brasileiro e argentino, reforçando o carácter pan-latino-americano da produção. As primeiras críticas saídas de Veneza descrevem o filme como uma “diversão caótica” que nem sempre consegue equilibrar todas as suas ambições temáticas e formais, mas que se mantém consistentemente entretido graças à energia do elenco e à disposição de García Bernal para experimentar com um registo mais absurdo do que o habitual no seu trabalho como realizador.

Depois da estreia em Veneza, “Hombre al Agua” segue diretamente para o Festival de Toronto, onde terá a sua estreia norte-americana, naquele que é já um percurso de dupla passagem por dois dos festivais mais influentes do circuito internacional, uma estratégia de lançamento que sublinha a ambição comercial e crítica que rodeia este terceiro projeto de García Bernal atrás das câmaras, depois de “Déficit” (2007) e “Chicuarotes” (2019).

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“Tenzing”: Tom Hiddleston e Willem Dafoe reconstroem a conquista do Evereste de 1953 no filme que abre o Festival de Zurique

Setenta e três anos depois de Edmund Hillary e Tenzing Norgay se terem tornado os primeiros seres humanos a pisar o cume do Monte Evereste, a Apple TV apresenta “Tenzing”, um drama de época que promete corrigir décadas de desequilíbrio histórico ao devolver a Norgay, o sherpa nepalês-indiano cuja contribuição foi durante muito tempo ofuscada pela fama do alpinista neozelandês, o lugar central que sempre lhe pertenceu na narrativa desta façanha. O filme abre a 22ª edição do Festival de Zurique, a 24 de setembro, depois de já ter passado pelo Festival de Telluride.

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Realizado por Jennifer Peedom, documentarista australiana especializada em cinema de montanha, com trabalhos aclamados como “Sherpa” e “Mountain”, “Tenzing” acompanha a jornada de Tenzing Norgay, interpretado pelo ator nepalês Genden Phuntsok, desde os obstáculos de classe e etnia que enfrentava tanto entre a sua própria equipa de sherpas como entre os alpinistas ocidentais, até ao momento em que o coronel John Hunt, líder da expedição britânica interpretado por Willem Dafoe, lhe concede finalmente o estatuto de membro de pleno direito da equipa de escalada. É nesse contexto que nasce a amizade entre Norgay e o neozelandês Edmund Hillary, interpretado por Tom Hiddleston, uma relação que o filme apresenta como o verdadeiro motor emocional por trás de uma das maiores conquistas do século XX, com os dois homens a decidirem, juntos, mudar a história do alpinismo.

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O elenco inclui ainda Caitríona Balfe no papel de Jill Henderson, secretária da expedição, uma personagem que permite ao filme explorar também a logística e a burocracia britânica por trás de uma operação que, à época, mobilizou recursos e atenção internacional consideráveis. A escolha de Jennifer Peedom para dirigir não é acidental: a realizadora construiu praticamente toda a sua carreira a filmar montanhas e as pessoas que as escalam, com um respeito e um conhecimento técnico do género que raramente se encontra em produções de ficção sobre o tema, e que deverá traduzir-se numa reconstituição visualmente rigorosa das condições extremas enfrentadas pela expedição de 1953.

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O verdadeiro valor histórico de “Tenzing” reside, no entanto, na sua ambição de reequilibrar uma narrativa que, durante décadas, tratou a conquista do Evereste quase exclusivamente como um feito britânico e ocidental, relegando Tenzing Norgay a um papel secundário apesar de ter sido, tecnicamente, tão responsável pelo sucesso da expedição como o próprio Hillary. Etnia e classe social, tal como o próprio filme sublinha na sua sinopse, foram obstáculos reais que Norgay teve de ultrapassar tanto dentro da hierarquia rígida das expedições coloniais britânicas como nas expectativas limitadas que a sua própria comunidade lhe impunha, uma tensão que “Tenzing” promete não diluir em favor de uma narrativa mais confortável de amizade improvável entre dois homens de mundos diferentes.

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Com estreias já marcadas em festivais de prestígio como Telluride e agora Zurique, e distribuição assegurada pela Apple TV, “Tenzing” surge como mais uma aposta do serviço de streaming em cinema de género histórico e de aventura com ambições claras de reconhecimento crítico, seguindo uma estratégia que já rendeu à Apple resultados notáveis noutras frentes do prestígio cinematográfico nos últimos anos.

“Silo” só termina em julho de 2027: Apple TV+ revela data da quarta e última temporada, com teaser escondido nos créditos finais

Os fãs de “Silo”, um dos maiores êxitos de ficção científica da Apple TV+, vão ter de armar-se de paciência: a plataforma confirmou que a quarta e última temporada da série pós-apocalíptica só chega a 9 de julho de 2027, um ano de espera depois do final surpreendente da terceira temporada, que deixou os assinantes com mais perguntas do que respostas.

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A confirmação de que a quarta temporada seria também a última já tinha sido feita pela Apple TV+ em dezembro de 2024, quando a série foi renovada por mais duas temporadas em simultâneo, uma decisão pouco habitual que sinalizou desde logo a intenção da plataforma de dar à história um fecho planeado, em vez de a deixar arrastar-se indefinidamente enquanto as audiências se mantivessem sólidas. Baseada nos romances “Silo” de Hugh Howey, a série segue os habitantes de um silo subterrâneo gigante, convencidos de que o ar exterior é letal e que o seu mundo isolado é tudo o que resta da humanidade, uma premissa que se tem revelado fértil para explorar temas de controlo social, desinformação e resistência.

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O verdadeiro presente para os fãs mais impacientes veio, no entanto, de forma inesperada: em vez de um trailer tradicional, a Apple TV+ escondeu um teaser exclusivo nos créditos finais do último episódio da terceira temporada, uma escolha que obriga literalmente os espectadores a verem a série até ao fim para serem recompensados com as primeiras imagens do que aí vem. O teaser recupera flashbacks da explosão nuclear que, no final da terceira temporada, obrigou Daniel e Helen a fugirem para os silos, e inclui uma mensagem enviada por Paul a outros silos, revelando que “há outros silos lá fora, exatamente como o nosso”, mas que “um silo controla todos os outros”, responsabilizando-o por espalhar a mentira de que “o ar lá fora vai matar-nos”, uma revelação que promete reconfigurar completamente a compreensão do público sobre a mitologia da série.

Jessica Henwick, que interpreta Helen Drew, deverá continuar a ter um papel central nesta reta final, especialmente através das sequências ambientadas nos “Tempos de Antes”, quando a sua personagem, jornalista, e o congressista Daniel Keene descobrem juntos uma conspiração que os arrasta para uma cadeia de acontecimentos com consequências catastróficas e irreversíveis, o motor narrativo que, em grande medida, explica como e porquê a humanidade acabou refugiada debaixo da terra.

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Com um ano inteiro de espera pela frente, a Apple TV+ aposta claramente numa estratégia de expectativa prolongada para uma das suas séries mais aclamadas pela crítica, à boleia do sucesso recente de outras produções de ficção científica de prestígio da plataforma. Resta saber se o hiato tão alargado vai conseguir manter o interesse do público tão vivo como está agora, ou se, como acontece frequentemente com séries que atravessam pausas longas entre temporadas, parte da audiência vai precisar de um lembrete substancial da mitologia antes de mergulhar no capítulo final da história.

“Band of Brothers: Legacy” chega a 9 de setembro para celebrar 25 anos da minissérie que redefiniu o género de guerra na televisão

Há exatamente 25 anos, a 9 de setembro de 2001, a HBO estreava “Band of Brothers” (“Irmãos de Sangue”), a minissérie sobre a Companhia Easy da 101ª Divisão Aerotransportada americana que se tornaria, quase instantaneamente, uma das referências absolutas do género bélico na televisão. Dois dias depois dessa estreia, os atentados de 11 de setembro mudariam para sempre a forma como a América encarava a guerra, conferindo à série uma resiliência emocional e um peso simbólico que poucas produções televisivas alguma vez atingiram. Para assinalar este aniversário redondo, a HBO Max lança precisamente a 9 de setembro “Band of Brothers: Legacy”, um documentário que revisita os bastidores da produção e o impacto duradouro que a série teve tanto na cultura popular como na forma como o público em geral passou a olhar para o sacrifício da chamada “Geração Grandiosa”.

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O documentário reúne novas entrevistas com nomes centrais do elenco original, incluindo Damian Lewis, que interpretou o icónico Major Richard Winters, Ron Livingston, Michael Cudlitz, o capitão Dale Dye, consultor militar lendário responsável por preparar fisicamente e psicologicamente os atores para os papéis, e David Schwimmer, entre outros. Ao longo do documentário, os participantes partilham reflexões pessoais e histórias de bastidores, revisitando a experiência de gravar uma série que exigiu um dos treinos militares mais intensos alguma vez impostos a um elenco de atores antes das filmagens, e explorando também a forma como o impacto cultural de “Band of Brothers” se prolongou muito para além do momento da sua estreia original. O material inclui ainda imagens de arquivo nunca antes reveladas da própria Companhia Easy e da Segunda Guerra Mundial, complementando os testemunhos dos atores com o registo histórico real que serviu de base à série.

A realização está a cargo de Chase Millsap, antigo Boina Verde que tem vindo a construir uma carreira sólida na realização de documentários com temática militar, contando com a experiência pessoal de serviço para trazer uma perspetiva informada à forma como aborda tanto o rigor histórico como o impacto emocional que produções deste género têm junto de veteranos e das suas famílias. A produção executiva volta a contar com Tom Hanks e Gary Goetzman, que já tinham desempenhado esse papel na série original ao lado de Steven Spielberg, consolidando a ligação contínua de Hanks a este universo, que se estenderia mais tarde também a “The Pacific” e, mais recentemente, a “Masters of the Air”.

Teresa Madruga celebra 50 anos de carreira nos Prémios Audiovisuais Açorianos, a 9 de janeiro de 2027 no Pico

O momento escolhido para este documentário não é acidental: 25 anos depois, “Band of Brothers” continua a ser regularmente citada como uma das melhores séries de televisão de sempre, e a proximidade simbólica entre a sua data de estreia original e os atentados de 11 de setembro tornou-a, para muitos espectadores americanos, indissociável de um momento de viragem na história recente dos Estados Unidos. Ao reunir o elenco original um quarto de século depois, a HBO parece querer não só celebrar o legado artístico da série como também assinalar essa coincidência histórica particular, oferecendo aos fãs mais antigos uma oportunidade de revisitar, com a distância que só o tempo permite, tanto a produção em si como o momento cultural que a rodeou.

Emmy 2026: Mariska Hargitay veste-se de anfitriã a 14 de setembro, com “The Pitt” e “Hacks” como grandes favoritos

Depois de um fim de semana de Creative Arts Emmys que já distribuiu boa parte dos prémios técnicos e de interpretações convidadas, chega agora a verdadeira grande noite da televisão americana: a 78ª cerimónia dos Primetime Emmy Awards realiza-se a 14 de setembro, ao vivo a partir do Peacock Theater, em Los Angeles, com Mariska Hargitay, a eterna capitã Olivia Benson de “Lei & Ordem: SVU”, a assumir pela primeira vez o papel de anfitriã da noite.

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Do lado do drama, “The Pitt” surge como o grande favorito para arrecadar o prémio de Melhor Série, depois de ter liderado destacadamente todas as candidaturas desta edição com 25 nomeações, um número que por si só antecipa uma noite particularmente boa para o drama médico protagonizado por Noah Wyle. Na comédia, a corrida promete ser mais renhida, com “Hacks” a assumir a posição de favorita para vencer a categoria principal, ainda que “Widow’s Bay”, a série de terror-comédia protagonizada por Matthew Rhys sobre uma ilha amaldiçoada na Nova Inglaterra, tenha somado 19 nomeações e já tenha começado a converter parte desse volume em vitórias concretas durante os Creative Arts Emmys deste fim de semana, incluindo prémios de casting, montagem de som, design de produção, fotografia, supervisão musical, composição musical e edição de som, um total de oito estatuetas que a colocam entre as grandes protagonistas da temporada.

Na categoria de minissérie ou antologia, “DTF St. Louis” lidera as nomeações e já chegou aos Creative Arts Emmys com um desempenho forte, vencendo ambas as categorias de ator secundário em minissérie e arrecadando também os prémios de realização e argumento, sinais claros de que deverá repetir esse sucesso na noite principal. Do lado do cinema para televisão, “Remarkably Bright Creatures” foi já coroado Melhor Telefilme nos Creative Arts Emmys, enquanto “South Park” conquistou o Emmy de Melhor Programa de Animação pela primeira vez desde 2013, encerrando um hiato surpreendentemente longo para uma das séries de animação mais influentes e duradouras da televisão americana.

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A escolha de Mariska Hargitay para apresentar a cerimónia principal surge num momento em que a Academia de Televisão tem vindo a alternar entre comediantes de carreira e figuras mais associadas ao próprio meio televisivo para conduzir a noite, uma aposta que, no caso de Hargitay, joga também com a sua ligação a uma das séries mais longevas e mais premiadas da história da rede NBC, ainda que “Lei & Ordem: SVU” em si raramente figure entre as principais candidatas aos prémios de interpretação ou de série.

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Com os Creative Arts Emmys já a desenharem um retrato relativamente claro de quem chega mais forte à noite principal, resta agora saber se “The Pitt” e “Hacks” confirmam o favoritismo nas categorias mais disputadas, ou se alguma das concorrentes, sobretudo “Widow’s Bay” pelo lado da comédia, consegue surpreender numa noite que promete, de qualquer forma, ser uma das mais equilibradas dos últimos anos.

Rob Reiner recebe Emmy póstumo por “The Bear”, nove meses depois da morte trágica que chocou Hollywood

Nos Creative Arts Emmy Awards deste fim de semana, um dos momentos mais emotivos da noite não pertenceu a nenhum vencedor presente na sala. Rob Reiner, o realizador e ator que morreu tragicamente em dezembro de 2025, foi distinguido com o Emmy de Melhor Ator Convidado em Comédia pela sua participação em “The Bear”, uma vitória recebida com uma ovação de pé prolongada por parte de uma plateia visivelmente comovida, nove meses depois da sua morte.

O teledisco que fiz com a minha filha – A Aura está a Carregar!

Reiner interpretou Albert Schnur, um franchisador de restaurantes que orienta a personagem Ebraheim, numa participação especial de três episódios na quarta temporada da aclamada série da FX. Segundo revelou o próprio ator antes da sua morte, foi Jamie Lee Curtis quem o incentivou a aceitar o papel, um dos últimos trabalhos de uma carreira que atravessou mais de cinco décadas de cinema e televisão americanos. O prémio foi entregue por Wendi McLendon-Covey e David Alan Grier, que o aceitaram em nome de Reiner perante uma audiência que se ergueu em uníssono para celebrar um dos nomes mais queridos da indústria.

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Esta vitória representa o terceiro Emmy da carreira de Reiner, depois de dez nomeações ao longo dos anos, juntando-se aos dois prémios de Melhor Ator Secundário em Comédia que já tinha conquistado em 1974 e 1978 pelo icónico papel de Michael “Meathead” Stivic em “All in the Family”, a série que o lançou para o estrelato antes de se dedicar sobretudo à realização, com clássicos incontornáveis como “Conta Comigo”, “A Princesa Prometida”, “Quando Harry Encontrou Sally” e “Poucas… e Boas”.

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A morte de Reiner, em dezembro passado, chocou profundamente Hollywood: o realizador e a mulher, a fotógrafa Michele Singer, foram encontrados mortos em casa, em Brentwood, Los Angeles, num caso que levou à detenção do filho do casal, Nick Reiner, ainda nesse mesmo dia. Foi uma morte que interrompeu de forma abrupta e violenta uma carreira que continuava ativa e relevante, como prova precisamente esta participação em “The Bear”, gravada pouco antes da tragédia.

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Nove meses depois, este reconhecimento da Academia de Televisão surge como uma forma de a indústria prestar um último tributo a um dos seus nomes mais versáteis, alguém que conseguiu ser, ao longo da carreira, tanto uma das caras mais reconhecíveis da comédia televisiva dos anos 70 como um dos realizadores mais bem-sucedidos comercial e criticamente de Hollywood nas décadas seguintes. A cerimónia principal dos Emmy, marcada para 14 de setembro, deverá também reservar um momento de homenagem semelhante, consolidando aquilo que promete ser uma das despedidas mais sentidas da temporada de prémios televisivos deste ano.

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O teledisco que fiz com a minha filha – A Aura está a Carregar!

Começou com uma lista. A minha filha entregou-ma um dia destes, escrita à pressa no telemóvel, cheia de expressões que eu reconhecia vagamente de ouvir ao longe, “aura a carregar”, “slay”, “main character”, “six seven”, o vocabulário completo de uma geração que comunica em código. Em vez de perguntar o que significava cada uma, decidi fazer o óbvio para quem escreve canções, transformar a lista numa letra.

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O resultado chama-se “Aura a Carregar”, e é provavelmente a coisa mais afastada do que costumo escrever. As minhas músicas tendem para o registo grave, confessional, de desabafo, voz séria a dizer coisas absurdas com naturalidade total e frequentemente afastadas da sonoridade Pop. Esta é o oposto, uma sátira bem-disposta ao dia de um adolescente entre scrolls, provas adiadas para o ChatGPT e dramas de grupo resolvidos em segundos. A letra é dela tanto quanto é minha, cada expressão veio da lista, eu só dei forma e melodia. Para desenvolver a música usei ferramentas de inteligência artificial ao longo de todo o processo, da composição ao arranjo, o que por si só já mudou a forma como abordo uma canção nova.

Mas a música era só metade do plano. A minha filha é fã de manga, e vi ali uma oportunidade óbvia que eu não teria pensado sozinho, fazer o teledisco inteiro nesse registo. Desenhei as imagens com recurso a inteligência artificial, imagem a imagem, animação a animação, mas mantendo tudo o que faz o género reconhecível, os traços, a expressividade exagerada, os momentos de pausa que se sente antes de um golpe.

A paisagem por trás da acção é onde a coisa fica mais interessante, com personagens claramente manga, colei imagens quase realistas com pinceladas de Lisboa.

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Não escondo que o resultado final me surpreendeu a mim primeiro. Não é todos os dias que se vê uma ideia nascida de uma lista de gírias de adolescente chegar a vídeo acabado, com imagens e animações geradas inteiramente por inteligência artificial, sem perder o que fazia a piada funcionar no papel. Fica aqui como prova de que a tecnologia, bem usada, não substitui a ideia, só lhe dá forma mais depressa.

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Teresa Madruga celebra 50 anos de carreira nos Prémios Audiovisuais Açorianos, a 9 de janeiro de 2027 no Pico

Nascida na ilha do Faial em 1953, filha de mãe natural do Pico, Teresa Madruga construiu ao longo de quase cinco décadas uma das carreiras mais consistentes e menos ruidosas do cinema português, sempre discreta apesar de ter trabalhado com praticamente todos os grandes nomes da realização nacional das últimas gerações. Essa trajetória vai agora ser celebrada em casa, nos Açores: a MiratecArts anunciou que Teresa Madruga é a grande homenageada da gala dos PAA – Prémios Audiovisuais Açorianos, marcada para 9 de janeiro de 2027, às 16h, no Auditório da Madalena, na ilha do Pico.

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Desde a estreia em 1977, Teresa Madruga participou em mais de uma centena de filmes e séries de televisão, além de ter emprestado a voz a mais de 80 personagens de animação, um lado da sua carreira frequentemente menos conhecido do grande público mas bem documentado entre os fãs de dobragem portuguesa. No cinema de autor português, o seu percurso cruza-se com nomes incontornáveis: colaborou pelo menos cinco vezes com Manoel de Oliveira, entre “Francisca” (1981), “Visita ou Memórias e Confissões” (1982) e “Dia do Desespero” (1992), e trabalhou também com António Pedro Vasconcelos, João Botelho, João Canijo, João César Monteiro, João Mário Grilo, João Pedro Rodrigues, José Álvaro de Morais, Fernando Vendrell, Fernando Matos Silva, Fernando Lopes, António da Cunha Telles e Miguel Gomes, um mapa que atravessa praticamente toda a história do cinema português contemporâneo através de uma única atriz.

O reconhecimento internacional chegou cedo, em 1983, quando protagonizou “Dans la Ville Blanche” (“Na Cidade Branca”), do realizador suíço Alain Tanner, apresentado nesse ano no Festival de Berlim. O papel valeu-lhe o prémio Sete de Cinema de Melhor Interpretação Feminina e abriu-lhe portas para produções em Espanha, França e Itália, incluindo um dos momentos mais marcantes da sua carreira: contracenar com Marcello Mastroianni em “Afirma Pereira” (“Sostiene Pereira”, 1995), de Roberto Faenza, adaptação do romance de Antonio Tabucchi ambientada na Lisboa de Salazar, num elenco que incluía ainda Joaquim de Almeida, Daniel Auteuil e Nicoletta Braschi. Entre os prémios internacionais destaca-se ainda o de Melhor Atriz no Festival du Court Métrage de Clermont-Ferrand, um dos festivais de curtas-metragens mais prestigiados do mundo, pela sua interpretação em “D’Après Maria”, de Jean-Claude Robert, filme que chegou também a ser considerado para os BAFTA e para os Prémios César do cinema francês.

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Já em 2025, Teresa Madruga venceu o Prémio Sophia de Melhor Atriz Secundária pelo filme “O Teu Rosto Será o Último”, de Luís Filipe Rocha, uma longa-metragem que a MiratecArts já tinha apresentado no ano anterior como um dos melhores filmes portugueses do ano. E, ainda este ano, a sua carreira ganhou uma dimensão inesperadamente jovem: integrou o elenco de “Algumas Coisas que Acontecem ao Lado de um Rio”, curta-metragem de Daniel Soares que competeu pela Palma de Ouro de curtas-metragens no Festival de Cannes de 2026, no papel de Rosa.

Foi precisamente esse Prémio Sophia de 2025 que motivou Terry Costa, diretor artístico da MiratecArts, a organizar esta homenagem. “A primeira vez que vi a Teresa no grande ecrã foi nos anos 80, nos filmes de Manoel de Oliveira. Em 2025, quando recebeu o Prémio Sophia, senti um orgulho como se fôssemos grandes amigos, família até. Desde esse dia tenho trabalhado numa desculpa para nos conhecermos. Finalmente vai acontecer”, explicou Costa, que vai conduzir uma conversa com a atriz durante a gala, seguida da apresentação da curta-metragem “Judite, ou A Primeira Revolta”, de Pedro Carneiro.

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A homenagem a Teresa Madruga integra-se num programa mais alargado que junta, na mesma semana no Pico, o 15º aniversário da associação MiratecArts, a abertura da 13ª edição do Montanha Pico Festival, o Encontro Audiovisual Açoriano e a segunda edição dos próprios PAA, que distinguem produções que vão de videoclipes a séries, filmes de ficção e documentários. Produtores açorianos com obras produzidas entre 2025 e 2026 podem ainda candidatar-se até 1 de outubro. A organização recomenda também que quem pretenda assistir ao evento reserve viagem com antecedência, já que os voos para o Pico costumam esgotar rapidamente nesta época do ano.