As Estreias de 30 de Abril: IndieLisboa a começar … e um regresso que esperou vinte anos

Há semanas em que o calendário cinematográfico parece ter sido desenhado para testar a paciência de quem só tem tempo — e dinheiro — para um bilhete. Esta quinta-feira, 30 de abril, é claramente uma delas. Lisboa acorda com o IndieLisboa a abrir a sua 23.ª edição logo à noite, as salas comerciais recebem onze novos títulos, e o fim de semana encolhe de repente perante tanta escolha.

O festival arranca às 19h00 no Cinema São Jorge com The Loneliest Man in Town, de Tizza Covi e Rainer Frimmel — uma das sensações da última Berlinale. A história segue um bluesman à beira do despejo e reflecte sobre aquilo que uma casa guarda de nós quando já não temos mais nada. É uma escolha que diz muito sobre o ADN do IndieLisboa: cinema de pessoas reais, captado com uma atenção que a ficção raramente consegue replicar. A dupla austríaca já conhece bem o festival — venceu o Prémio de Distribuição em 2010 com La Pivellina — e este regresso parece mais do que natural.

Nos onze dias que se seguem, até 10 de maio, o IndieLisboa espalha 241 filmes por várias salas da cidade — do São Jorge à Culturgest, passando pela Cinemateca Portuguesa, o Cinema Ideal e o Cinema Fernando Lopes. Há 16 estreias mundiais na Competição Nacional, uma Competição Internacional verdadeiramente global e uma retrospectiva dedicada ao mockumentary. O encerramento, a 10 de maio na Culturgest, fica a cargo de The History of Concrete, primeira longa de John Wilson — o criador de How To with John Wilson — uma premissa tão absurda quanto irresistível: um documentário sobre betão em que Wilson tenta aplicar a fórmula que aprendeu num workshop da Hallmark. Mais do que um programa, o IndieLisboa continua a ser uma experiência para viver.

Para quem prefere as salas comerciais — ou simplesmente não tem onze dias disponíveis — a semana não perde força. A estreia mais aguardada é O Diabo Veste Prada 2 (NOS Audiovisuais), que reúne Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci vinte anos depois do original. E não é apenas o elenco que regressa: o realizador David Frankel e a argumentista Aline Brosh McKenna voltam a assumir o controlo.

Andy Sachs regressa à Runway, agora como editora de features, num momento em que Miranda Priestly enfrenta a crise da imprensa tradicional e uma antiga assistente surge do outro lado da barricada — como executiva de topo numa marca de luxo. As primeiras reacções são claramente positivas: o filme reencontra o tom do original, evita transformar-se numa lição sobre media contemporâneos e aposta naquilo que sempre funcionou — personagens fortes, diálogos afiados e um mundo onde a elegância nunca é inocente. Pelo meio, há ainda música nova de Lady Gaga e Doechii. Raramente uma sequela com duas décadas de intervalo chega com este nível de segurança.

Fuze — Explosão Iminente (Cinemundo) assume-se como o exercício de tensão mais elegante da semana. David Mackenzie, realizador de Hell or High Water, constrói tudo a partir de uma ideia simples e eficaz: uma bomba não detonada da Segunda Guerra Mundial é descoberta no centro de Londres, forçando a evacuação da cidade. O detalhe crucial? Era exactamente isso que alguém queria. Enquanto Aaron Taylor-Johnson tenta desactivar o engenho, Theo James coordena um assalto a um cofre de diamantes nas ruas desertas. Estreado em Toronto com 73% no Rotten Tomatoes, é um thriller que não reinventa o género — mas executa-o com precisão.

Já Besta (NOS Audiovisuais) entra no território do drama desportivo com Russell Crowe — também co-argumentista — no papel de treinador de um antigo campeão de MMA que regressa à jaula para ajudar o irmão. Filmado em Bangkok com a ONE Championship, segue a fórmula clássica do género com competência, evocando comparações com Warrior (2011) que a crítica tem apontado sem as considerar um problema.

No campo do cinema mais autoral, Sonhos (Films4You) marca a segunda colaboração entre Michel Franco e Jessica Chastain, depois de Memória (2023). A actriz interpreta uma mecenas abastada de São Francisco envolvida numa relação obsessiva com Fernando (Isaac Hernández), um jovem mexicano indocumentado. Estreado na Berlinale 2025, o filme volta a dividir opiniões — como é habitual em Franco — entre quem vê um retrato impiedoso de poder e hipocrisia liberal e quem o considera emocionalmente distante. Há, no entanto, consenso em torno da prestação de Chastain, apontada como uma das mais desconfortáveis da sua carreira.

Quentin Dupieux regressa com O Acidente com o Piano, uma comédia negra que mantém o seu gosto pelo absurdo, mas com um lado mais mordaz do que habitual. Adèle Exarchopoulos interpreta uma influencer rica que se refugia numa chalet alpina após um incidente misterioso envolvendo um piano. A chegada de uma jornalista com intenções duvidosas complica ainda mais a situação. Não é o Dupieux mais surreal — mas pode ser o mais incisivo na forma como observa a cultura digital contemporânea.

Divina Comédia (Nitrato) é, provavelmente, o destaque mais cinéfilo da semana nas salas comerciais. Ali Asgari, realizador de Versos Terrestres, apresenta a história de Bahram, um cineasta que nunca conseguiu autorização para exibir os seus filmes no Irão. Acompanhado por uma produtora numa Vespa cor-de-rosa, percorre Teerão à procura de um espaço para uma exibição clandestina. O resultado é uma sátira política subtil, onde o absurdo convive com uma realidade demasiado concreta.

Em As Correntes (Leopardo Filmes), Milagros Mumenthaler — vencedora do Leopardo de Ouro em Locarno — constrói um drama intimista sobre identidade e trauma. Lina, uma estilista argentina, atira-se ao rio Ródano durante uma viagem à Suíça. De regresso a Buenos Aires, desenvolve uma fobia à água que começa a contaminar todos os aspectos da sua vida. Um filme sobre o que o corpo retém quando a mente se recusa a falar.

A programação completa-se com três documentários portugueses — Caronte, de Tânia Gomes Teixeira; Damas, de Cláudia Alves; e Soco a Soco, de Diogo Varela Silva — e ainda o anime That Time I Got Reincarnated as a Slime — O Filme: Lágrimas do Mar Azul-Celeste (Big Picture), dirigido aos fãs do género.

No fim de contas, é uma semana para todos os gostos — e uma daquelas em que escolher vai ser, inevitavelmente, deixar coisas de fora.

Estreias da Semana: há um claro protagonista… mas não é o único a dar que falar

A semana de 2 de Abril chega com uma oferta variada e equilibrada, onde o grande destaque vai, sem surpresa, para uma das produções mais aguardadas do ano — um filme que combina nostalgia, espectáculo e ambição visual.

Mas o cartaz não se esgota aí.

Há também espaço para um romance contemporâneo protagonizado por Zendaya e Robert Pattinson, uma comédia francesa assumidamente caótica e vários dramas europeus que exploram relações familiares, identidade e tensão social.

👉 No novo vídeo do Clube de Cinema analisamos todas as estreias e ajudamos-te a decidir o que vale mesmo a pena ver.

🍿 Como sempre… a escolha final é tua.

00:00 Introdução

00:15 Super Mario Galaxy – O Filme

01:10 O Drama

01:40 Ladrões da Treta

02:00 Caso 137

02:25 Os Domingos

02:35 Romaria

02:50 Conclusão

🎬 A Working Man Chega, Vê e Vence: Jason Statham Dá Tareia à Branca de Neve nas Bilheteiras

🎬 A Working Man Chega, Vê e Vence: Jason Statham Dá Tareia à Branca de Neve nas Bilheteiras

A Disney já deve estar a preparar a maçã envenenada para outro, porque o conto de fadas que era o novo Snow Whitevirou rapidamente um pesadelo nas bilheteiras. Quem se riu por último foi Jason Statham com A Working Man, que deu um murro bem aplicado no box office e conquistou o primeiro lugar com um arranque de 15,2 milhões de dólares em 3.262 salas de cinema.

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A surpresa foi geral: as previsões colocavam o novo filme da Amazon MGM entre os 10 e 12 milhões, mas o ex-Beekeeper provou que ainda tem muito gás. E, ironicamente, fez quase o mesmo que o seu filme anterior (The Beekeeper, em Janeiro de 2024) que abriu com 16 milhões e acabou com uns robustos 66 milhões nos EUA e mais de 162 milhões a nível mundial.

Enquanto isso, Snow White (a tal nova versão com Rachel Zegler, que já andava a dar que falar pelas polémicas à volta da produção) despencou com estrondo. Caiu uns dolorosos 66% face à estreia e terminou o segundo fim de semana com 14,2 milhões. Ao fim de duas semanas, o remake acumula 66,8 milhões nos EUA e 143,1 milhões no total mundial. Nada animador para um filme que custou mais de 250 milhões e precisava de conquistar todos os quadrantes possíveis.

🪓 Statham 1 – Disney 0

Ainda que A Working Man não esteja a ser particularmente mimado pelos críticos, o público está a responder bem: uma nota B no CinemaScore e 84% de aprovação no PostTrak. É, no fundo, aquilo que já se esperava: uma boa dose de pancadaria, Statham a resolver à moda antiga e uma história de redenção no subúrbio. Mais uma vez, o ator britânico mostra que consegue levar um filme às costas, mesmo quando não há abelhas nem explosões a cada 10 minutos.

A Amazon MGM e a Black Bear estão a contar que este “homem trabalhador” siga um percurso semelhante ao de The Beekeeper e recupere com facilidade o investimento de 40 milhões de dólares. Por enquanto, o início é prometedor.

❄️ A Branca de Neve Perde o Encantamento

Do outro lado, Snow White vai precisando cada vez mais de um milagre (ou de sete anões com experiência em marketing). Com uma estreia fraca e uma queda tão acentuada na segunda semana, torna-se cada vez mais difícil imaginar um final feliz para este remake. O público parece estar dividido entre a nostalgia e a saturação destas reinterpretações live-action que, convenhamos, às vezes só acrescentam filtros de Instagram a clássicos imortais.

🎟️ E o resto da bilheteira?

• Em terceiro lugar ficou The Chosen: Last Supper, da Fathom Events, com 11,4 milhões — uma estreia sólida para um drama religioso em plena época da Páscoa.

• The Woman in the Yard, da Blumhouse, abriu com 9,45 milhões. Com um orçamento de apenas 12 milhões, o filme ainda pode dar lucro… se resistir ao fraco boca-a-boca (tem apenas 41% no Rotten Tomatoes e um C- no CinemaScore).

• Em quinto lugar aparece a sátira sangrenta Death of a Unicorn, da A24, com Paul Rudd e Jenna Ortega, que abriu com 5,8 milhões e críticas divididas. Tem nota de 55% no Rotten Tomatoes e a tarefa difícil de se manter relevante nas próximas semanas.

📉 O estado geral das bilheteiras não é propriamente de euforia. O total estimado do fim de semana nos EUA ficou pelos 80 milhões, o que representa uma quebra de 42% em relação ao mesmo período do ano passado. As contas do primeiro trimestre também vão ficar aquém, com 1,4 mil milhões acumulados — longe do recorde de 2,9 mil milhões de 2017.

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🍿 Em resumo? O público ainda vai ao cinema, mas parece cada vez mais exigente — ou então está só à espera de Deadpool & Wolverine para voltar em força. Até lá, Statham reina e a Disney talvez esteja a pensar duas vezes antes de se meter com princesas “modernas”.