Teresa — Madre de Calcutá: Noomi Rapace Encarna uma Santa com Energia Punk

Há um momento nas notas de produção de Mother — o título original do filme que chega a Portugal a 14 de Maio como Teresa — Madre de Calcutá — em que a realizadora Teona Strugar Mitevska descreve o que procurava numa actriz para o papel: “Queria trabalhar com uma actriz que naturalmente irradia a energia punk rock que acredito que a Madre Teresa tinha, e que carregue uma ferocidade.” A escolha foi Noomi Rapace. E essa frase — “energia punk rock” aplicada à mulher canonizada pela Igreja Católica em 2016 — diz tudo sobre o tipo de filme que este é.

Teresa — Madre de Calcutá passou em abertura da secção Horizontes do Festival de Veneza em 2025, onde chegou com o peso de quinze anos de gestação. Mitevska começou este projeto com um documentário chamado Teresa and I, onde entrevistou as últimas quatro irmãs vivas que conheceram pessoalmente a Madre Teresa e fundaram a sua ordem. Foram essas conversas — gravadas numa Calcutá húmida e sufocante — que lhe revelaram uma personagem que o mito havia obliterado: uma mulher de 37 anos, ambiciosa, precisa, feroze na sua determinação, capaz de disciplina e de dureza, que escolheu a religião não apesar da sua força de carácter mas por causa dela.

O filme passa-se em apenas sete dias — Agosto de 1948, Calcutá — e concentra-se num momento que a hagiografia oficial raramente examina: o instante em que Teresa, Madre Superiora do Convento das Irmãs de Loreto, aguarda a autorização eclesiástica para abandonar o mosteiro e criar a sua própria ordem. É o momento antes de se tornar a Madre Teresa que o mundo conhece. E é precisamente por isso que o filme é interessante — porque o que vemos não é uma santa em plena santidade, mas uma mulher no limiar de uma decisão que vai definir toda a sua vida, com todas as contradições, ambições e medos que isso implica.

Mitevska, que é ela própria albanesa e macedónia como Teresa de Calcutá, descreve o processo de pesquisa com uma intensidade que vai muito além da preparação cinematográfica habitual. Viveu e filmou entre os intocáveis e os doentes de lepra em Calcutá. Tomou banho ritual no Ganges. Passou anos a analisar as cartas pessoais de Teresa e as polémicas que as rodearam — incluindo a relação profunda com o confessor Padre Exam, documentada em Come Be My Light, e a posição da Madre sobre o aborto, que Mitevska não esquiva nem desculpa mas tenta compreender no contexto de uma mulher que era, antes de mais, um produto do seu tempo. “Não quero apresentar nada além do que experiencio, vejo e vivo diariamente”, disse a realizadora. “As mulheres são fortes, capazes e competentes, e é isso que retrato nos meus filmes.”

Noomi Rapace — a actriz sueca que o mundo conheceu como Lisbeth Salander em Millennium e que construiu desde então uma carreira de personagens que habitam a tensão entre fragilidade e poder — passou um ano e meio a construir esta Teresa com a realizadora. Vinte e um rascunhos de guião. Leituras e releituras. Pesquisa sobre a India dos anos 40, a Igreja Católica, o colonialismo britânico. “Deixar que os seus próprios pensamentos e controlo fossem substituídos pelos dela”, como descreveu. Conta que numa noite, a caminhar pelas ruas de Calcutá durante as filmagens, já não sabia distinguir os seus pensamentos dos da personagem. “Ela mudou-se para dentro de mim.”

O elenco inclui Sylvia Hoeks como Irmã Agnieszka, Nikola Ristanovski como Padre Friedrich e Labina Mitevska — irmã da realizadora e co-produtora do filme — como Irmã Mercedes. A fotografia é de Virginie Saint-Martin, e a banda sonora original é de Magali Gruselle e Flemming Nordkrog. É uma co-produção entre a Bélgica, a Macedónia do Norte, a Suécia, a Dinamarca e a Bósnia-Herzegovina — o tipo de consórcio europeu que o cinema de autor precisa para existir em condições, e que raramente produz filmes medíocres.

Mitevska compara o seu projeto ao de Alexander Sokurov com Moloch e Taurus — os retratos do ditador Hitler e de Lenin na sua vida privada e nas suas contradições humanas. A sua Madre Teresa pertence a essa tradição: figuras históricas vistas no avesso do mito, no momento antes da apoteose, quando ainda são pessoas que fazem escolhas com consequências que não controlam completamente. “Quantas vezes ao longo da história celebrámos homens sob todas as luzes, as melhores e as piores?”, pergunta a realizadora. “Infelizmente, ficamos aquém quando se trata de mulheres.”

Teresa — Madre de Calcutá estreia em Portugal a 14 de Maio. É o tipo de filme que Veneza recebe de braços abertos e que os cinéfilos portugueses raramente têm a oportunidade de ver em ecrã grande. Uma realizadora macedónia, uma actriz sueca, uma santa albanesa, filmada na India com uma equipa de 300 pessoas. O cinema europeu a fazer o que faz de melhor: pegar numa figura que o mundo julgava conhecer e mostrar o que estava por baixo.

Teresa — Madre de Calcutá: Noomi Rapace Encarna uma Santa com Energia Punk

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Christina Applegate Quebra o Silêncio — “Estou a Ficar Mais Forte”

Safe Houses — Ana de Armas e Jennifer Connelly Investigam um Assassínio da CIA em Madrid para a Apple TV+

Safe Houses — Ana de Armas e Jennifer Connelly Investigam um Assassínio da CIA em Madrid para a Apple TV+

Há uma combinação de elementos neste projecto que é difícil de ignorar. Uma agente da CIA fugitiva acusada de matar um colega. A viúva desse colega que investiga o crime a partir do lado oposto. Madrid como cenário. O criador de Homeland como showrunner. E no centro de tudo, Ana de Armas e Jennifer Connelly — duas das actrizes mais completas do cinema contemporâneo numa série de oito episódios para a Apple TV+. Safe Houses é, a todos os títulos, uma das apostas mais ambiciosas do streaming para o segundo semestre de 2026.

A série foi confirmada hoje com a entrada de David Lyons e Tobias Menzies no elenco, que se juntam a Connelly e De Armas para completar o quarteto principal. Lyons — conhecido pelo trabalho em The Beast in Me — interpreta Kevin Garvey, um agente especial da CIA. Menzies — o Tobias Menzies de The Crown e Outlander, e mais recentemente do filme F1 — é Clarke Winters, o marido da embaixadora Winthrop. A direcção dos episódios de abertura ficou a cargo de Otto Bathurst, realizador de Peaky Blinders e Black Mirror, com Gideon Raff a dirigir os episódios adicionais além de servir como showrunner.

A premissa tem uma propulsão clássica de dois lados: passada em Madrid na sequência do assassínio de um alto oficial da CIA, a série segue Sofia Jiménez — a agente fugitiva acusada do crime — e a Embaixadora Elizabeth Winthrop, a viúva da vítima, enquanto as duas investigam o assassínio a partir de posições opostas e vão desvendando uma conspiração com consequências globais. É o tipo de estrutura que Homeland explorou durante oito temporadas com sucesso considerável — e Raff conhece o território melhor do que ninguém, tendo sido um dos arquitectos criativos dessa série.

Para Ana de Armas, Safe Houses marca o seu regresso à televisão como protagonista após anos de carreira exclusivamente no cinema — depois de No Time to DieKnives OutBlonde e Ballerina, é a primeira vez que a actriz cubano-espanhola assume um papel de liderança numa série de longa duração. A escolha é significativa: De Armas poderia continuar a fazer filmes de estúdio indefinidamente, e a decisão de regressar à televisão — e de o fazer pela Apple — sugere que o projecto tem algo genuinamente interessante para oferecer além do formato. O facto de Madrid ser o cenário central não é irrelevante para a actriz, que cresceu em Espanha antes de fazer carreira em Hollywood.

Jennifer Connelly, por seu lado, tem construído nos últimos anos uma carreira televisiva paralela à cinematográfica com uma selectividade que é, em si mesma, uma declaração de qualidade. Depois de Dark Matter na Apple TV+ — onde a sua performance ao longo de dez episódios foi um dos destaques televisivos de 2024 —, o regresso à mesma plataforma com um projecto de espionagem de alta octanagem é a confirmação de uma relação criativa que claramente funciona.

Para Portugal, Safe Houses tem um ângulo adicional que vale referir: Madrid como cenário europeu central de uma série de espionagem americana é uma escolha que raramente acontece, e que inevitavelmente vai trazer a cidade — e por extensão a Península Ibérica — a uma visibilidade global considerável. A data de estreia ainda não foi anunciada, mas com o elenco agora completo e a produção confirmada, o segundo semestre de 2026 é a janela mais provável.

Coachella Weekend 2 Esmagou o Weekend 1 — E Madonna, Billie Eilish e SZA Mudaram as Regras do Festival

“Companion” estreia no TVCine Top: horror sci-fi sobre IA, controlo e manipulação chega a 24 de abril

“Top Gun” celebra 40 anos e regressa aos cinemas em maio numa reposição especial

Coachella Weekend 2 Esmagou o Weekend 1 — E Madonna, Billie Eilish e SZA Mudaram as Regras do Festival

Há uma frase que circulou nas redes sociais no domingo à noite, escrita por Nathan Hubbard, antigo director executivo da Ticketmaster: “Genuinamente acredito que a combinação de Bieber a trazer Billie Eilish e Sabrina a trazer Madonna em dois dos momentos mais de círculo completo de sempre vai mudar o equilíbrio de poder no Coachella do Weekend 1 para o Weekend 2 no próximo ano.”  É uma afirmação forte. Mas depois do que aconteceu entre sexta e domingo no Empire Polo Club em Indio, na Califórnia, é difícil discordar.

O Coachella 2026 teve a sua maior surpresa não nos headliners nem nas actuações principais — mas no facto de todos os momentos mais memoráveis e os cameos mais estrelados terem acontecido no Weekend 2, o fim-de-semana tradicionalmente menos glamoroso do festival.  Durante 25 anos, a lógica do Coachella foi simples e imutável: o primeiro fim-de-semana é onde as coisas acontecem, onde os artistas guardam as suas melhores surpresas, onde a imprensa está em peso e os influenciadores pagaram mais pelo acesso. O segundo fim-de-semana era para os fãs que não conseguiram bilhetes para o primeiro. Em 2026, essa lógica inverteu-se completamente — e a inversão foi tão dramática que a indústria musical está agora a perguntar se foi um acidente ou o início de uma tendência.

A sexta-feira começou com Sabrina Carpenter a repetir o seu concerto “Sabrinawood” — e a melhorá-lo de forma considerável. No segundo fim-de-semana, depois de “Juno” ser encurtada para a primeira metade, Madonna duetou com Carpenter em “Vogue”, “Bring Your Love” — uma música do próximo álbum Confessions II — e “Like a Prayer”. Foi o momento do festival. Madonna, que tinha actuado no Coachella pela última vez em 2015 durante o set de Drake, regressou ao mesmo palco vinte anos depois da primeira vez que tocou “Confessions on the Dance Floor” nos Estados Unidos — e fê-lo exatamente com o mesmo fato. O timing era calculado ao segundo: Madonna tinha anunciado o lançamento de Confessions II para Julho na quarta-feira anterior, teased o novo single na tarde de sexta e lançou-o oficialmente horas depois da actuação com Carpenter — uma estratégia de marketing disfarçada de momento espontâneo, executada com uma precisão que só alguém com cinco décadas de carreira consegue.

No sábado, Justin Bieber — que no primeiro fim-de-semana tinha optado pelo minimalismo quase provocatório — apareceu com uma generosidade completamente diferente. Billie Eilish juntou-se para “One Less Lonely Girl”, SZA para “Snooze”, Big Sean para “As Long As You Love Me” e “No Pressure”, Sexyy Red para “Sweet Spot” e Dijon para “Devotion”.  O momento com Eilish tornou-se imediatamente viral: Eilish tropeçou nos degraus, enrolou-se no banco ao centro do palco e recebeu um abraço por trás de Bieber antes de os dois explodirem em gargalhadas.  A mãe de Eilish agradeceu publicamente no Instagram: “Estou tão grata ao Justin Bieber pela bondade que mostrou à Billie e à nossa família inteira. Foi um dos momentos mais tocantes de sempre.”

O domingo pertenceu, como na semana anterior, a Karol G — mas desta vez com J Balvin e Peso Pluma como convidados surpresa em lugar de Becky G. E Addison Rae, que no primeiro fim-de-semana não tinha trazido qualquer convidado, recebeu Olivia Rodrigo não apenas para “Headphones On” mas também para a estreia ao vivo do novo single de Rodrigo, “Drop Dead”. 

A explicação mais óbvia para o que aconteceu é também a mais simples: no Weekend 2, uma surpresa vai ser mais surpresa. No primeiro fim-de-semana, o headliner não quer ser ofuscado pelo convidado. No segundo, já provou o que tem para provar, conhece melhor a sala, e pode dar-se ao luxo de partilhar o palco com generosidade. Mas o que aconteceu em 2026 foi além disso — foi uma coordenação quase deliberada entre artistas que decidiram, colectivamente, guardar os seus melhores momentos para o fim. O resultado foi um segundo fim-de-semana que não apenas igualou o primeiro mas o tornou irrelevante por comparação. Para quem estava lá, foi o melhor Coachella em anos. Para quem ficou em casa, foi um lembrete de que às vezes as melhores coisas acontecem quando ninguém está a prestar atenção.

“Companion” estreia no TVCine Top: horror sci-fi sobre IA, controlo e manipulação chega a 24 de abril

Num tempo em que a Inteligência Artificial domina debates, manchetes e imaginações, o Companion chega ao pequeno ecrã com uma premissa tão provocadora quanto inquietante. O filme estreia sexta-feira, 24 de abril, às 21h30, em exclusivo no TVCine Top, ficando também disponível no TVCine+.

Realizado por Drew Hancock, o thriller de horror e ficção científica mergulha em temas como autonomia, manipulação emocional e o uso da tecnologia como instrumento de poder.

Um fim de semana perfeito… até tudo desabar

A história acompanha Iris, interpretada por Sophie Thatcher, uma jovem que se apaixona por Josh, um bilionário carismático e sedutor, vivido por Jack Quaid.

O que começa como um romance envolto em luxo e promessas transforma-se rapidamente num pesadelo.

Durante um fim de semana numa casa isolada à beira do lago, Iris descobre a verdade aterradora: ela não é humana, mas sim um robô sexual concebido para obedecer a todas as ordens de Josh.

A revelação altera completamente a dinâmica da narrativa, transformando a aparente escapadela romântica num intenso jogo de sobrevivência.

Horror, sátira e ficção científica

Companion combina horror psicológico, ficção científica e sátira social, explorando os limites éticos da IA aplicada às relações humanas.

A partir do momento em que Iris toma consciência da sua condição, o filme entra num território mais visceral, onde cada tentativa de fuga é antecipada e controlada.

A protagonista vê-se presa num labirinto tecnológico e emocional, lutando para recuperar a própria autonomia e transformar a sua vulnerabilidade numa arma.

O filme joga precisamente com o desconforto que nasce da perda de controlo sobre o próprio corpo e vontade — um tema particularmente актуal no contexto das discussões sobre Inteligência Artificial.

Sophie Thatcher em destaque

Um dos grandes trunfos do filme é a interpretação de Sophie Thatcher.

A actriz conduz a transformação de Iris de forma convincente, levando a personagem de figura programada e submissa a presença determinada e rebelde.

Essa evolução é apresentada como um dos pontos centrais da narrativa, funcionando não apenas como motor dramático, mas também como comentário sobre poder e identidade.

Ao seu lado, Jack Quaid constrói um Josh que oscila entre o charme e a ameaça, intensificando o jogo psicológico que sustenta o filme.

Um dos títulos mais cativantes do género

Segundo o comunicado, Companion afirma-se como um dos títulos recentes mais interessantes dentro do horror sci-fi, cruzando tensão, violência e reflexão contemporânea.

É um filme que parece dialogar directamente com os receios modernos em torno da tecnologia, do consentimento e da manipulação, usando o género para amplificar essas questões.

Para quem procura uma proposta intensa para a noite de sexta-feira, esta estreia do TVCine surge como uma aposta particularmente forte.

“Top Gun” celebra 40 anos e regressa aos cinemas em maio numa reposição especial

TVCine assinala o 24 de Abril com maratona de documentários sobre identidade, memória e futuro

“Top Gun 3” está oficialmente em desenvolvimento e Tom Cruise vai voltar a voar

“Top Gun” celebra 40 anos e regressa aos cinemas em maio numa reposição especial

Quarenta anos depois de ter redefinido o cinema de ação dos anos 80, Top Gun vai regressar às salas portuguesas numa reposição especial que promete pôr à prova a eterna “sede de velocidade” dos espectadores.

A partir de 13 de maio, o clássico realizado por Tony Scott volta ao grande ecrã para assinalar o seu 40.º aniversário, numa celebração que inclui também o regresso de Top Gun: Maverick, disponível a partir de 14 de maio.

A reposição estará em cartaz apenas durante uma semana, até 20 de maio.

Um clássico que marcou gerações

Lançado originalmente em 1986, Top Gun transformou Tom Cruise numa estrela mundial e fixou Pete “Maverick” Mitchell como uma das personagens mais icónicas do cinema popular.

O filme acompanha um grupo de pilotos de elite da Marinha norte-americana em formação na escola Top Gun, onde a competição, a adrenalina e a superação pessoal definem cada voo.

Ao longo das décadas, o filme tornou-se uma referência incontornável do género, não apenas pelas sequências aéreas inovadoras, mas também pela banda sonora e pela marca profunda que deixou na cultura popular.

Quatro décadas depois, continua a ser um daqueles títulos que imediatamente evocam velocidade, rivalidade e a aura do grande espectáculo cinematográfico.

Reposição em formatos premium

A grande novidade desta celebração está nos formatos premium disponibilizados para ambas as obras.

Além da exibição em 2D, os espectadores poderão rever Top Gun e Top Gun: Maverick em IMAX, 4DX, ScreenX e D-BOX, formatos que prometem elevar a experiência visual e sonora a um novo nível.

A reposição surge acompanhada por um novo trailer e por posters comemorativos dos 40 anos, reforçando a dimensão nostálgica e celebratória do evento.

No caso de Maverick, o impacto em sala promete ser particularmente forte, tendo em conta a escala visual e sonora com que o filme foi originalmente concebido.

O legado de Maverick continua vivo

Se o filme de 1986 marcou uma geração, a sequela de 2022 provou que Maverick continua a ter um lugar especial no coração do público.

Top Gun: Maverick tornou-se um dos maiores sucessos comerciais da carreira de Tom Cruise e um dos filmes mais importantes do período pós-pandemia, devolvendo multidões às salas de cinema em todo o mundo.

A reposição conjunta dos dois títulos funciona assim como uma celebração dupla: do legado do original e da surpreendente longevidade da personagem.

Uma oportunidade rara no grande ecrã

Ver Top Gun em cinema sempre foi diferente de o rever em casa. A dimensão das cenas aéreas, a intensidade sonora e o impacto físico das perseguições no ar ganham outra escala em sala.

Quarenta anos depois, esta reposição oferece ao público a oportunidade de reviver — ou descobrir pela primeira vez — um dos filmes mais marcantes da história recente de Hollywood.

Como diz a campanha: “Feel the need again!”

E, francamente, é difícil não sentir.

TVCine assinala o 24 de Abril com maratona de documentários sobre identidade, memória e futuro

No próximo 24 de abril, o TVCine vai assinalar a data com uma programação especial dedicada à identidade, à memória colectiva e à transformação do espaço lusófono. Sob o título “Documentários: Depois de Abril”, o TVCine Editionreserva a tarde e a noite de sexta-feira para a exibição de seis documentários, num percurso cinematográfico que atravessa Portugal, Cabo Verde, o Al-Andalus e a memória marítima portuguesa.

A emissão arranca às 15h05 e prolonga-se até às 22h00, estando igualmente disponível no TVCine+.

Mais do que uma simples maratona temática, trata-se de uma proposta editorial pensada em torno de questões de pertença, herança cultural, paisagem e memória histórica, em linha com o simbolismo do 25 de Abril e do país que continua a construir-se entre passado e presente.

Seis filmes, seis olhares sobre a identidade

O especial começa com Nôs Dança, realizado por Rui Lopes da Silva, exibido às 15h05.

O documentário percorre as ilhas do arquipélago de Cabo Verde para retratar as danças tradicionais e a sua reinvenção contemporânea, acompanhando o coreógrafo e bailarino Tony Tavares numa viagem à herança cultural cabo-verdiana.

Às 16h40, segue-se Linha de Água, de Rui Simões, centrado no trabalho do artista Victor Gama. O filme cruza criação musical, tradição ancestral e preocupação ambiental, reflectindo sobre a degradação do ambiente e a relação do ser humano com o território.

História, território e memória

Às 17h50, o canal exibe O Poeta Rei, realizado por Carlos Gomes.

O filme propõe uma viagem pelo legado do Al-Andalus, explorando a figura de Al-Mu’tamid, rei e poeta do século XI, numa narrativa que cruza documentário e ficção e atravessa Portugal, Espanha e Marrocos.

Segue-se, às 19h00As Estações, de Maureen Fazendeiro, uma obra contemplativa sobre o Alentejo, construída a partir de depoimentos, imagens de arquivo, lendas, canções e memórias da vida rural.

Tradição e herança portuguesa em destaque

À noite, o especial continua às 20h20 com Em Ano de Safra, documentário de Sofia Bairrão que acompanha o ciclo de extracção da cortiça numa aldeia do centro do país.

O filme observa os ritmos da natureza e o trabalho de uma família ligada a esta tradição, fixando no ecrã um retrato sensível de uma comunidade suspensa entre continuidade e mudança.

O encerramento acontece às 22h00 com A Campanha do Creoula, de André Valentim Almeida.

A obra acompanha uma expedição científica às Ilhas Selvagens a bordo do histórico lugre NRP Creoula, cruzando ciência, memória marítima e a herança da pesca portuguesa na Terra Nova.

Um especial que dialoga com o significado da data

A escolha do 24 de abril para esta programação não é inocente. Ao reunir filmes que reflectem sobre cultura, território, trabalho, história e identidade, o TVCine propõe uma reflexão mais ampla sobre o país e o espaço lusófono no rescaldo das comemorações da Revolução dos Cravos.

É um especial que parece olhar para a liberdade não apenas como acontecimento histórico, mas como processo contínuo de construção de memória e pertença.

“Top Gun 3” está oficialmente em desenvolvimento e Tom Cruise vai voltar a voar

Project Hail Mary — O Filme Mais Surpreendente do Ano que Ainda Não Viram mas Precisam de Ver

Besta Chega aos Cinemas a 30 de Abril — Russell Crowe de Regresso ao Ringue como Treinador

“Top Gun 3” está oficialmente em desenvolvimento e Tom Cruise vai voltar a voar

A Paramount Pictures confirmou aquilo que muitos fãs já esperavam: Top Gun 3 está oficialmente em desenvolvimento, com Tom Cruise pronto para regressar ao papel de Pete “Maverick” Mitchell.

O anúncio foi feito esta quinta-feira durante a apresentação do estúdio na CinemaCon, a convenção anual da indústria em Las Vegas onde os grandes estúdios revelam os seus próximos lançamentos a exibidores e imprensa.

Segundo Josh Greenstein, co-responsável da Paramount Pictures, o filme está já numa fase avançada de escrita.

“Top Gun 3 está oficialmente em desenvolvimento, com o argumento já bastante avançado.”

A confirmação encerra meses de especulação em torno do futuro da saga e reforça a aposta do estúdio numa das suas propriedades mais valiosas.

Tom Cruise regressa ao lado de Jerry Bruckheimer

Greenstein confirmou ainda que Cruise voltará a reunir-se com o produtor Jerry Bruckheimer, figura essencial no sucesso da franquia desde o filme original.

Para já, não foi revelada data de estreia, realizador ou elenco oficial.

No entanto, notícias anteriores apontavam para o regresso de Miles Teller e Glen Powell, os novos “ases indomáveis” apresentados em Top Gun: Maverick.

Outro nome que continua associado ao projecto é Christopher McQuarrie, colaborador habitual de Cruise na saga Mission: Impossible, que já tinha indicado estar a trabalhar no argumento.

O legado de “Top Gun”

O anúncio surge depois do enorme sucesso de Top Gun: Maverick, lançado em 2022, que arrecadou cerca de 1,5 mil milhões de dólares em todo o mundo e se tornou um dos maiores fenómenos de bilheteira da década.

A sequela não só revitalizou a saga iniciada em 1986 com Top Gun, como consolidou Tom Cruise como uma das últimas grandes estrelas capazes de levar massas ao cinema.

O impacto foi tal que Steven Spielberg chegou a elogiar publicamente Cruise por ajudar a trazer os espectadores de volta às salas após a pandemia.

Paramount promete reforçar a aposta no cinema

A apresentação da Paramount na CinemaCon trouxe ainda outras novidades importantes.

Numa aparição surpresa, David Ellison, líder da Paramount Skydance, garantiu aos exibidores que os filmes do estúdio terão uma janela exclusiva de 45 dias nas salas antes de chegarem ao vídeo on demand e 90 dias antes do streaming gratuito.

A declaração foi recebida com aplausos, numa altura em que muitos proprietários de cinemas continuam preocupados com o impacto das plataformas digitais.

Ellison foi ainda mais longe ao afirmar:

“Vida longa ao cinema.”

Mais projectos anunciados: Brad Pitt, zombies e Johnny Depp

A Paramount aproveitou o evento para apresentar outros títulos de peso.

Foi confirmado que a adaptação cinematográfica do videojogo Call of Duty chegará aos cinemas em junho de 2028.

Os participantes puderam ainda ver imagens inéditas de Heart of the Beast, thriller protagonizado por Brad Pitt, no papel de um veterano militar que tenta sobreviver a um acidente de avião no Alasca com o seu cão de combate.

O estúdio revelou também planos para uma sequela de World War Z, embora sem confirmar se Pitt regressará.

Outro momento que deu que falar foi a presença inesperada de Johnny Depp, que subiu ao palco para apresentar Ebenezer: A Christmas Carol, nova adaptação do clássico de Charles Dickens, onde interpreta Scrooge.

O regresso de Maverick está a caminho

Ainda sem data marcada para descolar, Top Gun 3 já é uma das produções mais aguardadas dos próximos anos.

E se há algo que Maverick nos ensinou, é que Tom Cruise continua a sentir… sede de velocidade.

Project Hail Mary — O Filme Mais Surpreendente do Ano que Ainda Não Viram mas Precisam de Ver

Besta Chega aos Cinemas a 30 de Abril — Russell Crowe de Regresso ao Ringue como Treinador

Lee Cronin Tentou Ressuscitar A Múmia — e o Resultado Está Algures entre o Brilhante e o Excessivo

Project Hail Mary — O Filme Mais Surpreendente do Ano que Ainda Não Viram mas Precisam de Ver

Há filmes que chegam com o peso das expectativas. E há filmes que chegam sem avisar e ficam. Project Hail Mary, que abriu nos cinemas americanos a 20 de Março e chegou a Portugal nas semanas seguintes, pertence à segunda categoria — e os seus números de bilheteira continuam a crescer de uma forma que desafia quase tudo o que a indústria julgava saber sobre o que o público quer ver.

O argumento tem duas frases e meia. Ryland Grace, professor de biologia molecular, acorda sozinho numa nave espacial a anos-luz da Terra sem se lembrar de nada. Percebe gradualmente que foi enviado numa missão suicida para descobrir porque é que uma substância desconhecida está a consumir o sol. E conhece Rocky — uma criatura alienígena numa nave paralela que está exactamente na mesma situação, vinda de uma estrela diferente, com o mesmo problema. A história é sobre os dois a tentarem salvar os seus planetas enquanto desenvolvem uma amizade improvável através de uma barreira linguística total. É também, por extensão, sobre o que acontece quando toda a pressão do universo pousa sobre uma única pessoa que não se lembrava de ter-se voluntariado.

O livro de Andy Weir — o mesmo autor de O Marte, que Ridley Scott adaptou em 2015 com Matt Damon — é considerado por muitos leitores de ficção científica como um dos melhores dos últimos anos: rigoroso na ciência, extraordinariamente engraçado, e emocionalmente devastador no último terço. A adaptação ficou a cargo de Phil Lord e Chris Miller — os realizadores de The LEGO Movie e 21 Jump Street —, que fizeram com Project Hail Mary exatamente o mesmo que fazem sempre: pegaram num conceito que não devia funcionar e fizeram-no funcionar completamente.

Ryan Gosling como Ryland Grace é a performance do ano até agora. Não pela gravidade dramática que se esperaria de um filme sobre o fim do mundo — mas precisamente pelo oposto. Gosling encontrou em Grace um homem que processa o terror existencial através do humor, da curiosidade científica e de uma incapacidade genética de aceitar a derrota. É uma performance físicamente contida e emocionalmente generosa, e a química entre Gosling e Rocky — que é uma marioneta operada em set, com os efeitos visuais a completar a imagem — é, paradoxalmente, uma das relações mais convincentes que o cinema de 2026 produziu até agora.

O filme tem 94% no Rotten Tomatoes, CinemaScore A, e está neste momento nos 573 milhões mundiais — a caminho de ultrapassar os 600 e posicionar-se como a ficção científica original mais rentável da última década. Em Portugal, está ainda em cartaz nas principais salas. É raro que um artigo de cinema possa dizer isto com honestidade: este é um dos melhores filmes do ano, e ainda há tempo de o ver em ecrã grande, que é a única forma correcta de o ver.

Besta Chega aos Cinemas a 30 de Abril — Russell Crowe de Regresso ao Ringue como Treinador

Há um género cinematográfico que nunca morre porque nunca deixa de ser verdadeiro: o filme de desporto com alma. Besta, que estreia nas salas portuguesas a 30 de Abril com distribuição pela NOS Audiovisuais, insere-se nessa tradição com uma premissa que combina o universo brutal das artes marciais mistas com uma história familiar de redenção — e tem Russell Crowe, vencedor do Óscar por Gladiador, no papel que a sinopse reserva habitualmente para os actores com mais peso dramático: o treinador.

A história centra-se em Patton James, interpretado pelo australiano Daniel MacPherson — actor conhecido pelo trabalho televisivo em Strike Back e The Orville —, um ex-lutador de MMA que abandonou a carreira para se dedicar à família. Quando o irmão fica gravemente ferido num combate realizado para pagar dívidas, Patton vê-se forçado a regressar ao ringue para o vingar. Mas o regresso implica reconquistar a confiança do treinador — Crowe — e manter a família unida enquanto coloca o corpo e a vida em risco. Luke Hemsworth, o menos famoso mas não menos competente dos três irmãos Hemsworth, completa o elenco principal.

O argumento foi escrito por David Frigerio e pelo próprio MacPherson — um detalhe que sugere um envolvimento com o material que vai além da performance, e que pode explicar a consistência emocional que o realizador Tyler Atkins descreve como central ao projecto. Atkins, realizador australiano com carreira maioritariamente televisiva, abordou o MMA “com um olhar realista e intenso, onde cada combate reflecte conflitos pessoais e familiares” — a fórmula que distingue os bons filmes de desporto dos meramente espectaculares.

Russell Crowe não é novidade no género. Depois de Cinderella Man (2005), onde interpretou o pugilista James Braddock numa das melhores performances da sua carreira, o actor regressou várias vezes a histórias de homens que lutam — literalmente e metaforicamente — para manter a dignidade perante circunstâncias adversas. O papel de treinador em Besta é diferente: é a posição de quem já lutou, já perdeu e aprendeu o suficiente para não querer que outro repita os seus erros. É um papel que exige menos físico e mais presença — e Crowe, nos seus melhores momentos, é exactamente essa presença.

Besta estreia a 30 de Abril. É o tipo de filme que funciona em ecrã grande, num cinema com audiência — o tipo de experiência que os filmes de desporto pedem e que o streaming raramente consegue replicar com a mesma eficácia.

Lee Cronin Tentou Ressuscitar A Múmia — e o Resultado Está Algures entre o Brilhante e o Excessivo

Lee Cronin tem uma carreira que parece desenhada para este momento. O realizador irlandês estreou-se em 2019 com The Hole in the Ground, um horror atmosférico que a crítica especializada recebeu com entusiasmo mas que passou despercebido ao grande público. Em 2023, a New Line deu-lhe Evil Dead Rise — a quarta entrada numa franchise histórica —, e o que Cronin fez foi notável: respeitou o material, actualizou o cenário para um apartamento urbano moderno, e entregou um horror doméstico de uma eficácia brutal que angariou 147 milhões de dólares globais e confirmou que o realizador sabe exactamente como calibrar o medo.

Lee Cronin’s The Mummy — o título coloca o nome do realizador na frente, à maneira dos auteurs clássicos, o que é simultaneamente uma declaração de intenções e um convite ao julgamento directo — parte de uma premissa que tem tudo para funcionar. Uma repórter e o marido investigam o desaparecimento da filha pequena no Egipto. Oito anos depois, recebem uma chamada das autoridades egípcias: a rapariga foi encontrada viva num sarcófago de 3000 anos. A reunião familiar que deveria ser o fim do pesadelo é o início de outro. A criança voltou — mas transformada em algo que não é totalmente humano.

É uma história sobre luto, sobre o que fazemos quando aquilo que esperávamos recuperar não é o que recebemos de volta. É também, nas mãos de Cronin, um horror físico extremamente desconfortável — os críticos que o elogiaram fizeram-no exactamente por isso, e os que o criticaram fizeram-no pela mesma razão. A Associated Press chamou-lhe “um bloodfest de causas perdidas.” O indiewire disse que Cronin “claramente é mais interessado no emocional do que no intelectual — e nesse sentido alcança algo genuíno.” A divisão é real: 45% nos críticos, 77% no público.

O elenco é sólido sem ser estrelar: Jack Reynor, o actor irlandês de Midsommar e Monsters of Man, como o pai; Laia Costa como a mãe; May Calamawy como a arqueóloga que tenta explicar o que está a acontecer; e a jovem Natalie Grace na difícil tarefa de interpretar uma criança que é simultaneamente a mesma que desapareceu e algo completamente diferente. Jason Blum e James Wan produziram através da Blumhouse e da Atomic Monster, numa colaboração que está a construir sistematicamente um novo universo de monstros clássicos reimaginados — depois do sólido Homem Invisível(2020) e do dececionante Wolf Man (2025), A Múmia fica algures no meio.

Com 13,5 milhões de dólares de abertura e um orçamento de apenas 22 milhões, o filme não é um desastre financeiro — na verdade, com os mercados internacionais a contribuírem com 17,5 milhões adicionais já no primeiro fim-de-semana, o break-even está ao alcance. Mas a Blumhouse claramente esperava mais, e o horror de 2026 ainda não encontrou o seu grande momento do ano. Cronin tem o talento. A premissa tinha potencial. O resultado é um horror que funciona melhor como experiência visceral do que como filme — o que, dependendo do que procuram numa tarde de cinema, pode ser exactamente o suficiente ou não ser suficiente de todo.

Projecto Global Chega aos Cinemas Quinta-Feira — Ivo M. Ferreira Revisita as FP-25 com Jani Zhao e Gonçalo Waddington

Há um momento nos anos 80 portugueses que o cinema nunca quis verdadeiramente olhar de frente. As Forças Populares 25 de Abril — grupo armado de extrema-esquerda que entre 1980 e 1987 perpetrou dezenas de atentados, assaltos a bancos e atentados a figuras políticas e empresariais — existem na memória colectiva do país como uma ferida mal encerrada, um episódio incómodo numa democracia jovem que preferia acreditar que os excessos da revolução tinham ficado para trás. Projecto Global, o novo filme de Ivo M. Ferreira, chega aos cinemas na quinta-feira, 23 de Abril, e recusa esse conforto.

Descrita como uma das maiores produções de sempre do cinema português, a longa-metragem passa-se numa Lisboa dos anos 80 onde a euforia do 25 de Abril já se dissipou e o país atravessa uma crise profunda: fábricas fecham, trabalhadores erguem barricadas, a política domina cada esquina. É neste ambiente de sonhos adiados e ideais em colapso que surgem as FP-25 — e é a vida clandestina dos seus membros que o filme acompanha: os assaltos a bancos, os atentados, a amizade, o amor, a perda gradual de identidade de quem abandona tudo e todos excepto os companheiros de causa. Em paralelo, um inspector da polícia que os persegue enfrenta o seu próprio dilema moral. É, nas palavras do próprio realizador, um filme sobre “um sonho de igualdade do qual se é forçado a acordar, e da dificuldade em aceitar a derrota quando as ideias colidem com a realidade, feita de compromissos, interesses, mesquinhez e abdicações.”

O elenco reúne Jani Zhao, Rodrigo Tomás, José Pimentão, Isac Graça, Ivo Canelas e Gonçalo Waddington — um conjunto de actores que cobre gerações diferentes do cinema português e que promete, a julgar pela sinopse, um filme de ensemble no sentido mais exigente do termo. Ivo M. Ferreira, realizador de Cartas da Guerra (2016) — o filme baseado nas cartas de António Lobo Antunes que ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme, o maior prémio do cinema português —, regressa com um projecto de ambição histórica e política claramente maior do que qualquer coisa que fez antes.

Para assinalar a estreia, Ivo M. Ferreira e Jani Zhao vão percorrer várias salas ao longo da primeira semana com sessões especiais seguidas de conversa com o público. A primeira realiza-se na própria quinta-feira à noite, no Cinema Ideal em Lisboa, às 21h15. Ainda no mesmo dia, às 19h00, será apresentado no mesmo espaço o livro As FP-25 e o Pós-Revolução — Normalização e Violência Política, do historiador Francisco Bairrão Ruivo — trabalho de investigação histórica que esteve na base do filme —, com a presença do autor, do realizador e do escritor e jornalista Rui Cardoso Martins.

O calendário de sessões especiais estende-se até 29 de Abril e inclui o Cinema Ideal, o Cinema Fernando Lopes, os Cinemas Charlot em Setúbal, o Cinema Nimas, a Casa do Cinema em Coimbra e os Cinemas NOS Amoreiras. A sessão de 25 de Abril — data evidentemente não escolhida por acaso — realiza-se tanto nos Cinemas Charlot em Setúbal às 16h00 como no Cinema Fernando Lopes em Lisboa às 21h30. É difícil não notar que o filme sobre o que aconteceu depois do 25 de Abril estreia precisamente na semana em que Portugal celebra o que o tornou possível e o que a seguir correu mal.

Projecto Global tem distribuição pela NOS Audiovisuais e chega aos cinemas com 141 minutos de duração — tempo que sugere que Ferreira não quis simplificar nem apressar. O filme dura o que tem de durar.

CinemaCon 2026: O que Ficou Desta Semana Além do Trailer dos Vingadores

Beef T2 Estreou — 87% nos Críticos, Mas o Público Está Mais Frio

Doctor Doom Apanhou o Mjolnir a Mão Nua — e o MCU Voltou a Fazer Barulho

CinemaCon 2026: O que Ficou Desta Semana Além do Trailer dos Vingadores

O CinemaCon terminou na quinta-feira em Las Vegas com quatro dias de apresentações que raramente foram tão densas em informação — e tão carregadas de subtext sobre o estado da indústria. Avengers: Doomsday dominou as conversas, como seria expectável. Mas havia outras histórias a acontecer em simultâneo, e algumas delas são mais importantes para o cinema de longo prazo do que qualquer trailer.

A Warner Bros. abriu um novo selo indie — e a primeira aquisição é Sean Baker

A revelação mais surpreendente da apresentação da Warner na terça-feira não foi Supergirl nem Mortal Kombat II nem o primeiro olhar a Practical Magic 2 com Nicole Kidman e Sandra Bullock reunidas. Foi o anúncio do Warner Bros. Clockwork, um novo selo de cinema independente criado para distribuir filmes de autor que não se encaixam no calendário de blockbusters. E a primeira aquisição do Clockwork é Ti Amo! — o novo filme de Sean Baker, o realizador de Anora, que ganhou a Palma de Ouro e o Óscar de Melhor Filme em 2025. Baker está, neste momento, no pico da sua relevância artística e comercial, e o facto de a Warner ter ido buscá-lo para inaugurar este selo diz tudo sobre a ambição do projecto.

A Paramount prometeu 30 filmes por ano — e ninguém sabe bem o que isso significa

David Ellison, o CEO da Paramount Skydance, subiu ao palco na quinta-feira para fazer aquilo que a Warner se recusou a fazer na terça: falar sobre a fusão Paramount-WBD. Ellison prometeu que a empresa combinada vai lançar até 30 filmes por ano em salas de cinema quando a fusão for finalizada — um número que os exibidores aplaudiram mas que os analistas receberam com cepticismo calculado. O Cinema United aproveitou o CinemaCon para avisar publicamente sobre os riscos de concentração de poder que a fusão representa. Por enquanto, a Paramount trouxe Johnny Depp a apresentar o novo Ebenezer: A Christmas Carol de Tim West e Billie Eilish a promover o seu filme-concerto com James Cameron — dois títulos que coexistem de forma estranha mas confirmam que Ellison quer tanto o prestígio como o populismo.

A Disney revelou que vai fazer o seu próprio IMAX

O anúncio mais estrategicamente importante da semana passou quase despercebido no meio do entusiasmo com Doomsday: a Disney está a lançar o “Infinity Vision”, o seu próprio programa de certificação de ecrãs premium, para competir directamente com o IMAX. Significa que a Disney vai deixar de depender de acordos externos para garantir ecrãs de grande formato nas suas estreias — uma independência que tem implicações enormes para a forma como os filmes da Marvel, Star Wars e Pixar vão ser distribuídos nos próximos anos. Para os cinemas portugueses que têm ecrãs certificados IMAX, é uma notícia que merece atenção: a oferta de formatos premium vai diversificar-se, e as salas vão ter de decidir em quais apostam.

O resto do cardápio: de Ridley Scott a Top Gun 3

A Universal mostrou The Odyssey de Christopher Nolan — Matt Damon como Ulisses, Tom Holland como Telémaco, Anne Hathaway como Penélope —, e Minions & Monsters, o novo capítulo da franchise com vozes de Christoph Waltz e Jeff Bridges. A Paramount confirmou que Top Gun 3 está em desenvolvimento com Tom Cruise — sem data, sem elenco confirmado, mas suficientemente real para gerar aplausos. A Disney revelou Hexed, animação de Acção de Graças com Hailee Steinfeld e Rashida Jones. E o Toy Story 5 estreia a 19 de Junho — logo a seguir a The Mandalorian & Grogu a 22 de Maio, o primeiro filme de Star Wars em salas em anos. A 20th Century apresentou o primeiro trailer de The Dog Stars, o novo filme de Ridley Scott.

O que o CinemaCon 2026 confirmou, no fundo, é que o cinema de sala está a recuperar com uma velocidade que surpreendeu os mais pessimistas. O box office já está 20% acima do mesmo período do ano passado. Os estúdios estão a comprometer-se com janelas de exibição mais longas. E há filmes suficientemente grandes no calendário — de Spider-Man: Brand New Day em Julho a Avengers: Doomsday em Dezembro — para fazer de 2026 um dos anos mais movimentados da última década nas salas de cinema.

Beef T2 Estreou — 87% nos Críticos, Mas o Público Está Mais Frio

A segunda temporada de Beef chegou à Netflix na quarta-feira com aquilo que toda a gente esperava e ao mesmo tempo temia: é boa. Muito boa, em alguns momentos. Mas não é a primeira temporada. E essa frase — “não é a primeira temporada” — vai perseguir esta série durante semanas, porque a primeira temporada de Beef tinha 98% no Rotten Tomatoes e era, por qualquer medida razoável, uma das melhores séries da última década.

Os oito episódios com Oscar Isaac, Carey Mulligan, Cailee Spaeny e Charles Melton estrearam no mercado com 87% de aprovação crítica — uma nota que qualquer outra série receberia como triunfo mas que, no contexto de Beef, inevitavelmente parece uma descida. O público foi ainda mais cauteloso: 62% de aprovação na mesma plataforma, um fosso de 25 pontos entre críticos e espectadores que raramente augura bem para o fenómeno cultural que a primeira temporada representou.

O que os críticos elogiaram é consistente: Oscar Isaac como Josh Martín — o director-geral do country club que explode de formas que o ator deixa rip com uma liberdade física e emocional que raramente se vê neste tipo de papel — é a performance da temporada. Carey Mulligan como a mulher exausta que já não consegue manter as aparências é, como sempre, extraordinária. E a premissa — dois casais de classes e gerações diferentes a competirem pela aprovação de uma milionária asiática (Youn Yuh-jung, que faz exactamente o que a série precisava) — tem uma arquitectura de comédia de costumes que a Slate descreveu como “White Lotus encontra Bong Joon-ho”, o que é simultaneamente uma comparação justa e uma forma de dizer que o destino é bom mas o caminho é às vezes tortuoso.

O que os críticos e o público assinalaram com reservas é a escala. A primeira temporada tinha dois personagens, uma premissa simples e uma economia narrativa que fazia de cada episódio um mecanismo de precisão. A segunda temporada tem quatro protagonistas, uma conspiração crescente e uma ambição que o ScreenRant chamou de “falta de coesão em contraste com o storytelling mais apertado do antecessor.” A NPR foi mais gentil — “menos raro mas ainda bem passado” — mas chegou essencialmente à mesma conclusão: Lee Sung Jin quis fazer algo maior, e às vezes o maior funciona, e às vezes perde-se o fio.

O que é inegável é que a série mantém o que a tornou original: o humor ácido, a capacidade de fazer personagens comportarem-se da pior maneira possível de formas que são ao mesmo tempo horríveis e completamente compreensíveis, e a recusa em julgar os seus protagonistas mais do que o necessário. Beef continua a ser sobre raiva — sobre o que fazemos com ela, sobre de onde vem, sobre o custo de a deixar acumular sem examiná-la. A segunda temporada muda o cenário e o elenco mas não a pergunta central. E essa pergunta continua a ser boa o suficiente para valer oito episódios.

A questão que fica no ar é se Beef vai conseguir repetir o impacto cultural de 2023 — a série que toda a gente viu num fim-de-semana e sobre a qual toda a gente tinha opinião na segunda-feira. Os números iniciais vão dizer muito. Por agora, o que existe é uma boa série com um elenco extraordinário que carrega o peso de uma primeira temporada quase perfeita. Não é pouca coisa.

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Doctor Doom Apanhou o Mjolnir a Mão Nua — e o MCU Voltou a Fazer Barulho

Há momentos em que uma sala de cinema para completamente. Na quinta-feira à noite, no Dolby Colosseum do Caesars Palace em Las Vegas, foi quando Doctor Doom estendeu a mão e apanhou o martelo de Thor sem fazer esforço. A sala de exibidores — pessoas que viram tudo, que aplaudem com educação profissional e raramente se deixam levar — explodiu. Robert Downey Jr., que tinha entrado em palco ao som dos Rolling Stones com “Sympathy for the Devil”, sorriu. E o MCU, que nos últimos dois anos andava a recuperar fôlego depois de uma fase irregular, confirmou que está de volta em força.

O primeiro trailer completo de Avengers: Doomsday — previsto para 18 de Dezembro de 2026 — foi exibido em exclusivo no CinemaCon na quinta-feira, com Robert Downey Jr. e Chris Evans em palco a apresentá-lo. Não foi lançado publicamente após o evento, ao contrário do que acontece habitualmente. A Disney quis que o primeiro contacto do mundo com o trailer fosse nos cinemas — e os teasers anteriores, que totalizaram mil milhões de visualizações combinadas, serviram exactamente para construir essa expectativa.

O que o trailer mostrou foi, por qualquer medida, impressionante. Doctor Doom — interpretado por Downey Jr. com máscara metálica e um sotaque vagamente da Europa de Leste que ele próprio descreveu como “três moves à frente de toda a gente” — surge a preparar uma invasão do multiverso enquanto os heróis do MCU tentam perceber com o que estão a lidar. Thor (Chris Hemsworth) avisa os companheiros que vão precisar de um milagre. Patrick Stewart aparece como Professor Xavier a olhar pela janela da X-Mansion enquanto uma luz intensa anuncia o perigo. Gambit de Channing Tatum e Shang-Chi lutam lado a lado. Mystique (Rebecca Romijn) transforma-se em Yelena Belova, gerando um combate Florence Pugh contra Florence Pugh que a internet vai consumir durante semanas. E então Doom apanha o Mjolnir. Com a mão nua.

Chris Evans, que entrou em palco como surpresa, disse apenas: “Este tipo — não gosto.” É exactamente o tipo de linha que Evans sabe entregar e que a audiência recebe como gasolina. Joe Russo, que co-dirige o filme com o irmão Anthony a partir de um argumento de Michael Waldron e Stephen McFeely, descreveu Doom como “não simplesmente um vilão — uma das personagens mais complexas da Marvel. Está sempre três jogadas à frente.” Kevin Feige, presidente da Marvel Studios, disse que Doomsday retoma onde Endgame ficou — e que a apresentação dos Vingadores aos X-Men é algo que tem estado a trabalhar desde que a Disney adquiriu os direitos da Fox.

Há uma questão logística que o trailer também resolveu silenciosamente. As especulações sobre se Avengers: Doomsday mudaria a data de estreia de 18 de Dezembro — porque os ecrãs IMAX estão comprometidos com Dune: Parte Três durante três semanas — desapareceram quando a Disney anunciou o seu próprio formato premium, “Infinity Vision”, que vai competir directamente com o IMAX. O programa certifica ecrãs em todo o mundo com padrões equivalentes, dando à Disney independência para garantir estreias em grande formato sem depender de acordos externos. É uma jogada de longo prazo que vai muito além de Doomsday — é a Disney a construir a sua própria infraestrutura de exibição premium.

O trailer ainda não foi lançado publicamente no momento em que este artigo é escrito. Quando sair — e vai sair em breve, porque a Disney não resiste à pressão das redes sociais —, vai ser o evento de marketing do ano. Não é exagero dizer que Avengers: Doomsday tem o potencial de ser o maior filme de 2026. Os Russos, Downey Jr., Evans, Stewart, Tatum como Gambit — é uma reunião que seria impossível há cinco anos e que agora parece inevitável.

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Val Kilmer regressa ao cinema através de Inteligência Artificial em “As Deep as the Grave”

O debate em torno da Inteligência Artificial em Hollywood acaba de ganhar um novo e inevitável capítulo. As primeiras imagens de Val Kilmer a regressar ao grande ecrã depois da sua morte foram reveladas esta quarta-feira na CinemaCon, em Las Vegas, através do trailer de As Deep as the Grave.

No vídeo promocional, uma versão digital e rejuvenescida do actor surge em cena e pronuncia a frase: “Não tenhas receio dos mortos e não tenhas receio de mim”, numa sequência que está já a gerar forte discussão sobre os limites éticos da tecnologia na indústria do entretenimento.

Um regresso digital que promete polémica

O projecto, realizado por Coerte Voorhees e produzido por John Voorhees, deverá estrear ainda até ao final do ano.

Kilmer, que marcou gerações com papéis em Top Gun, The Doors e Batman Forever, morreu em abril de 2025, aos 65 anos, vítima de pneumonia.

A notícia já tinha ganho relevo no mês passado, quando os responsáveis pelo filme confirmaram que o actor seria recriado através de IA, com o consentimento da família.

O papel que ficou por fazer

As Deep as the Grave acompanha a história dos arqueólogos pioneiros Ann e Earl Morris, interpretados por Abigail Lawrie e Tom Felton.

Originalmente, Val Kilmer tinha sido escolhido para interpretar o Padre Fintan antes da pandemia de COVID-19. No entanto, os seus problemas de saúde, numa altura em que lutava contra um cancro, obrigaram-no a abandonar o projecto.

Com os atrasos provocados pela pandemia e a evolução das ferramentas de IA, os irmãos Voorhees decidiram recuperar a personagem e concretizar o papel através de recriação digital.

Segundo explicaram, o Padre Fintan é uma figura central da narrativa: um dos primeiros missionários católicos a instalar-se na região dos Quatro Cantos, no sudoeste dos Estados Unidos.

Consentimento da família foi decisivo

Os realizadores revelaram que contactaram os filhos do actor, Mercedes Kilmer e Jack Kilmer, que deram aprovação ao projecto.

A família terá ainda disponibilizado acesso ao arquivo de vídeos pessoais do actor, material utilizado para recriar Kilmer em diferentes fases da sua vida.

Segundo os cineastas, o actor tinha discutido com os filhos o seu legado artístico e os projectos que ainda desejava concretizar.

A questão mais sensível de Hollywood

O caso surge num momento particularmente sensível para a indústria. A utilização de Inteligência Artificial foi uma das questões centrais nas greves de Hollywood em 2023, com atores e argumentistas a alertarem para os riscos da utilização descontrolada da tecnologia.

Os irmãos Voorhees garantem ter seguido as directrizes do sindicato SAG-AFTRA, baseadas nos chamados “três C”: consentimento, compensação e colaboração.

Ainda assim, a polémica parece inevitável.

A possibilidade de actores falecidos regressarem ao ecrã através de IA levanta questões sobre ética, direitos de imagem e os limites da criação artística numa era cada vez mais digital.

Para uns, trata-se de uma homenagem cuidadosamente construída; para outros, de uma linha que Hollywood talvez não devesse atravessar.

Preso a 10.000 Metros com Assassinos a Bordo — Viagem de Risco é o Thriller que Precisavas para Este Sábado à Noite

Josh Hartnett num avião cheio de mercenários. Não há saída. Literalmente.

Esquece os planos para este sábado à noite — ou melhor, faz disto o plano. Este sábado, dia 18 de Abril, às 21h30, o TVCine Top estreia em exclusivo Viagem de Risco, um thriller de acção que usa o cenário mais claustrofóbico que existe para te manter colado ao ecrã do início ao fim.

Josh Hartnett — sim, ele está de regresso e melhor do que nunca — interpreta Lucas Reyes, um ex-agente de operações especiais com um passado complicado que aceita o que parecia ser uma última missão simples: identificar e capturar Isha Rao (Charithra Chandran), uma hacker internacional procurada por múltiplas agências, a bordo de um voo de Banguecoque para São Francisco. Missão discreta, sem complicações.

Claro que não.

O que Lucas não sabia é que vários passageiros a bordo são, na verdade, assassinos profissionais com ordens para eliminar Isha antes da aterragem. De repente, o caçador e a caçada têm de confiar um no outro para sobreviver — e descobrir quem está por detrás de tudo isto antes de o avião tocar o chão.

Realizado por James Madigan, com curriculum que passa por Iron Man 2 e Transformers: O Despertar das Feras, o filme destaca-se exactamente pelo que promete: combates em espaços confinados, perseguições pelos corredores do avião e um jogo constante de identidades que mantém o suspense até ao último segundo.

Sábado, 18 de Abril, 21h30, TVCine Top. Também disponível no TVCine+. Cinto apertado.

Hadouken! O Trailer de Street Fighter Chegou e Isto Vai Ser Épico

Jason Momoa, 50 Cent, Roman Reigns e Tupac num único filme. Sim, leste bem.

O jogo de arcade que destruiu mais amizades do que qualquer discussão de futebol está finalmente a caminho do grande ecrã — e desta vez parece mesmo a sério. O trailer e o poster oficial de Street Fighter foram revelados ontem num evento em Las Vegas com o elenco presente, e o que se viu deixou muito pouca margem para dúvidas: isto foi concebido para ser grande. Muito grande.

O realizador Kitao Sakurai mergulha fundo nos anos 90 — o filme passa-se em 1993 — e reúne Ryu (Andrew Koji) e Ken Masters (Noah Centineo) depois de anos afastados, convocados pela misteriosa Chun-Li (Callina Liang) para o brutal World Warrior Tournament. Por detrás do torneio, claro, há muito mais do que parece. Há demónios do passado, rivalidades antigas e ameaças de escala global. E se falharem? Game Over.

Mas o que está mesmo a fazer a internet explodir é o elenco de apoio, que parece montado propositadamente para partir cabeças: Jason Momoa, Curtis “50 Cent” Jackson, Joe “Roman Reigns” Anoa’i, Eric André, Cody Rhodes e ainda David Dastmalchian e o lutador indiano Vidyut Jammwal, entre outros. É o tipo de elenco que só existe quando alguém decidiu não brincar.

E depois há o detalhe que ninguém esperava: o trailer usa uma versão inédita de “Ambitionz Az a Ridah” de Tupac Shakur, criada originalmente para Mike Tyson nos anos 90 e nunca antes utilizada. Sim, mesmo.

Produzido pela Legendary Pictures em parceria com a Capcom e concebido para IMAX®Street Fighter estreia nas salas portuguesas a 15 de Outubro, com distribuição da NOS Audiovisuais. O tempo de espera vai ser longo — mas pelo que o trailer promete, vai valer cada segundo.

As Doce Estão de Volta e Desta Vez Vêm à Televisão — Não Percas Bem Bom Este Domingo

Portugal, 1979. Quatro raparigas. Uma banda. E um país que nunca mais foi o mesmo.

Se cresceste em Portugal ou se simplesmente já ouviste falar das Doce — e é difícil não ter ouvido —, então Bem Bom é o filme que estavas à espera de ver na televisão. E chega este domingo, dia 19 de Abril, às 20h35, no Canal Cinemundo.

Realizado por Patrícia Sequeira, o filme conta a história de como quatro jovens foram recrutadas para formar uma girl band numa época em que esse conceito nem sequer existia em Portugal. Elas sabiam cantar, dançavam como ninguém e — atenção — escandalizavam o país. Em 1979. Com tudo o que isso significava.

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O resultado? Tornaram-se num fenómeno de popularidade sem precedentes na música portuguesa. As Doce foram, antes de existir essa expressão, as primeiras verdadeiras estrelas pop portuguesas.

No ecrã, a história ganha vida com um elenco de luxo nacional: Bárbara Branco, Lia Carvalho, Carolina Carvalho e Ana Marta Ferreira entram na pele das quatro raparigas com uma energia contagiante que faz jus ao legado do grupo. É o tipo de filme que te faz querer ligar a seguir ao pai ou à mãe e perguntar “tu lembravas-te delas?”

Numa época em que toda a gente fala de biopics americanos sobre bandas lendárias, é bom — é muito bom — lembrar que Portugal também tem as suas histórias para contar. E esta merece ser vista em família, no sofá, com o volume bem alto.

Domingo, 19 de Abril, 20h35, Canal Cinemundo. Prepara a nostalgia.

The Gentlemen: a elegância do crime regressa em grande estilo à televisão
 Estreias da Semana: Há terror, autores consagrados e regressos inesperados — mas há um filme que vai dominar as conversas

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RTP2 estreia “The Daily Show” e traz um dos talk-shows mais influentes do mundo para a televisão portuguesa

A RTP2 passou a contar, desde terça-feira, 14 de abril, com um dos formatos televisivos mais emblemáticos da sátira política internacional. O canal público estreou The Daily Show, aposta que reforça a oferta de actualidade e humor na grelha do segundo canal da RTP.

A emissão acontece de terça a sexta-feira, às 20h50, num horário de grande visibilidade para um programa que se tornou, ao longo dos anos, uma referência mundial na forma como comenta a actualidade política, social e mediática.

Além da transmissão televisiva, o formato fica igualmente disponível na RTP Play, permitindo aos espectadores acompanhar os episódios em diferido.

Um clássico da sátira política chega à RTP2

Celebrizado por Jon Stewart, rosto incontornável do programa durante anos, The Daily Show tornou-se um símbolo da crítica satírica à política e à cultura contemporânea, misturando informação, comentário e humor num formato que marcou várias gerações de espectadores.

Ao longo da sua história, o programa destacou-se por desmontar o discurso político e mediático com ironia, rapidez e um forte sentido crítico, tornando-se um espaço incontornável na televisão norte-americana.

Actualmente, o formato apresenta uma estrutura rotativa, com um apresentador diferente em cada dia da semana, mantendo a identidade editorial que o tornou um fenómeno internacional.

Humor, notícias e entrevistas

O conceito mantém a fórmula que lhe deu notoriedade: um olhar mordaz sobre a actualidade, conjugando humor e notícias, sátira política, análise dos media, reportagens e entrevistas a figuras políticas e celebridades de Hollywood.

É precisamente esta combinação entre informação e entretenimento que fez do programa um dos talk-shows mais populares do mundo, influenciando vários formatos posteriores.

Para a RTP2, esta estreia representa também uma aposta num público interessado em actualidade internacional, mas que procura uma abordagem menos convencional e mais crítica.

Uma aposta que reforça a oferta cultural da RTP2

A chegada de The Daily Show insere-se na linha editorial da RTP2, canal que tem vindo a privilegiar conteúdos culturais, documentais e formatos de debate e reflexão.

Ao trazer um programa com este peso mediático, a estação pública aproxima o público português de um dos formatos mais relevantes da televisão contemporânea, num momento em que a sátira política continua a ter um papel importante na leitura do mundo.

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Há séries que entram em cena de forma discreta e há outras que chegam de fato bem cortado, copo de whisky na mão e um sorriso perigosamente confiante. The Gentlemen pertence claramente à segunda categoria. Criada por Guy Ritchie para a Netflix, esta produção recupera o universo do filme homónimo de 2019 e transporta-o para o pequeno ecrã com a mesma energia caótica, humor negro e estilo visual inconfundível que tornaram o realizador britânico uma referência no cinema de crime contemporâneo.

A história acompanha Eddie Horniman, interpretado por Theo James, um militar que regressa a Inglaterra após a morte do pai. À partida, parece tratar-se apenas de uma questão familiar e de herança, mas rapidamente o protagonista descobre que a imponente propriedade aristocrática que acaba de receber esconde um vasto império de canábis subterrâneo. O que poderia ser o ponto de partida para um drama convencional transforma-se rapidamente numa espiral de chantagens, alianças improváveis e confrontos com o submundo do crime britânico. Ao lado de Eddie surge Susie Glass, interpretada por Kaya Scodelario, uma figura inteligente, fria e extremamente carismática, que se torna uma das personagens mais fascinantes da série.

O grande trunfo de The Gentlemen está precisamente na forma como mistura a sofisticação da aristocracia inglesa com o caos do universo criminal. Guy Ritchie joga, mais uma vez, com diálogos rápidos, personagens excêntricas e uma narrativa cheia de reviravoltas, mantendo o ritmo elevado ao longo dos oito episódios da primeira temporada. Há um prazer quase cinematográfico em acompanhar esta colisão entre o mundo dos nobres decadentes e os gangsters modernos, sempre envolvida numa estética requintada, onde cada plano parece pensado ao milímetro.

A série destaca-se também pelo elenco de luxo, que inclui nomes como Giancarlo Esposito, Vinnie Jones e Joely Richardson. Cada personagem contribui para um ambiente onde o perigo e a comédia coexistem de forma surpreendentemente natural. O humor é mordaz, tipicamente britânico, e nunca deixa que a violência ou a tensão dominem completamente a narrativa. Pelo contrário, é precisamente essa dança entre o absurdo e o ameaçador que torna a série tão viciante.

Para os fãs do cinema de Guy Ritchie, esta série é quase uma carta de amor ao seu estilo: homens perigosos em fatos impecáveis, jogos de poder, sarcasmo afiado e cenas de ação filmadas com grande personalidade. Mas mesmo quem não conhece o filme original encontrará aqui uma porta de entrada perfeita para este universo.

Com uma segunda temporada já confirmada, The Gentlemen afirma-se como uma das séries mais divertidas e elegantes dos últimos tempos, provando que, no mundo de Guy Ritchie, o crime nunca perde a classe.

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