Três Palmas de Ouro para ver em casa este mês — e o Cinemundo escolheu as melhores

Com Cannes a abrir esta semana, o Canal Cinemundo fez a curadoria mais oportuna possível: nas quartas-feiras de Maio, a partir das 22h30, três Palmas de Ouro em três semanas. São três filmes que chegaram ao topo do festival mais exigente do mundo em anos diferentes, com linguagens completamente distintas, e que juntos formam um retrato muito honesto do que o cinema contemporâneo pode ser quando funciona no seu estado mais ambicioso.

O Quadrado de Ruben Östlund chega primeiro, a 13 de Maio. A sátira ao mundo da arte contemporânea — um museu de arte moderna em Estocolmo, um curador com uma crise de consciência e uma instalação artística que desafia os limites da performance e da responsabilidade — ganhou a Palma de Ouro em 2017 e continua a ser um dos filmes mais inteligentemente irritantes dos últimos anos. Östlund tem um talento único para construir cenas de desconforto social que não deixam ninguém confortável — nem o protagonista, nem o espectador.

A 20 de Maio é a vez de Parasitas de Bong Joon-ho, o filme que em 2019 fez o que muitos achavam impossível: ganhar a Palma de Ouro e o Óscar de Melhor Filme no mesmo ano, tornando-se no primeiro filme em língua não inglesa a conseguir esse feito. A história da família Kim e da família Park — e do que acontece quando duas realidades económicas completamente diferentes colidem numa mesma casa — é um dos filmes mais bem construídos da última década, com uma segunda metade que redefine completamente o que a primeira tinha estabelecido.

No final do mês, a 27 de Maio, Triângulo da Tristeza — o regresso de Östlund a Cannes, desta vez com uma Palma de Ouro em 2022 — fecha o ciclo. Um cruzeiro de luxo, um casal de modelos, um capitão alcoólico russo e um naufrágio que inverte todas as hierarquias sociais. É mais acessível do que O Quadrado e mais explicitamente político — e tem uma das cenas de jantar mais perturbadoras do cinema recente.

Todos às quartas, a partir das 22h30. O Canal Cinemundo está disponível na MEO (posição 60 HD), Vodafone (posição 77 HD) e NOWO (posição 40 HD).

Jon Bernthal regressa como O Justiceiro esta semana — e é a primeira vez que o vemos desde 2019

Frank Castle é uma daquelas personagens que a Marvel não consegue deixar ir completamente. Jon Bernthal interpretou O Justiceiro pela primeira vez em Demolidor em 2016, ganhou a sua própria série em 2017 e 2019, e quando o Netflix cancelou os títulos Marvel o personagem ficou em suspenso — amado por uma base de fãs que nunca parou de pedir o regresso. Esta terça-feira, 13 de Maio, o Disney+ estreia O Justiceiro: Uma Última Morte, uma apresentação especial Marvel Television que coloca Bernthal de volta ao papel pela primeira vez em sete anos.

A premissa é deliberadamente contida — Frank Castle procura um sentido para além da vingança quando uma força inesperada o traz de volta à luta — e a duração de especial em vez de série completa sugere que a Marvel quer testar o território antes de comprometer com algo maior. É uma estratégia que já usou com Werewolf by Night e The Guardians of the Galaxy Holiday Special — formatos mais curtos que funcionam como porta de entrada para personagens ou tons que o universo principal ainda não explorou.

O que torna este regresso diferente dos outros é o capital emocional que Bernthal construiu no papel. A sua versão de Frank Castle — traumatizada, violenta, moralmente impossível de categorizar como herói ou vilão — é amplamente considerada a mais fiel ao espírito das histórias originais de Garth Ennis nas BD. Quando a série foi cancelada, a campanha dos fãs para o regresso do actor foi uma das mais persistentes da história recente da Marvel. Que o regresso aconteça numa apresentação especial no Disney+ — a plataforma que cancelou a série original no Netflix — é uma ironia que os fãs mais atentos certamente não vão deixar passar.

O Justiceiro: Uma Última Morte estreia a 13 de Maio no Disney+.

“Yellowjackets” termina este ano — e a quarta temporada promete responder ao que ficou por dizer

“Devil May Cry” T2 chega amanhã ao Netflix — e já tem terceira temporada garantida

Steve Coogan conta como entrou no “White Lotus” — e o que Mike White reescreveu do zero depois de Helena Bonham Carter sair

“Yellowjackets” termina este ano — e a quarta temporada promete responder ao que ficou por dizer

Quando Yellowjackets estreou em Novembro de 2021, ninguém esperava que uma série sobre uma equipa de futebol feminino de liceu a sobreviver num acidente de avião se tornasse num dos fenómenos televisivos mais comentados da década. A primeira temporada teve uma pontuação rara de 100% no Rotten Tomatoes. A segunda e a terceira foram as mais vistas da história da série. E agora, com a quarta e última temporada a ser filmada em Vancouver desde Fevereiro deste ano, o fim está à vista — provavelmente no Outono de 2026, no Max em Portugal.

A decisão de encerrar foi dos próprios criadores. Ashley Lyle e Bart Nickerson, que conceberam a série para a Showtime, anunciaram em Outubro passado que a quarta temporada seria o fecho definitivo da história, com uma declaração que dizia tudo sobre a forma como querem terminar: “A história disse-nos que quer acabar, e o nosso trabalho — a nossa responsabilidade — é ouvir.” Não é um cancelamento. É uma conclusão deliberada por quem sabe exactamente o que está a contar.

Para quem não conhece a série, a premissa é mais complexa do que parece. Em 1996, uma equipa de talentosas jogadoras de futebol do liceu sobrevive a um acidente de avião nas montanhas remotas do Canadá e fica retida durante dezenove meses. A série acompanha em simultâneo o que aconteceu nessa floresta — o canibalismo, os rituais, a hierarquia que se formou entre raparigas que não tinham nada para além de si próprias — e as vidas das sobreviventes vinte e cinco anos depois, quando o passado se recusa a ficar onde devia. É horror psicológico, drama de formação e thriller de mistério ao mesmo tempo, e faz tudo isso sem perder o fio nem o humor negro que o torna suportável.

A terceira temporada terminou com Shauna a assumir o lugar de rainha dos antlers e Natalie a enviar finalmente um sinal de socorro das montanhas — e alguém a responder do outro lado. O elenco da temporada final reúne todo o núcleo: Melanie Lynskey, Tawny Cypress, Christina Ricci, Sophie Nélisse, Jasmin Savoy Brown, Sophie Thatcher e Samantha Hanratty. Molly Ringwald junta-se como a mãe de Van, June Squibb num papel ainda por revelar, e Nia Sondaya — que interpretava Akilah em papel recorrente desde a segunda temporada — foi promovida a regular, o que sugere que o mistério à volta da sua personagem, que desapareceu numa cave na terceira temporada sem explicação, vai finalmente ser resolvido.

As três primeiras temporadas estão disponíveis no Max em Portugal. O fecho aproxima-se.

Steve Coogan conta como entrou no “White Lotus” — e o que Mike White reescreveu do zero depois de Helena Bonham Carter sair
IndieLisboa 2026: os vencedores, o cinema português que ganhou e o que ainda pode ser visto esta semana
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Joan Collins tem 92 anos, está a tomar aulas de dança — e quer ir a Cannes mostrar o seu filme

“Devil May Cry” T2 chega amanhã ao Netflix — e já tem terceira temporada garantida

Há um ano, Adi Shankar lançou no Netflix uma adaptação animada de Devil May Cry que ninguém esperava ser assim tão boa. A primeira temporada estreou a 3 de Abril de 2025, chegou ao Top 10 com 5,3 milhões de visualizações nos primeiros três dias, ganhou 96% no Rotten Tomatoes e foi renovada para uma segunda temporada uma semana depois. Amanhã, 12 de Maio, os oito episódios da segunda temporada chegam ao Netflix em simultâneo para todo o mundo.

A segunda temporada, animada pelo estúdio sul-coreano Studio Mir — responsável por The Legend of Korra e Voltron: Legendary Defender — centra-se na relação fracturada entre os irmãos gémeos Dante e Vergil, numa temporada descrita como mais sombria e mais pessoal do que a primeira. O trailer de Abril, que incluía uma sequência de jogo em estilo side-scrolling como referência directa às origens do franchise, ultrapassou os dez milhões de visualizações. E numa demonstração de confiança raramente vista antes da estreia, o Netflix já garantiu uma terceira temporada.

O franchise Devil May Cry da Capcom existe desde 2001 e é um dos pilares do jogo de acção japonês — com Dante, o caçador de demónios de casaco vermelho e espada desmesuradamente grande, como um dos personagens mais reconhecíveis da cultura de videojogos das últimas décadas. A adaptação de Shankar tem tomado liberdades criativas consideráveis em relação ao material original — contexto pós-moderno, reinterpretação da natureza dos demónios — mas com resultados que tanto os fãs de longa data como os espectadores sem qualquer contexto de jogo têm apreciado. Em Abril de 2025, foi reportado que os jogos da série no Steam registaram aumentos de até vinte vezes o número habitual de jogadores após a estreia da série.

Para o leitor português que cresceu com o franchise ou que simplesmente quer perceber porque é que toda a gente está a falar de um caçador de demónios animado, amanhã é o dia. As oito primeiras temporadas estão disponíveis no Netflix para contexto.

Steve Coogan conta como entrou no “White Lotus” — e o que Mike White reescreveu do zero depois de Helena Bonham Carter sair

Steve Coogan revelou ao Deadline que Mike White reescreveu “do zero” a personagem que Helena Bonham Carter ia interpretar na quarta temporada de The White Lotus quando a actriz saiu do projecto. É a primeira vez que alguém envolvido na produção fala abertamente sobre o processo — e o que Coogan descreve é tão revelador sobre a forma de trabalhar de White como sobre os bastidores da série mais comentada do momento.

Bonham Carter estava anunciada em Janeiro como parte do elenco principal e saiu nove dias depois de as câmaras começarem a rodar, em Abril. A HBO confirmou na altura que “a personagem que Mike White criou para ela não se alinhava uma vez em set” — uma formulação que dizia tudo e nada ao mesmo tempo. Coogan, que entrou em substituição, clarifica agora o que aconteceu na prática: White não adaptou a personagem de Bonham Carter para o novo actor. Criou uma personagem completamente diferente, construída especificamente para Coogan e para o que White conhece do seu trabalho. “O Mike é um escritor extraordinário. Quando decidiu reescrever, fê-lo como se estivesse a começar do zero — porque estava”, disse Coogan ao Deadline.

A relação entre Coogan e White tem uma lógica própria que torna a substituição menos surpreendente do que parece. White criou Enlightened para Laura Dern — outra actriz que entrou em substituição de emergência nesta temporada, depois da saída de Bonham Carter — e How Are You? It’s Alan (Partridge) para Coogan, que está nomeado ao BAFTA de Televisão de hoje precisamente por esse papel. Os dois conhecem-se bem o suficiente para que a reescrita tenha sido uma conversa, não uma adaptação.

A quarta temporada de The White Lotus, ambientada em Cannes durante o festival de cinema, tem no elenco Vincent Cassel, Laura Dern, Rosie Perez, Kumail Nanjiani, Heather Graham, Max Greenfield, Frida Gustavsson e Nadia Tereszkiewicz, entre outros. As rodagens decorrem actualmente na Riviera Francesa. A estreia está prevista para 2027.

IndieLisboa 2026: os vencedores, o cinema português que ganhou e o que ainda pode ser visto esta semana

A 23.ª edição do IndieLisboa encerrou ontem à noite no Pequeno Auditório da Culturgest com a entrega dos prémios que coroam onze dias de cinema independente em Lisboa. A boa notícia para quem não acompanhou o festival — ou para quem quer voltar a ver o que ganhou — é que os filmes premiados regressam ao Cinema Ideal esta semana, com sessões de domingo a terça-feira.

O Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa, dotado de 15 mil euros, foi para Barrio Triste de Stillz — um realizador que chega ao IndieLisboa com um filme que, nas palavras do júri, “não se contém em provocar-nos emoções fortes e despoletar raiva, porém há momentos de luz e esperança que nos ligam profundamente à vida daqueles protagonistas”. A menção especial da Competição Internacional foi para Bouchra, de Orian Barki e Meriem Bennani, elogiado pela “frescura” e pela “reconstrução original e evocativa da relação entre uma filha e a sua mãe”. Ambos podem ser vistos amanhã, segunda-feira, no Cinema Ideal — Barrio Triste às 21h30, os filmes de curtas premiadas às 19h30.

Na Competição Nacional, o destaque vai para dois nomes do cinema português que merecem atenção. Cochena de Diogo Allen ganhou o Prémio TVCine para Melhor Longa-Metragem Nacional — dotado de 5 mil euros — com um retrato de comunidade que o júri descreveu como “uma celebração sentida que destaca o calor dos laços familiares e sociais de uma forma profundamente humanista e cinematográfica”. O mesmo filme levou ainda o Prémio Universidades. João Nicolau, por sua vez, ganhou o Prémio de Melhor Realização por A Providência e a Guitarra — o filme com Salvador Sobral que abriu o Festival de Roterdão e que chega ao IndieLisboa com um júri a elogiar “uma abordagem essencial à condição de artista, com um humor inteligente e uma construção narrativa audaciosa e distintiva”. Cochena e as curtas nacionais premiadas podem ser vistas na terça-feira, 12 de Maio, no Cinema Ideal — curtas às 19h30, longa às 21h30.

Na secção Silvestre, My Wife Cries de Angela Schanelec — a realizadora alemã de I Was at Home, But — ganhou o prémio de Melhor Longa-Metragem com uma descrição do júri que capta bem o seu cinema: “à primeira vista parece reservado, deliberadamente distanciado, mas gradualmente revela profundidade e complexidade emocional”. O prémio de curta da mesma secção foi para Lover, Lovers, Loving, Love de Jodie Mack. Nos Novíssimos — a secção dedicada às primeiras obras do cinema português — venceu Abril de Helena, de Maria Moreira e Victor Hugo Oliveira, descrito como um filme sobre “algo que deveria ser dado como garantido, mas que não é: o amor de uma mãe pela filha”. A mesma obra ganhou ainda o Prémio MUTIM, que distingue a curta que melhor contribui para um imaginário cinematográfico não estereotipado.

O IndieLisboa encerra oficialmente esta segunda-feira, 12 de Maio, com a sessão de The History of Concrete de John Wilson na terça-feira à noite no Cinema Ideal às 21h30 — o documentário sobre betão que começou num workshop da Hallmark e acabou num dos títulos mais aguardados do encerramento. Uma boa forma de fechar um festival que, edição após edição, continua a ser o espaço mais importante do cinema independente em Portugal.

“A Quiet Place Part III” começou a rodar em Nova Iorque — e Michael Sarnoski está de volta

Michael Sarnoski confirmou esta semana nas redes sociais que as rodagens de A Quiet Place Part III arrancaram em Nova Iorque — com uma publicação simples que dizia apenas “Here we go!” e uma fotografia de uma rua de Manhattan em silêncio. Para os fãs da franchise de terror da Paramount, foi suficiente.

Sarnoski realizou A Quiet Place: Dia Um — a prequel lançada em Junho de 2024 que fez 261 milhões de dólares globalmente e foi recebida como a melhor entrada da franchise desde o original de John Krasinski. A sua abordagem ao universo — centrada em personagens novos em vez de continuar directamente a história de Evelyn e Marcus Abbott — provou ser a fórmula certa para revitalizar uma série que parecia ter chegado ao limite criativo com A Quiet Place Part II. A Paramount apostou nele para o terceiro filme, e Sarnoski aceitou.

Os detalhes do argumento estão completamente guardados — nem o elenco foi confirmado, nem a trama foi revelada. O que se sabe é que as rodagens decorrem em Nova Iorque, o que sugere um regresso ao ambiente urbano de Dia Um em vez do ambiente rural dos dois primeiros filmes. A data de estreia está prevista para 2027. Para uma franchise que assenta precisamente no que não se diz, é uma quantidade de informação perfeitamente adequada.

Joan Collins tem 92 anos, está a tomar aulas de dança — e quer ir a Cannes mostrar o seu filme
O Diabo Veste Prada 2” voltou a ganhar — e “Mortal Kombat II” ficou logo atrás num fim-de-semana que diz muito
Adolescence” varreu os BAFTA de Televisão — e completou uma temporada de prémios sem precedentes

Joan Collins tem 92 anos, está a tomar aulas de dança — e quer ir a Cannes mostrar o seu filme

Há uma determinação específica que só certos actores têm — a recusa absoluta em deixar de fazer cinema apenas porque o mundo lhes diz que já fizeram o suficiente. Joan Collins, 92 anos, é um caso de estudo nessa determinação. Em declarações ao Deadline esta semana, a actriz britânica revelou que está a tomar aulas de dança para estar em forma para o tapete vermelho de Cannes — onde quer apresentar My Duchess, o projecto que tem desenvolvido há anos e que finalmente parece estar a tomar forma.

My Duchess é descrito como um drama de época centrado numa duquesa britânica — um papel à medida de Collins, que passou décadas a construir uma persona de elegância aristocrática que começa em Dynasty e nunca parou. O projecto tem enfrentado os obstáculos habituais do cinema independente britânico: financiamento intermitente, mudanças de elenco, datas que se deslocam. Mas Collins não desistiu — e as aulas de dança são, segundo ela, parte de uma preparação física que leva com a seriedade que sempre dedicou ao ofício.

Cannes é o sítio certo para apresentar My Duchess. O festival tem uma relação de longa data com os actores que recusam envelhecer discretamente — Jeanne Moreau foi lá até ao fim, Catherine Deneuve continua a aparecer com uma presença que define o tapete vermelho, e Sophia Loren fez uma aparição em 2021 que toda a gente que estava na sala se lembra. Joan Collins na Croisette com o seu próprio filme, aos 92 anos, depois de aulas de dança, é exactamente o tipo de momento que Cannes existe para criar.

“Legends” estreia hoje no Netflix: Steve Coogan lidera a série britânica de crime mais aguardada do mês
“Criaturas Extremamente Inteligentes” estreia hoje no Netflix: Sally Field, um polvo mal-humorado e lágrimas garantidas
Mark Ruffalo e Cooper Raiff em “Hal & Harper”: a minissérie do Sundance que estreia hoje no IndieLisboa antes de chegar ao TVCine

BAFTA de Televisão 2026: “Adolescence” fez história com seis prémios — e a noite teve duas surpresas que ninguém esperava

Quando a cerimónia terminou no Royal Festival Hall em Londres, o número estava lá: seis BAFTA para Adolescence na totalidade da noite — quatro nos Television Awards e dois nos Television Craft Awards realizados há duas semanas. É o maior número de prémios conquistados por uma série numa única edição dos BAFTA de Televisão, superando o recorde anterior de Chernobyl, que tinha ganho nove prémios em 2020 mas distribuídos entre as duas cerimónias com um peso diferente. Para uma série de quatro episódios sobre um rapaz de 13 anos e o que a internet lhe fez, é um resultado que diz tudo sobre o impacto que Adolescence teve no ano televisivo britânico.

Os quatro prémios desta noite foram Melhor Actor Principal para Stephen Graham — o seu primeiro BAFTA individual, numa carreira de décadas de trabalho excepcional —, Melhor Actriz de Apoio para Christine Tremarco, Melhor Actor de Apoio para Owen Cooper e Melhor Série Limitada. Cooper, que com 16 anos se tornou no actor mais jovem a ganhar o prémio de Actor de Apoio na história dos BAFTA, citou John Lennon no discurso de aceitação: “Só precisas de três coisas para ter sucesso: uma obsessão, um sonho — e os Beatles.” Tremarco, visivelmente emocionada, disse: “Sinto-me tão honrada por fazer parte de Adolescence. Carrego este BAFTA alto. Para Hannah Walters e Stephen Graham — obrigada por acreditarem em mim.”

A noite teve duas surpresas genuínas. A primeira foi Narges Rashidi ganhar Melhor Actriz Principal por Prisoner 951, uma série da BBC sobre uma mulher iraniana presa pelo regime — batendo Aimee Lou Wood, Erin Doherty, Jodie Whittaker, Sheridan Smith e Siân Brooke numa das categorias mais competitivas da noite. É o seu primeiro BAFTA. A segunda foi The Studio da Apple TV+ ganhar Melhor Série Internacional, numa categoria que tinha The Bear, Severance, The White Lotus e The Diplomat como favoritos. Seth Rogen, que recolheu o prémio, brincou que “é bom ganhar dramas com uma comédia” e prestou homenagem a Catherine O’Hara, co-estrela da série que faleceu em Janeiro.

Fora de Adolescence, Code of Silence da ITV e BritBox — com Rose Ayling-Ellis no primeiro papel de protagonista, como uma mulher surda cujas competências de leitura labial a levam a ser recrutada pela polícia — ganhou Melhor Série Dramática, a maior surpresa da noite numa categoria que tinha A Thousand Blows, Blue Lights e This City Is Ours. The Celebrity Traitors ganhou Melhor Reality e o Prémio do Momento Memorável votado pelo público — Alan Carr a ganhar o programa, segundo os telespectadores britânicos, foi o momento televisivo mais marcante de 2025. Last One Laughing do Prime Video ganhou Melhor Entretenimento e Melhor Performance de Entretenimento para Bob Mortimer.

O BAFTA Fellowship foi entregue a Dame Mary Berry por Mel Giedroyc e Sue Perkins — uma reunião do trio do Great British Bake Off que o público recebeu com evidente emoção. O Television Special Award foi para Martin Lewis CBE, apresentado pelo seu amigo Richard Osman. Greg Davies, que apresentou a cerimónia, foi excelente — seco, preciso, sem exageros. A observação de que “uma pesquisa rápida de IA” lhe revelou que a televisão começou quando David Attenborough “abraçou um macaco pela primeira vez” — dita enquanto a BAFTA celebrava o centenário do naturalista — foi o melhor momento de humor da noite.

CategoriaVencedor
Melhor Actor PrincipalStephen Graham — Adolescence
Melhor Actriz PrincipalNarges Rashidi — Prisoner 951
Melhor Actor de ApoioOwen Cooper — Adolescence
Melhor Actriz de ApoioChristine Tremarco — Adolescence
Melhor Actor em ComédiaSteve Coogan — How Are You? It’s Alan (Partridge)
Melhor Actriz em ComédiaKatherine Parkinson — Here We Go
Melhor Série LimitadaAdolescence
Melhor Série DramáticaCode of Silence
Melhor Comédia EscritaAmandaland
Melhor Série InternacionalThe Studio
Melhor RealityThe Celebrity Traitors
Melhor EntretenimentoLast One Laughing
Melhor Performance de EntretenimentoBob Mortimer — Last One Laughing
Melhor SoapEastEnders
Melhor DaytimeScam Interceptors
Melhor Cobertura DesportivaUEFA Women’s Euro 2025
Melhor Evento em DirectoVE Day 80: A Celebration to Remember
Melhor Factual EntertainmentGo Back to Where You Came From
Melhor Série FactualSee No Evil
Melhor DocumentárioGrenfell: Uncovered
Momento Memorável (voto público)The Celebrity Traitors — Alan Carr a ganhar
BAFTA FellowshipDame Mary Berry
BAFTA Television Special AwardMartin Lewis CBE

Adolescence está disponível no Netflix em Portugal. Para quem ainda não viu — e para quem quer revisitar depois desta noite — nunca houve melhor altura.

Cannes abre na terça-feira: o que não perder nos primeiros dias do festival

Reese Witherspoon e Selma Blair reuniram-se 25 anos depois de “Legalmente Loira” — e as fotos são tudo

Natalie Portman está grávida — e esta é a primeira vez que fala abertamente sobre a nova relação

Estão abertas as submissões para a 5.ª edição dos Prémios Curtas — a única premiação dedicada exclusivamente ao formato curto em Portugal

O cinema português em formato curto tem casa própria desde 2023. Os Prémios Curtas — criados para distinguir e valorizar as curtas-metragens nacionais independentemente do género ou da escola de origem — abriram esta semana as submissões para a sua quinta edição, e o convite é simples: se fizeste uma curta em Portugal este ano, tens um lugar nesta competição.

A iniciativa nasceu de uma constatação óbvia para quem conhece a realidade do cinema português: as curtas-metragens são quase sempre as primeiras obras de realizadores e realizadoras que virão a definir o cinema nacional nas próximas décadas, mas raramente têm uma plataforma de reconhecimento à sua medida. Os grandes festivais têm secções de curtas, mas a competição é global e o espaço é limitado. Os Prémios Curtas existem precisamente para preencher esse vazio — uma cerimónia anual, em Lisboa, dedicada inteiramente ao formato curto e ao talento nacional.

Esta quinta edição conta com 19 categorias a concurso, que cobrem tanto géneros — ficção, documentário, animação, experimental — como áreas técnicas e artísticas: realização, interpretação, argumento, montagem, fotografia, som, banda sonora, direcção artística, guarda-roupa, caracterização e efeitos visuais. São elegíveis curtas-metragens maioritariamente realizadas em Portugal, com duração máxima de 30 minutos, produzidas ou finalizadas em 2026 — ou que tenham estreado em festivais, mostras ou plataformas de streaming em Portugal durante este ano. As obras em Língua Gestual Portuguesa são aceites desde que incluam legendas em português.

As submissões fazem-se exclusivamente através da plataforma FilmFreeway, onde cada submissão tem um custo de 7 euros — ou 2 euros para obras realizadas em contexto escolar ou universitário. Produtoras ou distribuidoras com múltiplos filmes podem contactar a organização para negociar condições. O prazo de submissão está aberto até ao final de 2026.

O júri será anunciado ao longo do ano, antes das nomeações serem reveladas. A cerimónia de entrega de prémios — que nas edições anteriores decorreu em Lisboa — tem data ainda por confirmar.

Toda a informação em premioscurtas.pt e as submissões em filmfreeway.com/PremiosCurtas.

Cannes abre na terça-feira: o que não perder nos primeiros dias do festival

Faltam quatro dias. O 79.º Festival de Cannes abre a 12 de Maio com The Electric Kiss de Pierre Salvadori na cerimónia de abertura no Grand Théâtre Lumière, e nos onze dias que se seguem Park Chan-wook e o seu júri vão ter de escolher uma Palma de Ouro entre 22 filmes que, pelo menos no papel, incluem alguns dos trabalhos mais aguardados dos últimos anos.

Os primeiros três dias são os mais importantes para perceber o estado geral do festival. A 13 de Maio, Hope de Na Hong-jin — o thriller de ficção científica com Alicia Vikander, Michael Fassbender e Hoyeon que toda a gente aponta como favorito à Palma — estreia na Competição Oficial. É o regresso do realizador de The Wailing após uma década de silêncio, com um dos maiores orçamentos de sempre no cinema coreano e o director de fotografia de Parasite por detrás da câmara. Se corresponder à expectativa, o tom do festival fica definido logo no primeiro fim-de-semana.

A 14 de Maio, Fatherland de Pawel Pawlikowski — com Sandra Hüller como a filha de Thomas Mann numa viagem pela Alemanha em ruínas do pós-guerra — é a segunda grande estreia da Competição. Pawlikowski ganhou o Óscar de Melhor Filme Internacional por Ida em 2015 e foi a Cannes com Cold War em 2018; conhece o festival e o festival conhece-o. Hüller vem de uma temporada de prémios em que foi nomeada ao Óscar por Anatomia de uma Queda e por Zona de Interesse em simultâneo — uma façanha sem precedentes. É uma das presenças mais aguardadas na Croisette este ano.

Fora da Competição, os primeiros dias têm Propeller One-Way Night Coach de John Travolta nas Cannes Premières — a estreia do actor como realizador, com um filme dedicado ao filho Jett — e nas Cannes Classics, John Lennon: The Last Interview de Steven Soderbergh, um documentário sobre a entrevista que Lennon deu 48 horas antes de ser assassinado. É o tipo de título que passa discretamente pelo festival e que toda a gente lamenta não ter visto quando chega ao streaming meses depois.

Em Un Certain Regard, Victorian Psycho de Zachary Wigon — com Maika Monroe como uma governanta vitoriana que começa a dar nas vistas pelas razões erradas — estreia a 15 de Maio e é o filme de género mais aguardado das secções paralelas. Para quem segue Cannes a partir de Portugal, a cobertura da imprensa especializada começa na segunda-feira e os primeiros veredictos reais chegam na terça. É a semana mais importante do calendário cinematográfico do ano.

Os BAFTA de Televisão são amanhã — e “Adolescence” parte como favorito em quase tudo
Reese Witherspoon e Selma Blair reuniram-se 25 anos depois de “Legalmente Loira” — e as fotos são tudo
Natalie Portman está grávida — e esta é a primeira vez que fala abertamente sobre a nova relação

“Criaturas Extremamente Inteligentes” estreia hoje no Netflix: Sally Field, um polvo mal-humorado e lágrimas garantidas

Shelby Van Pelt publicou o seu romance de estreia em 2022 sem grande fanfarra. Quatro anos depois, Remarkably Bright Creatures vendeu mais de quatro milhões de exemplares, tornou-se num dos livros mais recomendados em clubes de leitura de toda a Europa e chega hoje ao Netflix numa adaptação que a crítica recebe com a mesma divisão afectuosa com que o público recebeu o livro: uns adoram sem reservas, outros adoram com reservas, e quase ninguém fica indiferente.

A história é de uma simplicidade aparente que esconde considerável profundidade emocional. Tova Sullivan (Sally Field) é uma viúva de meia-idade que trabalha no turno nocturno de limpeza de um pequeno aquário na costa do Pacífico americano. O seu único companheiro de turno é Marcellus, um polvo gigante de voz azeda e opiniões ainda mais azedas sobre a espécie humana — e sobre Tova em particular, a quem considera “tolerável, ao contrário da maioria”. Marcellus é interpretado por Alfred Molina, que empresta ao papel uma combinação de arrogância e ternura que é, de longe, o maior passo de magia do filme. Quando Cameron (Lewis Pullman), um jovem músico desempregado à procura do pai que nunca conheceu, entra no aquário por acidente e acaba contratado como auxiliar de Tova, os três formam uma aliança improvável que vai revelar segredos que ninguém esperava.

A crítica do Deadline chama-lhe “funny, wise and moving”, elogiando especialmente Alfred Molina e a química entre Field e Pullman. O Hollywood Reporter é mais cauteloso: “A poor octopus movie but a charming human one” — o que é, ao mesmo tempo, uma crítica e um elogio. O Rotten Tomatoes situa-se nos 74% e o Metacritic nos 57, uma diferença que reflecte exactamente essa divisão: a crítica mais exigente encontra contrivances e sentimentalismo fácil; o público encontra exactamente o que procurava. A realizadora é Olivia Newman, cujo historial em adaptações de literatura popular — Where the Crawdads Sing — sugere uma competência específica neste território: respeitar o livro sem o fotografar.

Field rodou a cena climática do filme numa chuva intensa numa doca em Vancouver, durante duas noites, sem hesitar. “Sally foi uma trouper. Não foi fácil, mas ela é uma actriz tão comprometida que queria que fosse o mais verdadeiro possível”, disse a realizadora. É o tipo de detalhe que diz tudo sobre uma actriz — e sobre um filme que, com todas as suas imperfeições, foi feito com seriedade.

“Legends” estreia hoje no Netflix: Steve Coogan lidera a série britânica de crime mais aguardada do mês

Brady Corbet vai fazer um filme sobre misticismo americano — e Selena Gomez pode ser a protagonista

Novo “Planeta dos Macacos” confirmado com o realizador de “Quarteto Fantástico”

Novo “Planeta dos Macacos” confirmado com o realizador de “Quarteto Fantástico”

Matt Shakman tem um verão muito ocupado. Quarteto Fantástico: Primeiros Passos estreia a 24 de Julho nos cinemas portugueses — e antes de a sala sequer esfriar, a 20th Century Studios confirmou ontem que o realizador vai fazer o próximo filme do Planeta dos Macacos. Josh Friedman, o argumentista de A Guerra dos Mundos de Spielberg e de Avatar: O Caminho da Água, escreve o guião.

O anúncio chega num momento de saúde invulgar da franchise. O Reino do Planeta dos Macacos (2024), realizado por Wes Ball, fez 397 milhões de dólares globalmente — um número que surpreendeu a indústria dado o hiato desde A Guerra do Planeta dos Macacos (2017) e relançou a série com uma nova geração de personagens, vários séculos depois dos eventos da trilogia de Caesar. O novo filme de Shakman continuará esse fio narrativo, mas os detalhes da trama são ainda desconhecidos.

Shakman tem um perfil que a 20th Century claramente valoriza: é um realizador confortável em projecto de grande escala — WandaVisionAndor, o próximo Quarteto Fantástico — mas com uma atenção à dinâmica de personagem e ao ritmo dramático que distingue o seu trabalho do blockbuster mais genérico. No contexto do Planeta dos Macacos, onde a força das últimas trilogias veio precisamente da profundidade emocional dos protagonistas, é uma escolha que faz sentido.

Friedman é o nome que mais entusiasma os fãs da franchise: o seu trabalho em Avatar mostrou que consegue construir mundos complexos sem perder o fio narrativo central, e o histórico do Planeta dos Macacos — que inclui alguns dos argumentos de ficção científica mais bem construídos do cinema americano — merece essa qualidade de escrita. Data de estreia ainda não confirmada, mas a produção está prevista para arrancar em 2027.

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Scarlett Johansson vai fazer um filme com Ari Aster — e a A24 continua a apostar nele apesar de tudo

Ari Aster tem um currículo invulgar: dois filmes aclamados e rentáveis (Hereditary e Midsommar), dois filmes aclamados e deficitários (Beau Is Afraid e Eddington), e uma A24 que continua a financiá-lo. Scapegoat será o quinto — e desta vez com Scarlett Johansson à frente.

A notícia foi confirmada ontem pelo Deadline: Johansson é a primeira actriz a juntar-se ao projecto, que Aster escreveu e vai realizar, com produção da Square Peg, a sua empresa com Lars Knudsen. A A24 distribui, como em todos os seus filmes anteriores. O argumento — naturalmente — está completamente guardado. O título é a única pista: Scapegoat, o bode expiatório, sugere que Aster não abandonou os seus territórios favoritos de paranóia, culpa e violência social. Seja horror, ficção científica ou outra coisa qualquer, a armadilha só revela a sua forma depois de se fechar.

O detalhe que torna o anúncio mais rico é o contexto de Johansson. A actriz está neste momento em rodagens de The Exorcist com Mike Flanagan para a Universal — o seu segundo grande horror no espaço de poucos meses — e tem The Batman Part II marcado para o verão. Vai também a Cannes com Paper Tiger de James Gray. Tem Ray Gunn de Brad Bird em pós-produção. E dirigiu o seu próprio primeiro longa-metragem, Eleanor the Great. Num momento em que poderia escolher qualquer projecto, escolheu Aster. Segundo o Deadline, foi a primeira escolha do realizador, e Johansson leu o argumento e quis começar o mais depressa possível. As rodagens estão previstas para o final de 2026 para acomodar a agenda existente.

Para a A24, Scapegoat é também uma aposta de continuidade numa relação que a lógica puramente comercial já poderia ter encerrado. Beau Is Afraid custou 35 milhões e fez 4,5 milhões na bilheteira. Eddington custou 30 milhões e fez 13,7 milhões. Mas a A24 não é uma distribuidora que abandona os seus realizadores quando os números não batem certo — e Aster, com a sua capacidade de criar expectativa a partir do nada, continua a ser um dos activos mais valiosos do cinema independente americano. Johansson a protagonizar um filme de Aster é exactamente o tipo de projecto que não precisa de sinopse para gerar conversa.

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Demi Moore, Ruth Negga e Chloé Zhao completam o júri de Cannes — e Jacob Elordi saiu por lesão

O júri completo da Competição Oficial do 79.º Festival de Cannes foi confirmado ontem — e chegou com uma alteração de última hora. Jacob Elordi, que estava inicialmente previsto como membro do painel, retirou-se por lesão antes de o anúncio ser feito. O seu lugar foi preenchido pelo actor camaronês Isaach De Bankolé, presença habitual em filmes de Claire Denis e Jim Jarmusch.

Park Chan-wook preside. Juntam-se-lhe Demi Moore, a actriz irlandesa Ruth Negga — nomeada ao Óscar por Loving(2016) —, a realizadora Chloé Zhao (NomadlandEternals), o actor sueco Stellan Skarsgård, o realizador chileno Diego Céspedes, a realizadora belga Laura Wandel (Playground), o argumentista Paul Laverty — colaborador de toda a carreira de Ken Loach, com duas Palmas de Ouro no currículo — e Isaach De Bankolé.

É um júri geograficamente diverso e com perspectivas muito diferentes sobre o que o cinema pode ser. Demi Moore regressa à Croisette menos de doze meses depois de ter estado em competição com A Substância — o body horror de Coralie Fargeat que ganhou o Óscar de Melhor Argumento e que foi um dos filmes mais discutidos de Cannes 2025. Skarsgård vem de Sentimental Value de Joachim Trier, que ganhou o Grand Prix no ano passado e lhe valeu uma nomeação ao Óscar. Chloé Zhao, coming off Hamlet — o seu regresso ao cinema independente depois de Eternals — traz uma leitura do cinema que equilibra a sensibilidade de autor com o apelo popular.

A Palma de Ouro será entregue a 23 de Maio. Com Hope de Na Hong-jin, Paper Tiger de James Gray e Fatherland de Pawel Pawlikowski com Sandra Hüller entre os favoritos, a corrida está genuinamente aberta.

“Gary”: The Bear lançou ontem um episódio surpresa — e Richie e Mikey têm uma história que muda tudo

Sem aviso prévio, sem trailer, sem campanha. Na tarde de terça-feira, o FX colocou no Hulu um novo episódio de The Bear — não como parte da série principal, mas como um título autónomo que só aparece se se pesquisar especificamente por ele. Chama-se “Gary”, dura uma hora, e foi escrito pelos próprios protagonistas.

Ebon Moss-Bachrach e Jon Bernthal — Richie e Mikey na série — co-escreveram o episódio juntos, com o criador Christopher Storer a realizar. É um flashback situado antes dos acontecimentos da primeira temporada: Richie e Mikey numa viagem de trabalho a Gary, no Indiana, que vai revelando as camadas da sua relação e da saúde mental de Mikey com uma profundidade que a série principal nunca teve espaço para desenvolver. A descrição oficial diz que o episódio “recontextualiza a história desde o início” — o que, vindo da produção de The Bear, não é exagero.

O anúncio foi feito por Moss-Bachrach no Instagram, numa publicação que se tornou viral imediatamente: “COUSINS! PRIMOS! CUGINI!!! Preparem-se para GARY!!!!” O tom é celebratório — e faz sentido. Os dois actores estão neste momento também em palco juntos na Broadway, numa adaptação teatral de Dog Day Afternoon, o que torna “Gary” numa espécie de presente paralelo aos fãs de ambas as expressões do seu trabalho conjunto.

The Bear foi renovada para uma quinta e última temporada em Julho de 2025, com estreia prevista para Junho de 2026. “Gary” é o amuse-bouche — a expressão é tentadora num contexto de restaurante — antes da refeição final. Em Portugal, The Bear está disponível no Disney+. “Gary” chegará pela mesma via, embora sem data confirmada.

As estreias de 7 de Maio: Billie Eilish e James Cameron, Hugh Jackman e ovelhas tagarelas e Mortal Kombat de volta

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As estreias de 7 de Maio: Billie Eilish e James Cameron, Hugh Jackman e ovelhas tagarelas e Mortal Kombat de volta

Esta semana o cartaz português tem seis estreias — e a combinação é suficientemente eclética para servir gostos muito diferentes. Da sala de concertos ao torneio de kombat, passando por uma Irlanda romântica e um piano em Paris, o que não falta é variedade.

O título mais inesperado — e provavelmente o mais comentado — é Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D), um filme de concerto co-realizado pela própria cantora e por James Cameron. A colaboração nasceu em Julho de 2025, durante as filmagens dos concertos de Manchester da digressão mundial de Eilish, quando Cameron estava na plateia com mais câmaras do que o habitual. O filme capta os concertos em 3D imersivo, com footage de bastidores e transições cinematográficas criadas especificamente para o grande ecrã — não é um registo de concerto, é uma experiência concebida para a sala. É o primeiro filme de Cameron com co-realizador desde Aliens of the Deep em 2005, e a terceira longa de concerto de Eilish depois de Happier Than Ever (2021) e Live at the O2 (2023). Distribuição NOS Audiovisuais.

As Ovelhas Detetives é a surpresa do cartaz familiar desta semana. O título original — The Sheep Detectives — diz tudo: uma comédia de mistério animada com as vozes de Hugh Jackman, Emma Thompson e Nicholas Braun, realizada por Kyle Balda, o mesmo de Minions e Gru, O Maldisposto. Com 109 minutos e classificação geral, é a escolha óbvia para quem tem crianças e quer uma tarde de cinema sem compromisso. Distribuição Big Picture.

Mortal Kombat II é a sequela do filme de 2021 com Karl Urban a liderar o elenco, realizado por Simon McQuoid. A franchise de videojogos — uma das mais longevas da história dos jogos de luta — regressa às salas com mais reinos, mais alianças e a promessa de combates à escala épica. Distribuição Cinemundo.

Para quem prefere o drama romântico, Amor em Quatro Letras (Four Letters of Love) chega com Fionn O’Shea, Ann Skelly e Pierce Brosnan num filme irlandês baseado no bestseller homónimo de Niall Williams — um romance que combina fantasia, espiritualidade e amor impossível numa paisagem rural irlandesa filmada com a beleza que o género exige. Realização de Polly Steele, distribuição NOS Audiovisuais.

Chopin – Uma Sonata em Paris é a proposta mais clássica da semana: um biopic sobre Frédéric Chopin realizado pelo polaco Michał Kwieciński, com Eryk Kulm no papel do compositor e Joséphine de la Baume como George Sand, a escritora e companheira de Chopin durante anos decisivos da sua vida criativa em Paris. Com 133 minutos e um rigor de produção que passou por vários festivais europeus, é a escolha para quem quer cinema histórico com substância. Distribuição Pris.

Por fim, Capitão Dentes de Sabre e a Condessa de Gral completa o cartaz infantil da semana: uma animação norueguesa baseada na franchise Kaptein Sabeltann — um dos personagens mais populares da cultura popular escandinava — realizada por Rasmus A. Sivertsen, Yaprak Morali e Are Austnes. Classificação M/6, 77 minutos, distribuição Films4You.

Seis filmes, seis géneros. A semana que vem traz A Providência e a Guitarra de João Nicolau com Salvador Sobral, Iron Maiden: Burning Ambition e Teresa – A Madre de Calcutá com Noomi Rapace — mas isso é conversa para daqui a sete dias.

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Jane Fonda despediu-se de Ted Turner: “Amei-o com todo o meu coração”

Actualizado dia 8 de Maio de 2025

Sydney Sweeney é Christy Martin no TVCine — e este é o papel que ninguém esperava dela

Sydney Sweeney construiu a sua carreira em papéis de vulnerabilidade contida — Cassie em Euphoria, Olivia em The White Lotus, a protagonista de Qualquer Coisa Como Amor. O que ninguém esperava era vê-la num ringue de boxe, com luvas, sangue e um corpo que passou meses a transformar para o papel. Christy: A Força de Uma Campeã estreia domingo, 10 de Maio, às 22h00 no TVCine Top e TVCine+, e é o filme que muda a conversa sobre o que Sweeney é capaz de fazer.

A história é real — e é extraordinária. Christy Martin cresceu numa pequena cidade da Virgínia Ocidental sem nenhum destino óbvio e encontrou no boxe uma saída, uma identidade e eventualmente a fama. Nos anos 90, tornou-se na primeira mulher pugilista a aparecer na capa da Sports Illustrated, partilhou cartaz com Mike Tyson em vários dos seus combates mais vistos, e foi durante anos o rosto do boxe feminino americano numa época em que o desporto mal reconhecia a sua existência. Por detrás do sucesso havia outra história: Christy era lésbica numa América que não perdoava isso, especialmente no mundo do desporto de combate, e a pressão social levou-a a casar com o seu treinador, James Martin — interpretado por Ben Foster —, numa relação que foi progressivamente revelando a sua natureza abusiva até chegar a um ponto de rutura literal.

David Michôd realiza — o australiano de Animal Kingdom e The Rover, dois filmes que conhecem bem a violência doméstica e a sobrevivência como temas — e a escolha não é acidental. Michôd tem uma capacidade particular de filmar a tensão que antecede a explosão, a contenção que precede o colapso, e é exactamente esse território que a história de Christy Martin habita. O filme não é sobre boxe. O boxe é o único lugar onde Christy Martin tinha controlo — e é por isso que as cenas no ringue são as únicas em que a personagem respira.

Sweeney preparou-se durante meses com treinadores de boxe profissionais, ganhou massa muscular visível e trabalhou a mecânica do combate com um rigor que se nota em cada cena. Mas a transformação mais impressionante não é física — é a forma como a actriz habita a dissociação de uma mulher que aprendeu a apresentar uma versão de si mesma para o mundo enquanto guardava outra para sobreviver. É o melhor trabalho da sua carreira, num papel que nenhum realizador de Euphoria alguma vez lhe ofereceria.

Domingo, 10 de Maio, às 22h00. TVCine Top e TVCine+.

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Dois vencedores de Óscares numa sala de montagem não é uma combinação que acontece todos os dias. Billie Eilish — quatro Óscares, nove Grammys, a artista mais nova a ganhar os quatro principais prémios da Academia na mesma noite — e James Cameron — o realizador de TitanicAvatar e The Abyss — co-realizaram juntos o filme-concerto que estreia hoje nos cinemas portugueses com distribuição NOS Audiovisuais. O resultado é Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D), e é exactamente tão improvável e tão inevitável quanto parece.

A colaboração nasceu durante a digressão mundial de Eilish em 2025. Cameron estava na plateia de um dos concertos de Manchester — com mais câmaras do que o habitual — e o que começou como uma presença de espectador transformou-se numa parceria criativa. O filme capta os concertos em 3D imersivo, com footage de bastidores e transições cinematográficas concebidas especificamente para o grande ecrã. Não é um registo de concerto transposto para sala — é uma experiência construída para funcionar em formato cinematográfico, com a linguagem visual que Cameron domina como poucos.

Para Eilish, é o terceiro filme de concerto da carreira, depois de Happier Than Ever: A Love Letter to Los Angeles (2021) e Billie Eilish Live at the O2 (2023) — mas o primeiro concebido desde o início como experiência de sala, e o primeiro com um co-realizador com este peso. Para Cameron, é o primeiro projecto com co-realizador desde Aliens of the Deep em 2005, e uma saída radical do universo da ficção científica que o tem ocupado nos últimos vinte anos.

A digressão Hit Me Hard and Soft foi uma das mais marcantes de 2025 — esgotou estádios em quatro continentes, foi descrita pela crítica especializada como a mais ambiciosa da carreira de Eilish em termos de produção visual, e serviu de plataforma de lançamento para o segundo álbum, que gerou os maiores números de streaming da história da plataforma Spotify na semana de estreia. Ver isso no grande ecrã, em 3D, com o som que as salas de cinema proporcionam, é uma proposta diferente de qualquer coisa que Eilish tenha feito antes — e de qualquer coisa que Cameron tenha feito antes também.

Já em cartaz nos Cinemas NOS e UCI em todo o país.

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Jane Fonda despediu-se de Ted Turner: “Amei-o com todo o meu coração”

Ted Turner morreu ontem aos 87 anos. O magnata dos media que fundou a CNN em 1980 — a primeira estação de notícias por cabo a operar 24 horas por dia, numa altura em que toda a gente na indústria dizia que era impossível — deixou um legado que atravessa a televisão, o desporto, o ambientalismo e, inevitavelmente, Hollywood. Jane Fonda, sua ex-mulher durante dez anos, foi das primeiras a reagir publicamente: “Amei Ted com todo o meu coração. Era uma força da natureza — imperfeito, impossível às vezes, mas genuinamente comprometido a tornar o mundo melhor.”

A relação entre Fonda e Turner é um dos capítulos mais coloridos da vida pública de ambos. Casaram-se em Dezembro de 1991, no rancho de Turner no Montana, numa cerimónia surpresa que apanhou a imprensa de surpresa. Durante dez anos foram um dos casais mais visíveis de Hollywood — ele, o cowboy dos media que coleccionava canais de televisão e fazendas; ela, a actriz e activista que tinha acabado de regressar ao cinema depois de um hiato. Divorciaram-se em 2001, com Fonda a dizer mais tarde que a relação a tinha ensinado tanto quanto a destruído. A homenagem de ontem sugere que a destruição ficou para trás há muito.

Para o cinema, Turner importa por razões menos óbvias do que a CNN. Foi através da Turner Entertainment — a divisão que adquiriu em 1986 ao comprar a MGM — que preservou e tornou acessível um dos maiores arquivos da história de Hollywood: mais de 3.600 filmes, incluindo títulos da MGM, RKO, Warner Bros. pré-1950 e Monogram. Foi Turner quem financiou as primeiras restaurações a cores de clássicos como CasablancaO Feiticeiro de Oz e E Tudo o Vento Levou, numa altura em que a indústria não tinha ainda percebido o valor comercial do arquivo cinematográfico. É também responsável pela fundação do Turner Classic Movies — o canal que continua a ser a melhor televisão para cinéfilos no mundo anglófono.

Turner tinha defeitos que ele próprio nunca negou — um temperamento que destruiu mais do que uma relação profissional e pessoal, e uma tendência para a grandiosidade que os seus colaboradores descrevem com uma mistura de admiração e exasperação. Mas o homem que criou a CNN porque achava que as notícias mereciam mais do que meia hora por dia, e que preservou décadas de cinema americano porque achava que o passado merecia ser visto, deixa um vazio que é simultaneamente empresarial e cultural.

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