Poucos filmes de 2026 geraram tanto debate por tantas razões diferentes. O Monte dos Vendavais — título português da adaptação de Wuthering Heights de Emily Brontë realizada por Emerald Fennell — estreou nos cinemas portugueses em Fevereiro, fez 82 milhões de dólares no fim-de-semana de abertura global, foi simultaneamente elogiado e detestado pelos fãs do romance original, e chegou agora ao Max no dia 1 Maio para uma segunda vida em streaming que promete reacender o debate.
O filme de Fennell — realizadora de Promising Young Woman e argumentista de Saltburn — não é uma adaptação fiel. É deliberadamente uma reinterpretação, que privilegia o subtexto erótico e a violência emocional do romance de Brontë em detrimento da narrativa mais convencional. Margot Robbie é Cathy e Jacob Elordi é Heathcliff, numa dinâmica que as críticas mais entusiastas descreveram como “arrebatadora” e as mais cépticas como “esteticamente soberba mas emocionalmente vazia”. O Rotten Tomatoes situa-se nos 60% — número que reflecte exactamente essa divisão — mas o filme teve um desempenho de público muito acima do que a recepção crítica sugeria.
O elenco de apoio inclui Hong Chau, Shazad Latif, Alison Oliver, Martin Clunes e Ewan Mitchell. A fotografia é de Linus Sandgren, que ganhou o Óscar por La La Land, e a banda sonora inclui temas originais de Charli XCX — uma escolha que diz muito sobre a intenção de Fennell de fazer um filme de época com uma sensibilidade decididamente contemporânea. Os figurinos são de Jacqueline Durran, dois Óscares no currículo.
Para quem não o viu em sala — ou para quem quer revisitá-lo com mais distância do ruído do lançamento — a chegada ao Max é a oportunidade. O Monte dos Vendavais é exasperante para muitos, mas raramente indiferente. E no streaming, a indiferença é o único defeito verdadeiramente fatal.
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