Greta Gerwig leva “As Crónicas de Nárnia” aos cinemas antes do Netflix: a plataforma recua na estratégia de streaming directo

É uma inversão de percurso que diz muito sobre o estado do cinema em 2026. O Netflix confirmou que As Crónicas de Nárnia — a adaptação realizada por Greta Gerwig da obra de C.S. Lewis, um dos projectos mais aguardados da plataforma — terá uma estreia teatral completa antes de chegar ao streaming, estreia nos cinemas a 12 de Fevereiro de 2027 e chegada ao Netflix a 2 de Abril do mesmo ano”. O título oficial é Narnia: The Magician’s Nephew, e o anúncio da data foi feito precisamente ontem pelo Netflix — o que torna este artigo ainda mais oportuno.. A decisão abandona o modelo de lançamento directo para plataforma que o Netflix tinha originalmente delineado para o filme.

Greta Gerwig, cujo Barbie fez mais de 1,4 mil milhões de dólares globalmente em 2023 e a transformou na realizadora viva com maior bilheteira de sempre, negoceou a janela de exibição como condição do projecto. A lógica é simples e irrefutável: um filme desta escala, com este nome por detrás das câmaras, tem um valor em sala que não se justifica desperdiçar. O Netflix, que nos últimos anos tem alternado entre a estratégia de streaming directo e a concessão de janelas teatrais para os projectos de maior prestígio, cedeu — e a decisão é um sinal de que a plataforma reconhece que há filmes que precisam do ritual da sala para existirem plenamente.

O projecto adapta as sete obras do ciclo de Lewis, com um universo narrativo que Gerwig quer construir de forma coerente ao longo de vários filmes. O elenco não foi ainda confirmado oficialmente, mas o mercado de Cannes — que arranca a 12 de Maio — deverá trazer as primeiras informações concretas sobre o projecto. O que já é certo é que a chegada de As Crónicas de Nárnia às salas portuguesas em 2027 será um dos eventos cinematográficos do ano. E que Greta Gerwig voltará a ser o centro de tudo.

O elenco confirmado é de peso considerável. Emma Mackey — que trabalhou com Gerwig em Barbie — interpreta Jadis, a Feiticeira Branca, numa versão mais jovem da personagem que Tilda Swinton imortalizou em 2005. Daniel Craig é o Tio André, o excêntrico familiar de Digory Kirke. Meryl Streep empresta a voz a Aslan. Carey Mulligan é Mabel Kirke, a mãe de Digory. Os dois protagonistas infantis — Digory e Polly — são interpretados pelos jovens actores David McKenna e Beatrice Campbell. Completam o elenco Ciarán Hinds, Denise Gough, Kobna Holdbrook-Smith e Susan Wokoma. A partitura original é de Mark Ronson e Andrew Wyatt, que já tinham colaborado com Gerwig em Barbie, com figurinos de Jacqueline Durran — dois Óscares no currículo.

A bilheteira americana de 2026 vai 14% acima do ano passado: o verão pode ser o melhor da última década
“Hokum”: o filme de terror com 91% no Rotten Tomatoes que ficou na sombra do “Diabo Veste Prada”
Dune: Parte Um — O épico que o cinema merecia
As Estreias de 30 de Abril: IndieLisboa a começar … e um regresso que esperou vinte anos