“Hokum”: o filme de terror com 91% no Rotten Tomatoes que ficou na sombra do “Diabo Veste Prada”

Há semanas em que o cinema de grande escala engole tudo o que está ao lado. Esta foi uma delas. Enquanto O Diabo Veste Prada 2 ocupava todos os ecrãs e toda a atenção mediática, Hokum — o novo horror de Damian McCarthy, realizador irlandês que já tinha mostrado o que era capaz em Caveat (2020), premiado no SXSW e com distribuição em 2.000 salas nos EUA — estreou praticamente invisível no ruído da semana.

Os números dizem outra coisa: 91% no Rotten Tomatoes e 78 no Metascore. Este segundo valor é particularmente revelador — o Metascore, que agrega críticas de publicações de referência com uma ponderação editorial, é habitualmente mais exigente e mais difícil de comprazer do que o agregador de críticas de audiência. Um 78 no Metascore em horror é um resultado que poucos filmes do género alguma vez atingem.

Adam Scott — melhor conhecido pelo seu papel em Severance, onde a sua capacidade de habitar uma normalidade progressivamente perturbadora se revelou completamente — protagoniza um filme descrito pela crítica como horror de construção lenta e psicológica, que usa a suburbia americana como pano de fundo para algo que se vai tornando cada vez mais difícil de nomear. McCarthy confirma com Hokum o que Caveat apenas prometia: um domínio do terror de atmosfera que é raro e que deve ser seguido de perto.

Hokum estreia em Portugal a 25 de Junho. É tempo suficiente para marcar a data — e para confiar que Damian McCarthy vai fazer exactamente o que McCarthy faz: chegar devagar, instalar-se, e não sair facilmente.

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