Há um realizador português a tomar conta das noites de sábado — e não é por acaso

TVCine presta homenagem a João Botelho com um ciclo obrigatório

Há nomes que não precisam de apresentação… mas merecem sempre ser revisitados. Em Maio, o TVCine Edition faz precisamente isso ao dedicar as noites de sábado a um dos realizadores mais singulares do cinema nacional: João Botelho.

O especial Celebrar João Botelho arranca a 2 de Maio e prolonga-se até ao final do mês, sempre às 22h00, reunindo cinco obras fundamentais de uma filmografia que nunca seguiu caminhos fáceis — nem quis. Mais do que uma simples retrospetiva, este ciclo é um convite a mergulhar num universo onde o cinema dialoga com a literatura, a história e a própria identidade portuguesa.

Um cinema que não se limita a contar histórias

Falar de João Botelho é falar de um autor que construiu um percurso profundamente coerente — e, ao mesmo tempo, constantemente desafiante para o espectador. O seu cinema distingue-se por uma abordagem estética rigorosa, muitas vezes próxima do teatro, onde a palavra tem tanto peso quanto a imagem.

Não há aqui concessões fáceis. Há ritmo próprio, composição cuidada e uma atenção quase obsessiva à forma. E é precisamente isso que torna este ciclo tão relevante: ver (ou rever) estes filmes hoje é perceber como Botelho continua a ocupar um lugar único no panorama cinematográfico português.

Cinco filmes, cinco portas de entrada

O ciclo abre com Tráfico (1998), um retrato duro e fragmentado da sociedade portuguesa dos anos 90, frequentemente apontado como um filme de culto. Segue-se A Mulher Que Acreditava Ser Presidente dos EUA (2003), uma obra satírica e absurda que explora a fronteira entre realidade e delírio político.

No dia 16, chega O Fatalista (2005), talvez um dos exercícios mais exigentes do realizador — uma reflexão filosófica sobre destino e livre-arbítrio, inspirada em Diderot.

A 23 de Maio, o destaque vai para O Ano da Morte de Ricardo Reis (2020), adaptação da obra de José Saramago, onde o universo literário se cruza de forma directa com o olhar cinematográfico de Botelho, num filme que respira poesia e melancolia.

O ciclo encerra com Um Filme em Forma de Assim (2022), uma proposta mais livre e ensaística, que funciona quase como uma reflexão sobre o próprio acto de fazer cinema — e sobre a memória cultural que o alimenta.

Mais do que uma homenagem — uma oportunidade rara

Num tempo em que o consumo rápido domina, este ciclo surge quase como um acto de resistência. Obriga-nos a parar, a escutar, a olhar com mais atenção. E isso, por si só, já é valioso.

Mas há mais: para quem conhece pouco a obra de João Botelho, esta é uma oportunidade perfeita para descobrir um dos autores mais consistentes do cinema português. Para quem já conhece, é um regresso que promete novas leituras.

Sábados com cinema português — como deve ser

Durante todo o mês de Maio, há um ritual que merece ser criado: sábado à noite, televisão ligada, e tempo para um cinema que não se esquece facilmente.

O especial Celebrar João Botelho está disponível no TVCine Edition e também no TVCine+.

E no meio de tantas estreias e novidades, talvez seja mesmo isto que mais importa: voltar a olhar para o que é nosso — e perceber porque continua a fazer tanto sentido.

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Cinema Batalha celebra Alice Rohrwacher e recebe matinés do Cineclube do Porto

Cinema Batalha, no Porto, anunciou uma programação diversificada para dezembro e janeiro, com destaque para uma retrospetiva da obra da realizadora italiana Alice Rohrwacher, sessões do Cineclube do Porto e uma exposição inédita do artista norte-americano Tony Cokes.

Um tributo à realizadora Alice Rohrwacher
A retrospetiva dedicada a Alice Rohrwacher inicia-se em dezembro e prolonga-se até fevereiro, destacando o trabalho da realizadora conhecido por explorar temas como a infância, a ancestralidade e a relação entre o rural e o moderno. Entre os filmes exibidos estão “Corpo Celeste” (2011) e “O País das Maravilhas” (2014), ambos reconhecidos pela crítica e premiados em festivais internacionais.

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Matinés históricas com o Cineclube do Porto
O Batalha retoma ainda a colaboração histórica com o Cineclube do Porto, ativo desde os anos 1940. As matinés quinzenais, aos domingos, começarão a 8 de dezembro com a exibição de “Os Domingos de Cybele” (1962), filme vencedor de um Óscar, que aborda a amizade entre um veterano de guerra e uma criança órfã. Estas sessões são uma oportunidade para revisitar momentos-chave da vida cultural do mais antigo cineclube português.

Uma exposição inédita de Tony Cokes
Além do cinema, o espaço acolherá a primeira exposição individual em Portugal de Tony Cokes, cujo trabalho combina texto, imagem e som para refletir sobre temas como o capitalismo, o consumo e a colonialidade. A exposição inclui uma peça inédita criada especialmente para o evento no Porto.

Outros destaques na programação
O ciclo “Mitologias: Lugares Sagrados, Tempos Míticos” traz filmes emblemáticos como “Cavalgada Heróica” (1939), de John Ford, e “Veredas” (1978), de João César Monteiro. Além disso, o cinema celebra o centenário do poeta Alexandre O’Neill com a exibição de “Um Filme em Forma de Assim” (2022), seguida de uma conversa com o realizador João Botelho.

Toda a programação pode ser consultada em www.batalhacentrodecinema.pt, uma oportunidade para os amantes da sétima arte aproveitarem uma oferta cultural única.