“First Date” ganhou um prémio de turismo na África do Sul — e já soma 23 galardões em 19 países

Uma curta-metragem filmada inteiramente na ilha do Pico, nos Açores, acaba de receber um Troféu de Prata na 8.ª edição do International Tourism Film Festival Africa, realizado em Joanesburgo. First Date, de Luís Filipe Borges, venceu na categoria “Silver Award: Travel and Tourism” por incentivar viagens e turismo aos Açores através de uma história de ficção. É o 23.º prémio da produção, em representações em mais de 60 grandes ecrãs, em 19 países.

Borges estreou-se como realizador com uma comédia romântica deliberadamente clássica — “Sou um velho apaixonado por comédias românticas. Quis estrear-me como realizador com uma narrativa que as honrasse, divertisse o maior número possível de pessoas, dignificasse a extraordinária ilha do Pico e brincasse com alguns clichés desta categoria cinematográfica.” O resultado foi um projecto que nasceu a partir do I Prémio Curta Pico da MiratecArts, com apoio dos três municípios da ilha, da Direcção Regional do Turismo dos Açores e investimento privado.

O percurso de First Date desde a estreia no Montanha Pico Festival em Janeiro de 2025 é o tipo de história que raramente acontece no cinema português de curtas: digressão por festivais em quatro continentes, estreia televisiva na CineMax e presença na plataforma FILMIN desde Maio de 2026. “Este prémio prova, mais uma vez, que o investimento no audiovisual é investir no desenvolvimento económico local, criando uma bela ferramenta de promoção do destino”, nota o produtor Terry Costa da MiratecArts.

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First Date chega à Filmin a 30 de abril: a curta açoriana que conquistou o mundo sem ICA nem distribuidora

O percurso de First Date é, a seu modo, um pequeno conto sobre o que o cinema independente pode fazer quando decide simplesmente acontecer. Rodado em menos de uma semana na ilha do Pico, sem apoio do ICA, sem produtora de grande dimensão e sem agência de comunicação, o primeiro filme de Luís Filipe Borges — mais conhecido como argumentista, escritor e humorista — passou por mais de 60 exibições em grandes ecrãs em todos os continentes, acumulou 22 prémios em festivais de Angola, Brasil, Estados Unidos, Índia e Reino Unido, e passou pelo ShortCutz Lisboa em abril. Esta quinta-feira, 30 de abril, dá o passo seguinte: estreia na Filmin, tornando-se a primeira curta-metragem de Borges a chegar a uma plataforma de streaming.

A história é uma comédia romântica com subversões discretas: Santiago é um lisboeta que finge ser açoriano; Melissa é americana e chegou ao Pico com uma ideia muito clara sobre o que queria encontrar. O que se segue joga com identidade, expectativa e as pequenas mentiras que as primeiras impressões exigem — tudo com a ilha do Pico como cenário, que em First Date nunca é apenas cenário. Cristóvão Campos e Ana Lopes interpretam os dois protagonistas, e a química entre os dois é, segundo a crítica internacional, um dos elementos mais assinalados do filme.

“Ver o First Date chegar à Filmin é fonte de orgulho desmedido”, admite Borges no comunicado de estreia. “Diretamente dos Açores, sem ICA, sem grandes produtoras ou distribuidoras por trás, sem agência de comunicação — honra-nos mais ainda.” O produtor Terry Costa acrescenta que a estreia coincide com o último dia do mês de destaque ao cinema português que a Filmin promoveu durante abril, o que lhe confere um simbolismo adicional.

A escolha da plataforma não é despropositada. A Filmin — com catálogo partilhado entre Portugal e Espanha — posiciona-se como espaço de referência para cinema de autor e produções premiadas em festivais, o que torna First Dateuma adição coerente. Para uma curta que foi construída fora dos circuitos habituais de financiamento e distribuição, chegar a uma plataforma desta natureza representa também uma validação do modelo: é possível fazer cinema português de qualidade a partir de uma ilha dos Açores, sem as estruturas que habitualmente servem de condição prévia para a visibilidade.

O filme continua em simultâneo o seu circuito de festivais e sessões especiais em Portugal e no estrangeiro. A Filmin representa, portanto, não um ponto final mas uma nova porta de entrada — desta vez para quem prefere o sofá ao festival, ou simplesmente não conseguiu chegar a nenhuma das sessões ao vivo.

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