Ari Aster escreveu uma prequela de “Hereditary” — mas diz que nunca parece o momento certo para a fazer

Durante uma sessão de perguntas e respostas na Bleak Week da American Cinematheque, Ari Aster revelou que escreveu uma prequela de Hereditary. “Escrevi uma prequela para este filme”, disse o realizador. “Nunca parece o momento certo. É uma prequela, não uma sequela, por isso não sei para onde isto vai.” 

Hereditary estreou em 2018 com um orçamento de menos de 10 milhões de dólares e fez mais de 90 milhões globalmente, tornando-se na maior estreia de sempre da A24 na altura e num dos filmes de terror mais influentes da última década. A prequela centraria a história em Ellen, a mãe de Annie Graham — a líder do culto pagão que passou gerações a preparar a invocação do rei demónio Paimon, manipulando o genro e os netos como peões de um ritual iniciado décadas antes dos eventos do filme original. 

Aster falou também sobre a sua relação complicada com o sucesso de Hereditary: “De certa forma é muito irritante. Estou a tentar melhorar. Em cada filme que faço sinto-me mais orgulhoso do que no anterior, e no entanto é como retornos decrescentes no que toca à recepção.” O realizador disse que odeia o rótulo “elevated horror” com que habitualmente descrevem o seu trabalho — “É uma caixa em que me puseram, e os fãs de terror ficaram ofendidos. ‘Quem pensas que és?’ Não fui eu que disse.” 

O próximo projecto confirmado de Aster é Scapegoat, com Scarlett Johansson. A prequela de Hereditary fica para já numa gaveta — com argumento escrito, sem estúdio, sem data e sem certeza de que alguma vez chegará ao ecrã. 

“Obsession” fez 148 milhões globais com menos de 1 milhão de orçamento — a história de terror mais improvável do ano
Netflix disse que não vai trabalhar com realizadores que insistem em estreias em sala — e a declaração está a fazer ondas

“Vitória” termina amanhã no Disney+ — o último segredo de Henrique está a chegar

“Tetra : Acreditar de Novo” estreou no Netflix — e chega no momento exacto

O documentário USA 94: Brazil’s Return to Glory estreou hoje no Netflix. É a história do Brasil campeão do mundo em 1994, no Mundial realizado nos Estados Unidos — o ano de Romário, Bebeto, Aldair e o famoso adeus de Baresi que entrou para a história do futebol antes mesmo do jogo terminar. E chega exactamente quando o Mundial de 2026, também nos Estados Unidos, está a dias de arrancar.

Para o público português, o documentário tem um ângulo específico: aquele Brasil de 94 é o mesmo que eliminou Portugal nas qualificações e que definiu uma geração de futebol lusófono que cresceu ao mesmo tempo que Figo, Rui Costa e Joao Pinto. É também o Mundial onde os Estados Unidos chegaram aos quartos de final pela primeira vez em décadas — e onde o país descobriu que o futebol podia encher estádios de 100 mil pessoas.

Com o Mundial de 2026 a começar nos próximos dias, é o documentário certo na altura certa. Disponível no Netflix a partir de hoje.

Setúbal tem o seu primeiro festival de cinema programado pelos próprios habitantes — e começa a 19 de Junho

“Obsession” fez 148 milhões globais com menos de 1 milhão de orçamento — a história de terror mais improvável do ano

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“Obsession” fez 148 milhões globais com menos de 1 milhão de orçamento — a história de terror mais improvável do ano

Obsession foi produzido com um orçamento entre 400 mil e 1 milhão de dólares e acumulou 148 milhões de dólares globalmente. É o maior retorno sobre investimento do cinema de 2026 — e a história por detrás do filme é quase tão boa quanto o filme. 

Curry Barker tem 26 anos e vinha do YouTube — onde publicava vídeos de terror de baixo orçamento que acumularam uma audiência considerável. Quando levou Obsession ao Toronto International Film Festival em Setembro de 2025, a Focus Features pagou 14-15 milhões de dólares pelos direitos de distribuição — o maior valor alguma vez pago por um filme de género no TIFF. É o tipo de aposta que só faz sentido quando se viu o filme e se percebeu que o público vai responder. 

A história segue Bear (Michael Johnston), um tímido funcionário de uma loja de música que faz um pedido num brinquedo de magia que promete conceder um desejo — e pede que a sua amiga Nikki (Inde Navarrette) o ame mais do que a qualquer outra pessoa. O desejo funciona. E o que se segue demonstra a diferença entre amor e obsessão com uma violência que o CinemaScore de A- sugere que o público recebeu exactamente como estava planeado. 

Jason Blum, que mencionou Barker na conferência de produtores da semana passada como um dos nomes da nova geração do terror, tinha razão. Obsession está nos cinemas americanos desde 15 de Maio. A data de estreia em Portugal ainda não foi confirmada.

Spielberg entrou num pub em Soho, bebeu uma Guinness e fez um quiz sobre a sua própria carreira

“Disclosure Day” — Spielberg está de volta, Emily Blunt está fenomenal.

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Netflix disse que não vai trabalhar com realizadores que insistem em estreias em sala — e a declaração está a fazer ondas

Dan Lin, o chairman do Netflix Films, disse esta semana que o streamer “aceitou” que não vai trabalhar com realizadores que insistem em estreias teatrais: “Há um grupo de cineastas que ainda querem o cinema. Esses são realizadores com quem aceitámos simplesmente não trabalhar.” 

É a declaração mais honesta — e mais perturbadora — que alguém em posição de poder em Hollywood fez sobre o futuro do cinema em anos. Lin disse-a numa conferência da indústria sem aparente hesitação, como se fosse uma consequência lógica de uma estratégia de negócio. E no contexto estrito do negócio, é exatamente isso. O Netflix quer filmes que estreiem diretamente na plataforma ou com uma janela teatral mínima — e há realizadores que recusam abrir mão da experiência de sala como condição de distribuição.

O problema é o que a frase implica sobre o futuro do cinema como espaço colectivo. Spielberg — que esta semana estreia Disclosure Day nos cinemas e defendeu publicamente a janela de 45 dias — é o símbolo do outro lado do argumento. Quando Lin disse “há realizadores que ainda querem cinema”, estava a incluir nessa categoria Spielberg, Nolan, Villeneuve e todos os outros que consideram a sala de cinema uma condição criativa, não uma opção comercial. 

A Academia criou esta semana um novo prémio para celebrar o cinema em sala. O Netflix respondeu com esta declaração. O debate sobre onde o cinema vive não vai ser resolvido esta semana — mas raramente foi tão explícito.

“Vitória” termina amanhã no Disney+ — o último segredo de Henrique está a chegar

“Um Profeta” regressa como série — e estreia esta terça-feira no TVCine Edition

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A terceira e última temporada de Vitória terminou ontem, 8 de Junho, no Disney+. A série portuguesa — uma das produções mais ambiciosas da televisão nacional dos últimos anos — chega ao fim com todos os fios narrativos a convergirem para o grande segredo de Henrique que tem sido o motor da terceira temporada.

Vitória acompanhou ao longo de três temporadas a ascensão de Carolina numa empresa familiar marcada por segredos, rivalidades e um poder que nunca é o que parece. A terceira temporada foi a mais sombria — com Carolina cada vez mais isolada e a perceber que as pessoas em quem mais confiava podem ser exactamente aquelas que menos a conhecem.

Para quem acompanhou a série desde o início, foi o fim de uma das ficções portuguesas mais consistentes que chegou ao streaming internacional. Para quem ainda não viu, as três temporadas estão disponíveis no Disney+ — e é exactamente o tipo de série que se vê de uma vez.

“Um Profeta” regressa como série — e estreia esta terça-feira no TVCine Edition

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Jacques Audiard fez Um Profeta em 2009 e ganhou o Grand Prix de Cannes, o César de Melhor Filme e uma nomeação ao Óscar de Melhor Filme Internacional. Era a história de Malik El Djebena — um jovem de origem árabe que entra na prisão sem poder ler nem escrever e sai, anos depois, como um dos criminosos mais poderosos da região. É um dos filmes franceses mais importantes da última década. A série que estreia esta terça-feira, 9 de Junho, às 22h10, no TVCine Edition e TVCine+, retoma esse universo do princípio.

Criada por Abdel Raouf Dafri — o argumentista do filme original — e Nicolas Peufaillit, e realizada por Enrico Maria Artale, Um Profeta T1 é uma expansão, não uma repetição. Malik tem agora origem mauriciana em vez de árabe, está na prisão de Les Baumettes em Marselha, e o seu arco é o mesmo na sua essência: um adolescente sem recursos, sem alianças e sem experiência que aprende a sobreviver num ambiente que pune a fraqueza com uma brutalidade imediata. Quando Massoud, um influente empresário ligado ao crime organizado, lhe oferece protecção em troca de lealdade, Malik percebe que aceitar é um começo — e que os começos neste mundo têm sempre um custo invisível.

Mamadou Sidibé interpreta Malik com a contenção que a personagem exige — alguém que aprende a não revelar o que pensa antes de perceber o que os outros querem. Sami Bouajila, Ouassini Embarek, Salim Kechiouche e Hugo Dillon completam o elenco. A série foi apresentada fora de competição no Festival de Veneza de 2025 e recebeu elogios pela intensidade dramática e pelo rigor na representação das dinâmicas sociais, raciais e económicas da prisão francesa.

Para quem viu o filme de Audiard, é o regresso a um universo que ficou incompleto — o filme terminava com Malik a sair da prisão, mas nunca mostrou como chegou a ser quem era quando saiu. Para quem não viu, é uma entrada directa num dos territórios mais ricos do crime drama europeu contemporâneo. Esta terça-feira, 9 de Junho, às 22h10, TVCine Edition e TVCine+. Novos episódios todas as terças-feiras.

Setúbal tem o seu primeiro festival de cinema programado pelos próprios habitantes — e começa a 19 de Junho

A ideia é simples e radical ao mesmo tempo: e se os filmes de um festival de cinema fossem escolhidos não por especialistas ou curadores profissionais, mas pelas pessoas do bairro? É essa a premissa do Festival do Bairro, que estreia em Setúbal de 19 a 21 de Junho com entrada livre em todas as sessões.

Ao longo do último ano, habitantes da União das Freguesias de Setúbal — de diferentes idades e diferentes bairros — participaram num processo de visionamento e selecção das obras a concurso. Durante o festival, são também eles a votar na melhor longa-metragem e na melhor curta-metragem, com os prémios a serem entregues no domingo às 15h00 na Sociedade Musical Capricho Setubalense. A curadoria é do programador e jornalista de cinema Rui Pedro Tendinha, com apoio da Câmara Municipal de Setúbal.

“Os verdadeiros curadores deste festival foram os habitantes dos diversos bairros da União das Freguesias de Setúbal. Foi uma experiência comunitária que permitiu desenvolver novos olhares sobre o cinema e criar uma ligação mais próxima entre as pessoas e as obras”, sublinha Tendinha.

A programação começa na sexta-feira, 19 de Junho, às 21h45, nos Edifícios Montalvão, com a exibição de Bairro do Povo, de João Bordeira e Sérgio Braz d’Almeida, uma produção da Monstro Colectivo Associação Cultural financiada pela Câmara Municipal de Setúbal no âmbito do programa Viver a Anunciada.

No sábado, 20 de Junho, a Sociedade Musical Capricho Setubalense recebe às 18h00 a sessão de curtas-metragens em competição: Salto de Ana Castro, Chama de Lucas Dutra, Vasco da Gama — O Mar Infinito de Cláudio Jordão e O Menino de Baião de João Seugirdor. Mais tarde, às 21h45, o Largo da Misericórdia recebe a longa-metragem A Memória do Cheiro das Coisas de António Ferreira — um drama intimista sobre um veterano de guerra confrontado com as memórias do passado ao ingressar numa casa de repouso, onde estabelece uma ligação inesperada com a sua cuidadora.

O festival tem como madrinha a actriz Anabela Moreira e encerra no domingo, 21 de Junho, às 15h00, na Sociedade Musical Capricho Setubalense, com a entrega de prémios e a exibição do documentário Festival do Bairro — Uma História de Outros Olhares de Cinema, de Pedro Augusto Almeida, com cerca de 35 minutos. O documentário acompanha o processo de criação do festival e conta com participações de The Legendary Tigerman, Paulo Pires e o escritor Alex Couto.

Todas as sessões têm entrada livre.

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“House of the Dragon” T3 estreia daqui a uma semana — o que esperar e porque é que esta pode ser a melhor temporada

House of the Dragon T3 estreia a 21 de Junho no Max . É a temporada que os fãs dos livros de George R.R. Martin esperavam desde que a série começou: a Dança dos Dragões no seu estado mais brutal, sem possibilidade de recuo.

A segunda temporada terminou com Lucerys morto, Rhaenyra de luto e determinada, e os Negros a perder a vantagem estratégica que tinham. A terceira começa exactamente nesse ponto — e a promessa dos realizadores e argumentistas é de uma temporada mais focada, mais violenta e com menos dispersão narrativa do que a segunda. Matt Smith disse que é “a temporada mais escura de todas”. Emma D’Arcy descreveu-a como “o momento em que Rhaenyra percebe o custo real do que iniciou”.

O trailer final mostrou Aemond sobre Vhagar numa escala de destruição que as temporadas anteriores nunca tinham atingido. Olivia Cooke como Alicent tem nesta temporada o arco mais rico que a personagem alguma vez teve. E há pelo menos uma morte de personagem principal confirmada nas últimas semanas de produção que os fãs dos livros já antecipam há dois anos.

Trump abandonou a entrevista do “Meet the Press” a meio — e Kristen Welker não se mexeu

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Trump abandonou a entrevista do “Meet the Press” a meio — e Kristen Welker não se mexeu

Kristen Welker viajou até Wisconsin para entrevistar o presidente dos Estados Unidos. Trump saiu da entrevista a meio, tirou o microfone e disse “obrigado, querida”. Welker ficou sentada e disse simplesmente: “Viajámos até Wisconsin para esta entrevista.”

A entrevista, emitida ontem no Meet the Press da NBC, começou com Trump a defender um fundo de 1,8 mil milhões de dólares criado pelo Departamento de Justiça para compensar pessoas que consideram ter sido vítimas de “weaponization” governamental — incluindo, potencialmente, pessoas condenadas por assalto a agentes policiais no ataque ao Capitólio de 6 de Janeiro de 2021. Quando Welker perguntou directamente se Trump achava aceitável que pessoas que agrediram polícias recebessem dinheiro dos contribuintes, o presidente respondeu que “170 pessoas que se declararam culpadas fizeram-no porque estavam com medo” — sem provas para a afirmação. Welker assinalou isso. Trump insistiu que havia provas “tremendas”. Welker voltou a pedir provas. O padrão repetiu-se.

Quando a conversa chegou às eleições de 2020 e às alegações de fraude eleitoral na Califórnia, onde os votos por correio continuam a ser contados de acordo com a lei do estado, Trump disse: “Tudo o que tenho de fazer é olhar.” Welker respondeu: “Mas senhor, isso não é prova.” Trump chamou-lhe “torta”, chamou “torta” ao Meet the Press, chamou “torta” à NBC, disse “vamos terminar porque já chega”, tirou o microfone e acrescentou “obrigado, querida” antes de se levantar.

É a terceira vez este ano que Trump abandona ou corta uma entrevista quando confrontado com factos que contradizem as suas afirmações — depois dos episódios com a Fox News em Fevereiro e com a CNN em Abril. O que torna o momento desta semana diferente é a serenidade de Welker. Não perdeu o fio, não elevou o tom, não perseguiu Trump quando ele se levantou. Disse apenas que tinham viajado até Wisconsin para a entrevista. É o tipo de jornalismo que não precisa de ser dramático para ser eficaz.

Kit Harington e Peter Dinklage reuniram-se pela primeira vez em sete anos — “Vamos envergonhar-nos mutuamente”
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Spielberg entrou num pub em Soho, bebeu uma Guinness e fez um quiz sobre a sua própria carreira

Spielberg entrou num pub em Soho, bebeu uma Guinness e fez um quiz sobre a sua própria carreira

Na sexta-feira à noite, Steven Spielberg entrou no The Devonshire em Soho, Londres, acompanhado por Colman Domingo, para uma noite de quiz sobre a sua própria filmografia. O quiz era apresentado por Ali Plumb, crítico de cinema da BBC Radio 1, que ficou visivelmente em choque quando o realizador apareceu na porta. “Organizei um quiz do Steven Spielberg, e o Steven Spielberg apareceu. Sim, eu sei, realmente sei”, escreveu Plumb no Instagram. 

Spielberg, de casaco de cabedal preto e lenço ao pescoço, pegou no telemóvel e leu a primeira pergunta aos clientes do pub: “Qual foi o primeiro filme de ficção científica que realizei?” A resposta, para quem não sabe, é Duel (1971) — o thriller de televisão sobre um homem perseguido por um camião misterioso que antecipou tudo o que Spielberg viria a ser. O co-proprietário do The Devonshire disse à BBC que Spielberg teve “um óptimo tempo” e “adorou mesmo a Guinness”. 

A aparição foi uma jogada de promoção para Disclosure Day, que estreia nos cinemas portugueses a 12 de Junho — o 37.º filme de Spielberg, com Emily Blunt, Josh O’Connor, Colin Firth, Eve Hewson e Colman Domingo numa história sobre a revelação de uma conspiração governamental em torno de OVNIs. As primeiras críticas descrevem-no como “o melhor filme de Spielberg em 20 anos”. Colman Domingo disse que quando leu o argumento “estava a chorar no final” e ligou imediatamente a Spielberg: “Obrigado pela fé que tens em nós. Fé na humanidade.” 

Spielberg tem 79 anos, um Guinness na mão e um filme sobre OVNIs a estrear. Está tudo bem com o mundo.

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“Disclosure Day” — Spielberg está de volta, Emily Blunt está fenomenal.

Disclosure Day chega com o peso de tudo o que o realizador já fez — e carrega-o com mais elegância do que a maioria. Steven Spielberg tem 79 anos, regressou à ficção científica que o tornou quem é, e fê-lo com uma competência e uma generosidade que o cinema de entretenimento raramente atinge. É um filme muito bom. Não é E.T. Não é Encontros Imediatos do Terceiro Grau. E não precisa de ser.

A premissa é simples e eficaz: Margaret Fairchild (Emily Blunt), meteorologista de televisão em Kansas City, é subitamente dominada por uma força extraterrestre em directo durante uma emissão de meteorologia. Daniel Kellner (Josh O’Connor), um whistleblower que leva anos a tentar provar que o governo esconde provas de vida extraterrestre, encontra-a e decide que ela pode ser a chave para revelar a verdade ao mundo. Colin Firth é o homem da corporação Wardex que os persegue. Colman Domingo é o aliado inesperado. John Williams compõe, é a trigésima sétima colaboração com Spielberg, e o score é exactamente o que se espera de Williams em modo Spielberg: presente sem esmagar, emotivo sem manipular.

A crítica do Collider chamou-lhe “a melhor actuação de Emily Blunt de todos os tempos” e “o melhor filme de Spielberg em 20 anos”. É entusiasmo legítimo. Blunt está extraordinária, com uma fisicalidade e uma vulnerabilidade que tornam as cenas mais exigentes genuinamente perturbadoras. O Hollywood Reporter descreveu-o como “profundamente humano, com interpretações à altura e Emily Blunt verdadeiramente maravilhosa”. A crítica do Deadline apontou “o argumento de David Koepp, X-Files encontra a Bíblia, como um acto de equilíbrio de alto risco que funciona”.

O que funciona mesmo: o ritmo, que nunca afrouxa; a relação entre Blunt e O’Connor, construída com o cuidado que Spielberg sempre dedicou aos duos improváveis; e a escala visual de Janusz Kamiński atrás da câmara, que consegue fazer uma perseguição de carro parecer um acontecimento cósmico. O que não é propriamente novo: a conspiração governamental, a inocente envolvida involuntariamente, a corrida contra o tempo para revelar a verdade. São peças que Spielberg domina como ninguém — mas são peças que já vimos.

É o filme perfeito para este momento — com OVNIs na conversa política americana, com um realizador que sempre soube como usar o espectáculo para perguntar coisas sérias, e com uma actriz no topo da sua forma. Vale absolutamente a viagem ao cinema. Quanto a ser o melhor Spielberg em 20 anos — isso depende do quanto entusiasmo está disponível. O que é certo é que é o Spielberg mais confortável e mais generoso em muitos anos. E isso, por si só, já é muito.

Em cartaz nos cinemas portugueses a partir de 11 de Junho.

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James Handy, actor de “Top Gun: Maverick” e “Jumanji”, foi assassinado em Los Angeles — enteado preso

Kit Harington e Peter Dinklage reuniram-se pela primeira vez em sete anos — “Vamos envergonhar-nos mutuamente”

Dinklage abriu a conversa com uma proposta simples: “Vamos envergonhar-nos mutuamente.” É o tipo de frase que só se diz a alguém com quem se passou uma década a trabalhar em condições extremas — e que diz tudo sobre o tom da entrevista que a Variety publicou hoje no formato Actors on Actors, a primeira vez que Kit Harington e Peter Dinklage se sentaram juntos desde o fim de Game of Thrones em 2019.

Sete anos sem se verem. Harington tem agora 39 anos e é actor regular em Industry na HBO. Dinklage tem 56 e esteve recentemente em The Lowdown na FX. A reunião acontece no ano do 15.º aniversário da série e os dois falaram com uma franqueza que raramente se vê nestas conversas promocionais — sobre fama, sobriedade, nudez e o que significa envelhecer depois de teres sido Jon Snow e Tyrion Lannister.

O momento mais revelador chegou quando Dinklage perguntou a Harington o que fez quando a série terminou. “Decidi ir para a reabilitação enquanto o primeiro episódio da oitava temporada estava a ser transmitido, e fiquei lá seis semanas. Precisava de ficar sóbrio.” “Estou muito orgulhoso do trabalho que fiz mas estava a extrair muito, por causa de onde estava na minha vida, puramente da dor”, disse Harington. Dinklage ouviu e reconheceu que a sua experiência foi diferente — tinha uma filha pequena durante grande parte das filmagens e passava o tempo em Belfast a construir uma rotina familiar longe da frenesi crescente em torno da série. 

Houve também leveza. Harington admitiu que está a “fazer muito nudez” nos projectos actuais e que começou a questionar se quer continuar nessa direcção a longo prazo — uma observação que gerou uma das trocas mais divertidas da conversa, com Dinklage a recordar que Tyrion tinha tido a sua quota parte de cenas comprometedoras ao longo dos anos. Dinklage notou que os filhos influenciam agora muitas das suas decisões profissionais, enquanto Harington brincou que começou a questionar quanta nudez os seus filhos vão eventualmente ver. 

Game of Thrones está disponível na íntegra no Max em Portugal. House of the Dragon T3 estreia a 14 de Junho na mesma plataforma.

James Handy, actor de “Top Gun: Maverick” e “Jumanji”, foi assassinado em Los Angeles — enteado preso

James Handy morreu na quarta-feira, 3 de Junho, em Tarzana, Los Angeles, esfaqueado no peito no jardim da sua residência. Tinha 81 anos. O enteado, Michael Gledhill, 44 anos, foi detido pela polícia de Los Angeles e acusado de homicídio. A fiança foi fixada em dois milhões de dólares.

A chamada de emergência foi feita pelo próprio suspeito. Quando a polícia chegou ao local, Gledhill identificou-se imediatamente: “Sou eu a pessoa que procuram.” A frase que disse ao operador do 911 antes da chegada das autoridades — “Sou o filho do homem, acabei de matar o homem do pecado” — sugere um estado mental perturbado que o processo judicial vai certamente explorar.

Para o público que o conhece, Handy é o Bartender Jimmy de Top Gun: Maverick — o homem de meia-idade atrás do balcão do Hard Deck que serve Pete Mitchell e ouve as suas histórias sem julgamento. É uma personagem de poucos minutos mas com uma presença que os fãs do filme recordam. Em Jumanji (1995), interpretou o exterminador chamado à casa dos Parrish numa das cenas mais caóticas do filme. Ao longo de décadas de carreira, passou por NCIS: Los AngelesThe CloserCold Case e dezenas de outros títulos — o tipo de actor que aparece em tudo sem que ninguém saiba o nome, mas cuja presença é sempre reconhecível.

“Não poderia ter pedido um cliente e amigo mais talentoso, humilde e gracioso do que James Handy”, disse Pam Ellis-Evenas, da Ellis Talent Group, em comunicado enviado à Associated Press. É o tipo de frase que a indústria reserva para as pessoas que fazem o trabalho bem, sem drama e sem ego — e que raramente recebem o reconhecimento que merecem quando estão vivos.

Quinta Brunson vai ser Betty Boop — e o neto do criador original diz que “ela é a Betty”

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Jennifer Lopez e Brett Goldstein fizeram uma comédia romântica — e ele escreveu-a a pensar nela

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Marjane Satrapi deixou-nos esta semana — o mundo ficou mais pequeno sem a autora de “Persépolis”

Às vezes as notícias que mais importam demoram a chegar. Marjane Satrapi morreu na quarta-feira, 1 de Junho, aos 56 anos. Não houve comunicado oficial imediato, não houve conferência de imprensa, não houve o aparato mediático que acompanha as mortes de celebridades convencionais. Satrapi nunca foi uma celebridade convencional — era uma artista, e a notícia correu como as notícias sobre artistas correm: devagar, por quem realmente a conhecia, e depois de repente em todo o lado.

Persépolis foi publicado em 2000 e tornou-se num dos romances gráficos mais lidos e mais traduzidos do mundo. Uma autobiografia visual sobre a infância em Teerão durante a Revolução Islâmica, a guerra com o Iraque e o exílio na Europa — contada em traço a preto e branco com uma clareza que nenhuma prosa poderia igualar. Em 2007, Satrapi co-realizou com Vincent Paronnaud a adaptação cinematográfica de animação, com vozes de Catherine Deneuve, Chiara Mastroianni e Danielle Darrieux. O filme ganhou o Prémio do Júri em Cannes e foi nomeado ao Óscar de Melhor Filme de Animação. Era a história da sua família, da sua cidade, do seu país — e ao mesmo tempo de qualquer pessoa que alguma vez foi forçada a deixar tudo para trás.

Vivia em Paris desde os 14 anos mas o Irão nunca saiu do seu trabalho. Fumava constantemente em entrevistas, dizia o que pensava sem filtros, fazia filmes, pintava, escrevia. Realizou As Galinhas em 2011 com Mathieu Amalric. Foi argumentista, professora, figura pública que recusava ser só uma coisa. Tinha 56 anos. Era demasiado cedo.

“Robot Selvagem” estreia esta sexta no TVCine — o filme que fez chorar toda a gente em 2024 chega à televisão

Quinta Brunson vai ser Betty Boop — e o neto do criador original diz que “ela é a Betty”

O “60 Minutes” está em guerra interna — Scott Pelley em confronto com o novo produtor ligado a Trump

“Robot Selvagem” estreia esta sexta no TVCine — o filme que fez chorar toda a gente em 2024 chega à televisão

Robot Selvagem foi um dos filmes de animação mais amados de 2024 — nomeado para três Óscares incluindo Melhor Filme de Animação, aclamado pela crítica e pelo público, e responsável por fazer chorar adultos que juram que não choram em filmes de animação. Estreia esta sexta-feira, 5 de Junho, às 21h30, em exclusivo no TVCine Top e TVCine+. No sábado seguinte, 6 de Junho, às 9h20, a versão dobrada em português.

A história começa com um naufrágio. A robot ROZZUM Unidade 7134 — Roz — acorda sozinha numa ilha selvagem sem qualquer missão definida, rodeada de animais que a temem e rejeitam. Aprende a observar, aprende a comunicar, aprende a adaptar-se. E a vida muda quando encontra um ovo abandonado e se torna protetora de Brightbill, um pequeno ganso órfão que precisa de aprender a voar antes que o inverno chegue. Ao lado da astuta raposa Fink e dos restantes habitantes da ilha, Roz descobre o que significa pertencer a algum lugar — e a alguém.

Chris Sanders realiza — o mesmo que co-realizou Lilo & Stitch e Como Treinares o Teu Dragão, dois filmes que têm em comum com Robot Selvagem a capacidade de falar sobre família e pertença sem nunca soar a sermão. O filme adapta o bestseller infantil de Peter Brown com uma animação visualmente deslumbrante, inspirada em pinturas feitas à mão, que cria um universo natural com uma textura raramente vista no cinema de animação digital. Na versão original, as vozes são de Lupita Nyong’o como Roz, Pedro Pascal como Fink, Kit Connor e Catherine O’Hara.

Para as famílias, sexta à noite ou sábado de manhã — o TVCine tem as duas opções cobertas.

Quinta Brunson vai ser Betty Boop — e o neto do criador original diz que “ela é a Betty”

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Quinta Brunson vai ser Betty Boop — e o neto do criador original diz que “ela é a Betty”

Quinta Brunson — criadora e protagonista de Abbott Elementary, a primeira mulher negra a ganhar sozinha o Emmy de Melhor Escrita em Comédia — vai protagonizar e co-desenvolver um filme sobre Betty Boop, em parceria com Mark Fleischer, neto de Max Fleischer, o criador original da personagem.

O filme não é uma adaptação dos desenhos animados dos anos 30. É a história da relação entre o criador e a sua criação — Max Fleischer a navegar as pressões criativas e comerciais de construir um dos primeiros ícones animados do mundo, “especialmente quando esse ícone começa a ter vida própria”. Brunson interpreta Betty Boop nessa relação, numa estrutura narrativa que mistura o mundo real com o mundo animado.

O timing não é acidental. No início de 2026, as primeiras versões de Betty Boop entraram no domínio público nos Estados Unidos, o que abriu a porta a reinterpretações sem as restrições de licenciamento anteriores. Brunson e Fleischer Studios chegaram rapidamente a acordo para fazer o filme juntos — garantindo que qualquer nova versão de Betty Boop passa pela família que a criou.

“Quinta incorpora o amor pela vida, a inteligência, o humor, a atrevimento e a compaixão de Betty de uma forma que a relação entre ela como Betty e o Max ganhou vida apenas com a menção”, disse Mark Fleischer. O projecto está em desenvolvimento. Data de estreia ainda não confirmada.

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O “60 Minutes” está em guerra interna — Scott Pelley em confronto com o novo produtor ligado a Trump

O programa de jornalismo mais respeitado da televisão americana está em crise. O Deadline reportou ontem que Bari Weiss e a liderança da CBS estiveram em reunião de emergência para decidir como avançar com o 60 Minutes depois de um confronto aberto entre Scott Pelley — o apresentador veterano do programa — e o novo produtor executivo Nick Bilton, numa reunião de toda a redacção.

O contexto é inseparável da mudança de controlo da CBS. A Paramount Skydance, liderada por David Ellison com ligações próximas à administração Trump, tomou o controlo da rede em 2025. O Late Show de Stephen Colbert foi cancelado dias depois de o apresentador chamar ao acordo de 16 milhões de dólares da Paramount com Trump “um suborno enorme”. O 60 Minutes é o próximo capítulo da mesma história.

Pelley representa a tradição do programa — jornalismo de investigação rigoroso, independente de pressões políticas e comerciais. Bilton, o novo produtor executivo nomeado pela nova direcção, representa outra coisa. O que essa outra coisa é, exactamente, é o que a reunião de emergência de Bari Weiss estava a tentar definir. Para o público europeu que acompanha a 60 Minutes como referência do jornalismo americano, é uma notícia perturbadora sobre o estado de uma instituição que sempre pareceu intocável.

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“Clarkson’s Farm” T5 estreou hoje — Jeremy Clarkson tem um novo problema, como sempre

Jeremy Clarkson voltou ao ecrã. A quinta temporada de Clarkson’s Farm estreou hoje no Prime Video e a pergunta não é se vai correr mal — é de que forma nova vai correr mal desta vez.

Depois de quatro temporadas a tentar gerir a Diddly Squat Farm nos Cotswolds com uma combinação de entusiasmo genuíno e incompetência estrutural, Clarkson está nesta temporada a enfrentar o que as anteriores só esboçavam: as pressões financeiras reais de uma exploração agrícola de pequena dimensão numa época em que os subsídios agrícolas britânicos pós-Brexit continuam a ser imprevisíveis e os custos de produção continuam a subir. Kaleb Cooper, o jovem agricultor que se tornou no verdadeiro protagonista da série, regressa. Lisa, a companheira de Clarkson, regressa. O tractor avariado provavelmente também.

Clarkson’s Farm é um dos casos mais interessantes do Prime Video em Portugal — uma série sobre agricultura britânica que encontrou uma audiência transversal muito além do público habitual de Clarkson. É o tipo de programa que começa como curiosidade e termina como vício. As cinco temporadas estão disponíveis no Prime Video.

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Mason Thames entra no universo John Wick — o jovem de “The Black Phone” vai ao continente

Mason Thames, o actor de 18 anos que surpreendeu toda a gente em The Black Phone de Scott Derrickson em 2022, foi confirmado esta semana no elenco do próximo filme do universo John Wick. O projecto ainda não tem título oficial mas insere-se na expansão do mundo criminal que Chad Stahelski e os produtores da Lionsgate têm vindo a construir desde o final de John Wick: Capítulo 4.

Os detalhes do papel de Thames ainda não foram divulgados — a Lionsgate confirmou a presença no elenco sem revelar se é um personagem novo ou uma ligação a alguém já estabelecido no universo. O que se sabe é que Thames está a filmar em simultâneo The End of Oak Street de David Robert Mitchell com Anne Hathaway e Ewan McGregor, o que confirma que o actor está a fazer escolhas muito deliberadas sobre como construir a transição de jovem estrela para actor adulto.

O universo John Wick expandiu-se nos últimos anos com Ballerina — o spin-off com Ana de Armas que estreia a 5 de Junho — e com uma série de televisão em desenvolvimento para o Prime Video. Thames junta-se a um elenco que ainda não foi revelado na totalidade. A data de rodagens e estreia ainda não foram confirmadas.

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Tom Hardy saiu definitivamente do “MobLand” — e Joanne Froggatt já tem novo projecto

Tom Hardy está fora do MobLand. O Hollywood Reporter confirmou que, após semanas de negociações e especulações, a saída é definitiva. Hardy e os produtores não chegaram a acordo sobre as condições de uma eventual terceira temporada — e a decisão de avançar sem ele já foi tomada.

A série, criada por Ronan Bennett e co-realizada por Guy Ritchie, continua com Helen Mirren, Pierce Brosnan e Paddy Considine no elenco. A personagem de Hardy, Harry Da Souza, será ou recastada ou eliminada da narrativa. A Paramount+ ainda não confirmou a terceira temporada formalmente, mas a sala de argumentistas já está aberta. Para os fãs que acompanharam Da Souza desde o primeiro episódio, é o fim de uma das personagens mais intrigantes da televisão de crime britânica dos últimos anos.

Joanne Froggatt, que interpretava Jan Da Souza, a mulher de Harry, já encontrou o próximo projecto. Está em negociações finais para integrar o elenco de Os Sete Magníficos, a série da MGM+ com Matt Dillon, Will Patton e Michael Ealy. Froggatt interpretará a líder da comunidade Quaker que os mercenários são contratados para proteger. As rodagens começam em Calgary, no Canadá, ainda este mês.

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