Trump vs. Late Night: Melania Exige que a ABC Despedisse Kimmel e o Fantasma de Colbert Paira sobre Hollywood

O que começou como mais uma escaramuça entre a Casa Branca e o late-night americano ganhou uma dimensão muito mais perturbante nos últimos dias. Jimmy Kimmel fez uma piada. Dois dias depois, houve um tiroteio. E a Primeira-Dama dos Estados Unidos aproveitou o momento para pedir à ABC que tomasse uma posição contra o apresentador do seu próprio canal.

A cronologia importa. Na quinta-feira, 23 de Abril, Kimmel gravou para o seu programa na ABC uma paródia do Jantar dos Correspondentes da Casa Branca — a gala anual que junta jornalistas, políticos e celebridades em Washington. O apresentador fez a paródia porque o jantar de 2026, ao contrário do habitual, não tinha um comediante como anfitrião, tendo optado pelo mentalista Oz Pearlman. No seu monólogo alternativo, Kimmel dirigiu-se a Melania Trump: “A nossa Primeira-Dama está aqui. Olhem para a Melania, tão bela. Sra. Trump, tem o brilho de uma viúva expectante.” No sábado seguinte, um atirador abriu fogo num ponto de controlo do Hotel Washington Hilton, onde decorria o jantar oficial. O Presidente, a Primeira-Dama e vários membros do governo foram rapidamente evacuados pelo Serviço Secreto. O agente atingido sobreviveu graças ao colete balístico.

Melania Trump reagiu publicamente esta segunda-feira, afirmando que as palavras de Kimmel são “corrosivas” e “aprofundam a doença política da América”, e exigindo que a ABC “tome uma posição”. Chamou-lhe “cobarde” e disse que as suas palavras eram “retórica violenta e odiosa”. A ABC e o próprio Kimmel não comentaram publicamente.

O pedido de Melania não existe no vácuo. Em Setembro de 2025, a ABC retirou temporariamente Kimmel do ar após comentários que fez na sequência do assassinato de Charlie Kirk. Quando regressou a 23 de Setembro, um visivelmente abalado Kimmel afirmou que nunca foi sua intenção fazer troça da morte de um jovem. A Casa Branca e os seus aliados mediáticos aproveitaram esse precedente para reforçar agora a pressão sobre a ABC.

O elefante na sala chama-se Stephen Colbert. Em Julho de 2025, a CBS cancelou The Late Show With Stephen Colbert — o programa mais visto do seu horário — dois dias depois de Colbert ter criticado publicamente um acordo de 16 milhões de dólares entre a Paramount e Trump, destinado a resolver um processo judicial sobre uma entrevista do 60 Minutes. A CBS insistiu que a decisão foi “puramente financeira”. Trump celebrou-a na Truth Social: “Adoro absolutamente que Colbert tenha sido despedido.” O próprio Colbert, já em modo de despedida, respondeu ao presidente em directo com uma frase que ficou célebre e que aqui não reproduzimos por razões óbvias, mas que a audiência recebeu de pé.

Colbert disse mais tarde à GQ que considera “razoável” que as pessoas associem o cancelamento à pressão política, sublinhando que a CBS pagou 16 milhões de dólares ao presidente num processo que os próprios advogados da Paramount consideravam sem mérito. O programa encerrou em Maio de 2026 — há poucas semanas. E Trump já tinha avisado: “Ouço que o Kimmel é o próximo.”

O que está em causa é uma questão que transcende a política americana e toca no coração do que o jornalismo e a sátira representam numa democracia. Os apresentadores de late-night — Kimmel, Colbert, Seth Meyers — têm sido, nos últimos anos, uma das últimas trincheiras de crítica directa à administração Trump num formato de grande audiência. A questão de saber se as redes de televisão vão continuar a proteger esse espaço, ou se o vão sacrificar à lógica de fusões empresariais e pressão governamental, é uma das mais importantes do panorama mediático actual. É também um teste precoce para o novo CEO da Disney, Josh D’Amaro, que sucedeu a Bob Iger no mês passado e que terá agora de decidir como responde à exigência da Casa Branca sobre um dos apresentadores mais populares da ABC.

Em Portugal e na Europa, onde a figura de Trump é observada com uma mistura de incredulidade e preocupação transversal a todo o espectro político, a pergunta não é se Kimmel foi longe demais com a piada. A pergunta é se uma Primeira-Dama pedir publicamente o despedimento de um apresentador de televisão — e a história recente sugerir que isso pode funcionar — é compatível com a democracia que os Estados Unidos dizem representar.

O Que Ver em Maio no Streaming: O Guia de Fim de Abril para Netflix, Prime Video, SkyShowtime, Max e Filmin
Os Anéis do Poder Chega ao TVCine Edition: A Segunda Era da Terra Média a Partir de 29 de Abril
Helena Bonham Carter Sai de The White Lotus Dias Depois de Começarem as Filmagens

Os Anéis do Poder Chega ao TVCine Edition: A Segunda Era da Terra Média a Partir de 29 de Abril

Há séries que chegam ao streaming e ficam. E há séries que chegam ao cabo e merecem a atenção que, por vezes, lhes foi negada no momento da estreia original. O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder, a produção da Amazon Prime Video que em 2022 se tornou simultaneamente o espectáculo televisivo mais caro de sempre e um dos mais debatidos da última década, chega agora à televisão portuguesa: o TVCine Edition estreia a primeira temporada a 29 de Abril, às 22h10, com novos episódios todas as quartas-feiras.

Para quem ainda não viu — e são mais do que se pensa, porque o Prime Video não é universal e a série passou rapidamente de fenómeno cultural para objecto de divisão fanática —, esta é uma boa oportunidade para a descobrir com algum distanciamento do ruído inicial. Situada na Segunda Era da Terra Média, milhares de anos antes dos acontecimentos narrados por Tolkien em O Senhor dos Anéis e O Hobbit, a série parte dos Apêndices do livro para construir uma narrativa original que acompanha várias linhas em simultâneo: Galadriel perturbada pelos sinais do regresso de uma antiga força maligna, o elfo Arondir às voltas com uma descoberta que pode alterar o equilíbrio do mundo, Elrond confrontado com um projecto ambicioso, e Nori, uma jovem dos pés-cabeludos, a quebrar uma regra da sua comunidade com consequências que ninguém previu.

A série foi criada por J. D. Payne e Patrick McKay, que já afirmaram ter concebido um arco narrativo de cinco temporadas. O elenco inclui Morfydd Clark como Galadriel numa versão mais jovem e guerreira do que a figura etérea de Cate Blanchett na trilogia de Peter Jackson, Charlie Vickers como Halbrand, Charles Edwards como Celebrimbor — o ferreiro élfico central na mitologia dos Anéis — Ismael Cruz Córdova como Arondir e Robert Aramayo como o jovem Elrond. A escala de produção foi, na altura da estreia, invocada com alguma insistência: mais de mil milhões de dólares para as cinco temporadas, filmagens na Nova Zelândia e no Reino Unido, efeitos visuais de cinema. O que ficou da série, passado o fumo, foi uma primeira temporada visualmente deslumbrante, narrativamente generosa no ritmo — talvez demasiado, para os impacientes —, e com um final que dividiu opiniões precisamente porque subverteu expectativas que muitos fãs tinham como certas.

Vale a pena vê-la sem as guerras de Reddit a acompanhar. A série tem, nos seus melhores momentos, uma ambição genuína que a distingue do streaming de conforto. E a pergunta sobre quem é realmente Sauron — que estruturou toda a temporada — ainda funciona como motor dramático na primeira visualização.

A estreia é a 29 de Abril, às 22h10, no TVCine Edition e no TVCine+.

Helena Bonham Carter Sai de The White Lotus Dias Depois de Começarem as Filmagens

A quarta temporada de The White Lotus mal tinha saído do papel — as filmagens arrancaram a 15 de Abril na Riviera Francesa — quando a HBO confirmou uma saída tão inesperada quanto diplomaticamente formulada: Helena Bonham Carter abandona a produção, o papel será reescrito e recastado.

O comunicado oficial da HBO não deixa muito espaço para dúvidas sobre o que aconteceu, mesmo que as palavras escolhidas sejam de uma cortesia impecável. “Ao iniciar as filmagens da quarta temporada de The White Lotus, tornou-se evidente que a personagem que Mike White criou para Helena Bonham Carter não se revelou adequada uma vez em rodagem”, disse a HBO. “O papel foi repensado, está a ser reescrito e será recastado nas próximas semanas.” A declaração termina a garantir que o realizador e a plataforma “permanecem fãs ardentes” da actriz e “esperam muito trabalhar com ela em breve”. Diplomacia de estúdio no seu estado mais puro.

Bonham Carter tinha sido anunciada como parte do elenco em Janeiro, numa lista que inclui nomes como Vincent Cassel, Steve Coogan, Kumail Nanjiani, Heather Graham, Rosie Perez e a francesa Nadia Tereszkiewicz. A actriz chega a esta temporada com um currículo que dispensa apresentações: duas nomeações para o Óscar, cinco para os Emmy (incluindo duas por The Crown), décadas de trabalho que vão de Fight Club à saga Harry Potter. Não é o tipo de casting que se anuncia em Janeiro e se descarta em Abril sem que algo tenha corrido genuinamente mal.

O que torna esta saída particularmente interessante é o contexto da temporada. The White Lotus 4 passa-se durante o Festival de Cannes — um cenário que Mike White escolheu precisamente porque o tema desta edição é a fama, a arte e o custo de ser artista. A produção divide-se entre dois hotéis de luxo transformados em localizações ficcionais: o Airelles Château de la Messardière em Saint-Tropez (que passa a ser o White Lotus du Cap) e o Hôtel Martinez em Cannes (o White Lotus Cannes). Os actores deverão inclusivamente estar presentes no tapete vermelho real durante a segunda semana do festival, em Maio. É um contexto suficientemente exigente para que qualquer desalinhamento criativo se torne rapidamente insustentável.

O produtor David Bernad, que falou publicamente sobre a temporada sem abordar directamente a saída de Bonham Carter, descreveu a experiência de trabalhar com o elenco francês — Cassel e Tereszkiewicz em particular — como “a parte mais excitante até agora”. A actriz Laura Smet, filha da saudosa Nathalie Baye, também faz parte do elenco. Há, portanto, uma aposta considerável na integração com o tecido cultural francês, o que pode ter acentuado as tensões criativas em torno de uma personagem que, ao que parece, não sobreviveu ao contacto com a realidade do set.

Para os fãs da série, a notícia é desconcertante mas não é necessariamente má. The White Lotus tem um historial de elencos que se revelam melhores do que o esperado — e de ausências que, em retrospectiva, parecem ter servido a história. A pergunta que fica é quem assumirá o papel reescrito, e se a reescrita altera de forma significativa o equilíbrio dramático da temporada. As filmagens decorrem até Outubro, o que dá tempo suficiente para resolver a questão sem comprometer a estreia prevista.

James Safechuck quebra o silêncio com a estreia do biopico de Michael Jackson: “Os nossos abusadores são por vezes elogiados”

Michael faz 206 milhões de dólares na abertura mundial e torna-se o maior biopico musical de sempre nas bilheteiras

Michael B. Jordan e Christopher McQuarrie querem levar Battlefield ao cinema — e desta vez pode mesmo acontecer

James Safechuck quebra o silêncio com a estreia do biopico de Michael Jackson: “Os nossos abusadores são por vezes elogiados”

A estreia do biopico Michael, realizado por Antoine Fuqua e protagonizado por Jaafar Jackson no papel do tio, trouxe consigo bilboards, campanhas promocionais e cobertura mediática intensa. Trouxe também, inevitavelmente, a reabertura de uma ferida que a indústria do entretenimento tem sistematicamente preferido deixar por tratar. James Safechuck, cujas alegações de abuso sexual na infância estiveram no centro do documentário Leaving Neverland (2019, HBO), partilhou um comunicado com a Rolling Stone precisamente neste contexto — não para falar do filme, mas para falar com as pessoas que o filme pode estar a afectar.

“O filme do Michael está a ser lançado e está a receber muita promoção — há bilboards, anúncios, pessoas a elogiar o Michael”, começa Safechuck no comunicado. A partir daí, o tom muda de registo. Safechuck dirige-se directamente a sobreviventes de abuso sexual na infância, recordando que a glorificação pública de uma figura acusada pode ser profundamente perturbadora para quem viveu experiências semelhantes: “Pode ser despoletador para sobreviventes que têm o seu próprio Michael nas suas vidas, seja o padre próximo de Deus, o treinador desportivo que está apenas a ajudar as crianças, ou o padrasto que apoia a família.” A mensagem termina com um apelo à proximidade e ao apoio mútuo: “Não estão sozinhos.”

Leaving Neverland, realizado por Dan Reed, centrou-se em entrevistas com Safechuck e Wade Robson, que alegaram ter sido abusados sexualmente por Jackson quando eram crianças, após terem sido acolhidos na Neverland Ranch, em diferentes momentos, entre os sete e os dez anos de idade. O documentário provocou um sismo considerável em 2019 — algumas rádios e plataformas retiraram temporariamente música de Jackson dos seus catálogos, e a discussão sobre como a indústria cultural lida com legados de figuras acusadas de crimes graves não terminou desde então.

O biopico de Fuqua optou por não referenciar qualquer um dos escândalos que definiram os últimos anos de vida de Jackson — e essa decisão não passou sem contestação. O filme foi parcialmente refilmado depois de nova informação ter surgido no contexto de um processo judicial envolvendo Evan Chandler, o dentista de Los Angeles que em 1993 acusou Jackson de ter abusado sexualmente do seu filho de 13 anos. O realizador do Leaving Neverland, Dan Reed, criticou publicamente o biopico nos últimos dias, numa declaração que foi amplamente citada na imprensa internacional.

Escrever sobre este artigo implica reconhecer a sua natureza delicada. O comunicado de Safechuck não é um ataque ao filme nem uma tentativa de impedir a sua distribuição — é um gesto de solidariedade dirigido a pessoas vulneráveis num momento em que a cobertura mediática em torno de uma figura controversa pode reactivar memórias e traumas. Essa distinção importa, e merece ser preservada na forma como o texto é lido.

Para o leitor português: Michael estreou internacionalmente na semana de 20 de Abril e está a chegar gradualmente aos cinemas europeus. O debate em torno do filme — sobre o que um biopico deve ou não incluir, sobre como a indústria do entretenimento lida com o legado de figuras acusadas de crimes graves, e sobre o impacto que essa glorificação pode ter em sobreviventes — é um debate que não se limita aos Estados Unidos e que vale a pena acompanhar com atenção.

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Michael faz 206 milhões de dólares na abertura mundial e torna-se o maior biopico musical de sempre nas bilheteiras

Não há forma subtil de dizer isto: Michael chegou às bilheteiras e fez história. O biopico de Michael Jackson, realizado por Antoine Fuqua e produzido pela Lionsgate, registou uma abertura de aproximadamente 95 milhões de dólares nos Estados Unidos e no Canadá no fim-de-semana de estreia — com uma possibilidade real de cruzar a barreira dos 100 milhões quando os números finais de domingo forem apurados. No plano mundial, somando os resultados de 82 territórios internacionais reportados pela Universal, o total aproxima-se dos 206 milhões de dólares, o melhor arranque do ano para um filme de acção real e o maior de sempre para um biopico musical, ultrapassando largamente o anterior recorde de Straight Outta Compton (60,2 milhões de dólares).

Os números têm contexto suficiente para perceber a dimensão do feito. Para a Lionsgate, é a melhor abertura desde Hunger Games: A Revolta — Parte 2, em 2015, que registou 45,5 milhões de dólares no primeiro dia. É também o melhor resultado pós-pandemia do estúdio, superando John Wick: Capítulo 4 (73,8 milhões de dólares de abertura). Para o realizador Antoine Fuqua, é a maior estreia da carreira, à frente de The Equalizer 2 (36 milhões de dólares). Para o produtor Graham King — que já havia produzido Bohemian Rhapsody e World War Z — é igualmente um recorde pessoal.

As antestreias de quinta-feira, que incluíram sessões especiais em IMAX e formatos premium a partir das 18h, geraram 12,6 milhões de dólares só nos EUA, o melhor resultado de sempre para um biopico musical nessa fase do lançamento — superando os 12 milhões de Project Hail Mary e os 8,9 milhões de John Wick: Capítulo 4. As salas premium e IMAX estão a representar 48% das vendas totais de bilhetes nos EUA, com o IMAX isolado a corresponder a 16% — números que reflectem o apetite do público por ver este tipo de espectáculo no maior ecrã possível.

A recepção do público é entusiasmante para a Lionsgate. No PostTrak da Screen Engine e Comscore, o índice de recomendação definitiva subiu para 84%, com 90% de avaliações positivas. Os espectadores com menos de 12 anos avaliaram o filme com 88% de positivo e 62% de “tenho de ver já”. O CinemaScore actual é A-. As redes sociais chegaram ao fim-de-semana com 417,9 milhões de seguidores combinados associados ao filme nas principais plataformas digitais — 2,2 vezes acima da média do género. No plano internacional, Michael é número um em 64 territórios e estabeleceu recordes de abertura para um biopico musical em 63 deles. Os mercados mais fortes são o Reino Unido (13,8 milhões de dólares), França (10,3 milhões), México (9,3 milhões), Itália (8,1 milhões) e Alemanha (6,9 milhões). O Japão, historicamente um dos mercados mais fortes para o catálogo de Jackson, recebe o filme apenas em Junho.

O percurso do projecto até à bilheteira foi, por todas as razões, acidentado. O filme foi parcialmente refilmado depois de nova informação surgir no contexto de um processo judicial, e a decisão de não incluir qualquer referência às acusações que marcaram os últimos anos de vida de Jackson gerou — e continua a gerar — debate público significativo, incluindo o comunicado de James Safechuck publicado esta semana. Do lado da crítica especializada, Michael está em 40% no Rotten Tomatoes, enquanto o público lhe atribui 96%. É uma das maiores divergências entre crítica e audiência da temporada.

Para Portugal, a estreia do filme está a decorrer gradualmente nos circuitos europeus. A Lionsgate já sinalizou que os resultados justificam pensar numa segunda parte — e com mais de 200 milhões de dólares em dois dias, é difícil argumentar o contrário.

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Michael B. Jordan e Christopher McQuarrie querem levar Battlefield ao cinema — e desta vez pode mesmo acontecer

Há adaptações de videojogos que demoram décadas a chegar ao ecrã. O Battlefield é, neste momento, um dos exemplos mais persistentes dessa frustração: a Fox tentou transformá-lo numa série de televisão em 2012, a Paramount voltou a tentar em 2016, e nenhum dos projectos saiu do papel. Agora, Michael B. Jordan e Christopher McQuarrie estão a fazer uma nova tentativa — e os nomes envolvidos sugerem que desta vez as probabilidades são diferentes.

Segundo o Hollywood Reporter, Jordan está em negociações para produzir uma adaptação cinematográfica da série de guerra da Electronic Arts, com McQuarrie a escrever e a realizar. Os dois têm estado a fazer pitches do projecto junto de grandes estúdios e plataformas, incluindo a Apple e a Sony, com preferência declarada por uma estreia nos cinemas em vez de uma estreia em streaming. A participação de Jordan à frente das câmaras — e não apenas na produção — ainda não está confirmada, dependendo, segundo as fontes, de vários factores que deverão ficar definidos à medida que o projecto avança.

O momento não é casual. Jordan acaba de receber o Óscar de Melhor Actor pela sua dupla interpretação em Sinners, de Ryan Coogler, o que o coloca no topo da lista de nomes mais apetecíveis de Hollywood neste momento. McQuarrie, por sua vez, é um velho conhecido dos filmes de acção de grande escala: ganhou o Óscar de Melhor Argumento Original por Os Suspeitos do Costume em 1996 e é o colaborador criativo de longa data de Tom Cruise, responsável por Mission: Impossible — Rogue NationFallout e Dead Reckoning, entre outros. Se há alguém em Hollywood com o curriculum para transformar uma franchise de acção militar em cinema de qualidade, McQuarrie está entre os primeiros candidatos.

A franchise Battlefield tem história suficiente para justificar a aposta. Lançada pela Electronic Arts em 2002, chegou já à 18.ª edição — Battlefield 6, lançado em 2025, foi o jogo mais vendido do ano a nível mundial. O apelo da série assenta num modelo de combate em larga escala, com cenários que atravessam conflitos históricos e contemporâneos, e uma componente multijogador que gerou comunidades de milhões de jogadores ao longo de mais de duas décadas. É exactamente o tipo de universo com potencial para uma saga cinematográfica — desde que alguém saiba o que fazer com ele.

O contexto da indústria também favorece o projecto. As adaptações de videojogos deixaram de ser um território de risco e tornaram-se uma das apostas mais seguras do cinema comercial. The Last of Us redefiniu o que uma série baseada num jogo pode ser. A Queda da Casa Usher mostrou o apetite do público por narrativas de género com produção de qualidade. Em 2026, o calendário de estreias inclui Mortal Kombat IIStreet FighterResident Evil — realizado por Zach Cregger — e The Angry Birds Movie 3, sinal claro de que o género está em plena expansão. Uma adaptação de Battlefield, com Jordan e McQuarrie na liderança criativa e uma estreia nos cinemas, teria condições para ser um dos títulos mais aguardados de 2027 ou 2028.

Para o público português, Jordan é um nome bem estabelecido, desde os tempos de Fruitvale Station e Creed até à recente consagração com Sinners. McQuarrie, se o nome não é imediatamente reconhecível para o grande público, o trabalho é: é o homem que pôs Tom Cruise a saltar de aviões e a correr por meio mundo durante uma década. Juntos, têm perfil suficiente para fazer o que a Fox e a Paramount não conseguiram. O Battlefield pode finalmente sair do papel — a questão é apenas saber para onde é que McQuarrie decide apontar as câmaras.

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Thierry Frémaux gosta de dizer que Cannes depende apenas dos filmes. A edição deste ano, a 79.ª do Festival de Cannes, que decorre de 12 a 23 de Maio na Croisette, parece confirmar exactamente isso: uma competição dominada por cineastas de autor internacionais, poucos blockbusters americanos à vista, e um júri presidido pelo realizador sul-coreano Park Chan-wook. Se 2025 foi o ano em que Hollywood voltou a Cannes com estrondo — Tom Cruise e Spike Lee incluídos —, 2026 é a correcção de rumo.

A selecção oficial foi anunciada a 9 de Abril em Paris. Em Competição pela Palme d’Or, os nomes mais esperados são Pedro Almodóvar, Asghar Farhadi, Hirokazu Kore-eda, Paweł Pawlikowski e Ryusuke Hamaguchi. Farhadi, Nemes e Hamaguchi apresentam todos filmes em língua francesa — uma presença quase sem precedentes de realizadores estrangeiros a filmar em francês na mesma edição. O único realizador americano em Competição é Ira Sachs, com The Man I Love, um musical de fantasia passado na Nova Iorque dos anos 80 durante a crise da SIDA, com Rami Malek, Tom Sturridge e Rebecca Hall. Rodrigo Sorogoyen representa Espanha com El Ser Querido, com Javier Bardem como um realizador que roda no deserto do Sahara e reencontra a filha.

A surpresa mais comentada da selecção é Coward, do realizador belga Lukas Dhont, que explora o conceito de heroísmo e cobardia a partir da perspectiva de jovens soldados na Primeira Guerra Mundial. O filme foi rodado parcialmente nos campos de batalha reais perto de Ypres, na Bélgica — o mesmo território onde morreram centenas de milhares de combatentes entre 1914 e 1918. Frémaux admitiu que os programadores do festival só viram o filme no dia anterior ao anúncio. Os dois filmes anteriores de Dhont estrearam ambos em Cannes — Girl (2018) em Un Certain Regard e Close(2022) em Competição, este último nomeado para o Óscar de Melhor Filme Internacional. Coward é produzido e vendido internacionalmente pela The Match Factory, e a expectativa é considerável.

O realizador russo em exílio Andrei Zvyagintsev regressa com Minotaur, o seu primeiro filme desde 2017. O filme rodou na Letónia e é descrito como uma fábula política sobre um empresário russo confrontado com crise e trauma. O MUBI já assegurou os direitos para a América do Norte, Reino Unido, Alemanha e América Latina — sinal de que as expectativas no mercado são altas.

Cannes dedica esta edição a dois nomes históricos com Palmas de Ouro honorárias: Peter Jackson e Barbra Streisand. O festival abre a 12 de Maio com La Venus Électrique, de Pierre Salvadori, uma comédia passada nos anos 20. O cartaz oficial da 79.ª edição homenageia Thelma & Louise de Ridley Scott, com uma imagem das suas protagonistas retirada das rodagens de 1991 — 35 anos depois, Geena Davis e Susan Sarandon regressam à Croisette como ícones do festival.

Para o leitor português, há pelo menos um ponto de interesse directo: o IndieLisboa, que arranca a 30 de Abril, apresenta já este ano vários filmes que passarão por Cannes no mês seguinte, numa circulação que demonstra como os dois festivais funcionam em vasos comunicantes dentro do circuito europeu de cinema independente. Os primeiros filmes do mercado de Cannes — que decorre de 12 a 20 de Maio — estão já a ser anunciados, com projectos como The Brigands of Rattlecreek, um western de Park Chan-wook com Matthew McConaughey, Pedro Pascal e Austin Butler, a confirmar que o festival continua a ser o maior palco de negócios do cinema mundial.

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Daqui a quatro dias, o Cinema São Jorge enche-se para a sessão de abertura da 23.ª edição do IndieLisboa — Festival Internacional de Cinema, e é difícil não sentir que esta é uma das edições mais ambiciosas de sempre. São 241 filmes entre curtas e longas-metragens, dezasseis estreias mundiais só na Competição Nacional, e uma programação que atravessa continentes, linguagens e formatos com a irreverência que tornou o festival numa referência do circuito europeu de cinema independente. O festival decorre de 30 de Abril a 10 de Maio nas principais salas da capital: Cinema São Jorge, Culturgest, Cinemateca Portuguesa, Cinema Ideal e Cinema Fernando Lopes.

A sessão de abertura, marcada para 30 de Abril às 19h no São Jorge, é The Loneliest Man in Town, de Tizza Covi e Rainer Frimmel — dupla que já havia vencido o Prémio de Distribuição no IndieLisboa em 2010 com La Pivellina. O filme acompanha um bluesman em risco de ser despejado, confrontado com a perda iminente de toda uma vida acumulada em discos e livros. Para o encerramento, a 10 de Maio às 21h30 na Culturgest, John Wilson — o criador da série documental How To with John Wilson — estreia-se nas longas-metragens com The History of Concrete, um documentário que começa num workshop do Hallmark sobre como escrever comédias românticas e termina, de alguma forma, a falar de betão. É exatamente o tipo de premissa que define o espírito do festival.

A Competição Nacional, uma das secções mais importantes do IndieLisboa, reúne 29 filmes — incluindo a maior selecção de curtas da história do festival, com 21 obras. Entre os destaques, A Providência e a Guitarra, de João Nicolau, que chegou ao IndieLisboa depois de abrir o Festival de Roterdão. O filme conta com Salvador Sobral no elenco e apresenta-se como uma deambulação divertida entre tempos. Susana de Sousa Dias regressa com Fordlândia Panacea, sobre o complexo industrial da Ford na Amazónia brasileira. E a Competição Nacional acolhe também uma homenagem a Patrícia Saramago, relevante nome da montagem do cinema português, falecida em Outubro passado, com a exibição da sua primeira obra, Dois e Um Gato.

A secção IndieMusic é outro dos pontos fortes desta edição, com dez longas-metragens e três curtas, seis das quais em estreia mundial. Entre os títulos a não perder, Sun Ra: Do the Impossible, de Christine Turner, recupera a figura do músico de free jazz através de imagens de arquivo e testemunhos dos membros da sua Arkestra. E estreia em Portugal Quem tem medo de Zurita de Oliveira?, documentário de Francisca Marvão sobre a primeira mulher portuguesa a escrever, cantar e gravar uma música rock — o EP O Bonitão do Rock, de 1960 — e sobre a invisibilidade histórica das mulheres na cena artística nacional. Uma estreia mundial com um ângulo particularmente necessário.

Fora das salas, o IndieLisboa continua a ser também uma festa. O Cinema na Piscina regressa a 2 e 3 de Maio, em parceria com a Piscina Municipal da Penha de França, com clássicos para adultos à noite e curtas para famílias durante o dia. O IndieByNight prolonga o programa pelos bares oficiais da edição — a Casa do Comum e as Damas. E para quem prefira resistência cinematográfica sem saída, há a Maratona Boca do Inferno no Cinema Ideal: seis horas de sessões contínuas.

Os bilhetes estão disponíveis no site do festival. Para os que estão em Lisboa nos próximos onze dias e ainda não sabem como passar o tempo — aqui está a resposta.

Spider-Noir: Nicolas Cage é um Homem-Aranha de fedora e o trailer final já veio provar tudo

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Há um momento no novo trailer de Spider-Noir em que Nicolas Cage, envolto na penumbra da Nova Iorque dos anos 30, murmura qualquer coisa sobre os impulsos que tenta suprimir — na maior parte do tempo. O que se segue é uma pancadaria num bar, uma teia disparada entre arranha-céus e a confirmação de que este pode ser o projecto mais estranho e mais interessante do universo Marvel em anos. O trailer foi lançado ontem, 25 de Abril, durante um painel da CCXP México, em duas versões — a preto-e-branco e a cores completas — e o efeito imediato é difícil de ignorar.

Spider-Noir estreia a 27 de Maio na Prime Video, em todo o mundo incluindo Portugal, com os oito episódios disponíveis de uma só vez. Nos Estados Unidos, o primeiro episódio é lançado dois dias antes, a 25 de Maio, no canal linear MGM+. A série é produzida pela Sony Pictures Television exclusivamente para as duas plataformas.

O que o trailer deixa finalmente claro é a lógica narrativa da série: Ben Reilly — e não Peter Parker, por razões que os criadores prometem explicar — é um detetive particular envelhecido e com dinheiros contados na Nova Iorque de 1930, que foi outrora o único super-herói da cidade antes de uma tragédia pessoal o afastar do papel. Quando Cat Hardy, interpretada por Li Jun Li, lhe bate à porta à procura de um amigo desaparecido, Reilly é forçado a regressar ao que foi. Os vilões em cena incluem Silvermane (Brendan Gleeson), Sandman (Jack Huston) e Tombstone (Abraham Popoola), e o trailer mostra-os em dose suficiente para perceber que a série não vai ser leve em termos de ameaças.

A equipa criativa é tudo menos aleatória. Os realizadores Phil Lord e Christopher Miller — os mesmos por trás de Spider-Man: Into the Spider-Verse — estão na produção executiva, ao lado de Amy Pascal. Os showrunners são Oren Uziel e Steve Lightfoot, conhecido do universo Marvel pela série The Punisher. Os dois primeiros episódios foram dirigidos por Harry Bradbeer, o realizador responsável por Fleabag e Killing Eve, o que explica a atenção evidente ao detalhe visual e à textura emocional do que se viu até agora. Lord e Miller descreveram Ben Reilly como alguém com o seu “momento de Chinatown já consumado”, um detetive que perdeu as ilusões antes de a série começar — o que, no fundo, é a premissa perfeita para o noir clássico.

A dupla de versões — preto-e-branco “autêntico” e cores saturadas ao estilo Technicolor — é uma das apostas mais ousadas da série. Cage comparou a versão colorida ao quadro Nighthawks de Edward Hopper; do lado da crítica especializada, a Esquire já sugeriu que cada versão oferece uma experiência distinta, com a versão a cores mais próxima de Dick Tracy e a preto-e-branco mais sombria, à Raymond Chandler. A ideia de um único produto disponível em dois registos visuais completamente diferentes não tem precedentes em televisão mainstream — e pode ser precisamente o tipo de conversa que Spider-Noir precisa de gerar antes de chegar às plataformas.

Cage, que emprestou a voz ao personagem no Into the Spider-Verse de 2018, assume aqui o primeiro papel principal numa série de televisão de toda a sua carreira. O showrunner Uziel revelou que o actor assistiu à temporada completa e reagiu com entusiasmo às suas próprias falas — o que, conhecendo Cage, provavelmente quer dizer exactamente o que parece. Spider-Noir chega a 27 de Maio. Um mês é pouco tempo para uma espera tão longa.

Hulk Hogan: Real American — A Netflix Fez um Documentário sobre Hulk Hogan sem Coragem para Contar a História de Hulk Hogan

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Netflix mais cara nos EUA — e Portugal pode ser o próximo. O que sabe sobre os novos preços

Netflix mais cara nos EUA — e Portugal pode ser o próximo. O que sabe sobre os novos preços

A 26 de Março de 2026, a Netflix actualizou silenciosamente a sua página de planos e preços nos Estados Unidos. Sem conferência de imprensa, sem campanha de comunicação — apenas os novos valores já em vigor para novos subscritores, e um e-mail prometido aos actuais clientes antes de a mudança chegar à sua próxima fatura. É o segundo aumento de preços em menos de um ano e o padrão é suficientemente conhecido para merecer atenção de qualquer pessoa que pague uma subscrição mensal, em Portugal ou em qualquer outro país.

Nos EUA, os novos valores são estes: o plano com publicidade passou de 7,99 para 8,99 dólares por mês; o plano Standard subiu de 17,99 para 19,99 dólares; e o plano Premium passou de 24,99 para 26,99 dólares mensais. A justificação da empresa é invariavelmente a mesma — investir em conteúdos de qualidade e melhorar a experiência dos utilizadores — e as reacções nas redes sociais são, também elas, invariavelmente as mesmas: irritação, ameaças de cancelamento e memes sobre o que mais se podia comprar com esse dinheiro.

Para Portugal, a boa notícia imediata é que a Netflix confirmou ao Notícias ao Minuto que estes aumentos dizem respeito apenas ao mercado norte-americano, sem impacto por enquanto no nosso país. Os preços em Portugal mantêm-se desde a última actualização de Janeiro de 2025: 8,99 euros no plano Básico, 12,99 euros no Standard e 17,99 euros no Premium. A má notícia é que o “por enquanto” pesa. O histórico da plataforma é claro: os aumentos nos EUA costumam atravessar o Atlântico em ondas, com a Europa a seguir nos meses subsequentes. Analistas estimam que a subida norte-americana gere cerca de 6% mais receita por subscritor nos EUA e Canadá ao longo do ano — o tipo de resultado que incentiva a replicação noutras geografias.

O contexto é importante. Em Janeiro de 2025, a Netflix já tinha subido os preços em Portugal — o plano Base de 7,99 para 8,99 euros, o Standard de 11,99 para 12,99 euros, e o Premium de 15,99 para 17,99 euros, com o custo de membro adicional a passar de 3,99 para 4,99 euros por mês. Não foi o primeiro aumento e quase certamente não será o último. A empresa fechou 2024 com 302 milhões de subscritores a nível mundial e prevê que as receitas publicitárias quase dupliquem em 2026 face ao ano anterior — o plano com publicidade tornou-se peça central da estratégia, e não apenas uma opção de entrada.

A questão para o subscritor português é menos “vai subir?” e mais “quando?”. O que o padrão histórico sugere é que qualquer ajuste em Portugal tende a ser gradual e comunicado com alguma antecedência. Neste momento, os preços estão estáveis. Mas vale a pena avaliar o que realmente se vê: se forem duas ou três séries por mês, um ou dois serviços alternados por temporada podem ser suficientes. O plano com publicidade, que em Portugal custa 8,99 euros, permite manter acesso ao catálogo com um custo controlado — sobretudo se a alternativa for pagar o dobro para ver a mesma quantidade de conteúdo. A Prime Video, a Max e a Apple TV+ seguiram tendências semelhantes nos últimos meses, e o Spotify iniciou o ano com um ajuste de tarifas. O streaming em 2026 é mais caro do que era, e essa trajectória não parece estar prestes a inverter-se.

Apex — Charlize Theron é Caçada no Deserto Australiano e a Netflix Tem o Thriller do Fim-de-Semana

Há um tipo de thriller que não precisa de ser profundo para ser excelente. Precisa de saber exactamente o que é, de ter dois actores capazes de o sustentar, e de um realizador que conheça o terreno. Apex, que estreou hoje na Netflix, tem as três coisas — e os 95 minutos que dura não desperdiçam um único.

Sasha, interpretada por Charlize Theron, é uma aventureira americana cujo parceiro de escalada morre no início do filme durante uma subida ao Troll Wall norueguês. Em luto, parte em viagem solitária pelo interior da Austrália — uma decisão que qualquer espectador com alguma memória cinematográfica reconhece imediatamente como imprudente. O realizador Baltasar Kormákur e o director de fotografia Lawrence Sher estabelecem desde o início um sentido de perigo físico real, com planos aéreos vertiginosos que capturam tanto a beleza como a hostilidade da paisagem.

A ameaça assume a forma de Ben, um rapaz local de aparência jovial e sotaque australiano, interpretado por Taron Egerton com uma inteligência de casting considerável: projecta uma masculidade mais descontraída e prestável do que o tipo que normalmente se teme nestes cenários — até que muito claramente deixa de o fazer, com uma besta armada na mão. Egerton, que o público conhece de Rocketman e Kingsman, é genuinamente inquietante precisamente porque não parece um villain convencional — e o filme usa isso com habilidade, atrasando o momento em que o perigo se torna inegável.

Kormákur é magistral na utilização das localizações, casando cada curva, gruta, rápido e cascata com a narrativa. É o tipo de realização que raramente recebe o crédito que merece porque parece natural — mas a geografia de um thriller de sobrevivência é tudo, e Apex nunca perde o sentido do espaço nem a consciência de onde estão os dois personagens em relação um ao outro. O filme abre com Theron e Eric Bana a escalar o Troll Wall norueguês em condições meteorológicas extremas, uma sequência que estabelece imediatamente a competência física de Sasha e o nível de risco que ela normaliza. Quando a perseguição australiana começa, o espectador já acredita que esta mulher tem os recursos para sobreviver — o que é exactamente o que o thriller precisa que acredite.

O Deadline descreveu o filme como tendo “uma economia narrativa de bom augúrio” — e é uma descrição justa. Apexnão se detém em backstory desnecessário nem em subtexto que não tem intenção de desenvolver. É um filme sobre duas pessoas num espaço grande e perigoso, uma a tentar matar a outra, a outra a recusar-se a deixar. A balança vai-se inclinando lentamente entre os dois ao longo de uma série de sequências de acção bem coreografadas e revelações bem ganhas.

Gouvernákur — o realizador islandês de Adrift e Beast — rodou Apex em colaboração com a produtora de Theron, Denver and Delilah Productions, o que explica em parte o controlo criativo visível em cada frame. Theron não está aqui apenas como estrela — está como co-arquitecta do projecto, e a diferença nota-se. A força composta de Theron e os olhos assustadoramente lúcidos de Egerton fazem uma combinação que o filme merecia, e que eleva o material acima do thriller de sobrevivência genérico.

É previsível em alguns momentos? Sim. Porque Apex está mais interessado em adrenalina branca do que em emoção excessiva e explicações, o que acaba por ser uma das suas qualidades mais refrescantes. Num fim-de-semana em que os cinemas estão tomados por um biopic que divide críticos e público, a Netflix tem a alternativa mais simples e mais satisfatória. Às vezes isso é mais do que suficiente.

Cannes 2026 Fecha a Selecção — James Gray, Victorian Psycho, Judith Godrèche e Tiago Guedes na Lista Final

A selecção oficial de Cannes 2026 está fechada. Ontem, o festival anunciou os últimos 16 títulos que completam a programação da 79.ª edição — e a notícia mais aguardada era a que toda a indústria sabia que ia acontecer mas precisava de ver confirmada: Paper Tiger, de James Gray, entra em competição pela Palma de Ouro.

O filme é um thriller de crime passado em Nova Iorque sobre dois irmãos que tentam realizar o sonho americano e se enredam numa esquema com a máfia russa.  Estelarizado por Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller, é o sexto filme de Gray em competição em Cannes — ele esteve pela última vez na Croisette com Armageddon Time em 2022 — e foi adquirido pela Neon para a América do Norte, a distribuidora que já tem quatro filmes em competição esta edição e que está na corrida para a sua sétima Palma de Ouro consecutiva, depois de ParasitasTitaneTriângulo de TristezaAnatomia de uma QuedaAnora e It Was Just an Accident. A competição fica assim fechada com 22 filmes. Ira Sachs é o único outro americano em competição com The Man I Love.

Em Un Certain Regard, a adição mais comentada é Victorian Psycho de Zachary Wigon — um thriller de horror gótico passado na Inglaterra vitoriana sobre uma governanta excêntrica que chega a uma mansão remota e começa a gerar suspeitas entre os residentes. Maika Monroe, que substituiu Margaret Qualley após um conflito de agenda, lidera o elenco com Thomasin McKenzie, Jason Isaacs e Ruth Wilson. O filme foi originalmente desenvolvido na A24 antes de aterrar na Bleecker Street, e a sua presença em Cannes confirma Monroe como uma das presenças mais relevantes do cinema de género contemporâneo.

Também em Un Certain Regard, A Girl’s Story de Judith Godrèche. A actriz francesa que se tornou uma das figuras centrais do movimento #MeToo em França — depois de revelar em 2024 abusos sexuais por parte dos realizadores Benoît Jacquot e Jacques Doillon — estreia-se como realizadora de longa-metragem no mesmo festival onde denunciou os seus agressores. TheWrap Godrèche já tinha estado em Cannes como realizadora em 2023 com a curta-metragem Moi Aussi, que abriu precisamente o Un Certain Regard. Este regresso em formato longo é um dos momentos mais carregados de significado de toda a edição.

A lista de adições inclui ainda Titanic Ocean da realizadora grega Konstantina Kotzamani — uma história de formação passada numa escola especial no Japão que treina adolescentes como sereias profissionais —, Ulysse de Laetitia Masson como filme de encerramento de Un Certain Regard, e Ceniza en la Boca de Diego Luna na secção Cannes Première, onde estreia a sua primeira longa-metragem como realizador. Também em Cannes Première, Mariage au Goût d’Orange de Christophe Honoré, um drama familiar dos anos 70 com Adèle Exarchopoulos e Paul Kircher.

E há uma notícia especialmente relevante para o cinema português: Aqui de Tiago Guedes foi seleccionado para Cannes Première. O realizador de Tristeza e Alegria na Vida das Girafas e O Filho leva ao festival mais importante do mundo o seu mais recente trabalho, numa secção que acolhe filmes fora da competição principal mas com visibilidade e prestígio consideráveis. É uma das melhores notícias do cinema nacional deste ano.

Cannes 2026 decorre de 12 a 23 de Maio. Com a selecção agora completa — Almodóvar, Farhadi, Koreeda, Hamaguchi, Mungiu, Pawlikowski, Zvyagintsev, Dhont, Na Hong-jin, Ira Sachs e agora James Gray em competição — é difícil não concluir que esta é uma das edições mais densas em talento da última década.

Rabo de Peixe: a série portuguesa que conquistou o mundo chega ao capítulo final na Netflix
Maio no NOS Studios: ação, terror, romance e fantasia para todas as noites de cinema em casa
IndieLisboa 2026 na TVCine: uma viagem pelo cinema independente português e as suas inquietações contemporâneas

Rabo de Peixe: a série portuguesa que conquistou o mundo chega ao capítulo final na Netflix

A terceira temporada de Rabo de Peixe chegou há poucos dias à Netflix e marca o desfecho de uma das produções portuguesas mais ambiciosas alguma vez lançadas na plataforma. Desde a estreia em 2023, a série transformou-se num fenómeno nacional e internacional, levando os Açores, a sua paisagem agreste e uma história inspirada em factos reais a milhões de espectadores em todo o mundo.  

Uma história nascida do caos

Inspirada, ainda que de forma livre, num caso real ocorrido nos Açores no início dos anos 2000, Rabo de Peixe parte de uma premissa explosiva: um carregamento de cocaína dá à costa na ilha de São Miguel e muda para sempre a vida de uma pequena comunidade piscatória.

No centro da narrativa está Eduardo, interpretado por José Condessa, um jovem pescador que vive entre dificuldades económicas, responsabilidades familiares e o sonho de escapar ao destino aparentemente traçado pela ilha. Ao lado dos amigos Rafael, Carlinhos e Sílvia, vê naquele achado uma oportunidade única para mudar de vida.

A primeira temporada acompanha a ascensão deste grupo improvisado no mundo do narcotráfico, misturando tensão policial, violência, ambição e, acima de tudo, amizade. Foi precisamente esta combinação entre thriller criminal e drama humano que ajudou a série a destacar-se.

A segunda temporada elevou a escala do conflito. O negócio da droga já não era apenas uma aventura perigosa: tornou-se uma guerra aberta, com novos inimigos, traições e consequências devastadoras para todos os envolvidos. A série passou a explorar também o impacto social na própria vila, mostrando como o dinheiro fácil corrói relações e destrói inocências.  

A terceira temporada: justiça, vingança e despedida

A nova temporada, estreada a 10 de Abril, avança três anos no tempo. Eduardo regressa após cumprir pena de prisão e encontra uma comunidade profundamente transformada, ameaçada por interesses económicos e políticos que colocam em risco a pesca e as famílias locais.  

É neste cenário que os protagonistas criam um movimento clandestino, a chamada “Justiça da Noite”, numa tentativa de devolver poder à comunidade. A fronteira entre heroísmo, vingança e violência torna-se cada vez mais ténue, prometendo um final carregado de tensão.

Com seis episódios, esta terceira temporada serve como o grande final da série, fechando o arco das personagens que acompanharam os espectadores ao longo de três anos.

Produção de luxo made in Portugal

Criada por Augusto Fraga, Rabo de Peixe foi produzida pela Ukbar Filmes e pela RB Filmes, representando um dos maiores investimentos feitos numa série portuguesa para streaming.  

A realização dividida entre Augusto Fraga e Patrícia Sequeira trouxe à série um visual cinematográfico impressionante. As paisagens açorianas, o mar revolto, as falésias e as ruas da vila funcionam quase como uma personagem própria.

A fotografia é um dos pontos mais elogiados da produção, ajudando a criar uma atmosfera simultaneamente bela e ameaçadora.

Um elenco que ajudou a elevar a fasquia

Além de José Condessa, o elenco conta com Helena Caldeira, Rodrigo Tomás e André Leitão nos papéis centrais.

Ao longo das temporadas, juntaram-se nomes de peso como Maria João Bastos, Joaquim de Almeida, Kelly Bailey e Pêpê Rapazote, contribuindo para dar ainda mais densidade dramática à série.  

Mais do que uma série sobre crime, Rabo de Peixe tornou-se um retrato sobre amizade, desigualdade social, ambição e sobrevivência. E isso explica porque continua a gerar conversa — e alguma polémica — mesmo agora que chega ao fim.

Estreias da Semana em Portugal: Hollywood lidera, cinema português ganha força e o drama europeu completa o cartaz
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Maio no NOS Studios: ação, terror, romance e fantasia para todas as noites de cinema em casa

Maio no NOS Studios: ação, terror, romance e fantasia para todas as noites de cinema em casa

O mês de Maio chega ao NOS Studios com uma programação particularmente variada, que vai do suspense à comédia romântica, passando pela ação explosiva, fantasia e até animação para os mais pequenos. É um alinhamento pensado para diferentes públicos, com estreias semanais que prometem manter as noites de televisão bem ocupadas.

Entre os grandes destaques do mês estão dois nomes de peso de Hollywood: Tim Burton e Clint Eastwood, cada um com propostas muito diferentes, mas igualmente marcantes no panorama cinematográfico.

🎃 Beetlejuice Beetlejuice: Tim Burton regressa ao universo dos mortos-vivos

Um dos filmes mais aguardados do mês é Beetlejuice Beetlejuice, de Tim Burton, que traz de volta Michael Keaton no icónico papel do fantasista Beetlejuice.

Depois de uma tragédia familiar, a família Deetz regressa a Winter River, onde antigos fantasmas continuam bem vivos… ou melhor, bem mortos. A situação complica-se quando a filha de Lydia abre um portal para o mundo dos mortos, desencadeando o caos habitual do universo criado por Burton.

Com Jenna Ortega, Winona Ryder e Catherine O’Hara no elenco, este é um regresso carregado de nostalgia e estética gótica, marca registada do realizador.

⚖️ Jurado #2: o dilema moral segundo Clint Eastwood

No lado oposto do espectro cinematográfico surge Jurado #2, realizado por Clint Eastwood.

O filme acompanha Justin Kemp, um jurado envolvido num julgamento de homicídio que começa a enfrentar um dilema moral profundo: a verdade do caso pode estar directamente ligada às suas próprias decisões.

Com Nicholas Hoult, Toni Collette e J.K. Simmons, o filme aposta num thriller judicial centrado em tensão psicológica e escolhas éticas difíceis, algo muito característico da filmografia recente de Eastwood.

💣 Ação, espionagem e conspirações internacionais

O mês inclui também várias propostas de ação.

Em Operação Fortune: Missão Mortífera, de Guy Ritchie, Jason Statham lidera uma missão secreta para travar a venda de tecnologia militar perigosa, num registo típico de espionagem com humor britânico e ritmo acelerado.

Já The Bricklayer: Missão Mortal, de Renny Harlin, coloca um antigo agente da CIA no centro de uma conspiração internacional, depois de ser forçado a regressar ao activo para evitar uma crise global.

❤️ Romance, comédia e encontros improváveis

Maio também traz várias histórias românticas.

Em Um Encontro na Escócia, uma escritora vê-se envolvida num mal-entendido que pode mudar a sua vida amorosa.

Um Amor à Beira D’Água aposta numa narrativa emocional sobre segundas oportunidades.

Ao Som do Amor mistura música e romance num encontro inesperado.

Já Engenharia do Amor traz uma abordagem mais moderna, onde tecnologia e sentimentos se cruzam de forma imprevisível.

E em Love is a Dog’s Best Friend, até um cão traquinas serve de catalisador para novas relações e mudanças pessoais.

🔍 Thriller digital e tensão contemporânea

No registo mais moderno, 1 Milhão de Seguidores explora o lado sombrio da fama digital, onde a ascensão nas redes sociais traz consigo perigos inesperados, obsessões e consequências extremas.

👧 Domingos Animados para toda a família

Os mais pequenos também têm lugar garantido com os tradicionais Domingos Animados, que incluem títulos como Os MauzõesDavidOs Super Elfkins – Uma Nova Aventura e Snow e a Princesa, sempre em versão portuguesa.

🎬 Um mês de cinema para ver no sofá

Entre fantasia, ação, romance e suspense, Maio no NOS Studios aposta numa programação pensada para todos os gostos, com grandes nomes de Hollywood e uma oferta diversificada que transforma cada noite numa sessão diferente.

IndieLisboa 2026 na TVCine: uma viagem pelo cinema independente português e as suas inquietações contemporâneas

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IndieLisboa 2026 na TVCine: uma viagem pelo cinema independente português e as suas inquietações contemporâneas

Na semana que antecede o início do IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema 2026, o canal TVCine Edition propõe uma viagem pelo cinema independente nacional com um especial dedicado a quatro filmes que marcaram edições anteriores do festival. Entre 27 e 30 de Abril, sempre pelas 23h00, o ciclo destaca obras que exploram temas como identidade, activismo, resistência comunitária e fragilidade emocional, reafirmando o papel do cinema independente como espaço de liberdade criativa.

Mais do que uma simples programação televisiva, trata-se de uma antevisão do espírito do festival: filmes que desafiam convenções e que colocam o olhar sobre o que é muitas vezes invisível no cinema mais comercial.

🎭 Carmen Troubles: desconstruir estereótipos através da arte

O ciclo abre com Carmen Troubles, de Vasco Araújo, uma obra que revisita a célebre ópera de Georges Bizet para questionar a forma como a figura da mulher cigana foi construída no imaginário ocidental.

Misturando cinema, performance e ensaio artístico, o filme funciona como uma reflexão crítica sobre representações culturais e preconceitos enraizados, ao mesmo tempo que dá voz a organizações de mulheres ciganas que procuram redefinir a sua própria narrativa.

Apresentado no IndieLisboa 2023, o filme destaca-se pela sua abordagem experimental e politicamente consciente.

🎶 As Fado Bicha: música como ferramenta de resistência

Na terça-feira, é a vez de As Fado Bicha, de Justine Lemahieu, um documentário que acompanha o percurso do projecto musical Fado Bicha.

Ao longo de vários anos, o filme segue Lila Tiago e João Caçador, explorando a forma como a sua música se tornou uma plataforma de intervenção social e política no contexto LGBTQIA+.

Com presença em festivais como o IndieLisboa 2024 e o Queer Porto, o documentário revela o lado íntimo de um projecto artístico que desafia tradições e preconceitos, reinventando o fado como espaço de resistência contemporânea.

🌄 A Savana e a Montanha: a luta por um território

Na quarta-feira, o destaque vai para A Savana e a Montanha, de Paulo Carneiro, uma obra que cruza documentário e ficção num registo próximo do western.

O filme acompanha a comunidade de Covas do Barroso, em Trás-os-Montes, que se organiza contra um projecto de exploração de lítio a céu aberto.

Mais do que um retrato ambiental, trata-se de uma narrativa sobre identidade colectiva, resistência e ligação ao território, onde a fronteira entre realidade e encenação se dissolve para reforçar a força do testemunho.

🌫️ Estamos no Ar: solidão, desejo e imaginação

A encerrar o ciclo, Estamos no Ar, de Diogo Costa Amarante, propõe uma viagem mais intimista e sensorial pelas vidas de três membros de uma mesma família.

Entre solidão, desejo e fuga emocional, o filme explora as fragilidades humanas num registo que oscila entre o real e o onírico, construindo uma atmosfera de inquietação silenciosa.

É uma obra que não procura respostas fáceis, antes convida o espectador a habitar as zonas cinzentas da emoção e da memória.

🎬 Um retrato do cinema independente português

No conjunto, este especial do TVCine Edition funciona como uma pequena montra do que o cinema independente português tem vindo a produzir nos últimos anos: obras que cruzam géneros, desafiam estruturas narrativas tradicionais e colocam o foco em temas sociais, políticos e existenciais.

Mais do que histórias fechadas, são filmes que abrem discussões — e que refletem a vitalidade criativa de uma nova geração de realizadores.

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Estreias da Semana em Portugal: Hollywood lidera, cinema português ganha força e o drama europeu completa o cartaz

As salas de cinema em Portugal recebem esta semana uma programação particularmente diversificada, onde convivem grandes produções de Hollywood, cinema português com ambição autoral e uma forte presença de cinema europeu e documental. Apesar da variedade, a lógica do mercado mantém-se clara: o destaque comercial pertence aos Estados Unidos, mas há espaço para propostas nacionais que merecem atenção especial.

🎥 “Michael”: o peso pesado de Hollywood lidera as estreias

O grande destaque da semana é Michael, realizado por Antoine Fuqua, um drama biográfico que pretendee atrair largas audiências. Com Jaafar Jackson no papel principal, acompanhado por nomes como Colman Domingo e Nia Long, o filme mergulha na vida de uma das figuras mais icónicas da cultura pop mundial.

Com 124 minutos de duração e uma produção de grande escala, Michael posiciona-se como o verdadeiro motor de bilheteira desta semana em Portugal. A assinatura de Fuqua, conhecido por filmes de forte impacto emocional e visual, reforça a expectativa de uma narrativa intensa e cinematográfica, pensada para grande público e grande ecrã.

Cabe-nos no entanto dizer que a crítica considera o filme um retrato muito embelezado do ícone pop e que uma série de controvérsias foram simplesmente apagadas de toda história.

🇵🇹 Cinema português em evidência: “Projecto Global” e “Cherchez la Femme”

Entre as estreias nacionais, destaca-se Projecto Global, de Ivo M. Ferreira, um drama histórico com 141 minutos de duração que conta com Jani Zhao, Rodrigo Tomás e Gonçalo Waddington no elenco. Trata-se de uma produção ambiciosa, tanto em escala como em duração, que reforça a tendência recente do cinema português em apostar em narrativas mais complexas e de maior fôlego.

Também português é Cherchez la Femme, de António da Cunha Telles, um filme que mistura crime, drama, mistério e romance. Com Joana Barradas, Ângelo Rodrigues e Romeu Costa, a obra aposta num registo mais popular, cruzando géneros e aproximando-se de um thriller emocional com forte componente de relações humanas e segredos.

Estes dois títulos representam bem a dualidade do cinema nacional actual: por um lado, o risco artístico e histórico; por outro, uma aproximação mais directa ao público.

💰 O olhar europeu: luxo, identidade e fantasia

Do lado europeu, A Mulher Mais Rica do Mundo, de Thierry Klifa, destaca-se como um drama com toques de comédia protagonizado por Isabelle Huppert. O filme explora o universo da riqueza extrema e das relações familiares, num registo sofisticado que combina crítica social e ironia.

Já A Rapariga Que Sabia Demais, de Frédéric Hambalek, mistura drama, comédia e fantasia, numa abordagem mais leve e original, centrada numa jovem cuja percepção da realidade se altera de forma inesperada.

Ambos reforçam a vitalidade do cinema europeu em explorar narrativas menos convencionais e mais focadas em personagens.

🎞️ Documentário em força: memória, educação e música

A semana traz ainda uma forte presença documental. Aprender, de Claire Simon, mergulha no sistema educativo francês, observando o quotidiano de escolas e professores com um olhar atento e humano.

Chão Verde de Pássaros Escritos, de Sandra Inês Cruz, propõe uma abordagem mais poética, cruzando natureza, memória e identidade cultural num registo visualmente sensível.

Já My Way – A História de uma Canção, de Lisa Azuelos e Thierry Teston, recupera a história de um dos temas mais icónicos da música popular, com testemunhos de figuras como Jane Fonda e Paul Anka.

🎬 Uma semana equilibrada entre espectáculo e autor

No conjunto, esta semana de estreias em Portugal reflecte bem a realidade do mercado: um blockbuster de Hollywood a liderar claramente o interesse do público, um cinema português cada vez mais ambicioso e presente, e uma oferta europeia e documental que garante diversidade e profundidade ao cartaz.

Mais do que uma semana de grandes surpresas comerciais, trata-se de uma semana de equilíbrio — entre o espectáculo, a identidade e a reflexão.

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Mark Ruffalo volta a fazê-lo? Actor deixa escapar possível spoiler sobre o futuro de Spider-Man

Quando se fala em spoilers no universo Marvel, o nome de Mark Ruffalo surge quase sempre na conversa. O actor, que interpreta Bruce Banner / Hulk no MCU, voltou a dar que falar depois de uma recente aparição no Cinema Adriano, em Roma, onde deixou uma frase que está a incendiar as redes sociais e os fóruns de fãs.

Sem entrar em detalhes sobre o Hulk, Ruffalo acabou por comentar o futuro do Homem-Aranha e lançou a bomba: “prometo-vos, a mil por cento, que ele vai lutar contra um alien no futuro.” A declaração foi rapidamente partilhada online e muitos fãs interpretaram-na como mais um daqueles momentos clássicos em que o actor revela mais do que devia.  

👽 Venom a caminho de Brand New Day?

A leitura mais imediata dos fãs aponta para a presença de Venom em Spider-Man: Brand New Day, o novo filme protagonizado por Tom Holland.

A teoria não surge do nada. Há já vários meses que circulam rumores sobre a possível entrada do simbionte na narrativa, e a frase de Ruffalo veio dar novo combustível a essa especulação. Em fóruns e redes sociais, muitos apontam mesmo para algumas imagens promocionais e para o trailer, que, segundo alguns espectadores, sugerem uma ameaça de origem alienígena.  

Ainda assim, é importante manter algum cuidado. Ruffalo não mencionou directamente Venom, e a palavra “alien” pode significar várias coisas dentro do vasto universo Marvel.

📚 A pista de Secret Wars

Outra possibilidade que está a ganhar força entre os fãs mais atentos aos comics é a de Ruffalo estar, na verdade, a referir-se a Avengers: Secret Wars.

Nas bandas desenhadas, é precisamente durante a saga Secret Wars que Peter Parker entra em contacto com o simbionte alienígena que viria a tornar-se Venom — um dos momentos mais icónicos da história do personagem.

Com a Marvel Studios a preparar a adaptação cinematográfica dessa saga para 2027, não é impossível que Ruffalo esteja a falar de um futuro mais alargado do MCU e não necessariamente do próximo filme a solo do Homem-Aranha.  

🎬 O que sabemos sobre o novo filme

Para já, o que é oficial é que Spider-Man: Brand New Day estreia a 31 de Julho de 2026 e contará com o regresso de Mark Ruffalo ao lado de Tom Holland. O filme deverá mostrar Peter Parker quatro anos depois dos acontecimentos de No Way Home, agora completamente sozinho e a actuar como um verdadeiro herói de rua em Nova Iorque.  

Se Venom está mesmo no filme ou se tudo isto não passa de mais uma “Ruffalo moment”, ainda é cedo para saber.

Mas uma coisa é certa: o rei dos spoilers da Marvel continua em grande forma.

Coyote vs. Acme está vivo! Primeiro trailer confirma a chegada aos cinemas

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Coyote vs. Acme está vivo! Primeiro trailer confirma a chegada aos cinemas

Depois de anos de incerteza, cancelamentos e muita indignação entre fãs, Coyote vs. Acme está oficialmente de regresso — e desta vez é mesmo a sério. A Warner Bros. Pictures e a Ketchup Entertainment revelaram finalmente o primeiro trailer oficial do filme, confirmando a estreia nos cinemas a 28 de Agosto de 2026.  

Durante muito tempo, muitos acreditaram que este seria mais um projecto perdido nos cofres do estúdio, tal como aconteceu com Batgirl. Mas o lendário coiote mais azarado da animação conseguiu sobreviver ao que parecia ser um destino inevitável.

🎬 O filme que Hollywood quase apagou

A história de Coyote vs. Acme é quase tão caótica como os planos de Wile E. Coyote.

O filme, produzido pela Warner Animation Group e pela produtora de James Gunn, foi originalmente concluído há vários anos, mas acabou por ser “arrumado na gaveta” pela Warner Bros. numa decisão polémica ligada a benefícios fiscais.

A reacção negativa dos fãs e da indústria foi imediata, e a pressão acabou por resultar na venda dos direitos à Ketchup Entertainment, que agora leva finalmente o projecto ao grande ecrã.  

É, sem exagero, um dos casos mais insólitos dos últimos anos em Hollywood: um filme praticamente concluído, quase descartado, e depois resgatado à última hora.

⚖️ Wile E. Coyote vai processar a ACME

A premissa é tão brilhante quanto inevitável.

Depois de décadas a ser lançado de penhascos, explodido por dinamite defeituosa, esmagado por pedras gigantes e traído por foguetes que nunca funcionam, Wile E. Coyote decide que já chega.

Em vez de continuar a perseguir o Road Runner, resolve processar a empresa responsável por todos os seus falhanços: a infame ACME, Inc.

Ao seu lado surge Kevin Avery, interpretado por Will Forte, um advogado especializado em acidentes, enquanto John Cena assume o papel de Buddy Crane, o homem chamado para defender os interesses da corporação.

Segundo a sinopse oficial, o caso transforma-se num confronto entre um personagem de animação desesperado e uma multinacional obcecada pelo lucro.  

🎞️ Um tom à Who Framed Roger Rabbit?

O trailer sugere um híbrido entre live-action e animação muito ao estilo de Who Framed Roger Rabbit, uma comparação que está a entusiasmar os fãs nas redes sociais.

A mistura entre actores reais e personagens clássicos dos Looney Tunes promete ser um dos grandes trunfos do filme, que junta humor absurdo, nostalgia e uma boa dose de sátira corporativa.

Se cumprir o potencial que o trailer sugere, Coyote vs. Acme poderá tornar-se numa das surpresas mais divertidas do final do Verão.

E, sejamos honestos, depois de tudo o que passou… talvez nenhum filme mereça tanto chegar finalmente ao cinema.

beep beep…vruumm

Disney trava Deadpool 4? Ryan Reynolds sugere futuro diferente para o anti-herói da Marvel

O futuro de Deadpool no universo Marvel poderá estar a tomar um rumo inesperado. Ryan Reynolds revelou recentemente que já tem ideias e algum material escrito para o próximo passo da personagem, mas deixou no ar a possibilidade de não existir um Deadpool 4 tradicional — pelo menos não nos moldes a que os fãs se habituaram.

Numa entrevista recente, o actor foi bastante claro: “tenho algumas coisas escritas, mas não penso voltar a ser o protagonista. Ele é uma personagem de suporte. É um tipo que funciona muito bem num grupo.”  

A declaração está já a gerar bastante discussão entre os fãs da Marvel, sobretudo porque parece indicar que a Disney e a Marvel Studios poderão estar a afastar-se da ideia de um quarto filme a solo.

🎬 O fim de Deadpool 4 como filme a solo?

Depois do enorme sucesso de Deadpool & Wolverine, que ultrapassou os 1,3 mil milhões de dólares em receita mundial, muitos assumiam que um novo filme seria inevitável.  

No entanto, as palavras de Reynolds sugerem precisamente o contrário.

Em vez de um novo capítulo centrado apenas em Wade Wilson, a ideia parece passar por integrar Deadpool em projectos de ensemble, onde a personagem funcione como catalisador cómico e emocional dentro de um grupo maior.

E, sejamos honestos, faz sentido.

Deadpool sempre brilhou no choque com outras personalidades — seja com Wolverine, Cable ou Colossus. O humor meta, a quebra constante da quarta parede e a sua energia caótica funcionam muitas vezes ainda melhor quando há outros heróis à sua volta.

🦸 Avengers ou X-Men?

A grande pergunta agora é: em que grupo poderá surgir?

Os cenários mais imediatos apontam para Avengers: Doomsday ou Avengers: Secret Wars, dois filmes que prometem reunir várias personagens do MCU.  

Mas há outra hipótese que entusiasma ainda mais muitos fãs: os X-Men.

Tendo em conta a ligação histórica de Deadpool ao universo mutante, a possibilidade de Wade Wilson cruzar caminho com a futura equipa dos X-Men no MCU parece cada vez mais plausível.

O próprio Reynolds já tinha referido no passado que imagina Deadpool a interagir com os Avengers ou com os X-Men, mas não necessariamente como membro oficial.

Na sua visão, Wade é uma personagem que sonha ser aceite, que quer fazer parte de algo maior, mas que nunca encaixa totalmente.

E é precisamente aí que reside muito do seu charme.

🎭 Um novo papel para a personagem

Mais do que uma “recusa” da Disney, isto pode representar uma evolução natural da personagem dentro do MCU.

Deadpool como figura de apoio, inserido em grandes eventos ou filmes de equipa, poderá permitir à Marvel explorar o melhor da personagem sem repetir a fórmula dos filmes a solo.

Por agora, não existe qualquer confirmação oficial sobre o próximo projecto, mas uma coisa parece certa: Wade Wilson ainda não disse a última palavra.

Só poderá não ser num Deadpool 4 como muitos imaginava…

A vida inesperada da musa de American Pie: de Hollywood aos rinocerontes… e agora ao OnlyFans

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A vida inesperada da musa de American Pie: de Hollywood aos rinocerontes… e agora ao OnlyFans

Durante anos, o rosto de Shannon Elizabeth ficou para sempre ligado a um dos filmes mais icónicos da comédia juvenil dos anos 90. Para toda uma geração, será sempre Nadia, a estudante de intercâmbio de American Pie, um dos grandes fenómenos de 1999. No entanto, a vida da actriz norte-americana seguiu um rumo muito diferente daquele que muitos poderiam imaginar.

Aos 52 anos, Shannon Elizabeth volta a estar no centro das atenções depois de anunciar a sua entrada no OnlyFans, uma decisão que, segundo a própria, representa “um novo capítulo” da sua vida e uma forma de se sentir “mais livre”. Mas a verdade é que este é apenas mais um episódio numa trajectória tudo menos convencional.

🎥 De musa de Hollywood a rosto inesquecível dos anos 90

Depois do sucesso de American Pie, Shannon Elizabeth regressou ao papel de Nadia em American Pie 2 e consolidou a sua imagem como uma das actrizes mais reconhecíveis do início dos anos 2000.

Participou ainda em títulos populares como Scary Movie, Thirteen Ghosts, Love Actually e Cursed, construindo uma carreira sólida no cinema comercial.

Contudo, ao contrário do percurso habitual em Hollywood, a actriz começou gradualmente a afastar-se dos grandes estúdios e do circuito mediático.

🦏 Uma nova vida na África do Sul

Em 2016, Shannon Elizabeth tomou uma decisão radical: deixou os Estados Unidos e mudou-se para a África do Sul para se dedicar à protecção da vida selvagem, em particular dos rinocerontes.

A actriz tem falado repetidamente sobre a importância da conservação animal e da protecção das espécies ameaçadas, transformando essa causa no centro da sua vida.

Em 2018 criou a Shannon Elizabeth Foundation, uma organização dedicada à preservação de habitats em risco, à protecção de espécies ameaçadas e ao apoio de quem trabalha directamente no terreno.

Na verdade, esta ligação ao activismo animal não é recente. Já em 2001, ainda a viver em Los Angeles, tinha lançado a organização Animal Avengers, focada no resgate de cães e gatos.

O passo para África foi, nas suas palavras, uma evolução natural dessa missão.

♠️ O póquer como ferramenta para financiar a causa

Outro capítulo surpreendente da sua vida foi a entrada no mundo do póquer profissional.

Longe de ser apenas um hobby, Shannon Elizabeth passou a participar em torneios de alto nível, utilizando os prémios monetários como forma de financiar os seus projectos de conservação animal.

Durante vários anos, tornou-se presença regular em eventos de póquer televisivos, ganhando notoriedade também nesse meio.

É uma faceta pouco conhecida do público, mas que reforça a ideia de uma carreira construída fora dos caminhos tradicionais de Hollywood.

📱 O novo capítulo no OnlyFans

Agora, a actriz inicia mais uma fase inesperada ao juntar-se ao OnlyFans.

Segundo a própria, esta decisão está ligada à vontade de ter maior controlo sobre a forma como se apresenta ao público e de abrir novas possibilidades profissionais.

Mais do que um regresso mediático, trata-se de mais uma reinvenção numa vida marcada por mudanças improváveis.

De estrela adolescente a activista em África, de jogadora de póquer a criadora de conteúdos, Shannon Elizabeth continua a provar que a sua história está longe de ser previsível.

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