“The Bear” termina na próxima temporada — e é a melhor notícia possível para uma série sobre fazer as coisas bem

The Bear termina após a próxima temporada, confirmou o FX esta semana. É uma decisão que os criadores tomaram com a mesma filosofia que tem definido a série desde o primeiro episódio: saber quando parar. 

The Bear estreou em Junho de 2022 e tornou-se rapidamente numa das séries mais discutidas da televisão contemporânea — não pelo espectáculo, mas pela intensidade. Uma cozinha de Chicago, um chefe em colapso depois da morte do irmão, uma equipa disfuncional que tenta transformar um restaurante de sanduíches num lugar de refeições a sério. É uma série sobre trabalho, trauma, família e a obsessão que separa as pessoas que fazem algo de forma mediana das que fazem de forma extraordinária. Jeremy Allen White, Ayo Edebiri e Ebon Moss-Bachrach construíram três personagens que raramente aparecem na televisão com esta profundidade.

A quinta temporada — que ainda não tem data de estreia mas que deverá chegar em 2027 — será a última. Os criadores da série, liderados por Christopher Storer, têm evitado consistentemente esticar a narrativa para além do que ela aguenta, e a decisão de terminar está alinhada com essa postura. O episódio surpresa “Gary”, lançado em Abril sem qualquer anúncio prévio e protagonizado por Ebon Moss-Bachrach e Jon Bernthal, foi o primeiro sinal de que a série estava a preparar uma despedida em condições. Em Portugal, The Bear está disponível no Disney+.

As estreias de 14 de Maio: uma saga com Salvador Sobral, o documentário dos Iron Maiden e uma Madre de Calcutá com Noomi Rapace

Spielberg regressa com OVNIs, Emily Blunt e a maior questão de sempre — “Disclosure Day” estreia a 12 de Junho

Os 10 Melhores Filmes de Acção de Vin Diesel — muito além dos carros

Spielberg regressa com OVNIs, Emily Blunt e a maior questão de sempre — “Disclosure Day” estreia a 12 de Junho

Steven Spielberg tem uma relação de décadas com o extraterrestre. Encontros Imediatos do Terceiro GrauE.T.A Guerra dos Mundos — são filmes que definiram como o cinema imagina o contacto com o desconhecido. Depois de The Fabelmans em 2022, Spielberg regressa com Disclosure Day, um thriller de ficção científica sobre o que aconteceria se a prova definitiva da existência de vida extraterrestre fosse tornada pública. Estreia nos cinemas a 12 de Junho.

A história segue Josh O’Connor como um homem com acesso a segredos governamentais sobre contacto extraterrestre; Emily Blunt como uma meteorologista que começa inexplicavelmente a falar em línguas durante um directo televisivo; e Colin Firth como um burocratas disposto a tudo para impedir a divulgação pública. “Essa verdade vai subverter toda a ordem estabelecida no mundo inteiro”, diz Firth a O’Connor no trailer. “Se fizeres isto, não há como desfazê-lo.” Colman Domingo interpreta Hugo Wakefield, um desertor que defende activamente a divulgação. 

O argumento é de David Koepp — Parque JurássicoA Guerra dos MundosIndiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal — e Spielberg disse na CinemaCon que a premissa é “mais próxima da verdade do que se pensa”: “Tenho curiosidade desde que era criança sobre o que acontece no céu nocturno. O mundo tornou-se mais receptivo ao facto de que provavelmente não estamos sozinhos.” A partitura é de John Williams — a sua trigésima colaboração com Spielberg. 

É o maior filme do verão que ainda não está em cartaz. Chega a Portugal a 12 de Junho.

“Reacher” renovado para a quinta temporada antes de a quarta estrear — Alan Ritchson é imparável

Conan O’Brien vai apresentar os Óscares pela terceira vez consecutiva — e já é uma tradição

As estreias de 14 de Maio: uma saga com Salvador Sobral, o documentário dos Iron Maiden e uma Madre de Calcutá com Noomi Rapace

“Reacher” renovado para a quinta temporada antes de a quarta estrear — Alan Ritchson é imparável

O Prime Video renovou Reacher para uma quinta temporada antes de a quarta ter sequer data de estreia confirmada. A terceira temporada foi vista por 54,6 milhões de espectadores globalmente nos primeiros 19 dias — o registo mais alto da plataforma desde Fallout. Com esses números, a renovação antecipada não é uma surpresa. É uma declaração de franchise. 

A quarta temporada baseia-se em Gone Tomorrow, o 13.º livro de Lee Child, e começa quando um encontro fortuito com uma desconhecida perturbada no metro corre terrivelmente mal, arrastando Reacher para uma conspiração que chega aos níveis mais altos do poder americano. O novo elenco inclui Chris Marquette, Sydelle Noel, Agnez Mo, Anggun, Kevin Weisman, Marc Blucas, Kevin Corrigan e Kathleen Robertson. A data de estreia não foi ainda confirmada mas espera-se para o segundo semestre de 2026.

“De os romances globalmente adorados de Lee Child à sua adaptação exemplar no ecrã, Reacher tornou-se numa verdadeira franchise de poder”, disse Peter Friedlander, responsável pela televisão global da Amazon MGM Studios. Alan Ritchson, que também é produtor executivo da série, é neste momento a maior estrela de acção da televisão de streaming — um título que sustenta com uma consistência e uma presença física que o género exige e raramente encontra. 

Para os fãs portugueses, as primeiras três temporadas estão disponíveis no Prime Video. A quarta chegará pela mesma via assim que tiver data confirmada.

Conan O’Brien vai apresentar os Óscares pela terceira vez consecutiva — e já é uma tradição

O regresso do Justiceiro tem um problema de PlayStation — e o Disney+ já admitiu que está a corrigi-lo

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Conan O’Brien vai apresentar os Óscares pela terceira vez consecutiva — e já é uma tradição

Conan O’Brien foi confirmado como apresentador da cerimónia dos Óscares pelo terceiro ano consecutivo, com Raj Kapoor e Katy Mullan a regressarem como produtores executivos pelo quarto ano seguido. A notícia gerou a reacção mais previsível possível nas redes sociais: “Claro que sim.” 

A progressão foi rápida. O’Brien apresentou a 96.ª cerimónia em 2024 como substituto de última hora depois de uma série de escolhas controversas — e resultou tão bem que a Academia o convidou imediatamente para 2025. A 97.ª confirmou o que a 96.ª tinha sugerido: Conan O’Brien tem exactamente o registo certo para os Óscares — suficientemente irreverente para ser divertido, suficientemente respeitoso para não eclipsar o evento, e com um talento de improvisação que transforma os momentos embaraçosos inevitáveis de qualquer cerimónia ao vivo em material de comédia. A cena em que consolou um realizador que tropeçou a subir ao palco foi um dos momentos mais partilhados da noite passada.

A 99.ª cerimónia dos Óscares — que reconhecerá os filmes de 2026, incluindo provavelmente títulos de Cannes que estão a estrear esta semana — realiza-se a 14 de Março de 2027. Com Disclosure Day de Spielberg a estrear em Junho, Paper Tiger de James Gray em Cannes esta semana e The Mandalorian and Grogu a chegar em Maio, o calendário de potenciais nomeados já está a tomar forma. Conan O’Brien vai ter muito material.

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“Good Omens” terminou — e foi o melhor final possível para uma série que quase não teve nenhum

O episódio final de Good Omens chegou hoje ao Prime Video como um telefilme de 90 minutos — uma redução forçada face à temporada completa de seis episódios que estava planeada, após a saída de Neil Gaiman do projecto em 2024 na sequência de acusações de agressão sexual. O que poderia ter sido um desastre narrativo acabou por ser, nas palavras de quem o viu esta manhã, “o melhor final possível dado o que estava disponível.” 

A crítica do TV Fanatic descreve o episódio como uma “carta de amor a uma história de amor inesquecível”, elogiando a forma como os 90 minutos equilibram o caos narrativo dos dois primeiros terços com “os momentos finais devastadores”. A missão de encontrar o Livro da Vida e o desaparecimento de Jesus são tratados com a leveza característica da série, enquanto Aziraphale e Crowley navegam as consequências do cliffhanger da segunda temporada. 

O Review Geek dá 4 em 5 estrelas e nota um callback ao Doctor Who de David Tennant — a Bentley a mover-se pelo espaço como uma Tardis — e a utilização de “Don’t Stop Me Now” dos Queen no clímax como “o número perfeito”. A crítica mais cautelosa, do Screen Rant, aponta o ritmo acelerado e personagens secundárias subaproveitadas, mas reconhece que “Aziraphale e Crowley são a cola que mantém tudo”. 

Nas palavras do Cinemablend: “Os fãs de Good Omens são, francamente, sortudos por terem um final de todo.” É uma frase que resume tudo — e que qualquer fã da série vai reconhecer como verdadeira. Good Omens está disponível no Prime Video em Portugal. 

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O regresso do Justiceiro tem um problema de PlayStation — e o Disney+ já admitiu que está a corrigi-lo

Jon Bernthal fez exactamente o que os fãs esperavam: The Punisher: One Last Kill tem 86% no Rotten Tomatoes e 91% de aprovação do público. A performance de Bernthal como Frank Castle é descrita unanimemente como um dos pontos mais fortes do especial. E ainda assim, a internet está a falar de outra coisa.

Uma cena de stunt no segundo acto — em que Frank Castle é empurrado de um edifício e cai numa grelha de ventilação metálica — está a ser ridicularizada por parecer “um cutscene de PlayStation”. As reacções incluem: “Parece genuinamente um cutscene de GTA”; “Parece uma versão de teste de uma cena de Joel de The Last of Us“; “A Marvel a lançar VFX inacabados em 2026 é loucura — o Bernthal está a fazer uma raiva de nível divino mas meteram-lhe física de ragdoll de PS3.”

Uma fonte próxima da produção disse ao Hollywood Reporter que o plano é real — Bernthal fez o início da queda, o seu duplo de acção fez o impacto, e houve uma substituição de rosto por VFX que pode explicar o aspecto estranho do resultado. O Disney+ reconheceu publicamente o problema do som — diálogos demasiado baixos, configuração de surround incorrecta — e confirmou que está a trabalhar numa correcção. 

O resultado é um especial tecnicamente imperfeito que a crítica e o público consideram, ainda assim, uma das melhores versões do Justiceiro alguma vez colocada em ecrã. Frank Castle merecia melhor do que física de PS3 — mas Bernthal entregou exactamente o que prometeu. O resto é conversa de internet.

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As estreias de 14 de Maio: uma saga com Salvador Sobral, o documentário dos Iron Maiden e uma Madre de Calcutá com Noomi Rapace

Esta semana o cartaz português é presidido por um filme português premiado no IndieLisboa, um documentário sobre uma das maiores bandas de metal de sempre e um biopic sobre Teresa de Calcutá com uma das melhores actrizes europeias em cena. São dez estreias — aqui estão as que mais merecem atenção, por ordem de potencial de audiência.

Iron Maiden: Burning Ambition (Cinemundo, M/12) é provavelmente o título mais aguardado da semana para a audiência do Clube de Cinema — não porque o metal seja o género mais transversal, mas porque este documentário vai muito além dos fãs da banda. Cinquenta anos de carreira contados através de entrevistas com os membros da banda, a última conversa registada com o vocalista original Paul Di’Anno — que morreu em Outubro de 2024 — e testemunhos de Lars Ulrich dos Metallica, do actor Javier Bardem e de Chuck D dos Public Enemy. É a história de como uma banda de East London se tornou num fenómeno global com um exército de fãs em todos os continentes — incluindo Portugal, onde os Iron Maiden têm uma das maiores bases de fãs da Europa. O documentário estreou mundialmente a 7 de Maio e chega agora às salas portuguesas. 

A Providência e a Guitarra (Desforra Apache) é o destaque do cinema português desta semana — e não por acaso. O novo filme de João Nicolau, com Pedro Inês, Clara Riedenstein e Salvador Sobral, ganhou o Prémio de Melhor Realização no IndieLisboa há menos de duas semanas, com o júri a elogiar “um humor inteligente e uma construção narrativa audaciosa”. Nicolau é um dos realizadores portugueses mais singulares da sua geração — RapaceJohn From e Technoboss definem um cinema que não se parece com nada — e a presença de Sobral no elenco é uma garantia de que a música e a errância vão ter aqui um papel central.

Teresa – A Madre de Calcutá (NOS Audiovisuais, M/12) é realizado pela macedónia Teona Strugar Mitevska e protagonizado por Noomi Rapace numa das personagens históricas mais complexas e mais debatidas do século XX. O filme não é uma hagiografia — Mitevska tem um historial de retratos femininos que recusam o conforto — e Rapace, depois de PrometheusThe Girl with the Dragon Tattoo e Lamb, está completamente à vontade em personagens de intensidade extrema. Com Nikola Ristanovski e Sylvia Hoeks no elenco de apoio.

13 Dias, 13 Noites (Cinemundo) é um thriller político francês sobre a evacuação da embaixada francesa em Cabul durante a tomada taliban em Agosto de 2021. Baseado no livro de Mohamed Bida, com realização de Martin Bourboulon — o mesmo de Os Mosqueteiros — e Roschdy Zem no papel principal, o filme estreou fora de competição em Cannes 2025 com críticas positivas, com destaque para a performance de Zem. É o tipo de thriller de acção com substância política que raramente chega ao cinema português — e que vale a pena ver em sala. IMDb

As Águias da República (Leopardo Filmes) é um thriller do sueco-egípcio Tarik Saleh — o mesmo de O Cairo Confidencial e Boy from Heaven — desta vez com Fares Fares e Lyna Khoudri numa história de espionagem e poder político no mundo árabe contemporâneo. Saleh é um dos realizadores mais consistentes do thriller político europeu e o filme foi bem recebido nos festivais onde passou.

Mais Forte Que Eu (Pris Audiovisuais, M/12) é um drama britânico realizado por Kirk Jones com Robert Aramayo — conhecido de Game of Thrones como o jovem Ned Stark — e Maxine Peake numa história de luta e resistência ambientada no norte de Inglaterra. Peter Mullan completa o elenco. É o tipo de filme britânico de classe trabalhadora que tem uma tradição sólida e uma audiência fiel.

Completa o cartaz Soco a Soco (sem classificação etária atribuída), o documentário português de Diogo Varela Silva sobre o pugilista Orlando Jesus — que já esteve em cartaz durante o IndieLisboa e que chega agora ao circuito comercial — e Obsession – A Felicidade É Relativa (Cinemundo, M/14), um terror americano. Para o público mais jovem e familiar há Tom & Jerry: A Bússola Perdida (Cinemundo), uma animação chinesa baseada nos personagens clássicos, e A Dança das Raposas, drama belga de estreia.

Há Um Comboio Desgovernado Cheio de Animais e Pode Ser a Aventura Familiar Mais Divertida do Ano

Preparem as pipocas, porque está prestes a chegar aos cinemas uma daquelas aventuras animadas onde o caos parece aumentar de minuto a minuto — e isso é claramente uma excelente notícia. Bichos a Bordo: O Comboio Mais Desgovernado estreia nas salas portuguesas a 28 de Maio e promete juntar acção, humor e muitos animais em pânico dentro de um comboio completamente fora de controlo.

E sejamos honestos: qualquer filme que misture um guaxinim heróico, um texugo vingativo e um comboio prestes a descarrilar já merece, pelo menos, alguma atenção.

A premissa é simples mas eficaz. Um grupo de animais fica preso num comboio desgovernado enquanto Hans, um texugo movido por vingança, ameaça transformar a viagem numa verdadeira catástrofe. Com o tempo a esgotar-se rapidamente, os passageiros peludos terão de unir forças para impedir a colisão e sobreviver ao caos que se instala carruagem após carruagem.

Um guaxinim improvável como herói da história

No centro da aventura está Falcão, um guaxinim descrito como inteligente, engenhoso e destemido, que acaba por assumir o papel de improvável líder deste grupo de sobreviventes. E convenhamos: os guaxinins já têm naturalmente ar de criaturas que sobreviveriam perfeitamente a um desastre ferroviário.

Entre perseguições, trapalhadas e momentos de tensão, tudo indica que Bichos a Bordo aposta naquela fórmula clássica das animações familiares que mistura acção acelerada com personagens excêntricas e piadas constantes para manter miúdos e graúdos entretidos.

O conceito do “comboio desgovernado” também ajuda bastante ao potencial cómico da coisa. Afinal, poucas situações criam tanto caos cinematográfico como personagens desesperadas a tentar travar um veículo gigante enquanto tudo abana, explode ou corre terrivelmente mal.

Humor, acção e espírito de equipa

Segundo a informação divulgada, o filme aposta bastante no trabalho de equipa e na amizade entre personagens improváveis. Claro que isso significa também discussões, confusões e provavelmente vários planos absurdos antes de alguém perceber finalmente como travar o comboio.

Mas esse é precisamente o encanto deste tipo de animação: aventuras frenéticas onde o perigo nunca impede o filme de manter um tom leve e divertido.

Além disso, a presença de um vilão como Hans, o texugo sedento de vingança, dá ao filme aquele toque clássico de antagonista exagerado que costuma funcionar muito bem em animações familiares. E sejamos sinceros outra vez: “texugo vingativo num comboio desgovernado” parece exactamente o tipo de ideia que teria nascido de uma reunião particularmente caótica de argumentistas.

Uma aposta para toda a família

Bichos a Bordo: O Comboio Mais Desgovernado chega aos cinemas portugueses no dia 28 de Maio, com versão dobrada em português, e tudo indica que poderá ser uma das apostas familiares mais divertidas das próximas semanas.

Num panorama onde muitas animações tentam desesperadamente parecer épicas ou excessivamente sofisticadas, há algo refrescante num filme que simplesmente abraça o caos, os animais falantes e a diversão pura sem grandes complicações existenciais pelo meio.

Às vezes é exactamente isso que o público procura.

Hugh Jackman Troca o Herói Clássico por um Robin Hood Sombrio e Brutal em “A Morte de Robin Hood”

Há personagens que parecem condenadas a regressar eternamente ao cinema. Robin Hood é uma delas. Ao longo das décadas, o lendário fora da lei de Sherwood já foi aventureiro romântico, herói familiar, guerreiro épico e até protagonista de blockbusters cheios de explosões e flechas digitais. Mas a nova versão promete fugir a tudo isso. E, honestamente, já era altura.

A Morte de Robin Hood, que estreia nos cinemas portugueses a 18 de Junho, apresenta uma abordagem muito mais sombria, humana e emocional da figura mítica, colocando Hugh Jackman no centro de um drama sobre culpa, violência, envelhecimento e redenção.

O título deixa logo claro que este não será um Robin Hood de aventuras leves entre árvores verdejantes e gargalhadas com o Pequeno João. Aqui, o herói surge ferido, física e emocionalmente, confrontado com as consequências da vida que levou. Depois de uma batalha que julgava ser a última, Robin encontra-se gravemente ferido e acaba sob os cuidados de uma mulher misteriosa, interpretada por Jodie Comer, que lhe oferece uma possibilidade inesperada de redenção.

Um Robin Hood mais humano e menos lenda

O realizador Michael Sarnoski, que chamou a atenção da crítica com Pig – A Viagem de Rob e mais recentemente realizou Um Lugar Silencioso: Dia Um, parece determinado em desmontar o mito clássico para encontrar algo mais cru e intimista. Segundo o comunicado divulgado pela NOS Audiovisuais, o filme procura explorar “um retrato mais humano de uma figura confrontada com o seu passado e com a lenda que ajudou a construir”.

E a verdade é que Hugh Jackman parece uma escolha particularmente interessante para essa abordagem. O actor australiano já provou inúmeras vezes que consegue equilibrar intensidade física com fragilidade emocional — basta lembrar Logan, filme que também pegava num herói lendário e o transformava numa figura cansada, violenta e profundamente marcada pelo peso da própria história.

Tudo indica que A Morte de Robin Hood segue um caminho semelhante: menos fantasia heróica e mais reflexão sobre o homem por trás da lenda. Um fora da lei envelhecido, perseguido pelos erros do passado e pela violência que ajudou a alimentar.

Jodie Comer e Bill Skarsgård juntam-se ao elenco

Além de Jackman, o filme conta ainda com Jodie Comer e Bill Skarsgård, dois nomes que continuam a consolidar carreiras particularmente interessantes em Hollywood. Comer, vencedora de um Emmy graças a Killing Eve, tem demonstrado uma capacidade rara para misturar vulnerabilidade e intensidade. Já Skarsgård continua a afastar-se da sombra de Pennywise para construir uma filmografia cada vez mais variada e imprevisível.

Embora ainda não tenham sido revelados muitos detalhes sobre as personagens, a presença dos dois actores reforça a ideia de que este não será apenas mais um filme de acção medieval feito à pressa para aproveitar um nome conhecido.

Até porque Robin Hood tem vivido uma relação complicada com o cinema moderno. Nos últimos anos, várias tentativas de revitalizar a personagem acabaram por passar despercebidas ou falhar junto da crítica e do público. Talvez precisamente porque insistiam em transformar a lenda numa espécie de super-herói medieval em vez de explorarem aquilo que sempre tornou a personagem interessante: a ambiguidade moral.

Uma nova vida para uma velha lenda?

O mais curioso nesta nova versão é precisamente o facto de parecer interessada em discutir o próprio mito de Robin Hood. O comunicado fala num herói confrontado “com o peso do mito” e isso pode abrir espaço para algo mais introspectivo e adulto do que o habitual.

Num momento em que Hollywood parece cada vez mais obcecada por reciclar personagens conhecidas, talvez a única forma de justificar mais um Robin Hood seja precisamente esta: abandonar a aventura confortável e olhar para a figura com alguma melancolia, violência e humanidade.

Se Michael Sarnoski conseguir trazer para este universo o mesmo tom emocional que mostrou em Pig, então A Morte de Robin Hood pode acabar por surpreender muita gente.

E convenhamos: ver Hugh Jackman de arco na mão continua a soar bastante melhor do que mais uma origem genérica de super-herói.

Cannes Invade o TVCine: Há Um Domingo Inteiro Dedicado ao Melhor Cinema de Autor

O brilho da Croisette vai chegar mais cedo a casa dos cinéfilos portugueses. Enquanto o mundo do cinema volta a olhar para o sul de França com mais uma edição do lendário Festival de Cannes, o TVCine Edition prepara uma verdadeira maratona cinematográfica dedicada ao espírito do mais prestigiado festival do mundo. No próximo dia 17 de Maio, a partir das 14h35, o canal exibe o especial “Um Domingo em Cannes”, uma selecção de cinco filmes que passaram por diferentes secções do festival e que prometem transformar o sofá numa espécie de mini Palais des Festivals. 

Mais do que uma simples programação temática, esta iniciativa funciona quase como uma carta de amor ao cinema de autor contemporâneo. Ao longo de décadas, Cannes tornou-se muito mais do que um desfile de estrelas e vestidos extravagantes na passadeira vermelha. O festival francês continua a ser uma das principais plataformas mundiais para descobrir novos realizadores, tendências cinematográficas e histórias capazes de desafiar o público, provocar discussão e redefinir a linguagem do cinema.

E o alinhamento escolhido pelo TVCine Edition mostra precisamente essa diversidade artística que fez de Cannes uma referência incontornável para qualquer amante da sétima arte.

Palestina, Taiwan, Paris, Londres e mundos virtuais

A viagem começa às 14h35 com A Uma Terra Desconhecida, segunda longa-metragem do realizador palestiniano Mahdi Fleifel. O filme, apresentado na Quinzena dos Realizadores de 2024, acompanha dois primos palestinianos presos numa realidade marcada pela sobrevivência, imigração e desespero. Em Atenas, tentam reunir dinheiro para fugir para a Alemanha, mas rapidamente mergulham num esquema perigoso que os obriga a explorar outros refugiados. Uma história dura, humana e profundamente actual.

Às 16h20 chega Locust, estreia em longa-metragem do realizador taiwanês-americano KEFF, exibida na Semana da Crítica em 2024. O thriller dramático acompanha um jovem dividido entre a vida familiar e o submundo criminoso de Taiwan, enquanto o país vive um período de tensão política influenciado pelos protestos de Hong Kong. O filme cruza violência, juventude marginalizada e corrupção social num retrato intenso e sombrio.

Mas um dos momentos mais curiosos da programação surge às 18h30 com Nouvelle Vague, o novo filme de Richard Linklater. Sim, o realizador de Boyhood e da trilogia Before decidiu mergulhar na história do cinema francês para recriar os bastidores do nascimento da revolucionária “Nouvelle Vague”. O filme acompanha um jovem Jean-Luc Godard durante a produção de O Acossado, mostrando como aquele grupo de cineastas franceses mudou para sempre a forma de fazer cinema. Para os verdadeiros cinéfilos, isto soa quase como pornografia cinematográfica — no melhor sentido possível.

Harris Dickinson estreia-se atrás das câmaras

À noite, o especial continua com um dos filmes mais comentados da recente edição de Cannes. Urchin – Pelas Ruas de Londres, exibido às 20h20, marca a estreia na realização de Harris Dickinson, actor que muitos conheceram em filmes como Triangle of Sadness ou The Iron Claw. O drama acompanha um jovem sem-abrigo e toxicodependente que tenta desesperadamente reconstruir a sua vida nas ruas de Londres.

O filme conquistou o prémio FIPRESCI da crítica internacional e também o prémio de melhor actor para Frank Dillane, algo que imediatamente chamou a atenção da imprensa especializada durante o festival. A crítica internacional destacou sobretudo a forma crua, mas profundamente humana, como Dickinson retrata exclusão social, dependência e vulnerabilidade emocional.

A fechar a maratona, às 22h00, chega Devorar a Noite, da dupla francesa Caroline Poggi e Jonathan Vinel. O filme mistura romance queer, thriller psicológico e obsessão digital numa história onde o mundo virtual se torna tão importante quanto a realidade. Entre videojogos online, relações intensas e destruição emocional, o filme explora a solidão e o desejo de pertença numa geração cada vez mais ligada a universos digitais.

Um festival dentro de casa

O especial “Um Domingo em Cannes” parece pensado precisamente para quem gosta daquele cinema que não aparece normalmente nos grandes multiplexes, mas que fica na memória durante dias. Histórias desconfortáveis, humanas, provocadoras e visualmente ousadas — exactamente o tipo de obras que Cannes costuma transformar em fenómenos cinéfilos.

E para quem ficar com vontade de continuar a viagem cinematográfica, o TVCine Edition já confirmou também o especial “Além Cannes”, nos dias 24 e 31 de Maio, dedicado a filmes premiados noutros festivais internacionais.

Resumindo: preparem as mantas, desliguem o cérebro de scrolling automático e entreguem-se a um domingo inteiro de cinema que quer fazer pensar, sentir e discutir o mundo. Porque às vezes o melhor bilhete para Cannes… é mesmo o comando da televisão.

Os 10 Melhores Filmes de Acção de Vin Diesel — muito além dos carros

Vin Diesel é um dos actores mais subestimados do cinema de acção — não porque o seu talento dramático seja excepcional, mas porque a franchise que o tornou famoso é frequentemente tratada com condescendência que não merece. Com o 25.º aniversário do primeiro Velocidade & Paixão a ser celebrado esta semana em Cannes, é o momento certo para olhar para a totalidade de uma carreira de acção que vai muito além de Dom Toretto.

10. Os Guardiões da Galáxia (2014) Tecnicamente é apenas a sua voz — e um corpo de captura de movimentos. Mas “I am Groot” dito com mais emoção do que muitos actores conseguem com um monólogo completo é uma conquista que merece reconhecimento. Groot é um dos personagens mais queridos do MCU e Diesel é a sua única voz possível.

9. Velocidade Furiosa 8 (2017) A oitava entrada da saga é onde a franchise atingiu o seu pico de absurdo glorioso — Charlize Theron como a vilã ciberterrorista Cipher, uma perseguição com um submarino nuclear e Dom Toretto a trair a sua família por razões que só fazem sentido se não se pensar demasiado. É exactamente o que devia ser.

8. Velocidade Furiosa 6 (2013) Justin Lin dirigiu a melhor sequência de acção da franchise — um avião de carga numa pista de aterragem de 45 quilómetros que desafia todas as leis da física com um prazer evidente. É o filme que consolidou a transformação da saga de corridas de rua em espionagem de escala global.

7. Riddick (2013) O terceiro filme da saga Pitch Black foi financiado em parte pelo próprio Diesel quando nenhum estúdio quis apostar nele. O resultado é um filme de ficção científica de sobrevivência brutal e eficaz, com Diesel no seu elemento mais natural: isolado, em modo predador, contra tudo e todos. É o Diesel mais despido de franchise e mais honesto como presença física.

6. The Last Witch Hunter (2005) Vin Diesel como um guardião imortal de uma criança com poderes sobrenaturais em Moscovo — uma premissa de ficção científica que o actor produziu e protagonizou por amor ao material. É um filme imperfeito mas genuinamente ambicioso, e a única vez que Diesel tentou construir um universo cinematográfico completamente fora de qualquer franchise existente.

5. Velocidade Furiosa 5 (2011) O filme que reinventou a franchise. Justin Lin e o argumentista Chris Morgan perceberam que a solução para a fadiga da saga era escalar tudo ao máximo — Rio de Janeiro, Dwayne Johnson, um cofre de aço arrastado por dois carros pelas ruas de uma favela. Funcionou. Fast Five é o melhor filme de heist da franchise e o ponto de viragem que a tornou numa das mais lucrativas da história.

4. xXx (2002) Rob Cohen — o mesmo realizador do primeiro Velocidade Furiosa — voltou a trabalhar com Diesel neste thriller de espionagem onde um extremista desportivo é recrutado pela CIA para uma missão que agentes convencionais não conseguem fazer. Xander Cage é a versão de Diesel de James Bond — mas com snowboard, motas e muito menos fato. Fez 277 milhões de dólares globalmente e confirmou que Diesel podia sustentar uma franchise fora dos carros. A sequela sem ele provou exactamente o contrário.

3. Pitch Black (2000) O filme que criou Riddick e revelou que Vin Diesel podia ser uma estrela de acção sem precisar de um sorriso. David Twohy dirigiu um thriller de ficção científica de baixo orçamento com uma premissa simples — sobreviver num planeta escuro cheio de criaturas que matam à luz — e Diesel entregou uma performance física e vocal que ainda hoje define o personagem.

2. Velocidade Furiosa (2001) O original. Rob Cohen pegou em Ponto de Ruptura, substituiu o surf por corridas de rua ilegais em Los Angeles, e Vin Diesel como Dom Toretto tornou-se instantaneamente numa figura de culto. É um filme simples sobre lealdade, família e carros muito modificados — e a química entre Diesel e Paul Walker é a razão pela qual ainda funciona vinte e cinco anos depois.

1. Velocidade Furiosa 7 (2015) O filme mais emotivo da franchise, inevitavelmente. A conclusão da participação de Paul Walker — que morreu durante as filmagens — foi tratada com uma delicadeza e uma honestidade que o blockbuster raramente consegue. A cena final, com os dois carros a separarem-se numa estrada de montanha, é um dos momentos mais tocantes do cinema de acção da última década.

Meadow Walker vai a Cannes em nome do pai — 25 anos de “Velocidade & Paixão” e uma homenagem que vai partir corações

Esta quarta-feira à meia-noite, o Grande Auditório Lumière do Palácio dos Festivais de Cannes vai receber uma sessão especial para celebrar os 25 anos do primeiro Velocidade & Paixão. Vin Diesel, Jordana Brewster, Michelle Rodriguez e o produtor Neal H. Moritz estarão presentes. E Meadow Walker, a filha de Paul Walker, também estará na Croisette — em memória do pai.

Paul Walker morreu em Novembro de 2013, durante as filmagens do sétimo filme da saga, num acidente de viação em Valência, Califórnia. Tinha 40 anos. Meadow tinha 15. Nos anos que se seguiram, tornou-se numa das presenças mais discretas e ao mesmo tempo mais emotivas nas aparições públicas relacionadas com a franchise — presente nos momentos que importam, ausente no ruído que não importa. A sua presença em Cannes esta noite é exactamente isso: um gesto simples e pesado ao mesmo tempo.

O primeiro Velocidade & Paixão, realizado por Rob Cohen, estreou a 22 de Junho de 2001 com um orçamento de 38 milhões de dólares e fez 207 milhões globalmente — números modestos para o que viria a ser uma das franchises mais lucrativas da história do cinema, com mais de 7 mil milhões de dólares acumulados ao longo de onze filmes. A premissa era simples: um polícia que se infiltra numa gang de corridas de rua em Los Angeles e acaba por se tornar parte da família que devia investigar. Era Ponto de Ruptura com carros tuned, e funcionou porque Vin Diesel e Paul Walker tinham uma química que nenhum argumento tinha de justificar — estava simplesmente lá.

Vinte e cinco anos depois, a franchise está a preparar o décimo segundo filme — o segundo de dois filmes que fecham a saga de Dom Toretto — e Vin Diesel continua a ser a sua alma e o seu motor. Mas é a presença de Meadow Walker esta noite em Cannes, numa sala cheia de pessoas que cresceram com o pai dela, que vai ser o momento que toda a gente vai lembrar amanhã.

“18 Buracos para o Paraíso”: o Alentejo em chamas e três mulheres perante o fim de um mundo
Mestres da Ilusão: Nada é o Que Parece” estreia esta sexta no TVCine — e os Quatro Cavaleiros estão de volta dez anos depois
Os 10 Melhores Filmes de Acção de Keanu Reeves — de Vancouver para o multiverso, passando por um autocarro sem travões
Os 10 Melhores Filmes de Acção de Tom Cruise — o homem que recusou deixar o cinema morrer

“18 Buracos para o Paraíso”: o Alentejo em chamas e três mulheres perante o fim de um mundo

Há um detalhe no título de 18 Buracos para o Paraíso que não é imediato mas que, depois de se saber do que o filme trata, faz todo o sentido: dezoito buracos é uma volta completa de golfe — o desporto que mais transforma a paisagem do interior sul de Portugal, que mais consome água numa região que a não tem, que melhor simboliza a especulação imobiliária que está a redesenhar o Alentejo à imagem dos que chegam com dinheiro e não com raízes. João Nuno Pinto não escolheu o título por acidente.

O novo filme do realizador português chega às salas a 11 de Junho, distribuído pela NOS Audiovisuais, e é o tipo de cinema que o mercado português raramente produz com esta ambição temática: um retrato do colapso ambiental contemporâneo contado através de três perspectivas femininas distintas sobre os mesmos acontecimentos, num Alentejo sufocado pela seca e pela pressão de uma venda imobiliária que vai apagar um mundo. Margarida Marinho, Beatriz Batarda e Rita Cabaço protagonizam — uma tríade que cobre gerações e classes sociais diferentes e que o argumento usa para revelar como a mesma realidade pode ser lida de formas completamente opostas dependendo de quem a vive.

A história instala-se numa herdade no interior sul de Portugal, num verão de calor extremo. Uma família prepara-se para vender as terras herdadas do pai — pressionada pela especulação, fragilizada pela seca prolongada. As irmãs Francisca e Catarina, proprietárias, e Susana, filha da empregada da herdade, vêem o seu destino cruzar-se num espaço que as liga a todas mas que as coloca em lados diferentes de uma herança de poder patriarcal que o calor está a fazer ferver. Quando um incêndio cerca a região e impede todos de sair, as personagens são forçadas a confrontar o que evitaram durante anos.

Pinto, que viveu no Alentejo, fala do território com a familiaridade de quem conhece a diferença entre o Alentejo que existe e o Alentejo que os outros imaginam. “Esta é, na sua essência, uma história sobre o fogo — tanto literal como metafórico, nascido de um pensamento predatório, uma forma de ver o mundo que continua a dominar e a empurrar-nos em direcção ao abismo.” É uma declaração de intenções que situa o filme claramente no território do cinema político — não o cinema de tese, mas o cinema que usa a intimidade das personagens para falar de algo maior.

18 Buracos para o Paraíso é também o primeiro filme português a receber a certificação Green Film, que distingue produções ambientalmente responsáveis — um dado que não é apenas simbólico num filme sobre colapso ambiental. As sessões contarão com audiodescrição e legendas descritivas em sala, promovidas pela AMPLA, garantindo acesso a pessoas cegas, com baixa visão, surdas ou com deficiência auditiva. A estreia é a 11 de Junho.

“Mestres da Ilusão: Nada é o Que Parece” estreia esta sexta no TVCine — e os Quatro Cavaleiros estão de volta dez anos depois

Dez anos é muito tempo para um truque de magia. É também o intervalo entre Mestres da Ilusão 2 e este terceiro capítulo da saga que, desde 2013, transformou o ilusionismo em cinema de acção inteligente — com uma fórmula que mistura Ocean’s Eleven com Criss Angel e resulta melhor do que devia. Mestres da Ilusão: Nada é o Que Parece estreia esta sexta-feira, 15 de Maio, às 21h30, em exclusivo no TVCine Top e TVCine+.

A história retoma os Quatro Cavaleiros — o colectivo de ilusionistas que nos filmes anteriores usou a magia para expor esquemas de corrupção à escala global — numa missão ainda mais ambiciosa: roubar o lendário Diamante Coração a Veronika Vanderberg, uma magnata do crime interpretada por uma actriz ainda não revelada pela produção. O que começa como um assalto meticulosamente planeado transforma-se, inevitavelmente, numa operação de alto risco onde cada passo revela uma nova camada de engano — e onde a linha entre os manipuladores e os manipulados nunca é clara até ao último momento.

Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Isla Fisher e Dave Franco regressam aos papéis que construíram ao longo de uma década, acompanhados por Andrew Santino e por uma nova geração de jovens ilusionistas que trazem ao grupo dinâmicas e técnicas que os Cavaleiros originais não dominam. É exactamente o tipo de renovação de franchise que funciona quando é feita com cuidado — não substituir o que funcionou, mas acrescentar-lhe tensão geracional.

A realização é de Ruben Fleischer — o mesmo de Zombieland e Venom — que herda a cadeira de Louis Leterrier, realizador dos dois primeiros filmes. Fleischer tem um historial de filmes de acção com humor e ritmo acelerado que o torna uma escolha coerente para uma saga que nunca se levou demasiado a sério. A promessa da produção é um filme com hologramas, perseguições, jogos de manipulação e reviravoltas que dificilmente chegarão ao ecrã sem pelo menos uma que ninguém esperava.

Esta sexta-feira, 15 de Maio, às 21h30. TVCine Top e TVCine+.

Os 10 Melhores Filmes de Acção de Tom Cruise — o homem que recusou deixar o cinema morrer

Os 10 Melhores Filmes de Acção de Keanu Reeves — de Vancouver para o multiverso, passando por um autocarro sem travões

Os 10 Melhores Filmes de Acção de Keanu Reeves — de Vancouver para o multiverso, passando por um autocarro sem travões

Keanu Reeves é um caso único em Hollywood. Não tem o histórico de prémios de um Daniel Day-Lewis nem a versatilidade técnica de um Meryl Streep — e não precisa. O que tem é uma presença física e uma qualidade de quietude que funciona de formas que a maioria dos actores mais “sérios” nunca conseguiu replicar no cinema de acção. É também o actor de acção mais amado da internet — um estatuto que conquistou tanto pelos seus papéis como pela forma como se comporta fora deles. Com John Wick: Capítulo 5 em pré-produção, é o momento certo para revisitar como chegámos aqui.

10. 47 Ronin (2013) Carl Rinsch dirigiu esta reinterpretação da lenda japonesa dos 47 ronin com Reeves como Kai, um guerreiro de origem mista que se junta aos samurais na sua missão de vingança. É um filme injustamente maltratado pela crítica na época — visualmente rico, com uma mitologia construída com cuidado e Reeves completamente à vontade num registo épico que poucos actores ocidentais conseguem habitar com credibilidade.

9. John Wick: Capítulo 4 (2023) Chad Stahelski pegou no universo que construiu ao longo de uma década e entregou o filme mais ambicioso da saga — uma perseguição pelo mundo inteiro que culmina numa sequência em Paris filmada de cima para baixo num plano de drone que é pura coreografia de acção. É longo, é excessivo e é exactamente o que devia ser.

8. Matrix Revoluções (2003) O fecho da trilogia original é o mais dividido dos três — e também o que tem a batalha mais épica, com a defesa de Zion contra as máquinas numa sequência de guerra que os efeitos visuais de 2003 tornaram possível pela primeira vez. Reeves como Neo em modo de sacrifício final é uma imagem que encerrou uma trilogia com o peso que ela merecia.

7. Ponto de Ruptura (1991) Kathryn Bigelow — que mais tarde ganharia o Óscar por The Hurt Locker — dirigiu Reeves como um agente do FBI que se infiltra numa gang de surfistas suspeitos de assaltos a bancos. É um filme de acção dos anos 90 no seu estado mais puro: adrenalina, sol, Patrick Swayze e uma premissa que só funciona se não se pensar demasiado. É também o filme onde Reeves percebeu que o cinema de acção era o seu território.

6. John Wick: Capítulo 3 — Parabellum (2019) A terceira entrada da saga é a mais inventiva em termos de cenários e adversários — de um museu de armas a um deserto marroquino, passando por um hotel cheio de assassinos em fato de gala. Halle Berry e os seus cães treinados roubam metade do filme. A outra metade pertence a Reeves, que aos 54 anos fazia ainda sequências físicas que actores vinte anos mais novos recusariam.

5. Velocidade Máxima (1994) Jan de Bont colocou um autocarro com uma bomba que não pode abrandar abaixo dos 80km/h e dois actores — Reeves e Sandra Bullock — que tinham exactamente a química necessária para tornar a premissa absurda em cinema genuinamente tenso. É puro entretenimento de alta octanagem, filmado com uma competência técnica que muitos blockbusters actuais com dez vezes o orçamento não conseguem igualar.

4. Matrix Recarregado (2003) O segundo filme da trilogia é o mais ambicioso e o mais dividido — e também o que tem a melhor cena de acção dos três: a perseguição na auto-estrada, filmada numa pista construída de raiz em Oakland, continua a ser uma das sequências mais impressionantes tecnicamente do cinema de ficção científica. Reeves como Neo em modo de domínio total é uma imagem que define uma geração de cinema.

3. John Wick: Capítulo 2 (2017) Se o primeiro John Wick apresentou o personagem, o segundo expandiu o seu universo com uma ambição e uma coerência visual raramente vistas no cinema de acção. Stahelski construiu um filme que usa Roma como palco para alguns dos confrontos mais coreografados e mais esteticamente coerentes do género — com um duelo final num labirinto de espelhos que é pura elegância cinematográfica.

2. John Wick (2014) Chad Stahelski e David Leitch pegaram numa premissa simples — um assassino reformado que regressa ao negócio depois de matarem o seu cão — e construíram um dos filmes de acção mais influentes da última década. O estilo visual limpo, a coreografia de combate baseada em artes marciais reais e a construção de um submundo criminal com as suas próprias regras redefiniu o que o cinema de acção podia ser. Tudo o que veio depois deve algo a John Wick.

1. Matrix (1999) As irmãs Wachowski mudaram o cinema de ficção científica, a estética visual do blockbuster e a forma como toda uma geração pensa sobre realidade e ilusão. Reeves como Neo — o programador que descobre que o mundo que conhece é uma simulação — é uma das performances mais icónicas dos últimos trinta anos. “There is no spoon.” Trinta anos depois, toda a gente sabe o que isso significa — e toda a gente sabe como Keanu Reeves dobrou aquela colher.

Concordam com as nossas escolhas? Façam os vossos comentários.

Os 10 Melhores Filmes de Acção de Tom Cruise — o homem que recusou deixar o cinema morrer

Tom Cruise tem 63 anos, continua a fazer as suas próprias acrobacias e é provavelmente o último grande astro de Hollywood no sentido clássico do termo — um actor cuja presença num cartaz ainda move bilhetes em todo o mundo, independentemente do argumento ou do realizador. Com Mission: Impossible — The Final Reckoning disponível no Prime Video em Portugal, é o momento certo para revisitar os filmes de acção do homem que, há quatro décadas, recusa sistematicamente fazer o que é esperado dele.

10. Guerra dos Mundos (2005) Steven Spielberg pegou no romance de H.G. Wells e construiu um dos filmes de invasão alienígena mais angustiantes do cinema americano. Cruise interpreta Ray Ferrier, um pai divorciado que tenta salvar os filhos numa América em colapso total — um papel invulgar para o actor porque o coloca deliberadamente numa posição de impotência. É o Cruise mais assustado e mais humano que alguma vez vimos em ecrã.

9. Jack Reacher (2012) Christopher McQuarrie adaptou o romance de Lee Child com uma precisão e uma contenção que o género raramente permite. Cruise como Reacher — o ex-policia militar que investiga um tiroteio aparentemente resolvido — é pura eficiência: sem artifícios, sem gadgets, com os punhos e uma inteligência que vai sempre dois passos à frente dos outros. A cena de perseguição de carro em Pittsburgh é um exercício de construção de tensão impecável.

8. Oblivion (2013) Joseph Kosinski — que mais tarde realizaria Top Gun: Maverick — dirigiu este thriller de ficção científica sobre um técnico de drones que patrulha uma Terra pós-apocalíptica e começa a questionar tudo o que lhe foi ensinado. É visualmente deslumbrante, tem uma das melhores bandas sonoras de M83 do cinema e Cruise está num registo mais contido e mais introspectivo do que habitualmente. Injustamente esquecido.

7. No Limite do Amanhã (2014) Doug Liman pegou numa premissa de videojogo — um soldado que revive o mesmo dia de combate infinitamente até aprender a ganhar — e construiu um dos filmes de ficção científica de acção mais inventivos da última década. Cruise morre dezenas de vezes ao longo do filme, sempre de formas diferentes e cada vez mais absurdas, e a dinâmica com Emily Blunt como a soldada de elite que o treina é uma das melhores parcerias de acção dos anos 2010.

6. Missão: Impossível — Protocolo Fantasma (2011) Brad Bird — o realizador de Os Incríveis — estreou-se na acção ao vivo com este quarto filme da saga e entregou o espectáculo mais puro da franchise até à data. A sequência na Torre Khalifa em Dubai, onde Cruise escala o exterior do edifício mais alto do mundo sem rede de segurança, é um dos momentos de cinema de acção mais vertiginosos de sempre. Não porque haja truques de câmara. Porque não há.

5. Top Gun (1986) Tony Scott filmou aviões de caça ao pôr do sol, colocou Ray-Bans em Tom Cruise e criou um dos maiores fenómenos culturais dos anos 80. Pete “Maverick” Mitchell não é apenas uma personagem — é o momento em que Tom Cruise se tornou Tom Cruise. O argumento é simples e a lógica militar generosa, mas a energia do filme e a presença de Cruise são irresistíveis trinta anos depois.

4. Missão: Impossível — Nação Proscrita (2015) A quinta entrada da saga é também a mais elegante. McQuarrie introduziu a Syndicate — uma organização espelho da IMF formada por agentes apagados dos registos — e construiu à sua volta um thriller de espionagem com uma sequência de abertura na asa de um Airbus A400M em pleno voo que estabelece o tom de imediato. Rebecca Ferguson estreou-se na franchise como Ilsa Faust e roubou completamente o filme a Cruise — algo que muito poucos actores conseguem fazer.

3. Missão: Impossível — The Final Reckoning (2025) O oitavo e último filme da saga é uma das mais ambiciosas produções de acção da história do cinema, com uma sequência subaquática filmada em condições reais e uma conclusão que fecha trinta anos de missões com a seriedade que merecem. Está disponível no Prime Video em Portugal.

2. Top Gun: Maverick (2022) O melhor blockbuster de 2022 e um dos filmes mais bem-sucedidos de sempre. Kosinski pegou na nostalgia do original e construiu à sua volta um filme de aviação genuinamente emocionante, filmado com aviões reais e pilotos reais a atingir velocidades reais. Fez 1,49 mil milhões de dólares globalmente. É o filme que provou que Cruise, aos 59 anos, ainda era o maior astro de cinema do mundo.

1. Missão: Impossível — Fallout (2018) O melhor filme da franchise, num consenso raro entre crítica e público. Christopher McQuarrie construiu uma sequência de acção atrás da outra com uma precisão e uma elegância que o género raramente alcança — e a perseguição de mota em Paris, filmada em plano-sequência real, é uma das cenas de acção mais bem executadas da história do cinema. Cruise partiu o tornozelo durante as filmagens de uma das sequências. Continuou a rodar. Isso diz tudo.

E vocês? Estão de acordo com este ranking, Então e Minority Report ou Colateral? Partilhem a vossa opinião nos comentários.

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Actualizado 17 de Maio de 2026

“Vought Rising”: o prequel de “The Boys” nos anos 50 — e Eric Kripke garante que a Stormfront continua a ser nazi

Eric Kripke foi directo quando lhe perguntaram se Vought Rising vai tentar tornar Stormfront numa personagem simpática: “De forma alguma pedirei ao público para simpatizar com a Stormfront. Ela é uma nazi e é horrível.” É uma declaração que diz muito sobre o tom da série — e sobre a forma como Kripke quer distinguir o prequel da tendência de redenção retroactiva que frequentemente aflige as origens de vilões. 

Vought Rising é descrita pelos criadores como um “twisted murder mystery sobre as origens da Vought nos anos 50, as primeiras aventuras de Soldier Boy e as manobras diabólicas de uma Supe conhecida pelos fãs como Stormfront, que na altura atendia pelo nome de Clara Vought.” Jensen Ackles e Aya Cash regressam aos papéis de Soldier Boy e Stormfront que interpretaram em The Boys, acompanhados por Elizabeth Posey, Will Hochman e Mason Dye no elenco principal. As filmagens terminaram em Março de 2026 e a série está agora em pós-produção, com estreia prevista para 2027 no Prime Video.

O contexto da série é mais rico do que o título sugere. Os anos 50 americanos — a Guerra Fria, o Red Scare, o McCarthyismo, a paranóia sobre comunistas e inimigos internos — são exactamente o tipo de terreno onde a brutalidade satírica de The Boys pode ir buscar novos combustíveis. O primeiro episódio intitula-se precisamente “Red Scare” — uma declaração de intenções que não deixa dúvidas sobre o ângulo político da série. Kripke garantiu ainda que a série funciona independentemente de se ter visto The Boys, após testes de audiência com espectadores sem qualquer contexto do universo que reagiram positivamente. 

Para quem acompanhou The Boys até ao fim da quinta temporada — disponível no Prime Video em Portugal — Vought Rising é a próxima paragem obrigatória no universo. Para quem nunca viu, pode ser uma porta de entrada inesperadamente acessível.

Stephanie Hsu, Guy Pearce e Hannah Waddingham num thriller de assalto ao banco que quer ser o novo “Os Suspeitos do Costume”

“Harry Potter” renovado para a segunda temporada antes de estrear — e o elenco é uma lição de casting

“Rivals” regressa a 15 de Maio no Disney+ — e os anos 80 nunca foram tão maus como isto

Stephanie Hsu, Guy Pearce e Hannah Waddingham num thriller de assalto ao banco que quer ser o novo “Os Suspeitos do Costume”

Stephanie Hsu, cuja performance em Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo lhe valeu uma nomeação ao Óscar, garantiu o seu próximo grande papel: Violet, uma funcionária de banco que se sente invisível ao mundo e cuja vida muda quando um agente rogue do FBI a manipula para ajudar a assaltar o próprio banco onde trabalha. O filme chama-se The Teller, foi apresentado hoje ao mercado de Cannes, e tem Guy Pearce como o agente federal e Hannah Waddingham num papel ainda não revelado.

Os produtores descrevem-no como estando no espírito de Os Suspeitos do Costume e The Town — dois filmes que usaram o thriller de crime como pano de fundo para estudos de personagem muito mais ricos do que o género habitualmente permite. O realizador é Ben Ripley, que faz aqui a sua estreia como realizador depois de anos como argumentista — é o mesmo que escreveu Source Code, o thriller de ficção científica de Duncan Jones com Jake Gyllenhaal que em 2011 surpreendeu pela sua construção narrativa. A transição de argumentista para realizador com este elenco e este material é exatamente o tipo de aposta que o circuito de festivais tende a recompensar. 

O trio é difícil de resistir em termos de casting. Hsu vem de um dos papéis mais físicos e emocionalmente exigentes do cinema recente; Pearce — nomeado ao Óscar por The Brutalist — é um dos actores mais versáteis e menos previsíveis da sua geração; e Waddingham, que esta semana encerrou a temporada de Ted Lasso e ganhou reconhecimento renovado com o BAFTA, está claramente a aproveitar o momento para escolher projectos fora da zona de conforto. As filmagens decorrem na Irlanda do Norte, embora o filme se passe em São Francisco. Data de estreia ainda não confirmada. 

“Harry Potter” renovado para a segunda temporada antes de estrear — e o elenco é uma lição de casting
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“Harry Potter” renovado para a segunda temporada antes de estrear — e o elenco é uma lição de casting

A HBO renovou a série Harry Potter para uma segunda temporada mesmo antes de a primeira chegar aos ecrãs, com as filmagens da T2 previstas para o Outono de 2026 — ainda antes da estreia de Natal da primeira temporada. A decisão não é surpreendente — o primeiro trailer da série tornou-se o mais visto da história da HBO e Max, acumulando mais de 277 milhões de visualizações orgânicas nas primeiras 48 horas online — mas confirma que a plataforma está a tratar este projecto como o evento de uma geração que ele efectivamente é. 

A primeira temporada, intitulada Harry Potter e a Pedra Filosofal, estreia no Natal de 2026 em oito episódios, dando à história muito mais espaço para respirar do que o filme original de duas horas. A segunda temporada adaptará Harry Potter e o Câmara Secreta, e Jon Brown — escritor da primeira temporada e veterano de Succession — foi promovido a co-showrunner ao lado de Francesca Gardiner. 

O elenco é onde a série tem gerado mais conversa. Dominic McLaughlin lidera como Harry Potter, acompanhado por Arabella Stanton como Hermione Granger e Alastair Stout como Ron Weasley — todos escolhidos de um casting aberto que recebeu mais de 30.000 candidaturas de crianças. No elenco adulto, John Lithgow é Dumbledore — seis Emmys, dois Tonys, nomeado ao Óscar — Janet McTeer é a Professora McGonagall, Paapa Essiedu é o Professor Snape e Nick Frost é Hagrid. Katherine Parkinson — que ganhou o BAFTA de Actriz em Comédia esta semana — é Molly Weasley, e Johnny Flynn é Lucius Malfoy. 

A escolha de Paapa Essiedu para Snape tem sido a mais discutida. O actor, conhecido de I May Destroy You e The Lazarus Project, tomou o lugar de Alan Rickman numa das personagens mais complexas da saga, e a sua escolha dividiu o fandom em discussões sobre representação, legado e os limites da reimaginação de um ícone cultural. J.K. Rowling, que é produtora executiva da série, partilhou feedback positivo sobre os argumentos dos dois primeiros episódios nas redes sociais em Junho de 2025, confirmando que trabalhou de perto com os escritores, embora sem crédito de escrita. 

Em Portugal, a série estará disponível no Max a partir do Natal de 2026. Vale reservar a data.

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Se não viste a primeira temporada de Rivals, o resumo é simples: é a série que Downton Abbey seria se os seus criadores tivessem decidido que a decência era opcional. Baseada no romance de Jilly Cooper — publicado em 1988 e durante décadas considerado demasiado escandaloso para ser adaptado para televisão — a série da Disney+ é puro excesso dos anos 80 com produção de primeira linha e um elenco que claramente está a divertir-se. A segunda temporada estreia em Portugal a 15 de Maio.

O pano de fundo é a guerra pela concessão televisiva da região Central South West de Inglaterra — um conflito entre a Corinium, o canal estabelecido liderado pelo implacável Tony Baddingham, e a Venturer, a operadora desafiante. É, em teoria, uma história sobre media e poder empresarial. Na prática, é uma desculpa para explorar adultérios, escândalos, manipulações, casamentos a desmoronar e segredos enterrados há décadas que voltam à superfície no pior momento possível. Cooper escreveu o livro com uma generosidade de detalhes que a série preservou com entusiasmo: cada personagem tem uma vida própria fora das cenas principais, e a sensação de habitar um universo completo é um dos maiores prazeres da série.

A segunda temporada retoma exactamente onde a primeira terminou — com Baddingham mais determinado do que nunca a destruir os seus rivais e a vida pessoal de todos os protagonistas em vários graus de colapso. O elenco regressa na íntegra, com David Tennant, Katherine Parkinson e Alex Hassell nas posições centrais. Para quem viu a primeira temporada, a questão não é se vale a pena — é quando se começa. Para quem ainda não viu, há tempo para recuperar antes de quinta-feira.

Rivals T2 estreia a 15 de Maio no Disney+.

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