Cristiano Ronaldo vai estrear-se como actor e produtor executivo em “Day 1s”, nova série dramática centrada nos bastidores do futebol inglês, protagonizada por Damian Lewis (“Homeland”, “Billions”) no papel de Stanley Dalton, um agente de futebol britânico fictício de grande influência. É a primeira produção televisiva da UR•Marv Studios, a produtora que Ronaldo fundou em parceria com o realizador Matthew Vaughn — nome conhecido do público por “Kingsman” e “Kick-Ass”.
A série parte de uma ideia original do agente de futebol Darren Dein, e as filmagens já arrancaram em Londres. Ao elenco junta-se ainda Thierry Henry, antiga estrela do Arsenal e da selecção francesa, e o rapper britânico Dave — uma combinação de nomes que sugere uma série pensada tanto para o público do desporto como para quem segue televisão de prestígio. O financiamento é independente, e as comparações mais imediatas vão para “Ballers”, da HBO, que também usava o desporto profissional como pretexto para retratar o lado mais comercial e implacável do negócio à sua volta.
Para Ronaldo, é um passo que confirma uma ambição que já vinha a desenhar-se fora dos relvados: a de construir, ao lado de Vaughn, uma produtora com peso próprio na indústria do entretenimento — não apenas emprestar o nome a um projecto, mas assumir também o palco à frente das câmaras, numa estreia como actor de ficção que dificilmente passará despercebida.
Levantado o embargo, as primeiras críticas a “Homem-Aranha: Um Novo Dia” confirmam o que os estúdios mais queriam ouvir a três dias da estreia: o filme está a ser recebido com entusiasmo quase unânime. A pontuação no Rotten Tomatoes ronda os 89%, com o Metacritic a marcar 70 — números sólidos para um quarto capítulo de saga, um território onde a fadiga de franquia costuma pesar.
O consenso da crítica aponta para uma escolha deliberada de Destin Daniel Cretton: afastar o filme do espectáculo multiverso que dominou as entradas anteriores e devolver a história a uma escala mais pequena, centrada na vida de Peter Parker. “A Marvel reduz a fadiga do multiverso a favor de uma história de Homem-Aranha mais enraizada, de volta às raízes citadinas e cinzentas”, resume um dos críticos citados. A prestação de Tom Holland é o outro ponto recorrente dos elogios — descrita pelo USA Today como o “filme de Homem-Aranha mais adulto” do actor, e pelo IndieWire como a sua interpretação “mais matizada e madura” na personagem até hoje.
Nem tudo são elogios: vários críticos apontam um enredo sobrecarregado, ritmo irregular e uma dependência excessiva de fórmulas já conhecidas do MCU, com queixas sobre personagens secundárias pouco desenvolvidas e uma sensação de que o filme está mais preocupado em preparar capítulos futuros do que em se bastar a si mesmo. Ainda assim, é a recepção mais positiva que a saga tem tido desde “Sem Volta a Casa” — e chega mesmo a tempo de alimentar a already forte expectativa de bilheteira para a estreia de 31 de julho.
Alternativa: “O clássico da Disney sobre a jovem que desafiou o oceano chega ao Disney Channel”
O Disney Channel estreia “Vaiana” no dia 1 de agosto, sábado, às 11h05, com repetição no dia seguinte, às 20h15. É um dos títulos mais reconhecíveis de toda a animação Disney da última década a chegar à grelha do canal, numa altura em que o nome “Vaiana” está também em destaque no cinema, graças à versão live-action já em exibição nas salas — uma coincidência de calendário que só reforça o interesse do público mais jovem pela personagem.
Na história, ambientada na Polinésia antiga, uma terrível maldição provocada pelo semideus Maui atinge a ilha de Vaiana, e é ela quem responde ao apelo do Oceano para procurar Maui e repor a ordem no mundo. Juntos, os dois atravessam o oceano numa viagem cheia de acção e humor, cruzando-se com criaturas marinhas gigantescas e submundos surpreendentes — uma aventura que, para Vaiana, se transforma também numa descoberta sobre a sua própria identidade.
Com a repetição já marcada para o dia seguinte, o Disney Channel garante duas oportunidades de ver o filme logo no arranque do mês — uma escolha de programação que aproveita claramente o momento de maior visibilidade da personagem junto do público português.
O Disney Junior estreia, já no dia 1 de agosto, às 08h35, com repetições às 10h45, 13h25, 16h40 e 20h25, o episódio especial “A Casa do Mickey Mouse: O Musical do Mickey na Quinta”. É uma aposta clássica do canal para o arranque do mês: um episódio único, pensado para funcionar como pequeno acontecimento dentro da grelha regular da série.
Na história, Mickey e os amigos usam os novos veículos agrícolas do clube para construir a melhor Feira Agrícola de sempre — motivados pela esperança de que a ídolo cowgirl da Margarida apareça no evento. É uma premissa simples, ao gosto da série, mas com espaço reservado para as canções e momentos de amizade que continuam a ser a assinatura de “A Casa do Mickey Mouse” desde a estreia original, agora renovada em formato “+” para uma nova geração de espectadores mais pequenos.
Para as famílias que seguem a programação do Disney Junior, este tipo de episódio especial funciona também como aquecimento para o resto do mês, que inclui ainda novos episódios regulares a partir do dia 3 e o regresso de “RoboGobo” no dia 8.
Benedict Cumberbatch, Alan Cumming e Benedict Wong assinam um artigo de opinião no The Guardian a pedir ao governo britânico que trave a fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery, avaliada em 111 mil milhões de dólares — a mesma operação que, nos Estados Unidos, já foi suspensa temporariamente por uma juíza federal na sequência de uma acção de doze procuradores-gerais estaduais.
O texto, publicado sob o título “A TV and cinema calamity could be disastrous for what you watch and what you know. Act now to stop that”, apela directamente a Lisa Nandy, secretária de Estado para a Cultura, Media e Desporto, para que intervenha ao abrigo do Enterprise Act de 2002. “Os actores são frequentemente aconselhados a manterem-se fora de argumentos legais”, escrevem os três. “Mas passámos as nossas vidas em plateaus britânicos suficientes, trabalhámos ao lado de equipas técnicas britânicas suficientes […] para sabermos que isto não é o argumento de outra pessoa. É nosso.”
A preocupação central do trio vai além do impacto directo na indústria de produção: é sobre concentração de meios de informação. A fusão juntaria sob o mesmo tecto o Channel 5, propriedade da Paramount, e a CNN e a CNN International, controladas pela Warner Bros. Discovery. “Se um único proprietário com interesses comerciais controla o acesso a ambos, controla a matéria-prima da nossa memória histórica”, argumentam. “Um único proprietário a controlar esta fatia das notícias — e da verdade — põe em risco o público de uma forma que uma consolidação normal não põe.”
Nandy já reconheceu, em declarações recentes ao Parlamento britânico, estar “inclinada a intervir” no processo. Fica por saber se o apelo de três dos nomes mais respeitados do cinema e televisão britânicos – Cumberbatch com “Sherlock” e o universo Marvel, Cumming com décadas de teatro e televisão premiada, Wong como um dos rostos mais reconhecíveis do cinema de género britânico recente — vai pesar na decisão final, mas o caso soma-se agora a uma frente de resistência que já atravessa dois continentes.
O Canal Cinemundo transforma as segundas-feiras de agosto num pequeno curso intensivo de Alfred Hitchcock, com cinco dos títulos mais influentes do realizador a passar, semana a semana, às 20h30. O ciclo arranca já no dia 3 de agosto com “O Homem que Sabia Demais”, de 1956, e segue depois com “A Mulher que Viveu Duas Vezes” (10 de agosto), “Psico” (17 de agosto), “Os Pássaros” (24 de agosto) e “Marnie” (31 de agosto) — um percurso que atravessa praticamente toda a fase mais reconhecível da carreira do “mestre do suspense”, da intriga internacional ao terror puro, passando pelo filme que redefiniu para sempre o que um thriller psicológico podia ser.
A escolha de abertura não é inocente. Em “O Homem que Sabia Demais”, James Stewart e Doris Day interpretam Ben McKenna e Jo Conway, um casal americano de férias em Marrocos que testemunha um crime e se vê arrastado para uma intriga internacional depois de o filho ser raptado para os silenciar. É um Hitchcock ainda a operar em registo mais clássico de espionagem e suspense geográfico, antes das obras mais sombrias que se seguem no resto do ciclo — uma escolha que funciona quase como isca para quem só conhece o realizador pelos títulos mais citados, “Psico” à cabeça.
Vale a pena assinalar o ciclo no seu conjunto, não apenas o arranque: são cinco segundas-feiras consecutivas que praticamente compõem uma retrospectiva em casa, sem necessidade de streaming de nicho ou cinemateca. Para o Canal Cinemundo, que assume no seu posicionamento uma programação pensada “para um público exigente”, é este tipo de curadoria temática — e não apenas a novidade — que continua a justificar espaço fixo na grelha.
O Teatro Aveirense associa-se, entre os dias 27 e 30 de julho, às comemorações da 30ª edição do Festival de Cinema AVANCA, com uma programação gratuita que junta filmes premiados de edições anteriores, sessões dedicadas ao público infantil e a apresentação de obras da Competição Oficial de 2026, com a presença de realizadores e produtores. É a primeira vez, numa edição que se assume como histórica, que o festival expande a programação para lá de Avanca e chega a outras cidades e regiões do país.
As exibições arrancam hoje, segunda-feira, com duas longas já testadas junto do público do festival: às 18h00, a comédia belga “Amanhã, se Tudo Correr Bem”, de Ivan Goldschmidt; às 21h30, “O Palhaço de Cara Limpa”, do brasileiro Camilo Cavalcante, vencedor da última edição do AVANCA e um dos títulos mais aplaudidos de sempre no festival. Na terça-feira, dia 28, a programação segue com “Soula”, de Issaad Salah, um dos filmes que ajudou a revelar internacionalmente o novo cinema argelino, às 18h00, e “Obraz”, do montenegrino Nikola Vukčević, distinguido pelo AVANCA e amplamente reconhecido pela crítica internacional, às 21h30.
Quarta-feira, dia 29, marca o arranque oficial das competições da 30ª edição, com cerimónia de abertura em Avanca — incluindo a entrega dos prémios da edição anterior e um momento evocativo dos quase trinta anos de festival. No Teatro Aveirense, esse dia fica inteiramente reservado ao público mais jovem, com três sessões de cinema de animação, às 10h00, 11h00 e 15h00, com filmes de vários países.
Na quinta-feira, 30 de julho, o Teatro Aveirense passa a integrar directamente a programação competitiva do AVANCA 2026. Às 18h00, é exibido “A Voz da Mãe”, de Ganna Yarovenko, com a realizadora e os produtores presentes para um encontro com o público. Às 21h30, a sessão mais aguardada: “Livros Restantes”, da realizadora brasileira Marcia Paraiso, rodado parcialmente na região de Aveiro, com a presença da própria realizadora e da actriz Denise Fraga, protagonista do filme — uma ligação directa entre a produção e o território que a acolhe, e o momento que melhor resume a aposta desta edição em unir dimensão internacional e enraizamento local.
Todas as sessões têm entrada livre, sujeita à lotação da sala, pelo que a organização recomenda reserva antecipada de lugar. O Festival AVANCA é uma organização do Cine Clube de Avanca e do Município de Estarreja, com apoio do ICA/Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, IPDJ, CIRA, Junta e Agrupamento de Escolas e Paróquia de Avanca, entre outras entidades.
Arrancaram hoje as pré-vendas de bilhetes para “Patrulha Pata: O Filme dos Dinossauros”, que estreia nas salas portuguesas a 6 de agosto, com distribuição da NOS Audiovisuais. Quem quiser garantir lugar antes da estreia já pode comprar bilhete em https://www.patrulhapata-ofilme.pt/
A história leva a equipa canina a uma aterragem de emergência numa ilha tropical desconhecida, habitada por dinossauros, onde conhecem Rex, um jovem cão que ficou preso na ilha durante anos e se tornou um especialista improvável em tudo o que toca a répteis pré-históricos. O conflito surge pela mão do habitual arqui-inimigo da Patrulha, o Presidente da Câmara Humdinger, cuja exploração imprudente dos recursos da ilha desencadeia a erupção de um vulcão adormecido — obrigando a equipa a uma sucessão de missões de resgate de alto risco para salvar a ilha da destruição total.
A versão portuguesa confirma agora um elenco de vozes mais alargado do que o inicialmente avançado: além de Maro, na estreia em dobragens, juntam-se Soraia Tavares, Solange Santos, Romeu Vala, Rodrigo Costa, Sofia Brito, Bárbara Lourenço, Teresa Macedo, Vasco Pereira Coutinho, Mafalda Luís de Castro e Custódia Gallego, entre outros nomes por confirmar.
Com as pré-vendas já abertas a dez dias da estreia, fica claro que a distribuidora está a apostar forte num dos lançamentos familiares mais aguardados do verão — e que a expectativa em torno da estreia de Maro nas dobragens continua a ser, também ela, parte da estratégia de promoção.
Depois de arrasar na temporada de prémios — Óscares, Globos de Ouro, BAFTA, Critics’ Choice, entre outros —, “Hamnet” chega finalmente a Portugal, em exclusivo na TVCine+, a partir de 29 de julho, gratuito para todos os subscritores dos Canais TVCine.
O filme parte de uma pergunta simples e pouco explorada: o que aconteceu a William Shakespeare antes de se tornar Shakespeare? Inglaterra, 1580. Will é ainda um tutor de latim empobrecido quando conhece Agnes, mulher de espírito livre que o cativa por completo. O que começa como um caso tórrido rapidamente se transforma em casamento e em três filhos — mas enquanto a carreira teatral de Will ganha forma na distante Londres, Agnes fica sozinha a gerir a vida doméstica. É quando a tragédia atinge a família que o vínculo entre os dois é verdadeiramente posto à prova, e é dessa dor pessoal, transformada em obra, que nasce “Hamlet” — a peça mais célebre de toda a literatura dramática ocidental, revelada aqui como resposta directa a uma perda íntima e devastadora.
A adaptação, do romance homónimo de Maggie O’Farrell, tem por trás um dos conjuntos de nomes mais fortes do cinema recente: realização de Chloé Zhao, que já tinha levado “Nomadland” a arrecadar os Óscares de Melhor Filme e Melhor Realização, e produção de Steven Spielberg e Sam Mendes — uma combinação de peso que ajuda a explicar tanto a ambição visual do filme como a atenção que recebeu ao longo de toda a temporada de prémios. Jessie Buckley, no papel de Agnes, venceu este ano o Óscar de Melhor Actriz, juntando ao troféu os prémios BAFTA, Critics’ Choice e SAG pela mesma interpretação — um consenso raro entre os principais círculos de crítica e de academia. Paul Mescal, como Will, completa a dupla central. Ao todo, “Hamnet” somou oito nomeações aos Óscares e venceu o Globo de Ouro de Melhor Drama.
Para quem só conhece Shakespeare através dos textos que sobreviveram até hoje, “Hamnet” oferece um ângulo raramente explorado no cinema: a ideia de que a maior obra de um autor pode nascer não da imaginação pura, mas da necessidade de sobreviver à própria dor. É, por isso, tanto um filme sobre a criação artística quanto um retrato de casamento e luto — e talvez seja essa dupla natureza que explica o consenso quase unânime da crítica e dos prémios em torno dele.
O STAR Movies estreia “Um de Nós” (“Let Him Go”, no original) no dia 30 de agosto, domingo, às 21h15, com Kevin Costner e Diane Lane a liderar um drama sombrio sobre luto e família. Realizado por Thomas Bezucha e baseado no romance homónimo de Larry Watson, o filme segue um xerife reformado e a mulher, ainda de luto pela morte do filho, que partem em busca do único neto que lhes resta — uma viagem que os leva a confrontar-se com quem agora tem a criança.
É o tipo de papel que Costner e Lane sabem bem interpretar: contenção emocional por fora, urgência por dentro. O elenco soma ainda Kayli Carter, e a força do filme está precisamente em recusar o registo mais óbvio de thriller para se manter perto do território do drama rural americano — mais próximo de um “faroeste doméstico” do que de um filme de acção com pretexto familiar.
O STAR Channel estreia “Furiosa: Uma Saga Mad Max” no dia 23 de agosto, domingo, às 21h20. É o regresso de George Miller ao universo que redefiniu o cinema de acção em 2015 com “Mad Max: Fury Road” — desta vez para contar a origem da personagem que, nesse filme, dividiu o protagonismo com o próprio Max.
A história acompanha Furiosa (Anya Taylor-Joy) depois de ser raptada do Lugar Verde de Muitas Mães, apanhada no meio da disputa de poder entre dois tiranos: Dementus (Chris Hemsworth, irreconhecível no papel) e Immortan Joe (Lachy Hulme). Ao longo de várias provações, Furiosa vai reunindo os meios — e a dureza — necessários para um dia encontrar o caminho de volta a casa. É uma origem contada com a mesma linguagem visual obsessiva de Miller: perseguições construídas como coreografia, e um deserto que funciona quase como personagem própria.
Vale a pena lembrar que “Furiosa” teve um desempenho comercial nas salas muito aquém do que a crítica lhe reconheceu — foi um dos casos mais discutidos de 2024, um filme aclamado que o público demorou a descobrir. A estreia na televisão é, para muitos, a oportunidade de lhe dar essa segunda hipótese.
Jon Bernthal fez uma aparição surpresa no Hall H da Comic-Con para mostrar imagens inéditas de “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, centradas no confronto entre o seu Punisher e o Hulk de Mark Ruffalo — um encontro que promete ser um dos momentos de maior tensão do filme, que estreia a 31 de julho.
É uma antecipação calculada: a poucos dias da estreia, a Marvel escolhe reforçar precisamente a dupla que menos se esperava ver em confronto directo, depois de o trailer final já ter confirmado a presença do Hulk na história. Para quem já viu os trailers anteriores, esta cena funciona como confirmação de que o confronto não é um mero cameo — é um dos pontos altos que o estúdio está disposto a mostrar antes da estreia, sinal de confiança no material.
Kevin Feige e os irmãos Russo trouxeram ao palco do Hall H da Comic-Con mais de vinte actores de “Avengers: Doomsday”, numa das apresentações mais aparatosas do painel deste ano, acompanhada de imagens exclusivas ainda não reveladas ao público. O filme estreia exclusivamente nos cinemas a 18 de dezembro deste ano.
A escala da apresentação — com o elenco a ocupar praticamente todo o palco — funciona como declaração de intenções: depois de anos de expansão do MCU em várias frentes através do streaming, os Russo voltam a montar um evento de escala colectiva ao estilo do “Avengers: Endgame” original, agora com uma geração renovada de personagens a partilhar ecrã com os rostos mais antigos da franquia. Para o público que segue a saga desde o início, é o mais próximo que a Marvel já chegou de recriar a expectativa em torno das grandes reuniões de elenco que definiram a década passada.
A Marvel confirmou no Hall H da Comic-Con que Ryan Gosling será o protagonista do primeiro filme a solo de Ghost Rider dentro do Universo Cinematográfico Marvel, com realização de Shawn Levy e argumento de Jonathan Tropper (argumentista de “Star Wars: Starfighter”). O filme está previsto para 2028.
“Esta é uma personagem que quero interpretar há muito tempo”, disse Gosling ao subir ao palco — uma frase que resume bem a surpresa do anúncio: é a primeira incursão do actor em cinema de super-heróis ou banda desenhada, depois de uma carreira construída sobretudo em drama e comédia de autor. A ligação com Levy não é nova: os dois trabalham já juntos em “Star Wars: Starfighter”, com estreia prevista para maio de 2027, e o realizador confessou que grande parte do tempo morto nesse set foi passado a imaginar em conjunto como seria este Ghost Rider.
É um casting que muda a percepção do que a Marvel considera possível para os seus antihéróis mais sombrios — e reforça a dupla Gosling/Levy como uma das apostas mais interessantes do estúdio para os próximos anos.
Ryan Coogler confirmou, no palco do Hall H da Comic-Con, que o seu próximo filme é “Black Panther 3”, com estreia marcada para 15 de dezembro de 2028. O momento mais emotivo do anúncio, porém, foi outro: a revelação de David Jonsson (“The Long Walk”, “Alien: Romulus”) como o novo Pantera Negra.
A decisão da Marvel evita o caminho mais óbvio — recriar o T’Challa de Chadwick Boseman com outro actor — e opta antes por avançar a história: Jonsson interpreta o Príncipe T’Challa II, filho do rei falecido, dando continuidade ao legado do pai em vez de o substituir. É uma escolha que resolve, de forma narrativa, o dilema que a Marvel arrastava desde a morte de Boseman em 2020: como manter viva uma personagem sem apagar o actor que a definiu.
Letitia Wright (Shuri) e Winston Duke (M’Baku) regressam ao elenco, e Denzel Washington junta-se ao Universo Cinematográfico Marvel num papel ainda mantido em segredo — uma das contratações mais inesperadas do painel. Coogler revelou ainda que “Black Panther 3” será filmado inteiramente em película de grande formato, uma primeira absoluta para o MCU, sinal de que o realizador continua a tratar esta saga com um cuidado visual distinto do resto do universo Marvel.
A Marvel Comics anunciou, no painel da Lucasfilm Publishing na San Diego Comic-Con, o regresso de Indiana Jones às suas páginas em dezembro, com “Indiana Jones and the Sword of Pandemonium”, uma nova minissérie de cinco números escrita por Jason Aaron e desenhada por Aaron Kuder, que arranca uma nova era de aventuras em banda desenhada para o arqueólogo mais famoso do cinema.
A história situa-se pouco depois de “Os Salteadores da Arca Perdida”: os inimigos mais notórios de Indy, incluindo o regresso improvável de um arqui-inimigo, procuram uma nova fonte de poder para compensar a derrota anterior — uma fonte que caiu nas mãos da sua antiga companheira, Marion Ravenwood. Indiana Jones parte então numa corrida pelos quatro cantos do mundo atrás de uma arma de origem bíblica, num enredo pensado para testar tanto as suas capacidades de arqueólogo como o seu cepticismo perante o sobrenatural. A capa principal é assinada por Bryan Hitch, com variante de Alex Ross, e o primeiro número chega às bancas a 9 de dezembro.
“Quero aventurar-me ao lado de Indiana Jones desde os meus 8 anos, escalar criptas antigas e fugir a correr por sítios exóticos, à procura dos tesouros mais lendários do mundo”, partilhou Jason Aaron. “Sinto o mesmo tipo de alegria que senti em 2015, quando lançámos ‘Star Wars #1’. Este é o Indy de ‘Os Salteadores da Arca Perdida’, logo depois da sua experiência atormentada na ilha de Geheimhaven. Eventos sombrios foram postos em movimento nesse dia, novos inimigos estranhos ergueram-se das sombras, e para Indy e Marion Ravenwood, as aventuras pelo mundo, os socos, o chicote e os escapes à morte — sem esquecer a arqueologia — estão só a começar.” Kuder, o desenhador, acrescentou simplesmente: “Indy sempre pareceu destinado a ser presença fixa na banda desenhada.”
O anúncio surge poucas semanas depois de a Marvel revelar “Indiana Jones: The Further Adventures Book I” e “Book II”, duas capas duras de luxo que recolhem as sagas clássicas do personagem publicadas nos anos 80, com trabalho de nomes como David Michelinie, Walt Simonson, John Byrne e John Buscema, previstas para setembro. O primeiro volume junta as adaptações de “Os Salteadores da Arca Perdida” e “O Templo Perdido” publicadas na revista Marvel Super Special, além dos números 1 a 16 de “The Further Adventures of Indiana Jones” (1983); o segundo reúne a adaptação de “A Última Cruzada” (1989) e os números 17 a 34 da mesma colecção regular.
É uma aposta clara da Marvel em repetir a fórmula que resultou tão bem com o relançamento de “Star Wars” em 2015: usar a banda desenhada para alimentar, entre estreias de filmes, a fome de quem cresceu com estas personagens — e para lembrar que, muito antes de qualquer streaming, era nas bancas que estas aventuras continuavam.
A Prime Video lançou o primeiro trailer de “Blade Runner 2099”, que assinala o regresso da saga de ficção científica de Ridley Scott, nove anos depois de “Blade Runner 2049”. Desta vez em formato de minissérie, a história decorre depois dos acontecimentos tanto do filme original como da sequela de Denis Villeneuve, que trouxe Harrison Ford de volta como Rick Deckard ao lado de Ryan Gosling no papel do blade runner replicante K.
Michelle Yeoh, vencedora do Óscar por “Todos Ao Mesmo Tempo em Todo o Lado”, interpreta Olwen, uma replicante a braços com o fim da sua própria existência, enquanto Hunter Schafer, revelação de “Euphoria”, dá vida a Cora, uma humana perseguida por blade runners. No trailer, as duas personagens unem forças no meio da guerra entre replicantes e humanos — um conflito que a série parece levar para território mais aberto e político do que os filmes. A frase que fecha o vídeo, dita por Olwen a Cora, resume bem essa ambição: “O velho mundo luta sempre para voltar. Os humanos querem aquilo que lhes foi tirado. Mas agora é a nossa vez.”
O elenco regular soma ainda Dimitri Abold (“Os Jogos da Fome: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes”) e Lewis Gribben (“Somewhere Boy”), com presenças recorrentes de Katelyn Rose Downey (“A Freira 2”), Daniel Rigby (“Renegade Nell”), Johnny Harris (“A Gentleman in Moscow”), Amy Lennox (“Only Child”), Sheila Atim (“A Mulher Rei”) e Matthew Needham (“A Casa do Dragão”). As filmagens decorreram sobretudo nos estúdios Barrandov, em Praga, com produção adicional em Barcelona.
À frente do projecto está Silka Luisa, conhecida por “Shining Girls”, como showrunner e produtora executiva, com o próprio Ridley Scott a somar-se à produção executiva junto de David W. Zucker e Clayton Krueger, da Scott Free Productions. Jonathan van Tulleken, responsável por dois episódios de “Shōgun” e por “Dope Thief”, realiza os dois primeiros episódios — uma escolha que sugere continuidade visual com o prestígio televisivo mais recente da HBO e da FX.
“Blade Runner 2099” estreia na Prime Video a 25 de novembro, com uma aposta clara: provar que o universo criado por Scott em 1982 ainda tem perguntas por fazer sobre o que separa humanos de replicantes — e que talvez seja em série, não em filme, que essas perguntas ganham espaço para respirar.
Pamela Anderson tem quatro filmes a caminho nos próximos meses, e o primeiro é também o mais radical de toda a carreira: “Rosebush Pruning”, realizado por Karim Aïnouz e escrito por Efthimis Filippou — argumentista habitual de Yorgos Lanthimos —, uma sátira negríssima sobre uma família obscenamente rica e incestuosa que acredita que a matriarca (Anderson) foi devorada por lobos. Tracy Letts interpreta o marido perverso da personagem, Callum Turner, Jamie Bell, Lukas Gage e Riley Keough são os filhos profundamente disfuncionais do casal, e Elle Fanning surge como a amante de Bell. É um filme que não poupa o espectador: as relações entre os membros da família ultrapassam largamente o desconforto normal do género, com cenas de teor sexual explícito entre parentes a servir de espinha dorsal a uma crítica social mais ampla — segundo Tracy Letts, em conferência de imprensa, “é sobre fascismo”.
Anderson, de 59 anos, não hesita em assumir o incómodo que o filme provoca. “Gosto de mexer com as coisas e não preciso de ser simpática”, resume. Para a actriz, o filme funciona como retrato de uma “epidemia de riqueza jovem sem qualquer justificação”, e o fascismo do título é antes de mais “esta vaziez narcisista, este estilo vazio — uma versão não-poética e clonada de tudo, à IA”. Não é o primeiro projecto em que Aïnouz confia nela: o realizador brasileiro elogia “a generosidade e abertura para arriscar” da actriz, e “uma mistério e um carisma que são a marca registada de uma verdadeira estrela de cinema”.
“Rosebush Pruning” chega no momento mais alto da segunda vida profissional de Anderson. Tudo começou com o documentário da Netflix “Pamela, a Love Story”, nomeado para dois Emmys, que chamou a atenção de Gia Coppola e lhe valeu o papel de uma showgirl de Las Vegas envelhecida em “The Last Showgirl” — a interpretação mais aclamada da sua carreira, com nomeações para o Globo de Ouro e o SAG de Melhor Actriz, ainda que ignorada pelos Óscares, algo que a própria trata com uma leveza quase filosófica: “Sinto que estou apenas no início da carreira.” Seguiu-se a comédia de estúdio “Naked Gun”, ao lado de Liam Neeson, cuja química em cena gerou especulação real sobre um romance fora do ecrã durante a promoção do filme.
A lista de projectos por estrear é longa: “Place to Be”, onde contracena com Ellen Burstyn; “Love Is Not the Answer”, que assinala a estreia de Michael Cera como realizador, com Anderson a estrear cabelo vermelho numa transformação que descreve como um “Hail Mary”; “Sundays”, ao lado de Billy Bob Thornton; e “Alma”, com Sally Potter, um filme a preto e branco passado numa única noite em Londres, que descreve como “uma experiência quase religiosa”.
Fora dos sets, Anderson diz ter feito as pazes com o episódio mais invasivo da sua vida pública — a série “Pam & Tommy”, da Hulu, que recriou sem o seu consentimento os anos mais mediáticos da sua vida. Já não espera o pedido de desculpas de Seth Rogen que outrora reclamou publicamente: “Deixei isso ir. Uso a minha vida inteira como material para as personagens, por isso não me vou queixar. É tudo boa pesquisa.” Também desmentiu ter recusado um papel no reboot de “Baywatch” da Fox — “nunca ouvi falar nisso”, garante, sugerindo que a conversa terá sido antes com os filhos, sobre produção.
O resto do tempo passa-o no jardim de mais de 1.400 metros quadrados que mantém na Vancouver Island, com vista para o mar — motivo, aliás, de um recente sucesso viral nas redes sociais. É lá que faz conservas e picles para angariar fundos para causas de protecção animal, e onde, entre podas e leituras, prepara a próxima personagem: “Cada filme é melhor do que terapia.”
“McConaughey troca os sets de filmagem pelo balcão de gelados — com tequila incluída”
Matthew McConaughey, actor texano com Óscar na prateleira e uma carreira construída também fora dos plateaus, tem novo projecto — e desta vez não é cinema. Junto com a mulher, Camila, lançou uma linha de gelados com tequila, através da marca do casal, a Pantalones Organic Tequila, em parceria com a Tipsy Scoop, cadeia especializada em gelados alcoólicos com 11 “barlours” espalhados pelos Estados Unidos.
A colecção, de edição limitada, tem dois sabores inspirados em margaritas. O primeiro, “Peaches & Cream Margarita”, junta uma base aveludada de pêssego à Tequila Reposado Pantalones Organic, com um toque de lima. O segundo é exclusivo do Texas: “Dallas Margarita Sorbet”, uma versão vegan de citrinos com licor de laranja, sumo de lima fresco e a mesma tequila da marca — só disponível quando abrir o novo Barlour de Dallas, ainda este verão.
Até lá, quem quiser experimentar o “Peaches & Cream Margarita” pode fazê-lo em qualquer loja Tipsy Scoop até agosto, a 8,50 dólares a bola ou 16 dólares o litro, ou encomendar à distância através da Goldbelly, num pack de quatro litros por 109,95 dólares. “A maioria das margaritas serve-se com gelo. Este verão, decidimos servir a nossa às colheradas”, resume Persia Tatar, directora de marketing da Pantalones Organic Tequila. “O Dia Nacional da Tequila é um dos nossos feriados preferidos, por isso associarmo-nos à Tipsy Scoop para transformar uma margarita de verão em gelado pareceu-nos óbvio. É divertido, inesperado, e prova que a tequila tem lugar para lá do copo.”
Não é bem “Dazed and Confused”, mas prova que McConaughey continua a construir império para lá do ecrã — desta vez, com sabor a limão e a “alright, alright, alright”.
Johnny Depp surpreendeu o público da San Diego Comic-Con ao surgir caracterizado como Ebenezer Scrooge para apresentar, em primeira mão, o trailer de “Ebenezer: Um Conto de Natal”. A Paramount Pictures aproveitou o momento para divulgar também as primeiras imagens oficiais do filme, que estreia nas salas portuguesas a 12 de novembro, com distribuição da NOS Audiovisuais.
O maior interesse deste projecto não está só no regresso de Depp a um papel de composição pesada — é também a escolha do realizador que intriga. Ti West, o nome por trás de “X”, “Pearl” e “MaXXXine”, troca o terror rural americano por Charles Dickens, prometendo uma “nova abordagem” ao clássico mais adaptado do cânone natalício, com a promessa explícita de revelar uma história diferente daquela que o público já conhece de memória. É uma aposta de género pouco óbvia, e talvez seja precisamente por isso que funciona: poucos realizadores trariam a um “Conto de Natal” a mesma atenção ao desconforto psicológico que West aplicou aos seus filmes de terror.
O argumento é de Nathaniel Halpern, criador da série “Legion”, outro nome habituado a desconstruir personagens conhecidas em vez de as ilustrar. Ao lado de Depp, o elenco reúne um conjunto invulgarmente extenso para este tipo de produção: Rupert Grint, Andrea Riseborough, Sam Claflin, Daisy Ridley, Arthur Conti, Ellie Bamber, Henry Lloyd-Hughes, Charlie Murphy, Tramell Tillman e Ian McKellen.
Com esta combinação de realizador, argumentista e elenco, “Ebenezer” surge como um dos títulos mais imprevisíveis do calendário de outono — e o momento escolhido para o revelar, em pleno palco da Comic-Con, não deixa dúvidas sobre a ambição do projecto.