Elden Ring — Alex Garland Filma para a A24 com Kit Connor e Cailee Spaeny, Estreia em Março de 2028

Há videojogos que são arte. Elden Ring — o RPG de acção da FromSoftware e Bandai Namco lançado em Fevereiro de 2022, com world-building de George R.R. Martin e direcção criativa de Hidetaka Miyazaki — é um deles. Mais de 30 milhões de cópias vendidas, mais de 400 prémios Jogo do Ano, e uma comunidade global que continua activa e apaixonada quatro anos depois do lançamento. É o tipo de material que o cinema raramente toca bem — porque a experiência de jogar Elden Ring é fundamentalmente sobre solidão, descoberta e morte repetida, e nenhuma dessas coisas se traduz directamente para o ecrã. Alex Garland é provavelmente a escolha mais inteligente que a A24 poderia ter feito para tentar

A produção do filme está já em curso, com estreia confirmada para 3 de Março de 2028, filmagem para IMAX e um elenco que inclui Kit Connor, Ben Whishaw, Cailee Spaeny, Tom Burke, Nick Offerman, Jonathan Pryce e Havana Rose Liu. Garland — o realizador de Ex MachinaAnnihilation e Civil War, e argumentista de 28 Days Later e Sunshine — fez uma apresentação pessoal à Bandai Namco e à FromSoftware para ganhar os direitos de adaptação. É o sinal mais claro possível de que este projecto parte de uma obsessão genuína, não de um cálculo comercial.

O elenco é um estudo em escolhas inesperadas. Kit Connor — que toda a gente conhece de Heartstopper e que Garland já trabalhou em Warfare — como protagonista de uma fantasia de acção medieval sombria é uma subversão deliberada das expectativas. Ben Whishaw, um dos actores mais completos da sua geração, num universo de monstros e ruínas. Nick Offerman, recentemente nomeado ao Emmy por The Last of Us, num papel que os fãs do jogo especulam ser o do Dung Eater — o personagem mais perturbador de toda a narrativa. E George R.R. Martin como produtor executivo, fechando um círculo entre os dois criadores de mundos mais influentes da fantasia contemporânea.

O orçamento reportado de 100 milhões de dólares torna-o no filme mais caro da história da A24  — uma aposta que reflecte tanto a dimensão do projecto como a confiança que o estúdio deposita em Garland. O realizador descreveu Elden Ring como um universo que lhe permite explorar “a liberdade criativa total” — o mesmo adjectivo que usou para descrever o que a FromSoftware deu aos jogadores. Se Garland conseguir transferir para o ecrã a sensação de descoberta que define o jogo — a arquitectura de significado escondido, a narrativa que existe para quem a procura —, pode ser um dos filmes mais originais de 2028.

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Tiago Guedes em Cannes Première — Aqui Leva o Cinema Português à Selecção Oficial

Quando se fala de cinema português em Cannes, a memória recente não é escassa. Miguel Gomes esteve em competição com As Mil e Uma Noites. João Pedro Rodrigues tem uma relação longa com o festival. Teresa Villaverde, João Salaviza, Susana de Sousa Dias — o cinema português tem uma presença discreta mas consistente na Croisette ao longo das últimas décadas. E ontem, com o anúncio das últimas adições à Selecção Oficial de 2026, o nome de Tiago Guedes entrou nessa lista.

Aqui, o novo filme de Tiago Guedes, foi seleccionado para Cannes Première — a secção que acolhe filmes fora da competição principal mas com uma visibilidade e um prestígio que qualquer realizador do mundo reconhece imediatamente como significativos. Cannes Première é onde estreiam filmes de realizadores com carreira consolidada que o festival quer celebrar sem os colocar na corrida pela Palma de Ouro. É um lugar de honra, não uma concessão.

Tiago Guedes é um dos realizadores portugueses mais interessantes da sua geração. Tristeza e Alegria na Vida das Girafas (2013) — a adaptação da peça de Tiago Rodrigues sobre uma rapariga que decide falar com o primeiro-ministro — foi uma estreia que demonstrava uma voz cinematográfica com confiança e originalidade raras. O Filho (2019), com Albano Jerónimo e Sandra Faleiro, confirmou que Guedes sabe explorar a intimidade das relações familiares com uma contenção formal que amplifica em vez de diminuir a intensidade emocional.

Os detalhes de Aqui são ainda escassos — o festival não disponibilizou sinopse no momento do anúncio. Mas a presença em Cannes Première, numa edição que já inclui filmes de Almodóvar, Farhadi, Koreeda, Zvyagintsev, Dhont e James Gray, é por si mesma uma afirmação sobre a qualidade e a relevância do projecto. Para o cinema português, e para os que o acompanham, é a confirmação de que Tiago Guedes pertence a essa conversa internacional — e que Cannes, o árbitro mais exigente do cinema de autor mundial, reconhece isso.

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Stranger Things: Tales From ’85 — O Universo de Hawkins Regressa Hoje em Animação

O universo de Stranger Things ficou formalmente fechado em 2025, quando a quinta e última temporada encerrou a história de Eleven, Mike, Dustin, Lucas e Will com uma despedida que a Netflix tratou como um evento cultural de primeira ordem. O que a Netflix e os Duffer Brothers deixaram em aberto — deliberadamente — foi a possibilidade de regressar ao universo sem regressar à mesma história. Stranger Things: Tales From ’85, que estreia hoje na plataforma, é a primeira resposta a essa possibilidade.

A série animada passa-se no inverno de 1985, em Hawkins, e segue os personagens originais em novas aventuras paranormais.  É, nas palavras dos Duffer Brothers, uma tentativa de capturar “a magia de Hawkins de uma forma nova” — e a forma nova é a animação, com uma estética deliberadamente inspirada nos desenhos animados de sábado de manhã dos anos 80. O showrunner é Eric Robles, que produziu o projecto através da Flying Bark Productions, os mesmos responsáveis por What If…? da Marvel.

A aposta é arriscada por razões que qualquer fã de franchise conhece bem. A animação pode parecer uma extensão comercial — um produto para manter a marca activa entre os fãs mais jovens sem o risco criativo e financeiro de uma nova temporada live-action. Ou pode ser exactamente o oposto: uma forma de explorar o universo com uma liberdade que a série original não tinha, sem o peso das expectativas que cada temporada carregava. Os Duffer descreveram-na como uma oportunidade de “regressar no tempo e simplesmente estar com estas crianças” — uma frase que soa sincera e que, se a série concretizar essa promessa, pode ser exactamente o que a franchise precisava para sobreviver além do seu arco principal.

A série junta ao elenco de vozes de personagens familiares uma nova personagem, Nikki Baxter, com voz de Odessa A’zion, conhecida de Marty Supreme. Os Duffer Brothers e Hilary Leavitt produzem executivamente através da Upside Down Pictures, junto com Shawn Levy e Dan Cohen. É uma produção com o mesmo nível de cuidado da série original — a questão é se o público vai abraçar Hawkins numa dimensão diferente, ou se a magia era inseparável dos actores que a construíram ao longo de oito anos.

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Heartstopper Forever — Nick e Charlie Dizem Adeus a 17 de Julho num Filme em Vez de uma Temporada

Há séries que criam comunidades. Heartstopper — a história de amor adolescente entre Nick Nelson e Charlie Spring, baseada nas graphic novels de Alice Oseman — é claramente uma delas. Desde que estreou na Netflix em Abril de 2022, tornou-se num fenómeno de representação LGBTQ+ com uma gentileza e uma autenticidade que raramente se encontram na televisão mainstream. Três temporadas, oito Emmys, e uma base de fãs que aguardou com uma paciência que raramente se vê no consumo de streaming contemporâneo. Ontem, no quarto aniversário exacto da estreia da primeira temporada, a Netflix confirmou que o fim está marcado: Heartstopper Forever chega à plataforma a 17 de Julho. 

O formato da despedida é uma decisão criativa que Oseman admitiu ter inicialmente encarado com “apreensão”. Em vez de uma quarta temporada — o que os fãs esperavam e o que parecia a continuação natural — a história vai concluir-se num único filme de longa-metragem. A razão é simples: Nick vai para a universidade, e Nick e Charlie vão enfrentar a realidade de uma relação à distância. É o momento de viragem que qualquer casal adolescente tem de atravessar — e Oseman argumentou que o formato de filme, sem a necessidade de cliffhangers episódicos ou reviravoltas semanais, permite uma narrativa mais contemplativa e atmosférica. “Toda a parte do Heartstopper pode ser elevada a uma qualidade superior para criar algo memorável, sofisticado e atmosférico”, disse a criadora.

Kit Connor e Joe Locke regressam como Nick e Charlie — e pela primeira vez servem também como produtores executivos, um reconhecimento do papel que os dois actores tiveram na construção da série além das suas performances. O restante elenco principal regressa quase na íntegra: Yasmin Finney, Will Gao, Corinna Brown, Kizzy Edgell, Tobie Donovan, Rhea Norwood. Há uma mudança de casting significativa: Olivia Colman, que interpretou a mãe de Nick nas três temporadas, não regressa — foi substituída por Anna Maxwell Martin, a actriz de Line of Duty e Philomena. Derek Jacobi junta-se ao elenco numa aparição ainda não revelada.

A realização é de Wash Westmoreland — o realizador de Still Alice e Colette, dois filmes sobre transformação identitária e sobre o custo emocional de viver fiel a si mesmo —, que traz ao projecto uma sensibilidade que é uma extensão natural do que a série sempre foi. Oseman descreveu o filme como “uma exploração do tempo, da memória, do amor, da dor, da mudança das estações, dos fins e dos começos.” É a linguagem de alguém que está a preparar uma despedida digna — não um encerramento apressado, mas um adeus que tem o espaço e a calma necessários para ser sentido.

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Clayface — O Primeiro Trailer do Horror do DCU Chegou e É Exactamente Tão Perturbador Quanto Precisava de Ser

James Gunn disse desde o início que queria que cada filme do novo DC Universe tivesse um tom diferente. Superman era esperança e optimismo. Supergirl era aventura espacial. Clayface é horror. Horror a sério, classificação R, body horror vitoriano com influências de Darkman e O Homem Invisível — e o trailer que a Warner Bros. e a DC Studios lançaram ontem confirma que ninguém exagerou na descrição.

O filme estreia a 23 de Outubro de 2026 — posicionamento de Halloween deliberado e inteligente — e é realizado por James Watkins, com argumento de Mike Flanagan e Hossein Amini. A combinação de Flanagan — o mestre do horror literário adaptado, responsável por Haunting of Hill HouseMidnight Mass e a adaptação de Stephen King Doctor Sleep — com Watkins, realizador de A Mulher de Negro e episódios de Black Mirror, é exatamente o tipo de parceria criativa que sugere um filme com ambições além do franchising.

A história segue Matt Hagen, um actor em ascensão em Hollywood que é violentamente desfigurado por um gangster. Para recuperar a face e a carreira, submete-se a uma cirurgia experimental que o transforma no Clayface — feito de argila viva, capaz de se moldar a qualquer forma, imparável na sua busca de vingança. O trailer, com banda sonora de um remix etéreo de “Do You Realize??” dos Flaming Lips, mostra Hagen na cama de hospital com o rosto coberto de ligaduras, flashbacks da vida anterior, e finalmente a transformação — um braço que se transforma numa maça espinhosa para golpear alguém. É uma promessa de body horror que evita deliberadamente a estética de superhero habitual.

Tom Rhys Harries — o actor galês conhecido do público de streaming por White Lines e The Gentlemen — lidera o elenco no papel de Matt Hagen. A escolha é consistente com a estratégia de Gunn de evitar estrelas de primeira linha nos papéis principais em favor de actores menos conhecidos que possam ser associados definitivamente com as suas personagens. Naomi Ackie — indicada ao Óscar por I Wanna Dance with Somebody — interpreta a Dra. Caitlin Bates, a cientista cujos experimentos são centrais à transformação. Max Minghella é um detective de Gotham, e Eddie Marsan e David Dencik completam o elenco principal.

O que torna Clayface potencialmente o filme DC mais interessante do ano não é o horror em si — é o que o horror permite explorar. A história de um actor que perde o rosto e com ele a identidade, e que encontra na capacidade de ser qualquer coisa uma forma perversa de liberdade, tem uma densidade psicológica que a maioria dos filmes de superhero não tem paciência para explorar. O trailer sugere que Watkins e Flanagan não desperdiçaram essa oportunidade.

Miami Vice ’85 — Michael B. Jordan e Austin Butler São Tubbs e Crockett no Regresso ao Neon de Miami

Há franchises que o tempo trata com uma generosidade que os seus criadores não previram. Miami Vice — a série da NBC que entre 1984 e 1989 definiu literalmente a estética de uma década, da moda ao cinema, das gravatas às mangas dobradas dos fatos brancos — é uma delas. A adaptação cinematográfica de Michael Mann em 2006 com Colin Farrell e Jamie Foxx foi recebida com frieza na altura e tem vindo a ser progressivamente reabilitada pela crítica nas últimas duas décadas. A Universal Pictures decidiu que é hora de tentar de novo — e desta vez com uma combinação de estrelas e realizador que torna a aposta muito mais clara.

Miami Vice ’85 foi confirmado ontem com Michael B. Jordan e Austin Butler a fecharem os contratos para interpretar Tubbs e Crockett, respectivamente, sob a direcção de Joseph Kosinski.  O título diz tudo sobre a abordagem: não é uma adaptação contemporânea nem uma reimaginação que foge ao material original — é um regresso deliberado e assumido ao Miami dos anos 80, ao neon, à corrupção, à estética que a série original transformou em ícone cultural. O filme vai ser rodado para IMAX e está previsto para 6 de Agosto de 2027. 

O elenco é uma declaração de intenções. Michael B. Jordan acaba de ganhar o Óscar de Melhor Actor por Sinners de Ryan Coogler — o thriller de horror de blues que foi a maior surpresa cinematográfica de 2025 — e está no pico da sua relevância artística e comercial. Austin Butler transformou-se em nome bankable depois de Elvis e consolidou essa posição com Dune: Parte Dois e Bonecracker. Os dois juntos representam exactamente o tipo de casting que a Universal precisa para fazer de Miami Vice ’85 algo mais do que nostalgia.

Joseph Kosinski, por seu lado, tem uma relação muito específica com o cinema de acção de grande escala. Top Gun: Maverick — o maior blockbuster de 2022, com 1,49 mil milhões de dólares mundiais — demonstrou que o realizador sabe como fazer filmes de acção que funcionam tanto como espectáculo visual como como estudo de personagens. F1, estreado este ano, confirmou essa capacidade. A rodagem para IMAX é um sinal de que a Universal está a posicionar Miami Vice ’85 como um evento cinematográfico, não apenas como um produto de franchise.

O argumento é de Dan Gilroy — o realizador e argumentista de Nightcrawler, o thriller de 2014 com Jake Gyllenhaal que é um dos filmes mais perturbadores sobre o jornalismo e a América contemporânea. O filme baseia-se na inspiração do episódio piloto e da primeira temporada da série original, criada por Anthony Yerkovich e executivamente produzida por Michael Mann. TV Guide Mann, cujo nome está indissociavelmente ligado à série e ao filme de 2006, está associado ao projecto como produtor executivo. Há rumores de que Tom Cruise está em conversas para o papel do antagonista — conhece bem Kosinski de Oblivion e de Top Gun: Maverick, e o seu calendário de verão está aparentemente disponível.

Cannes 2026 Fecha a Selecção — James Gray, Victorian Psycho, Judith Godrèche e Tiago Guedes na Lista Final
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Cannes 2026 Fecha a Selecção — James Gray, Victorian Psycho, Judith Godrèche e Tiago Guedes na Lista Final

A selecção oficial de Cannes 2026 está fechada. Ontem, o festival anunciou os últimos 16 títulos que completam a programação da 79.ª edição — e a notícia mais aguardada era a que toda a indústria sabia que ia acontecer mas precisava de ver confirmada: Paper Tiger, de James Gray, entra em competição pela Palma de Ouro.

O filme é um thriller de crime passado em Nova Iorque sobre dois irmãos que tentam realizar o sonho americano e se enredam numa esquema com a máfia russa.  Estelarizado por Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller, é o sexto filme de Gray em competição em Cannes — ele esteve pela última vez na Croisette com Armageddon Time em 2022 — e foi adquirido pela Neon para a América do Norte, a distribuidora que já tem quatro filmes em competição esta edição e que está na corrida para a sua sétima Palma de Ouro consecutiva, depois de ParasitasTitaneTriângulo de TristezaAnatomia de uma QuedaAnora e It Was Just an Accident. A competição fica assim fechada com 22 filmes. Ira Sachs é o único outro americano em competição com The Man I Love.

Em Un Certain Regard, a adição mais comentada é Victorian Psycho de Zachary Wigon — um thriller de horror gótico passado na Inglaterra vitoriana sobre uma governanta excêntrica que chega a uma mansão remota e começa a gerar suspeitas entre os residentes. Maika Monroe, que substituiu Margaret Qualley após um conflito de agenda, lidera o elenco com Thomasin McKenzie, Jason Isaacs e Ruth Wilson. O filme foi originalmente desenvolvido na A24 antes de aterrar na Bleecker Street, e a sua presença em Cannes confirma Monroe como uma das presenças mais relevantes do cinema de género contemporâneo.

Também em Un Certain Regard, A Girl’s Story de Judith Godrèche. A actriz francesa que se tornou uma das figuras centrais do movimento #MeToo em França — depois de revelar em 2024 abusos sexuais por parte dos realizadores Benoît Jacquot e Jacques Doillon — estreia-se como realizadora de longa-metragem no mesmo festival onde denunciou os seus agressores. TheWrap Godrèche já tinha estado em Cannes como realizadora em 2023 com a curta-metragem Moi Aussi, que abriu precisamente o Un Certain Regard. Este regresso em formato longo é um dos momentos mais carregados de significado de toda a edição.

A lista de adições inclui ainda Titanic Ocean da realizadora grega Konstantina Kotzamani — uma história de formação passada numa escola especial no Japão que treina adolescentes como sereias profissionais —, Ulysse de Laetitia Masson como filme de encerramento de Un Certain Regard, e Ceniza en la Boca de Diego Luna na secção Cannes Première, onde estreia a sua primeira longa-metragem como realizador. Também em Cannes Première, Mariage au Goût d’Orange de Christophe Honoré, um drama familiar dos anos 70 com Adèle Exarchopoulos e Paul Kircher.

E há uma notícia especialmente relevante para o cinema português: Aqui de Tiago Guedes foi seleccionado para Cannes Première. O realizador de Tristeza e Alegria na Vida das Girafas e O Filho leva ao festival mais importante do mundo o seu mais recente trabalho, numa secção que acolhe filmes fora da competição principal mas com visibilidade e prestígio consideráveis. É uma das melhores notícias do cinema nacional deste ano.

Cannes 2026 decorre de 12 a 23 de Maio. Com a selecção agora completa — Almodóvar, Farhadi, Koreeda, Hamaguchi, Mungiu, Pawlikowski, Zvyagintsev, Dhont, Na Hong-jin, Ira Sachs e agora James Gray em competição — é difícil não concluir que esta é uma das edições mais densas em talento da última década.

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Rabo de Peixe: a série portuguesa que conquistou o mundo chega ao capítulo final na Netflix

A terceira temporada de Rabo de Peixe chegou há poucos dias à Netflix e marca o desfecho de uma das produções portuguesas mais ambiciosas alguma vez lançadas na plataforma. Desde a estreia em 2023, a série transformou-se num fenómeno nacional e internacional, levando os Açores, a sua paisagem agreste e uma história inspirada em factos reais a milhões de espectadores em todo o mundo.  

Uma história nascida do caos

Inspirada, ainda que de forma livre, num caso real ocorrido nos Açores no início dos anos 2000, Rabo de Peixe parte de uma premissa explosiva: um carregamento de cocaína dá à costa na ilha de São Miguel e muda para sempre a vida de uma pequena comunidade piscatória.

No centro da narrativa está Eduardo, interpretado por José Condessa, um jovem pescador que vive entre dificuldades económicas, responsabilidades familiares e o sonho de escapar ao destino aparentemente traçado pela ilha. Ao lado dos amigos Rafael, Carlinhos e Sílvia, vê naquele achado uma oportunidade única para mudar de vida.

A primeira temporada acompanha a ascensão deste grupo improvisado no mundo do narcotráfico, misturando tensão policial, violência, ambição e, acima de tudo, amizade. Foi precisamente esta combinação entre thriller criminal e drama humano que ajudou a série a destacar-se.

A segunda temporada elevou a escala do conflito. O negócio da droga já não era apenas uma aventura perigosa: tornou-se uma guerra aberta, com novos inimigos, traições e consequências devastadoras para todos os envolvidos. A série passou a explorar também o impacto social na própria vila, mostrando como o dinheiro fácil corrói relações e destrói inocências.  

A terceira temporada: justiça, vingança e despedida

A nova temporada, estreada a 10 de Abril, avança três anos no tempo. Eduardo regressa após cumprir pena de prisão e encontra uma comunidade profundamente transformada, ameaçada por interesses económicos e políticos que colocam em risco a pesca e as famílias locais.  

É neste cenário que os protagonistas criam um movimento clandestino, a chamada “Justiça da Noite”, numa tentativa de devolver poder à comunidade. A fronteira entre heroísmo, vingança e violência torna-se cada vez mais ténue, prometendo um final carregado de tensão.

Com seis episódios, esta terceira temporada serve como o grande final da série, fechando o arco das personagens que acompanharam os espectadores ao longo de três anos.

Produção de luxo made in Portugal

Criada por Augusto Fraga, Rabo de Peixe foi produzida pela Ukbar Filmes e pela RB Filmes, representando um dos maiores investimentos feitos numa série portuguesa para streaming.  

A realização dividida entre Augusto Fraga e Patrícia Sequeira trouxe à série um visual cinematográfico impressionante. As paisagens açorianas, o mar revolto, as falésias e as ruas da vila funcionam quase como uma personagem própria.

A fotografia é um dos pontos mais elogiados da produção, ajudando a criar uma atmosfera simultaneamente bela e ameaçadora.

Um elenco que ajudou a elevar a fasquia

Além de José Condessa, o elenco conta com Helena Caldeira, Rodrigo Tomás e André Leitão nos papéis centrais.

Ao longo das temporadas, juntaram-se nomes de peso como Maria João Bastos, Joaquim de Almeida, Kelly Bailey e Pêpê Rapazote, contribuindo para dar ainda mais densidade dramática à série.  

Mais do que uma série sobre crime, Rabo de Peixe tornou-se um retrato sobre amizade, desigualdade social, ambição e sobrevivência. E isso explica porque continua a gerar conversa — e alguma polémica — mesmo agora que chega ao fim.

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Maio no NOS Studios: ação, terror, romance e fantasia para todas as noites de cinema em casa

O mês de Maio chega ao NOS Studios com uma programação particularmente variada, que vai do suspense à comédia romântica, passando pela ação explosiva, fantasia e até animação para os mais pequenos. É um alinhamento pensado para diferentes públicos, com estreias semanais que prometem manter as noites de televisão bem ocupadas.

Entre os grandes destaques do mês estão dois nomes de peso de Hollywood: Tim Burton e Clint Eastwood, cada um com propostas muito diferentes, mas igualmente marcantes no panorama cinematográfico.

🎃 Beetlejuice Beetlejuice: Tim Burton regressa ao universo dos mortos-vivos

Um dos filmes mais aguardados do mês é Beetlejuice Beetlejuice, de Tim Burton, que traz de volta Michael Keaton no icónico papel do fantasista Beetlejuice.

Depois de uma tragédia familiar, a família Deetz regressa a Winter River, onde antigos fantasmas continuam bem vivos… ou melhor, bem mortos. A situação complica-se quando a filha de Lydia abre um portal para o mundo dos mortos, desencadeando o caos habitual do universo criado por Burton.

Com Jenna Ortega, Winona Ryder e Catherine O’Hara no elenco, este é um regresso carregado de nostalgia e estética gótica, marca registada do realizador.

⚖️ Jurado #2: o dilema moral segundo Clint Eastwood

No lado oposto do espectro cinematográfico surge Jurado #2, realizado por Clint Eastwood.

O filme acompanha Justin Kemp, um jurado envolvido num julgamento de homicídio que começa a enfrentar um dilema moral profundo: a verdade do caso pode estar directamente ligada às suas próprias decisões.

Com Nicholas Hoult, Toni Collette e J.K. Simmons, o filme aposta num thriller judicial centrado em tensão psicológica e escolhas éticas difíceis, algo muito característico da filmografia recente de Eastwood.

💣 Ação, espionagem e conspirações internacionais

O mês inclui também várias propostas de ação.

Em Operação Fortune: Missão Mortífera, de Guy Ritchie, Jason Statham lidera uma missão secreta para travar a venda de tecnologia militar perigosa, num registo típico de espionagem com humor britânico e ritmo acelerado.

Já The Bricklayer: Missão Mortal, de Renny Harlin, coloca um antigo agente da CIA no centro de uma conspiração internacional, depois de ser forçado a regressar ao activo para evitar uma crise global.

❤️ Romance, comédia e encontros improváveis

Maio também traz várias histórias românticas.

Em Um Encontro na Escócia, uma escritora vê-se envolvida num mal-entendido que pode mudar a sua vida amorosa.

Um Amor à Beira D’Água aposta numa narrativa emocional sobre segundas oportunidades.

Ao Som do Amor mistura música e romance num encontro inesperado.

Já Engenharia do Amor traz uma abordagem mais moderna, onde tecnologia e sentimentos se cruzam de forma imprevisível.

E em Love is a Dog’s Best Friend, até um cão traquinas serve de catalisador para novas relações e mudanças pessoais.

🔍 Thriller digital e tensão contemporânea

No registo mais moderno, 1 Milhão de Seguidores explora o lado sombrio da fama digital, onde a ascensão nas redes sociais traz consigo perigos inesperados, obsessões e consequências extremas.

👧 Domingos Animados para toda a família

Os mais pequenos também têm lugar garantido com os tradicionais Domingos Animados, que incluem títulos como Os MauzõesDavidOs Super Elfkins – Uma Nova Aventura e Snow e a Princesa, sempre em versão portuguesa.

🎬 Um mês de cinema para ver no sofá

Entre fantasia, ação, romance e suspense, Maio no NOS Studios aposta numa programação pensada para todos os gostos, com grandes nomes de Hollywood e uma oferta diversificada que transforma cada noite numa sessão diferente.

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IndieLisboa 2026 na TVCine: uma viagem pelo cinema independente português e as suas inquietações contemporâneas

Na semana que antecede o início do IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema 2026, o canal TVCine Edition propõe uma viagem pelo cinema independente nacional com um especial dedicado a quatro filmes que marcaram edições anteriores do festival. Entre 27 e 30 de Abril, sempre pelas 23h00, o ciclo destaca obras que exploram temas como identidade, activismo, resistência comunitária e fragilidade emocional, reafirmando o papel do cinema independente como espaço de liberdade criativa.

Mais do que uma simples programação televisiva, trata-se de uma antevisão do espírito do festival: filmes que desafiam convenções e que colocam o olhar sobre o que é muitas vezes invisível no cinema mais comercial.

🎭 Carmen Troubles: desconstruir estereótipos através da arte

O ciclo abre com Carmen Troubles, de Vasco Araújo, uma obra que revisita a célebre ópera de Georges Bizet para questionar a forma como a figura da mulher cigana foi construída no imaginário ocidental.

Misturando cinema, performance e ensaio artístico, o filme funciona como uma reflexão crítica sobre representações culturais e preconceitos enraizados, ao mesmo tempo que dá voz a organizações de mulheres ciganas que procuram redefinir a sua própria narrativa.

Apresentado no IndieLisboa 2023, o filme destaca-se pela sua abordagem experimental e politicamente consciente.

🎶 As Fado Bicha: música como ferramenta de resistência

Na terça-feira, é a vez de As Fado Bicha, de Justine Lemahieu, um documentário que acompanha o percurso do projecto musical Fado Bicha.

Ao longo de vários anos, o filme segue Lila Tiago e João Caçador, explorando a forma como a sua música se tornou uma plataforma de intervenção social e política no contexto LGBTQIA+.

Com presença em festivais como o IndieLisboa 2024 e o Queer Porto, o documentário revela o lado íntimo de um projecto artístico que desafia tradições e preconceitos, reinventando o fado como espaço de resistência contemporânea.

🌄 A Savana e a Montanha: a luta por um território

Na quarta-feira, o destaque vai para A Savana e a Montanha, de Paulo Carneiro, uma obra que cruza documentário e ficção num registo próximo do western.

O filme acompanha a comunidade de Covas do Barroso, em Trás-os-Montes, que se organiza contra um projecto de exploração de lítio a céu aberto.

Mais do que um retrato ambiental, trata-se de uma narrativa sobre identidade colectiva, resistência e ligação ao território, onde a fronteira entre realidade e encenação se dissolve para reforçar a força do testemunho.

🌫️ Estamos no Ar: solidão, desejo e imaginação

A encerrar o ciclo, Estamos no Ar, de Diogo Costa Amarante, propõe uma viagem mais intimista e sensorial pelas vidas de três membros de uma mesma família.

Entre solidão, desejo e fuga emocional, o filme explora as fragilidades humanas num registo que oscila entre o real e o onírico, construindo uma atmosfera de inquietação silenciosa.

É uma obra que não procura respostas fáceis, antes convida o espectador a habitar as zonas cinzentas da emoção e da memória.

🎬 Um retrato do cinema independente português

No conjunto, este especial do TVCine Edition funciona como uma pequena montra do que o cinema independente português tem vindo a produzir nos últimos anos: obras que cruzam géneros, desafiam estruturas narrativas tradicionais e colocam o foco em temas sociais, políticos e existenciais.

Mais do que histórias fechadas, são filmes que abrem discussões — e que refletem a vitalidade criativa de uma nova geração de realizadores.

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Estreias da Semana em Portugal: Hollywood lidera, cinema português ganha força e o drama europeu completa o cartaz

As salas de cinema em Portugal recebem esta semana uma programação particularmente diversificada, onde convivem grandes produções de Hollywood, cinema português com ambição autoral e uma forte presença de cinema europeu e documental. Apesar da variedade, a lógica do mercado mantém-se clara: o destaque comercial pertence aos Estados Unidos, mas há espaço para propostas nacionais que merecem atenção especial.

🎥 “Michael”: o peso pesado de Hollywood lidera as estreias

O grande destaque da semana é Michael, realizado por Antoine Fuqua, um drama biográfico que pretendee atrair largas audiências. Com Jaafar Jackson no papel principal, acompanhado por nomes como Colman Domingo e Nia Long, o filme mergulha na vida de uma das figuras mais icónicas da cultura pop mundial.

Com 124 minutos de duração e uma produção de grande escala, Michael posiciona-se como o verdadeiro motor de bilheteira desta semana em Portugal. A assinatura de Fuqua, conhecido por filmes de forte impacto emocional e visual, reforça a expectativa de uma narrativa intensa e cinematográfica, pensada para grande público e grande ecrã.

Cabe-nos no entanto dizer que a crítica considera o filme um retrato muito embelezado do ícone pop e que uma série de controvérsias foram simplesmente apagadas de toda história.

🇵🇹 Cinema português em evidência: “Projecto Global” e “Cherchez la Femme”

Entre as estreias nacionais, destaca-se Projecto Global, de Ivo M. Ferreira, um drama histórico com 141 minutos de duração que conta com Jani Zhao, Rodrigo Tomás e Gonçalo Waddington no elenco. Trata-se de uma produção ambiciosa, tanto em escala como em duração, que reforça a tendência recente do cinema português em apostar em narrativas mais complexas e de maior fôlego.

Também português é Cherchez la Femme, de António da Cunha Telles, um filme que mistura crime, drama, mistério e romance. Com Joana Barradas, Ângelo Rodrigues e Romeu Costa, a obra aposta num registo mais popular, cruzando géneros e aproximando-se de um thriller emocional com forte componente de relações humanas e segredos.

Estes dois títulos representam bem a dualidade do cinema nacional actual: por um lado, o risco artístico e histórico; por outro, uma aproximação mais directa ao público.

💰 O olhar europeu: luxo, identidade e fantasia

Do lado europeu, A Mulher Mais Rica do Mundo, de Thierry Klifa, destaca-se como um drama com toques de comédia protagonizado por Isabelle Huppert. O filme explora o universo da riqueza extrema e das relações familiares, num registo sofisticado que combina crítica social e ironia.

Já A Rapariga Que Sabia Demais, de Frédéric Hambalek, mistura drama, comédia e fantasia, numa abordagem mais leve e original, centrada numa jovem cuja percepção da realidade se altera de forma inesperada.

Ambos reforçam a vitalidade do cinema europeu em explorar narrativas menos convencionais e mais focadas em personagens.

🎞️ Documentário em força: memória, educação e música

A semana traz ainda uma forte presença documental. Aprender, de Claire Simon, mergulha no sistema educativo francês, observando o quotidiano de escolas e professores com um olhar atento e humano.

Chão Verde de Pássaros Escritos, de Sandra Inês Cruz, propõe uma abordagem mais poética, cruzando natureza, memória e identidade cultural num registo visualmente sensível.

Já My Way – A História de uma Canção, de Lisa Azuelos e Thierry Teston, recupera a história de um dos temas mais icónicos da música popular, com testemunhos de figuras como Jane Fonda e Paul Anka.

🎬 Uma semana equilibrada entre espectáculo e autor

No conjunto, esta semana de estreias em Portugal reflecte bem a realidade do mercado: um blockbuster de Hollywood a liderar claramente o interesse do público, um cinema português cada vez mais ambicioso e presente, e uma oferta europeia e documental que garante diversidade e profundidade ao cartaz.

Mais do que uma semana de grandes surpresas comerciais, trata-se de uma semana de equilíbrio — entre o espectáculo, a identidade e a reflexão.

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Mark Ruffalo volta a fazê-lo? Actor deixa escapar possível spoiler sobre o futuro de Spider-Man

Quando se fala em spoilers no universo Marvel, o nome de Mark Ruffalo surge quase sempre na conversa. O actor, que interpreta Bruce Banner / Hulk no MCU, voltou a dar que falar depois de uma recente aparição no Cinema Adriano, em Roma, onde deixou uma frase que está a incendiar as redes sociais e os fóruns de fãs.

Sem entrar em detalhes sobre o Hulk, Ruffalo acabou por comentar o futuro do Homem-Aranha e lançou a bomba: “prometo-vos, a mil por cento, que ele vai lutar contra um alien no futuro.” A declaração foi rapidamente partilhada online e muitos fãs interpretaram-na como mais um daqueles momentos clássicos em que o actor revela mais do que devia.  

👽 Venom a caminho de Brand New Day?

A leitura mais imediata dos fãs aponta para a presença de Venom em Spider-Man: Brand New Day, o novo filme protagonizado por Tom Holland.

A teoria não surge do nada. Há já vários meses que circulam rumores sobre a possível entrada do simbionte na narrativa, e a frase de Ruffalo veio dar novo combustível a essa especulação. Em fóruns e redes sociais, muitos apontam mesmo para algumas imagens promocionais e para o trailer, que, segundo alguns espectadores, sugerem uma ameaça de origem alienígena.  

Ainda assim, é importante manter algum cuidado. Ruffalo não mencionou directamente Venom, e a palavra “alien” pode significar várias coisas dentro do vasto universo Marvel.

📚 A pista de Secret Wars

Outra possibilidade que está a ganhar força entre os fãs mais atentos aos comics é a de Ruffalo estar, na verdade, a referir-se a Avengers: Secret Wars.

Nas bandas desenhadas, é precisamente durante a saga Secret Wars que Peter Parker entra em contacto com o simbionte alienígena que viria a tornar-se Venom — um dos momentos mais icónicos da história do personagem.

Com a Marvel Studios a preparar a adaptação cinematográfica dessa saga para 2027, não é impossível que Ruffalo esteja a falar de um futuro mais alargado do MCU e não necessariamente do próximo filme a solo do Homem-Aranha.  

🎬 O que sabemos sobre o novo filme

Para já, o que é oficial é que Spider-Man: Brand New Day estreia a 31 de Julho de 2026 e contará com o regresso de Mark Ruffalo ao lado de Tom Holland. O filme deverá mostrar Peter Parker quatro anos depois dos acontecimentos de No Way Home, agora completamente sozinho e a actuar como um verdadeiro herói de rua em Nova Iorque.  

Se Venom está mesmo no filme ou se tudo isto não passa de mais uma “Ruffalo moment”, ainda é cedo para saber.

Mas uma coisa é certa: o rei dos spoilers da Marvel continua em grande forma.

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Coyote vs. Acme está vivo! Primeiro trailer confirma a chegada aos cinemas

Depois de anos de incerteza, cancelamentos e muita indignação entre fãs, Coyote vs. Acme está oficialmente de regresso — e desta vez é mesmo a sério. A Warner Bros. Pictures e a Ketchup Entertainment revelaram finalmente o primeiro trailer oficial do filme, confirmando a estreia nos cinemas a 28 de Agosto de 2026.  

Durante muito tempo, muitos acreditaram que este seria mais um projecto perdido nos cofres do estúdio, tal como aconteceu com Batgirl. Mas o lendário coiote mais azarado da animação conseguiu sobreviver ao que parecia ser um destino inevitável.

🎬 O filme que Hollywood quase apagou

A história de Coyote vs. Acme é quase tão caótica como os planos de Wile E. Coyote.

O filme, produzido pela Warner Animation Group e pela produtora de James Gunn, foi originalmente concluído há vários anos, mas acabou por ser “arrumado na gaveta” pela Warner Bros. numa decisão polémica ligada a benefícios fiscais.

A reacção negativa dos fãs e da indústria foi imediata, e a pressão acabou por resultar na venda dos direitos à Ketchup Entertainment, que agora leva finalmente o projecto ao grande ecrã.  

É, sem exagero, um dos casos mais insólitos dos últimos anos em Hollywood: um filme praticamente concluído, quase descartado, e depois resgatado à última hora.

⚖️ Wile E. Coyote vai processar a ACME

A premissa é tão brilhante quanto inevitável.

Depois de décadas a ser lançado de penhascos, explodido por dinamite defeituosa, esmagado por pedras gigantes e traído por foguetes que nunca funcionam, Wile E. Coyote decide que já chega.

Em vez de continuar a perseguir o Road Runner, resolve processar a empresa responsável por todos os seus falhanços: a infame ACME, Inc.

Ao seu lado surge Kevin Avery, interpretado por Will Forte, um advogado especializado em acidentes, enquanto John Cena assume o papel de Buddy Crane, o homem chamado para defender os interesses da corporação.

Segundo a sinopse oficial, o caso transforma-se num confronto entre um personagem de animação desesperado e uma multinacional obcecada pelo lucro.  

🎞️ Um tom à Who Framed Roger Rabbit?

O trailer sugere um híbrido entre live-action e animação muito ao estilo de Who Framed Roger Rabbit, uma comparação que está a entusiasmar os fãs nas redes sociais.

A mistura entre actores reais e personagens clássicos dos Looney Tunes promete ser um dos grandes trunfos do filme, que junta humor absurdo, nostalgia e uma boa dose de sátira corporativa.

Se cumprir o potencial que o trailer sugere, Coyote vs. Acme poderá tornar-se numa das surpresas mais divertidas do final do Verão.

E, sejamos honestos, depois de tudo o que passou… talvez nenhum filme mereça tanto chegar finalmente ao cinema.

beep beep…vruumm

Disney trava Deadpool 4? Ryan Reynolds sugere futuro diferente para o anti-herói da Marvel

O futuro de Deadpool no universo Marvel poderá estar a tomar um rumo inesperado. Ryan Reynolds revelou recentemente que já tem ideias e algum material escrito para o próximo passo da personagem, mas deixou no ar a possibilidade de não existir um Deadpool 4 tradicional — pelo menos não nos moldes a que os fãs se habituaram.

Numa entrevista recente, o actor foi bastante claro: “tenho algumas coisas escritas, mas não penso voltar a ser o protagonista. Ele é uma personagem de suporte. É um tipo que funciona muito bem num grupo.”  

A declaração está já a gerar bastante discussão entre os fãs da Marvel, sobretudo porque parece indicar que a Disney e a Marvel Studios poderão estar a afastar-se da ideia de um quarto filme a solo.

🎬 O fim de Deadpool 4 como filme a solo?

Depois do enorme sucesso de Deadpool & Wolverine, que ultrapassou os 1,3 mil milhões de dólares em receita mundial, muitos assumiam que um novo filme seria inevitável.  

No entanto, as palavras de Reynolds sugerem precisamente o contrário.

Em vez de um novo capítulo centrado apenas em Wade Wilson, a ideia parece passar por integrar Deadpool em projectos de ensemble, onde a personagem funcione como catalisador cómico e emocional dentro de um grupo maior.

E, sejamos honestos, faz sentido.

Deadpool sempre brilhou no choque com outras personalidades — seja com Wolverine, Cable ou Colossus. O humor meta, a quebra constante da quarta parede e a sua energia caótica funcionam muitas vezes ainda melhor quando há outros heróis à sua volta.

🦸 Avengers ou X-Men?

A grande pergunta agora é: em que grupo poderá surgir?

Os cenários mais imediatos apontam para Avengers: Doomsday ou Avengers: Secret Wars, dois filmes que prometem reunir várias personagens do MCU.  

Mas há outra hipótese que entusiasma ainda mais muitos fãs: os X-Men.

Tendo em conta a ligação histórica de Deadpool ao universo mutante, a possibilidade de Wade Wilson cruzar caminho com a futura equipa dos X-Men no MCU parece cada vez mais plausível.

O próprio Reynolds já tinha referido no passado que imagina Deadpool a interagir com os Avengers ou com os X-Men, mas não necessariamente como membro oficial.

Na sua visão, Wade é uma personagem que sonha ser aceite, que quer fazer parte de algo maior, mas que nunca encaixa totalmente.

E é precisamente aí que reside muito do seu charme.

🎭 Um novo papel para a personagem

Mais do que uma “recusa” da Disney, isto pode representar uma evolução natural da personagem dentro do MCU.

Deadpool como figura de apoio, inserido em grandes eventos ou filmes de equipa, poderá permitir à Marvel explorar o melhor da personagem sem repetir a fórmula dos filmes a solo.

Por agora, não existe qualquer confirmação oficial sobre o próximo projecto, mas uma coisa parece certa: Wade Wilson ainda não disse a última palavra.

Só poderá não ser num Deadpool 4 como muitos imaginava…

A vida inesperada da musa de American Pie: de Hollywood aos rinocerontes… e agora ao OnlyFans

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A vida inesperada da musa de American Pie: de Hollywood aos rinocerontes… e agora ao OnlyFans

Durante anos, o rosto de Shannon Elizabeth ficou para sempre ligado a um dos filmes mais icónicos da comédia juvenil dos anos 90. Para toda uma geração, será sempre Nadia, a estudante de intercâmbio de American Pie, um dos grandes fenómenos de 1999. No entanto, a vida da actriz norte-americana seguiu um rumo muito diferente daquele que muitos poderiam imaginar.

Aos 52 anos, Shannon Elizabeth volta a estar no centro das atenções depois de anunciar a sua entrada no OnlyFans, uma decisão que, segundo a própria, representa “um novo capítulo” da sua vida e uma forma de se sentir “mais livre”. Mas a verdade é que este é apenas mais um episódio numa trajectória tudo menos convencional.

🎥 De musa de Hollywood a rosto inesquecível dos anos 90

Depois do sucesso de American Pie, Shannon Elizabeth regressou ao papel de Nadia em American Pie 2 e consolidou a sua imagem como uma das actrizes mais reconhecíveis do início dos anos 2000.

Participou ainda em títulos populares como Scary Movie, Thirteen Ghosts, Love Actually e Cursed, construindo uma carreira sólida no cinema comercial.

Contudo, ao contrário do percurso habitual em Hollywood, a actriz começou gradualmente a afastar-se dos grandes estúdios e do circuito mediático.

🦏 Uma nova vida na África do Sul

Em 2016, Shannon Elizabeth tomou uma decisão radical: deixou os Estados Unidos e mudou-se para a África do Sul para se dedicar à protecção da vida selvagem, em particular dos rinocerontes.

A actriz tem falado repetidamente sobre a importância da conservação animal e da protecção das espécies ameaçadas, transformando essa causa no centro da sua vida.

Em 2018 criou a Shannon Elizabeth Foundation, uma organização dedicada à preservação de habitats em risco, à protecção de espécies ameaçadas e ao apoio de quem trabalha directamente no terreno.

Na verdade, esta ligação ao activismo animal não é recente. Já em 2001, ainda a viver em Los Angeles, tinha lançado a organização Animal Avengers, focada no resgate de cães e gatos.

O passo para África foi, nas suas palavras, uma evolução natural dessa missão.

♠️ O póquer como ferramenta para financiar a causa

Outro capítulo surpreendente da sua vida foi a entrada no mundo do póquer profissional.

Longe de ser apenas um hobby, Shannon Elizabeth passou a participar em torneios de alto nível, utilizando os prémios monetários como forma de financiar os seus projectos de conservação animal.

Durante vários anos, tornou-se presença regular em eventos de póquer televisivos, ganhando notoriedade também nesse meio.

É uma faceta pouco conhecida do público, mas que reforça a ideia de uma carreira construída fora dos caminhos tradicionais de Hollywood.

📱 O novo capítulo no OnlyFans

Agora, a actriz inicia mais uma fase inesperada ao juntar-se ao OnlyFans.

Segundo a própria, esta decisão está ligada à vontade de ter maior controlo sobre a forma como se apresenta ao público e de abrir novas possibilidades profissionais.

Mais do que um regresso mediático, trata-se de mais uma reinvenção numa vida marcada por mudanças improváveis.

De estrela adolescente a activista em África, de jogadora de póquer a criadora de conteúdos, Shannon Elizabeth continua a provar que a sua história está longe de ser previsível.

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Teresa — Madre de Calcutá: Noomi Rapace Encarna uma Santa com Energia Punk

Há um momento nas notas de produção de Mother — o título original do filme que chega a Portugal a 14 de Maio como Teresa — Madre de Calcutá — em que a realizadora Teona Strugar Mitevska descreve o que procurava numa actriz para o papel: “Queria trabalhar com uma actriz que naturalmente irradia a energia punk rock que acredito que a Madre Teresa tinha, e que carregue uma ferocidade.” A escolha foi Noomi Rapace. E essa frase — “energia punk rock” aplicada à mulher canonizada pela Igreja Católica em 2016 — diz tudo sobre o tipo de filme que este é.

Teresa — Madre de Calcutá passou em abertura da secção Horizontes do Festival de Veneza em 2025, onde chegou com o peso de quinze anos de gestação. Mitevska começou este projeto com um documentário chamado Teresa and I, onde entrevistou as últimas quatro irmãs vivas que conheceram pessoalmente a Madre Teresa e fundaram a sua ordem. Foram essas conversas — gravadas numa Calcutá húmida e sufocante — que lhe revelaram uma personagem que o mito havia obliterado: uma mulher de 37 anos, ambiciosa, precisa, feroze na sua determinação, capaz de disciplina e de dureza, que escolheu a religião não apesar da sua força de carácter mas por causa dela.

O filme passa-se em apenas sete dias — Agosto de 1948, Calcutá — e concentra-se num momento que a hagiografia oficial raramente examina: o instante em que Teresa, Madre Superiora do Convento das Irmãs de Loreto, aguarda a autorização eclesiástica para abandonar o mosteiro e criar a sua própria ordem. É o momento antes de se tornar a Madre Teresa que o mundo conhece. E é precisamente por isso que o filme é interessante — porque o que vemos não é uma santa em plena santidade, mas uma mulher no limiar de uma decisão que vai definir toda a sua vida, com todas as contradições, ambições e medos que isso implica.

Mitevska, que é ela própria albanesa e macedónia como Teresa de Calcutá, descreve o processo de pesquisa com uma intensidade que vai muito além da preparação cinematográfica habitual. Viveu e filmou entre os intocáveis e os doentes de lepra em Calcutá. Tomou banho ritual no Ganges. Passou anos a analisar as cartas pessoais de Teresa e as polémicas que as rodearam — incluindo a relação profunda com o confessor Padre Exam, documentada em Come Be My Light, e a posição da Madre sobre o aborto, que Mitevska não esquiva nem desculpa mas tenta compreender no contexto de uma mulher que era, antes de mais, um produto do seu tempo. “Não quero apresentar nada além do que experiencio, vejo e vivo diariamente”, disse a realizadora. “As mulheres são fortes, capazes e competentes, e é isso que retrato nos meus filmes.”

Noomi Rapace — a actriz sueca que o mundo conheceu como Lisbeth Salander em Millennium e que construiu desde então uma carreira de personagens que habitam a tensão entre fragilidade e poder — passou um ano e meio a construir esta Teresa com a realizadora. Vinte e um rascunhos de guião. Leituras e releituras. Pesquisa sobre a India dos anos 40, a Igreja Católica, o colonialismo britânico. “Deixar que os seus próprios pensamentos e controlo fossem substituídos pelos dela”, como descreveu. Conta que numa noite, a caminhar pelas ruas de Calcutá durante as filmagens, já não sabia distinguir os seus pensamentos dos da personagem. “Ela mudou-se para dentro de mim.”

O elenco inclui Sylvia Hoeks como Irmã Agnieszka, Nikola Ristanovski como Padre Friedrich e Labina Mitevska — irmã da realizadora e co-produtora do filme — como Irmã Mercedes. A fotografia é de Virginie Saint-Martin, e a banda sonora original é de Magali Gruselle e Flemming Nordkrog. É uma co-produção entre a Bélgica, a Macedónia do Norte, a Suécia, a Dinamarca e a Bósnia-Herzegovina — o tipo de consórcio europeu que o cinema de autor precisa para existir em condições, e que raramente produz filmes medíocres.

Mitevska compara o seu projeto ao de Alexander Sokurov com Moloch e Taurus — os retratos do ditador Hitler e de Lenin na sua vida privada e nas suas contradições humanas. A sua Madre Teresa pertence a essa tradição: figuras históricas vistas no avesso do mito, no momento antes da apoteose, quando ainda são pessoas que fazem escolhas com consequências que não controlam completamente. “Quantas vezes ao longo da história celebrámos homens sob todas as luzes, as melhores e as piores?”, pergunta a realizadora. “Infelizmente, ficamos aquém quando se trata de mulheres.”

Teresa — Madre de Calcutá estreia em Portugal a 14 de Maio. É o tipo de filme que Veneza recebe de braços abertos e que os cinéfilos portugueses raramente têm a oportunidade de ver em ecrã grande. Uma realizadora macedónia, uma actriz sueca, uma santa albanesa, filmada na India com uma equipa de 300 pessoas. O cinema europeu a fazer o que faz de melhor: pegar numa figura que o mundo julgava conhecer e mostrar o que estava por baixo.

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Tucker Carlson admite arrependimento por ter apoiado Trump: “Vou ser atormentado por isto durante muito tempo”

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Tucker Carlson admite arrependimento por ter apoiado Trump: “Vou ser atormentado por isto durante muito tempo”

Numa reviravolta inesperada no universo conservador norte-americano, Tucker Carlson veio a público admitir que está “atormentado” por ter apoiado Donald Trump, pedindo desculpa aos seus ouvintes por os ter, nas suas palavras, “enganado”.

A declaração foi feita no mais recente episódio do podcast The Tucker Carlson Show, numa conversa com o seu irmão, Buckley Carlson, antigo autor de discursos de Trump. Segundo o comentador, este é um momento de consciência e de responsabilidade pessoal, especialmente face aos mais recentes desenvolvimentos políticos e militares associados à presidência norte-americana.  

“Vou ser atormentado por isto durante muito tempo. Quero pedir desculpa por ter enganado as pessoas. Não foi intencional”, afirmou Carlson no programa.  

De crítico feroz a apoiante de Trump

O posicionamento de Carlson em relação a Trump sempre foi marcado por mudanças bruscas. Em 1999, o antigo rosto da Fox News chegou a descrever o actual Presidente dos Estados Unidos como “a pessoa mais repugnante do planeta”.

No entanto, anos mais tarde, antecipou-se a muitos comentadores conservadores ao defender que Trump deveria ser levado a sério durante a corrida presidencial de 2016. A partir daí, tornou-se um dos seus mais influentes defensores mediáticos, posição que se reforçou durante a campanha de 2024, onde apoiou activamente o então candidato republicano.  

Ruptura agravada pela guerra com o Irão

A actual ruptura entre Carlson e Trump parece ter-se aprofundado nos últimos meses, em particular devido ao conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão.

Segundo várias fontes internacionais, Carlson tem criticado duramente a postura da administração norte-americana, considerando a linguagem usada por Trump sobre o Irão “vil a todos os níveis”.  

No podcast, o comentador foi ainda mais longe ao assumir responsabilidade pelo regresso de Trump à Casa Branca.

“Tu, eu e milhões de pessoas como nós somos a razão pela qual isto está a acontecer agora.”

A frase revela não apenas distanciamento político, mas uma tentativa de fazer mea culpa perante a sua audiência.  

Trump respondeu com insultos

A resposta de Trump não tardou. Numa publicação na rede social Truth Social, o Presidente atacou diretamente Carlson, bem como outras figuras do universo MAGA, incluindo Candace Owens e Alex Jones.

Entre os insultos, Trump escreveu que Carlson “nunca mais foi o mesmo” desde que saiu da Fox News, sugerindo inclusivamente que deveria “consultar um psiquiatra”.  

Carlson respondeu dias depois, afirmando que continua a sentir simpatia por Trump, mas considera que o Presidente está “encurralado por outras forças”.

Uma mudança sincera ou cálculo político?

A mudança de discurso já está a gerar fortes reacções nos Estados Unidos. Enquanto alguns interpretam as palavras como um raro momento de reflexão pública, outros questionam a sinceridade do gesto.

Em programas de comentário e nas redes sociais, várias vozes acusam Carlson de oportunismo, lembrando as contradições entre as suas posições públicas e privadas ao longo dos anos.  

Seja qual for a motivação, o episódio marca uma fissura relevante dentro do universo conservador norte-americano e pode ser sintomático das tensões internas que atravessam o movimento MAGA.

Christina Applegate Quebra o Silêncio — “Estou a Ficar Mais Forte”

Há formas de falar sobre doença que infantilizam quem a tem. Christina Applegate não usa nenhuma delas. A actriz de 54 anos, diagnosticada com esclerose múltipla em Junho de 2021, publicou ontem no Instagram uma mensagem curta depois de dias de silêncio após relatos de hospitalização: “Obrigada pelo amor e pelos votos de melhoras. Os problemas de saúde são uma constante para mim, mas sou uma mulher forte e estou a ficar mais forte e melhor a cada dia. Estou a tirar um momento para me focar na minha saúde, mas voltarei com mais para dizer em breve.” Ao lado das palavras, uma fotografia de uma caneca de café com a frase “Kissy Kissy” e o seu livro de memórias recém-publicado, You With the Sad Eyes. Nenhum drama. Nenhum pedido de simpatia. Apenas a confirmação de que ainda está cá.

O TMZ tinha revelado na quinta-feira que Applegate tinha sido hospitalizada em Los Angeles desde finais de Março, com fontes próximas a descreverem a situação como séria. A actriz não tinha comentado os relatos, e a sua última publicação no Instagram antes de ontem tinha sido sobre o seu livro de memórias se ter tornado bestseller de áudio do New York Times. Publicações como o Daily Mail e o Page Six chegaram a relatar que pessoas próximas de Applegate se estavam a preparar para o pior. A mensagem de ontem contrariou esses relatos directamente — sem os mencionar, sem os rebater, apenas com a sua própria voz.

Applegate foi diagnosticada com esclerose múltipla durante as filmagens da terceira temporada de Dead to Me, a série da Netflix onde interpretou Jen Harding ao longo de três temporadas até 2022. Contou publicamente o diagnóstico no Twitter em Agosto de 2021 com a contenção irreverente que a caracteriza: “Olá amigos. Há alguns meses fui diagnosticada com EM. Tem sido uma viagem estranha. Mas tenho sido muito apoiada por pessoas que conheço e que também têm esta condição. Tem sido um caminho difícil. Mas como todos sabemos, o caminho continua. A menos que algum idiota o bloqueie.” Era exactamente a voz de alguém que não quer compaixão — quer honestidade.

Desde o diagnóstico, Applegate tem falado regularmente sobre como a doença afecta a sua vida quotidiana. Numa entrevista ao New York Times enquanto promovia o livro, descreveu a esclerose múltipla como “empurrar uma pedra morro acima” e revelou que acorda frequentemente com as mãos contraídas, incapaz de se mover ou caminhar até à casa de banho. “Não me digas que estás com bom aspecto hoje. Não quero ouvir. Ajuda-me a levantar. É tudo.” É o tipo de declaração que só é possível quando alguém decidiu, conscientemente, recusar o papel de vítima inspiracional que a sociedade gosta de atribuir a pessoas com doenças crónicas.

O livro de memórias You With the Sad Eyes, publicado no mês passado, percorre os vários capítulos difíceis da sua vida — o diagnóstico de cancro da mama em 2008, a esclerose múltipla, as hospitalizações repetidas — com a mesma voz: directa, sem concessões, por vezes engraçada de uma forma que só funciona quando vem de alguém que realmente viveu o que está a descrever. No livro, Applegate escreve que foi ao serviço de urgências inúmeras vezes desde o diagnóstico. É um livro sobre resistência, mas não do tipo que aparece nos postais motivacionais.

Christina Applegate tem 54 anos, uma carreira que vai de Married… with Children a Bad Moms, e uma forma de estar no mundo que recusa sistematicamente ser reduzida à sua doença. A mensagem de ontem — breve, directa, sem ornamentos — é exactamente isso. Está a ficar mais forte. E vai ter mais para dizer em breve.

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Há uma combinação de elementos neste projecto que é difícil de ignorar. Uma agente da CIA fugitiva acusada de matar um colega. A viúva desse colega que investiga o crime a partir do lado oposto. Madrid como cenário. O criador de Homeland como showrunner. E no centro de tudo, Ana de Armas e Jennifer Connelly — duas das actrizes mais completas do cinema contemporâneo numa série de oito episódios para a Apple TV+. Safe Houses é, a todos os títulos, uma das apostas mais ambiciosas do streaming para o segundo semestre de 2026.

A série foi confirmada hoje com a entrada de David Lyons e Tobias Menzies no elenco, que se juntam a Connelly e De Armas para completar o quarteto principal. Lyons — conhecido pelo trabalho em The Beast in Me — interpreta Kevin Garvey, um agente especial da CIA. Menzies — o Tobias Menzies de The Crown e Outlander, e mais recentemente do filme F1 — é Clarke Winters, o marido da embaixadora Winthrop. A direcção dos episódios de abertura ficou a cargo de Otto Bathurst, realizador de Peaky Blinders e Black Mirror, com Gideon Raff a dirigir os episódios adicionais além de servir como showrunner.

A premissa tem uma propulsão clássica de dois lados: passada em Madrid na sequência do assassínio de um alto oficial da CIA, a série segue Sofia Jiménez — a agente fugitiva acusada do crime — e a Embaixadora Elizabeth Winthrop, a viúva da vítima, enquanto as duas investigam o assassínio a partir de posições opostas e vão desvendando uma conspiração com consequências globais. É o tipo de estrutura que Homeland explorou durante oito temporadas com sucesso considerável — e Raff conhece o território melhor do que ninguém, tendo sido um dos arquitectos criativos dessa série.

Para Ana de Armas, Safe Houses marca o seu regresso à televisão como protagonista após anos de carreira exclusivamente no cinema — depois de No Time to DieKnives OutBlonde e Ballerina, é a primeira vez que a actriz cubano-espanhola assume um papel de liderança numa série de longa duração. A escolha é significativa: De Armas poderia continuar a fazer filmes de estúdio indefinidamente, e a decisão de regressar à televisão — e de o fazer pela Apple — sugere que o projecto tem algo genuinamente interessante para oferecer além do formato. O facto de Madrid ser o cenário central não é irrelevante para a actriz, que cresceu em Espanha antes de fazer carreira em Hollywood.

Jennifer Connelly, por seu lado, tem construído nos últimos anos uma carreira televisiva paralela à cinematográfica com uma selectividade que é, em si mesma, uma declaração de qualidade. Depois de Dark Matter na Apple TV+ — onde a sua performance ao longo de dez episódios foi um dos destaques televisivos de 2024 —, o regresso à mesma plataforma com um projecto de espionagem de alta octanagem é a confirmação de uma relação criativa que claramente funciona.

Para Portugal, Safe Houses tem um ângulo adicional que vale referir: Madrid como cenário europeu central de uma série de espionagem americana é uma escolha que raramente acontece, e que inevitavelmente vai trazer a cidade — e por extensão a Península Ibérica — a uma visibilidade global considerável. A data de estreia ainda não foi anunciada, mas com o elenco agora completo e a produção confirmada, o segundo semestre de 2026 é a janela mais provável.

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Há uma frase que circulou nas redes sociais no domingo à noite, escrita por Nathan Hubbard, antigo director executivo da Ticketmaster: “Genuinamente acredito que a combinação de Bieber a trazer Billie Eilish e Sabrina a trazer Madonna em dois dos momentos mais de círculo completo de sempre vai mudar o equilíbrio de poder no Coachella do Weekend 1 para o Weekend 2 no próximo ano.”  É uma afirmação forte. Mas depois do que aconteceu entre sexta e domingo no Empire Polo Club em Indio, na Califórnia, é difícil discordar.

O Coachella 2026 teve a sua maior surpresa não nos headliners nem nas actuações principais — mas no facto de todos os momentos mais memoráveis e os cameos mais estrelados terem acontecido no Weekend 2, o fim-de-semana tradicionalmente menos glamoroso do festival.  Durante 25 anos, a lógica do Coachella foi simples e imutável: o primeiro fim-de-semana é onde as coisas acontecem, onde os artistas guardam as suas melhores surpresas, onde a imprensa está em peso e os influenciadores pagaram mais pelo acesso. O segundo fim-de-semana era para os fãs que não conseguiram bilhetes para o primeiro. Em 2026, essa lógica inverteu-se completamente — e a inversão foi tão dramática que a indústria musical está agora a perguntar se foi um acidente ou o início de uma tendência.

A sexta-feira começou com Sabrina Carpenter a repetir o seu concerto “Sabrinawood” — e a melhorá-lo de forma considerável. No segundo fim-de-semana, depois de “Juno” ser encurtada para a primeira metade, Madonna duetou com Carpenter em “Vogue”, “Bring Your Love” — uma música do próximo álbum Confessions II — e “Like a Prayer”. Foi o momento do festival. Madonna, que tinha actuado no Coachella pela última vez em 2015 durante o set de Drake, regressou ao mesmo palco vinte anos depois da primeira vez que tocou “Confessions on the Dance Floor” nos Estados Unidos — e fê-lo exatamente com o mesmo fato. O timing era calculado ao segundo: Madonna tinha anunciado o lançamento de Confessions II para Julho na quarta-feira anterior, teased o novo single na tarde de sexta e lançou-o oficialmente horas depois da actuação com Carpenter — uma estratégia de marketing disfarçada de momento espontâneo, executada com uma precisão que só alguém com cinco décadas de carreira consegue.

No sábado, Justin Bieber — que no primeiro fim-de-semana tinha optado pelo minimalismo quase provocatório — apareceu com uma generosidade completamente diferente. Billie Eilish juntou-se para “One Less Lonely Girl”, SZA para “Snooze”, Big Sean para “As Long As You Love Me” e “No Pressure”, Sexyy Red para “Sweet Spot” e Dijon para “Devotion”.  O momento com Eilish tornou-se imediatamente viral: Eilish tropeçou nos degraus, enrolou-se no banco ao centro do palco e recebeu um abraço por trás de Bieber antes de os dois explodirem em gargalhadas.  A mãe de Eilish agradeceu publicamente no Instagram: “Estou tão grata ao Justin Bieber pela bondade que mostrou à Billie e à nossa família inteira. Foi um dos momentos mais tocantes de sempre.”

O domingo pertenceu, como na semana anterior, a Karol G — mas desta vez com J Balvin e Peso Pluma como convidados surpresa em lugar de Becky G. E Addison Rae, que no primeiro fim-de-semana não tinha trazido qualquer convidado, recebeu Olivia Rodrigo não apenas para “Headphones On” mas também para a estreia ao vivo do novo single de Rodrigo, “Drop Dead”. 

A explicação mais óbvia para o que aconteceu é também a mais simples: no Weekend 2, uma surpresa vai ser mais surpresa. No primeiro fim-de-semana, o headliner não quer ser ofuscado pelo convidado. No segundo, já provou o que tem para provar, conhece melhor a sala, e pode dar-se ao luxo de partilhar o palco com generosidade. Mas o que aconteceu em 2026 foi além disso — foi uma coordenação quase deliberada entre artistas que decidiram, colectivamente, guardar os seus melhores momentos para o fim. O resultado foi um segundo fim-de-semana que não apenas igualou o primeiro mas o tornou irrelevante por comparação. Para quem estava lá, foi o melhor Coachella em anos. Para quem ficou em casa, foi um lembrete de que às vezes as melhores coisas acontecem quando ninguém está a prestar atenção.