Há uma combinação de elementos neste projecto que é difícil de ignorar. Uma agente da CIA fugitiva acusada de matar um colega. A viúva desse colega que investiga o crime a partir do lado oposto. Madrid como cenário. O criador de Homeland como showrunner. E no centro de tudo, Ana de Armas e Jennifer Connelly — duas das actrizes mais completas do cinema contemporâneo numa série de oito episódios para a Apple TV+. Safe Houses é, a todos os títulos, uma das apostas mais ambiciosas do streaming para o segundo semestre de 2026.
A série foi confirmada hoje com a entrada de David Lyons e Tobias Menzies no elenco, que se juntam a Connelly e De Armas para completar o quarteto principal. Lyons — conhecido pelo trabalho em The Beast in Me — interpreta Kevin Garvey, um agente especial da CIA. Menzies — o Tobias Menzies de The Crown e Outlander, e mais recentemente do filme F1 — é Clarke Winters, o marido da embaixadora Winthrop. A direcção dos episódios de abertura ficou a cargo de Otto Bathurst, realizador de Peaky Blinders e Black Mirror, com Gideon Raff a dirigir os episódios adicionais além de servir como showrunner.
A premissa tem uma propulsão clássica de dois lados: passada em Madrid na sequência do assassínio de um alto oficial da CIA, a série segue Sofia Jiménez — a agente fugitiva acusada do crime — e a Embaixadora Elizabeth Winthrop, a viúva da vítima, enquanto as duas investigam o assassínio a partir de posições opostas e vão desvendando uma conspiração com consequências globais. É o tipo de estrutura que Homeland explorou durante oito temporadas com sucesso considerável — e Raff conhece o território melhor do que ninguém, tendo sido um dos arquitectos criativos dessa série.
Para Ana de Armas, Safe Houses marca o seu regresso à televisão como protagonista após anos de carreira exclusivamente no cinema — depois de No Time to Die, Knives Out, Blonde e Ballerina, é a primeira vez que a actriz cubano-espanhola assume um papel de liderança numa série de longa duração. A escolha é significativa: De Armas poderia continuar a fazer filmes de estúdio indefinidamente, e a decisão de regressar à televisão — e de o fazer pela Apple — sugere que o projecto tem algo genuinamente interessante para oferecer além do formato. O facto de Madrid ser o cenário central não é irrelevante para a actriz, que cresceu em Espanha antes de fazer carreira em Hollywood.
Jennifer Connelly, por seu lado, tem construído nos últimos anos uma carreira televisiva paralela à cinematográfica com uma selectividade que é, em si mesma, uma declaração de qualidade. Depois de Dark Matter na Apple TV+ — onde a sua performance ao longo de dez episódios foi um dos destaques televisivos de 2024 —, o regresso à mesma plataforma com um projecto de espionagem de alta octanagem é a confirmação de uma relação criativa que claramente funciona.
Para Portugal, Safe Houses tem um ângulo adicional que vale referir: Madrid como cenário europeu central de uma série de espionagem americana é uma escolha que raramente acontece, e que inevitavelmente vai trazer a cidade — e por extensão a Península Ibérica — a uma visibilidade global considerável. A data de estreia ainda não foi anunciada, mas com o elenco agora completo e a produção confirmada, o segundo semestre de 2026 é a janela mais provável.
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