Jason Statham enfrenta uma conspiração internacional em alto mar em “Mutiny: Código Vingança”

“Mutiny: Código Vingança” estreou em Portugal a 20 de agosto, trazendo Jason Statham de volta ao território que melhor conhece: o thriller de ação direto, económico na duração, mas denso em confrontos físicos. Realizado por Jean-François Richet, o mesmo realizador francês que já tinha trabalhado com Statham em “Mutiny” (título original mantido em Portugal), o filme junta-se à já longa lista de produções de ação protagonizadas pelo ator britânico ao longo da última década e meia.

A história segue Cole Reed (Jason Statham), um antigo membro das Forças Especiais que passou também pela polícia metropolitana de Londres antes de se dedicar à segurança privada. Reed é enquadrado pelo assassinato do seu patrão, um bilionário tailandês, e vê-se obrigado a embarcar sozinho numa cruzada pessoal para provar a sua inocência e vingar a morte do seu empregador. É precisamente aí que a trama ganha forma: a bordo de um cargueiro, Reed acaba por descobrir uma conspiração internacional muito maior do que aquilo com que inicialmente contava, incluindo um contentor com pessoas contrabandeadas que o capitão do navio, Marko Madsen, planeia entregar a uma rede de tráfico humano.

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Ao lado de Statham, destaca-se a atriz Annabelle Wallis no papel de Angie Ellis, oficial do cargueiro que descobre, pelo seu próprio lado, a operação criminosa a decorrer a bordo do navio onde trabalha. Segundo entrevistas recentes da atriz à imprensa internacional, Angie foi pensada como uma líder natural, tão determinada quanto Reed, mas movida também pela sua condição de mãe solteira, o que confere à personagem uma dimensão emocional que ajuda a equilibrar o ritmo mais frenético do filme. Completa o elenco principal Roland Møller no papel do antagonista Marko Madsen, além de Adrian Lester, Ramon Tikaram e Arnas Fedaravicius.

“Orwell 2+2=5”: o documentário de Raoul Peck que devolve George Orwell à atualidade, estreia dia 29 nos Canais TVCine

Com apenas 95 minutos de duração, “Mutiny: Código Vingança” segue a fórmula que tem definido boa parte da carreira recente de Jason Statham: ritmo compacto, sem grandes desvios narrativos, focado quase exclusivamente na ação e na sobrevivência física do protagonista. É uma abordagem que tem conquistado consistentemente audiências fiéis ao género, mesmo quando a crítica especializada se mostra mais reservada quanto à originalidade da história, e que garante ao filme um lugar confortável entre os thrillers de ação de verão pensados para entretenimento imediato mais do que para prestígio.

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Argumento assinado por Lindsay Michel e J.P. Davis, “Mutiny: Código Vingança” estreou nos Estados Unidos também a 21 de agosto, pela Lionsgate, muito próximo da data de estreia portuguesa, o que confirma a aposta do estúdio numa estratégia de lançamento global simultâneo para maximizar o impacto do filme logo na primeira semana em sala.

“Harry Potter e a Pedra Filosofal” volta aos cinemas para celebrar 25 anos de magia

Os Cinemas NOS trazem de volta ao grande ecrã “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, entre 27 e 30 de agosto, no âmbito da celebração global “Back to Hogwarts 2026”, que assinala os 25 anos desde a estreia do primeiro filme da saga baseada nos livros de J.K. Rowling. A reposição integra um programa mais alargado da Warner Bros. Discovery que, entre 27 de agosto e 3 de setembro, disponibiliza os oito filmes da franquia nos cinemas de todo o mundo, ainda que o calendário exato de exibição varie consoante a região e o exibidor.

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Há 25 anos, em novembro de 2001, “Harry Potter e a Pedra Filosofal” introduzia o mundo ao jovem bruxo interpretado por Daniel Radcliffe, dando início a uma das franquias mais bem-sucedidas comercialmente da história do cinema, que viria a somar oito filmes ao longo de uma década, arrecadar mais de sete mil milhões de dólares nas bilheteiras mundiais e transformar Hogwarts, o Beco Diagonal e o Expresso de Hogwarts em referências culturais reconhecíveis muito para além do público que leu os livros originais.

“After: Depois de Tudo” fecha a saga em Portugal — e chega ao Cinemundo no fim de agosto

Para esta reedição especial, o filme não regressa exatamente igual ao que o público viu em 2001: a versão exibida nos cinemas nesta celebração inclui 12 minutos de material nunca antes visto, com imagens dos bastidores da produção, o que representa um incentivo adicional mesmo para quem já assistiu ao filme dezenas de vezes ao longo destes 25 anos. É uma estratégia que a Warner Bros. Discovery tem vindo a repetir noutras franquias marcantes do seu catálogo, apostando na nostalgia como motor de bilheteira num ano particularmente forte para o cinema em sala.

Brad Pitt luta pela sobrevivência ao lado do seu cão de combate no trailer de “Heart of the Beast: Heróis Inseparáveis”

A celebração “Back to Hogwarts 2026” não se fica pela reedição: o anúncio inclui também eventos presenciais para fãs em quatro regiões globais e novos vislumbres da futura série da HBO baseada nos livros originais, atualmente em produção e aguardada com enorme expectativa por parte dos fãs da saga, que a acompanham como uma possibilidade de recontar a história com maior fidelidade ao material literário do que os filmes permitiram em alguns momentos.

Para o público português, esta é uma oportunidade rara de reviver em sala o início de uma saga que marcou gerações, não apenas pela nostalgia do primeiro contacto com o universo criado por J.K. Rowling, mas também pela experiência coletiva do cinema, algo que o consumo doméstico em streaming raramente consegue replicar. Vinte e cinco anos depois, Hogwarts continua, aparentemente, a encher salas.

“Orwell 2+2=5”: o documentário de Raoul Peck que devolve George Orwell à atualidade, estreia dia 29 nos Canais TVCine

Os Canais TVCine estreiam, em exclusivo, no sábado, dia 29 de agosto, às 22h10, no TVCine Edition e no TVCine+, “Orwell 2+2=5”, o documentário de Raoul Peck sobre a vida e a obra de George Orwell, um dos autores mais lidos e mais citados do século XX. O filme teve a sua estreia mundial em maio de 2025, na secção Cannes Première do Festival de Cannes, onde concorreu ao prémio L’Œil d’Or, e chega agora, pela primeira vez, à televisão portuguesa.

“Está Cordialmente Convidado” estreia nos Canais TVCine, com Will Ferrell e Reese Witherspoon numa guerra de casamentos

Em 1949, poucos meses antes de morrer, George Orwell terminava aquele que ficaria conhecido como o seu romance mais importante: “1984”. Foi esse livro, ao lado de “A Quinta dos Animais”, que transformou Orwell num dos autores mais visionários do século passado, responsável por antecipar, com um rigor de detalhe hoje difícil de ignorar, um futuro autoritário assustadoramente credível. Conceitos como a novilíngua, o duplo pensamento ou a onipresença do Big Brother deixaram de pertencer apenas à ficção, tornando-se vocabulário corrente para descrever fenómenos políticos e sociais bem reais, décadas depois de terem sido escritos.

É precisamente essa persistência, essa capacidade de continuar a explicar o presente muito depois de ter sido escrito para imaginar o futuro, que “Orwell 2+2=5” se propõe explorar. Raoul Peck entrelaça excertos históricos, leituras do diário do próprio Orwell, referências cinematográficas retiradas de diferentes adaptações de “1984” e de “A Quinta dos Animais” ao longo dos anos, e imagens dinâmicas da atualidade, construindo não apenas um retrato biográfico convencional, mas uma verdadeira investigação sobre o que torna a obra de Orwell tão incomodamente atual. Segundo a crítica internacional, que recebeu o filme de forma bastante positiva em Cannes, o documentário não se limita a apresentar factos e datas: procura ativamente revelar padrões e ligações entre o pensamento de Orwell e os dias de hoje, defendendo o autor como um homem do passado que poderá, ainda assim, deter uma chave importante para compreender o futuro.

A narração está a cargo de Damian Lewis, ator britânico conhecido de séries como “Homeland” e “Billions”, que empresta a Orwell uma voz íntima e grave, um dos elementos mais elogiados pela crítica que acompanhou a estreia em Cannes. Já a realização pertence a Raoul Peck, um dos documentaristas mais respeitados da atualidade, nomeado para o Óscar de Melhor Documentário em 2017 por “I Am Not Your Negro”, um retrato do escritor e ativista James Baldwin que se tornou uma referência do género. Com “Orwell 2+2=5”, Peck assina ainda a sua primeira colaboração com os herdeiros de George Orwell, o que lhe permitiu um acesso pouco habitual a materiais de arquivo e diários pessoais do escritor.

Adria Arjona enfrenta um exército de supersoldados em “Ataque Implacável”, de Adam Wingard

Mais do que uma simples biografia, “Orwell 2+2=5” posiciona-se como um ensaio cinematográfico sobre a linguagem, o poder e a manipulação da verdade, temas que, mais de setenta e cinco anos depois da publicação de “1984”, continuam a atravessar o debate público em praticamente todo o mundo. Para quem já leu Orwell e para quem nunca lhe pegou num livro, o documentário promete oferecer motivos igualmente válidos para (re)descobrir por que razão este continua a ser um dos autores mais incontornáveis da literatura política contemporânea.

“Está Cordialmente Convidado” estreia nos Canais TVCine, com Will Ferrell e Reese Witherspoon numa guerra de casamentos

Os Canais TVCine estreiam esta sexta-feira, dia 28 de agosto, às 21h30, no TVCine Top e no TVCine+, “Está Cordialmente Convidado” (“You’re Cordially Invited”), a comédia romântica de Nicholas Stoller que junta, pela primeira vez no grande ecrã, Will Ferrell e Reese Witherspoon. O filme tinha estreado originalmente em janeiro de 2025 na plataforma Amazon Prime Video, chegando agora, mais de um ano depois, à televisão portuguesa.

Adria Arjona enfrenta um exército de supersoldados em “Ataque Implacável”, de Adam Wingard

A premissa assenta num erro de reserva tão simples quanto explosivo: dois casamentos, organizados por famílias diferentes, acabam marcados para o mesmo dia e no mesmo resort remoto. De um lado, uma irmã dedicada a planear o casamento perfeito para a sua irmã; do outro, um pai igualmente empenhado em garantir que o casamento da filha corre sem percalços. Quando ambos descobrem a coincidência, nenhum está disposto a ceder, dando origem a uma batalha de vontades cada vez mais caótica, em que cada grupo de convidados é chamado a proteger, a todo o custo, o momento especial da respetiva família.

É precisamente esse confronto entre Margot, interpretada por Reese Witherspoon, e Jim, interpretado por Will Ferrell, que sustenta o filme, num duelo cómico entre dois protagonistas igualmente teimosos e igualmente decididos a não abdicar do dia perfeito que planearam para quem mais amam. A química entre os dois atores, ambos com décadas de experiência em comédia, é apontada por boa parte da crítica internacional como o principal trunfo do filme, ainda que a receção geral tenha sido dividida: no agregador Rotten Tomatoes, o filme reúne cerca de metade de críticas positivas, com muitos críticos a elogiar precisamente a dupla protagonista, mas a apontar alguma falta de fôlego nalgumas das peripécias cómicas ao longo da história.

After: Depois de Tudo” fecha a saga em Portugal — e chega ao Cinemundo no fim de agosto

Nicholas Stoller, realizador e argumentista do filme, não é propriamente um estreante no género: assina também comédias como “Má Vizinhança” e “Ressaca de Amor”, dois títulos que ajudaram a consolidar o seu nome como um dos realizadores mais associados à comédia americana contemporânea, com um estilo caraterizado por humor físico, situações de embaraço social crescente e um ritmo de escrita bastante ágil, elementos que voltam a estar presentes nesta história de casamentos que corre inevitavelmente mal.

Ao lado da dupla principal, o elenco conta ainda com Geraldine Viswanathan, Meredith Hagner e Jimmy Tatro, nomes que têm vindo a afirmar-se sobretudo em comédias e séries de streaming dos últimos anos, e que reforçam o tom coral que a produção procura equilibrar em torno do confronto central entre Ferrell e Witherspoon.

Brad Pitt luta pela sobrevivência ao lado do seu cão de combate no trailer de “Heart of the Beast: Heróis Inseparáveis”

Para quem gosta de comédias de casamento com uma pitada extra de caos organizado, “Está Cordialmente Convidado” promete uma noite de sexta-feira descontraída, com duas estrelas veteranas da comédia americana a mostrar, finalmente juntas, se a espera valeu a pena.

Adria Arjona enfrenta um exército de supersoldados em “Ataque Implacável”, de Adam Wingard

“Ataque Implacável”, título português para “Onslaught”, o novo filme de Adam Wingard, o realizador responsável por “Godzilla vs. Kong”, “Godzilla x Kong: O Novo Império” e “The Guest”, estreia nos cinemas portugueses a 3 de setembro, um dia antes da estreia norte-americana, marcada para 4 de setembro pela A24. A distribuição em Portugal fica a cargo da NOS Audiovisuais.

“After: Depois de Tudo” fecha a saga em Portugal — e chega ao Cinemundo no fim de agosto

A história é simples na premissa e violenta na execução: no coração do deserto, uma experiência militar foge ao controlo, e uma unidade de supersoldados geneticamente modificados, concebidos originalmente para controlar populações, transforma a pequena comunidade de Windy Oasis num verdadeiro campo de batalha. A missão dos supersoldados passa a ser simples e brutal, eliminar todos os que possam revelar a verdade sobre a experiência que lhes deu origem, o que coloca os habitantes da comunidade, e sobretudo uma mãe em particular, numa luta pela sobrevivência ao longo de uma única noite.

Essa mãe é Celeste Cross, interpretada por Adria Arjona, atriz que se tem afirmado nos últimos anos como uma das presenças mais consistentes do cinema de ação e thriller, com papéis em “Assassino Profissional” e “Splitsville”. No filme, Celeste é uma antiga sniper do Exército que vive com a filha num parque de caravanas, tentando deixar para trás um passado militar que julgava enterrado, até ser obrigada a recuperar exatamente essas competências para proteger a filha e sobreviver.

Ao lado de Arjona, o brasileiro Alex Pereira, atual campeão de duas categorias de peso no UFC e uma das figuras mais dominantes das artes marciais mistas na atualidade, faz a sua estreia no cinema como uma das ameaças mais implacáveis que Celeste terá de enfrentar, seguindo uma tendência cada vez mais comum de Hollywood recrutar atletas de combate para papéis que exigem presença física e credibilidade em cena de ação. O elenco conta ainda com Dan Stevens, Rebecca Hall e Drew Starkey, entre outros nomes.

Brad Pitt luta pela sobrevivência ao lado do seu cão de combate no trailer de “Heart of the Beast: Heróis Inseparáveis”

O argumento é assinado por Simon Barrett, colaborador habitual de Adam Wingard desde “You’re Next” e “The Guest”, parceria que ajudou a definir o estilo caraterístico do realizador: ação visceral, humor negro afiado e uma abordagem assumidamente pulp que recusa a solenidade típica de tantos thrillers de ação contemporâneos. Em “Ataque Implacável”, essa identidade mantém-se firme, com aposta declarada em efeitos práticos, violência gráfica e sequências de combate de alta intensidade, num regresso do realizador às raízes mais independentes e irreverentes que o notabilizaram antes do salto para as produções de grande escala do universo MonsterVerse.

Com uma premissa que soa a cruzamento entre um filme de sobrevivência isolada e um thriller militar de ficção científica, “Ataque Implacável” aposta claramente na intensidade acima da subtileza, prometendo uma noite de cinema tão visceral quanto a experiência que a sua protagonista é forçada a enfrentar.

“Lion” leva a assinatura de Jon Favreau ao documentário — e estreia já esta semana no Disney+

“After: Depois de Tudo” fecha a saga em Portugal — e chega ao Cinemundo no fim de agosto

O Cinemundo reserva o horário nobre de domingo, dia 23 de agosto, às 21h00, para “After: Depois de Tudo” (“After Everything”, 2023), o quinto e último capítulo da saga romântica que transformou os livros de Anna Todd, originalmente publicados como fanfiction sobre a banda One Direction, num dos fenómenos mais rentáveis do cinema jovem-adulto da última década.

A história retoma Hardin Scott (Hero Fiennes Tiffin) já depois do fim da sua tempestuosa relação com Tessa Young (Josephine Langford), o par central que sustentou toda a franquia desde o primeiro filme, em 2019. Agora transformado em autor de um livro best-seller inspirado na sua própria história de amor, Hardin viaja até Portugal com um objetivo muito concreto: confrontar o próprio passado e tentar redimir-se dos comportamentos tóxicos e destrutivos que marcaram os capítulos anteriores da saga. É precisamente esse detalhe, a decisão de ambientar o desfecho da história em solo português, que torna esta estreia particularmente relevante para o público nacional — não é todos os dias que uma franquia com bilhões de visualizações no TikTok e milhões de livros vendidos escolhe Portugal como cenário para o seu capítulo final.

Ao elenco habitual juntam-se ainda Mimi Keene e Benjamin Mascolo, com realização a cargo de Castille Landon, responsável também pelos dois filmes anteriores da saga (“After: A Alma do Amor” e “After: O Amor de Sempre”), o que garante alguma continuidade visual e tonal ao fechar deste ciclo.

Vale lembrar o percurso pouco convencional desta franquia: nascida como fanfiction publicada na plataforma Wattpad, “After” tornou-se um fenómeno editorial antes sequer de chegar ao cinema, vendendo milhões de cópias em todo o mundo e conquistando uma base de fãs particularmente jovem e fiel, sobretudo através das redes sociais. Essa base de fãs foi determinante para o sucesso comercial contínuo da saga nos cinemas, mesmo com a receção critica sempre dividida — um caso de estudo interessante sobre como o boca-a-boca digital consegue sustentar uma franquia inteira ao longo de cinco filmes.

Para quem acompanhou Tessa e Hardin desde o início, este é o momento de fechar o círculo. Para quem nunca viu nenhum dos filmes anteriores, a curiosidade de ver Portugal no ecrã pode ser motivo suficiente para espreitar.

Brad Pitt luta pela sobrevivência ao lado do seu cão de combate no trailer de “Heart of the Beast: Heróis Inseparáveis”

Já está disponível o novo trailer de “Heart of the Beast: Heróis Inseparáveis”, o thriller de aventura realizado por David Ayer que junta Brad Pitt a um cão de combate numa luta pela sobrevivência no coração da natureza selvagem do Alasca. O filme estreia nas salas portuguesas a 24 de setembro, com distribuição a cargo da NOS Audiovisuais, um dia antes da estreia norte-americana, marcada para 25 de setembro pela Paramount Pictures.

A história arranca com um acidente de avião que deixa o oficial das Forças Especiais James Belmont (Brad Pitt) e o seu cão de combate, Odin, isolados numa região remota e inóspita do Alasca. Sem qualquer possibilidade de ajuda externa e perante condições climáticas extremas, os dois protagonistas terão de contar exclusivamente um com o outro para sobreviver, entre paisagens hostis, perigos inesperados e uma luta constante contra os elementos. Mais do que um simples filme de sobrevivência na natureza selvagem, um género que Hollywood tem revisitado com regularidade nos últimos anos, “Heart of the Beast” propõe-se colocar em destaque o vínculo entre um homem e o seu melhor amigo, transformando a relação entre James e Odin no verdadeiro centro emocional da narrativa.

Vale notar que este reencontro entre Brad Pitt e David Ayer não é o primeiro: os dois já tinham trabalhado juntos em 2014 em “Fury”, o drama bélico sobre uma tripulação de tanque norte-americana na Segunda Guerra Mundial que se tornou um dos papéis mais marcantes da carreira do ator na última década. Mais de dez anos depois, a dupla volta a reunir-se, desta vez trocando o campo de batalha pela natureza selvagem, mas mantendo o interesse do realizador por histórias de sobrevivência extrema e vínculos forjados sob pressão.

No papel de Odin, o cão de combate que partilha o protagonismo com Brad Pitt, está Uber, um Malinois belga, raça frequentemente associada a funções militares e policiais precisamente pela sua inteligência, resistência física e capacidade de trabalho em condições adversas, características que fazem dele uma escolha particularmente adequada para o papel.

Ao elenco junta-se ainda J.K. Simmons, ator vencedor de um Óscar por “Whiplash”, e Anna Lambe, atriz inuk que se tem destacado em produções canadianas dos últimos anos. Para além da realização, David Ayer integra também a produção do filme, ao lado do próprio Brad Pitt, de Olivia Hamilton e de Marty Bowen, com argumento assinado por Cameron Alexander.

Com esta nova aposta, David Ayer reforça o seu percurso como um dos realizadores de Hollywood mais associados a histórias de resistência física e emocional em ambientes extremos, um território que já explorou em títulos como “Fury” ou “Suicide Squad”, e que agora revisita através de uma escala mais intimista: apenas um homem, um cão, e a natureza selvagem do Alasca a testar os limites de ambos.

Estreias da Semana 20 de Agosto

Atriz Hayden Panettiere morre aos 36 anos

“Psico” continua o ciclo Hitchcock no Cinemundo — e continua a assustar 65 anos depois
Cineclubes portugueses dedicam agosto a David Lynch

Estreias da Semana 20 de Agosto

Chegam amanhã aos cinemas portugueses seis novas estreias, lideradas por “Insidious: O Longínquo”, sexto capítulo da saga de terror da Blumhouse, com previsões de ultrapassar os 30 milhões de dólares só na estreia norte-americana. A semana traz ainda o regresso de Andrew Garfield ao cinema familiar, numa adaptação do clássico infantil “A Magia da Árvore Longínqua”, já um dos maiores êxitos independentes britânicos de 2026.

Insidious: O Longínquo

Sexto filme da franquia de terror produzida pela Blumhouse, realizado por Jacob Chase, com Brandon Perea, Lin Shaye e Amelia Eve. A tracking do Boxoffice Pro aponta para uma abertura entre 26 e 34 milhões de dólares nos Estados Unidos, o que faria dele o maior lançamento de agosto de 2026 no mercado norte-americano. As reações ao trailer têm sido mistas, mas há expectativa em torno de uma nova direção para a saga, com os espíritos de “O Longínquo” a conseguirem agora atravessar para o mundo real. Distribuído em Portugal pela Big Picture.

Mutiny: Código Vingança

Jason Statham protagoniza este thriller de ação realizado por Jean-François Richet, sobre um homem que tenta limpar o nome depois de ser incriminado por um homicídio. Ao lado de Statham, o elenco inclui Annabelle Wallis e Roland Møller. Nos Estados Unidos, a estreia é feita pela Lionsgate, com previsões mais modestas, entre 8 e 12 milhões de dólares. Em Portugal, a distribuição ampla pela NOS Audiovisuais garante presença forte nas salas.

A Magia da Árvore Longínqua

Adaptação do clássico infantil de Enid Blyton, realizada por Ben Gregor, com Andrew Garfield, Claire Foy, Nicola Coughlan e Nonso Anozie. Tornou-se o filme independente britânico com maior receita no primeiro semestre de 2026, ultrapassando as 15 milhões de libras só no Reino Unido, e já têm duas sequelas confirmadas, com produção prevista para 2027. Distribuído em Portugal pela Cinemundo.

Elisa

Drama italiano realizado por Leonardo Di Costanzo, com Barbara Ronchi no papel de uma mulher condenada por homicídio que participa na investigação de um criminologista sobre crimes familiares. Competiu pelo Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2025, com elogios generalizados à interpretação de Ronchi. Distribuído pela Leopardo Filmes.

Morte e Vida Madalena

Comédia dramática brasileira realizada por Guto Parente, coprodução com Portugal, com Noá Bonoba, Nataly Rocha e Tavinho Teixeira. Acompanha uma produtora de cinema grávida de oito meses que tenta terminar um filme de ficção científica escrito pelo pai, recentemente falecido. Venceu prémios no FIDMarseille e no Festival de Brasília. Distribuído pela Uma Pedra no Sapato.

Confidente

Drama turco-francês realizado por Guillaume Giovanetti e Çağla Zencirci, com Saadet Işıl Aksoy no papel de uma operadora de linha erótica que recebe, em 1999, o pedido de socorro de um jovem preso nos escombros do terramoto de Istambul. Estreou no Festival de Berlim de 2025. É o título com distribuição mais pequena da semana, a cargo da The Stone and The Plot.

“Lion” leva a assinatura de Jon Favreau ao documentário — e estreia já esta semana no Disney+

O Disney+ estreia esta quinta-feira, dia 20 de agosto, “Lion”, uma série documental da National Geographic que marca a estreia de Jon Favreau no género, depois de uma carreira construída sobretudo em torno de blockbusters de ficção como “O Rei Leão” (2019) e “The Mandalorian”, série da qual é argumentista e produtor executivo. A ironia não passa despercebida: depois de ter dirigido a versão em fotorrealismo digital de “O Rei Leão”, Favreau regressa agora aos leões, mas desta vez através da câmara documental, sem qualquer efeito visual gerado por computador.

Atriz Hayden Panettiere morre aos 36 anos

“Lion” é o resultado de quatro anos consecutivos de rodagem no terreno, uma escala de produção pouco habitual mesmo para os padrões da National Geographic, que junta Favreau, na produção executiva, a Mike Gunton, um dos nomes mais respeitados da produção de documentários de natureza a nível mundial, e à BBC Studios Natural History Unit, responsável por alguns dos documentários de vida selvagem mais aclamados das últimas décadas. A série acompanha a vida extraordinária de Kio, um filhote de leão nascido na Maasai Mara, no Quénia, e destinado, segundo a narrativa da série, a tornar-se rei da sua própria alcateia.

Ao longo de vários anos de filmagem, a equipa documenta o crescimento de Kio no seio de uma comunidade de leões africanos, retratando com um realismo pouco comum os desafios que este enfrenta para sobreviver e afirmar-se num ambiente hostil e altamente competitivo. Segundo Favreau, citado recentemente pela revista Variety, um dos aspetos mais desafiantes da produção foi precisamente a incerteza sobre se o protagonista sobreviveria até ao fim da rodagem, um fator que a própria equipa descreveu como profundamente angustiante ao longo dos quatro anos de acompanhamento.

“Psico” continua o ciclo Hitchcock no Cinemundo — e continua a assustar 65 anos depois

Do ponto de vista técnico, a série recorre a arrays de câmaras remotas e tecnologia de alta taxa de fotogramas, ferramentas que a equipa de Favreau já tinha testado e aperfeiçoado em projetos anteriores da Disney, permitindo capturar comportamentos da vida selvagem que nunca antes tinham sido registados por câmaras humanas. A banda sonora está a cargo do compositor vencedor do Óscar Hans Zimmer, em conjunto com Niccolò Pacella e George Huston Warren, através da Bleeding Fingers Music, o que promete emprestar à série uma dimensão épica mais próxima do cinema do que do documentário televisivo tradicional.

“Lion” estreia primeiro no canal National Geographic, a 19 de agosto, seguindo-se a disponibilização no Disney+ já no dia seguinte, um lançamento faseado que a Disney tem vindo a repetir noutros projetos de grande escala da National Geographic, e que reforça o estatuto desta série como um dos projetos mais ambiciosos já produzidos pela marca no género documental.

Atriz Hayden Panettiere morre aos 36 anos

A atriz, modelo e cantora norte-americana Hayden Panettiere, conhecida pelos seus papéis nas séries “Heróis” e “Nashville”, morreu aos 36 anos, confirmou à ABC News o seu representante. A notícia foi avançada este fim de semana e confirmada entretanto por várias agências e órgãos de comunicação norte-americanos, incluindo a CNN, a NBC News e a CBS News.

Segundo informação policial citada pela imprensa norte-americana, as autoridades foram chamadas na Carolina do Sul na sequência de uma denúncia de uma mulher inconsciente, cerca das 13h50 local. A investigação às circunstâncias da morte está ainda em curso, mas a polícia não indicou, para já, quaisquer sinais de crime ou de circunstâncias suspeitas. A causa da morte não foi divulgada. Panettiere completaria 37 anos esta sexta-feira.

“Com profunda tristeza, partilhamos a trágica notícia do falecimento da nossa querida Hayden. Era uma pessoa incrível, uma força da natureza que trouxe um amor e uma alegria imensuráveis a todos os que a conheceram, e aos milhões que a viram no ecrã”, declarou o pai da atriz, Skip Panettiere, em comunicado, pedindo privacidade “enquanto a nossa família dispõe de tempo para assimilar esta perda inimaginável”.

Panettiere começou a carreira ainda criança, como estrela infantil, com aparições em séries populares como “Ally McBeal” e “Malcolm in the Middle”. Cresceu em Palisades, Nova Iorque, filha de uma antiga atriz de telenovelas e de um capitão do corpo de bombeiros. É recordada sobretudo pelo papel de Claire Bennet na bem-sucedida série “Heróis”, que a projetou internacionalmente ainda em adolescente, e por Juliette Barnes no drama musical “Nashville”, personagem que interpretou ao longo de 128 episódios entre 2012 e 2018 e que lhe valeu duas nomeações para os Globos de Ouro. No cinema, protagonizou ainda “Remember the Titans” (“Duelo de Titãs”), “Raising Helen” (“A Educação de Helen”), “Ice Princess” (“A Princesa do Gelo”) e “Gritos 4”.

Em maio deste ano, Panettiere publicou umas memórias intituladas “This Is Me: A Reckoning”, nas quais falou abertamente sobre as dificuldades pessoais que atravessou desde a infância até à idade adulta. Segundo a sinopse do livro, a obra oferece “uma visão íntima e invulgar da sua vida privada”, abordando de forma franca a depressão pós-parto, a adição e o processo de recuperação, o trauma, o abuso doméstico e a perda. Já em 2022, numa entrevista ao programa “Good Morning America”, a atriz tinha falado abertamente sobre a sua luta contra o alcoolismo e a depressão pós-parto, tornando-se uma voz pouco habitual em Hollywood na forma direta como abordava estes temas publicamente.

A artista tinha uma filha, Kaya Klitschko, nascida em 2014, fruto da relação com o seu ex-companheiro, o antigo campeão mundial de pesos-pesados de boxe Wladimir Klitschko. A família de Panettiere foi já marcada por outra perda trágica: o seu irmão, Jansen Panettiere, também ator, morreu subitamente aos 28 anos, em fevereiro de 2023, devido a cardiomegalia e complicações na válvula aórtica, segundo comunicado da família na altura.

A morte de Hayden Panettiere encerra a história de uma das caras mais reconhecíveis da televisão americana dos anos 2000 e 2010, que optou, nos últimos anos, por transformar as suas próprias dificuldades numa conversa pública sobre saúde mental que continua, hoje, a ecoar entre quem a seguiu desde criança.

“Psico” continua o ciclo Hitchcock no Cinemundo — e continua a assustar 65 anos depois

O ciclo “Estrela do Mês: Alfred Hitchcock” chega, esta segunda-feira, dia 17 de agosto, às 20h30, ao seu terceiro capítulo — e é, sem qualquer margem para dúvida, o mais influente de todos os cinco filmes selecionados pelo Canal Cinemundo. Depois de “O Homem que Sabia Demais” e “A Mulher que Viveu Duas Vezes” (“Vertigo”), é a vez de “Psico” (“Psycho”, 1960) preencher o horário nobre das segundas-feiras dedicado ao mestre do suspense.

É difícil exagerar o impacto que “Psico” teve, e continua a ter, sobre a história do cinema. Antes deste filme, o género de terror vivia sobretudo de monstros clássicos, criaturas sobrenaturais e cenários exóticos e distantes. Hitchcock decidiu, em vez disso, instalar o horror num motel de beira de estrada perfeitamente banal, gerido por um jovem aparentemente inofensivo chamado Norman Bates — e, com isso, redefiniu para sempre aquilo que o público entende por medo no cinema. A célebre cena do chuveiro, filmada ao longo de vários dias, com dezenas de ângulos de câmara diferentes e uma banda sonora de cordas dissonantes composta por Bernard Herrmann, tornou-se provavelmente a sequência mais estudada, analisada e imitada de toda a história do cinema — e continua, décadas depois, a ser ensinada em escolas de cinema de todo o mundo como exemplo máximo de montagem ao serviço do terror psicológico.

Parte do génio de “Psico” está também na forma como Hitchcock brincou, de forma deliberada e quase provocatória, com as expectativas do próprio público. Ao matar a sua protagonista principal — interpretada por Janet Leigh, então uma das grandes estrelas de Hollywood — a meio do filme, numa altura em que nenhuma convenção narrativa da época permitia sequer imaginar tal coisa, Hitchcock retirou ao espectador qualquer sensação de segurança narrativa. Ninguém, a partir daquele momento, podia ter a certeza de quem sobreviveria até ao final. Essa quebra brutal de expectativas tornou-se, ela própria, um modelo replicado inúmeras vezes por gerações posteriores de realizadores de terror e suspense.

O filme foi ainda pioneiro em termos de estratégia de exibição: Hitchcock insistiu, junto dos donos das salas de cinema, para que nenhum espectador pudesse entrar depois do início da sessão — uma prática hoje considerada absolutamente normal, mas que na época constituiu uma verdadeira revolução na forma como o público consumia cinema, obrigando as pessoas a respeitar o horário de início como parte essencial da experiência da própria história.

Anthony Perkins, no papel de Norman Bates, entrega uma das interpretações mais marcantes de toda a carreira, condenando-o, de certa forma, a ficar para sempre associado a esta personagem perturbadora — um destino que o próprio ator reconheceu, com alguma amargura, em entrevistas ao longo dos anos seguintes. Mais de seis décadas depois da sua estreia original, “Psico” continua a funcionar como uma verdadeira aula de tensão cinematográfica, prova de que o medo mais eficaz nem sempre precisa de sangue nem de efeitos especiais — só precisa de um realizador que saiba exatamente quando e como o revelar.

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Cineclubes portugueses dedicam agosto a David Lynch

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Ano e meio depois da morte de David Lynch, em janeiro de 2025, o circuito de cineclubes portugueses continua a prestar-lhe homenagem através daquilo que melhor sabem fazer: programar, com cuidado e afeto, o trabalho de um dos cineastas mais singulares e influentes da história do cinema. Ao longo do mês de agosto, vários cineclubes espalhados pelo país — de Guimarães a Santarém, passando por Faro, Joane e Pombal — incluem sessões dedicadas ao realizador na sua programação regular.

O Cineclube de Guimarães escolheu, para a sua sessão do mês, “Uma História Simples” (1999), talvez o filme mais atípico de toda a filmografia de Lynch — uma produção da Disney, sem qualquer um dos elementos perturbadores ou surreais habitualmente associados ao realizador, que segue a viagem real de Alvin Straight, um homem idoso que atravessa vários estados americanos a bordo de um cortador de relva para visitar o irmão doente, de quem está afastado há anos. É precisamente essa capacidade de Lynch para alternar entre o pesadelo mais absoluto e a ternura mais desarmante, muitas vezes dentro da mesma filmografia, que torna esta escolha tão reveladora sobre a real amplitude do seu talento.

Já o Cineclube de Santarém optou por uma abordagem mais abrangente e ambiciosa: depois de ter exibido, em julho, “O Homem Elefante” (1980) — o drama que consagrou Lynch junto de Hollywood e lhe valeu nomeações ao Óscar — e “Eraserhead: No Céu Tudo é Perfeito” (1989), a sua estreia na longa-metragem e ainda hoje um dos filmes mais radicalmente perturbadores já produzidos, o cineclube dedicou o mês de agosto a uma sessão inteiramente dedicada às curtas-metragens do realizador. Ao todo, seis títulos raramente exibidos em conjunto: “Six Men Getting Sick” (1966), a sua primeira experiência cinematográfica enquanto ainda estudava pintura; “O Abecedário” (1968); “A Avó” (1970), talvez a mais inquietante das seis; “The Amputee” (1973); “The Cowboy and the Frenchman” (1988); e “Lumière” (1995), a sua contribuição ao projeto coletivo francês que assinalou o centenário do cinema.

Esta programação de curtas é particularmente valiosa para quem quer compreender a génese do universo visual de Lynch: é nestes trabalhos iniciais, muitas vezes esquecidos em favor dos longas-metragens mais conhecidos, que já se encontram em embrião as obsessões que definiriam toda a sua carreira — o corpo como fonte de horror e fascínio, a domesticidade transformada em pesadelo, o som como elemento tão narrativo quanto a imagem, e uma iconografia absolutamente própria que nenhum outro realizador conseguiu replicar com a mesma autenticidade.

Este tipo de homenagem descentralizada, feita não através de um grande evento único mas de pequenas sessões espalhadas por cineclubes de todo o país, talvez seja, aliás, a forma mais adequada de recordar um cineasta que sempre valorizou o cinema como experiência comunitária e ritual — e que, ao longo de décadas, encontrou em Portugal um público particularmente fiel e apaixonado pela sua obra.

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“Outer Banks” chega ao fim com a 5.ª temporada, a 20 de agosto na Netflix

Depois de cinco temporadas e seis anos de caça ao tesouro, romances adolescentes e fugas cada vez mais improváveis, “Outer Banks” está prestes a escrever o seu capítulo final. A quinta e última temporada da série da Netflix estreia a 20 de agosto, com todos os dez episódios disponíveis de uma só vez — ao contrário da quarta temporada, que tinha sido dividida em duas partes, desta vez os criadores optaram por entregar a história completa de uma só vez, permitindo um maratona sem interrupções para os fãs mais impacientes.

A temporada final retoma a ação exatamente onde a anterior tinha ficado, no momento mais sombrio de toda a série: os Pogues no seu ponto mais baixo, ainda a processar a devastadora perda de JJ Maybank, um dos membros mais queridos e imprevisíveis do grupo, morto em Marrocos no final da quarta temporada. É a partir dessa perda que a turma parte para uma última e definitiva aventura, desta vez movida não apenas pela habitual busca por tesouros escondidos, mas por um objetivo muito mais pessoal e emocional: vingar o amigo perdido.

O elenco principal mantém-se praticamente intacto: Chase Stokes, Madelyn Cline, Madison Bailey, Jonathan Daviss, Carlacia Grant, Austin North, Drew Starkey e Fiona Palomo regressam todos como membros regulares do elenco, com Cullen Moss e J. Anthony Crane a subirem também ao estatuto de regulares nesta reta final. A ausência mais sentida será, inevitavelmente, a de Rudy Pankow, cujo regresso como JJ não estava previsto — uma decisão de argumento coerente com o desfecho trágico da temporada anterior, mas que ainda assim promete pesar emocionalmente sobre toda a temporada final, funcionando quase como um luto coletivo, tanto das personagens como do próprio público que acompanhou a série desde o início.

Os criadores Jonas Pate, Josh Pate e Shannon Burke regressam todos como produtores executivos e argumentistas, fechando pessoalmente uma história que começaram a construir ainda em 2020, num contexto televisivo completamente diferente do atual — “Outer Banks” tornou-se, entretanto, um dos maiores fenómenos juvenis da Netflix, com um fandom apaixonado que acompanhou o crescimento dos protagonistas ao longo de vários anos, quase em tempo real.

Para quem seguiu os Pogues desde o início — a busca pelo ouro de La Merde, as sucessivas fugas de Kildare Island, os romances que se fizeram e desfizeram ao longo das temporadas —, esta última temporada promete ser tanto um fecho de contas emocional quanto uma última grande aventura, no espírito genuíno que sempre definiu a série.

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“Mother Mary”: o thriller surreal de Anne Hathaway estreia na HBO Max a 21 de agosto

Nem todos os filmes de Anne Hathaway conquistam o público da mesma forma, e “Mother Mary” é precisamente o tipo de projeto que se resolve através do tempo — depois de uma passagem discreta pelas salas de cinema, o filme da A24 chega agora à HBO Max, já a 21 de agosto, dando-lhe uma segunda oportunidade junto de um público bem mais alargado.

Escrito e realizado por David Lowery, cineasta conhecido pela sensibilidade visual em obras como “A Ghost Story” e “O Regresso de Peter Pan”, “Mother Mary” segue Hathaway no papel de uma ícone pop de fama internacional, que se vê forçada a reconectar-se com a sua antiga figurinista, de quem se afastou há muito, interpretada por Michaela Coel, precisamente no momento em que se prepara para aquele que pode ser o grande regresso definidor da sua carreira. O filme mergulha em amizades complicadas, cicatrizes emocionais antigas e no custo pessoal — quase sempre invisível ao público — de viver permanentemente exposta entre fama e criatividade.

A produção, com um orçamento de 20 milhões de dólares, arrecadou apenas cerca de 3 milhões nas salas de cinema, um resultado comercial modesto que, no entanto, não reflete de forma justa a receção crítica ao trabalho de Hathaway, amplamente elogiado, nem o estilo visual arrojado e distintivo que Lowery imprimiu ao projeto. Como é já hábito nas produções da A24 desde a renovação do acordo de distribuição com a Warner Bros. Discovery, todos os lançamentos do estúdio passam a estrear em exclusivo na HBO Max antes de qualquer outra plataforma de streaming — e é exatamente esse acordo que traz agora “Mother Mary” para casa.

A narrativa dividiu opiniões precisamente pela sua abordagem pouco convencional: em vez de seguir a estrutura tradicional de um drama biográfico sobre fama e celebridade, “Mother Mary” opta por uma construção mais fragmentada e onírica, característica do estilo autoral de Lowery, que privilegia atmosfera e sensação sobre exposição narrativa direta. É esse mesmo elemento que gerou reações tão díspares entre a crítica e o público desde a estreia nas salas: para uns, um exercício de estilo genuinamente arrojado; para outros, uma experiência deliberadamente distante que dificulta a ligação emocional com a personagem central.

O elenco de apoio reúne ainda Hunter Schafer, Kaia Gerber e FKA twigs, um grupo de nomes que reflete bem o posicionamento do filme algures entre o cinema de autor mais exigente e a cultura pop contemporânea — um equilíbrio que, aliás, é também o tema central da própria história que conta. Para quem gosta de descobrir os títulos mais discutidos e divisivos do ano, “Mother Mary” chega agora à HBO Max como uma oportunidade de formar opinião própria.

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Alternativa: “A maldição de Úrsula Iguarán cumpre-se: o desfecho de ‘Cem Anos de Solidão’ já tem data”

Uma das adaptações mais ambiciosas alguma vez produzidas pela Netflix está prestes a fechar o círculo. “Cem Anos de Solidão”, a série baseada na obra-prima de Gabriel García Márquez, prémio Nobel da Literatura, está a chegar ao fim: depois de os primeiros sete episódios da segunda parte terem estreado a 5 de agosto, o grande final — um episódio-filme com quase duas horas de duração — chega a 26 de agosto, encerrando definitivamente a saga da família Buendía e da cidade fictícia de Macondo.

Adaptar “Cem Anos de Solidão” para o ecrã foi, durante décadas, considerado praticamente impossível. O próprio García Márquez recusou repetidamente vender os direitos da obra em vida, precisamente por temer que qualquer adaptação traísse a complexidade narrativa e a densidade temporal do romance — uma história que atravessa gerações inteiras da mesma família, misturando realismo mágico, história política colombiana e um ciclo trágico de repetição que parece condenar os Buendía a cometer sempre os mesmos erros. Foram os filhos do escritor que, já depois da sua morte, autorizaram finalmente o projeto, com a condição expressa de que a série fosse filmada na Colômbia, em espanhol, e com elenco maioritariamente colombiano — exigências que a Netflix respeitou integralmente.

Esta segunda e última parte retoma a história exatamente onde a primeira temporada a tinha deixado, avançando pelos últimos cinquenta anos abrangidos pela obra original. Depois da assinatura do armistício, a paz continua a não chegar a Macondo: os conservadores tramam um atentado contra a vida do Coronel Aureliano Buendía, o que obriga Fernanda del Carpio a deslocar-se de Bogotá até à cidade. É também nesta fase da história que chega a companhia bananeira, atraída pela chegada da linha ferroviária — um acontecimento que desencadeia a decadência económica e moral de toda a cidade, cumprindo finalmente a maldição lançada por Úrsula Iguarán, matriarca da família: a de que as gerações condenadas a cem anos de solidão nunca teriam uma segunda oportunidade sobre a Terra.

O elenco reúne, entre outros, Claudio Cataño no papel do Coronel Aureliano Buendía, Marleyda Soto como Úrsula Iguarán, María Adelaida Puerta como Amaranta Buendía, e Julián Román e Jorge Quintero a dividirem, respetivamente, os papéis dos dois José Arcadio Segundo e Aureliano Segundo — um detalhe de casting particularmente relevante numa obra em que a repetição de nomes entre gerações é, ela própria, um elemento estrutural central da narrativa, um dos muitos recursos que García Márquez usou para sublinhar o ciclo trágico e aparentemente inescapável que atravessa toda a história familiar.

Com este desfecho, a Netflix conclui aquela que é, sem exagero, uma das apostas literárias mais arriscadas e ambiciosas de todo o seu catálogo — um teste real à capacidade do streaming de dar corpo visual a uma das obras mais influentes e intraduzíveis da literatura latino-americana do século XX.

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Primeiras imagens de “Tangled” em live-action reveladas no D23

A Disney continua a expandir o seu catálogo de adaptações em imagem real dos seus clássicos de animação, e o D23 deste ano trouxe o primeiro olhar oficial sobre “Tangled”, a versão live-action de “Enrolados”, um dos musicais animados mais queridos da última geração de produções do estúdio. A data de estreia foi também confirmada durante a apresentação: 31 de março de 2028.

O papel de Rapunzel ficou a cargo de Teagan Croft, atriz australiana já conhecida do público mais jovem pelo trabalho em “Titans”, série de super-heróis que lhe deu experiência relevante em produções de grande escala. Ao seu lado, Milo Manheim interpreta Flynn Rider, o charmoso fora-da-lei que se torna, contra todas as probabilidades, no companheiro de aventuras de Rapunzel. O restante elenco reúne nomes de peso: Kathryn Hahn assume o papel de Mãe Gothel, a vilã manipuladora que mantém Rapunzel presa numa torre durante toda a sua vida; Caitríona Balfe interpreta a Rainha Arianna; e Elliot Cowan dá vida ao Rei Frederic, os pais biológicos de Rapunzel. Uma novidade relevante para os fãs da animação original: Diego Luna junta-se ao elenco no papel de Hawthorne, uma personagem inteiramente nova, que não existia na versão de 2010 e que promete trazer uma dinâmica narrativa adicional a esta releitura.

A realização está entregue a Michael Gracey, o cineasta por trás de “O Grande Showman”, uma escolha que faz todo o sentido dado o pedigree do realizador em produções musicais de grande espetáculo visual, com números de dança e canção coreografados ao detalhe. As filmagens já estão a decorrer em Espanha, o que ajuda a explicar a ausência física de Croft e Manheim no evento: os dois protagonistas não puderam comparecer pessoalmente ao D23 por estarem a filmar, mas enviaram uma mensagem em vídeo diretamente do set para os fãs presentes no evento, um gesto que ajudou a compensar a sua ausência física.

A decisão da Disney de avançar com mais um remake em live-action não é isenta de controvérsia — o histórico recente do estúdio com este tipo de adaptações tem gerado reações mistas, entre nostalgia genuína e ceticismo sobre a necessidade de recriar em imagem real histórias que já funcionavam perfeitamente em animação. Ainda assim, a expectativa em torno de “Tangled” mantém-se elevada, em parte pela força da banda sonora original, composta por Alan Menken, e que se espera venha a ser reinterpretada nesta nova versão.

Com mais de um ano e meio ainda pela frente até à estreia, o primeiro olhar revelado no D23 serve sobretudo para confirmar que a produção está em marcha avançada, e que a Disney continua apostada em transformar o seu catálogo de animação num pilar central da sua estratégia de cinema em imagem real para os próximos anos.

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Novo trailer de “Avengers: Doomsday” mostra Robert Downey Jr. a comandar um exército de Sentinelas

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O D23 deste ano trouxe aquele que é, sem margem para dúvidas, o momento mais aguardado por qualquer fã da Marvel: um novo e extenso trailer de “Avengers: Doomsday”, apresentado em palco com Robert Downey Jr., Chris Evans e Hayley Atwell presentes para a ocasião, a poucos meses da estreia do filme, marcada para 18 de dezembro.

O material revelado oferece, até agora, o olhar mais claro e completo sobre a interpretação de Downey Jr. do Doutor Destino — uma escolha de casting que continua a gerar debate acalorado entre os fãs desde que foi anunciada, precisamente pelo facto de o mesmo ator ter interpretado Tony Stark, um dos maiores heróis da saga, durante mais de uma década. O trailer, no entanto, parece ter conquistado até os mais céticos: em vez de um vilão genérico decidido a destruir o mundo sem mais explicações, o que se vê é um Destino com um passado trágico e genuinamente comovente. Há imagens do próprio Doom a olhar, com pesar evidente, para um retrato que parece representar uma esposa e um filho — um indício forte de que o filme vai seguir a origem clássica da banda desenhada em que Destino perde a família e é essa perda que o transforma definitivamente no vilão que todos conhecem. É uma abordagem que promete dar uma camada de humanidade trágica a uma das maiores ameaças de sempre do Universo Cinematográfico Marvel.

Em termos de espetáculo puro, o trailer não decepciona: Destino surge a derrotar Thor em combate direto, a tomar posse do lendário Mjolnir, e a comandar um verdadeiro exército de Sentinelas — as máquinas gigantes historicamente associadas à perseguição de mutantes nos X-Men — contra a aliança improvável formada pelos Vingadores, os Quatro Fantásticos e os próprios X-Men. É precisamente essa fusão de universos, um dos grandes objetivos anunciados desde há muito para esta nova fase da Marvel, que o trailer finalmente começa a mostrar de forma concreta.

O elenco reunido em palco confirma a escala verdadeiramente colossal deste projeto: além de Downey Jr., Chris Evans regressa como Steve Rogers e Hayley Atwell como Peggy Carter, juntando-se a Vanessa Kirby, no papel de Sue Storm, a Mulher Invisível, e Pedro Pascal, como Reed Richards, o Senhor Fantástico. A lista de nomes estende-se ainda a Chris Hemsworth, Paul Rudd, Anthony Mackie, Florence Pugh e muitos outros, numa reunião de super-heróis que promete ser uma das maiores já vistas no cinema.

Com este trailer, a Marvel deixa claro que “Avengers: Doomsday” não é apenas mais um capítulo na saga — é o momento de convergência de anos de planeamento narrativo, chamando de volta rostos que os fãs já davam como definitivamente arrumados, e prometendo consequências que deverão redefinir o rumo de toda a próxima fase do MCU.

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Marvel revela finalmente o elenco dos novos X-Men no D23

Depois de meses de especulação e de um silêncio quase absoluto por parte da Marvel Studios, o mistério chegou ao fim. No D23: The Ultimate Disney Fan Event, em Anaheim, o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, subiu ao palco para revelar, finalmente, o elenco da tão aguardada reformulação dos X-Men no Universo Cinematográfico Marvel — um dos anúncios mais esperados dos últimos anos por parte dos fãs de banda desenhada.

A lista de nomes revelados junta talento jovem em ascensão a atores já consagrados. Kit Connor, conhecido do público mais jovem pela série “Heartstopper”, interpreta Scott Summers, o Ciclope, o líder clássico da equipa mutante. Sadie Sink, que já se tinha estreado no MCU este ano com um pequeno papel como Jean Grey em “Spider-Man: Brand New Day”, assume agora oficialmente o papel completo da telepata mais poderosa da equipa — uma progressão natural que confirma que essa aparição não foi um mero cameo isolado, mas sim uma preparação deliberada para este momento. Christopher Abbott dá corpo ao Professor Charles Xavier, o mentor e fundador da escola de mutantes, enquanto Samara Weaving interpreta Emma Frost, a telepata de gelo com um passado tão sedutor quanto perigoso. Inde Navarrette assume o papel de Rogue, a mutante que absorve poderes e memórias através do toque, e Maya Boyd interpreta Tempestade, a controladora dos elementos com uma das histórias mais icónicas de toda a Marvel Comics.

A escolha mais surpreendente, no entanto, foi a de Adam Driver, confirmado no papel de Nathaniel Milbury — nome que os fãs mais atentos reconhecem imediatamente como o alter ego secreto de Senhor Sinistro, um dos maiores e mais perturbadores antagonistas da mitologia dos X-Men na banda desenhada, conhecido pela sua obsessão genética com a evolução mutante e pela manipulação da própria linhagem de Ciclope ao longo de gerações. É uma escolha de casting que sugere uma abordagem séria e psicologicamente complexa ao vilão, em linha com o histórico de Driver em papéis dramaticamente exigentes.

A realização do filme, ainda sem título oficial, ficará a cargo de Jake Schreier, cineasta que já mostrou aptidão para equilibrar ação e profundidade emocional em projetos anteriores. A estreia está marcada, para já, para 5 de maio de 2028 — uma data que deixa ainda um longo caminho de produção, promoção e, muito provavelmente, mais anúncios de elenco pela frente. O próprio Feige fez questão de sublinhar, no momento da revelação, que esta lista de nomes está longe de estar completa, deixando em aberto a porta para outras adições de peso ao elenco nos próximos meses.

O momento em palco teve ainda um detalhe emotivo: os atores revelados conheceram-se pela primeira vez uns aos outros precisamente nos bastidores do D23, momentos antes do anúncio — um gesto que a Marvel soube explorar bem em termos de espetáculo, mas que também sinaliza a fase ainda muito inicial em que este projeto se encontra.

Para os fãs portugueses da Marvel, este anúncio representa o arranque oficial de uma nova era mutante dentro do MCU, depois de anos de expectativa gerada pela integração dos X-Men no universo principal, na sequência da aquisição da Fox pela Disney. Resta agora aguardar mais detalhes sobre argumento, tom e a restante composição do elenco.

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A um mês da estreia, marcada para 10 de setembro, “Santo António, O Casamenteiro de Lisboa” confirma-se como uma das apostas mais ambiciosas do cinema português para este outono — e talvez a que melhor resuma aquilo a que se propõe logo no próprio material de divulgação: uma carta de amor a Lisboa, escrita em forma de comédia.

A história parte de uma das tradições mais emblemáticas da cidade, os Casamentos de Santo António, e da ameaça, cada vez mais concreta, de essa tradição desaparecer. Carmo e Valentim, dois funcionários da Câmara Municipal de Lisboa com mais de 25 anos dedicados à organização do evento, veem o seu trabalho de uma vida inteira posto em causa quando a Stardust, um grande grupo francês prestes a assumir a gestão dos Casamentos, decide que a tradição “bateu no fundo” e precisa de ser modernizada — ou extinta. O ultimato que recebem é duro: ou conseguem transformar o evento em algo moderno e bem-sucedido, ou serão despedidos. Contra todas as probabilidades, os dois lançam-se então na missão de criar a edição mais icónica de sempre dos Casamentos de Santo António, movidos por uma convicção simples e inegociável: Lisboa e as suas tradições não estão à venda.

É esta tensão entre tradição e modernidade, entre o afeto por aquilo que sempre existiu e a pressão constante para “atualizar” tudo o que é genuinamente local, que dá ao filme o seu verdadeiro fôlego dramático — sem nunca perder o tom de comédia romântica que o caracteriza. Entre marchas populares, bairros históricos, encontros inesperados e personagens que prometem ficar na memória do público, o filme convida a redescobrir uma Lisboa onde passado e presente convivem em harmonia, e onde os afetos continuam a atravessar gerações inteiras.

O elenco é, sem exagero, um dos mais extensos e cuidados vistos recentemente numa produção nacional. Rita Blanco e Joaquim Monchique protagonizam, mas à sua volta reúne-se um verdadeiro quem-é-quem do cinema e da televisão portuguesa: Joaquim de Almeida, Maria João Bastos, Albano Jerónimo, o ator espanhol Paco León, Maria Rueff, Isabel Abreu, Ana Bola, Lídia Franco, Rui Mendes, João Catarré, Jacqueline Corado, Inês Aires Pereira, Miguel Amorim, Nuno Nolasco, Pedro Nuno, Vasco Pereira Coutinho, Catarina Rabaça, Francisco Soares, Catarina Raimundo e João Azevedo completam um elenco coral raramente visto à escala nacional — o tipo de escalação que só um filme genuinamente sobre a identidade coletiva de uma cidade conseguiria justificar.

Atrás das câmaras está Ruben Alves, realizador de “A Gaiola Dourada”, um dos maiores êxitos de bilheteira do cinema português junto do público francês, e que regressa agora à comédia depois de ter conquistado esse público com uma história igualmente centrada na identidade e no orgulho de pertencer a um lugar. O argumento é coescrito por Alves ao lado do argumentista espanhol Fer Pérez, conhecido pelo trabalho em “Kiki, o Amor Faz-se” e “Arde Madrid” — uma parceria que ajuda a explicar o equilíbrio entre humor, romance e emoção que atravessa toda a narrativa.

Com distribuição pela NOS Audiovisuais e estreia marcada para 10 de setembro, “Santo António, O Casamenteiro de Lisboa” já tem site oficial (blablablamedia.com/santoantonio) e página de Instagram dedicada (@santoantonio_film), onde é possível acompanhar novidades até à estreia. Uma comédia profundamente portuguesa, pensada, acima de tudo, para quem sente que Lisboa não se explica sem as suas tradições.

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Alternativa: “Quatro nomeações aos Óscares depois: a versão de Robert Eggers de ‘Nosferatu’ chega à televisão portuguesa”

Poucas figuras do cinema de terror carregam tanto peso histórico quanto o Conde Orlok. Em 1922, o realizador alemão F.W. Murnau criou “Nosferatu, uma Sinfonia do Horror” como uma adaptação não autorizada de “Drácula”, de Bram Stoker — um esquema tão descarado de contornar direitos de autor que a viúva do escritor processou os produtores e conseguiu, num tribunal alemão, uma ordem judicial para destruir todas as cópias do filme. Sobreviveram apenas algumas, escondidas, e foi por sorte que uma obra hoje considerada um dos pilares fundadores do cinema de terror e do expressionismo alemão chegou até nós. Mais de um século depois, essa mesma criatura das trevas ressuscita pelas mãos de Robert Eggers, e a sua versão de “Nosferatu” estreia na televisão portuguesa a 21 de agosto, pelas 21h30, no TVCine Top e no TVCine+.

A história mantém os contornos essenciais do original: na Alemanha do século XIX, Thomas Hutter é enviado à distante Transilvânia para fechar a venda de uma propriedade a um misterioso conde. O que começa como uma simples transação imobiliária transforma-se rapidamente num pesadelo, quando Hutter percebe que o enigmático Conde Orlok está longe de ser humano. Enquanto a criatura viaja até à cidade de Wisborg, deixando um rasto de terror e morte por onde passa, Ellen, a jovem esposa de Hutter, começa a ser assombrada por sonhos cada vez mais perturbadores — visões que a ligam, de forma inexplicável e profundamente inquietante, ao próprio Orlok.

O elenco é um dos grandes trunfos desta versão: Bill Skarsgård, irreconhecível sob camadas de maquilhagem e prostética, interpreta o Conde Orlok; Lily-Rose Depp dá corpo a Ellen, numa interpretação fisicamente exigente que exigiu da atriz um investimento emocional pouco comum; e Nicholas Hoult veste a pele de Hutter. Completam o elenco principal Willem Dafoe, Aaron Taylor-Johnson e Emma Corrin, um naipe de atores que reflete bem a ambição do projeto.

Eggers, realizador conhecido pela obsessão com o rigor histórico e pela construção de atmosferas hipnóticas — visível já em “A Bruxa”, “O Farol” e “O Homem do Norte” —, tratou este “Nosferatu” como um projeto pessoal de longa data, tendo manifestado interesse em realizá-lo muito antes de qualquer um dos seus filmes anteriores ter sido produzido. O resultado valeu-lhe reconhecimento imediato da Academia: o filme recebeu quatro nomeações aos Óscares, nas categorias de Melhor Fotografia (Jarin Blaschke, colaborador habitual do realizador, na sua segunda nomeação depois de “O Farol”), Melhor Design de Produção, Melhor Guarda-Roupa e Melhor Maquilhagem e Penteados. Para além do reconhecimento crítico, o filme foi também um sucesso comercial claro, arrecadando 182 milhões de dólares em bilheteira mundial contra um orçamento de 50 milhões — tornando-se, até à data, a produção mais rentável da carreira de Eggers.

Mais do que um simples remake, este “Nosferatu” propõe-se como uma reafirmação daquilo que torna o vampiro uma das figuras mais duradouras da cultura popular: o desejo, a morte e a perdição condensados numa única criatura, tão sedutora quanto aterradora. Um conto de horror gótico, belo e trágico, que prova que mais de cem anos depois da sua primeira aparição nos ecrãs, o Conde Orlok continua a ter muito por revelar.

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