Beef T2 Estreou — 87% nos Críticos, Mas o Público Está Mais Frio

A segunda temporada de Beef chegou à Netflix na quarta-feira com aquilo que toda a gente esperava e ao mesmo tempo temia: é boa. Muito boa, em alguns momentos. Mas não é a primeira temporada. E essa frase — “não é a primeira temporada” — vai perseguir esta série durante semanas, porque a primeira temporada de Beef tinha 98% no Rotten Tomatoes e era, por qualquer medida razoável, uma das melhores séries da última década.

Os oito episódios com Oscar Isaac, Carey Mulligan, Cailee Spaeny e Charles Melton estrearam no mercado com 87% de aprovação crítica — uma nota que qualquer outra série receberia como triunfo mas que, no contexto de Beef, inevitavelmente parece uma descida. O público foi ainda mais cauteloso: 62% de aprovação na mesma plataforma, um fosso de 25 pontos entre críticos e espectadores que raramente augura bem para o fenómeno cultural que a primeira temporada representou.

O que os críticos elogiaram é consistente: Oscar Isaac como Josh Martín — o director-geral do country club que explode de formas que o ator deixa rip com uma liberdade física e emocional que raramente se vê neste tipo de papel — é a performance da temporada. Carey Mulligan como a mulher exausta que já não consegue manter as aparências é, como sempre, extraordinária. E a premissa — dois casais de classes e gerações diferentes a competirem pela aprovação de uma milionária asiática (Youn Yuh-jung, que faz exactamente o que a série precisava) — tem uma arquitectura de comédia de costumes que a Slate descreveu como “White Lotus encontra Bong Joon-ho”, o que é simultaneamente uma comparação justa e uma forma de dizer que o destino é bom mas o caminho é às vezes tortuoso.

O que os críticos e o público assinalaram com reservas é a escala. A primeira temporada tinha dois personagens, uma premissa simples e uma economia narrativa que fazia de cada episódio um mecanismo de precisão. A segunda temporada tem quatro protagonistas, uma conspiração crescente e uma ambição que o ScreenRant chamou de “falta de coesão em contraste com o storytelling mais apertado do antecessor.” A NPR foi mais gentil — “menos raro mas ainda bem passado” — mas chegou essencialmente à mesma conclusão: Lee Sung Jin quis fazer algo maior, e às vezes o maior funciona, e às vezes perde-se o fio.

O que é inegável é que a série mantém o que a tornou original: o humor ácido, a capacidade de fazer personagens comportarem-se da pior maneira possível de formas que são ao mesmo tempo horríveis e completamente compreensíveis, e a recusa em julgar os seus protagonistas mais do que o necessário. Beef continua a ser sobre raiva — sobre o que fazemos com ela, sobre de onde vem, sobre o custo de a deixar acumular sem examiná-la. A segunda temporada muda o cenário e o elenco mas não a pergunta central. E essa pergunta continua a ser boa o suficiente para valer oito episódios.

A questão que fica no ar é se Beef vai conseguir repetir o impacto cultural de 2023 — a série que toda a gente viu num fim-de-semana e sobre a qual toda a gente tinha opinião na segunda-feira. Os números iniciais vão dizer muito. Por agora, o que existe é uma boa série com um elenco extraordinário que carrega o peso de uma primeira temporada quase perfeita. Não é pouca coisa.

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Val Kilmer regressa ao cinema através de Inteligência Artificial em “As Deep as the Grave”

Doctor Doom Apanhou o Mjolnir a Mão Nua — e o MCU Voltou a Fazer Barulho

Há momentos em que uma sala de cinema para completamente. Na quinta-feira à noite, no Dolby Colosseum do Caesars Palace em Las Vegas, foi quando Doctor Doom estendeu a mão e apanhou o martelo de Thor sem fazer esforço. A sala de exibidores — pessoas que viram tudo, que aplaudem com educação profissional e raramente se deixam levar — explodiu. Robert Downey Jr., que tinha entrado em palco ao som dos Rolling Stones com “Sympathy for the Devil”, sorriu. E o MCU, que nos últimos dois anos andava a recuperar fôlego depois de uma fase irregular, confirmou que está de volta em força.

O primeiro trailer completo de Avengers: Doomsday — previsto para 18 de Dezembro de 2026 — foi exibido em exclusivo no CinemaCon na quinta-feira, com Robert Downey Jr. e Chris Evans em palco a apresentá-lo. Não foi lançado publicamente após o evento, ao contrário do que acontece habitualmente. A Disney quis que o primeiro contacto do mundo com o trailer fosse nos cinemas — e os teasers anteriores, que totalizaram mil milhões de visualizações combinadas, serviram exactamente para construir essa expectativa.

O que o trailer mostrou foi, por qualquer medida, impressionante. Doctor Doom — interpretado por Downey Jr. com máscara metálica e um sotaque vagamente da Europa de Leste que ele próprio descreveu como “três moves à frente de toda a gente” — surge a preparar uma invasão do multiverso enquanto os heróis do MCU tentam perceber com o que estão a lidar. Thor (Chris Hemsworth) avisa os companheiros que vão precisar de um milagre. Patrick Stewart aparece como Professor Xavier a olhar pela janela da X-Mansion enquanto uma luz intensa anuncia o perigo. Gambit de Channing Tatum e Shang-Chi lutam lado a lado. Mystique (Rebecca Romijn) transforma-se em Yelena Belova, gerando um combate Florence Pugh contra Florence Pugh que a internet vai consumir durante semanas. E então Doom apanha o Mjolnir. Com a mão nua.

Chris Evans, que entrou em palco como surpresa, disse apenas: “Este tipo — não gosto.” É exactamente o tipo de linha que Evans sabe entregar e que a audiência recebe como gasolina. Joe Russo, que co-dirige o filme com o irmão Anthony a partir de um argumento de Michael Waldron e Stephen McFeely, descreveu Doom como “não simplesmente um vilão — uma das personagens mais complexas da Marvel. Está sempre três jogadas à frente.” Kevin Feige, presidente da Marvel Studios, disse que Doomsday retoma onde Endgame ficou — e que a apresentação dos Vingadores aos X-Men é algo que tem estado a trabalhar desde que a Disney adquiriu os direitos da Fox.

Há uma questão logística que o trailer também resolveu silenciosamente. As especulações sobre se Avengers: Doomsday mudaria a data de estreia de 18 de Dezembro — porque os ecrãs IMAX estão comprometidos com Dune: Parte Três durante três semanas — desapareceram quando a Disney anunciou o seu próprio formato premium, “Infinity Vision”, que vai competir directamente com o IMAX. O programa certifica ecrãs em todo o mundo com padrões equivalentes, dando à Disney independência para garantir estreias em grande formato sem depender de acordos externos. É uma jogada de longo prazo que vai muito além de Doomsday — é a Disney a construir a sua própria infraestrutura de exibição premium.

O trailer ainda não foi lançado publicamente no momento em que este artigo é escrito. Quando sair — e vai sair em breve, porque a Disney não resiste à pressão das redes sociais —, vai ser o evento de marketing do ano. Não é exagero dizer que Avengers: Doomsday tem o potencial de ser o maior filme de 2026. Os Russos, Downey Jr., Evans, Stewart, Tatum como Gambit — é uma reunião que seria impossível há cinco anos e que agora parece inevitável.

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Val Kilmer regressa ao cinema através de Inteligência Artificial em “As Deep as the Grave”

O debate em torno da Inteligência Artificial em Hollywood acaba de ganhar um novo e inevitável capítulo. As primeiras imagens de Val Kilmer a regressar ao grande ecrã depois da sua morte foram reveladas esta quarta-feira na CinemaCon, em Las Vegas, através do trailer de As Deep as the Grave.

No vídeo promocional, uma versão digital e rejuvenescida do actor surge em cena e pronuncia a frase: “Não tenhas receio dos mortos e não tenhas receio de mim”, numa sequência que está já a gerar forte discussão sobre os limites éticos da tecnologia na indústria do entretenimento.

Um regresso digital que promete polémica

O projecto, realizado por Coerte Voorhees e produzido por John Voorhees, deverá estrear ainda até ao final do ano.

Kilmer, que marcou gerações com papéis em Top Gun, The Doors e Batman Forever, morreu em abril de 2025, aos 65 anos, vítima de pneumonia.

A notícia já tinha ganho relevo no mês passado, quando os responsáveis pelo filme confirmaram que o actor seria recriado através de IA, com o consentimento da família.

O papel que ficou por fazer

As Deep as the Grave acompanha a história dos arqueólogos pioneiros Ann e Earl Morris, interpretados por Abigail Lawrie e Tom Felton.

Originalmente, Val Kilmer tinha sido escolhido para interpretar o Padre Fintan antes da pandemia de COVID-19. No entanto, os seus problemas de saúde, numa altura em que lutava contra um cancro, obrigaram-no a abandonar o projecto.

Com os atrasos provocados pela pandemia e a evolução das ferramentas de IA, os irmãos Voorhees decidiram recuperar a personagem e concretizar o papel através de recriação digital.

Segundo explicaram, o Padre Fintan é uma figura central da narrativa: um dos primeiros missionários católicos a instalar-se na região dos Quatro Cantos, no sudoeste dos Estados Unidos.

Consentimento da família foi decisivo

Os realizadores revelaram que contactaram os filhos do actor, Mercedes Kilmer e Jack Kilmer, que deram aprovação ao projecto.

A família terá ainda disponibilizado acesso ao arquivo de vídeos pessoais do actor, material utilizado para recriar Kilmer em diferentes fases da sua vida.

Segundo os cineastas, o actor tinha discutido com os filhos o seu legado artístico e os projectos que ainda desejava concretizar.

A questão mais sensível de Hollywood

O caso surge num momento particularmente sensível para a indústria. A utilização de Inteligência Artificial foi uma das questões centrais nas greves de Hollywood em 2023, com atores e argumentistas a alertarem para os riscos da utilização descontrolada da tecnologia.

Os irmãos Voorhees garantem ter seguido as directrizes do sindicato SAG-AFTRA, baseadas nos chamados “três C”: consentimento, compensação e colaboração.

Ainda assim, a polémica parece inevitável.

A possibilidade de actores falecidos regressarem ao ecrã através de IA levanta questões sobre ética, direitos de imagem e os limites da criação artística numa era cada vez mais digital.

Para uns, trata-se de uma homenagem cuidadosamente construída; para outros, de uma linha que Hollywood talvez não devesse atravessar.

Preso a 10.000 Metros com Assassinos a Bordo — Viagem de Risco é o Thriller que Precisavas para Este Sábado à Noite

Josh Hartnett num avião cheio de mercenários. Não há saída. Literalmente.

Esquece os planos para este sábado à noite — ou melhor, faz disto o plano. Este sábado, dia 18 de Abril, às 21h30, o TVCine Top estreia em exclusivo Viagem de Risco, um thriller de acção que usa o cenário mais claustrofóbico que existe para te manter colado ao ecrã do início ao fim.

Josh Hartnett — sim, ele está de regresso e melhor do que nunca — interpreta Lucas Reyes, um ex-agente de operações especiais com um passado complicado que aceita o que parecia ser uma última missão simples: identificar e capturar Isha Rao (Charithra Chandran), uma hacker internacional procurada por múltiplas agências, a bordo de um voo de Banguecoque para São Francisco. Missão discreta, sem complicações.

Claro que não.

O que Lucas não sabia é que vários passageiros a bordo são, na verdade, assassinos profissionais com ordens para eliminar Isha antes da aterragem. De repente, o caçador e a caçada têm de confiar um no outro para sobreviver — e descobrir quem está por detrás de tudo isto antes de o avião tocar o chão.

Realizado por James Madigan, com curriculum que passa por Iron Man 2 e Transformers: O Despertar das Feras, o filme destaca-se exactamente pelo que promete: combates em espaços confinados, perseguições pelos corredores do avião e um jogo constante de identidades que mantém o suspense até ao último segundo.

Sábado, 18 de Abril, 21h30, TVCine Top. Também disponível no TVCine+. Cinto apertado.

Hadouken! O Trailer de Street Fighter Chegou e Isto Vai Ser Épico

Jason Momoa, 50 Cent, Roman Reigns e Tupac num único filme. Sim, leste bem.

O jogo de arcade que destruiu mais amizades do que qualquer discussão de futebol está finalmente a caminho do grande ecrã — e desta vez parece mesmo a sério. O trailer e o poster oficial de Street Fighter foram revelados ontem num evento em Las Vegas com o elenco presente, e o que se viu deixou muito pouca margem para dúvidas: isto foi concebido para ser grande. Muito grande.

O realizador Kitao Sakurai mergulha fundo nos anos 90 — o filme passa-se em 1993 — e reúne Ryu (Andrew Koji) e Ken Masters (Noah Centineo) depois de anos afastados, convocados pela misteriosa Chun-Li (Callina Liang) para o brutal World Warrior Tournament. Por detrás do torneio, claro, há muito mais do que parece. Há demónios do passado, rivalidades antigas e ameaças de escala global. E se falharem? Game Over.

Mas o que está mesmo a fazer a internet explodir é o elenco de apoio, que parece montado propositadamente para partir cabeças: Jason Momoa, Curtis “50 Cent” Jackson, Joe “Roman Reigns” Anoa’i, Eric André, Cody Rhodes e ainda David Dastmalchian e o lutador indiano Vidyut Jammwal, entre outros. É o tipo de elenco que só existe quando alguém decidiu não brincar.

E depois há o detalhe que ninguém esperava: o trailer usa uma versão inédita de “Ambitionz Az a Ridah” de Tupac Shakur, criada originalmente para Mike Tyson nos anos 90 e nunca antes utilizada. Sim, mesmo.

Produzido pela Legendary Pictures em parceria com a Capcom e concebido para IMAX®Street Fighter estreia nas salas portuguesas a 15 de Outubro, com distribuição da NOS Audiovisuais. O tempo de espera vai ser longo — mas pelo que o trailer promete, vai valer cada segundo.

As Doce Estão de Volta e Desta Vez Vêm à Televisão — Não Percas Bem Bom Este Domingo

Portugal, 1979. Quatro raparigas. Uma banda. E um país que nunca mais foi o mesmo.

Se cresceste em Portugal ou se simplesmente já ouviste falar das Doce — e é difícil não ter ouvido —, então Bem Bom é o filme que estavas à espera de ver na televisão. E chega este domingo, dia 19 de Abril, às 20h35, no Canal Cinemundo.

Realizado por Patrícia Sequeira, o filme conta a história de como quatro jovens foram recrutadas para formar uma girl band numa época em que esse conceito nem sequer existia em Portugal. Elas sabiam cantar, dançavam como ninguém e — atenção — escandalizavam o país. Em 1979. Com tudo o que isso significava.

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O resultado? Tornaram-se num fenómeno de popularidade sem precedentes na música portuguesa. As Doce foram, antes de existir essa expressão, as primeiras verdadeiras estrelas pop portuguesas.

No ecrã, a história ganha vida com um elenco de luxo nacional: Bárbara Branco, Lia Carvalho, Carolina Carvalho e Ana Marta Ferreira entram na pele das quatro raparigas com uma energia contagiante que faz jus ao legado do grupo. É o tipo de filme que te faz querer ligar a seguir ao pai ou à mãe e perguntar “tu lembravas-te delas?”

Numa época em que toda a gente fala de biopics americanos sobre bandas lendárias, é bom — é muito bom — lembrar que Portugal também tem as suas histórias para contar. E esta merece ser vista em família, no sofá, com o volume bem alto.

Domingo, 19 de Abril, 20h35, Canal Cinemundo. Prepara a nostalgia.

The Gentlemen: a elegância do crime regressa em grande estilo à televisão
 Estreias da Semana: Há terror, autores consagrados e regressos inesperados — mas há um filme que vai dominar as conversas

 Estreias da Semana: Há terror, autores consagrados e regressos inesperados — mas há um filme que vai dominar as conversas

RTP2 estreia “The Daily Show” e traz um dos talk-shows mais influentes do mundo para a televisão portuguesa

A RTP2 passou a contar, desde terça-feira, 14 de abril, com um dos formatos televisivos mais emblemáticos da sátira política internacional. O canal público estreou The Daily Show, aposta que reforça a oferta de actualidade e humor na grelha do segundo canal da RTP.

A emissão acontece de terça a sexta-feira, às 20h50, num horário de grande visibilidade para um programa que se tornou, ao longo dos anos, uma referência mundial na forma como comenta a actualidade política, social e mediática.

Além da transmissão televisiva, o formato fica igualmente disponível na RTP Play, permitindo aos espectadores acompanhar os episódios em diferido.

Um clássico da sátira política chega à RTP2

Celebrizado por Jon Stewart, rosto incontornável do programa durante anos, The Daily Show tornou-se um símbolo da crítica satírica à política e à cultura contemporânea, misturando informação, comentário e humor num formato que marcou várias gerações de espectadores.

Ao longo da sua história, o programa destacou-se por desmontar o discurso político e mediático com ironia, rapidez e um forte sentido crítico, tornando-se um espaço incontornável na televisão norte-americana.

Actualmente, o formato apresenta uma estrutura rotativa, com um apresentador diferente em cada dia da semana, mantendo a identidade editorial que o tornou um fenómeno internacional.

Humor, notícias e entrevistas

O conceito mantém a fórmula que lhe deu notoriedade: um olhar mordaz sobre a actualidade, conjugando humor e notícias, sátira política, análise dos media, reportagens e entrevistas a figuras políticas e celebridades de Hollywood.

É precisamente esta combinação entre informação e entretenimento que fez do programa um dos talk-shows mais populares do mundo, influenciando vários formatos posteriores.

Para a RTP2, esta estreia representa também uma aposta num público interessado em actualidade internacional, mas que procura uma abordagem menos convencional e mais crítica.

Uma aposta que reforça a oferta cultural da RTP2

A chegada de The Daily Show insere-se na linha editorial da RTP2, canal que tem vindo a privilegiar conteúdos culturais, documentais e formatos de debate e reflexão.

Ao trazer um programa com este peso mediático, a estação pública aproxima o público português de um dos formatos mais relevantes da televisão contemporânea, num momento em que a sátira política continua a ter um papel importante na leitura do mundo.

Um nome vindo da Marvel pode estar a caminho de Gotham — e isso muda tudo
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The Gentlemen: a elegância do crime regressa em grande estilo à televisão

Há séries que entram em cena de forma discreta e há outras que chegam de fato bem cortado, copo de whisky na mão e um sorriso perigosamente confiante. The Gentlemen pertence claramente à segunda categoria. Criada por Guy Ritchie para a Netflix, esta produção recupera o universo do filme homónimo de 2019 e transporta-o para o pequeno ecrã com a mesma energia caótica, humor negro e estilo visual inconfundível que tornaram o realizador britânico uma referência no cinema de crime contemporâneo.

A história acompanha Eddie Horniman, interpretado por Theo James, um militar que regressa a Inglaterra após a morte do pai. À partida, parece tratar-se apenas de uma questão familiar e de herança, mas rapidamente o protagonista descobre que a imponente propriedade aristocrática que acaba de receber esconde um vasto império de canábis subterrâneo. O que poderia ser o ponto de partida para um drama convencional transforma-se rapidamente numa espiral de chantagens, alianças improváveis e confrontos com o submundo do crime britânico. Ao lado de Eddie surge Susie Glass, interpretada por Kaya Scodelario, uma figura inteligente, fria e extremamente carismática, que se torna uma das personagens mais fascinantes da série.

O grande trunfo de The Gentlemen está precisamente na forma como mistura a sofisticação da aristocracia inglesa com o caos do universo criminal. Guy Ritchie joga, mais uma vez, com diálogos rápidos, personagens excêntricas e uma narrativa cheia de reviravoltas, mantendo o ritmo elevado ao longo dos oito episódios da primeira temporada. Há um prazer quase cinematográfico em acompanhar esta colisão entre o mundo dos nobres decadentes e os gangsters modernos, sempre envolvida numa estética requintada, onde cada plano parece pensado ao milímetro.

A série destaca-se também pelo elenco de luxo, que inclui nomes como Giancarlo Esposito, Vinnie Jones e Joely Richardson. Cada personagem contribui para um ambiente onde o perigo e a comédia coexistem de forma surpreendentemente natural. O humor é mordaz, tipicamente britânico, e nunca deixa que a violência ou a tensão dominem completamente a narrativa. Pelo contrário, é precisamente essa dança entre o absurdo e o ameaçador que torna a série tão viciante.

Para os fãs do cinema de Guy Ritchie, esta série é quase uma carta de amor ao seu estilo: homens perigosos em fatos impecáveis, jogos de poder, sarcasmo afiado e cenas de ação filmadas com grande personalidade. Mas mesmo quem não conhece o filme original encontrará aqui uma porta de entrada perfeita para este universo.

Com uma segunda temporada já confirmada, The Gentlemen afirma-se como uma das séries mais divertidas e elegantes dos últimos tempos, provando que, no mundo de Guy Ritchie, o crime nunca perde a classe.

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Questlove Abre Tribeca 2026 com Documentário Sobre Earth, Wind & Fire

 Estreias da Semana: Há terror, autores consagrados e regressos inesperados — mas há um filme que vai dominar as conversas

O Futebol Português Vai Mudar de Canal — E Isso Interessa a Toda a Gente que Paga Streaming

92% dos clubes disseram sim. O Benfica disse não. E há 225 milhões de euros em jogo.

A Assembleia Geral da Liga Portugal aprovou esta sexta-feira, com mais de 92% dos votos, o novo modelo de comercialização dos direitos televisivos do futebol português — e a mudança é maior do que parece à primeira vista.

Até agora, os jogos eram vendidos para a época inteira. A partir de agora, o modelo passa a ser por pacotes, o que abre a porta a um mercado muito mais amplo: operadoras estrangeiras, plataformas de streaming e até casas de apostas poderão comprar e revender esses pacotes. É precisamente esta flexibilidade que alimenta a expectativa de atingir — ou mesmo ultrapassar — o tecto de 225 milhões de euros.

O Benfica foi o único clube a votar contra. O Nacional absteve-se. Todos os outros aprovaram.

A proposta segue agora para aprovação governamental. O próximo campo de batalha — que ficou deliberadamente de fora desta discussão — será a chave de distribuição desse dinheiro entre os clubes, que historicamente é onde as guerras se travam a sério.

Para quem consome conteúdos em streaming, a questão é simples: este modelo pode significar mais opções, mais plataformas e — quem sabe — preços mais competitivos para ver futebol português em qualquer ecrã. Ou pode simplesmente significar mais fragmentação. O tempo dirá.

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As Doce Estão de Volta e Desta Vez Vêm à Televisão — Não Percas Bem Bom Este Domingo

Um nome vindo da Marvel pode estar a caminho de Gotham — e isso muda tudo

O universo de The Batman continua a crescer — e a próxima peça deste puzzle pode vir de um território inesperado. Segundo informações avançadas pela imprensa internacional, Sebastian Stan está em negociações para integrar o elenco de The Batman Part II, juntando-se a Robert Pattinson na aguardada sequela realizada por Matt Reeves.

Para já, o papel permanece totalmente envolto em segredo. Não há pistas oficiais, nem sequer rumores sólidos sobre que personagem poderá interpretar — o que, no contexto do universo criado por Reeves, é quase garantia de que estamos perante uma escolha pensada ao detalhe.

A possível entrada de Stan ganha ainda mais relevância por surgir pouco depois da notícia de que Scarlett Johanssontambém estará ligada ao projecto. Caso ambas as negociações se confirmem, estaremos perante um reencontro curioso entre dois actores que marcaram o universo da Marvel durante mais de uma década, agora transportados para um Gotham muito mais sombrio e realista.

Esse contraste é, aliás, uma das marcas mais fortes do trabalho de Reeves. Longe do espectáculo mais colorido e expansivo de outros filmes de super-heróis, The Batman construiu uma identidade própria, mais próxima do thriller policial do que do blockbuster tradicional. Foi precisamente essa abordagem que ajudou o filme a tornar-se um dos maiores sucessos da Warner Bros. no período pós-pandemia, ultrapassando os 772 milhões de dólares em receitas globais.

A sequela, com estreia marcada para 1 de outubro de 2027, tem início de produção previsto para a primavera e contará novamente com Reeves na realização e no argumento. Na produção estarão James Gunn e Peter Safran, os actuais responsáveis da DC Studios, numa fase particularmente importante para o futuro do estúdio.

No caso de Sebastian Stan, este possível salto para o universo DC surge numa fase interessante da sua carreira. Depois de anos associado ao papel de Bucky Barnes — o Soldado do Inverno — o actor tem procurado diversificar os seus projectos. A sua recente interpretação de Donald Trump em The Apprentice, que lhe valeu uma nomeação ao Óscar, mostrou um registo bem mais dramático e complexo, alinhado com o tom que Reeves procura para Gotham.

É precisamente essa evolução que torna esta escolha particularmente interessante. Stan já provou que consegue trabalhar personagens ambíguas, intensas e emocionalmente carregadas — exactamente o tipo de figura que encaixa neste universo.

Para já, tudo depende da conclusão das negociações. A DC Studios não comentou oficialmente a informação, mantendo o habitual silêncio estratégico. Ainda assim, a simples possibilidade já é suficiente para aumentar a expectativa em torno de um filme que, mesmo a mais de um ano da estreia, continua a gerar conversa.

Se há algo que este novo capítulo de The Batman está a deixar claro, é que Gotham está longe de ficar mais tranquila.

Questlove Abre Tribeca 2026 com Documentário Sobre Earth, Wind & Fire

O vencedor do Óscar por Summer of Soul regressa ao formato documental que o consagrou, contando a história de uma das bandas mais icónicas do século XX. A estreia mundial será seguida de um concerto histórico.

A 25.ª edição do Tribeca Festival, que decorre em Nova Iorque entre 10 e 21 de junho de 2026, terá uma abertura em grande estilo. O festival anunciou nas últimas 24 horas que a sua noite inaugural será dedicada a The Mighty Elements: The Untold Story of Earth, Wind & Fire, o novo documentário realizado por Ahmir “Questlove” Thompson.

A escolha não podia ser mais simbólica. Questlove, baterista e líder dos The Roots, tornou-se num dos documentaristas musicais mais respeitados da atualidade depois de ter vencido o Óscar de Melhor Documentário com Summer of Soul (2021), um filme que resgatou do esquecimento as imagens do Harlem Cultural Festival de 1969. Agora, o realizador volta a mergulhar nos arquivos da música negra americana para contar a história dos Earth, Wind & Fire, a banda fundada por Maurice White que redefiniu os limites do soul, funk e R&B.

Uma Noite de Cinema e Música ao Vivo

A sessão de estreia está marcada para 10 de junho de 2026, ao ar livre, no The Battery — um dos locais mais emblemáticos de Manhattan, com vista para o porto de Nova Iorque. Mas o Tribeca não se ficará pela projeção. Após o filme, o público assistirá a um momento raro e histórico: um concerto conjunto dos Earth, Wind & Fire e dos The Roots, celebrando ao vivo o legado de uma banda que marcou gerações com temas como SeptemberBoogie WonderlandLet’s Groove e After the Love Has Gone.

Robert De Niro, co-fundador do festival, comentou a escolha em comunicado: “A música sempre foi uma parte essencial da identidade do Tribeca. Ter o Questlove a regressar connosco para contar a história de uma banda que definiu uma era — e fazê-lo com um concerto ao vivo — é a forma perfeita de celebrar os nossos 25 anos.”

O Que Esperar do Documentário

De acordo com as informações reveladas pela produção, The Mighty Elements terá acesso exclusivo aos arquivos pessoais de Maurice White, o visionário fundador da banda que faleceu em 2016. O filme contará ainda com entrevistas aos membros sobreviventes, incluindo Philip Bailey(vocalista), Verdine White (baixista e irmão de Maurice) e Ralph Johnson (baterista e percussionista).

Questlove promete um retrato íntimo e profundo, que vai além dos êxitos radiofónicos. Em declarações à imprensa, o realizador afirmou: “Os Earth, Wind & Fire não foram apenas uma banda de sucesso. Foram um fenómeno cultural que combinou música, espiritualidade e uma visão artística única. O Maurice White era um místico, um filósofo e um génio musical. Este filme é uma tentativa de fazer justiça a esse legado.”

A banda, que já vendeu mais de 90 milhões de discos em todo o mundo, é conhecida tanto pela sua sofisticação musical — que fundia jazz, funk, soul, pop e elementos eletrónicos — como pelos seus espetáculos ao vivo visualmente deslumbrantes, repletos de pirotecnia, coreografias e figurinos exuberantes.

O Contexto do Documentário Musical

The Mighty Elements insere-se num momento particularmente fértil para o documentário musical. Nos últimos anos, títulos como The Beatles: Get Back (Peter Jackson, 2021), Becoming Led Zeppelin (Bernard MacMahon, 2025) e o próprio Summer of Soul provaram que há um apetite voraz do público por histórias bem contadas sobre os gigantes da música popular.

A escolha do Tribeca como plataforma de lançamento também não é inocente. O festival nova-iorquino tem-se afirmado como um espaço privilegiado para estreias de documentários musicais de alto perfil. Foi no Tribeca que estrearam, por exemplo, Clive Davis: The Soundtrack of Our Lives(2017) e The Go-Go’s (2020).

Estreia Mundial: 10 de junho de 2026, Tribeca Festival.
Distribuição em Portugal: Ainda não anunciada. Espera-se que o filme seja adquirido por uma plataforma de streaming nas próximas semanas.

🎬 Estreias da Semana: Há terror, autores consagrados e regressos inesperados — mas há um filme que vai dominar as conversas

Uma semana surpreendentemente diversa nas salas portuguesas

A semana de 16 de abril de 2026 chega às salas de cinema em Portugal com uma mistura invulgarmente rica: desde o terror de grande estúdio a cinema de autor europeu, passando por animação familiar e até reposições de clássicos japoneses que merecem redescoberta. É daquelas semanas em que tanto o espectador casual como o cinéfilo mais exigente encontram motivos para sair de casa.

Mas, no meio desta diversidade, há claros destaques — e um deles promete mesmo ser o filme mais falado dos próximos dias.

👁️ O grande destaque: o terror regressa em força com 

A Múmia

Entre todas as estreias, “A Múmia”, realizado por Lee Cronin, surge como a aposta mais comercial e mediática da semana. Depois do sucesso no género com Evil Dead Rise, Cronin mergulha agora num clássico do terror, trazendo uma nova abordagem à icónica figura da múmia.

Com um elenco liderado por Jack ReynorLaia Costa e May Calamawy, o filme aposta numa narrativa mais sombria e misteriosa, afastando-se do tom aventureiro que marcou versões anteriores da história.

A duração de 136 minutos sugere uma ambição épica — algo que poderá dividir audiências, mas que reforça a ideia de que este não é apenas mais um filme de sustos rápidos.

🎭 Cinema de autor europeu em destaque

Se o terror domina o lado mais comercial, o cinema europeu traz algumas das propostas mais interessantes da semana.

🇮🇹 La grazia, de Paolo Sorrentino

O novo filme de Paolo Sorrentino chega com expectativas elevadas. Conhecido pelo seu estilo visual sofisticado e narrativas introspectivas, Sorrentino volta a explorar temas humanos com um toque de humor e melancolia.

No elenco encontramos Toni Servillo, colaborador habitual do realizador, acompanhado por Anna Ferzetti. Com 133 minutos, “La grazia” promete ser uma experiência densa, provavelmente mais contemplativa do que narrativa.

🇮🇹 Fuori, de Mario Martone

Outro destaque italiano é “Fuori”, realizado por Mario Martone. Com Valeria Golino e Matilda De Angelis, o filme posiciona-se entre o drama e o retrato histórico.

Martone é conhecido por trabalhar temas sociais e políticos com rigor, o que faz deste um título particularmente interessante para quem procura cinema mais exigente.

🇫🇷 Mektoub, Meu Amor: Canto Segundo

O regresso de Abdellatif Kechiche à sua saga continua a dividir espectadores. Com quase 2h20 de duração, este segundo capítulo mantém o foco nas relações humanas, no desejo e na passagem do tempo.

Com Shaïn Boumedine e Salim Kéchiouche, é um filme que exige paciência — mas que recompensa quem entra no seu ritmo.

😂 Comédia e entretenimento: alternativas mais leves

Nem só de introspecção vive esta semana.

🇫🇷 Queridos Pais

Com André Dussollier e Miou-Miou, esta comédia francesa promete momentos leves e acessíveis, centrados nas dinâmicas familiares. Realizado por Emmanuel Patron, é uma opção segura para quem procura uma sessão descontraída.

🇬🇧 Fackham Hall

Misturando comédia com contexto histórico, o filme de Jim O’Hanlon junta Thomasin McKenzie e Emma Laird num registo potencialmente satírico. Um título curioso, ainda que menos mediático.

🎬 Ação e animação para todos os públicos

💥 Perseguição em Taipei

Para quem prefere ação, “Perseguição em Taipei”, de George Huang, junta Luke Evans e Sung Kang num thriller com cenário asiático. Um filme direto, pensado para entretenimento puro.

🐒 Jungle Beat 2: Viagem ao Passado

A única grande aposta familiar da semana é esta sequela animada realizada por Sam Wilson. Colorido, leve e acessível, é claramente direcionado para o público mais jovem.

🎞️ Reposições e cinema clássico: uma oportunidade rara

Uma das surpresas desta semana é a presença de várias reposições de filmes de Hiroshi Shimizu, incluindo:

  • “A Dançarina”
  • “Crianças à Procura de Mãe”
  • “O Idiota Sentimental”

Estas sessões são uma oportunidade rara para ver cinema japonês clássico em sala — algo cada vez menos comum, mas essencial para quem quer conhecer as raízes do cinema moderno.

🎥 Documentário nacional: um olhar íntimo

“¿De qué casa eres?”, realizado por Ana Pérez-Quiroga, representa a presença portuguesa na semana. Com 73 minutos, posiciona-se como uma proposta documental que deverá explorar identidade e pertença — temas recorrentes no trabalho da autora.

📊 Conclusão: uma semana para todos os gostos — mas com um claro protagonista

A diversidade é, sem dúvida, a palavra-chave desta semana. No entanto, tudo aponta para que “A Múmia” seja o filme que vai dominar as atenções do grande público.

Ainda assim, ignorar propostas como “La grazia” ou “Fuori” seria um erro para qualquer amante de cinema. E as reposições de Shimizu são um verdadeiro presente para os mais atentos.

Ou a minha recomendação pessoal o Fackham Hall

No fundo, esta é uma semana que prova algo simples: o cinema continua vivo — e recomenda-se.

🎬 Billie Eilish leva a sua digressão ao cinema em 3D — e promete uma experiência imersiva sem precedentes

A música de estádio chega ao grande ecrã com tecnologia de James Cameron

O fenómeno global Billie Eilish vai chegar aos cinemas portugueses de uma forma totalmente diferente do habitual. O novo filme-concerto “HIT ME HARD AND SOFT: THE TOUR (LIVE IN 3D)” estreia nas salas nacionais a 7 de maio, com pré-vendas a arrancarem já a 16 de abril, segundo comunicado oficial da NOS Audiovisuais.

Mais do que um simples registo de digressão, trata-se de uma experiência cinematográfica pensada para o grande ecrã, captada ao longo da digressão mundial esgotada da artista.

🎥 Um projeto assinado por James Cameron e Billie Eilish

Um dos grandes destaques deste projecto é a realização conjunta de dois nomes de peso: James Cameron e Billie Eilish.

Cameron, conhecido pelo seu trabalho em cinema de grande escala e inovação tecnológica, junta-se à artista para criar uma experiência em formato 3D imersivo, com o objectivo de transportar o espectador directamente para o centro do espectáculo.

Segundo o comunicado, o filme foi gravado ao longo da digressão mundial Hit Me Hard And Soft, permitindo capturar diferentes momentos de um espectáculo que esgotou salas em vários países.

🌍 Uma das artistas mais influentes da sua geração

Com nove prémios Grammy e duas estatuetas dos Óscares, Billie Eilish consolidou-se como uma das figuras mais influentes da música contemporânea.

Este novo projecto reforça essa posição, ao transformar a experiência de concerto num evento cinematográfico pensado para salas IMAX e formatos imersivos, onde som e imagem procuram recriar a energia da digressão original.

A aposta em 3D e em tecnologia de ponta sugere um produto desenhado não apenas para fãs, mas também para quem procura uma experiência audiovisual diferenciada no cinema.

🎬 O que esperar do filme-concerto

De acordo com a sinopse oficial, “HIT ME HARD AND SOFT: THE TOUR (LIVE IN 3D)” oferece uma nova leitura da digressão mundial da artista, combinando performance ao vivo com linguagem cinematográfica.

O objectivo é claro: aproximar o público da intensidade emocional dos concertos, mas com o detalhe visual e sonoro que apenas o cinema pode proporcionar.

A produção aposta numa abordagem sensorial, onde o espectador deixa de ser apenas observador para se tornar parte da experiência.

🎟️ Pré-vendas arrancam a 16 de abril

Os bilhetes para as sessões especiais começam a ser disponibilizados já a partir de 16 de abril, antecipando a estreia oficial marcada para 7 de maio nos cinemas portugueses.

A distribuição em Portugal está a cargo da NOS Audiovisuais, reforçando a aposta crescente em conteúdos musicais e experiências cinematográficas diferenciadas nas salas nacionais.

🎧 Quando o cinema e a música se encontram

Este tipo de projecto não é novo, mas continua a ganhar força: concertos filmados com tecnologia avançada têm vindo a aproximar o público da experiência ao vivo, sobretudo em tempos em que os espectáculos internacionais nem sempre são acessíveis a todos.

No caso de Billie Eilish, o factor diferenciador está na combinação de uma artista de topo com uma realização de grande escala, que promete elevar o formato a outro nível.

🔎 Conclusão

Entre o espectáculo ao vivo e a linguagem do cinema, este novo filme-concerto posiciona-se como uma das apostas mais ambiciosas do ano no cruzamento entre música e sétima arte.

Para fãs de Billie Eilish — e para curiosos pelo futuro do cinema imersivo — esta poderá ser uma experiência a não perder.

Aronofsky Troca o Drama pela Porrada: “Apanhado a Roubar” Chega Esta Sexta ao TVCine

Austin Butler e Zoë Kravitz protagonizam o regresso caótico e violento do realizador de O Cisne Negro à Nova Iorque dos anos 90. Um policial cult que passou despercebido nos cinemas e que merece uma segunda vida no sofá.

Se havia uma crítica que perseguia Darren Aronofsky nos últimos anos era a de um alegado “excesso de solenidade”. Depois da angústia existencial de A Baleia e do delírio psicológico de Mãe!, o realizador nova-iorquino decide dar uma guinada de 180 graus. “Apanhado a Roubar” (Caught Stealing), que estreia em exclusivo nos Canais TVCine esta sexta-feira, 17 de abril, às 21h30, é a resposta de Aronofsky a quem lhe pedia mais ritmo: um thriller de ação com humor negro, gatos indefesos e muitos, muitos ossos partidos.

Um Gato, um Ex-Jogador e a Máfia Russa

O filme adapta o romance homónimo de Charlie Huston e tem como cenário uma Nova Iorque suja e analógica dos anos 1990. No centro da confusão está Hank Thompson, interpretado por Austin Butler (num registo muito distante do glamour de Elvis). Hank é um ex-jogador de basebol caído em desgraça que agora trabalha num bar e cuja única ambição é sobreviver ao dia seguinte.

O problema começa com um favor aparentemente inofensivo: tomar conta do gato do vizinho. O vizinho em questão é Russ, um britânico excêntrico interpretado por Matt Smith (House of the Dragon), que desaparece misteriosamente deixando para trás algo muito mais valioso do que ração para gato. Quando Hank é brutalmente interrogado por gangsters que acreditam que ele sabe onde está o “tesouro” de Russ, a sua vida transforma-se numa fuga desenfreada.

O Elenco e o Regresso à Podridão Urbana

Além de Butler, o filme conta com a presença de Zoë Kravitz como Yvonne, a namorada de Hank que se vê arrastada para o olho do furacão, e um leque de personagens secundárias que parecem saídas de um filme dos irmãos Safdie ou de um primórdio de Scorsese.

Este é um território novo (e ao mesmo tempo familiar) para Aronofsky. Se visualmente o filme promete a crueza claustrofóbica que o realizador domina, o tom é surpreendentemente ligeiro e caótico. As críticas internacionais descrevem a obra como uma “comédia negra de ação” que evoca o melhor do cinema policial pulp — com perseguições de carro, gangsters russos, reviravoltas constantes e uma violência estilizada que não se leva demasiado a sério.

Uma Segunda Oportunidade no Sofá

Apesar de ter agradado à crítica especializada (conquistou 84% de aprovação no Rotten Tomatoes), Apanhado a Roubar teve uma passagem discreta pelas salas de cinema portuguesas no verão passado. Com um orçamento na casa dos $40 milhões, o filme arrecadou pouco mais de $31 milhões a nível global — um resultado comercial modesto que o torna ainda mais apetecível como descoberta cult para o espectador caseiro.

É precisamente aqui que o TVCine entra em campo. “Apanhado a Roubar” é daqueles filmes que pedem uma segunda oportunidade longe da pressão dos blockbusters de verão: um policial sujo, divertido e com uma energia contagiante que funciona na perfeição numa noite de sexta-feira no sofá.

Porquê Ver?

A oportunidade perfeita para ver Austin Butler a sujar as mãos como nunca, para testemunhar Darren Aronofsky a divertir-se como não o víamos há anos e para descobrir um dos filmes de género mais injustamente ignorados de 2025.

Estreia: Sexta-feira, 17 de abril, 21h30, no TVCine Top e TVCine+ .

Diogo Alves: o “Assassino do Aqueduto” regressa à luz em Lisbon Noir

Um serial killer do século XIX que continua a assombrar Lisboa

Lisboa volta a revisitar um dos seus capítulos mais sombrios com a chegada de Lisbon Noir, nova coprodução entre a Prime Video e a TVI. A série, protagonizada por Pêpê Rapazote, inspira-se livremente na figura de Diogo Alves, o chamado “Assassino do Aqueduto”, cuja história continua a alimentar o imaginário criminal da capital.

A produção estreou esta segunda-feira, 13 de Abril, na TVI, com exibição às 22h35, enquanto os quatro episódios já estão disponíveis na Prime Video. Mais do que uma simples adaptação histórica, a série transforma um caso real num thriller contemporâneo, onde o passado parece recusar-se a permanecer enterrado.

Entre a ficção e a sombra de um crime real

A narrativa de Lisbon Noir começa com a queda de um diplomata espanhol do topo do Aqueduto das Águas Livres, em Lisboa. Inicialmente, a Polícia Judiciária considera tratar-se de suicídio ou de um incidente isolado. No entanto, rapidamente se percebe que há algo muito mais perturbador em curso: um assassino em série está a actuar na cidade, inspirado pelos crimes de Diogo Alves.

O novo criminoso escolhe as suas vítimas e atira-as dos pontos mais altos da capital, começando precisamente pelo Aqueduto. A investigação fica a cargo dos inspetores Daniel e Laura, personagens de personalidades opostas que são obrigados a colaborar numa corrida contra o tempo para travar uma ameaça que coloca Lisboa sob tensão máxima.

O elenco conta ainda com nomes como Beatriz Godinho, Mina El Hammani, Luís Filipe Eusébio, Cleo Diára, Teresa Tavares e Paulo Pires, entre outros.

O homem por trás do mito: Diogo Alves

No centro da inspiração histórica está Diogo Alves, figura que marcou o imaginário criminal português no século XIX. Nascido em 1810, na Galiza, em Espanha, emigrou jovem para Portugal, onde trabalhou como criado em casas abastadas, levando inicialmente uma vida discreta.

Tudo mudaria na década de 1830, quando começou uma série de crimes que lhe valeram o nome de “Assassino do Aqueduto”. O seu método tornou-se particularmente temido: assaltava vítimas que atravessavam o Aqueduto das Águas Livres — então utilizado como passagem pedonal — e empurrava-as de uma altura de cerca de 65 metros.

Durante algum tempo, os crimes foram confundidos com suicídios ou acidentes, devido ao isolamento do local e à ausência de testemunhas. No entanto, o número crescente de mortes levantou suspeitas e levou a uma investigação mais profunda.

Estima-se que Diogo Alves tenha sido responsável por cerca de 70 homicídios, embora o número exacto nunca tenha sido confirmado.

Do medo à captura e a um destino singular

O reinado de terror de Alves terminou não diretamente pelos crimes no aqueduto, mas após o envolvimento num violento assalto a uma casa de um médico, onde várias pessoas foram assassinadas. Esse episódio acabou por permitir às autoridades identificar e deter o grupo responsável.

Condenado à morte, Diogo Alves foi executado em 1841. Contudo, a sua história não terminou aí. Num dos episódios mais bizarros da criminologia portuguesa, a sua cabeça foi preservada para estudo científico, no contexto das teorias da frenologia — uma corrente que procurava identificar traços de criminalidade através do crânio.

Até hoje, a cabeça encontra-se conservada na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, perpetuando o fascínio e o desconforto em torno da sua figura.

Pêpê Rapazote e o desafio de dar vida ao crime

Antes das filmagens, Pêpê Rapazote admitiu não conhecer em detalhe a história de Diogo Alves, descobrindo-a apenas durante a preparação da série. O actor mergulhou depois num universo que mistura facto histórico, especulação científica e interpretações psicológicas do comportamento criminoso.

Na sua leitura, o mal não se explica apenas pela biologia. Rapazote aponta para factores mais complexos, como traumas e experiências de infância, recusando uma explicação puramente física para a violência extrema.

A sua personagem, o inspetor Daniel, também é marcada por um passado traumático, nomeadamente uma fobia profunda de alturas, o que cria uma ligação simbólica com o cenário dos crimes: o abismo do Aqueduto.

Uma Lisboa entre o passado e o medo contemporâneo

Lisbon Noir aposta num cruzamento entre história e ficção, recuperando uma das figuras mais temidas da Lisboa oitocentista para construir uma narrativa contemporânea de suspense e investigação criminal.

Ao trazer Diogo Alves de volta ao centro da ficção televisiva, a série recorda que certos crimes, mesmo passados quase dois séculos, continuam a projectar sombras longas sobre a cidade.

Curiosamente o primeiro episódio também já pode ser visto online aqui no site da TVI

Bryan Cranston e Joaquin Phoenix à frente da revolta contra megafusão em Hollywood

Uma aliança bilionária que está a incendiar a indústria do cinema

Hollywood está em ebulição. A proposta de aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Global, avaliada em cerca de 111 mil milhões de dólares, desencadeou uma onda de contestação sem precedentes dentro da indústria audiovisual norte-americana.

Mais de mil profissionais — entre actores, realizadores e argumentistas — assinaram uma carta aberta a criticar duramente o negócio, alertando para o impacto que a operação poderá ter no futuro do cinema, da televisão e das plataformas de streaming.

No centro desta contestação estão nomes de peso como Bryan Cranston e Joaquin Phoenix, a que se juntam ainda Tiffany Haddish e o realizador Yorgos Lanthimos.

“Menos oportunidades, menos diversidade, menos vozes”

Na carta, os signatários não poupam críticas. O documento alerta que a fusão poderá agravar um cenário já fragilizado, com menos produções, menos empregos e uma redução significativa da diversidade de histórias contadas em Hollywood.

A preocupação central é a crescente concentração de poder nas mãos de poucos conglomerados, que passam a controlar não só o financiamento, mas também a distribuição e o acesso ao público global. Para os críticos, este modelo pode transformar a indústria numa máquina cada vez mais homogénea, onde o risco criativo é substituído pela previsibilidade comercial.

A batalha do streaming e o novo mapa do entretenimento

A polémica surge num momento de transformação profunda no sector. A corrida entre estúdios tradicionais e plataformas digitais continua a redefinir o equilíbrio de forças em Hollywood, com a Netflix a surgir como um dos principais actores desta disputa — tendo, aliás, demonstrado interesse na aquisição da Warner antes da entrada da Paramount na operação.

Do lado da Paramount, David Ellison defende a fusão como uma forma de reforçar o cinema tradicional e competir em escala global. A promessa inclui manter uma produção anual robusta para salas de cinema, com pelo menos 30 estreias por ano, além de investimentos nas duas estruturas agora em causa.

Ellison argumenta ainda que uma eventual aquisição pela Netflix poderia criar um “superplayer” dominante no streaming, ainda mais concentrador do que o cenário actual.

O medo dos cinemas vazios

As preocupações não se limitam aos artistas. A indústria da exibição também está em alerta. Michael O’Leary, da Cinema United — organização que representa cerca de 30 mil salas nos Estados Unidos — já avisou que uma redução na produção de filmes pode acelerar o encerramento de cinemas, numa tendência que se tem agravado desde a pandemia.

Com menos estreias pensadas exclusivamente para salas, o circuito tradicional de exibição continua sob pressão, enquanto o streaming ganha terreno e redefine hábitos de consumo em todo o mundo.

Regulação, política e o futuro da fusão

A operação ainda terá de passar por um processo de aprovação regulatória. Na Califórnia, o procurador-geral Rob Bonta já sinalizou que o caso poderá ser alvo de análise detalhada, embora exista ceticismo quanto à possibilidade de intervenção mais dura a nível federal.

A carta dos artistas apela precisamente a esse escrutínio rigoroso, defendendo que a concentração mediática já teve impactos negativos profundos numa das indústrias mais influentes do mundo.

Um ponto de viragem para Hollywood?

A fusão entre a Paramount e a Warner insere-se numa tendência mais ampla de consolidação no sector do entretenimento, impulsionada pela necessidade de escala num mercado global cada vez mais competitivo.

Nos últimos anos, os grandes estúdios têm apostado em franquias seguras e blockbusters de alto retorno, deixando para segundo plano projectos mais arriscados ou autorais — precisamente o tipo de cinema que muitos dos signatários da carta defendem.

O resultado é um dilema cada vez mais evidente: como equilibrar sustentabilidade financeira, diversidade criativa e acesso do público num ecossistema dominado por poucos gigantes?

Se aprovada, esta fusão poderá redefinir o mapa de Hollywood. E, talvez, marcar o início de uma nova era — onde o poder criativo e o poder económico nunca estiveram tão próximos… nem tão em conflito.

Paddington Musical Quer a Broadway em 2027 — e o Urso Mais Famoso de Lima Tem Todas as Condições para Chegar lá

Há uma certa lógica poética no facto de o urso que chegou a Londres de chapéu velho e etiqueta de identificação ao pescoço estar agora a planear a conquista de Nova Iorque. Depois de dominar os Olivier Awards deste domingo com sete prémios — o mais premiado da noite, incluindo Melhor Musical, Melhor Realizador, Melhor Actor em Musical e Melhor Cenografia —, a produtora Sonia Friedman confirmou ao Deadline ainda durante a cerimónia no Royal Albert Hall que Paddington: The Musical está na linha de partida para uma transferência para a Broadway em 2027. “Gostaria que fosse para o ano que vem, para manter o momentum”, disse Friedman. Em linguagem de teatro, isto significa que está a acontecer.

Paddington: The Musical abriu no Savoy Theatre em Londres no outono de 2025 e tornou-se imediatamente num dos maiores sucessos do West End em anos — não apenas comercial mas também crítico, o que no teatro musical é uma combinação rara e preciosa. O London Theatre deu-lhe cinco estrelas e chamou-lhe “magia pura de teatro” e “um grande abraço de urso”. A música e letra são de Tom Fletcher, mais conhecido como membro dos McFly, e o livro é de Jessica Swale. A encenação de Luke Sheppard — que ganhou o Olivier de Melhor Realizador — resolve de forma engenhosa o problema central de qualquer adaptação de Paddington para palco: como fazer um urso de marmelada de Lima emocionalmente convincente para uma audiência ao vivo, sem recorrer nem ao disfarce humano nem à animação digital.

A solução que Sheppard encontrou foi partir o papel em dois: James Hameed dá a voz e a presença física ao Paddington que fala e interage com os outros personagens, enquanto Arti Shah opera o fato do urso com uma precisão de movimento que a crítica descreveu repetidamente como hipnótica. Os dois partilham o Olivier de Melhor Actor em Musical — uma situação sem precedentes na história do prémio, e que diz tudo sobre a forma como o espectáculo abordou o problema da representação do urso. Não como um problema a esconder, mas como uma oportunidade de fazer algo teatralmente novo.

O caminho para a Broadway não é garantido nem simples. O West End e a Broadway partilham língua e muita coisa, mas os espaços são diferentes, os custos de produção são outros, e o que funciona em Londres nem sempre funciona em Nova Iorque — e vice-versa. Paddington tem, no entanto, vários factores a seu favor. A personagem tem uma base de fãs americana considerável, o filme de 2014 e a sua sequela de 2017 foram sucessos de bilheteira nos Estados Unidos, e o terceiro filme — Paddington em Peru, de 2023 — confirmou que o urso continua a ser um fenómeno transgeracional. Um musical de Broadway baseado numa personagem com este nível de reconhecimento e com esta qualidade crítica documentada tem uma proposta de valor clara.

Para Portugal e para o resto do mundo lusófono, a trajectória de Paddington: The Musical é relevante por duas razões. A primeira é óbvia: se o espectáculo chegar à Broadway com este impulso, a probabilidade de uma digressão europeia aumenta significativamente — e Lisboa e Porto são destinos habituais dessas digressões. A segunda é mais subtil: o percurso de Paddington no teatro representa exactamente o tipo de adaptação que o cinema de família raramente consegue produzir no palco com este nível de integridade artística. É uma história sobre um estrangeiro que chega a um país novo e é acolhido por uma família que não o conhecia — e que se torna insubstituível para essa família. Em 2026, essa história tem uma ressonância que vai muito além da nostalgia.

A Vida é Injusta Voltou 20 Anos Depois — e Bateu Todos os Recordes de Estreia do Ano

Há revivais que chegam envergonhados, como se pedissem desculpa por existir. Malcolm no Meio: A Vida Continua Injusta (como dizem no Brasil)  não é um desses. A minissérie de quatro episódios que estreou a 10 de Abril no Hulu e no Disney+ — reunindo Frankie Muniz, Bryan Cranston e Jane Kaczmarek pela primeira vez em vinte anos — tornou-se em três dias na maior estreia da plataforma em 2026, com 8,1 milhões de visualizações globais. Em toda a América Latina, só a primeira temporada de Loki teve uma estreia maior no Disney+. Os números são de uma série nova, não de um revival nostálgico que os fãs vêem por obrigação sentimental.

A história de como este revival chegou a existir é quase tão boa como a série em si. Em 2021, Frankie Muniz revelou num podcast que Bryan Cranston tinha escrito um argumento para um filme de reunião e que todo o elenco estava disposto a regressar — excepto uma pessoa que se recusava. Dois anos depois, descobriu-se que o recalcitrante era Linwood Boomer, o criador da série original, que só concordaria em participar se dois guionistas específicos da série original fizessem parte do projecto. Quando essas condições foram cumpridas, em Dezembro de 2024, o anúncio chegou finalmente: quatro episódios de trinta minutos, para o Hulu, com o elenco praticamente completo.

O que a série escolhe fazer com esse regresso é inteligente porque é honesto. Malcolm tem agora 39 anos — a mesma idade que Frankie Muniz — e construiu exactamente o tipo de vida que sempre quis: está longe da família, tem uma filha adolescente a quem é dedicado, dirige uma associação de caridade alimentar e tem uma namorada estável. A série não finge que o tempo não passou. Faz exactamente o oposto: usa o tempo passado para explorar o que significa crescer numa família caótica e perceber, da perspectiva da idade adulta, que o caos que te sufocava também te formou. É uma ideia simples, mas é a ideia certa para este revival — e é executada com o ritmo e o humor ferino que tornaram a série original numa referência da comédia familiar americana dos anos 2000.

Bryan Cranston como Hal é, de longe, a maior surpresa do regresso. O actor que entretanto se tornou mundialmente famoso por Breaking Bad volta ao papel com uma leveza e uma fisicalidade cómica que confirmam que Hal Wilkerson é provavelmente a personagem que Cranston mais gosta de interpretar — e onde parece mais à vontade. Jane Kaczmarek como Lois continua a ser um dos maiores feitos de comédia da televisão americana: uma mulher que é simultaneamente o maior obstáculo e o maior motor emocional da família, sem nunca ser apenas um estereótipo. Os dois juntos têm uma química que duas décadas de ausência não arranharam.

O Rotten Tomatoes marca 81% de aprovação crítica, com o consenso a dizer que o revival “regressa aos seus antics cómicos com vigor e assurance.” O Metacritic dá 65 em 100. Nenhuma nota extraordinária — mas as notas dos revivais raramente são. O que importa é que funciona: é engraçado, é emocionalmente honesto sem ser sentimental, e tem o ritmo acelerado que fazia da série original uma experiência televisiva diferente de qualquer outra coisa que passasse na televisão em 2000. O facto de 8,1 milhões de pessoas terem visto os quatro episódios nos primeiros três dias sugere que não foi só a nostalgia que trouxe o público — foi a qualidade.

“O Passageiro do Inferno”: o terror faz-se à estrada no novo filme de André Øvredal

Um pesadelo que começa com um acidente — e nunca mais abranda

O terror volta a ganhar velocidade nas estradas portuguesas com O Passageiro do Inferno, cujo novo trailer, poster oficial e primeiras imagens já foram revelados. A promessa é clara: um thriller sufocante que transforma um cenário aparentemente banal — uma estrada isolada — num palco de puro pesadelo. A estreia nas salas de cinema nacionais está marcada para 21 de maio, com distribuição da NOS Audiovisuais.

A premissa é simples, mas eficaz: depois de testemunharem um violento acidente numa estrada deserta, um jovem casal segue viagem, acreditando ter deixado o pior para trás. No entanto, rapidamente percebem que não estão sozinhos. Algo — ou alguém — entrou com eles no carro. E não tem qualquer intenção de sair.

André Øvredal regressa ao terror que inquieta

Na realização está André Øvredal, um nome já bem conhecido dos fãs do género. Depois de filmes como Autópsia de Jane Doe e Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro, o cineasta norueguês volta a apostar num terror atmosférico, onde o desconforto cresce lentamente até se tornar insuportável.

Em O Passageiro do Inferno, Øvredal explora medos primários profundamente enraizados: a escuridão, o isolamento e a vulnerabilidade em espaços abertos e desabitados. A estrada — símbolo de liberdade — transforma-se aqui numa armadilha sem saída, onde cada quilómetro percorrido apenas aproxima as personagens do perigo.

Uma presença que não se vê… mas nunca desaparece

O grande elemento perturbador da narrativa é a entidade conhecida como “The Passenger”. Invisível, implacável e aparentemente impossível de escapar, esta presença demoníaca persegue o casal sem descanso, transformando a viagem numa luta desesperada pela sobrevivência.

Sem recorrer apenas a sustos fáceis, o filme aposta num equilíbrio entre terror psicológico e físico, criando uma sensação constante de ameaça. A ideia de que algo está sempre presente — mesmo quando não é visível — é o motor da tensão, mantendo o espectador em permanente estado de alerta.

Um elenco sólido para um confronto intenso

O filme é protagonizado por Jacob Scipio, Lou Llobell e Melissa Leo, três nomes que dão corpo a esta narrativa de sobrevivência e desespero.

A dinâmica entre as personagens será essencial para sustentar o peso emocional da história, especialmente num contexto onde o medo não vem apenas do exterior, mas também da tensão crescente entre aqueles que tentam escapar.

Uma viagem sem saída marcada no calendário

Com estreia marcada para 21 de maio nos cinemas portuguesesO Passageiro do Inferno posiciona-se como uma das propostas mais intensas do género este ano. Entre o terror psicológico e a ameaça constante de uma presença demoníaca, o filme promete uma experiência inquietante — daquelas que ficam connosco muito depois de sairmos da sala.

Para quem gosta de histórias onde o perigo espreita na escuridão… talvez seja melhor pensar duas vezes antes de voltar a pegar no carro à noite.

Olivier Awards 2026: Paddington Dominou com Sete Prémios e Rachel Zegler Ganhou por Cantar na Varanda

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Olivier Awards 2026: Paddington Dominou com Sete Prémios e Rachel Zegler Ganhou por Cantar na Varanda

Há noites em que um urso de marmelada de Lima, Peru, rouba os prémios de teatro mais prestigiados do Reino Unido. Esta foi uma dessas noites. A cerimónia dos Olivier Awards 2026 — os equivalentes britânicos dos Tony Awards de Nova Iorque —, realizada ontem no Royal Albert Hall em Londres e transmitida pela BBC, foi dominada de forma avassaladora por Paddington the Musical, a adaptação teatral do adorado urso da literatura infantil britânica. Sete prémios no total, incluindo Melhor Musical, Melhor Realizador e Melhor Argumento de Musical. Um resultado que ninguém que tivesse visto o espectáculo no Savoy Theatre teria considerado surpreendente — mas que confirmou o que a crítica vinha a dizer desde a estreia: é um dos musicais mais completamente realizados dos últimos anos no West End.

Mas a história da noite tinha um nome humano. Rachel Zegler — a actriz americana que passou de ser a Maria de West Side Story (2021) aos papéis em Barbie e Branca de Neve — ganhou o Olivier de Melhor Actriz em Musical pela sua Eva Perón na produção de Évita de Jamie Lloyd no London Palladium. A produção tornou-se um fenómeno cultural londrino ao longo do último ano, em parte pela decisão de Lloyd de ter Zegler a cantar “Don’t Cry for Me Argentina” da varanda do teatro para os transeuntes na rua Argyll Street todas as noites — um gesto que transformou o concerto num evento espontâneo e aberto à cidade. “Obrigada a Londres por me fazer sentir tão bem-vinda. Nunca poderia ter imaginado isto”, disse Zegler ao subir ao palco. “Foi a honra de uma vida cantar para as pessoas na Argyll Street oito vezes por semana.”

Rosamund Pike — que não pisava os palcos londrinos há 14 anos — venceu o Olivier de Melhor Actriz pela sua interpretação em Inter Alia, um novo drama jurídico da dramaturga australiana Suzie Miller encenado no National Theatre. Pike, conhecida pelo público português pelo seu papel em Gone Girl e pela série The Wheel of Time, confessou à BBC que sempre foi “uma pessoa bastante tímida” e que a possibilidade de ser distinguida “enquanto ela própria” — e não enquanto personagem — era sempre assustadora. “Adoro o véu protector de uma personagem. Ser isolada como só eu é sempre bastante intimidante.” O prémio, claramente, valeu o desconforto.

Paapa Essiedu — o actor britânico de origem ganesa que o público internacional conhece de Harry Potter e a Criança Amaldiçoada no West End e da série I May Destroy You —, ganhou Melhor Actor em Papel Secundário por All My Sons, o revival da peça de Arthur Miller de 1946 no Wyndham’s Theatre. All My Sons ganhou também o prémio de Melhor Revival, confirmando que o texto de Miller — sobre a culpa, a responsabilidade e o custo humano da ambição — continua a ressoar com uma urgência que as décadas não diminuem.

Para Portugal, os Olivier Awards têm um interesse que vai além do glamour da cerimónia. As produções premiadas em Londres chegam habitualmente às salas do Teatro Nacional D. Maria II, do Teatro Municipal do Porto e de outros palcos nacionais nos anos seguintes. Évita de Jamie Lloyd, Into the Woods do Bridge Theatre e Paddington the Musical são exactamente o tipo de produções que os programadores portugueses vão agora colocar no radar. A lista de vencedores desta noite é, de certa forma, um mapa do que vai acontecer nos palcos ibéricos nos próximos dois ou três anos.