Sydney Sweeney é Christy Martin no TVCine — e este é o papel que ninguém esperava dela

Sydney Sweeney construiu a sua carreira em papéis de vulnerabilidade contida — Cassie em Euphoria, Olivia em The White Lotus, a protagonista de Qualquer Coisa Como Amor. O que ninguém esperava era vê-la num ringue de boxe, com luvas, sangue e um corpo que passou meses a transformar para o papel. Christy: A Força de Uma Campeã estreia domingo, 10 de Maio, às 22h00 no TVCine Top e TVCine+, e é o filme que muda a conversa sobre o que Sweeney é capaz de fazer.

A história é real — e é extraordinária. Christy Martin cresceu numa pequena cidade da Virgínia Ocidental sem nenhum destino óbvio e encontrou no boxe uma saída, uma identidade e eventualmente a fama. Nos anos 90, tornou-se na primeira mulher pugilista a aparecer na capa da Sports Illustrated, partilhou cartaz com Mike Tyson em vários dos seus combates mais vistos, e foi durante anos o rosto do boxe feminino americano numa época em que o desporto mal reconhecia a sua existência. Por detrás do sucesso havia outra história: Christy era lésbica numa América que não perdoava isso, especialmente no mundo do desporto de combate, e a pressão social levou-a a casar com o seu treinador, James Martin — interpretado por Ben Foster —, numa relação que foi progressivamente revelando a sua natureza abusiva até chegar a um ponto de rutura literal.

David Michôd realiza — o australiano de Animal Kingdom e The Rover, dois filmes que conhecem bem a violência doméstica e a sobrevivência como temas — e a escolha não é acidental. Michôd tem uma capacidade particular de filmar a tensão que antecede a explosão, a contenção que precede o colapso, e é exactamente esse território que a história de Christy Martin habita. O filme não é sobre boxe. O boxe é o único lugar onde Christy Martin tinha controlo — e é por isso que as cenas no ringue são as únicas em que a personagem respira.

Sweeney preparou-se durante meses com treinadores de boxe profissionais, ganhou massa muscular visível e trabalhou a mecânica do combate com um rigor que se nota em cada cena. Mas a transformação mais impressionante não é física — é a forma como a actriz habita a dissociação de uma mulher que aprendeu a apresentar uma versão de si mesma para o mundo enquanto guardava outra para sobreviver. É o melhor trabalho da sua carreira, num papel que nenhum realizador de Euphoria alguma vez lhe ofereceria.

Domingo, 10 de Maio, às 22h00. TVCine Top e TVCine+.

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“A Complete Unknown” estreia esta sexta no TVCine Top: Timothée Chalamet é Bob Dylan e é impossível não acreditar

A Complete Unknown não é bem um biopic. É uma questão — sobre de onde vem o génio, sobre o que uma pessoa está disposta a sacrificar para o seguir, e sobre o que acontece quando um artista cresce mais depressa do que o mundo que o descobriu. James Mangold concentra-se em quatro anos decisivos da vida de Bob Dylan — a chegada a Nova Iorque em 1961, a ascensão fulminante na cena folk do Greenwich Village e a polémica transição para o som eléctrico no Festival de Newport de 1965 — e faz um filme que, para quem não sabe nada sobre Dylan, funciona como revelação, e para quem sabe muito, funciona como argumento.

O filme recusa a cronologia ordenada e o tom reverencial que aflige tantos filmes sobre artistas icónicos. Em vez disso, Mangold — o realizador de Walk the Line e Logan, dois filmes que percebem exactamente como o género funciona quando não capitula ao hagiográfico — concentra-se num período específico e decisivo: a chegada de Bob Dylan a Nova Iorque em 1961, a sua ascensão fulminante na cena folk do Greenwich Village, e a polémica transição para o som eléctrico no Festival de Newport de 1965, um dos momentos mais divisivos e mais estudados da história da música contemporânea. É em quatro anos que o filme conta tudo o que importa — e conta-o com uma urgência que os biopics de dois anos raramente conseguem.

Timothée Chalamet não imita Dylan. Habita-o. É uma distinção que parece óbvia mas que, na prática, muito poucos actores conseguem manter durante dois horas e dezassete minutos — especialmente quando o território inclui tocar guitarra e harmónica em palco e cantar cerca de quarenta canções do próprio Dylan. O trabalho de preparação foi de mais de um ano, e vê-se: não há o distanciamento artificial do actor consciente de que está a fazer uma caracterização. Há uma presença. O resultado valeu-lhe oito nomeações aos Óscares, incluindo Melhor Actor, e uma das críticas mais consistentemente positivas da temporada de prémios de 2024-25.

O elenco de apoio está à altura. Edward Norton como Pete Seeger — mentores raramente são interpretados com esta ternura — e Monica Barbaro como Joan Baez numa performance que mereceu mais atenção do que recebeu. Elle Fanning completa o quarteto principal como Sylvie Russo, a namorada de Dylan inspirada em Suze Rotolo, a jovem que está na capa de The Freewheelin’ Bob Dylan.

Para quem não sabe nada sobre Dylan, o filme funciona como introdução sem nunca parecer uma aula. Para quem sabe muito, há pormenores, escolhas e contradições suficientes para alimentar discussão durante horas. É exactamente o que um biopic deve ser — esta sexta-feira, no TVCine Top, às 21h30.

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