“Sorry, Baby” estreia domingo no TVCine — Eva Victor e Naomi Ackie num filme sobre o que fica depois

Sorry, Baby é um filme sobre trauma que sussurra — e é precisamente essa contenção que o torna tão difícil de ignorar. A primeira longa-metragem de Eva Victor, premiada no Sundance de 2025 com o prémio de Melhor Argumento, estreia no domingo, 17 de Maio, às 21h40, em exclusivo no TVCine Top e TVCine+.

Agnes é professora de literatura. Algo aconteceu-lhe — algo que o filme não nomeia com facilidade, porque a nomeação fácil é parte do problema. O que Sorry, Baby acompanha não é o acontecimento em si mas o que vem a seguir: os dias e meses depois de um momento que a marcou profundamente, quando o mundo à volta de Agnes parece querer avançar rapidamente para a frente e Agnes ainda não conseguiu perceber onde está. O isolamento. As conversas que ficam a meio. Os gestos hesitantes. A dificuldade de regressar a uma normalidade que já não existe da forma que existia antes. Eva Victor interpreta Agnes — e escreveu também o argumento, o que explica a precisão com que cada cena sabe exactamente quanto pode dizer e quanto deve guardar.

Naomi Ackie — que o público português conhece de Station ElevenMaster of None e do papel de Whitney Houston em I Wanna Dance with Somebody — interpreta Lydie, a amiga que se torna no principal ponto de apoio de Agnes. É numa relação de amizade feminina, e não num arco de resolução, que o filme encontra o seu centro emocional. Victor tem um talento específico para filmar a proximidade entre mulheres — os gestos pequenos, as conversas que não chegam ao fim, os momentos em que não é preciso explicar nada porque a outra pessoa já percebeu.

Sorry, Baby foi descrito pela crítica do Sundance como “uma das obras mais honestas sobre sobrevivência emocional dos últimos anos” — uma formulação que capta bem o que o filme faz sem o que o filme recusa fazer: não há catarse limpa, não há resolução arrumada, não há momento em que Agnes fica “curada”. Há vida a continuar, de forma imperfeita e às vezes estranha e ocasionalmente até com humor, porque é assim que a vida continua. Domingo, 17 de Maio, às 21h40, no TVCine Top e TVCine+.

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Tatiana Maslany sozinha numa cabana com Osgood Perkins — “Keeper: Para Sempre” estreia esta sexta no TVCine

Osgood Perkins tem um talento específico e inconfundível: construir terror a partir do dentro para fora. Não há monstros que saltam da escuridão nos seus filmes — há atmosferas que se instalam devagar, realidades que começam a ceder, personagens que já não sabem distinguir o que é real do que o seu próprio cérebro está a fabricar. The Blackcoat’s DaughterI Am the Pretty Thing That Lives in the HouseLonglegs — são filmes que ficam depois de acabarem, não pela adrenalina mas pelo desconforto. Keeper: Para Sempre segue a mesma lógica e estreia esta sexta-feira, 16 de Maio, às 21h30, em exclusivo no TVCine Top e TVCine+.

A premissa usa um dos cenários mais clássicos do género — a cabana isolada na floresta — mas recusa o que habitualmente se faz com ele. Liz e Malcolm celebram o primeiro aniversário da relação num refúgio aparentemente idílico. Quando Malcolm se ausenta subitamente, alegando ter de regressar à cidade para tratar de um paciente, Liz fica sozinha numa cabana que começa a revelar um passado que não estava nos planos da viagem. As visões chegam devagar. A percepção da realidade vai cedendo. E quando Malcolm regressa, o seu comportamento levanta questões que Liz não consegue ignorar: o horror pode não estar apenas em quem habita a casa, mas no que se esconde dentro dela — e dentro dela própria.

Tatiana Maslany carrega o filme praticamente sozinha durante grande parte da sua duração — uma tarefa que conhece bem desde Orphan Black, onde interpretou múltiplas personagens em simultâneo com uma precisão técnica e emocional que lhe valeu o Emmy. Aqui está num registo mais contido e mais interior, e o resultado valeu-lhe o prémio de Melhor Actriz nos Film Critics Circle Awards de Vancouver. Rossif Sutherland, filho de Donald Sutherland e irmão de Kiefer, interpreta Malcolm com uma ambiguidade calculada que o argumento precisa.

James Wan — o realizador de SawInsidious e The Conjuring, e uma das vozes mais influentes do terror contemporâneo — descreveu o filme como “uma descida aterradora à loucura”. É uma formulação que serve bem o que Perkins faz: não é um filme de sustos, é um filme de erosão. Esta sexta-feira, às 21h30, no TVCine Top e TVCine+.

“Mestres da Ilusão: Nada é o Que Parece” estreia esta sexta no TVCine — e os Quatro Cavaleiros estão de volta dez anos depois

Dez anos é muito tempo para um truque de magia. É também o intervalo entre Mestres da Ilusão 2 e este terceiro capítulo da saga que, desde 2013, transformou o ilusionismo em cinema de acção inteligente — com uma fórmula que mistura Ocean’s Eleven com Criss Angel e resulta melhor do que devia. Mestres da Ilusão: Nada é o Que Parece estreia esta sexta-feira, 15 de Maio, às 21h30, em exclusivo no TVCine Top e TVCine+.

A história retoma os Quatro Cavaleiros — o colectivo de ilusionistas que nos filmes anteriores usou a magia para expor esquemas de corrupção à escala global — numa missão ainda mais ambiciosa: roubar o lendário Diamante Coração a Veronika Vanderberg, uma magnata do crime interpretada por uma actriz ainda não revelada pela produção. O que começa como um assalto meticulosamente planeado transforma-se, inevitavelmente, numa operação de alto risco onde cada passo revela uma nova camada de engano — e onde a linha entre os manipuladores e os manipulados nunca é clara até ao último momento.

Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Isla Fisher e Dave Franco regressam aos papéis que construíram ao longo de uma década, acompanhados por Andrew Santino e por uma nova geração de jovens ilusionistas que trazem ao grupo dinâmicas e técnicas que os Cavaleiros originais não dominam. É exactamente o tipo de renovação de franchise que funciona quando é feita com cuidado — não substituir o que funcionou, mas acrescentar-lhe tensão geracional.

A realização é de Ruben Fleischer — o mesmo de Zombieland e Venom — que herda a cadeira de Louis Leterrier, realizador dos dois primeiros filmes. Fleischer tem um historial de filmes de acção com humor e ritmo acelerado que o torna uma escolha coerente para uma saga que nunca se levou demasiado a sério. A promessa da produção é um filme com hologramas, perseguições, jogos de manipulação e reviravoltas que dificilmente chegarão ao ecrã sem pelo menos uma que ninguém esperava.

Esta sexta-feira, 15 de Maio, às 21h30. TVCine Top e TVCine+.

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Sydney Sweeney é Christy Martin no TVCine — e este é o papel que ninguém esperava dela

Sydney Sweeney construiu a sua carreira em papéis de vulnerabilidade contida — Cassie em Euphoria, Olivia em The White Lotus, a protagonista de Qualquer Coisa Como Amor. O que ninguém esperava era vê-la num ringue de boxe, com luvas, sangue e um corpo que passou meses a transformar para o papel. Christy: A Força de Uma Campeã estreia domingo, 10 de Maio, às 22h00 no TVCine Top e TVCine+, e é o filme que muda a conversa sobre o que Sweeney é capaz de fazer.

A história é real — e é extraordinária. Christy Martin cresceu numa pequena cidade da Virgínia Ocidental sem nenhum destino óbvio e encontrou no boxe uma saída, uma identidade e eventualmente a fama. Nos anos 90, tornou-se na primeira mulher pugilista a aparecer na capa da Sports Illustrated, partilhou cartaz com Mike Tyson em vários dos seus combates mais vistos, e foi durante anos o rosto do boxe feminino americano numa época em que o desporto mal reconhecia a sua existência. Por detrás do sucesso havia outra história: Christy era lésbica numa América que não perdoava isso, especialmente no mundo do desporto de combate, e a pressão social levou-a a casar com o seu treinador, James Martin — interpretado por Ben Foster —, numa relação que foi progressivamente revelando a sua natureza abusiva até chegar a um ponto de rutura literal.

David Michôd realiza — o australiano de Animal Kingdom e The Rover, dois filmes que conhecem bem a violência doméstica e a sobrevivência como temas — e a escolha não é acidental. Michôd tem uma capacidade particular de filmar a tensão que antecede a explosão, a contenção que precede o colapso, e é exactamente esse território que a história de Christy Martin habita. O filme não é sobre boxe. O boxe é o único lugar onde Christy Martin tinha controlo — e é por isso que as cenas no ringue são as únicas em que a personagem respira.

Sweeney preparou-se durante meses com treinadores de boxe profissionais, ganhou massa muscular visível e trabalhou a mecânica do combate com um rigor que se nota em cada cena. Mas a transformação mais impressionante não é física — é a forma como a actriz habita a dissociação de uma mulher que aprendeu a apresentar uma versão de si mesma para o mundo enquanto guardava outra para sobreviver. É o melhor trabalho da sua carreira, num papel que nenhum realizador de Euphoria alguma vez lhe ofereceria.

Domingo, 10 de Maio, às 22h00. TVCine Top e TVCine+.

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“A Complete Unknown” estreia esta sexta no TVCine Top: Timothée Chalamet é Bob Dylan e é impossível não acreditar

A Complete Unknown não é bem um biopic. É uma questão — sobre de onde vem o génio, sobre o que uma pessoa está disposta a sacrificar para o seguir, e sobre o que acontece quando um artista cresce mais depressa do que o mundo que o descobriu. James Mangold concentra-se em quatro anos decisivos da vida de Bob Dylan — a chegada a Nova Iorque em 1961, a ascensão fulminante na cena folk do Greenwich Village e a polémica transição para o som eléctrico no Festival de Newport de 1965 — e faz um filme que, para quem não sabe nada sobre Dylan, funciona como revelação, e para quem sabe muito, funciona como argumento.

O filme recusa a cronologia ordenada e o tom reverencial que aflige tantos filmes sobre artistas icónicos. Em vez disso, Mangold — o realizador de Walk the Line e Logan, dois filmes que percebem exactamente como o género funciona quando não capitula ao hagiográfico — concentra-se num período específico e decisivo: a chegada de Bob Dylan a Nova Iorque em 1961, a sua ascensão fulminante na cena folk do Greenwich Village, e a polémica transição para o som eléctrico no Festival de Newport de 1965, um dos momentos mais divisivos e mais estudados da história da música contemporânea. É em quatro anos que o filme conta tudo o que importa — e conta-o com uma urgência que os biopics de dois anos raramente conseguem.

Timothée Chalamet não imita Dylan. Habita-o. É uma distinção que parece óbvia mas que, na prática, muito poucos actores conseguem manter durante dois horas e dezassete minutos — especialmente quando o território inclui tocar guitarra e harmónica em palco e cantar cerca de quarenta canções do próprio Dylan. O trabalho de preparação foi de mais de um ano, e vê-se: não há o distanciamento artificial do actor consciente de que está a fazer uma caracterização. Há uma presença. O resultado valeu-lhe oito nomeações aos Óscares, incluindo Melhor Actor, e uma das críticas mais consistentemente positivas da temporada de prémios de 2024-25.

O elenco de apoio está à altura. Edward Norton como Pete Seeger — mentores raramente são interpretados com esta ternura — e Monica Barbaro como Joan Baez numa performance que mereceu mais atenção do que recebeu. Elle Fanning completa o quarteto principal como Sylvie Russo, a namorada de Dylan inspirada em Suze Rotolo, a jovem que está na capa de The Freewheelin’ Bob Dylan.

Para quem não sabe nada sobre Dylan, o filme funciona como introdução sem nunca parecer uma aula. Para quem sabe muito, há pormenores, escolhas e contradições suficientes para alimentar discussão durante horas. É exactamente o que um biopic deve ser — esta sexta-feira, no TVCine Top, às 21h30.

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