Nicolas Cage revelou numa entrevista ao Deadline que Christopher Nolan deixou de o contactar depois de ele ter recusado um papel em Insomnia (2002). “A maioria deles fica com os sentimentos feridos e não volta a ligar. Aconteceu-me um milhão de vezes”, disse o actor.
Insomnia acabou por ser protagonizado por Al Pacino e Robin Williams — um dos poucos thrillers psicológicos de Nolan que raramente aparece nas conversas sobre a sua carreira, apesar de ser um filme sólido sobre um detective que investiga um assassinato numa aldeia do Alasca onde o sol nunca se põe no verão. Cage não revelou para que papel foi abordado, mas a sua ausência do filme foi claramente sentida por ambas as partes de formas diferentes.
O actor, que esta semana estreia Spider-Noir no Prime Video, aproveitou a entrevista para nomear a excepção à regra: David O. Russell. “É o único realizador a quem disse não e que voltou a oferecer-me outro filme. Toda a gente me ofereceu um filme, eu disse não, e nunca mais ouvi falar deles. É o que acontece.” A observação diz tanto sobre o ego dos realizadores de Hollywood como sobre a carreira de Cage — que ao longo de décadas fez escolhas que muitos consideraram erradas e que acabaram por definir exactamente o actor que ele é.
Nolan, por sua vez, não tem fama de guardar rancores — mas tem fama de saber exactamente o que quer. Cage admitiu que muitos realizadores tomam a rejeição “como algo pessoal”, acrescentando que é uma dinâmica que “acontece a toda a gente na indústria, não só a mim”. A ironia é que Cage está neste momento em melhor forma criativa do que em qualquer outro momento dos últimos vinte anos — Pig, The Unbearable Weight of Massive Talent, Longlegs e agora Spider-Noirformam uma fase tardia que muitos realizadores estariam felizes em ter no início da carreira. Se Nolan ainda não lhe telefonou, talvez seja altura.
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