Spider-Man: Brand New Day deu finalmente a cara. O primeiro trailer do novo filme do Homem-Aranha chegou esta semana e traz uma surpresa de peso, a presença do Hulk de Mark Ruffalo, que se cruza com o herói de Tom Holland nesta nova aventura. A reação foi imediata e traduziu-se em números, as pré-vendas de bilhetes registaram o melhor primeiro dia nos Estados Unidos em cinco anos.
O regresso de Holland ao fato vermelho e azul era um dos mais aguardados do calendário, e a entrada do Hulk na equação sugere uma ligação mais estreita ao universo Marvel mais alargado do que nos capítulos anteriores. O trailer fez o que se esperava, multiplicar teorias e expectativa.
O filme chega às salas este verão e, a julgar pela procura antecipada, parte para a estreia como um dos grandes acontecimentos de bilheteira do ano. Para já, fica o material visual que promete dominar as conversas nos próximos dias.
Vinte e cinco anos depois de roubar o Natal no cinema, o Grinch de Jim Carrey vai ter uma segunda vida. Está em desenvolvimento uma sequela de O Grinch, o filme de 2000 que se tornou um clássico das festas, com Carrey de regresso à personagem verde e Ron Howard, realizador do original, novamente ligado ao projeto.
O anúncio é dos que mexem com a memória afetiva de uma geração inteira, que cresceu a rever a fita todos os dezembros. A interpretação de Carrey, debaixo de horas de caracterização, é uma das mais lembradas da sua carreira, e o regresso ao papel garante curiosidade imediata.
Os detalhes do enredo e a data de estreia ainda não foram revelados, mas o simples reencontro entre o ator e a personagem é, por si só, motivo de conversa. Numa altura em que Hollywood vive de regressos e nostalgia, poucos têm o potencial sentimental deste.
Anne Hathaway vai ser mãe pela terceira vez. A atriz confirmou que está grávida e que espera o terceiro filho com o marido, o ator e produtor Adam Shulman, com quem é casada desde 2012 e já tem dois rapazes.
O anúncio chega num momento alto da carreira da atriz, que tem alternado entre projetos de prestígio e papéis de grande público, e que continua a ser um dos rostos mais seguidos de Hollywood. A notícia espalhou-se de imediato pelas redes, sinal do alcance que o nome mantém junto de várias gerações.
Hathaway tem sido aberta sobre a maternidade, e em entrevistas anteriores falou das dificuldades que enfrentou para engravidar, um testemunho que ressoou em muitas mulheres. Esta terceira gravidez surge enquanto mantém uma agenda profissional preenchida, prova de que a atriz continua a equilibrar a vida familiar com uma das carreiras mais consistentes da sua geração.
A dúvida sobre se o público ainda responde à marca durou pouco. Toy Story 5 estreou na sexta-feira nos Estados Unidos e fez 71 milhões de dólares apenas no primeiro dia, um arranque que coloca o filme a caminho de um fim de semana entre 160 e 170 milhões. A confirmar-se, será o melhor arranque de sempre da saga, acima dos 120 milhões que Toy Story 4 alcançou em 2019, e a melhor estreia da Pixar nos últimos oito anos, desde Os Incríveis 2.
O quinto capítulo, realizado por Andrew Stanton, leva Woody, Buzz e Jessie a enfrentarem a ameaça que a vida real também trouxe às casas com crianças, os ecrãs. A novidade no grupo é a Lilypad, uma tablet inteligente com voz de Greta Lee, e há ainda um brinquedo novo, o Smarty Pants, a quem Conan O’Brien dá voz. Tom Hanks, Tim Allen e Joan Cusack regressam aos papéis de sempre, com a crítica a destacar o protagonismo crescente da Jessie nesta despedida do trio com o ecrã como vilão.
Para o público português, a notícia tem um efeito prático. O filme estreou nas salas nacionais a 18 de Junho, portanto a corrida aos bilhetes que se vê lá fora já se pode traduzir cá. É o título a bater neste arranque de verão, a aposta certa para tardes de família enquanto o calor aperta.
A quinta-feira traz uma das semanas mais variadas do ano às salas portuguesas. Há o regresso de uma das maiores marcas da animação, um épico de ação a despedir-se de um herói, terror irlandês com um rosto vindo da comédia, e um punhado de filmes de autor que vão da história de Portugal aos dramas familiares europeus. Oito estreias, para todos os gostos e todas as idades.
Toy Story 5 é, à partida, a locomotiva da semana. Andrew Stanton assume a realização do quinto capítulo da saga que a Pixar abriu há trinta anos, e Tom Hanks, Tim Allen e Joan Cusack voltam a dar voz a Woody, Buzz e Jessie. Desta vez a ameaça à hora de brincar não vem de um brinquedo rival, mas da tecnologia, na forma da Lilypad, uma tablet com vontade própria a quem Greta Lee empresta a voz. O filme chega ainda com um chamariz extra para lá das crianças, uma canção original de Taylor Swift, intitulada “I Knew It, I Knew You”. São cento e dois minutos de aventura distribuídos pela NOS Audiovisuais, e a aposta segura para encher salas de famílias neste arranque de verão.
A Morte de Robin Hood joga noutro campeonato. Michael Sarnoski, o realizador de “Pig” e “Um Lugar Silencioso: Dia Um”, pega na figura do lendário fora da lei e leva-a para um território sombrio e adulto, com classificação para maiores e uma carga de violência que justifica o título. Hugh Jackman é um Robin Hood envelhecido e gravemente ferido, recolhido por uma mulher misteriosa interpretada por Jodie Comer, a Sister Brigid, enquanto Bill Skarsgård entra na pele de Little John. Produzido pela A24 e estreado no Festival de Sydney, o filme tem sido comparado ao desgaste físico e emocional que Jackman trouxe ao seu adeus a Wolverine em “Logan”. Quem procura um épico de ação com peso dramático, e não um conto de embalar, tem aqui o destaque da semana. Distribuição da NOS Audiovisuais, cento e vinte e três minutos.
Hokum – A Maldição Oculta é a estreia de terror, e das mais bem cotadas. O irlandês Damian McCarthy, que já tinha assustado meio mundo com “Oddity”, traz pela primeira vez um ator de Hollywood para o seu universo de casas isoladas e folclore celta. Adam Scott, que muitos conhecem de “Severance” mas que começou precisamente no terror, faz um escritor de histórias de medo que viaja até uma estalagem remota para espalhar as cinzas dos pais. No local, as lendas de uma bruxa que assombra a suite de lua de mel começam a infiltrar-se na sua cabeça, e o que parecia um luto torna-se um pesadelo. A crítica recebeu-o como um dos terrores mais eficazes do ano. Distribuição da Cinemundo, cento e sete minutos.
Magalhães é, provavelmente, a estreia mais ambiciosa do lote, e a que carrega o ângulo mais português. Produção nacional da Rosa Filmes assinada pelo filipino Lav Diaz, mestre do chamado cinema lento, o filme tem Gael García Bernal no papel do navegador Fernão de Magalhães e estreou-se em competição no Festival de Cannes. Diaz não está interessado no retrato heroico do explorador, antes naquilo que a expansão portuguesa e espanhola deixou no seu rasto, dando voz aos povos indígenas e às mulheres apanhados pela máquina colonial. São cento e sessenta e três minutos exigentes, filmados com rigor pictórico, que pedem paciência mas recompensam quem se deixa levar. Não é um filme para todos, é um filme para quem quer ver uma das páginas da história nacional revista por um olhar de fora. Distribuição da Nitrato Filmes.
Por Mais Um Dia marca um momento curioso no cinema português, a estreia de Sónia Araújo como atriz de cinema. O rosto das manhãs da RTP dá corpo a Teresa, uma das personagens centrais deste drama escrito, realizado e montado por Miguel Babo, que também entra no elenco ao lado de Paula Sá, Hugo Nicolau, Miguel Borges e João Damasceno. A história segue um conjunto de personagens em momentos de rutura, quando percebem que nada é o que julgavam ser, e mistura leveza, humor e reflexão sobre a fragilidade da vida e a presença da morte. Para o público que acompanha a apresentadora há décadas, é motivo de curiosidade vê-la num registo totalmente diferente. Classificação para maiores de catorze.
O Que é o Amor? é a comédia da semana, e vem de França com bons créditos. Fabien Gorgeart reúne Laure Calamy e Vincent Macaigne como um casal divorciado há muito que se vê obrigado a uma missão peculiar, provar perante a Igreja que o casamento nunca devia ter existido, para que ele possa voltar a casar pela religião. O que parecia uma formalidade transforma-se numa viagem a Roma, com filhos e novos companheiros a reboque, e com sentimentos que se julgavam apagados a regressar à superfície. O filme arrecadou o Grande Prémio do Festival de l’Alpe d’Huez e um prémio de interpretação para Calamy, e promete riso e ternura em doses equilibradas sobre as famílias recompostas. Distribuição da Outsider Films, cento e quarenta e oito minutos.
Cinco Segundos traz a Portugal o mais recente trabalho de Paolo Virzì, um dos nomes maiores do cinema italiano contemporâneo. Valerio Mastandrea é Adriano, um homem solitário e arredio que vive isolado numa antiga propriedade em ruínas, atormentado por um passado que não o larga. A chegada de um grupo de jovens decididos a recuperar as vinhas abandonadas, entre eles uma rapariga grávida vivida por Galatea Bellugi, perturba a sua rotina de silêncios e acaba por abrir uma brecha inesperada na sua couraça. É um drama sobre dor, paternidade e redenção, com Valeria Bruni Tedeschi em registo de apoio, que conquistou crítica e público em Itália. Distribuição da Leopardo Filmes, cento e cinco minutos.
Duas Vezes João Liberada fecha a lista e é, talvez, a proposta mais arrojada. Primeira longa de Paula Tomás Marques, co-escrita com a atriz June João, foi o único título português em competição na Berlinale deste ano, na secção dedicada a estreantes. É um filme dentro de um filme, em que uma atriz trans protagoniza uma biografia sobre Liberada, uma dissidente de género perseguida pela Inquisição, e em que a produção entra em crise quando o realizador adoece misteriosamente. Rodado em película, a preto e branco e a cores, cruza passado e presente para refletir sobre como se contam, no cinema, as histórias que durante séculos ficaram de fora. Distribuição da Films4You, setenta minutos.
São, portanto, oito caminhos muito diferentes para entrar numa sala esta semana, do conforto da animação ao desconforto produtivo do cinema que faz pensar. Raramente uma quinta-feira ofereceu tanto ao mesmo tempo.
A série que transformou o stress de uma cozinha em televisão premiada está a chegar ao fim. “The Bear” estreia a quinta e última temporada a 25 de Junho, na FX e no Hulu nos Estados Unidos, e internacionalmente no Disney+, o que abrange Portugal. Como manda a tradição da série, os oito episódios ficam disponíveis de uma só vez, sem a espera semanal a que outras produções obrigam.
São dois episódios a menos do que nas três temporadas anteriores, um número que aproxima esta despedida da primeira temporada, igualmente curta e igualmente intensa. A FX confirmou em Maio que este seria o ponto final, embora Jamie Lee Curtis, que faz parte do elenco recorrente, já tivesse deixado escapar a notícia uns meses antes, convencida de que toda a gente já sabia.
A temporada arranca na manhã seguinte ao momento que fechou a anterior, quando Sydney, interpretada por Ayo Edebiri, Richie, vivido por Ebon Moss-Bachrach, e Natalie, a Sugar de Abby Elliott, descobrem que Carmy, o chef atormentado de Jeremy Allen White, decidiu abandonar a indústria e deixar-lhes o restaurante nas mãos. O cenário não podia ser mais adverso. Sem dinheiro, com a ameaça de venda do edifício a pairar e uma tempestade torrencial a complicar tudo, a equipa tem de se unir para conseguir um último serviço, na esperança de finalmente alcançar a estrela Michelin que sempre perseguiu. A síntese que a própria série propõe é simples e tocante, talvez o que torna um restaurante perfeito não seja a comida, mas as pessoas.
Criada por Christopher Storer, “The Bear” estreou-se em 2022 e cresceu pelo boca a boca até se tornar um dos maiores sucessos críticos da televisão recente. A primeira temporada arrecadou dez Emmys, incluindo o de melhor série de comédia, e a segunda repetiu a proeza com onze. Pelo caminho lançou Jeremy Allen White como protagonista de primeira linha e consolidou um elenco que inclui ainda Lionel Boyce, Liza Colón-Zayas, Matty Matheson, Oliver Platt, Will Poulter e a já referida Jamie Lee Curtis.
Antes da estreia, a série pregou uma partida aos fãs com o lançamento surpresa de “Gary”, um episódio em flashback centrado em Richie e Mikey, o personagem de Jon Bernthal, numa viagem de trabalho à cidade de Gary, no Indiana. Foi uma forma de aquecer o terreno e de lembrar o que faz a série funcionar, a mistura de humor, tensão e emoção dentro de espaços apertados.
Resta saber se Storer consegue dar a esta história o fecho que ela merece. “The Bear” sempre foi tão boa a criar conflitos como a deixá-los em aberto, e há muito em jogo nesta despedida, o futuro do restaurante, o de Carmy e o de uma equipa que se tornou família. A partir de 25 de Junho, no Disney+, fica a saber-se se o último serviço corre como sonhado ou se a cozinha fecha em sobressalto.
Quem perdeu nas salas o terceiro capítulo da saga de Pandora, ou quem o quer rever em casa, tem data marcada. “Avatar: Fogo e Cinzas”, de James Cameron, chega ao Disney+ a 24 de Junho, fechando o ciclo habitual entre o cinema e o streaming para um dos maiores fenómenos de bilheteira recentes.
O filme estreou-se a 19 de Dezembro de 2025 e fez aquilo que os filmes de Cameron costumam fazer, dominar. Abriu com 88 milhões de dólares no mercado norte-americano e 345 milhões a nível mundial, e passou as semanas seguintes confortavelmente no topo. Em poucas semanas tinha já ultrapassado os mil milhões de dólares, tornando “Fogo e Cinzas” no quarto filme de Cameron a cruzar essa fasquia, ao lado de “Titanic”, do primeiro “Avatar” e de “Avatar: O Caminho da Água”. Nenhum outro realizador na história alinha quatro êxitos consecutivos deste calibre, e o detalhe diz tudo sobre a relação de Cameron com o público.
Em termos de história, o filme retoma Jake Sully, interpretado por Sam Worthington, e Neytiri, vivida por Zoe Saldaña, ainda a lidar com a perda de um filho no final do capítulo anterior. A novidade é o tom, mais sombrio e áspero do que os anteriores, e a chegada de uma nova tribo, o Povo das Cinzas, um clã Na’vi de origem vulcânica que traz à narrativa uma ameaça diferente de tudo o que Pandora tinha mostrado até aqui. Depois de explorar a floresta e o oceano, Cameron leva agora a saga para o fogo, literal e simbólico.
Apesar dos números esmagadores, “Fogo e Cinzas” deverá terminar a corrida como o capítulo menos rentável da trilogia, o que diz mais sobre a dimensão histórica dos dois primeiros do que sobre qualquer falha deste. O futuro da saga ficou, aliás, em aberto. Cameron chegou a planear cinco filmes, mas tem brincado com a ideia de que talvez convoque uma conferência de imprensa para decidir se avança mesmo com o quarto e o quinto, ou se a história de Pandora fica por aqui.
A chegada ao Disney+ muda a forma como muita gente vai ver o filme. A experiência em sala, com o 3D e o tamanho do ecrã, é parte essencial do que Cameron constrói, e há quem defenda que estes filmes perdem em casa. Ainda assim, para os que não chegaram a ir ao cinema, ou para quem quer voltar a Pandora antes de saber qual será o próximo passo da saga, a data a guardar é 24 de Junho. Poucos blockbusters chegam ao streaming com este peso atrás de si.
Esta semana é de Colin Farrell por dois motivos. O primeiro chega a 19 de Junho, quando a Apple TV estreia a segunda temporada de “Sugar”, a série neo-noir em que faz o detetive privado John Sugar. São oito episódios, com lançamento semanal à sexta-feira até 7 de Agosto. O segundo motivo aconteceu ontem, em palco, quando o ator falou abertamente do regresso à pele do Pinguim no próximo filme do Batman.
“Sugar” foi uma das surpresas de 2024. Durante seis episódios pareceu um homenagem clássica ao género do detetive, com Farrell a percorrer Los Angeles de fato impecável e ao volante de um Corvette dos anos sessenta, até que a série virou tudo do avesso com a revelação de que o protagonista, afinal, não é bem humano. Essa cartada dividiu o público, mas garantiu que a segunda temporada chegasse rodeada de expectativa. Desta vez, John Sugar aceita um novo caso de desaparecimento, à procura do irmão mais velho de um jovem pugilista da cidade. Criada por Mark Protosevich e com Sam Catlin como showrunner, a temporada traz caras novas ao elenco, entre elas Jin Ha, Raymond Lee, Tony Dalton, Laura Donnelly e Sasha Calle.
O timing é bom para Farrell, que continua a colher os frutos do trabalho que fez como Oz Cobb na minissérie “The Penguin”, aclamada e premiada. E foi precisamente sobre o universo de Gotham que falou ontem no programa de Jimmy Kimmel. O ator confirmou que volta a vestir o Pinguim em “The Batman: Part II”, embora com uma participação curta. Tem apenas duas cenas, contou, e quase agradeceu a brevidade, porque assim continua a poder ver o filme como um espectador, sem saber tudo de antemão. Sobre o argumento, escrito por Matt Reeves com Mattson Tomlin, não poupou elogios, classificando-o de extraordinário.
A sequela, que volta a ter Robert Pattinson como Bruce Wayne, está marcada para 1 de Outubro de 2027 e será ambientada no inverno de Gotham. Pelo caminho já se sabe que Sebastian Stan e Scarlett Johansson entram no elenco, o que tem alimentado especulação sobre que vilões vão surgir. Farrell, como seria de esperar, não adiantou nada que estrague a surpresa.
Junta-se assim, na mesma semana, o ator a abrir uma temporada própria e a confirmar que continua dentro de um dos universos mais seguidos do cinema atual. Para quem gosta de o ver em registo de mistério, “Sugar” oferece o prato principal já a partir de sexta. Para quem só pensa em Gotham, fica a garantia de que o Pinguim não desapareceu, mesmo que desta vez passe pouco tempo em cena.
Angelina Jolie chama “Couture” ao único filme que, segundo ela, não lhe parece um filme. A frase explica-se quando se percebe o que a personagem atravessa e o que a atriz já atravessou na vida real. Realizado e escrito por Alice Winocour, no seu primeiro trabalho em inglês depois de “Proxima”, o drama estreou-se em Toronto no ano passado, passou por San Sebastián e Roma, saiu em França em Fevereiro e chega aos cinemas norte-americanos a 26 de Junho pela Vertical. A estreia portuguesa ainda não está marcada.
Jolie interpreta Maxine Walker, uma realizadora americana de cinema de terror independente, sofisticada e algo sombria, que é chamada a Paris para dirigir um projeto durante a Semana da Moda. No meio da azáfama dos desfiles, recebe um diagnóstico de cancro da mama. À volta dela cruzam-se outras duas mulheres que sustentam o filme como um mosaico de destinos, uma jovem modelo sul-sudanesa que entra pela primeira vez naquele mundo, interpretada pela estreante Anyier Anei, e uma maquilhadora que escreve umas memórias que lhe dizem não terem saída comercial, vivida por Ella Rumpf. Louis Garrel é o diretor de fotografia por quem Maxine se deixa envolver, Garance Marillier é a costureira e Vincent Lindon o médico que acompanha o caso.
O que separa “Couture” de tantos dramas sobre doença é a distância que o filme mantém do melodrama. Winocour escolhe um registo quase neorrealista, em que a moda continua a girar, indiferente, enquanto o chão se abre debaixo da protagonista. A crítica dividiu-se quanto ao conjunto, alguns acharam que as várias linhas narrativas não chegam a encaixar, mas há um ponto em que praticamente todos concordam, a interpretação de Jolie. O Screen Daily falou de uma força capaz de dobrar o filme à sua volta.
A razão dessa intensidade não é segredo. Jolie, hoje com cinquenta anos, fez uma mastectomia preventiva em 2013 depois de descobrir ser portadora da mutação BRCA1. A mãe, Marcheline Bertrand, morreu em 2007 de cancro do ovário e da mama, e a tia e a avó também morreram da doença. Para uma cena em que se sentia particularmente vulnerável, a atriz pediu para usar um colar que tinha sido da mãe. Não é todos os dias que o gesto privado de uma atriz entra desta forma dentro de uma personagem.
O filme funciona, por isso, em dois planos ao mesmo tempo. Há o retrato do mundo da moda, com a sua superfície brilhante e o seu vazio, e há a história de uma mulher que tem de continuar a trabalhar enquanto processa a notícia que mudou tudo. O divórcio em que Maxine também se encontra acrescenta peso a um percurso que já estava carregado. Winocour não tenta resolver a tensão entre os dois planos, e talvez seja esse o ponto, uma crise destas chega quando menos se espera, no meio de um dia de trabalho como outro qualquer.
Para o público português, “Couture” interessa por duas razões. A primeira é óbvia, Jolie continua a ser um dos nomes que mais mexem com a curiosidade do espectador, e este é um regresso a um papel de protagonista com substância dramática. A segunda é que se trata de um filme europeu, falado em francês e inglês, com uma realizadora que já provou saber filmar mulheres em situações limite. Quando chegar às salas cá, será dos títulos a vigiar.
A segunda temporada de Turno de Loucos estreia na próxima quinta-feira, 18 de Junho, às 21h00, no STAR Comedy — com emissão de segunda a sexta-feira à mesma hora. É o regresso de uma das comédias hospitalares mais bem recebidas dos últimos anos, nomeada para três Critics Choice Awards na primeira temporada.
Turno de Loucos — título português de St. Denis Medical — acompanha o dia-a-dia de um serviço de urgências no Oregon com poucos recursos e muita dedicação. A série funciona porque recusa fazer dos médicos e enfermeiros heróis sem falhas: são pessoas com os seus problemas, as suas birras e o seu esgotamento a tentar não perder a paciência num hospital permanentemente sobrecarregado. É o Scrubs para a geração que cresceu a ver Abbott Elementary.
A segunda temporada começa com Alex recém-promovida a enfermeira supervisora — um novo papel que traz novas tensões com a chefe Joyce, que continua obcecada com transformar o St. Denis num centro médico de renome internacional. O Dr. Ron continua a ser o homem que já fez de tudo, já viu de tudo e está praticamente farto de tudo. E Matt e Serena têm de reavaliar a relação profissional depois dos eventos do final da primeira temporada.
O primeiro episódio da nova temporada tem três convidados especiais: Draymond Green — o basquetebolista dos Golden State Warriors com uma carreira paralela em televisão e podcasts —, Lauren Lapkus e Tim Baltz. É o tipo de casting de convidados que sinaliza que a série ganhou visibilidade suficiente para atrair nomes que não precisam de aparecer.
Quinta-feira, 18 de Junho, às 21h00, STAR Comedy. Emissão de segunda a sexta-feira à mesma hora.
A Fox fechou um acordo de 22 mil milhões de dólares para adquirir o Roku, ficando assim com dois dos maiores serviços de streaming gratuito com publicidade do mundo.
O Roku tem mais de 90 milhões de contas activas nos Estados Unidos e é a plataforma de streaming gratuito mais usada no país. A Tubi, que a Fox já possuía, tem mais de 80 milhões de utilizadores mensais. Juntos, os dois serviços formam o maior ecossistema de streaming gratuito com publicidade do mundo ocidental — numa altura em que o mercado de streaming está a consolidar-se à volta de dois modelos: subscrição paga (Netflix, Disney+, Max) e streaming gratuito com anúncios.
Para o espectador português, o impacto imediato é limitado — o Roku e o Tubi têm pouca presença directa em Portugal. Mas a decisão estratégica da Fox diz algo sobre para onde o mercado está a ir: o streaming gratuito com publicidade vai crescer à medida que os preços das subscrições continuam a subir e os consumidores procuram alternativas. É um modelo que em Portugal ainda está nos primeiros passos mas que nos próximos anos vai inevitavelmente chegar com mais força.
“Podemos criar isto juntos como fãs”, disse Nicolas Cage numa conversa sobre a possibilidade de uma segunda temporada de Spider-Noir, a série do Prime Video que estreou a 26 de Maio com 91% no Rotten Tomatoes.
A declaração é ao mesmo tempo um apelo e uma estratégia: Cage sabe que a decisão de renovar está nas mãos da Amazon, não nos seus, e que o argumento mais forte para a renovação é a pressão dos fãs. A série teve uma recepção crítica e de público extraordinária — o Prime Video ainda não divulgou números de audiência mas as reacções nas redes sociais foram consistentemente entusiastas durante as semanas que se seguiram à estreia.
A segunda temporada teria desafios criativos consideráveis: o primeiro ciclo de Spider-Noir contou uma história com início, meio e fim, e expandir o universo sem repetir o que já foi feito vai exigir uma visão clara. Cage disse que tem ideias — mas que as guarda para si até a Amazon tomar uma decisão. É o tipo de suspense que os fãs da série vão certamente apreciar. Spider-Noir está disponível no Prime Video em Portugal.
Perrie Edwards e Alex Oxlade-Chamberlain casaram numa cerimónia privada, confirmada esta semana. Edwards, de 33 anos, é conhecida como membro das Little Mix — o grupo britânico que durante uma década foi a boyband feminina mais bem sucedida do Reino Unido — e como a ex-noiva de Zayn Malik, com quem esteve comprometida antes de o relacionamento terminar em 2015. Oxlade-Chamberlain, futebolista internacional inglês que jogou no Arsenal, Liverpool e Celtic, está com Edwards desde 2016.
O casal tem um filho, Axel, nascido em 2021, e manteve a relação com uma privacidade considerável ao longo dos anos — ao contrário de outros casais do mundo do entretenimento britânico, raramente alimentaram as redes sociais com a vida doméstica. O casamento, segundo fontes citadas pelo E!, foi uma cerimónia pequena, com família e amigos próximos, sem fotografias publicadas nas redes sociais.
As Little Mix — Edwards, Jade Thirlwall e Leigh-Anne Pinnock — anunciaram o regresso em 2025 após um hiato de vários anos. O casamento de Edwards chega num momento em que o grupo está novamente activo, com um álbum novo em preparação e datas de digressão confirmadas para 2027.
Millie Bobby Brown e Jake Bongiovi adoptaram uma bebé no verão de 2025 e estão a planear ter mais filhos. A notícia, confirmada esta semana, é a primeira vez que o casal fala abertamente sobre a adopção — uma decisão que tomaram com uma discrição que poucos conseguem manter durante tanto tempo.
Brown tem 22 anos. Bongiovi, filho de Jon Bon Jovi, tem 23. Casaram em Maio de 2024 numa cerimónia privada em Florença, Itália, depois de um noivado que durara dois anos. A decisão de adoptar antes de terem filhos biológicos foi descrita por fontes próximas do casal como algo que sempre esteve nos planos — não como alternativa mas como primeira escolha.
Para o público português que a conhece como Eleven em Stranger Things — onde a série acompanhou o crescimento da actriz de criança a adulta jovem ao longo de quatro temporadas — é um momento que encerra um ciclo de uma forma muito concreta: a miúda com poderes telecinéticos que salvou Hawkins do Mundo Invertido é agora mãe. O tempo passou mesmo.
A Morte de Robin Hood teve a sua pré-estreia mundial no 73.º Festival de Cinema de Sydney a 12 de Junho, quatro dias antes de chegar aos cinemas em todo o mundo. O filme ganhou um prémio significativo no festival, aumentando a confiança da indústria e a antecipação do público para a estreia de 19 de Junho.
Michael Sarnoski sabe que a sua versão de Robin Hood vai surpreender quem vai ao cinema com expectativas de épico: “As pessoas vão assumir que este foi um grande épico, mas foi um filme independente.” É exactamente essa tensão — entre a lenda de escala épica e o filme íntimo e brutal que Sarnoski queria fazer — que torna A Morte de Robin Hood num dos títulos mais interessantes do verão. O Rotten Tomatoes está nos 72% após as primeiras críticas do Sydney Film Festival.
Hugh Jackman é Robin Hood envelhecido e ferido. Jodie Comer é a mulher misteriosa que o recebe. Bill Skarsgård é Little John. A música é de Jim Ghedi. A distribuição é da A24. As filmagens decorreram quase inteiramente na Irlanda do Norte. Em Portugal, estreia a 19 de Junho — quinta-feira desta semana.
Disclosure Day de Steven Spielberg abriu com 44 milhões de dólares nos Estados Unidos e 93 milhões globalmente no primeiro fim de semana, superando todas as previsões iniciais de 35 milhões.
É o maior arranque de Spielberg desde Ready Player One em 2018 — e o sinal mais claro de que o realizador de 79 anos continua a ser uma das forças mais consistentes do cinema de entretenimento. O público americano deu-lhe um CinemaScore de A, confirmando que a combinação de Emily Blunt, Josh O’Connor, Colin Firth e uma história sobre OVNIs funcionou muito além do que os críticos — que foram mais cautelosos — tinham sugerido.
Em simultâneo, Obsession está a aproximar-se dos 300 milhões de dólares globais, superando The Blair Witch Projectcomo a maior aquisição de festival de cinema de terror da história. É um fim de semana que confirma duas coisas: o cinema de grande escala com realizadores de prestígio ainda atrai público, e o terror de baixo orçamento com a fórmula certa continua a ser o negócio mais seguro de Hollywood.
O Dia da Revelação está em cartaz nos cinemas portugueses desde a semana passada.
O Dia D é uma das histórias mais contadas do cinema de guerra. As praias da Normandia, os soldados a desembarcar sob fogo, o sacrifício que definiu o rumo da Segunda Guerra Mundial — são imagens que toda a gente conhece. Dia D: Sob Pressão conta outra coisa: o que aconteceu nas 72 horas antes. Quem decidiu avançar, com que informação, e sob que pressão impossível. Estreia a 25 de Junho nos cinemas portugueses, com distribuição NOS Audiovisuais.
O General Dwight D. Eisenhower, Comandante Supremo das Forças Aliadas, e o Capitão James Stagg, o meteorologista escocês que lhe disse o que o tempo ia fazer — e cuja previsão foi provavelmente a mais consequente da história da humanidade. Eisenhower precisava de condições específicas: lua cheia para os paraquedistas, maré baixa ao amanhecer para as praias, céu suficientemente claro para a cobertura aérea. Stagg tinha dados contraditórios, pressão de todos os lados e uma janela de 48 horas que identificou no meio de um sistema de tempestades que punha toda a gente em dúvida. Eisenhower acreditou nele. O resto é história.
Andrew Scott interpreta Stagg — o actor de Ripley, Fleabag e All of Us Strangers num papel que exige a contenção de alguém que sabe que tem razão mas não pode provar. Brendan Fraser, Óscar de Melhor Actor por The Whale, é Eisenhower. Kerry Condon, Damian Lewis e Chris Messina completam o elenco. Anthony Maras realiza — o mesmo de Hotel Mumbai, onde mostrou uma capacidade rara para construir tensão a partir de acontecimentos históricos reais sem perder a dimensão humana dos intervenientes.
O filme é baseado na peça homónima de David Haig — que estreou em Londres em 2013 e que Haig, que interpretou Stagg nos palcos durante anos, co-escreveu para o cinema. É o tipo de origem que garante fidelidade ao material e profundidade às personagens. E é também o tipo de filme que raramente o cinema de guerra produz: não há batalhas, não há heróis a correr sob fogo, não há glória visual. Há dois homens numa sala a tomar a decisão mais importante do século XX com informação incompleta e tempo a esgotar-se.
John Carney tem uma forma muito específica de fazer filmes sobre música: não como espectáculo, mas como linguagem. Once (2007) era sobre dois músicos de rua em Dublin a escreverem canções para curar o coração partido. Sing Street(2016) era sobre um adolescente que formou uma banda para impressionar uma rapariga e descobriu pelo caminho quem queria ser. Letras Roubadas segue o mesmo fio — uma história sobre pessoas que encontram na música algo que não conseguem encontrar noutro lado — mas com um conflito no centro que os filmes anteriores de Carney nunca tinham explorado: o que acontece quando a música se torna num campo de batalha entre dois homens com histórias e ambições muito diferentes.
Rick (Paul Rudd) é um cantor de casamentos cuja carreira conheceu melhores dias. Danny (Nick Jonas) é uma antiga estrela de uma boyband em declínio. Os dois cruzam-se durante uma actuação, criam uma ligação através da música e passam uma noite inteira a improvisar juntos. É o tipo de encontro que os dois precisavam — e que nenhum dos dois esperava. Mas quando Danny transforma uma das canções de Rick no êxito que relança a sua carreira sem o creditar, Rick decide recuperar o reconhecimento que acredita merecer. Mesmo que isso signifique arriscar a amizade, a música e tudo o que mais valoriza.
Rudd é um dos actores mais versáteis da sua geração — capaz de ir de Ant-Man a Ghostbusters sem perder o timing cómico que o torna inconfundível, e com uma capacidade de vulnerabilidade que comédias dramáticas como esta exploram melhor do que qualquer blockbuster. Nick Jonas, que cresceu nos Jonas Brothers e construiu depois uma carreira a solo com resultados sólidos, tem aqui a oportunidade de habitar uma personagem que o espelha de formas que o argumentista certamente não escolheu por acidente.
Letras Roubadas estreia a 2 de Julho nos cinemas portugueses, com distribuição NOS Audiovisuais.
O trailer de Playback chegou hoje — e é a primeira vez que vemos Rafael Ferreira como Carlos Paião em movimento, a cantar, a compor, a habitar o universo de um dos maiores génios da música popular portuguesa. O biopic de Sérgio Graciano estreia a 6 de Agosto nos cinemas nacionais, com distribuição NOS Audiovisuais, e o que as primeiras imagens revelam é um filme que não se contenta em recontar uma biografia mas que mergulha no universo criativo do homem por detrás das canções.
Carlos Paião estudava Medicina quando percebeu que a música era o único lugar onde verdadeiramente respirava. Num Portugal ainda a descobrir novos sons, arriscou trocar a segurança de uma bata branca pela incerteza dos palcos — e criou uma obra que trinta anos depois ainda é parte da memória colectiva do país. “Playback”, “Computador de Palmo e Meio”, “Néon” — são canções que toda uma geração conhece sem saber necessariamente o nome do autor. O filme de Graciano quer mudar isso.
Ferreira lidera um elenco que inclui Laura Dutra, Rita Durão, António Mortágua, Anabela Moreira e Albano Jerónimo. O mesmo Ferreira que vai levar as canções ao palco do NOS Alive a 10 e 11 de Julho, no espectáculo Playback — Paião por Tigerman, com The Legendary Tigerman a assinar a recriação musical do universo sonoro do filme.
O trailer está disponível no canal da NOS Audiovisuais no YouTube.
Esta sexta-feira, 19 de Junho, às 21h30, o TVCine Top e TVCine+ estreiam Um Lugar Silencioso: Dia Um — a prequela da saga de John Krasinski que regressa ao início de tudo: o momento em que as criaturas chegaram à Terra e transformaram o mundo num lugar onde o silêncio é a única forma de sobrevivência.
Michael Sarnoski — o realizador de Pig: A Viagem de Rob, um dos filmes mais surpreendentes de 2021 — expandiu o universo da saga com uma abordagem deliberadamente diferente dos dois filmes anteriores. Em vez de uma família isolada a tentar sobreviver no campo, temos Nova Iorque em colapso total nas primeiras horas da invasão. A escala é outra. O caos é outro. E a protagonista é Samira (Lupita Nyong’o), uma mulher que se encontra no meio da cidade quando tudo começa a desmoronar — e que cruza com Eric (Joseph Quinn) numa jornada dominada pelo medo e pela tentativa desesperada de preservar algum sentido de humanidade no meio da destruição.
Nyong’o foi destacada unanimemente pela crítica como o coração do filme — uma performance emocional que ancora o espectáculo apocalíptico numa história pessoal com peso real. É o blockbuster que prova que Michael Sarnoski é um realizador capaz de trabalhar a qualquer escala sem perder o que torna o seu cinema específico: a atenção às pessoas dentro das situações impossíveis. Esta sexta-feira, às 21h30, TVCine Top e TVCine+.