“The Bear” serve o último prato: a quinta e final temporada chega a 25 de Junho

A série que transformou o stress de uma cozinha em televisão premiada está a chegar ao fim. “The Bear” estreia a quinta e última temporada a 25 de Junho, na FX e no Hulu nos Estados Unidos, e internacionalmente no Disney+, o que abrange Portugal. Como manda a tradição da série, os oito episódios ficam disponíveis de uma só vez, sem a espera semanal a que outras produções obrigam.

São dois episódios a menos do que nas três temporadas anteriores, um número que aproxima esta despedida da primeira temporada, igualmente curta e igualmente intensa. A FX confirmou em Maio que este seria o ponto final, embora Jamie Lee Curtis, que faz parte do elenco recorrente, já tivesse deixado escapar a notícia uns meses antes, convencida de que toda a gente já sabia.

A temporada arranca na manhã seguinte ao momento que fechou a anterior, quando Sydney, interpretada por Ayo Edebiri, Richie, vivido por Ebon Moss-Bachrach, e Natalie, a Sugar de Abby Elliott, descobrem que Carmy, o chef atormentado de Jeremy Allen White, decidiu abandonar a indústria e deixar-lhes o restaurante nas mãos. O cenário não podia ser mais adverso. Sem dinheiro, com a ameaça de venda do edifício a pairar e uma tempestade torrencial a complicar tudo, a equipa tem de se unir para conseguir um último serviço, na esperança de finalmente alcançar a estrela Michelin que sempre perseguiu. A síntese que a própria série propõe é simples e tocante, talvez o que torna um restaurante perfeito não seja a comida, mas as pessoas.

Criada por Christopher Storer, “The Bear” estreou-se em 2022 e cresceu pelo boca a boca até se tornar um dos maiores sucessos críticos da televisão recente. A primeira temporada arrecadou dez Emmys, incluindo o de melhor série de comédia, e a segunda repetiu a proeza com onze. Pelo caminho lançou Jeremy Allen White como protagonista de primeira linha e consolidou um elenco que inclui ainda Lionel Boyce, Liza Colón-Zayas, Matty Matheson, Oliver Platt, Will Poulter e a já referida Jamie Lee Curtis.

Antes da estreia, a série pregou uma partida aos fãs com o lançamento surpresa de “Gary”, um episódio em flashback centrado em Richie e Mikey, o personagem de Jon Bernthal, numa viagem de trabalho à cidade de Gary, no Indiana. Foi uma forma de aquecer o terreno e de lembrar o que faz a série funcionar, a mistura de humor, tensão e emoção dentro de espaços apertados.

Resta saber se Storer consegue dar a esta história o fecho que ela merece. “The Bear” sempre foi tão boa a criar conflitos como a deixá-los em aberto, e há muito em jogo nesta despedida, o futuro do restaurante, o de Carmy e o de uma equipa que se tornou família. A partir de 25 de Junho, no Disney+, fica a saber-se se o último serviço corre como sonhado ou se a cozinha fecha em sobressalto.

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Jeremy Allen White Está em Todo o Lado: De Springsteen a Sorkin, de “The Bear” à Galáxia Muito, Muito Distante

Jeremy Allen White vive um daqueles períodos em que um actor parece multiplicar-se em várias frentes ao mesmo tempo — e todas elas de alto nível. Com The Bear prestes a regressar ao estúdio, uma transformação intensa para interpretar Bruce Springsteen, uma participação no universo Star Wars e um papel central no novo filme de Aaron Sorkin, o actor norte-americano atravessa talvez a fase mais rica da sua carreira.

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White recebeu a Variety para uma longa conversa e, no meio de pratos para cozinhar no Dia de Acção de Graças e reflexões pessoais, deixou um conjunto de revelações particularmente saborosas para quem acompanha cinema e televisão com atenção. No centro da entrevista, estão três projectos que prometem dominar a conversa nos próximos meses: Deliver Me From NowhereThe Social Reckoning e The Mandalorian & Grogu.

A metamorfose em Bruce Springsteen — sem próteses, sem truques

No papel de Bruce Springsteen no filme Deliver Me From Nowhere, Jeremy Allen White atirou-se de cabeça a um dos maiores desafios da sua carreira. Não quis parecer, mas ser — uma abordagem que o fez recusar a tentação inicial de próteses, incluindo uma possível adaptação dentária que replicaria o ligeiro prognatismo do músico.

O actor procurou fazer o caminho de dentro para fora, mergulhando no momento emocionalmente turbulento que marcou a criação de Nebraska, o álbum mais cru e solitário de Springsteen. O resultado impressionou até o próprio Boss, que chegou a confundir a gravação de White com a sua voz real ao ouvir Mansion on a Hill. Quando o próprio Springsteen diz: “Estás a soarem-te a mim, mas não estás a imitar-me”, é porque algo verdadeiramente especial aconteceu.

White descreve o processo como extenuante, profundamente emocional e totalmente destituído de autocomplacência: “Nunca senti que o tinha ‘apanhado’. Nunca fui para casa a pensar isso”. O peso emocional do papel manteve-o sempre num estado de vulnerabilidade, como se estivesse a habitar o próprio vórtice interior em que Springsteen mergulhou nos anos 80.

Aaron Sorkin convence-o a enfrentar outra figura real

Mal terminou a metamorfose para interpretar Springsteen, White hesitou em aceitar outro papel biográfico. Mas Aaron Sorkin é, compreensivelmente, difícil de recusar. Em The Social Reckoning, continuação espiritual de The Social Network, White interpreta Jeff Horwitz, o jornalista do Wall Street Journal que tem investigado a Meta e Mark Zuckerberg — papel que ficará a cargo de Jeremy Strong.

Sorkin deixou claro desde o início que White não precisava de copiar maneirismos ou aparência de Horwitz. Esta versão é “a história de Sorkin”, baseada na sua leitura dos factos e das figuras envolvidas. Para White, isso significou um raro alívio emocional: “Foi bom não ter de carregar um peso tão grande. Bastava ser fiel ao texto.”

E quem conhece Sorkin sabe: fidelidade ao texto significa ritmo, precisão e diálogo em estado puro.

Do caos da cozinha para o estúdio: “The Bear” regressa já em Janeiro

Uma das notícias mais directas da entrevista: as filmagens da 5.ª temporada de The Bear começam a 5 de Janeiro. White afirma sentir-se mais ligado a Carmy do que alguma vez se sentiu ao seu personagem em Shameless, onde admite que, após algumas temporadas, chegou a entrar num modo quase automático. Com The Bear, garante, isso não acontece. A relação criativa com Christopher Storer mantém-no alerta e emocionalmente envolvido.

A pressão, diz ele, é inevitável. Mas o perigo é sempre maior quando um actor acha que já descobriu tudo. Em Carmy, continua a encontrar novos conflitos, novos medos e novas formas de inquietação — o verdadeiro combustível da série.

Jabba the Hutt… tem um filho. E Jeremy Allen White dá-lhe voz.

Sim, leu bem. No filme The Mandalorian & Grogu, White dá voz a Rotta, o inesperado rebento de Jabba the Hutt. Foi Jon Favreau quem o convidou directamente, num telefonema tão inesperado quanto irresistível. “Sempre admirei o trabalho do Jon”, diz o actor. E, pela primeira vez, aceitou um projecto que as filhas poderão ver.

White confessa que nunca tinha feito dobragem e que Favreau acabou por ajustar a voz para encontrar o equilíbrio certo. Rotta permanece envolto em mistério, mas o actor admite que há partes de si no personagem — e é tudo o que se atreve a dizer.

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Jeremy Allen White está, portanto, na encruzilhada perfeita entre prestígio, risco e relevância. Seja a viver a dor silenciosa de Springsteen, a navegar o moralismo tecnológico de Sorkin, a lutar interiormente com Carmy ou a habitar a estranha família Hutt, a verdade é esta: poucos actores estão, neste momento, a escolher projectos tão variados, exigentes… e deliciosamente imprevisíveis.