Um dos filmes mais aclamados da temporada de prémios de 2025 chega finalmente à televisão portuguesa. “O Brutalista”, de Brady Corbet, estreia sexta-feira, dia 11 de setembro, às 21h30, no TVCine Top, com disponibilidade em streaming logo a seguir no TVCine+, trazendo consigo um currículo de prémios que poucos filmes conseguem igualar: três Óscares, incluindo Melhor Ator para Adrien Brody, e o Leão de Prata de Melhor Realização no Festival de Veneza, onde tinha estreado em 2024 com uma ovação de doze minutos.
O filme acompanha László Tóth, arquiteto judeu húngaro que, depois de sobreviver aos horrores da Segunda Guerra Mundial, emigra com a mulher Erzsébet (Felicity Jones) para os Estados Unidos, fugindo à pobreza e à devastação de uma Europa em ruínas. Ao longo de quatro décadas, o filme acompanha a tentativa de Tóth construir não só uma carreira num país que o fascina e o desafia em igual medida, mas também uma identidade inteiramente nova, longe do trauma que carrega. Os seus projetos monumentais em betão, a marca visual mais reconhecível do filme, tornam-se assim tanto um símbolo de ambição e reinvenção como um reflexo dos fantasmas que insiste em não conseguir deixar completamente para trás, sobretudo à medida que a sua relação com o rico mecenas americano que financia o seu trabalho, interpretado por Guy Pearce, se revela cada vez mais tóxica e desigual.
Vale a pena esclarecer, para quem for ver o filme pela primeira vez, que László Tóth é uma personagem inteiramente fictícia, uma amálgama de vários arquitetos reais do século XX que trabalharam sobretudo com o género brutalista, entre eles Marcel Breuer, László Moholy-Nagy e Louis Kahn. O nome escolhido gerou alguma curiosidade entre cinéfilos mais atentos à história da arte, já que existiu um László Tóth real, geólogo húngaro que em 1972 vandalizou a “Pietà” de Michelangelo no Vaticano, alegando ser Jesus Cristo. Os realizadores já esclareceram não existir qualquer ligação intencional entre as duas figuras, mas a ironia não deixa de ser notada por muitos: enquanto o Tóth real destruiu uma obra-prima, o Tóth fictício dedica a vida a construir as suas próprias.
“O Brutalista” tornou-se também um dos filmes mais discutidos da temporada de prémios por razões que pouco têm que ver com a sua qualidade artística, amplamente reconhecida pela crítica: a revelação, feita pelo próprio editor húngaro do filme, Dávid Jancsó, de que tecnologia de inteligência artificial tinha sido usada para refinar pontualmente a pronúncia húngara de Adrien Brody e Felicity Jones em determinadas falas no idioma original, através da ferramenta Respeecher. Importa sublinhar que a tecnologia foi aplicada exclusivamente às falas em húngaro, para aperfeiçoar vogais e consoantes específicas, e que todas as falas em inglês permaneceram exatamente como gravadas no set, sem qualquer intervenção digital. Ainda assim, a revelação gerou um debate intenso sobre transparência e ética no uso de inteligência artificial na interpretação, sem que isso, no entanto, tenha impedido Brody de arrecadar o seu segundo Óscar de Melhor Ator, mais de vinte anos depois de “O Pianista”.
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Realizado por Brady Corbet, um dos nomes mais promissores da sua geração de cineastas americanos, com um currículo que já incluía “The Childhood of a Leader” e “Vox Lux”, “O Brutalista” consolidou-se como uma referência incontornável do cinema de autor da década, um épico ambicioso sobre imigração, arte, trauma e a promessa, sempre incerta, do sonho americano. Com um elenco encabeçado por Adrien Brody, Felicity Jones e Guy Pearce, e uma banda sonora original premiada com o Óscar da autoria de Daniel Blumberg, esta é seguramente uma das estreias televisivas mais relevantes do mês de setembro.



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