Um dos títulos mais aclamados da filmografia de Hayao Miyazaki está de volta às salas de cinema, ainda que, para já, apenas do outro lado do Atlântico. “A Princesa Mononoke”, restaurada em 4K, integra a edição de 2026 do Studio Ghibli Fest, o evento anual organizado pela GKIDS e pela Fathom Entertainment que leva os clássicos do estúdio japonês de volta ao grande ecrã em salas AMC e outras cadeias norte-americanas, com sessões marcadas entre 26 e 30 de setembro, incluindo versões dobradas e legendadas em inglês.
Lançado originalmente em 1997, “A Princesa Mononoke” é frequentemente apontado por críticos e fãs como o momento em que Miyazaki e o Studio Ghibli consolidaram definitivamente a sua reputação internacional, ainda antes do triunfo global de “A Viagem de Chihiro” em 2001. Ambientado no Japão feudal, o filme acompanha o jovem príncipe Ashitaka, amaldiçoado após defender a sua aldeia de um deus javali corrompido pelo ódio, numa jornada que o leva a envolver-se num conflito entre os espíritos da floresta, liderados pela guerreira criada pelos lobos San (a “princesa” do título), e os habitantes de uma cidade mineira empenhados em explorar os recursos naturais da região a qualquer custo. É um dos filmes mais adultos e visualmente ambiciosos de Miyazaki, recusando deliberadamente uma leitura simplista de heróis e vilões em favor de um retrato muito mais complexo sobre a relação entre progresso industrial e destruição ambiental, um tema que, quase três décadas depois, perdeu muito pouco da sua urgência.
A versão dobrada em inglês, produzida na altura pela Miramax sob supervisão de Neil Gaiman, reúne um elenco de peso que inclui Claire Danes como San, Billy Crudup como Ashitaka, Minnie Driver, Gillian Anderson, Billy Bob Thornton e Keith David, um investimento em estrelas de Hollywood que, à época, refletia a aposta pouco habitual da distribuidora norte-americana em posicionar a animação japonesa como um produto de prestígio para além do nicho habitual de fãs de anime.
Para quem está em Portugal e não vai conseguir apanhar nenhuma das sessões norte-americanas do Studio Ghibli Fest, a boa notícia é que “A Princesa Mononoke” está atualmente disponível na Netflix Portugal, que detém desde há alguns anos os direitos de streaming de boa parte do catálogo do Studio Ghibli fora do Japão, incluindo praticamente todos os grandes clássicos de Miyazaki. Ainda assim, para os fãs mais dedicados, a experiência de ver um filme deste calibre visual, com a sua animação tradicional meticulosamente detalhada, numa sala de cinema em vez de um ecrã doméstico, continua a ser uma proposta bem diferente, e a ausência de eventos equivalentes ao Studio Ghibli Fest em salas portuguesas continua a ser uma lacuna que os fãs nacionais do estúdio japonês frequentemente lamentam.
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O Studio Ghibli Fest 2026 já tinha trazido este ano outros títulos do catálogo do estúdio de volta às salas norte-americanas, e a inclusão de “A Princesa Mononoke” no calendário de setembro, precisamente na época em que o outono começa a instalar-se no hemisfério norte, parece uma escolha deliberada: poucos filmes captam tão bem a atmosfera de floresta antiga e mistério natural que este período do ano evoca, tornando esta reposição um convite quase perfeito para uma redescoberta sazonal de uma das obras mais duradouras da animação japonesa.



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