“Ink”, o novo filme de Danny Boyle, teve a sua estreia mundial ontem, dia 2 de setembro, como filme de abertura, fora de competição, do Festival de Veneza, antes de chegar aos cinemas em exibição limitada a 11 de dezembro e à Netflix, nos Estados Unidos e na América Latina, a 8 de janeiro. O filme reconstrói um dos capítulos mais decisivos da carreira de Rupert Murdoch: o momento, em 1969, em que o magnata australiano adquiriu o jornal britânico The Sun, então em declínio, e o transformou, ao lado do editor Larry Lamb, num dos tabloides mais influentes e mais provocadores da história da imprensa britânica.
Guy Pearce interpreta Murdoch, uma escolha de casting que gerou considerável curiosidade mediática nas últimas semanas, sobretudo depois de o próprio ator ter revelado, em declarações recentes à imprensa, que o verdadeiro Rupert Murdoch, hoje com mais de noventa anos, estaria “muito feliz” com a forma como foi escolhido para o representar. Jack O’Connell interpreta Larry Lamb, o editor que Murdoch recruta para reinventar o jornal, enquanto Claire Foy dá corpo a Jules Davies, uma personagem que a produção descreve como uma amálgama das várias mulheres executivas que, na vida real, trabalharam no The Sun durante esta fase de transformação editorial radical.
O argumento é assinado por James Graham, que adapta a sua própria peça de teatro homónima, estreada em 2017 em Londres e depois na Broadway, e que rendeu ao ator Bertie Carvel os prémios Olivier e Tony pela interpretação de Murdoch no palco. Trazer “Ink” para o cinema, sob a realização de Danny Boyle, um dos nomes mais versáteis e mais premiados do cinema britânico contemporâneo, representa uma escala de produção muito superior à do espetáculo teatral original, permitindo reconstruir com maior amplitude visual a Londres do final dos anos 60 e o ambiente febril das redações que definiram a chamada “era de ouro” do tabloide britânico.
A escolha de “Ink” para abrir o Festival de Veneza, numa noite que ficou também marcada pela entrega do Leão de Ouro de carreira a George Clooney, confirma a ambição do festival italiano em reunir, logo na sessão inaugural, um elenco de peso internacional: além dos protagonistas, o tapete vermelho contou ainda com a presença de nomes como Werner Herzog, Laura Dern, Zazie Beetz, Jonathan Bailey e Nicholas Galitzine, entre outros convidados de destaque.
Para quem acompanha com interesse a forma como o cinema tem vindo a retratar a ascensão dos grandes impérios mediáticos contemporâneos, “Ink” promete ser um dos títulos mais discutidos da temporada de outono, muito antes sequer de chegar às salas de cinema.












