Heart of the Beast”: o reencontro de Brad Pitt com David Ayer, doze anos depois de “Fury”, chega aos cinemas a 24 de setembro

Faltam menos de duas semanas para “Heart of the Beast: Heróis Inseparáveis” chegar aos cinemas portugueses, a 24 de setembro, um dia antes da estreia nos Estados Unidos através da Paramount Pictures, e os bastidores que têm vindo a público sugerem que o filme está longe de ser um simples thriller de sobrevivência genérico. Trata-se, antes de mais, do reencontro entre Brad Pitt e o realizador David Ayer, doze anos depois de “Fury” (2014), o drama bélico que os tinha unido pela primeira vez, e que agora regressam com uma proposta radicalmente diferente: um homem, um cão, e a natureza selvagem do Alasca como o verdadeiro antagonista da história.

Um dos detalhes mais reveladores sobre a produção, entretanto confirmado pelo próprio Pitt, é que o ator passou cerca de 95% do tempo de rodagem a contracenar diretamente com um cão verdadeiro, em vez de recorrer a efeitos digitais ou a um animal robótico, uma escolha que Ayer descreveu como um dos desafios mais exigentes de toda a sua carreira como realizador. O papel de Odin, o cão de combate reformado que acompanha a personagem de Pitt, o oficial das Forças Especiais James Belmont, ficou a cargo de um pastor-alemão chamado Uber, com três dos seus próprios descendentes reais, Seeka, Ryker e Hondo, a servirem de duplos ao longo das filmagens. Pitt chegou a assumir publicamente que se sentiu, em determinados momentos, mais como o “ator secundário” da produção do que como a estrela principal, obrigado a gerir o comportamento imprevisível do animal, que podia distrair-se com algo tão trivial como uma abelha a voar por perto, sem nunca sair da personagem.

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Apesar de a história se passar no Alasca, a produção decidiu filmar a maior parte das cenas na Ilha Sul da Nova Zelândia, incluindo localizações glaciares remotas de tal forma inacessíveis que a equipa técnica teve de se deslocar de helicóptero, limitada a transportar apenas algumas cargas de equipamento por viagem, uma logística que ajuda a explicar por que motivo Ayer descreveu esta rodagem como uma das mais fisicamente exigentes que já enfrentou. Pitt, por seu lado, descreveu a sua personagem como “uma alma assombrada”, e o próprio realizador não hesitou em elogiar publicamente a entrega do ator: “É uma fera. Expôs-se de uma forma vulnerável que nunca tinha visto antes”, afirmou Ayer numa entrevista recente à revista GQ, acrescentando que um comentário recorrente entre quem já viu o filme é precisamente o quão crua, credível e profunda é a interpretação de Pitt.

“Tenzing”: Tom Hiddleston e Willem Dafoe reconstroem a conquista do Evereste de 1953 no filme que abre o Festival de Zurique

O filme já começou também a percorrer o circuito de festivais antes da estreia comercial, tendo sido anunciado como uma das adições ao Festival de San Sebastián, marcando o regresso de Pitt a um certame que já visitou anteriormente, um movimento estratégico que sugere que a Paramount está a apostar em “Heart of the Beast” não apenas como um produto de entretenimento de género, mas também como uma peça com alguma ambição de reconhecimento crítico, à boleia das comparações que já começaram a surgir com “O Renascido”, de Alejandro González Iñárritu, o filme que rendeu a Leonardo DiCaprio o seu primeiro Óscar.

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Em termos comerciais, as previsões apontam para uma estreia moderada nos Estados Unidos, entre 15 e 25 milhões de dólares no fim de semana de abertura, uma vez que o filme vai competir diretamente contra o relançamento de “Vingadores: Endgame” e a estreia de “Forgotten Island”, da DreamWorks, com Dave Franco e Jenny Slate. Ainda assim, para Pitt, que continua a alternar com sucesso entre grandes produções, como “F1”, e apostas mais pessoais e intimistas como esta, “Heart of the Beast” surge como mais uma prova de versatilidade numa fase da carreira em que o ator parece cada vez mais seletivo, mas também cada vez mais disposto a arriscar fisicamente em papéis exigentes.

“O Brutalista”, vencedor de três Óscares, estreia na televisão portuguesa a 11 de setembro

Um dos filmes mais aclamados da temporada de prémios de 2025 chega finalmente à televisão portuguesa. “O Brutalista”, de Brady Corbet, estreia sexta-feira, dia 11 de setembro, às 21h30, no TVCine Top, com disponibilidade em streaming logo a seguir no TVCine+, trazendo consigo um currículo de prémios que poucos filmes conseguem igualar: três Óscares, incluindo Melhor Ator para Adrien Brody, e o Leão de Prata de Melhor Realização no Festival de Veneza, onde tinha estreado em 2024 com uma ovação de doze minutos.

O filme acompanha László Tóth, arquiteto judeu húngaro que, depois de sobreviver aos horrores da Segunda Guerra Mundial, emigra com a mulher Erzsébet (Felicity Jones) para os Estados Unidos, fugindo à pobreza e à devastação de uma Europa em ruínas. Ao longo de quatro décadas, o filme acompanha a tentativa de Tóth construir não só uma carreira num país que o fascina e o desafia em igual medida, mas também uma identidade inteiramente nova, longe do trauma que carrega. Os seus projetos monumentais em betão, a marca visual mais reconhecível do filme, tornam-se assim tanto um símbolo de ambição e reinvenção como um reflexo dos fantasmas que insiste em não conseguir deixar completamente para trás, sobretudo à medida que a sua relação com o rico mecenas americano que financia o seu trabalho, interpretado por Guy Pearce, se revela cada vez mais tóxica e desigual.

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Vale a pena esclarecer, para quem for ver o filme pela primeira vez, que László Tóth é uma personagem inteiramente fictícia, uma amálgama de vários arquitetos reais do século XX que trabalharam sobretudo com o género brutalista, entre eles Marcel Breuer, László Moholy-Nagy e Louis Kahn. O nome escolhido gerou alguma curiosidade entre cinéfilos mais atentos à história da arte, já que existiu um László Tóth real, geólogo húngaro que em 1972 vandalizou a “Pietà” de Michelangelo no Vaticano, alegando ser Jesus Cristo. Os realizadores já esclareceram não existir qualquer ligação intencional entre as duas figuras, mas a ironia não deixa de ser notada por muitos: enquanto o Tóth real destruiu uma obra-prima, o Tóth fictício dedica a vida a construir as suas próprias.

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“O Brutalista” tornou-se também um dos filmes mais discutidos da temporada de prémios por razões que pouco têm que ver com a sua qualidade artística, amplamente reconhecida pela crítica: a revelação, feita pelo próprio editor húngaro do filme, Dávid Jancsó, de que tecnologia de inteligência artificial tinha sido usada para refinar pontualmente a pronúncia húngara de Adrien Brody e Felicity Jones em determinadas falas no idioma original, através da ferramenta Respeecher. Importa sublinhar que a tecnologia foi aplicada exclusivamente às falas em húngaro, para aperfeiçoar vogais e consoantes específicas, e que todas as falas em inglês permaneceram exatamente como gravadas no set, sem qualquer intervenção digital. Ainda assim, a revelação gerou um debate intenso sobre transparência e ética no uso de inteligência artificial na interpretação, sem que isso, no entanto, tenha impedido Brody de arrecadar o seu segundo Óscar de Melhor Ator, mais de vinte anos depois de “O Pianista”.

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Realizado por Brady Corbet, um dos nomes mais promissores da sua geração de cineastas americanos, com um currículo que já incluía “The Childhood of a Leader” e “Vox Lux”, “O Brutalista” consolidou-se como uma referência incontornável do cinema de autor da década, um épico ambicioso sobre imigração, arte, trauma e a promessa, sempre incerta, do sonho americano. Com um elenco encabeçado por Adrien Brody, Felicity Jones e Guy Pearce, e uma banda sonora original premiada com o Óscar da autoria de Daniel Blumberg, esta é seguramente uma das estreias televisivas mais relevantes do mês de setembro.

A NOS Cinemas junta-se à certificação Infinity Vision da Disney, com 19 salas em Portugal e conteúdos exclusivos já em setembro

A ida ao cinema em Portugal está prestes a ganhar um novo selo de qualidade. A NOS Cinemas anunciou esta segunda-feira que as suas salas passam a contar com a certificação Infinity Vision, um programa internacional lançado pela Disney este ano para distinguir as salas de cinema que cumprem os padrões técnicos mais exigentes do mercado, e que dá também acesso a conteúdos adicionais exclusivos da produtora. Numa primeira fase, serão 19 as salas certificadas em Portugal, distribuídas por Lisboa, Porto, Cascais, Almada, Gaia, Matosinhos, Loulé, Coimbra, Oeiras e Leiria.

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O Infinity Vision foi apresentado pela Disney na CinemaCon deste ano como uma nova certificação para salas de grande formato premium, com o objetivo declarado de sinalizar ao público, de forma clara e imediata, quais as salas que oferecem a experiência cinematográfica mais imersiva disponível. Para obter o selo, as salas têm de cumprir requisitos técnicos rigorosos em três frentes: ecrãs de grandes dimensões para garantir maior escala visual, projeção laser que assegura maior brilho, contraste e nitidez de imagem, e sistemas de som imersivo de alta qualidade, com formatos como Dolby Atmos ou DTS:X e um mínimo de 7.1 canais, para uma experiência sonora mais envolvente. Ao contrário de outras certificações do género, a Disney não impõe uma marca específica de equipamento de projeção, permitindo às salas usar tecnologia de fornecedores estabelecidos como a Sony, a Barco ou a Christie Digital Systems, desde que os valores de luminosidade, contraste e uniformidade de imagem definidos pela produtora sejam cumpridos.

O programa tem tido uma adesão global assinalável desde o seu lançamento: segundo dados da própria Disney, mais de 7.500 ecrãs em todo o mundo já se candidataram à certificação, com cerca de 300 salas já certificadas globalmente, incluindo 75 nos Estados Unidos. A entrada da NOS Cinemas nesta rede internacional coloca Portugal entre os mercados que já conseguiram assegurar esta distinção, um sinal do investimento contínuo da operadora portuguesa na qualidade da experiência de sala, num momento em que a concorrência do streaming continua a pressionar as exibidoras a diferenciarem-se justamente pela experiência que só o cinema consegue oferecer.

“Ir ao cinema é uma experiência única, que ganha uma dimensão ainda maior quando podemos viver um filme num grande ecrã, com imagem e som de elevada qualidade”, afirma Nuno Aguiar, diretor da NOS Cinemas, citado no comunicado. “Ter conteúdos adicionais da Disney nestas salas, onde a tecnologia permite desfrutar dos filmes com toda a qualidade para que foram concebidos, permite-nos proporcionar uma experiência ainda mais especial e memorável.”

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Os primeiros conteúdos exclusivos chegam já este mês, associados a dois dos maiores lançamentos da Marvel Studios dos próximos meses. A 25 de setembro, a Disney relança nos cinemas “Vingadores: Endgame”, numa apresentação especial batizada “Avengers Endgame: Encore” que inclui uma introdução personalizada, material adicional e uma cena extra exclusiva às salas IMAX e Infinity Vision, servindo também de antevisão a “Vingadores: Doomsday”, que reúne Robert Downey Jr. de regresso ao universo Marvel, desta vez no papel do vilão Doutor Destino. O filme estreia em Portugal a 17 de dezembro, um dia antes da estreia na maioria dos restantes mercados internacionais, e promete ser um dos maiores acontecimentos cinematográficos do ano, com as salas Infinity Vision a garantir, teoricamente, a experiência mais próxima possível daquela que os próprios realizadores idealizaram para o filme.

Para os espectadores portugueses que queiram já identificar as salas certificadas, a lista inclui, entre outras, o Almada Shopping, Cascais, Norte Shopping, Parque Nascente, Gaia Shopping, Mar Shopping, Coimbra Shopping, Oeiras Shopping, Mar Algarve, Vasco da Gama e Leiria Shopping.

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Gael García Bernal leva “Hombre al Agua” a Veneza ao ritmo de Ricky Martin, que interpreta uma versão de si próprio dentro do próprio filme

O tapete vermelho de Veneza teve, esta semana, um dos seus momentos mais inesperados quando Gael García Bernal e Ricky Martin desceram juntos as escadarias do festival ao som de “María” e “Livin’ la Vida Loca”, aquecendo a plateia antes da estreia mundial de “Hombre al Agua”, a terceira longa-metragem de García Bernal como realizador, apresentada na secção Venice Spotlight, fora da competição principal pelo Leão de Ouro.

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O filme acompanha Camilo, um nadador-salvador cubano interpretado pelo próprio García Bernal, que salva da morte por afogamento Abel, um poderoso empresário mexicano. Grato, Abel leva Camilo para o México, onde este acaba por casar com a filha do empresário, Juana, e ter um filho com ela. Mas a vida aparentemente perfeita de Camilo revela-se rapidamente parte de um plano maquiavélico de manipulação e controlo orquestrado pelo próprio sogro, obrigando o protagonista a desmontar a trama e a retomar o controlo do seu próprio destino antes que tudo desmorone à sua volta.

É precisamente aqui que entra o elemento mais bizarro e mais comentado do filme: Ricky Martin não interpreta uma personagem convencional na trama, mas sim Roby, um ator contratado, dentro da própria ficção, para interpretar Camilo num filme biográfico sobre a vida deste último, um dispositivo de metacinema que a crítica especializada tem descrito como fascinante nalguns momentos e um pouco confuso noutros. É esse jogo de espelhos, entre a história “real” de Camilo e a sua versão dramatizada dentro do próprio filme, interpretada por Ricky Martin, que confere a “Hombre al Agua” o seu tom mais experimental, situando-o claramente dentro da tradição de sátiras latino-americanas sobre classe social e poder, um território que García Bernal já tinha explorado tanto como ator como, mais recentemente, atrás da câmara.

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O elenco reúne ainda Esmeralda Pimentel, Débora Nascimento, Natalia Oreiro, Anna Diaz, Manuel Garcia-Rulfo e Jorge Salinas, um conjunto de nomes que atravessa o cinema mexicano, brasileiro e argentino, reforçando o carácter pan-latino-americano da produção. As primeiras críticas saídas de Veneza descrevem o filme como uma “diversão caótica” que nem sempre consegue equilibrar todas as suas ambições temáticas e formais, mas que se mantém consistentemente entretido graças à energia do elenco e à disposição de García Bernal para experimentar com um registo mais absurdo do que o habitual no seu trabalho como realizador.

Depois da estreia em Veneza, “Hombre al Agua” segue diretamente para o Festival de Toronto, onde terá a sua estreia norte-americana, naquele que é já um percurso de dupla passagem por dois dos festivais mais influentes do circuito internacional, uma estratégia de lançamento que sublinha a ambição comercial e crítica que rodeia este terceiro projeto de García Bernal atrás das câmaras, depois de “Déficit” (2007) e “Chicuarotes” (2019).

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“Tenzing”: Tom Hiddleston e Willem Dafoe reconstroem a conquista do Evereste de 1953 no filme que abre o Festival de Zurique

Setenta e três anos depois de Edmund Hillary e Tenzing Norgay se terem tornado os primeiros seres humanos a pisar o cume do Monte Evereste, a Apple TV apresenta “Tenzing”, um drama de época que promete corrigir décadas de desequilíbrio histórico ao devolver a Norgay, o sherpa nepalês-indiano cuja contribuição foi durante muito tempo ofuscada pela fama do alpinista neozelandês, o lugar central que sempre lhe pertenceu na narrativa desta façanha. O filme abre a 22ª edição do Festival de Zurique, a 24 de setembro, depois de já ter passado pelo Festival de Telluride.

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Realizado por Jennifer Peedom, documentarista australiana especializada em cinema de montanha, com trabalhos aclamados como “Sherpa” e “Mountain”, “Tenzing” acompanha a jornada de Tenzing Norgay, interpretado pelo ator nepalês Genden Phuntsok, desde os obstáculos de classe e etnia que enfrentava tanto entre a sua própria equipa de sherpas como entre os alpinistas ocidentais, até ao momento em que o coronel John Hunt, líder da expedição britânica interpretado por Willem Dafoe, lhe concede finalmente o estatuto de membro de pleno direito da equipa de escalada. É nesse contexto que nasce a amizade entre Norgay e o neozelandês Edmund Hillary, interpretado por Tom Hiddleston, uma relação que o filme apresenta como o verdadeiro motor emocional por trás de uma das maiores conquistas do século XX, com os dois homens a decidirem, juntos, mudar a história do alpinismo.

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O elenco inclui ainda Caitríona Balfe no papel de Jill Henderson, secretária da expedição, uma personagem que permite ao filme explorar também a logística e a burocracia britânica por trás de uma operação que, à época, mobilizou recursos e atenção internacional consideráveis. A escolha de Jennifer Peedom para dirigir não é acidental: a realizadora construiu praticamente toda a sua carreira a filmar montanhas e as pessoas que as escalam, com um respeito e um conhecimento técnico do género que raramente se encontra em produções de ficção sobre o tema, e que deverá traduzir-se numa reconstituição visualmente rigorosa das condições extremas enfrentadas pela expedição de 1953.

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O verdadeiro valor histórico de “Tenzing” reside, no entanto, na sua ambição de reequilibrar uma narrativa que, durante décadas, tratou a conquista do Evereste quase exclusivamente como um feito britânico e ocidental, relegando Tenzing Norgay a um papel secundário apesar de ter sido, tecnicamente, tão responsável pelo sucesso da expedição como o próprio Hillary. Etnia e classe social, tal como o próprio filme sublinha na sua sinopse, foram obstáculos reais que Norgay teve de ultrapassar tanto dentro da hierarquia rígida das expedições coloniais britânicas como nas expectativas limitadas que a sua própria comunidade lhe impunha, uma tensão que “Tenzing” promete não diluir em favor de uma narrativa mais confortável de amizade improvável entre dois homens de mundos diferentes.

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Com estreias já marcadas em festivais de prestígio como Telluride e agora Zurique, e distribuição assegurada pela Apple TV, “Tenzing” surge como mais uma aposta do serviço de streaming em cinema de género histórico e de aventura com ambições claras de reconhecimento crítico, seguindo uma estratégia que já rendeu à Apple resultados notáveis noutras frentes do prestígio cinematográfico nos últimos anos.

“Silo” só termina em julho de 2027: Apple TV+ revela data da quarta e última temporada, com teaser escondido nos créditos finais

Os fãs de “Silo”, um dos maiores êxitos de ficção científica da Apple TV+, vão ter de armar-se de paciência: a plataforma confirmou que a quarta e última temporada da série pós-apocalíptica só chega a 9 de julho de 2027, um ano de espera depois do final surpreendente da terceira temporada, que deixou os assinantes com mais perguntas do que respostas.

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A confirmação de que a quarta temporada seria também a última já tinha sido feita pela Apple TV+ em dezembro de 2024, quando a série foi renovada por mais duas temporadas em simultâneo, uma decisão pouco habitual que sinalizou desde logo a intenção da plataforma de dar à história um fecho planeado, em vez de a deixar arrastar-se indefinidamente enquanto as audiências se mantivessem sólidas. Baseada nos romances “Silo” de Hugh Howey, a série segue os habitantes de um silo subterrâneo gigante, convencidos de que o ar exterior é letal e que o seu mundo isolado é tudo o que resta da humanidade, uma premissa que se tem revelado fértil para explorar temas de controlo social, desinformação e resistência.

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O verdadeiro presente para os fãs mais impacientes veio, no entanto, de forma inesperada: em vez de um trailer tradicional, a Apple TV+ escondeu um teaser exclusivo nos créditos finais do último episódio da terceira temporada, uma escolha que obriga literalmente os espectadores a verem a série até ao fim para serem recompensados com as primeiras imagens do que aí vem. O teaser recupera flashbacks da explosão nuclear que, no final da terceira temporada, obrigou Daniel e Helen a fugirem para os silos, e inclui uma mensagem enviada por Paul a outros silos, revelando que “há outros silos lá fora, exatamente como o nosso”, mas que “um silo controla todos os outros”, responsabilizando-o por espalhar a mentira de que “o ar lá fora vai matar-nos”, uma revelação que promete reconfigurar completamente a compreensão do público sobre a mitologia da série.

Jessica Henwick, que interpreta Helen Drew, deverá continuar a ter um papel central nesta reta final, especialmente através das sequências ambientadas nos “Tempos de Antes”, quando a sua personagem, jornalista, e o congressista Daniel Keene descobrem juntos uma conspiração que os arrasta para uma cadeia de acontecimentos com consequências catastróficas e irreversíveis, o motor narrativo que, em grande medida, explica como e porquê a humanidade acabou refugiada debaixo da terra.

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Com um ano inteiro de espera pela frente, a Apple TV+ aposta claramente numa estratégia de expectativa prolongada para uma das suas séries mais aclamadas pela crítica, à boleia do sucesso recente de outras produções de ficção científica de prestígio da plataforma. Resta saber se o hiato tão alargado vai conseguir manter o interesse do público tão vivo como está agora, ou se, como acontece frequentemente com séries que atravessam pausas longas entre temporadas, parte da audiência vai precisar de um lembrete substancial da mitologia antes de mergulhar no capítulo final da história.

Os 10 melhores filmes de Morgan Freeman (segundo a crítica)

Poucas vozes no cinema são tão reconhecíveis quanto a de Morgan Freeman, e poucas carreiras acumulam tantos papéis que ficaram na memória do público. Do proxeneta de “Street Smart”, que lhe valeu a primeira nomeação ao Óscar, até Red, o prisioneiro de “The Shawshank Redemption” que muitos consideram o seu papel mais marcante, reunimos os dez filmes que melhor resumem quatro décadas de carreira.

10. Street Smart (1987)

Freeman interpreta Fast Black, um proxeneta perigoso, numa história de crime que lhe valeu a primeira nomeação ao Óscar de Melhor Ator Secundário, o ponto de partida do reconhecimento de Hollywood.

9. Lean on Me (1989)

Como Joe Clark, diretor de escola disposto a métodos extremos para recuperar a disciplina e resgatar os seus alunos, Freeman entrega um dos papéis mais carismáticos da carreira.

8. Invictus (2009)

Freeman transforma-se em Nelson Mandela ao lado de Matt Damon, na história da tentativa de Mandela de unir a África do Sul pós-apartheid através da equipa nacional de râguebi.

7. Driving Miss Daisy (1989)

No papel de Hoke, motorista de uma mulher idosa interpretada por Jessica Tandy, Freeman constrói uma amizade que atravessa décadas. A interpretação valeu-lhe uma nova nomeação ao Óscar.

6. Glory (1989)

Ao lado de Denzel Washington, Freeman integra o elenco deste filme de guerra sobre um dos primeiros regimentos de soldados afro-americanos durante a Guerra Civil americana, com 95% de aprovação da crítica.

5. The Dark Knight (2008)

Como Lucius Fox, Freeman é uma das peças fundamentais do universo cinematográfico de Batman. O filme tem 94% de aprovação no Rotten Tomatoes.

4. Unforgiven (1992)

Freeman junta-se a Clint Eastwood e Gene Hackman num dos grandes westerns modernos, aclamado com 96% de aprovação da crítica.

3. Million Dollar Baby (2004)

No papel de Eddie, antigo pugilista e amigo do treinador interpretado por Clint Eastwood, Freeman conquista finalmente o Óscar de Melhor Ator Secundário.

2. Se7en (1995)

Como o detetive Somerset, ao lado de Brad Pitt, Freeman investiga um assassino que escolhe as vítimas segundo os sete pecados capitais. O filme reúne 84% de aprovação da crítica e 95% do público.

1. The Shawshank Redemption (1994)

No topo da lista está Red, o prisioneiro que constrói uma amizade inesquecível com Andy Dufresne (Tim Robbins). Com 89% de aprovação da crítica e 98% do público, continua a ser, para muitos, o papel mais marcante de toda a carreira de Morgan Freeman.

“Band of Brothers: Legacy” chega a 9 de setembro para celebrar 25 anos da minissérie que redefiniu o género de guerra na televisão

Há exatamente 25 anos, a 9 de setembro de 2001, a HBO estreava “Band of Brothers” (“Irmãos de Sangue”), a minissérie sobre a Companhia Easy da 101ª Divisão Aerotransportada americana que se tornaria, quase instantaneamente, uma das referências absolutas do género bélico na televisão. Dois dias depois dessa estreia, os atentados de 11 de setembro mudariam para sempre a forma como a América encarava a guerra, conferindo à série uma resiliência emocional e um peso simbólico que poucas produções televisivas alguma vez atingiram. Para assinalar este aniversário redondo, a HBO Max lança precisamente a 9 de setembro “Band of Brothers: Legacy”, um documentário que revisita os bastidores da produção e o impacto duradouro que a série teve tanto na cultura popular como na forma como o público em geral passou a olhar para o sacrifício da chamada “Geração Grandiosa”.

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O documentário reúne novas entrevistas com nomes centrais do elenco original, incluindo Damian Lewis, que interpretou o icónico Major Richard Winters, Ron Livingston, Michael Cudlitz, o capitão Dale Dye, consultor militar lendário responsável por preparar fisicamente e psicologicamente os atores para os papéis, e David Schwimmer, entre outros. Ao longo do documentário, os participantes partilham reflexões pessoais e histórias de bastidores, revisitando a experiência de gravar uma série que exigiu um dos treinos militares mais intensos alguma vez impostos a um elenco de atores antes das filmagens, e explorando também a forma como o impacto cultural de “Band of Brothers” se prolongou muito para além do momento da sua estreia original. O material inclui ainda imagens de arquivo nunca antes reveladas da própria Companhia Easy e da Segunda Guerra Mundial, complementando os testemunhos dos atores com o registo histórico real que serviu de base à série.

A realização está a cargo de Chase Millsap, antigo Boina Verde que tem vindo a construir uma carreira sólida na realização de documentários com temática militar, contando com a experiência pessoal de serviço para trazer uma perspetiva informada à forma como aborda tanto o rigor histórico como o impacto emocional que produções deste género têm junto de veteranos e das suas famílias. A produção executiva volta a contar com Tom Hanks e Gary Goetzman, que já tinham desempenhado esse papel na série original ao lado de Steven Spielberg, consolidando a ligação contínua de Hanks a este universo, que se estenderia mais tarde também a “The Pacific” e, mais recentemente, a “Masters of the Air”.

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O momento escolhido para este documentário não é acidental: 25 anos depois, “Band of Brothers” continua a ser regularmente citada como uma das melhores séries de televisão de sempre, e a proximidade simbólica entre a sua data de estreia original e os atentados de 11 de setembro tornou-a, para muitos espectadores americanos, indissociável de um momento de viragem na história recente dos Estados Unidos. Ao reunir o elenco original um quarto de século depois, a HBO parece querer não só celebrar o legado artístico da série como também assinalar essa coincidência histórica particular, oferecendo aos fãs mais antigos uma oportunidade de revisitar, com a distância que só o tempo permite, tanto a produção em si como o momento cultural que a rodeou.