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Gael García Bernal leva “Hombre al Agua” a Veneza ao ritmo de Ricky Martin, que interpreta uma versão de si próprio dentro do próprio filme

O tapete vermelho de Veneza teve, esta semana, um dos seus momentos mais inesperados quando Gael García Bernal e Ricky Martin desceram juntos as escadarias do festival ao som de “María” e “Livin’ la Vida Loca”, aquecendo a plateia antes da estreia mundial de “Hombre al Agua”, a terceira longa-metragem de García Bernal como realizador, apresentada na secção Venice Spotlight, fora da competição principal pelo Leão de Ouro.

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O filme acompanha Camilo, um nadador-salvador cubano interpretado pelo próprio García Bernal, que salva da morte por afogamento Abel, um poderoso empresário mexicano. Grato, Abel leva Camilo para o México, onde este acaba por casar com a filha do empresário, Juana, e ter um filho com ela. Mas a vida aparentemente perfeita de Camilo revela-se rapidamente parte de um plano maquiavélico de manipulação e controlo orquestrado pelo próprio sogro, obrigando o protagonista a desmontar a trama e a retomar o controlo do seu próprio destino antes que tudo desmorone à sua volta.

É precisamente aqui que entra o elemento mais bizarro e mais comentado do filme: Ricky Martin não interpreta uma personagem convencional na trama, mas sim Roby, um ator contratado, dentro da própria ficção, para interpretar Camilo num filme biográfico sobre a vida deste último, um dispositivo de metacinema que a crítica especializada tem descrito como fascinante nalguns momentos e um pouco confuso noutros. É esse jogo de espelhos, entre a história “real” de Camilo e a sua versão dramatizada dentro do próprio filme, interpretada por Ricky Martin, que confere a “Hombre al Agua” o seu tom mais experimental, situando-o claramente dentro da tradição de sátiras latino-americanas sobre classe social e poder, um território que García Bernal já tinha explorado tanto como ator como, mais recentemente, atrás da câmara.

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O elenco reúne ainda Esmeralda Pimentel, Débora Nascimento, Natalia Oreiro, Anna Diaz, Manuel Garcia-Rulfo e Jorge Salinas, um conjunto de nomes que atravessa o cinema mexicano, brasileiro e argentino, reforçando o carácter pan-latino-americano da produção. As primeiras críticas saídas de Veneza descrevem o filme como uma “diversão caótica” que nem sempre consegue equilibrar todas as suas ambições temáticas e formais, mas que se mantém consistentemente entretido graças à energia do elenco e à disposição de García Bernal para experimentar com um registo mais absurdo do que o habitual no seu trabalho como realizador.

Depois da estreia em Veneza, “Hombre al Agua” segue diretamente para o Festival de Toronto, onde terá a sua estreia norte-americana, naquele que é já um percurso de dupla passagem por dois dos festivais mais influentes do circuito internacional, uma estratégia de lançamento que sublinha a ambição comercial e crítica que rodeia este terceiro projeto de García Bernal atrás das câmaras, depois de “Déficit” (2007) e “Chicuarotes” (2019).

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