Os 10 Melhores Filmes de Acção de Keanu Reeves — de Vancouver para o multiverso, passando por um autocarro sem travões

Keanu Reeves é um caso único em Hollywood. Não tem o histórico de prémios de um Daniel Day-Lewis nem a versatilidade técnica de um Meryl Streep — e não precisa. O que tem é uma presença física e uma qualidade de quietude que funciona de formas que a maioria dos actores mais “sérios” nunca conseguiu replicar no cinema de acção. É também o actor de acção mais amado da internet — um estatuto que conquistou tanto pelos seus papéis como pela forma como se comporta fora deles. Com John Wick: Capítulo 5 em pré-produção, é o momento certo para revisitar como chegámos aqui.

10. 47 Ronin (2013) Carl Rinsch dirigiu esta reinterpretação da lenda japonesa dos 47 ronin com Reeves como Kai, um guerreiro de origem mista que se junta aos samurais na sua missão de vingança. É um filme injustamente maltratado pela crítica na época — visualmente rico, com uma mitologia construída com cuidado e Reeves completamente à vontade num registo épico que poucos actores ocidentais conseguem habitar com credibilidade.

9. John Wick: Capítulo 4 (2023) Chad Stahelski pegou no universo que construiu ao longo de uma década e entregou o filme mais ambicioso da saga — uma perseguição pelo mundo inteiro que culmina numa sequência em Paris filmada de cima para baixo num plano de drone que é pura coreografia de acção. É longo, é excessivo e é exactamente o que devia ser.

8. Matrix Revoluções (2003) O fecho da trilogia original é o mais dividido dos três — e também o que tem a batalha mais épica, com a defesa de Zion contra as máquinas numa sequência de guerra que os efeitos visuais de 2003 tornaram possível pela primeira vez. Reeves como Neo em modo de sacrifício final é uma imagem que encerrou uma trilogia com o peso que ela merecia.

7. Ponto de Ruptura (1991) Kathryn Bigelow — que mais tarde ganharia o Óscar por The Hurt Locker — dirigiu Reeves como um agente do FBI que se infiltra numa gang de surfistas suspeitos de assaltos a bancos. É um filme de acção dos anos 90 no seu estado mais puro: adrenalina, sol, Patrick Swayze e uma premissa que só funciona se não se pensar demasiado. É também o filme onde Reeves percebeu que o cinema de acção era o seu território.

6. John Wick: Capítulo 3 — Parabellum (2019) A terceira entrada da saga é a mais inventiva em termos de cenários e adversários — de um museu de armas a um deserto marroquino, passando por um hotel cheio de assassinos em fato de gala. Halle Berry e os seus cães treinados roubam metade do filme. A outra metade pertence a Reeves, que aos 54 anos fazia ainda sequências físicas que actores vinte anos mais novos recusariam.

5. Velocidade Máxima (1994) Jan de Bont colocou um autocarro com uma bomba que não pode abrandar abaixo dos 80km/h e dois actores — Reeves e Sandra Bullock — que tinham exactamente a química necessária para tornar a premissa absurda em cinema genuinamente tenso. É puro entretenimento de alta octanagem, filmado com uma competência técnica que muitos blockbusters actuais com dez vezes o orçamento não conseguem igualar.

4. Matrix Recarregado (2003) O segundo filme da trilogia é o mais ambicioso e o mais dividido — e também o que tem a melhor cena de acção dos três: a perseguição na auto-estrada, filmada numa pista construída de raiz em Oakland, continua a ser uma das sequências mais impressionantes tecnicamente do cinema de ficção científica. Reeves como Neo em modo de domínio total é uma imagem que define uma geração de cinema.

3. John Wick: Capítulo 2 (2017) Se o primeiro John Wick apresentou o personagem, o segundo expandiu o seu universo com uma ambição e uma coerência visual raramente vistas no cinema de acção. Stahelski construiu um filme que usa Roma como palco para alguns dos confrontos mais coreografados e mais esteticamente coerentes do género — com um duelo final num labirinto de espelhos que é pura elegância cinematográfica.

2. John Wick (2014) Chad Stahelski e David Leitch pegaram numa premissa simples — um assassino reformado que regressa ao negócio depois de matarem o seu cão — e construíram um dos filmes de acção mais influentes da última década. O estilo visual limpo, a coreografia de combate baseada em artes marciais reais e a construção de um submundo criminal com as suas próprias regras redefiniu o que o cinema de acção podia ser. Tudo o que veio depois deve algo a John Wick.

1. Matrix (1999) As irmãs Wachowski mudaram o cinema de ficção científica, a estética visual do blockbuster e a forma como toda uma geração pensa sobre realidade e ilusão. Reeves como Neo — o programador que descobre que o mundo que conhece é uma simulação — é uma das performances mais icónicas dos últimos trinta anos. “There is no spoon.” Trinta anos depois, toda a gente sabe o que isso significa — e toda a gente sabe como Keanu Reeves dobrou aquela colher.

Concordam com as nossas escolhas? Façam os vossos comentários.

Os 10 Melhores Filmes de Acção de Tom Cruise — o homem que recusou deixar o cinema morrer

Tom Cruise tem 63 anos, continua a fazer as suas próprias acrobacias e é provavelmente o último grande astro de Hollywood no sentido clássico do termo — um actor cuja presença num cartaz ainda move bilhetes em todo o mundo, independentemente do argumento ou do realizador. Com Mission: Impossible — The Final Reckoning disponível no Prime Video em Portugal, é o momento certo para revisitar os filmes de acção do homem que, há quatro décadas, recusa sistematicamente fazer o que é esperado dele.

10. Guerra dos Mundos (2005) Steven Spielberg pegou no romance de H.G. Wells e construiu um dos filmes de invasão alienígena mais angustiantes do cinema americano. Cruise interpreta Ray Ferrier, um pai divorciado que tenta salvar os filhos numa América em colapso total — um papel invulgar para o actor porque o coloca deliberadamente numa posição de impotência. É o Cruise mais assustado e mais humano que alguma vez vimos em ecrã.

9. Jack Reacher (2012) Christopher McQuarrie adaptou o romance de Lee Child com uma precisão e uma contenção que o género raramente permite. Cruise como Reacher — o ex-policia militar que investiga um tiroteio aparentemente resolvido — é pura eficiência: sem artifícios, sem gadgets, com os punhos e uma inteligência que vai sempre dois passos à frente dos outros. A cena de perseguição de carro em Pittsburgh é um exercício de construção de tensão impecável.

8. Oblivion (2013) Joseph Kosinski — que mais tarde realizaria Top Gun: Maverick — dirigiu este thriller de ficção científica sobre um técnico de drones que patrulha uma Terra pós-apocalíptica e começa a questionar tudo o que lhe foi ensinado. É visualmente deslumbrante, tem uma das melhores bandas sonoras de M83 do cinema e Cruise está num registo mais contido e mais introspectivo do que habitualmente. Injustamente esquecido.

7. No Limite do Amanhã (2014) Doug Liman pegou numa premissa de videojogo — um soldado que revive o mesmo dia de combate infinitamente até aprender a ganhar — e construiu um dos filmes de ficção científica de acção mais inventivos da última década. Cruise morre dezenas de vezes ao longo do filme, sempre de formas diferentes e cada vez mais absurdas, e a dinâmica com Emily Blunt como a soldada de elite que o treina é uma das melhores parcerias de acção dos anos 2010.

6. Missão: Impossível — Protocolo Fantasma (2011) Brad Bird — o realizador de Os Incríveis — estreou-se na acção ao vivo com este quarto filme da saga e entregou o espectáculo mais puro da franchise até à data. A sequência na Torre Khalifa em Dubai, onde Cruise escala o exterior do edifício mais alto do mundo sem rede de segurança, é um dos momentos de cinema de acção mais vertiginosos de sempre. Não porque haja truques de câmara. Porque não há.

5. Top Gun (1986) Tony Scott filmou aviões de caça ao pôr do sol, colocou Ray-Bans em Tom Cruise e criou um dos maiores fenómenos culturais dos anos 80. Pete “Maverick” Mitchell não é apenas uma personagem — é o momento em que Tom Cruise se tornou Tom Cruise. O argumento é simples e a lógica militar generosa, mas a energia do filme e a presença de Cruise são irresistíveis trinta anos depois.

4. Missão: Impossível — Nação Proscrita (2015) A quinta entrada da saga é também a mais elegante. McQuarrie introduziu a Syndicate — uma organização espelho da IMF formada por agentes apagados dos registos — e construiu à sua volta um thriller de espionagem com uma sequência de abertura na asa de um Airbus A400M em pleno voo que estabelece o tom de imediato. Rebecca Ferguson estreou-se na franchise como Ilsa Faust e roubou completamente o filme a Cruise — algo que muito poucos actores conseguem fazer.

3. Missão: Impossível — The Final Reckoning (2025) O oitavo e último filme da saga é uma das mais ambiciosas produções de acção da história do cinema, com uma sequência subaquática filmada em condições reais e uma conclusão que fecha trinta anos de missões com a seriedade que merecem. Está disponível no Prime Video em Portugal.

2. Top Gun: Maverick (2022) O melhor blockbuster de 2022 e um dos filmes mais bem-sucedidos de sempre. Kosinski pegou na nostalgia do original e construiu à sua volta um filme de aviação genuinamente emocionante, filmado com aviões reais e pilotos reais a atingir velocidades reais. Fez 1,49 mil milhões de dólares globalmente. É o filme que provou que Cruise, aos 59 anos, ainda era o maior astro de cinema do mundo.

1. Missão: Impossível — Fallout (2018) O melhor filme da franchise, num consenso raro entre crítica e público. Christopher McQuarrie construiu uma sequência de acção atrás da outra com uma precisão e uma elegância que o género raramente alcança — e a perseguição de mota em Paris, filmada em plano-sequência real, é uma das cenas de acção mais bem executadas da história do cinema. Cruise partiu o tornozelo durante as filmagens de uma das sequências. Continuou a rodar. Isso diz tudo.

E vocês? Estão de acordo com este ranking, Então e Minority Report ou Colateral? Partilhem a vossa opinião nos comentários.

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Actualizado 17 de Maio de 2026

“Vought Rising”: o prequel de “The Boys” nos anos 50 — e Eric Kripke garante que a Stormfront continua a ser nazi

Eric Kripke foi directo quando lhe perguntaram se Vought Rising vai tentar tornar Stormfront numa personagem simpática: “De forma alguma pedirei ao público para simpatizar com a Stormfront. Ela é uma nazi e é horrível.” É uma declaração que diz muito sobre o tom da série — e sobre a forma como Kripke quer distinguir o prequel da tendência de redenção retroactiva que frequentemente aflige as origens de vilões. 

Vought Rising é descrita pelos criadores como um “twisted murder mystery sobre as origens da Vought nos anos 50, as primeiras aventuras de Soldier Boy e as manobras diabólicas de uma Supe conhecida pelos fãs como Stormfront, que na altura atendia pelo nome de Clara Vought.” Jensen Ackles e Aya Cash regressam aos papéis de Soldier Boy e Stormfront que interpretaram em The Boys, acompanhados por Elizabeth Posey, Will Hochman e Mason Dye no elenco principal. As filmagens terminaram em Março de 2026 e a série está agora em pós-produção, com estreia prevista para 2027 no Prime Video.

O contexto da série é mais rico do que o título sugere. Os anos 50 americanos — a Guerra Fria, o Red Scare, o McCarthyismo, a paranóia sobre comunistas e inimigos internos — são exactamente o tipo de terreno onde a brutalidade satírica de The Boys pode ir buscar novos combustíveis. O primeiro episódio intitula-se precisamente “Red Scare” — uma declaração de intenções que não deixa dúvidas sobre o ângulo político da série. Kripke garantiu ainda que a série funciona independentemente de se ter visto The Boys, após testes de audiência com espectadores sem qualquer contexto do universo que reagiram positivamente. 

Para quem acompanhou The Boys até ao fim da quinta temporada — disponível no Prime Video em Portugal — Vought Rising é a próxima paragem obrigatória no universo. Para quem nunca viu, pode ser uma porta de entrada inesperadamente acessível.

Stephanie Hsu, Guy Pearce e Hannah Waddingham num thriller de assalto ao banco que quer ser o novo “Os Suspeitos do Costume”

“Harry Potter” renovado para a segunda temporada antes de estrear — e o elenco é uma lição de casting

“Rivals” regressa a 15 de Maio no Disney+ — e os anos 80 nunca foram tão maus como isto

Stephanie Hsu, Guy Pearce e Hannah Waddingham num thriller de assalto ao banco que quer ser o novo “Os Suspeitos do Costume”

Stephanie Hsu, cuja performance em Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo lhe valeu uma nomeação ao Óscar, garantiu o seu próximo grande papel: Violet, uma funcionária de banco que se sente invisível ao mundo e cuja vida muda quando um agente rogue do FBI a manipula para ajudar a assaltar o próprio banco onde trabalha. O filme chama-se The Teller, foi apresentado hoje ao mercado de Cannes, e tem Guy Pearce como o agente federal e Hannah Waddingham num papel ainda não revelado.

Os produtores descrevem-no como estando no espírito de Os Suspeitos do Costume e The Town — dois filmes que usaram o thriller de crime como pano de fundo para estudos de personagem muito mais ricos do que o género habitualmente permite. O realizador é Ben Ripley, que faz aqui a sua estreia como realizador depois de anos como argumentista — é o mesmo que escreveu Source Code, o thriller de ficção científica de Duncan Jones com Jake Gyllenhaal que em 2011 surpreendeu pela sua construção narrativa. A transição de argumentista para realizador com este elenco e este material é exatamente o tipo de aposta que o circuito de festivais tende a recompensar. 

O trio é difícil de resistir em termos de casting. Hsu vem de um dos papéis mais físicos e emocionalmente exigentes do cinema recente; Pearce — nomeado ao Óscar por The Brutalist — é um dos actores mais versáteis e menos previsíveis da sua geração; e Waddingham, que esta semana encerrou a temporada de Ted Lasso e ganhou reconhecimento renovado com o BAFTA, está claramente a aproveitar o momento para escolher projectos fora da zona de conforto. As filmagens decorrem na Irlanda do Norte, embora o filme se passe em São Francisco. Data de estreia ainda não confirmada. 

“Harry Potter” renovado para a segunda temporada antes de estrear — e o elenco é uma lição de casting
“Rivals” regressa a 15 de Maio no Disney+ — e os anos 80 nunca foram tão maus como isto
Três Palmas de Ouro para ver em casa este mês — e o Cinemundo escolheu as melhores

“Harry Potter” renovado para a segunda temporada antes de estrear — e o elenco é uma lição de casting

A HBO renovou a série Harry Potter para uma segunda temporada mesmo antes de a primeira chegar aos ecrãs, com as filmagens da T2 previstas para o Outono de 2026 — ainda antes da estreia de Natal da primeira temporada. A decisão não é surpreendente — o primeiro trailer da série tornou-se o mais visto da história da HBO e Max, acumulando mais de 277 milhões de visualizações orgânicas nas primeiras 48 horas online — mas confirma que a plataforma está a tratar este projecto como o evento de uma geração que ele efectivamente é. 

A primeira temporada, intitulada Harry Potter e a Pedra Filosofal, estreia no Natal de 2026 em oito episódios, dando à história muito mais espaço para respirar do que o filme original de duas horas. A segunda temporada adaptará Harry Potter e o Câmara Secreta, e Jon Brown — escritor da primeira temporada e veterano de Succession — foi promovido a co-showrunner ao lado de Francesca Gardiner. 

O elenco é onde a série tem gerado mais conversa. Dominic McLaughlin lidera como Harry Potter, acompanhado por Arabella Stanton como Hermione Granger e Alastair Stout como Ron Weasley — todos escolhidos de um casting aberto que recebeu mais de 30.000 candidaturas de crianças. No elenco adulto, John Lithgow é Dumbledore — seis Emmys, dois Tonys, nomeado ao Óscar — Janet McTeer é a Professora McGonagall, Paapa Essiedu é o Professor Snape e Nick Frost é Hagrid. Katherine Parkinson — que ganhou o BAFTA de Actriz em Comédia esta semana — é Molly Weasley, e Johnny Flynn é Lucius Malfoy. 

A escolha de Paapa Essiedu para Snape tem sido a mais discutida. O actor, conhecido de I May Destroy You e The Lazarus Project, tomou o lugar de Alan Rickman numa das personagens mais complexas da saga, e a sua escolha dividiu o fandom em discussões sobre representação, legado e os limites da reimaginação de um ícone cultural. J.K. Rowling, que é produtora executiva da série, partilhou feedback positivo sobre os argumentos dos dois primeiros episódios nas redes sociais em Junho de 2025, confirmando que trabalhou de perto com os escritores, embora sem crédito de escrita. 

Em Portugal, a série estará disponível no Max a partir do Natal de 2026. Vale reservar a data.

“Rivals” regressa a 15 de Maio no Disney+ — e os anos 80 nunca foram tão maus como isto
Três Palmas de Ouro para ver em casa este mês — e o Cinemundo escolheu as melhores
Jon Bernthal regressa como O Justiceiro esta semana — e é a primeira vez que o vemos desde 2019

“Rivals” regressa a 15 de Maio no Disney+ — e os anos 80 nunca foram tão maus como isto

Se não viste a primeira temporada de Rivals, o resumo é simples: é a série que Downton Abbey seria se os seus criadores tivessem decidido que a decência era opcional. Baseada no romance de Jilly Cooper — publicado em 1988 e durante décadas considerado demasiado escandaloso para ser adaptado para televisão — a série da Disney+ é puro excesso dos anos 80 com produção de primeira linha e um elenco que claramente está a divertir-se. A segunda temporada estreia em Portugal a 15 de Maio.

O pano de fundo é a guerra pela concessão televisiva da região Central South West de Inglaterra — um conflito entre a Corinium, o canal estabelecido liderado pelo implacável Tony Baddingham, e a Venturer, a operadora desafiante. É, em teoria, uma história sobre media e poder empresarial. Na prática, é uma desculpa para explorar adultérios, escândalos, manipulações, casamentos a desmoronar e segredos enterrados há décadas que voltam à superfície no pior momento possível. Cooper escreveu o livro com uma generosidade de detalhes que a série preservou com entusiasmo: cada personagem tem uma vida própria fora das cenas principais, e a sensação de habitar um universo completo é um dos maiores prazeres da série.

A segunda temporada retoma exactamente onde a primeira terminou — com Baddingham mais determinado do que nunca a destruir os seus rivais e a vida pessoal de todos os protagonistas em vários graus de colapso. O elenco regressa na íntegra, com David Tennant, Katherine Parkinson e Alex Hassell nas posições centrais. Para quem viu a primeira temporada, a questão não é se vale a pena — é quando se começa. Para quem ainda não viu, há tempo para recuperar antes de quinta-feira.

Rivals T2 estreia a 15 de Maio no Disney+.

Jon Bernthal regressa como O Justiceiro esta semana — e é a primeira vez que o vemos desde 2019

Três Palmas de Ouro para ver em casa este mês — e o Cinemundo escolheu as melhores

“Yellowjackets” termina este ano — e a quarta temporada promete responder ao que ficou por dizer

Três Palmas de Ouro para ver em casa este mês — e o Cinemundo escolheu as melhores

Com Cannes a abrir esta semana, o Canal Cinemundo fez a curadoria mais oportuna possível: nas quartas-feiras de Maio, a partir das 22h30, três Palmas de Ouro em três semanas. São três filmes que chegaram ao topo do festival mais exigente do mundo em anos diferentes, com linguagens completamente distintas, e que juntos formam um retrato muito honesto do que o cinema contemporâneo pode ser quando funciona no seu estado mais ambicioso.

O Quadrado de Ruben Östlund chega primeiro, a 13 de Maio. A sátira ao mundo da arte contemporânea — um museu de arte moderna em Estocolmo, um curador com uma crise de consciência e uma instalação artística que desafia os limites da performance e da responsabilidade — ganhou a Palma de Ouro em 2017 e continua a ser um dos filmes mais inteligentemente irritantes dos últimos anos. Östlund tem um talento único para construir cenas de desconforto social que não deixam ninguém confortável — nem o protagonista, nem o espectador.

A 20 de Maio é a vez de Parasitas de Bong Joon-ho, o filme que em 2019 fez o que muitos achavam impossível: ganhar a Palma de Ouro e o Óscar de Melhor Filme no mesmo ano, tornando-se no primeiro filme em língua não inglesa a conseguir esse feito. A história da família Kim e da família Park — e do que acontece quando duas realidades económicas completamente diferentes colidem numa mesma casa — é um dos filmes mais bem construídos da última década, com uma segunda metade que redefine completamente o que a primeira tinha estabelecido.

No final do mês, a 27 de Maio, Triângulo da Tristeza — o regresso de Östlund a Cannes, desta vez com uma Palma de Ouro em 2022 — fecha o ciclo. Um cruzeiro de luxo, um casal de modelos, um capitão alcoólico russo e um naufrágio que inverte todas as hierarquias sociais. É mais acessível do que O Quadrado e mais explicitamente político — e tem uma das cenas de jantar mais perturbadoras do cinema recente.

Todos às quartas, a partir das 22h30. O Canal Cinemundo está disponível na MEO (posição 60 HD), Vodafone (posição 77 HD) e NOWO (posição 40 HD).

Jon Bernthal regressa como O Justiceiro esta semana — e é a primeira vez que o vemos desde 2019

Frank Castle é uma daquelas personagens que a Marvel não consegue deixar ir completamente. Jon Bernthal interpretou O Justiceiro pela primeira vez em Demolidor em 2016, ganhou a sua própria série em 2017 e 2019, e quando o Netflix cancelou os títulos Marvel o personagem ficou em suspenso — amado por uma base de fãs que nunca parou de pedir o regresso. Esta terça-feira, 13 de Maio, o Disney+ estreia O Justiceiro: Uma Última Morte, uma apresentação especial Marvel Television que coloca Bernthal de volta ao papel pela primeira vez em sete anos.

A premissa é deliberadamente contida — Frank Castle procura um sentido para além da vingança quando uma força inesperada o traz de volta à luta — e a duração de especial em vez de série completa sugere que a Marvel quer testar o território antes de comprometer com algo maior. É uma estratégia que já usou com Werewolf by Night e The Guardians of the Galaxy Holiday Special — formatos mais curtos que funcionam como porta de entrada para personagens ou tons que o universo principal ainda não explorou.

O que torna este regresso diferente dos outros é o capital emocional que Bernthal construiu no papel. A sua versão de Frank Castle — traumatizada, violenta, moralmente impossível de categorizar como herói ou vilão — é amplamente considerada a mais fiel ao espírito das histórias originais de Garth Ennis nas BD. Quando a série foi cancelada, a campanha dos fãs para o regresso do actor foi uma das mais persistentes da história recente da Marvel. Que o regresso aconteça numa apresentação especial no Disney+ — a plataforma que cancelou a série original no Netflix — é uma ironia que os fãs mais atentos certamente não vão deixar passar.

O Justiceiro: Uma Última Morte estreia a 13 de Maio no Disney+.

“Yellowjackets” termina este ano — e a quarta temporada promete responder ao que ficou por dizer

“Devil May Cry” T2 chega amanhã ao Netflix — e já tem terceira temporada garantida

Steve Coogan conta como entrou no “White Lotus” — e o que Mike White reescreveu do zero depois de Helena Bonham Carter sair

“Yellowjackets” termina este ano — e a quarta temporada promete responder ao que ficou por dizer

Quando Yellowjackets estreou em Novembro de 2021, ninguém esperava que uma série sobre uma equipa de futebol feminino de liceu a sobreviver num acidente de avião se tornasse num dos fenómenos televisivos mais comentados da década. A primeira temporada teve uma pontuação rara de 100% no Rotten Tomatoes. A segunda e a terceira foram as mais vistas da história da série. E agora, com a quarta e última temporada a ser filmada em Vancouver desde Fevereiro deste ano, o fim está à vista — provavelmente no Outono de 2026, no Max em Portugal.

A decisão de encerrar foi dos próprios criadores. Ashley Lyle e Bart Nickerson, que conceberam a série para a Showtime, anunciaram em Outubro passado que a quarta temporada seria o fecho definitivo da história, com uma declaração que dizia tudo sobre a forma como querem terminar: “A história disse-nos que quer acabar, e o nosso trabalho — a nossa responsabilidade — é ouvir.” Não é um cancelamento. É uma conclusão deliberada por quem sabe exactamente o que está a contar.

Para quem não conhece a série, a premissa é mais complexa do que parece. Em 1996, uma equipa de talentosas jogadoras de futebol do liceu sobrevive a um acidente de avião nas montanhas remotas do Canadá e fica retida durante dezenove meses. A série acompanha em simultâneo o que aconteceu nessa floresta — o canibalismo, os rituais, a hierarquia que se formou entre raparigas que não tinham nada para além de si próprias — e as vidas das sobreviventes vinte e cinco anos depois, quando o passado se recusa a ficar onde devia. É horror psicológico, drama de formação e thriller de mistério ao mesmo tempo, e faz tudo isso sem perder o fio nem o humor negro que o torna suportável.

A terceira temporada terminou com Shauna a assumir o lugar de rainha dos antlers e Natalie a enviar finalmente um sinal de socorro das montanhas — e alguém a responder do outro lado. O elenco da temporada final reúne todo o núcleo: Melanie Lynskey, Tawny Cypress, Christina Ricci, Sophie Nélisse, Jasmin Savoy Brown, Sophie Thatcher e Samantha Hanratty. Molly Ringwald junta-se como a mãe de Van, June Squibb num papel ainda por revelar, e Nia Sondaya — que interpretava Akilah em papel recorrente desde a segunda temporada — foi promovida a regular, o que sugere que o mistério à volta da sua personagem, que desapareceu numa cave na terceira temporada sem explicação, vai finalmente ser resolvido.

As três primeiras temporadas estão disponíveis no Max em Portugal. O fecho aproxima-se.

Steve Coogan conta como entrou no “White Lotus” — e o que Mike White reescreveu do zero depois de Helena Bonham Carter sair
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“Devil May Cry” T2 chega amanhã ao Netflix — e já tem terceira temporada garantida

Há um ano, Adi Shankar lançou no Netflix uma adaptação animada de Devil May Cry que ninguém esperava ser assim tão boa. A primeira temporada estreou a 3 de Abril de 2025, chegou ao Top 10 com 5,3 milhões de visualizações nos primeiros três dias, ganhou 96% no Rotten Tomatoes e foi renovada para uma segunda temporada uma semana depois. Amanhã, 12 de Maio, os oito episódios da segunda temporada chegam ao Netflix em simultâneo para todo o mundo.

A segunda temporada, animada pelo estúdio sul-coreano Studio Mir — responsável por The Legend of Korra e Voltron: Legendary Defender — centra-se na relação fracturada entre os irmãos gémeos Dante e Vergil, numa temporada descrita como mais sombria e mais pessoal do que a primeira. O trailer de Abril, que incluía uma sequência de jogo em estilo side-scrolling como referência directa às origens do franchise, ultrapassou os dez milhões de visualizações. E numa demonstração de confiança raramente vista antes da estreia, o Netflix já garantiu uma terceira temporada.

O franchise Devil May Cry da Capcom existe desde 2001 e é um dos pilares do jogo de acção japonês — com Dante, o caçador de demónios de casaco vermelho e espada desmesuradamente grande, como um dos personagens mais reconhecíveis da cultura de videojogos das últimas décadas. A adaptação de Shankar tem tomado liberdades criativas consideráveis em relação ao material original — contexto pós-moderno, reinterpretação da natureza dos demónios — mas com resultados que tanto os fãs de longa data como os espectadores sem qualquer contexto de jogo têm apreciado. Em Abril de 2025, foi reportado que os jogos da série no Steam registaram aumentos de até vinte vezes o número habitual de jogadores após a estreia da série.

Para o leitor português que cresceu com o franchise ou que simplesmente quer perceber porque é que toda a gente está a falar de um caçador de demónios animado, amanhã é o dia. As oito primeiras temporadas estão disponíveis no Netflix para contexto.

Steve Coogan conta como entrou no “White Lotus” — e o que Mike White reescreveu do zero depois de Helena Bonham Carter sair

Steve Coogan revelou ao Deadline que Mike White reescreveu “do zero” a personagem que Helena Bonham Carter ia interpretar na quarta temporada de The White Lotus quando a actriz saiu do projecto. É a primeira vez que alguém envolvido na produção fala abertamente sobre o processo — e o que Coogan descreve é tão revelador sobre a forma de trabalhar de White como sobre os bastidores da série mais comentada do momento.

Bonham Carter estava anunciada em Janeiro como parte do elenco principal e saiu nove dias depois de as câmaras começarem a rodar, em Abril. A HBO confirmou na altura que “a personagem que Mike White criou para ela não se alinhava uma vez em set” — uma formulação que dizia tudo e nada ao mesmo tempo. Coogan, que entrou em substituição, clarifica agora o que aconteceu na prática: White não adaptou a personagem de Bonham Carter para o novo actor. Criou uma personagem completamente diferente, construída especificamente para Coogan e para o que White conhece do seu trabalho. “O Mike é um escritor extraordinário. Quando decidiu reescrever, fê-lo como se estivesse a começar do zero — porque estava”, disse Coogan ao Deadline.

A relação entre Coogan e White tem uma lógica própria que torna a substituição menos surpreendente do que parece. White criou Enlightened para Laura Dern — outra actriz que entrou em substituição de emergência nesta temporada, depois da saída de Bonham Carter — e How Are You? It’s Alan (Partridge) para Coogan, que está nomeado ao BAFTA de Televisão de hoje precisamente por esse papel. Os dois conhecem-se bem o suficiente para que a reescrita tenha sido uma conversa, não uma adaptação.

A quarta temporada de The White Lotus, ambientada em Cannes durante o festival de cinema, tem no elenco Vincent Cassel, Laura Dern, Rosie Perez, Kumail Nanjiani, Heather Graham, Max Greenfield, Frida Gustavsson e Nadia Tereszkiewicz, entre outros. As rodagens decorrem actualmente na Riviera Francesa. A estreia está prevista para 2027.

IndieLisboa 2026: os vencedores, o cinema português que ganhou e o que ainda pode ser visto esta semana

A 23.ª edição do IndieLisboa encerrou ontem à noite no Pequeno Auditório da Culturgest com a entrega dos prémios que coroam onze dias de cinema independente em Lisboa. A boa notícia para quem não acompanhou o festival — ou para quem quer voltar a ver o que ganhou — é que os filmes premiados regressam ao Cinema Ideal esta semana, com sessões de domingo a terça-feira.

O Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa, dotado de 15 mil euros, foi para Barrio Triste de Stillz — um realizador que chega ao IndieLisboa com um filme que, nas palavras do júri, “não se contém em provocar-nos emoções fortes e despoletar raiva, porém há momentos de luz e esperança que nos ligam profundamente à vida daqueles protagonistas”. A menção especial da Competição Internacional foi para Bouchra, de Orian Barki e Meriem Bennani, elogiado pela “frescura” e pela “reconstrução original e evocativa da relação entre uma filha e a sua mãe”. Ambos podem ser vistos amanhã, segunda-feira, no Cinema Ideal — Barrio Triste às 21h30, os filmes de curtas premiadas às 19h30.

Na Competição Nacional, o destaque vai para dois nomes do cinema português que merecem atenção. Cochena de Diogo Allen ganhou o Prémio TVCine para Melhor Longa-Metragem Nacional — dotado de 5 mil euros — com um retrato de comunidade que o júri descreveu como “uma celebração sentida que destaca o calor dos laços familiares e sociais de uma forma profundamente humanista e cinematográfica”. O mesmo filme levou ainda o Prémio Universidades. João Nicolau, por sua vez, ganhou o Prémio de Melhor Realização por A Providência e a Guitarra — o filme com Salvador Sobral que abriu o Festival de Roterdão e que chega ao IndieLisboa com um júri a elogiar “uma abordagem essencial à condição de artista, com um humor inteligente e uma construção narrativa audaciosa e distintiva”. Cochena e as curtas nacionais premiadas podem ser vistas na terça-feira, 12 de Maio, no Cinema Ideal — curtas às 19h30, longa às 21h30.

Na secção Silvestre, My Wife Cries de Angela Schanelec — a realizadora alemã de I Was at Home, But — ganhou o prémio de Melhor Longa-Metragem com uma descrição do júri que capta bem o seu cinema: “à primeira vista parece reservado, deliberadamente distanciado, mas gradualmente revela profundidade e complexidade emocional”. O prémio de curta da mesma secção foi para Lover, Lovers, Loving, Love de Jodie Mack. Nos Novíssimos — a secção dedicada às primeiras obras do cinema português — venceu Abril de Helena, de Maria Moreira e Victor Hugo Oliveira, descrito como um filme sobre “algo que deveria ser dado como garantido, mas que não é: o amor de uma mãe pela filha”. A mesma obra ganhou ainda o Prémio MUTIM, que distingue a curta que melhor contribui para um imaginário cinematográfico não estereotipado.

O IndieLisboa encerra oficialmente esta segunda-feira, 12 de Maio, com a sessão de The History of Concrete de John Wilson na terça-feira à noite no Cinema Ideal às 21h30 — o documentário sobre betão que começou num workshop da Hallmark e acabou num dos títulos mais aguardados do encerramento. Uma boa forma de fechar um festival que, edição após edição, continua a ser o espaço mais importante do cinema independente em Portugal.

“A Quiet Place Part III” começou a rodar em Nova Iorque — e Michael Sarnoski está de volta

Michael Sarnoski confirmou esta semana nas redes sociais que as rodagens de A Quiet Place Part III arrancaram em Nova Iorque — com uma publicação simples que dizia apenas “Here we go!” e uma fotografia de uma rua de Manhattan em silêncio. Para os fãs da franchise de terror da Paramount, foi suficiente.

Sarnoski realizou A Quiet Place: Dia Um — a prequel lançada em Junho de 2024 que fez 261 milhões de dólares globalmente e foi recebida como a melhor entrada da franchise desde o original de John Krasinski. A sua abordagem ao universo — centrada em personagens novos em vez de continuar directamente a história de Evelyn e Marcus Abbott — provou ser a fórmula certa para revitalizar uma série que parecia ter chegado ao limite criativo com A Quiet Place Part II. A Paramount apostou nele para o terceiro filme, e Sarnoski aceitou.

Os detalhes do argumento estão completamente guardados — nem o elenco foi confirmado, nem a trama foi revelada. O que se sabe é que as rodagens decorrem em Nova Iorque, o que sugere um regresso ao ambiente urbano de Dia Um em vez do ambiente rural dos dois primeiros filmes. A data de estreia está prevista para 2027. Para uma franchise que assenta precisamente no que não se diz, é uma quantidade de informação perfeitamente adequada.

Joan Collins tem 92 anos, está a tomar aulas de dança — e quer ir a Cannes mostrar o seu filme
O Diabo Veste Prada 2” voltou a ganhar — e “Mortal Kombat II” ficou logo atrás num fim-de-semana que diz muito
Adolescence” varreu os BAFTA de Televisão — e completou uma temporada de prémios sem precedentes

Joan Collins tem 92 anos, está a tomar aulas de dança — e quer ir a Cannes mostrar o seu filme

Há uma determinação específica que só certos actores têm — a recusa absoluta em deixar de fazer cinema apenas porque o mundo lhes diz que já fizeram o suficiente. Joan Collins, 92 anos, é um caso de estudo nessa determinação. Em declarações ao Deadline esta semana, a actriz britânica revelou que está a tomar aulas de dança para estar em forma para o tapete vermelho de Cannes — onde quer apresentar My Duchess, o projecto que tem desenvolvido há anos e que finalmente parece estar a tomar forma.

My Duchess é descrito como um drama de época centrado numa duquesa britânica — um papel à medida de Collins, que passou décadas a construir uma persona de elegância aristocrática que começa em Dynasty e nunca parou. O projecto tem enfrentado os obstáculos habituais do cinema independente britânico: financiamento intermitente, mudanças de elenco, datas que se deslocam. Mas Collins não desistiu — e as aulas de dança são, segundo ela, parte de uma preparação física que leva com a seriedade que sempre dedicou ao ofício.

Cannes é o sítio certo para apresentar My Duchess. O festival tem uma relação de longa data com os actores que recusam envelhecer discretamente — Jeanne Moreau foi lá até ao fim, Catherine Deneuve continua a aparecer com uma presença que define o tapete vermelho, e Sophia Loren fez uma aparição em 2021 que toda a gente que estava na sala se lembra. Joan Collins na Croisette com o seu próprio filme, aos 92 anos, depois de aulas de dança, é exactamente o tipo de momento que Cannes existe para criar.

“Legends” estreia hoje no Netflix: Steve Coogan lidera a série britânica de crime mais aguardada do mês
“Criaturas Extremamente Inteligentes” estreia hoje no Netflix: Sally Field, um polvo mal-humorado e lágrimas garantidas
Mark Ruffalo e Cooper Raiff em “Hal & Harper”: a minissérie do Sundance que estreia hoje no IndieLisboa antes de chegar ao TVCine

“O Diabo Veste Prada 2” voltou a ganhar — e “Mortal Kombat II” ficou logo atrás num fim-de-semana que diz muito

O Diabo Veste Prada 2 ultrapassou o Mortal Kombat II na bilheteira americana deste fim-de-semana, com 41 milhões de dólares contra aproximadamente 40 milhões do filme de luta. Uma diferença mínima que esconde uma história muito mais interessante do que os números sugerem.

Miranda Priestly e Sub-Zero na mesma semana, a lutar pelo mesmo público, com resultados quase idênticos. É um empate que não era esperado por ninguém: Mortal Kombat II tinha a força de uma franchise de videojogo com décadas de fãs dedicados e um orçamento de efeitos especiais considerável; O Diabo Veste Prada 2 tinha a nostalgia, o elenco e a Meryl Streep. Na prática, o público americano dividiu-se exactamente ao meio — o que é, em si mesmo, uma declaração sobre o estado do cinema de entretenimento em 2026.

O contexto da segunda semana de O Diabo Veste Prada 2 é particularmente relevante: a queda entre o primeiro e o segundo fim-de-semana foi de apenas 47%, um número baixo para um blockbuster e que indica word-of-mouth positivo — as pessoas estão a recomendar o filme aos seus círculos, e esses círculos estão a ir. O total acumulado nos EUA está nos 118 milhões ao fim de dois fins-de-semana. Em paralelo, Michael — o biopic de Michael Jackson — atingiu esta semana os 570 milhões de dólares acumulados globalmente desde a sua estreia, consolidando-se como um dos maiores sucessos do ano. Para Portugal, onde O Diabo Veste Prada 2 está em cartaz desde a semana passada, os números nacionais não foram ainda divulgados — mas o desempenho europeu do primeiro fim-de-semana sugere que o mercado ibérico correspondeu às expectativas.

Cannes abre na terça-feira: o que não perder nos primeiros dias do festival

Reese Witherspoon e Selma Blair reuniram-se 25 anos depois de “Legalmente Loira” — e as fotos são tudo

“Criaturas Extremamente Inteligentes” estreia hoje no Netflix: Sally Field, um polvo mal-humorado e lágrimas garantidas

BAFTA de Televisão 2026: “Adolescence” fez história com seis prémios — e a noite teve duas surpresas que ninguém esperava

Quando a cerimónia terminou no Royal Festival Hall em Londres, o número estava lá: seis BAFTA para Adolescence na totalidade da noite — quatro nos Television Awards e dois nos Television Craft Awards realizados há duas semanas. É o maior número de prémios conquistados por uma série numa única edição dos BAFTA de Televisão, superando o recorde anterior de Chernobyl, que tinha ganho nove prémios em 2020 mas distribuídos entre as duas cerimónias com um peso diferente. Para uma série de quatro episódios sobre um rapaz de 13 anos e o que a internet lhe fez, é um resultado que diz tudo sobre o impacto que Adolescence teve no ano televisivo britânico.

Os quatro prémios desta noite foram Melhor Actor Principal para Stephen Graham — o seu primeiro BAFTA individual, numa carreira de décadas de trabalho excepcional —, Melhor Actriz de Apoio para Christine Tremarco, Melhor Actor de Apoio para Owen Cooper e Melhor Série Limitada. Cooper, que com 16 anos se tornou no actor mais jovem a ganhar o prémio de Actor de Apoio na história dos BAFTA, citou John Lennon no discurso de aceitação: “Só precisas de três coisas para ter sucesso: uma obsessão, um sonho — e os Beatles.” Tremarco, visivelmente emocionada, disse: “Sinto-me tão honrada por fazer parte de Adolescence. Carrego este BAFTA alto. Para Hannah Walters e Stephen Graham — obrigada por acreditarem em mim.”

A noite teve duas surpresas genuínas. A primeira foi Narges Rashidi ganhar Melhor Actriz Principal por Prisoner 951, uma série da BBC sobre uma mulher iraniana presa pelo regime — batendo Aimee Lou Wood, Erin Doherty, Jodie Whittaker, Sheridan Smith e Siân Brooke numa das categorias mais competitivas da noite. É o seu primeiro BAFTA. A segunda foi The Studio da Apple TV+ ganhar Melhor Série Internacional, numa categoria que tinha The Bear, Severance, The White Lotus e The Diplomat como favoritos. Seth Rogen, que recolheu o prémio, brincou que “é bom ganhar dramas com uma comédia” e prestou homenagem a Catherine O’Hara, co-estrela da série que faleceu em Janeiro.

Fora de Adolescence, Code of Silence da ITV e BritBox — com Rose Ayling-Ellis no primeiro papel de protagonista, como uma mulher surda cujas competências de leitura labial a levam a ser recrutada pela polícia — ganhou Melhor Série Dramática, a maior surpresa da noite numa categoria que tinha A Thousand Blows, Blue Lights e This City Is Ours. The Celebrity Traitors ganhou Melhor Reality e o Prémio do Momento Memorável votado pelo público — Alan Carr a ganhar o programa, segundo os telespectadores britânicos, foi o momento televisivo mais marcante de 2025. Last One Laughing do Prime Video ganhou Melhor Entretenimento e Melhor Performance de Entretenimento para Bob Mortimer.

O BAFTA Fellowship foi entregue a Dame Mary Berry por Mel Giedroyc e Sue Perkins — uma reunião do trio do Great British Bake Off que o público recebeu com evidente emoção. O Television Special Award foi para Martin Lewis CBE, apresentado pelo seu amigo Richard Osman. Greg Davies, que apresentou a cerimónia, foi excelente — seco, preciso, sem exageros. A observação de que “uma pesquisa rápida de IA” lhe revelou que a televisão começou quando David Attenborough “abraçou um macaco pela primeira vez” — dita enquanto a BAFTA celebrava o centenário do naturalista — foi o melhor momento de humor da noite.

CategoriaVencedor
Melhor Actor PrincipalStephen Graham — Adolescence
Melhor Actriz PrincipalNarges Rashidi — Prisoner 951
Melhor Actor de ApoioOwen Cooper — Adolescence
Melhor Actriz de ApoioChristine Tremarco — Adolescence
Melhor Actor em ComédiaSteve Coogan — How Are You? It’s Alan (Partridge)
Melhor Actriz em ComédiaKatherine Parkinson — Here We Go
Melhor Série LimitadaAdolescence
Melhor Série DramáticaCode of Silence
Melhor Comédia EscritaAmandaland
Melhor Série InternacionalThe Studio
Melhor RealityThe Celebrity Traitors
Melhor EntretenimentoLast One Laughing
Melhor Performance de EntretenimentoBob Mortimer — Last One Laughing
Melhor SoapEastEnders
Melhor DaytimeScam Interceptors
Melhor Cobertura DesportivaUEFA Women’s Euro 2025
Melhor Evento em DirectoVE Day 80: A Celebration to Remember
Melhor Factual EntertainmentGo Back to Where You Came From
Melhor Série FactualSee No Evil
Melhor DocumentárioGrenfell: Uncovered
Momento Memorável (voto público)The Celebrity Traitors — Alan Carr a ganhar
BAFTA FellowshipDame Mary Berry
BAFTA Television Special AwardMartin Lewis CBE

Adolescence está disponível no Netflix em Portugal. Para quem ainda não viu — e para quem quer revisitar depois desta noite — nunca houve melhor altura.

Cannes abre na terça-feira: o que não perder nos primeiros dias do festival

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Natalie Portman está grávida — e esta é a primeira vez que fala abertamente sobre a nova relação

Estão abertas as submissões para a 5.ª edição dos Prémios Curtas — a única premiação dedicada exclusivamente ao formato curto em Portugal

O cinema português em formato curto tem casa própria desde 2023. Os Prémios Curtas — criados para distinguir e valorizar as curtas-metragens nacionais independentemente do género ou da escola de origem — abriram esta semana as submissões para a sua quinta edição, e o convite é simples: se fizeste uma curta em Portugal este ano, tens um lugar nesta competição.

A iniciativa nasceu de uma constatação óbvia para quem conhece a realidade do cinema português: as curtas-metragens são quase sempre as primeiras obras de realizadores e realizadoras que virão a definir o cinema nacional nas próximas décadas, mas raramente têm uma plataforma de reconhecimento à sua medida. Os grandes festivais têm secções de curtas, mas a competição é global e o espaço é limitado. Os Prémios Curtas existem precisamente para preencher esse vazio — uma cerimónia anual, em Lisboa, dedicada inteiramente ao formato curto e ao talento nacional.

Esta quinta edição conta com 19 categorias a concurso, que cobrem tanto géneros — ficção, documentário, animação, experimental — como áreas técnicas e artísticas: realização, interpretação, argumento, montagem, fotografia, som, banda sonora, direcção artística, guarda-roupa, caracterização e efeitos visuais. São elegíveis curtas-metragens maioritariamente realizadas em Portugal, com duração máxima de 30 minutos, produzidas ou finalizadas em 2026 — ou que tenham estreado em festivais, mostras ou plataformas de streaming em Portugal durante este ano. As obras em Língua Gestual Portuguesa são aceites desde que incluam legendas em português.

As submissões fazem-se exclusivamente através da plataforma FilmFreeway, onde cada submissão tem um custo de 7 euros — ou 2 euros para obras realizadas em contexto escolar ou universitário. Produtoras ou distribuidoras com múltiplos filmes podem contactar a organização para negociar condições. O prazo de submissão está aberto até ao final de 2026.

O júri será anunciado ao longo do ano, antes das nomeações serem reveladas. A cerimónia de entrega de prémios — que nas edições anteriores decorreu em Lisboa — tem data ainda por confirmar.

Toda a informação em premioscurtas.pt e as submissões em filmfreeway.com/PremiosCurtas.

Cannes abre na terça-feira: o que não perder nos primeiros dias do festival

Faltam quatro dias. O 79.º Festival de Cannes abre a 12 de Maio com The Electric Kiss de Pierre Salvadori na cerimónia de abertura no Grand Théâtre Lumière, e nos onze dias que se seguem Park Chan-wook e o seu júri vão ter de escolher uma Palma de Ouro entre 22 filmes que, pelo menos no papel, incluem alguns dos trabalhos mais aguardados dos últimos anos.

Os primeiros três dias são os mais importantes para perceber o estado geral do festival. A 13 de Maio, Hope de Na Hong-jin — o thriller de ficção científica com Alicia Vikander, Michael Fassbender e Hoyeon que toda a gente aponta como favorito à Palma — estreia na Competição Oficial. É o regresso do realizador de The Wailing após uma década de silêncio, com um dos maiores orçamentos de sempre no cinema coreano e o director de fotografia de Parasite por detrás da câmara. Se corresponder à expectativa, o tom do festival fica definido logo no primeiro fim-de-semana.

A 14 de Maio, Fatherland de Pawel Pawlikowski — com Sandra Hüller como a filha de Thomas Mann numa viagem pela Alemanha em ruínas do pós-guerra — é a segunda grande estreia da Competição. Pawlikowski ganhou o Óscar de Melhor Filme Internacional por Ida em 2015 e foi a Cannes com Cold War em 2018; conhece o festival e o festival conhece-o. Hüller vem de uma temporada de prémios em que foi nomeada ao Óscar por Anatomia de uma Queda e por Zona de Interesse em simultâneo — uma façanha sem precedentes. É uma das presenças mais aguardadas na Croisette este ano.

Fora da Competição, os primeiros dias têm Propeller One-Way Night Coach de John Travolta nas Cannes Premières — a estreia do actor como realizador, com um filme dedicado ao filho Jett — e nas Cannes Classics, John Lennon: The Last Interview de Steven Soderbergh, um documentário sobre a entrevista que Lennon deu 48 horas antes de ser assassinado. É o tipo de título que passa discretamente pelo festival e que toda a gente lamenta não ter visto quando chega ao streaming meses depois.

Em Un Certain Regard, Victorian Psycho de Zachary Wigon — com Maika Monroe como uma governanta vitoriana que começa a dar nas vistas pelas razões erradas — estreia a 15 de Maio e é o filme de género mais aguardado das secções paralelas. Para quem segue Cannes a partir de Portugal, a cobertura da imprensa especializada começa na segunda-feira e os primeiros veredictos reais chegam na terça. É a semana mais importante do calendário cinematográfico do ano.

Os BAFTA de Televisão são amanhã — e “Adolescence” parte como favorito em quase tudo
Reese Witherspoon e Selma Blair reuniram-se 25 anos depois de “Legalmente Loira” — e as fotos são tudo
Natalie Portman está grávida — e esta é a primeira vez que fala abertamente sobre a nova relação

Os BAFTA de Televisão são amanhã — e “Adolescence” parte como favorito em quase tudo

Os BAFTA Television Awards realizam-se amanhã, 10 de Maio, no Royal Festival Hall em Londres, com transmissão na BBC One e BBC iPlayer a partir das 19h00 hora portuguesa. O apresentador é Greg Davies — o actor e comediante galês que toda a gente conhece do Taskmaster — e o favorito claro da noite é uma série que muitos já viram mas que merece ser relembrada: Adolescence, o thriller de Stephen Graham e Jack Thorne que estreou no Netflix em Março de 2025 e se tornou num dos fenómenos televisivos mais comentados dos últimos anos.

Adolescence lidera as nomeações com 11 candidaturas, seguida de A Thousand Blows com 7 e de Andor e Trespasses com 6 cada. A série — que conta a história de uma família destruída quando o filho de 13 anos é acusado de matar uma colega, filmada em plano-sequência contínuo em cada episódio — já ganhou oito Emmys em 2025 e dominou os BAFTA de Televisão de Craft realizados há duas semanas, onde empatou com The Celebrity Traitors no número de vitórias. 

Aimee Lou Wood tem dupla nomeação — Melhor Actriz de Apoio por The White Lotus e Melhor Actriz pela série Film Club da BBC Three — tal como Erin Doherty, nomeada por Adolescence e por A Thousand Blows. São as duas histórias individuais mais interessantes da noite, numa cerimónia que reconhece programas emitidos durante 2025. 

O BAFTA Fellowship — a mais alta distinção da Academia britânica — será entregue a Dame Mary Berry, a apresentadora e autora de culinária que se tornou numa das figuras mais amadas da televisão britânica. Martin Lewis receberá o BAFTA Television Special Award. Para o leitor português, Adolescence está disponível no Netflix e pode ser (re)vista antes da cerimónia de amanhã — que vai, muito provavelmente, consolidar o seu estatuto como uma das séries britânicas mais importantes dos últimos anos.

Reese Witherspoon e Selma Blair reuniram-se 25 anos depois de “Legalmente Loira” — e as fotos são tudo

Em 2001, Reese Witherspoon entrou em tribunal com um fato cor-de-rosa e um chihuahua na mala e mudou para sempre o que se entendia por filme de comédia feminina. Selma Blair estava ao seu lado como a vilã que acaba por não ser bem vilã. Vinte e cinco anos depois, as duas publicaram esta semana fotografias juntas que circularam imediatamente em todas as redes sociais — e que, no contexto do percurso de Blair desde então, têm um peso emocional que vai muito além da nostalgia.

Selma Blair foi diagnosticada com esclerose múltipla em 2018 e tornou a sua doença pública numa entrevista que gerou uma onda de solidariedade considerável. Desde então, tem documentado a sua recuperação com uma abertura que é, por si só, uma forma de activismo. As fotografias com Witherspoon mostram Blair bem disposta e visivelmente bem — e esse é, provavelmente, o detalhe mais comentado nas redes sociais, onde a actriz tem uma base de seguidores que a acompanha com um afecto genuíno.

Legalmente Loira estreia em Junho de 1926 — um gracejo inevitável: é Junho de 2001 — e celebra este ano um quarto de século com uma persistência cultural que os seus produtores certamente não anteciparam. O filme foi considerado superficial pela crítica na altura, fez 141 milhões de dólares globalmente com um orçamento de 18 milhões, e tornou-se progressivamente num dos filmes mais citados sobre competência feminina, preconceito social e a forma como as aparências enganam sistematicamente quem as usa para julgar. “What, like it’s hard?” é uma das frases mais citadas da comédia americana dos últimos vinte e cinco anos — e continua a aparecer em cartazes de formatura, em perfis de LinkedIn e em qualquer conversa sobre subestimação.

Witherspoon está actualmente em pré-produção de Legally Blonde 3, confirmado pela MGM em Março. Blair não está confirmada no elenco — mas as fotografias desta semana sugerem que a amizade entre as duas sobreviveu aos vinte e cinco anos. O que acontece a seguir é uma questão aberta.

Natalie Portman está grávida — e esta é a primeira vez que fala abertamente sobre a nova relação

O drama que ficou por contar do Met Gala: Rihanna, A$AP Rocky e um mal-entendido que a internet amplificou

Mark Ruffalo e Cooper Raiff em “Hal & Harper”: a minissérie do Sundance que estreia hoje no IndieLisboa antes de chegar ao TVCine