Natalie Portman está grávida — e esta é a primeira vez que fala abertamente sobre a nova relação

Natalie Portman confirmou esta semana que está grávida do seu primeiro filho com Tanguy Destable, o bailarino francês com quem começou a ser fotografada no final de 2024, após o fim do casamento com Benjamin Millepied depois de onze anos juntos. A actriz partilhou a novidade de forma discreta — uma fotografia no Instagram com uma legenda que não dizia nada explicitamente mas que dizia tudo — e os meios de comunicação trataram de fazer o resto.

Portman tem 44 anos e dois filhos do casamento anterior: Aleph, de 13 anos, e Amalia, de 8. A relação com Destable — que tem 34 anos e é primeiro bailarino do Ballet de Paris, onde Millepied foi director artístico antes de sair em 2016 — tem sido mantida com uma privacidade considerável desde o início, o que torna esta confirmação pública num gesto deliberado. A actriz está actualmente a promover Melody, o drama musical de Todd Haynes que estreia em Cannes na secção Un Certain Regard, o que significa que nas próximas duas semanas haverá inevitavelmente mais perguntas e provavelmente mais respostas do que Portman costuma dar.

Para quem acompanha a carreira da actriz — Óscar por Black Swan em 2011, nomeação por Jackie em 2017, presença consistente no cinema de autor mais exigente da última década — a notícia é também um capítulo numa história pessoal que a imprensa seguiu com atenção desde que o affair de Millepied com uma estudante de dança vazou para os tablóides em 2023. Portman nunca comentou publicamente o divórcio com o detalhe que os tablóides esperavam. A gravidez é, à sua maneira, uma declaração de que seguiu em frente.

O drama que ficou por contar do Met Gala: Rihanna, A$AP Rocky e um mal-entendido que a internet amplificou

Mark Ruffalo e Cooper Raiff em “Hal & Harper”: a minissérie do Sundance que estreia hoje no IndieLisboa antes de chegar ao TVCine

“Criaturas Extremamente Inteligentes” estreia hoje no Netflix: Sally Field, um polvo mal-humorado e lágrimas garantidas

O drama que ficou por contar do Met Gala: Rihanna, A$AP Rocky e um mal-entendido que a internet amplificou

O artigo do Met Gala que publicámos na semana passada contou os looks, os momentos e as reacções. Mas houve um episódio que ficou de fora — não por falta de interesse, mas porque na altura ainda não havia factos suficientes para o contar com rigor.

O vídeo circulou durante horas: Rihanna no tapete vermelho, A$AP Rocky a falar com outra mulher, Rihanna a afastar-se com uma expressão que a internet leu imediatamente como irritação. Em minutos havia teorias, em horas havia certezas — nenhuma delas correcta. A mulher em questão era Giovanna Battaglia Engelbert, estilista italiana que conhece Rihanna há anos. Fontes próximas do casal disseram ao TMZ que a interacção tinha começado com Rihanna a falar com Giovanna, e que as duas “estavam a rir juntas antes de ela continuar a conversa com Rocky por perto”. O vídeo que circulou mostrava apenas uma parte da conversa — precisamente a parte que, fora de contexto, parecia confirmar o que a internet queria ver. 

É um episódio menor no contexto de uma noite com muito mais para contar. Mas é também um exemplo perfeito de como o ciclo de notícias de celebridades funciona em 2026: um vídeo de seis segundos, uma leitura imediata, uma narrativa construída antes de existirem factos, e depois — quando os factos chegam — muito menos interesse em corrigi-la do que havia em construí-la. Nessa mesma noite, Lauren Sánchez Bezos era descrita por testemunhas como “o centro gravitacional da sala” — com Anna Wintour ainda no título de anfitriã mas Sánchez a deter “o calor” que toda a gente perseguia. Isso gerou muito menos conversa do que seis segundos de Rihanna a olhar para o lado.

O Met Gala é, entre outras coisas, uma máquina de produzir momentos. Alguns são reais. Muitos são projecção. A distinção raramente importa tanto quanto deveria.

Mark Ruffalo e Cooper Raiff em “Hal & Harper”: a minissérie do Sundance que estreia hoje no IndieLisboa antes de chegar ao TVCine

Cooper Raiff tem 27 anos, dois filmes aclamados no currículo — Shithouse (2020), Óscar do júri em SXSW, e Cha Cha Real Smooth (2022), premiado em Sundance — e uma capacidade rara de filmar a vulnerabilidade masculina sem a transformar em espectáculo. Hal & Harper, a sua primeira minissérie, estreou no Sundance em Janeiro e chega hoje a Portugal em antestreia no IndieLisboa, às 16h45 no Cinema São Jorge, Sala 3, no último dia do festival. A estreia televisiva está marcada para 15 de Junho, às 22h10, no TVCine Edition.

A premissa é simples e densa ao mesmo tempo. Hal e Harper são dois irmãos na casa dos vinte anos que, apesar de tecnicamente adultos, continuam presos aos traumas de uma infância marcada pela perda da mãe. Quando o pai — interpretado por Mark Ruffalo — decide recomeçar a vida e vender a casa de família, os dois são obrigados a confrontar não apenas o passado mas a dependência emocional que os manteve juntos e que os impediu, cada um à sua maneira, de crescer. Raiff interpreta Hal; Lili Reinhart — conhecida de Riverdale mas cada vez mais presente no cinema independente — é Harper.

É exactamente o tipo de projecto que define o que Raiff é como realizador: histórias sobre pessoas que se amam de formas que as prejudicam, contadas com o humor subtil e a atenção ao detalhe que tornam os momentos de ruptura emocional genuinamente devastadores. A crítica do Sundance foi unanimemente calorosa, com particular destaque para Ruffalo num papel de apoio que a Variety descreveu como “o melhor trabalho do actor em anos” — a contenção de um homem que quer seguir em frente sem saber como fazê-lo sem magoar os filhos que deixa para trás.

A parceria entre o IndieLisboa e os canais TVCine para esta antestreia é o tipo de gesto que ambas as partes beneficiam — o festival ganha um título com nome e a plataforma chega ao público cinéfilo que é exactamente o seu. Para quem está no festival hoje, a sessão das 16h45 é a melhor forma de entrar em Hal & Harper antes de toda a gente. Para quem não está, o TVCine Edition tem a estreia marcada para 15 de Junho.

“Criaturas Extremamente Inteligentes” estreia hoje no Netflix: Sally Field, um polvo mal-humorado e lágrimas garantidas

“Legends” estreia hoje no Netflix: Steve Coogan lidera a série britânica de crime mais aguardada do mês

Novo “Planeta dos Macacos” confirmado com o realizador de “Quarteto Fantástico”

“Criaturas Extremamente Inteligentes” estreia hoje no Netflix: Sally Field, um polvo mal-humorado e lágrimas garantidas

Shelby Van Pelt publicou o seu romance de estreia em 2022 sem grande fanfarra. Quatro anos depois, Remarkably Bright Creatures vendeu mais de quatro milhões de exemplares, tornou-se num dos livros mais recomendados em clubes de leitura de toda a Europa e chega hoje ao Netflix numa adaptação que a crítica recebe com a mesma divisão afectuosa com que o público recebeu o livro: uns adoram sem reservas, outros adoram com reservas, e quase ninguém fica indiferente.

A história é de uma simplicidade aparente que esconde considerável profundidade emocional. Tova Sullivan (Sally Field) é uma viúva de meia-idade que trabalha no turno nocturno de limpeza de um pequeno aquário na costa do Pacífico americano. O seu único companheiro de turno é Marcellus, um polvo gigante de voz azeda e opiniões ainda mais azedas sobre a espécie humana — e sobre Tova em particular, a quem considera “tolerável, ao contrário da maioria”. Marcellus é interpretado por Alfred Molina, que empresta ao papel uma combinação de arrogância e ternura que é, de longe, o maior passo de magia do filme. Quando Cameron (Lewis Pullman), um jovem músico desempregado à procura do pai que nunca conheceu, entra no aquário por acidente e acaba contratado como auxiliar de Tova, os três formam uma aliança improvável que vai revelar segredos que ninguém esperava.

A crítica do Deadline chama-lhe “funny, wise and moving”, elogiando especialmente Alfred Molina e a química entre Field e Pullman. O Hollywood Reporter é mais cauteloso: “A poor octopus movie but a charming human one” — o que é, ao mesmo tempo, uma crítica e um elogio. O Rotten Tomatoes situa-se nos 74% e o Metacritic nos 57, uma diferença que reflecte exactamente essa divisão: a crítica mais exigente encontra contrivances e sentimentalismo fácil; o público encontra exactamente o que procurava. A realizadora é Olivia Newman, cujo historial em adaptações de literatura popular — Where the Crawdads Sing — sugere uma competência específica neste território: respeitar o livro sem o fotografar.

Field rodou a cena climática do filme numa chuva intensa numa doca em Vancouver, durante duas noites, sem hesitar. “Sally foi uma trouper. Não foi fácil, mas ela é uma actriz tão comprometida que queria que fosse o mais verdadeiro possível”, disse a realizadora. É o tipo de detalhe que diz tudo sobre uma actriz — e sobre um filme que, com todas as suas imperfeições, foi feito com seriedade.

“Legends” estreia hoje no Netflix: Steve Coogan lidera a série britânica de crime mais aguardada do mês

Brady Corbet vai fazer um filme sobre misticismo americano — e Selena Gomez pode ser a protagonista

Novo “Planeta dos Macacos” confirmado com o realizador de “Quarteto Fantástico”

“Legends” estreia hoje no Netflix: Steve Coogan lidera a série britânica de crime mais aguardada do mês

Neil Forsyth criou The Gold — a série sobre o maior assalto da história britânica — e Guilt, o thriller familiar da BBC que encontrou uma base de fãs considerável em Portugal. Legends, que estreia hoje no Netflix com todos os seis episódios disponíveis em simultâneo, é o seu projecto mais ambicioso: uma série baseada em eventos reais sobre uma das operações policiais mais extraordinárias e menos conhecidas do Reino Unido.

A história passa-se no início dos anos 90, quando o serviço de alfândegas britânico — Her Majesty’s Customs and Excise — enfrentava uma crise sem precedentes: o tráfico de droga crescia mais rápido do que a capacidade de o combater pelos métodos convencionais. A solução foi radical: recrutar funcionários comuns das alfândegas — sem treino de espionagem, sem experiência de trabalho encoberto — e enviá-los a viver durante meses ou anos com identidades completamente falsas, as chamadas “legends”, infiltrados nas redes de tráfico mais perigosas do país. É uma história sobre pessoas completamente impreparadas para o que lhes foi pedido — e sobre o que isso faz a uma pessoa.

Steve Coogan lidera o elenco como Don, o recrutador que selecciona e lança estes agentes improváveis na sua missão. Tom Burke — conhecido de Strike e The Musketeers — é Guy, o inspector de malas de Heathrow que se torna o agente central da operação. O elenco inclui ainda Aml Ameen, Hayley Squires e Jasmine Blackborow, num conjunto de personagens que Forsyth construiu com o mesmo cuidado de The Gold — sem heróis limpos, sem vilões simples, e com uma atenção ao custo humano do trabalho encoberto que raramente aparece no género.

A série chega ao Netflix num momento em que o crime britânico de qualidade — AdolescenceThe GoldThe Day of the Jackal — está a ser visto em Portugal com uma regularidade que há dez anos seria improvável. Legends parece feita para esse mesmo público.

Brady Corbet vai fazer um filme sobre misticismo americano — e Selena Gomez pode ser a protagonista
Scarlett Johansson vai fazer um filme com Ari Aster — e a A24 continua a apostar nele apesar de tudo
Demi Moore, Ruth Negga e Chloé Zhao completam o júri de Cannes — e Jacob Elordi saiu por lesão
As estreias de 7 de Maio: Billie Eilish e James Cameron, Hugh Jackman e ovelhas tagarelas e Mortal Kombat de volta

Brady Corbet vai fazer um filme sobre misticismo americano — e Selena Gomez pode ser a protagonista

The Brutalist ganhou o Leão de Ouro em Veneza, seis Óscares incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador, e transformou Brady Corbet no nome mais aguardado do cinema independente americano. O próximo projecto foi confirmado ontem pelo próprio realizador ao The Playlist — e é exactamente tão inesperado quanto se poderia esperar de alguém que fez um épico de três horas e meia sobre um arquitecto húngaro refugiado na América do pós-guerra.

O filme explora, segundo as palavras de Corbet, “misticismo americano e a história do ocultismo” — uma descrição deliberadamente vaga que é também, provavelmente, o máximo que o realizador estava disposto a revelar. Selena Gomez está em negociações para o papel principal, segundo fontes próximas do projecto citadas pelo Deadline. A ligação não é tão improvável quanto parece à primeira vista: Gomez esteve em A Stranger of the Lake de Alain Guiraudie, trabalhou com James Gray em Selena Gomez: My Mind & Me e tem uma história de escolhas que privilegiam a substância sobre a visibilidade — Spring BreakersThe Dead Don’t DieOnly Murders in the Building.

Corbet produz com a sua parceira habitual Mona Fastvold, que co-escreveu The Brutalist. A distribuidora ainda não foi confirmada, mas a A24 e a MUBI são as apostas óbvias dado o perfil do projecto. O que é certo é que o anúncio vai alimentar especulação durante meses — Corbet tem um talento particular para deixar pouca informação a circular e muito espaço para o imaginário dos fãs. Um filme sobre o ocultismo americano com Selena Gomez, realizado pelo homem de The Brutalist, é exactamente o tipo de premissa que não precisa de sinopse para criar expectativa.

Novo “Planeta dos Macacos” confirmado com o realizador de “Quarteto Fantástico”

Matt Shakman tem um verão muito ocupado. Quarteto Fantástico: Primeiros Passos estreia a 24 de Julho nos cinemas portugueses — e antes de a sala sequer esfriar, a 20th Century Studios confirmou ontem que o realizador vai fazer o próximo filme do Planeta dos Macacos. Josh Friedman, o argumentista de A Guerra dos Mundos de Spielberg e de Avatar: O Caminho da Água, escreve o guião.

O anúncio chega num momento de saúde invulgar da franchise. O Reino do Planeta dos Macacos (2024), realizado por Wes Ball, fez 397 milhões de dólares globalmente — um número que surpreendeu a indústria dado o hiato desde A Guerra do Planeta dos Macacos (2017) e relançou a série com uma nova geração de personagens, vários séculos depois dos eventos da trilogia de Caesar. O novo filme de Shakman continuará esse fio narrativo, mas os detalhes da trama são ainda desconhecidos.

Shakman tem um perfil que a 20th Century claramente valoriza: é um realizador confortável em projecto de grande escala — WandaVisionAndor, o próximo Quarteto Fantástico — mas com uma atenção à dinâmica de personagem e ao ritmo dramático que distingue o seu trabalho do blockbuster mais genérico. No contexto do Planeta dos Macacos, onde a força das últimas trilogias veio precisamente da profundidade emocional dos protagonistas, é uma escolha que faz sentido.

Friedman é o nome que mais entusiasma os fãs da franchise: o seu trabalho em Avatar mostrou que consegue construir mundos complexos sem perder o fio narrativo central, e o histórico do Planeta dos Macacos — que inclui alguns dos argumentos de ficção científica mais bem construídos do cinema americano — merece essa qualidade de escrita. Data de estreia ainda não confirmada, mas a produção está prevista para arrancar em 2027.

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Scarlett Johansson vai fazer um filme com Ari Aster — e a A24 continua a apostar nele apesar de tudo

Ari Aster tem um currículo invulgar: dois filmes aclamados e rentáveis (Hereditary e Midsommar), dois filmes aclamados e deficitários (Beau Is Afraid e Eddington), e uma A24 que continua a financiá-lo. Scapegoat será o quinto — e desta vez com Scarlett Johansson à frente.

A notícia foi confirmada ontem pelo Deadline: Johansson é a primeira actriz a juntar-se ao projecto, que Aster escreveu e vai realizar, com produção da Square Peg, a sua empresa com Lars Knudsen. A A24 distribui, como em todos os seus filmes anteriores. O argumento — naturalmente — está completamente guardado. O título é a única pista: Scapegoat, o bode expiatório, sugere que Aster não abandonou os seus territórios favoritos de paranóia, culpa e violência social. Seja horror, ficção científica ou outra coisa qualquer, a armadilha só revela a sua forma depois de se fechar.

O detalhe que torna o anúncio mais rico é o contexto de Johansson. A actriz está neste momento em rodagens de The Exorcist com Mike Flanagan para a Universal — o seu segundo grande horror no espaço de poucos meses — e tem The Batman Part II marcado para o verão. Vai também a Cannes com Paper Tiger de James Gray. Tem Ray Gunn de Brad Bird em pós-produção. E dirigiu o seu próprio primeiro longa-metragem, Eleanor the Great. Num momento em que poderia escolher qualquer projecto, escolheu Aster. Segundo o Deadline, foi a primeira escolha do realizador, e Johansson leu o argumento e quis começar o mais depressa possível. As rodagens estão previstas para o final de 2026 para acomodar a agenda existente.

Para a A24, Scapegoat é também uma aposta de continuidade numa relação que a lógica puramente comercial já poderia ter encerrado. Beau Is Afraid custou 35 milhões e fez 4,5 milhões na bilheteira. Eddington custou 30 milhões e fez 13,7 milhões. Mas a A24 não é uma distribuidora que abandona os seus realizadores quando os números não batem certo — e Aster, com a sua capacidade de criar expectativa a partir do nada, continua a ser um dos activos mais valiosos do cinema independente americano. Johansson a protagonizar um filme de Aster é exactamente o tipo de projecto que não precisa de sinopse para gerar conversa.

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Demi Moore, Ruth Negga e Chloé Zhao completam o júri de Cannes — e Jacob Elordi saiu por lesão

O júri completo da Competição Oficial do 79.º Festival de Cannes foi confirmado ontem — e chegou com uma alteração de última hora. Jacob Elordi, que estava inicialmente previsto como membro do painel, retirou-se por lesão antes de o anúncio ser feito. O seu lugar foi preenchido pelo actor camaronês Isaach De Bankolé, presença habitual em filmes de Claire Denis e Jim Jarmusch.

Park Chan-wook preside. Juntam-se-lhe Demi Moore, a actriz irlandesa Ruth Negga — nomeada ao Óscar por Loving(2016) —, a realizadora Chloé Zhao (NomadlandEternals), o actor sueco Stellan Skarsgård, o realizador chileno Diego Céspedes, a realizadora belga Laura Wandel (Playground), o argumentista Paul Laverty — colaborador de toda a carreira de Ken Loach, com duas Palmas de Ouro no currículo — e Isaach De Bankolé.

É um júri geograficamente diverso e com perspectivas muito diferentes sobre o que o cinema pode ser. Demi Moore regressa à Croisette menos de doze meses depois de ter estado em competição com A Substância — o body horror de Coralie Fargeat que ganhou o Óscar de Melhor Argumento e que foi um dos filmes mais discutidos de Cannes 2025. Skarsgård vem de Sentimental Value de Joachim Trier, que ganhou o Grand Prix no ano passado e lhe valeu uma nomeação ao Óscar. Chloé Zhao, coming off Hamlet — o seu regresso ao cinema independente depois de Eternals — traz uma leitura do cinema que equilibra a sensibilidade de autor com o apelo popular.

A Palma de Ouro será entregue a 23 de Maio. Com Hope de Na Hong-jin, Paper Tiger de James Gray e Fatherland de Pawel Pawlikowski com Sandra Hüller entre os favoritos, a corrida está genuinamente aberta.

“Gary”: The Bear lançou ontem um episódio surpresa — e Richie e Mikey têm uma história que muda tudo

Sem aviso prévio, sem trailer, sem campanha. Na tarde de terça-feira, o FX colocou no Hulu um novo episódio de The Bear — não como parte da série principal, mas como um título autónomo que só aparece se se pesquisar especificamente por ele. Chama-se “Gary”, dura uma hora, e foi escrito pelos próprios protagonistas.

Ebon Moss-Bachrach e Jon Bernthal — Richie e Mikey na série — co-escreveram o episódio juntos, com o criador Christopher Storer a realizar. É um flashback situado antes dos acontecimentos da primeira temporada: Richie e Mikey numa viagem de trabalho a Gary, no Indiana, que vai revelando as camadas da sua relação e da saúde mental de Mikey com uma profundidade que a série principal nunca teve espaço para desenvolver. A descrição oficial diz que o episódio “recontextualiza a história desde o início” — o que, vindo da produção de The Bear, não é exagero.

O anúncio foi feito por Moss-Bachrach no Instagram, numa publicação que se tornou viral imediatamente: “COUSINS! PRIMOS! CUGINI!!! Preparem-se para GARY!!!!” O tom é celebratório — e faz sentido. Os dois actores estão neste momento também em palco juntos na Broadway, numa adaptação teatral de Dog Day Afternoon, o que torna “Gary” numa espécie de presente paralelo aos fãs de ambas as expressões do seu trabalho conjunto.

The Bear foi renovada para uma quinta e última temporada em Julho de 2025, com estreia prevista para Junho de 2026. “Gary” é o amuse-bouche — a expressão é tentadora num contexto de restaurante — antes da refeição final. Em Portugal, The Bear está disponível no Disney+. “Gary” chegará pela mesma via, embora sem data confirmada.

As estreias de 7 de Maio: Billie Eilish e James Cameron, Hugh Jackman e ovelhas tagarelas e Mortal Kombat de volta

Sydney Sweeney é Christy Martin no TVCine — e este é o papel que ninguém esperava dela

Billie Eilish e James Cameron levam o concerto ao cinema — e “Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D)” já está em sala

As estreias de 7 de Maio: Billie Eilish e James Cameron, Hugh Jackman e ovelhas tagarelas e Mortal Kombat de volta

Esta semana o cartaz português tem seis estreias — e a combinação é suficientemente eclética para servir gostos muito diferentes. Da sala de concertos ao torneio de kombat, passando por uma Irlanda romântica e um piano em Paris, o que não falta é variedade.

O título mais inesperado — e provavelmente o mais comentado — é Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D), um filme de concerto co-realizado pela própria cantora e por James Cameron. A colaboração nasceu em Julho de 2025, durante as filmagens dos concertos de Manchester da digressão mundial de Eilish, quando Cameron estava na plateia com mais câmaras do que o habitual. O filme capta os concertos em 3D imersivo, com footage de bastidores e transições cinematográficas criadas especificamente para o grande ecrã — não é um registo de concerto, é uma experiência concebida para a sala. É o primeiro filme de Cameron com co-realizador desde Aliens of the Deep em 2005, e a terceira longa de concerto de Eilish depois de Happier Than Ever (2021) e Live at the O2 (2023). Distribuição NOS Audiovisuais.

As Ovelhas Detetives é a surpresa do cartaz familiar desta semana. O título original — The Sheep Detectives — diz tudo: uma comédia de mistério animada com as vozes de Hugh Jackman, Emma Thompson e Nicholas Braun, realizada por Kyle Balda, o mesmo de Minions e Gru, O Maldisposto. Com 109 minutos e classificação geral, é a escolha óbvia para quem tem crianças e quer uma tarde de cinema sem compromisso. Distribuição Big Picture.

Mortal Kombat II é a sequela do filme de 2021 com Karl Urban a liderar o elenco, realizado por Simon McQuoid. A franchise de videojogos — uma das mais longevas da história dos jogos de luta — regressa às salas com mais reinos, mais alianças e a promessa de combates à escala épica. Distribuição Cinemundo.

Para quem prefere o drama romântico, Amor em Quatro Letras (Four Letters of Love) chega com Fionn O’Shea, Ann Skelly e Pierce Brosnan num filme irlandês baseado no bestseller homónimo de Niall Williams — um romance que combina fantasia, espiritualidade e amor impossível numa paisagem rural irlandesa filmada com a beleza que o género exige. Realização de Polly Steele, distribuição NOS Audiovisuais.

Chopin – Uma Sonata em Paris é a proposta mais clássica da semana: um biopic sobre Frédéric Chopin realizado pelo polaco Michał Kwieciński, com Eryk Kulm no papel do compositor e Joséphine de la Baume como George Sand, a escritora e companheira de Chopin durante anos decisivos da sua vida criativa em Paris. Com 133 minutos e um rigor de produção que passou por vários festivais europeus, é a escolha para quem quer cinema histórico com substância. Distribuição Pris.

Por fim, Capitão Dentes de Sabre e a Condessa de Gral completa o cartaz infantil da semana: uma animação norueguesa baseada na franchise Kaptein Sabeltann — um dos personagens mais populares da cultura popular escandinava — realizada por Rasmus A. Sivertsen, Yaprak Morali e Are Austnes. Classificação M/6, 77 minutos, distribuição Films4You.

Seis filmes, seis géneros. A semana que vem traz A Providência e a Guitarra de João Nicolau com Salvador Sobral, Iron Maiden: Burning Ambition e Teresa – A Madre de Calcutá com Noomi Rapace — mas isso é conversa para daqui a sete dias.

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Sydney Sweeney é Christy Martin no TVCine — e este é o papel que ninguém esperava dela

Billie Eilish e James Cameron levam o concerto ao cinema — e “Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D)” já está em sala

Jane Fonda despediu-se de Ted Turner: “Amei-o com todo o meu coração”

Actualizado dia 8 de Maio de 2025

Sydney Sweeney é Christy Martin no TVCine — e este é o papel que ninguém esperava dela

Sydney Sweeney construiu a sua carreira em papéis de vulnerabilidade contida — Cassie em Euphoria, Olivia em The White Lotus, a protagonista de Qualquer Coisa Como Amor. O que ninguém esperava era vê-la num ringue de boxe, com luvas, sangue e um corpo que passou meses a transformar para o papel. Christy: A Força de Uma Campeã estreia domingo, 10 de Maio, às 22h00 no TVCine Top e TVCine+, e é o filme que muda a conversa sobre o que Sweeney é capaz de fazer.

A história é real — e é extraordinária. Christy Martin cresceu numa pequena cidade da Virgínia Ocidental sem nenhum destino óbvio e encontrou no boxe uma saída, uma identidade e eventualmente a fama. Nos anos 90, tornou-se na primeira mulher pugilista a aparecer na capa da Sports Illustrated, partilhou cartaz com Mike Tyson em vários dos seus combates mais vistos, e foi durante anos o rosto do boxe feminino americano numa época em que o desporto mal reconhecia a sua existência. Por detrás do sucesso havia outra história: Christy era lésbica numa América que não perdoava isso, especialmente no mundo do desporto de combate, e a pressão social levou-a a casar com o seu treinador, James Martin — interpretado por Ben Foster —, numa relação que foi progressivamente revelando a sua natureza abusiva até chegar a um ponto de rutura literal.

David Michôd realiza — o australiano de Animal Kingdom e The Rover, dois filmes que conhecem bem a violência doméstica e a sobrevivência como temas — e a escolha não é acidental. Michôd tem uma capacidade particular de filmar a tensão que antecede a explosão, a contenção que precede o colapso, e é exactamente esse território que a história de Christy Martin habita. O filme não é sobre boxe. O boxe é o único lugar onde Christy Martin tinha controlo — e é por isso que as cenas no ringue são as únicas em que a personagem respira.

Sweeney preparou-se durante meses com treinadores de boxe profissionais, ganhou massa muscular visível e trabalhou a mecânica do combate com um rigor que se nota em cada cena. Mas a transformação mais impressionante não é física — é a forma como a actriz habita a dissociação de uma mulher que aprendeu a apresentar uma versão de si mesma para o mundo enquanto guardava outra para sobreviver. É o melhor trabalho da sua carreira, num papel que nenhum realizador de Euphoria alguma vez lhe ofereceria.

Domingo, 10 de Maio, às 22h00. TVCine Top e TVCine+.

Billie Eilish e James Cameron levam o concerto ao cinema — e “Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D)” já está em sala

Jane Fonda despediu-se de Ted Turner: “Amei-o com todo o meu coração”

TVCine Edition dedica as sextas de Maio à música que mudou o século XX — de Lennon aos Pogues, passando por Led Zeppelin e Sarajevo

Billie Eilish e James Cameron levam o concerto ao cinema — e “Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D)” já está em sala

Dois vencedores de Óscares numa sala de montagem não é uma combinação que acontece todos os dias. Billie Eilish — quatro Óscares, nove Grammys, a artista mais nova a ganhar os quatro principais prémios da Academia na mesma noite — e James Cameron — o realizador de TitanicAvatar e The Abyss — co-realizaram juntos o filme-concerto que estreia hoje nos cinemas portugueses com distribuição NOS Audiovisuais. O resultado é Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D), e é exactamente tão improvável e tão inevitável quanto parece.

A colaboração nasceu durante a digressão mundial de Eilish em 2025. Cameron estava na plateia de um dos concertos de Manchester — com mais câmaras do que o habitual — e o que começou como uma presença de espectador transformou-se numa parceria criativa. O filme capta os concertos em 3D imersivo, com footage de bastidores e transições cinematográficas concebidas especificamente para o grande ecrã. Não é um registo de concerto transposto para sala — é uma experiência construída para funcionar em formato cinematográfico, com a linguagem visual que Cameron domina como poucos.

Para Eilish, é o terceiro filme de concerto da carreira, depois de Happier Than Ever: A Love Letter to Los Angeles (2021) e Billie Eilish Live at the O2 (2023) — mas o primeiro concebido desde o início como experiência de sala, e o primeiro com um co-realizador com este peso. Para Cameron, é o primeiro projecto com co-realizador desde Aliens of the Deep em 2005, e uma saída radical do universo da ficção científica que o tem ocupado nos últimos vinte anos.

A digressão Hit Me Hard and Soft foi uma das mais marcantes de 2025 — esgotou estádios em quatro continentes, foi descrita pela crítica especializada como a mais ambiciosa da carreira de Eilish em termos de produção visual, e serviu de plataforma de lançamento para o segundo álbum, que gerou os maiores números de streaming da história da plataforma Spotify na semana de estreia. Ver isso no grande ecrã, em 3D, com o som que as salas de cinema proporcionam, é uma proposta diferente de qualquer coisa que Eilish tenha feito antes — e de qualquer coisa que Cameron tenha feito antes também.

Já em cartaz nos Cinemas NOS e UCI em todo o país.

Jane Fonda despediu-se de Ted Turner: “Amei-o com todo o meu coração”
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Kenneth Branagh quer voltar a dirigir Thor — e desta vez tem um argumento difícil de contrariar

Jane Fonda despediu-se de Ted Turner: “Amei-o com todo o meu coração”

Ted Turner morreu ontem aos 87 anos. O magnata dos media que fundou a CNN em 1980 — a primeira estação de notícias por cabo a operar 24 horas por dia, numa altura em que toda a gente na indústria dizia que era impossível — deixou um legado que atravessa a televisão, o desporto, o ambientalismo e, inevitavelmente, Hollywood. Jane Fonda, sua ex-mulher durante dez anos, foi das primeiras a reagir publicamente: “Amei Ted com todo o meu coração. Era uma força da natureza — imperfeito, impossível às vezes, mas genuinamente comprometido a tornar o mundo melhor.”

A relação entre Fonda e Turner é um dos capítulos mais coloridos da vida pública de ambos. Casaram-se em Dezembro de 1991, no rancho de Turner no Montana, numa cerimónia surpresa que apanhou a imprensa de surpresa. Durante dez anos foram um dos casais mais visíveis de Hollywood — ele, o cowboy dos media que coleccionava canais de televisão e fazendas; ela, a actriz e activista que tinha acabado de regressar ao cinema depois de um hiato. Divorciaram-se em 2001, com Fonda a dizer mais tarde que a relação a tinha ensinado tanto quanto a destruído. A homenagem de ontem sugere que a destruição ficou para trás há muito.

Para o cinema, Turner importa por razões menos óbvias do que a CNN. Foi através da Turner Entertainment — a divisão que adquiriu em 1986 ao comprar a MGM — que preservou e tornou acessível um dos maiores arquivos da história de Hollywood: mais de 3.600 filmes, incluindo títulos da MGM, RKO, Warner Bros. pré-1950 e Monogram. Foi Turner quem financiou as primeiras restaurações a cores de clássicos como CasablancaO Feiticeiro de Oz e E Tudo o Vento Levou, numa altura em que a indústria não tinha ainda percebido o valor comercial do arquivo cinematográfico. É também responsável pela fundação do Turner Classic Movies — o canal que continua a ser a melhor televisão para cinéfilos no mundo anglófono.

Turner tinha defeitos que ele próprio nunca negou — um temperamento que destruiu mais do que uma relação profissional e pessoal, e uma tendência para a grandiosidade que os seus colaboradores descrevem com uma mistura de admiração e exasperação. Mas o homem que criou a CNN porque achava que as notícias mereciam mais do que meia hora por dia, e que preservou décadas de cinema americano porque achava que o passado merecia ser visto, deixa um vazio que é simultaneamente empresarial e cultural.

TVCine Edition dedica as sextas de Maio à música que mudou o século XX — de Lennon aos Pogues, passando por Led Zeppelin e Sarajevo

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Maio tem sido um mês generoso para os documentários musicais. O concerto de Billie Eilish com James Cameron chegou às salas esta semana; o Iron Maiden: Burning Ambition estreia a 14. Mas é nas noites de sexta-feira do TVCine Edition que o género vai mais fundo — e mais longe no tempo. De 8 a 29 de Maio, sempre às 22h00, o canal emite quatro documentários sobre artistas e momentos que moldaram a segunda metade do século XX, num ciclo intitulado Documentários: O Outro Lado da Música.

A abertura, a 8 de Maio, é de peso máximo. One to One: John & Yoko, realizado por Kevin Macdonald — o mesmo de Whitney, Marley e O Último Rei da Escócia — parte do único concerto completo de John Lennon após a dissolução dos Beatles: o espectáculo “One to One”, dado em Nova Iorque em Agosto de 1972. A partir desse ponto, o filme percorre dezoito meses decisivos na vida de Lennon e Yoko Ono, com imagens inéditas e material restaurado que reconstroem o ambiente íntimo do casal na cidade. É o tipo de documentário que coloca em causa tudo o que se julgava saber sobre uma das figuras mais estudadas da história da música popular.

A 15 de Maio, Led Zeppelin – O Nascimento da Lenda, realizado por Bernard MacMahon, é descrito como o primeiro documentário oficialmente autorizado pela banda — uma distinção relevante num universo de registos não oficiais que circulam há décadas. O filme concentra-se nas origens do grupo e na sua ascensão em menos de um ano, com imagens raras, actuações e testemunhos dos próprios membros. Para quem cresceu com Whole Lotta Love ou Stairway to Heaven, é a história por detrás da história.

Pote de Ouro: Nos Copos Com Shane MacGowan, a 22 de Maio, é o retrato mais imprevisível do ciclo. Julien Temple — realizador do clássico The Filth and the Fury sobre os Sex Pistols — constrói um filme sobre o líder dos The Pogues que é, ao mesmo tempo, uma celebração e um inventário de excessos. MacGowan, que morreu em Novembro de 2023, foi uma das figuras mais contraditórias da música irlandesa: poeta brilhante, alcoólico crónico, autor de Fairytale of New York e de uma das carreiras mais autenticamente inconformadas do rock. O título em inglês — Crock of Gold: A Few Rounds with Shane MacGowan — diz mais do que qualquer sinopse.

O encerramento, a 29 de Maio, é o mais inesperado dos quatro. Kiss the Future não é sobre uma banda nem sobre um concerto: é sobre o cerco de Sarajevo entre 1992 e 1995, e sobre como a música e a arte funcionaram como resistência durante um dos períodos mais sombrios da história europeia recente. O documentário segue uma comunidade criativa que mobilizou a atenção internacional durante o conflito, culminando no envolvimento dos U2 e num concerto histórico após o cessar-fogo. É um filme sobre o que a música faz quando tudo o resto falhou — e é, de longe, o mais difícil de ver dos quatro.

Quatro sextas-feiras, quatro décadas diferentes, quatro formas de perceber que a música raramente é só música. TVCine Edition e TVCine+, às 22h00.

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Kenneth Branagh teve uma semana movimentada. Estreou em O Diabo Veste Prada 2 como Stuart, o novo marido de Miranda Priestly — um papel que, como toda a gente que viu o filme já sabe, não é propriamente tranquilo — e aproveitou a ronda de entrevistas para revelar que ainda tem contas por ajustar com outro universo: o da Marvel.

Em declarações ao Business Insider, o realizador de 65 anos confirmou que estaria disponível para regressar ao MCU para dirigir um novo filme do Thor. Branagh realizou o primeiro Thor em 2011 — o filme que lançou Chris Hemsworth e que estabeleceu o tom shakespeariano e ligeiramente absurdo que a personagem manteve ao longo de toda a franchise. “Definitivamente estava pronto para outro, com certeza, mas não naquele momento. As rodagens da Marvel são intensas”, disse. O “não naquele momento” de 2011 tornou-se entretanto numa ausência de quinze anos — mas o interesse, segundo as suas próprias palavras, manteve-se.

O momento em que Branagh faz estas declarações não é inocente. A Marvel está em plena reestruturação criativa após Vingadores: Juízo Final — que ocupa agora o segundo lugar do ranking de maiores bilheteiras de sempre — e o estúdio tem procurado activamente realizadores com visão própria para as próximas fases do universo. Thor não tem filme solo confirmado após Love and Thunder (2022), e a narrativa de Branagh — que recorda com nostalgia o processo de casting de Hemsworth e Hiddleston, e a escolha de Anthony Hopkins como Odin — soa menos a saudosismo e mais a candidatura subtil.

O detalhe que torna tudo isto mais divertido é o contexto imediato: Branagh estreou-se nesta semana num filme que critica implicitamente a “Marvel-ização” do cinema — as palavras são de Meryl Streep, que as disse enquanto promovia o mesmo filme onde Branagh tem um papel. O marido de Miranda Priestly quer dirigir Thor. Miranda Priestly diria que isso é tudo.

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Em 2023, o Prime Video lançou Citadel com uma fanfarra proporcional ao investimento — e o investimento era de cerca de 300 milhões de dólares para a primeira temporada, um valor que colocava a série entre as produções mais caras da história da televisão. A recepção foi morna: a crítica encontrou uma série de espionagem tecnicamente impecável mas narrativamente sobrecarregada, com demasiada mitologia, demasiados saltos temporais e pouco espaço para que as personagens respirassem. O público foi suficiente para justificar uma segunda temporada — mas a conversa em torno da série nunca atingiu a dimensão que a Amazon esperava.

A segunda temporada estreia amanhã, 6 de Maio, e chega com uma proposta diferente. Priyanka Chopra Jonas e Richard Madden regressam como Nadia Sinh e Mason Kane — os agentes da organização de espionagem independente Citadel, amnésicos restaurados em guerra com a rede criminosa Manticore — mas a produção prometeu um argumento mais contido, com menos dependência da mitologia estabelecida e um ritmo que a primeira temporada reconhecidamente não conseguiu manter. Os showrunners mudaram: David Weil, responsável pela primeira temporada, saiu, e a segunda foi desenvolvida por uma equipa que estudou o que não funcionou antes de escrever uma linha de argumento.

O contexto da franchise importa para perceber o que está em jogo. Citadel é o laboratório da estratégia de universo global da Prime Video: há uma versão italiana — Citadel: Diana — e uma indiana — Citadel: Honey Bunny — a correr em simultâneo, com histórias autónomas que se cruzam com a série principal. É um modelo sem precedentes na televisão de streaming e a Amazon investiu nele com uma seriedade que vai além de uma única série. Se a segunda temporada de Citadel não convencer, o modelo todo é posto em causa.

Para quem não viu a primeira temporada — disponível na íntegra no Prime Video — a segunda foi concebida para funcionar como ponto de entrada, com um episódio de contexto que recapitula o essencial sem exigir que o espectador tenha visto tudo. É uma concessão inteligente que diz muito sobre as lições aprendidas.

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Faltam sete dias para o arranque do 79.º Festival de Cannes e o júri da Competição Oficial está finalmente completo. Park Chan-wook preside — o realizador sul-coreano de Oldboy e Decisão de Partir na mais alta função que Cannes atribui a um cineasta convidado. Juntam-se-lhe Demi Moore, Chloé Zhao, Stellan Skarsgård, a realizadora francesa Mia Hansen-Løve, a actriz brasileira Fernanda Torres e o escritor marroquino Fouad Laroui.

A presença de Demi Moore é o dado mais comentado. A actriz regressou ao primeiro plano com A Substância — o body horror de Coralie Fargeat que ganhou o Óscar de Melhor Argumento Original em Março e que foi, desde a estreia em Cannes no ano passado, um dos filmes mais discutidos da temporada. Moore sentou-se na sala de imprensa de Cannes há menos de doze meses como actriz em competição; agora regressa como juíza. É uma das trajectórias mais rápidas e mais merecidas da história recente do festival.

Chloé Zhao traz uma perspectiva que o júri necessitava: a realizadora de Nomadland — Palma de Ouro e Óscar de Melhor Realização — conhece o festival dos dois lados e tem uma leitura do cinema de autor que equilibra o instinto comercial de Eternals com a sensibilidade indie dos seus primeiros filmes. Stellan Skarsgård, o sueco que em cinquenta anos de carreira trabalhou com Ingmar Bergman, Lars von Trier, David Fincher e Denis Villeneuve, é a encarnação da memória cinematográfica europeia que Cannes gosta de ter à mesa.

A composição do júri sugere algumas coisas sobre o que pode acontecer a 24 de Maio, quando a Palma de Ouro for entregue. Um júri com Demi Moore e Chloé Zhao não vai necessariamente premiar o mais hermético — há abertura ao cinema que comunica com o grande público sem perder exigência. Park Chan-wook, como presidente, é o factor imprevisível: os seus filmes recusam categorias e o seu gosto é notoriamente difícil de antecipar. Com Hope de Na Hong-jin e Paper Tiger de James Gray entre os favoritos, a Palma de Ouro de 2026 está genuinamente em aberto.

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O tema era Costume Art — a arte do traje como forma de expressão. A interpretação foi, como sempre no Met Gala, generosa o suficiente para incluir tudo, desde a erudição histórica à pirotecnia literal. Ontem à noite, na escadaria do Metropolitan Museum of Art em Nova Iorque, aconteceu a edição de 2026 do evento que, todos os anos, transforma a moda em espectáculo e o espectáculo em conversa global.

O momento da noite foi de Katy Perry — e foi, no sentido mais literal, ardente. O vestido da cantora soltava faíscas reais na escadaria do Met, num efeito que a equipa de segurança do evento acompanhou de perto e que a internet tratou com a mistura habitual de espanto e meme. Perry tem um historial de apostas visuais maximizadas nos grandes eventos — e desta vez foi além do que qualquer um esperava. Viral imediato, sem discussão.

Heidi Klum — que tem nas entradas no Met Gala um historial de transformações completas — chegou como uma figura saída directamente de um quadro de Vermeer: luz dourada, pose calculada, execução impecável. É o tipo de look que exige investigação prévia e que recompensa quem a faz. Bad Bunny optou por uma leitura conceptual do tema: apareceu como uma versão envelhecida de si próprio, com caracterização de décadas adicionadas ao rosto, num comentário sobre o tempo e a identidade artística que dividiu opiniões — metade da internet achou genial, a outra metade não percebeu.

Rihanna e A$AP Rocky foram, para variar, o tema mais comentado pelos motivos errados. Os looks do casal — que nas últimas edições tinham definido o nível de ambição do evento — foram recebidos com frieza considerável nas redes sociais, com muitos a considerar que ficaram aquém do tema e da história do próprio casal no Met. As ausências notáveis incluíram Ariana Grande e Zendaya — duas das presenças mais aguardadas em qualquer edição — sem explicação pública.

Para quem segue o Met Gala pela sua ligação ao cinema, a presença de O Diabo Veste Prada 2 em cartaz deu ao evento uma ressonância particular: Miranda Priestly teria muito a dizer sobre algumas das escolhas da noite. E provavelmente diria em dois sílabas.

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Tony Awards 2026: “The Lost Boys” e “Schmigadoon!” lideram com 12 nomeações — e os snubs são tão bons quanto os nomeados

As nomeações para a 79.ª cerimónia dos Tony Awards foram anunciadas esta manhã em Nova Iorque por Uzo Aduba e Darren Criss — e a temporada que estava a ser descrita como “sem favorito claro” confirmou exactamente isso: The Lost Boys e Schmigadoon! lideram empatados com 12 nomeações cada, seguidos de perto por Ragtime com 11. Em décadas recentes, a Broadway tinha habituado o público a ter um Hamilton ou um Hadestown a dominar a conversa desde Outubro. Este ano, a corrida ao Melhor Musical vai mesmo até ao fim.

The Lost Boys — baseado no filme de vampiros de Joel Schumacher de 1987, com efeitos especiais ao vivo que foram o tema de conversa de toda a temporada — recebeu nomeações em todas as categorias principais, incluindo Melhor Musical, Melhor Argumento, Melhor Partitura e Melhor Actor em Papel de Apoio para Ali Louis Bourzgui. Schmigadoon!, a série Apple TV+ de Cinco Paul que começou em 2021 e chegou à Broadway em Abril deste ano depois de uma estreia no Kennedy Center, é o primeiro grande crossover streaming-Broadway da história — e as 12 nomeações confirmam que a acumulação de fãs ao longo de dois anos de televisão se traduziu em bilhetes vendidos e atenção crítica.

O revival de Ragtime com 11 nomeações é a história mais emocionante da temporada para quem conhece o musical: Joshua Henry e Caissie Levy receberam nomeações individuais, e a produção está em luta directa com os dois musicais novos pelo prémio principal. Arthur Miller’s Death of a Salesman lidera as peças com 9 nomeações, com Nathan Lane, Laurie Metcalf e Christopher Abbott todos reconhecidos — e com a marca do regresso de Scott Rudin à Broadway pela primeira vez desde as acusações de abuso em 2021 a pairar sobre a produção.

Os snubs são tão comentados quanto os nomeados. Lea Michele — que regressou aos palcos em Chess depois de anos de ausência pública — ficou sem nomeação, o que a internet tratou com a intensidade habitual. Adrien Brody, que foi a Fear of 13 directamente depois do Óscar de The Brutalist, também ficou de fora, tal como Ayo Edebiri e a produção de Beaches, The Musical com Kristin Chenoweth. A surpresa positiva mais comentada é Rose Byrne, nomeada por Fallen Angels — tornando-se numa das pouquíssimas performers a receber nomeações ao Óscar e ao Tony no mesmo ano.

A cerimónia é a 7 de Junho no Radio City Music Hall, apresentada por Pink. E lá fora vai ter transmissão na CBS e no Paramount+.