Questlove Abre Tribeca 2026 com Documentário Sobre Earth, Wind & Fire

O vencedor do Óscar por Summer of Soul regressa ao formato documental que o consagrou, contando a história de uma das bandas mais icónicas do século XX. A estreia mundial será seguida de um concerto histórico.

A 25.ª edição do Tribeca Festival, que decorre em Nova Iorque entre 10 e 21 de junho de 2026, terá uma abertura em grande estilo. O festival anunciou nas últimas 24 horas que a sua noite inaugural será dedicada a The Mighty Elements: The Untold Story of Earth, Wind & Fire, o novo documentário realizado por Ahmir “Questlove” Thompson.

A escolha não podia ser mais simbólica. Questlove, baterista e líder dos The Roots, tornou-se num dos documentaristas musicais mais respeitados da atualidade depois de ter vencido o Óscar de Melhor Documentário com Summer of Soul (2021), um filme que resgatou do esquecimento as imagens do Harlem Cultural Festival de 1969. Agora, o realizador volta a mergulhar nos arquivos da música negra americana para contar a história dos Earth, Wind & Fire, a banda fundada por Maurice White que redefiniu os limites do soul, funk e R&B.

Uma Noite de Cinema e Música ao Vivo

A sessão de estreia está marcada para 10 de junho de 2026, ao ar livre, no The Battery — um dos locais mais emblemáticos de Manhattan, com vista para o porto de Nova Iorque. Mas o Tribeca não se ficará pela projeção. Após o filme, o público assistirá a um momento raro e histórico: um concerto conjunto dos Earth, Wind & Fire e dos The Roots, celebrando ao vivo o legado de uma banda que marcou gerações com temas como SeptemberBoogie WonderlandLet’s Groove e After the Love Has Gone.

Robert De Niro, co-fundador do festival, comentou a escolha em comunicado: “A música sempre foi uma parte essencial da identidade do Tribeca. Ter o Questlove a regressar connosco para contar a história de uma banda que definiu uma era — e fazê-lo com um concerto ao vivo — é a forma perfeita de celebrar os nossos 25 anos.”

O Que Esperar do Documentário

De acordo com as informações reveladas pela produção, The Mighty Elements terá acesso exclusivo aos arquivos pessoais de Maurice White, o visionário fundador da banda que faleceu em 2016. O filme contará ainda com entrevistas aos membros sobreviventes, incluindo Philip Bailey(vocalista), Verdine White (baixista e irmão de Maurice) e Ralph Johnson (baterista e percussionista).

Questlove promete um retrato íntimo e profundo, que vai além dos êxitos radiofónicos. Em declarações à imprensa, o realizador afirmou: “Os Earth, Wind & Fire não foram apenas uma banda de sucesso. Foram um fenómeno cultural que combinou música, espiritualidade e uma visão artística única. O Maurice White era um místico, um filósofo e um génio musical. Este filme é uma tentativa de fazer justiça a esse legado.”

A banda, que já vendeu mais de 90 milhões de discos em todo o mundo, é conhecida tanto pela sua sofisticação musical — que fundia jazz, funk, soul, pop e elementos eletrónicos — como pelos seus espetáculos ao vivo visualmente deslumbrantes, repletos de pirotecnia, coreografias e figurinos exuberantes.

O Contexto do Documentário Musical

The Mighty Elements insere-se num momento particularmente fértil para o documentário musical. Nos últimos anos, títulos como The Beatles: Get Back (Peter Jackson, 2021), Becoming Led Zeppelin (Bernard MacMahon, 2025) e o próprio Summer of Soul provaram que há um apetite voraz do público por histórias bem contadas sobre os gigantes da música popular.

A escolha do Tribeca como plataforma de lançamento também não é inocente. O festival nova-iorquino tem-se afirmado como um espaço privilegiado para estreias de documentários musicais de alto perfil. Foi no Tribeca que estrearam, por exemplo, Clive Davis: The Soundtrack of Our Lives(2017) e The Go-Go’s (2020).

Estreia Mundial: 10 de junho de 2026, Tribeca Festival.
Distribuição em Portugal: Ainda não anunciada. Espera-se que o filme seja adquirido por uma plataforma de streaming nas próximas semanas.

Nem Todos Querem Ser Gatos: Disney Cancela The Aristocats em Versão Live-Action

A Disney anda numa relação complicada com os seus próprios clássicos. Depois de dar vida nova a O Rei LeãoAladinoou A Pequena Sereia, chegou a vez de… cancelar os gatos. É oficial: a versão live-action de The Aristocats, que estaria a ser preparada por Ahmir “Questlove” Thompson, foi arrumada na gaveta.

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Sim, aqueles felinos parisienses que cantavam alegremente que “todo o mundo quer ser gato” afinal não vão miar de novo no grande ecrã. Ou, pelo menos, não tão cedo.

Questlove, conhecido pelo groove com os The Roots e pela sua veia cinéfila, parecia ser a escolha perfeita para reinventar a comédia felina de 1970 com música nova, ritmo urbano e um olhar fresco. Mas, segundo o próprio, as coisas começaram a emperrar com sucessivos adiamentos e “mudanças administrativas” dentro da Disney. À terceira vez que lhe disseram “espera mais um pouco”, o músico teve de aceitar a dura realidade: talvez o filme não fosse para ele.

Entretanto, a Disney vive um verdadeiro carrossel de emoções no que toca a remakes: Snow White anda envolvido em polémicas antes sequer de estrear, Tangled ficou em pausa, mas Lilo & Stitch surpreendeu tudo e todos ao tornar-se o primeiro sucesso bilionário de 2025 e já tem continuação em andamento. O que prova que, na casa do Rato Mickey, uns projetos nascem a cantar e outros morrem antes do primeiro miado.

No meio disto, fica a sensação de oportunidade perdida: The Aristocats sempre foi um dos clássicos mais musicais e divertidos da Disney, com personagens tão excêntricas que até pediam um novo arranjo no século XXI. Mas, pelos vistos, a aventura acabou mesmo em miado curto.

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Resta aos fãs voltarem ao original de 1970, onde a Duquesa, o malandro Thomas O’Malley e os gatinhos Marie, Toulouse e Berlioz continuam eternos, em Technicolor e com swing jazz. No fim de contas, talvez seja melhor assim: afinal, como dizia a canção, “ninguém pode viver sem os gatos” — mas a Disney pode perfeitamente viver sem o remake.