Coachella 2026: Sabrina Carpenter Construiu Hollywood no Deserto, Bieber Tocou Sozinho e Karol G Fez História

O Coachella tem uma forma de revelar quem é cada artista quando lhes é dado o palco maior do mundo e a liberdade total de decidir o que fazer com ele. O primeiro fim-de-semana de 2026 — realizado entre sexta e domingo no Empire Polo Club em Indio, na Califórnia — deu exactamente isso a três artistas muito diferentes, e os três escolheram de formas que ninguém esquecerá tão depressa.

Sabrina Carpenter fez a promessa há dois anos. Em 2024, quando actuou no festival como apoio de outra artista, disse à multidão: “Até à próxima quando eu cabecear.” Na sexta-feira à noite, cumpriu — com uma exuberância que transformou o palco principal numa versão delirante de Hollywood. O cenário era “Sabrinawood”: um letreiro gigante com o nome da cantora iluminou o deserto californiano enquanto ela atravessou 20 músicas num concerto de quase duas horas que incluiu cameos de Susan Sarandon, Will Ferrell e Samuel L. Jackson. Sarandon surgiu a meio do concerto num carro antigo para declamar um monólogo de sete minutos como uma versão mais velha de Carpenter — a Variety chamou-lhe “bizarro”, as redes sociais chamaram-lhe “icónico.” São descrições que não se excluem. Carpenter é, de longe, a artista pop mais inventiva e mais consciente da sua própria mitologia da sua geração — e o Coachella 2026 foi a confirmação em formato épico.

Justin Bieber escolheu o exacto oposto. O regresso do cantor canadiano ao palco — o seu concerto de maior dimensão em anos, depois de um período de saúde mental difícil e de um hiato prolongado — foi deliberadamente despojado. Palco quase vazio, sem dançarinos, sem efeitos especiais, sem mudanças de roupa. Apenas Bieber, um halfpipe metálico que servia de estrutura de palco e, ocasionalmente, dois guitarristas e quatro convidados especiais: Tems, Wizkid, Dijon e The Kid Laroi. A audiência dividiu-se em tempo real: metade da internet elogiou a coragem de colocar a voz em primeiro plano sem adornos; a outra metade ficou desapontada com a ausência de espectáculo. “Uau, estar aqui tão perto de vocês é especial”, disse Bieber à multidão. Quem estava presente descreveu um concerto de uma intimidade que raramente se encontra num palco desta dimensão.

Karol G encerrou o domingo — e a história. A cantora colombiana tornou-se a primeira artista latina a cabecear o Coachella nos seus 25 anos de existência, fechando um fim-de-semana em que a América Latina marcou presença como nunca antes no festival. O concerto foi o oposto do de Bieber: alta energia, produção elaborada, coreografias precisas, e convidadas surpresa que incluíram Becky G. “Latina Foreva”, cantou Karol G para uma multidão que claramente concordava. A representação importa — e o Coachella finalmente reconheceu isso.

O segundo fim-de-semana do festival realiza-se de 17 a 19 de Abril, com os mesmos headliners a repetir os seus concertos. Para quem não esteve no deserto, os três concertos estiveram disponíveis em directo no YouTube — em quatro câmaras simultâneas e de graça.

Beef Regressa na Quarta com Oscar Isaac, Carey Mulligan e uma Guerra de Classes num Country Club

Há séries que se permitem o luxo de começar do zero. Beef é uma delas — e na segunda temporada, que chega à Netflix na quarta-feira dia 16, o criador Lee Sung Jin usou esse luxo com uma generosidade que poucos se atreveriam: trocou o elenco inteiro, a premissa base e o cenário geográfico, mantendo apenas o espírito essencial da série. O resultado, segundo as primeiras reacções, é uma das temporadas de televisão mais aguardadas de Abril.

A primeira temporada — que estreou em Abril de 2023 e ganhou oito Emmys, incluindo Melhor Série Limitada, Melhor Actor para Steven Yeun e Melhor Actriz para Ali Wong — começou com um incidente de estrada em Los Angeles e transformou-se num estudo da fúria acumulada, do fracasso do sonho americano e da forma como a raiva pode destruir vidas inteiras. Era uma série sobre dois estranhos que não conseguiam parar de se magoar mutuamente — e sobre o que isso dizia sobre cada um deles.

A segunda temporada parte de uma premissa diferente mas igualmente carregada. Ashley Miller e Austin Davis — interpretados por Cailee Spaeny e Charles Melton, o casal de Saltburn e The Bear —, são um casal jovem e recém-noivo que trabalha como pessoal de baixo nível num country club exclusivo. Um dia apanham o seu chefe, o director-geral Joshua Martín (Oscar Isaac), no momento em que está prestes a agredir a mulher (Carey Mulligan) com um taco de golf. O que se segue é uma série de manobras, favores e coerções enquanto os dois casais competem pela aprovação da dona milionária do clube — Youn Yuh-jung, a vencedora do Óscar de Minari —, que tem os seus próprios escândalos a gerir com o segundo marido, o Doutor Kim (Song Kang-ho, o pai de Parasitas).

O elenco é, de qualquer ângulo que se olhe, extraordinário. Oscar Isaac e Carey Mulligan são dois dos actores mais respeitados da sua geração — ele com o César Flor de Inside Llewyn Davis e Ex Machina, ela com três nomeações ao Óscar por An EducationMaestro e Promising Young Woman. Cailee Spaeny ganhou o prémio de melhor actriz em Veneza em 2023 por Priscilla. Charles Melton foi nomeado ao Óscar por May December. Song Kang-ho ganhou o Óscar de Melhor Actor em Cannes por Parasitas. É praticamente um all-star game de actores com palmares de festival — e Lee Sung Jin tem demonstrado, nas duas temporadas de Beef, que sabe exactamente como extrair o máximo de actores que estão sempre a trabalhar a um nível mais fundo do que o argumento parece exigir.

A dinâmica desta temporada é deliberadamente diferente da anterior. Lee Sung Jin disse em entrevista que quis explorar a divisão geracional entre millennials e Geração Z — o casal mais jovem entra no mundo laboral com expectativas diferentes, confronta-se com o poder de uma forma diferente, e a “beef” que resulta disso tem uma textura específica que a primeira temporada, focada em duas pessoas de meia-idade a implodir, não tinha. Os oito episódios chegam todos ao mesmo tempo na quarta-feira. A Netflix está claramente a apostar nesta temporada como candidata aos Emmys de 2026 — e com este elenco, dificilmente a aposta vai falhar.

Euphoria Estreou Como um Western — e Barbie Ferreira Regressa na Mesma Semana com Dois Filmes
CinemaCon 2026: Quatro Dias em Las Vegas para Perceber o que o Cinema Vai Ser nos Próximos Dois Anos
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CinemaCon 2026: Quatro Dias em Las Vegas para Perceber o que o Cinema Vai Ser nos Próximos Dois Anos

Há uma semana por ano em que Hollywood para tudo e vai a Las Vegas mostrar o que tem. Esta é essa semana. O CinemaCon 2026 — a maior convenção da indústria cinematográfica mundial, realizada no Caesars Palace — arrancou hoje com a Sony Pictures a abrir as hostilidades, e vai terminar na quinta-feira com a Disney a fechar com aquilo que os exibidores de todo o mundo mais querem ver: Avengers: Doomsday. Pelo meio, passam a Warner Bros., a Universal e a Amazon MGM. É essencialmente uma semana em que os estúdios mostram o futuro do cinema às pessoas que gerem as salas — e que inevitavelmente vaza para a internet em tempo real.

A Sony tem a apresentação mais longa do evento — dois horas e quinze minutos esta noite —, e o título central é Spider-Man: Brand New Day, que estreia a 31 de Julho e está posicionado como o maior filme de acção real do verão. Dirigido por Destin Daniel Cretton e produzido pela Marvel Studios, o quarto filme de Tom Holland como Peter Parker parte de uma premissa audaciosa: o mundo inteiro se esqueceu da existência de Peter Parker depois do feitiço de Doutor Estranho no final de No Way Home. Sozinho numa Nova Iorque que não sabe o seu nome, Peter enfrenta uma ameaça nova enquanto passa por uma transformação física inesperada. O primeiro trailer, lançado em Março, tornou-se o mais visualizado de sempre num único dia — e a Sony vai esta noite mostrar footage inédito exclusivamente para os exibidores. Sadie Sink está confirmada num papel significativo, e Zendaya regressa com presença reduzida. A Sony vai também actualizar o estado de Spider-Man: Beyond the Spider-Verse, o aguardado terceiro capítulo animado previsto para Junho de 2027.

Amanhã é a vez da Warner Bros., com um cardápio que inclui Supergirl — a estreia de Milly Alcock no papel da prima do Superman, prevista para Junho —, Mortal Kombat II com Karl Urban como Johnny Cage, e clips de Dune: Parte Três, cujos bilhetes IMAX 70mm esgotaram em minutos quando foram colocados à venda a semana passada. A Warner tem também a exibição de Godzilla Minus Zero, a sequela do vencedor do Óscar de Melhores Efeitos Visuais, com o realizador Takashi Yamazaki presente em pessoa na sua estreia no evento.

Quarta-feira traz a Universal, que vai mostrar The Odyssey de Christopher Nolan — previsto para Julho, com Matt Damon como Ulisses, Tom Holland como Telémaco e Anne Hathaway como Penélope. A Focus Features vai apresentar também vários títulos do calendário de outono. À noite, a Amazon MGM — que chegou ao CinemaCon a celebrar o êxito de Project Hail Mary, com 500 milhões de dólares em bilheteiras mundiais — vai muito provavelmente datar o próximo filme de James Bond, embora o nome do novo 007 dificilmente seja revelado. “Estamos em Las Vegas”, brincou o Hollywood Reporter. “Pode acontecer qualquer coisa.”

Quinta-feira é o dia da Disney — e o dia de Avengers: Doomsday. O filme que vai reunir praticamente todo o MCU, com Robert Downey Jr. de regresso como Doutor Destino, está previsto para 18 de Dezembro — na mesma data de Dune 3. Os exibidores esperam footage, um poster, qualquer coisa que confirme que o maior duelo de bilheteiras do ano está mesmo a acontecer. A Disney vai apresentar também Toy Story 5Moana em live-action e The Mandalorian & Grogu, o primeiro filme de Star Wars em salas de cinema em anos.

Esta semana em Las Vegas não é para o público. É para os donos das salas de cinema, que precisam de saber o que vai estar em cartaz nos próximos dois anos para decidir onde investir. Mas o que os estúdios mostrarem vai inevitavelmente circular pela internet — e vai moldar as expectativas do segundo semestre de 2026 de uma forma que nenhuma campanha de marketing consegue replicar.

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“Que filme extraordinário”: Spielberg e Paul Thomas Anderson conversam sobre One Battle After Another

Ralph Fiennes acredita que o “navio já partiu” para repetir Voldemort na série da HBO, mas sugere Tilda Swinton

“Que filme extraordinário”: Spielberg e Paul Thomas Anderson conversam sobre One Battle After Another

No dia da estreia do novo filme de PTA, os dois realizadores sentaram-se para falar da adaptação de Vineland, de Thomas Pynchon, e da forma como a paternidade moldou a visão do cineasta.

O que acontece quando dois dos maiores realizadores da atualidade se sentam para conversar sobre cinema? No caso de Steven Spielberg e Paul Thomas Anderson, o resultado é um raro vislumbre do processo criativo de um dos autores mais venerados da sua geração.

Durante a première de One Battle After Another — o mais recente filme de Anderson, que adapta o romance Vineland (1990), de Thomas Pynchon — Spielberg não poupou elogios ao colega:

“Que filme extraordinário, meu Deus. Há mais ação na primeira hora deste filme do que em todos os outros filmes que já realizaste juntos. Tudo isto é realmente impressionante. É uma mistura de coisas tão bizarras e ao mesmo tempo tão atuais que acredito que se tenham tornado ainda mais relevantes do que quando terminaste o argumento e reuniste o teu elenco e equipa.”

Spielberg perguntou então a Anderson o que o tinha levado a adaptar o livro de Pynchon. A resposta do realizador revela um fascínio antigo e uma relação complicada com o processo de adaptação:

“O cerne da história é fantástico. É um ex-revolucionário que acaba nos bosques a criar uma filha, e o passado vai voltar para o assombrar. Há também um triângulo amoroso semelhante nessa história. E eu adorava aquele livro. Adorava-o tanto que pensei em adaptá-lo. Mas o problema de adorar tanto um livro quando se vai adaptá-lo é que é preciso ser muito mais duro com ele. É preciso não ser suave. Por isso, lutei durante anos para tentar adaptá-lo.”

Anderson revela que o caminho encontrado passou por combinar elementos do livro com outras histórias que foi desenvolvendo:

“Quando tive muitas outras peças, outras histórias, comecei a combiná-las. Mantive as coisas de que mais gostava no livro, e o que mais gostava era a história entre pai e filha. Acho que, mesmo antes de ter filhos, já sentia uma ligação com a forma como aquele pai se sentia em relação à sua filha. E essa ligação só se tornou mais profunda e mais forte à medida que tive filhos e compreendi aquilo sobre que ele estava a escrever dessa maneira.”

O realizador conclui com uma reflexão sobre a liberdade criativa necessária para adaptar uma obra amada:

“Estou a tentar tirar do livro aquilo de que preciso e seguir o meu próprio caminho, deixando que siga direções que parecem querer seguir.”

One Battle After Another promete ser mais um capítulo ousado na filmografia de Paul Thomas Anderson, mantendo a relação com Pynchon — cujas obras são consideradas de difícil adaptação — mas seguindo uma rota pessoal que, segundo Spielberg, resultou num “filme extraordinário” que já nasce como um dos mais comentados do ano.

Euphoria Estreou — e as Críticas Dividem-se Entre o Western Deslumbrante e o Guião Perdido

A terceira e última temporada de Euphoria chegou ontem à HBO — e as críticas que se seguiram à estreia confirmaram aquilo que os fãs mais pessimistas temiam e os mais esperançosos recusavam acreditar: a série voltou, está tecnicamente extraordinária, Zendaya está extraordinária, e Sam Levinson continua a ser o maior obstáculo ao pleno potencial da série que criou.

Os primeiros três episódios — disponibilizados à imprensa antes da estreia — mostram uma Euphoria que se reinventou de forma radical. A série é agora, declaradamente, um western. A nova temporada passa-se maioritariamente no deserto californiano e no México, com Rue a fazer contrabando de droga pela fronteira enquanto paga uma dívida à traficante Laurie. A banda sonora de Hans Zimmer, que substituiu Labrinth nesta temporada, soa a Ennio Morricone. A fotografia de Marcell Rév, rodada em película de 65mm, é de uma beleza cinemática que justificaria uma ida ao cinema mesmo sem qualquer história. A mudança de escala — do liceu de subúrbio para paisagens áridas de proporções épicas — é deliberada e, visualmente, avassaladora.

Mas é precisamente essa mudança que divide a crítica. Sem o ambiente do liceu, sem a pressão da adolescência como recipiente narrativo, Euphoria revela as suas fragilidades mais antigas: as personagens secundárias nunca tiveram a profundidade que a série lhes atribuía, e a saída do contexto escolar torna isso mais visível do que nunca. A Variety chamou ao resultado “fan fiction entretida mas desordenada”. O Hollywood Reporter ficou na dúvida entre “provocador” e “explorador”, concluindo que “grandes momentos e momentos tawdry continuam em competição.” O IndieWire foi mais directo: “Nunca foi tão espiritualmente oco.” No extremo oposto, a Decider elogiou a temporada como “um salto criativo enorme” para Levinson. O Rotten Tomatoes marca 63% de aprovação crítica — o mais baixo das três temporadas.

O que parece consensual entre os críticos é que Zendaya transcende o material que lhe é dado — e que a temporada, mesmo nos seus momentos mais fracos, nunca é entediante. É o tipo de série que pode estar a falhar por razões articuláveis e ainda assim ser impossível de parar de ver. Sam Levinson, que apresentou a temporada na estreia em Hollywood como a última da série — dedicando-a aos falecidos Angus Cloud e Eric Dane, e ao produtor Kevin Turen —, parece ter consciência de que está a fechar um capítulo que já devia ter fechado há dois anos. A questão é se consegue encontrar, nos episódios finais, o nível de Close que a segunda temporada atingiu no seu desenlace.

Os restantes cinco episódios vão ser o veredito definitivo. Por agora, Euphoria é uma série que ainda sabe criar imagens inesquecíveis — mas que perdeu a certeza sobre o que quer dizer com elas.

Lukas Dhont Entregou Coward à Última Hora — e Cannes Aceitou-o Imediatamente

Há uma história dentro da história da selecção de Cannes 2026 que vale a pena contar. Quando Thierry Frémaux anunciou Coward, o novo filme do belga Lukas Dhont, acrescentou um detalhe que fez a sala sorrir: os programadores do festival tinham visto o filme apenas na véspera do anúncio. Dhont entregou-o literalmente à última hora — e foi aceite imediatamente. É a forma mais eloquente de descrever o estatuto que o realizador de Girl e Close conquistou na Croisette em apenas dois filmes.

Coward é o terceiro longa-metragem de Dhont, e o primeiro passado fora do presente. O filme decorre durante a Primeira Guerra Mundial, nas trincheiras belgas perto de Ypres — e foi parcialmente rodado nos campos de batalha reais onde, entre 1914 e 1918, morreram centenas de milhares de jovens soldados. Pierre, um jovem soldado belga, debate-se com o significado da coragem e da cobardia quando, por detrás das linhas da frente, encontra Francis, um homem encarregado de encontrar formas de elevar o moral das tropas. É uma história sobre amor e morte, sobre o que se constrói e o que se destrói, sobre os que foram mandados lutar e os que tentaram fugir a qualquer custo.

Dhont, que tem 34 anos, descreveu o projecto como “o mais ambicioso” da sua carreira — e tendo em conta que Close foi um dos filmes mais emocionalmente devastadores de 2022, a afirmação não é de tomar levianamente. A colaboração com o co-escritor Angelo Tijssens, que assinou os seus dois filmes anteriores, mantém-se, assim como a produção sob a Reunion, a produtora que o realizador criou com o irmão Michiel.

Os dois primeiros filmes de Dhont foram muito mais do que sucessos de festival. Girl, que ganhou a Caméra d’Or em 2018, foi uma meditação sobre identidade e corpo que gerou debate em toda a Europa. Close, que ganhou o Grand Prix em 2022 e foi nomeado ao Óscar de Melhor Filme Internacional, explorou a amizade masculina entre dois adolescentes com uma delicadeza e uma profundidade raramente vistas no cinema contemporâneo. A pergunta que se coloca naturalmente é: o que faz Dhont com a guerra? O que faz este realizador da intimidade, do toque e do silêncio com um cenário de violência colectiva?

A resposta chega a 12 de Maio. Mas o simples facto de Cannes ter aceite o filme sem o ver até ao dia anterior diz tudo sobre a confiança que o festival deposita num realizador que, em apenas duas obras, se tornou num dos nomes mais esperados do cinema europeu.

Zvyagintsev Regressa a Cannes Depois de Nove Anos com Minotaur — Filmado no Exílio, Passado na Rússia

Há realizadores cuja ausência pesa. Andrey Zvyagintsev é um deles. Desde Loveless, em 2017, o realizador russo não tinha rodado um longa-metragem — não por falta de projecto, mas por uma sequência de acontecimentos que seria difícil de inventar: uma batalha quase fatal contra a COVID-19 em 2021, que o deixou em coma induzido durante semanas e danificou 92% da capacidade pulmonar, seguida de onze meses de hospitalização; a invasão russa da Ucrânia em 2022, que o forçou a deixar Moscovo e a estabelecer-se em França como exilado; e o colapso de um projecto sobre um oligarca russo que não conseguiu financiamento.

Minotaur nasceu das cinzas de tudo isso. É o sexto longa-metragem de Zvyagintsev, rodado em Riga, na Letónia, mas ambientado na Rússia contemporânea — numa cidade que o realizador filmou de forma tão deliberadamente universal que, segundo ele próprio, “só os proprietários dos espaços a vão reconhecer.” A premissa é aparentemente clássica: Gleb, um empresário bem-sucedido, está prestes a despedir os seus trabalhadores quando descobre que a mulher o está a trair. O colapso pessoal e o colapso profissional chegam em simultâneo e alimentam-se mutuamente numa espiral que o filme descreve como “uma fábula política entre o thriller policial e a tragédia clássica.”

A referência ao Minotauro é propositada e múltipla. O monstro do labirinto — metade homem, metade touro, condenado pela sua própria natureza a uma existência de violência e enclausuramento — é uma metáfora que Zvyagintsev aplica tanto ao personagem como ao país que deixou para trás. Um homem poderoso preso numa estrutura que ele próprio ajudou a construir, incapaz de sair do labirinto sem se destruir. Não é preciso muito esforço de imaginação para perceber o que o realizador está a dizer sobre a Rússia de Putin — e a coragem de o dizer, mesmo a partir do exílio, é em si mesma parte do significado do filme.

Zvyagintsev regressa ao festival que o coroou duas vezes: Leviathan ganhou o Prémio do Guião em 2014, Loveless o Prémio do Júri em 2017. O cinegrafista Mikhail Krichman e o cenógrafo Andrey Ponkratov, seus colaboradores de longa data, voltaram para este projecto — o que dá ao filme uma continuidade visual com o resto da obra, mesmo que as circunstâncias da produção sejam radicalmente diferentes. A Mubi adquiriu já os direitos de distribuição para a América do Norte, Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Áustria e América Latina — um sinal claro de que a plataforma acredita ter em mãos um dos títulos mais importantes do ano.

O regresso de Zvyagintsev a Cannes não é apenas o regresso de um realizador. É o regresso de uma voz que se recusou a ser silenciada — pela doença, pelo exílio e pelo regime que o expulsou. Minotaur estreia a 12 de Maio.

O Regresso de Tommy Shelby Não é Como Esperavas — Mas Continua a Ser Imperdível

Quando uma série como Peaky Blinders se transforma num fenómeno global, qualquer regresso ao seu universo carrega um peso quase impossível de suportar. Peaky Blinders: O Homem Imortal, o aguardado filme que dá continuidade à história criada por Steven Knight, chega à Netflix com essa responsabilidade — e com ambições claras de elevar a saga a um novo patamar.

E há um detalhe importante que reforça essa ambição: ao contrário do que seria expectável para um projecto associado a uma plataforma de streaming, o filme teve estreia em salas de cinema nos Estados Unidos e no Reino Unido antes de chegar ao catálogo da Netflix — um sinal claro de confiança no seu potencial e na força da marca Peaky Blinders.

Mas será que consegue?

Um império construído nas sombras… e no pós-guerra

Para perceber o impacto deste filme, é essencial regressar às origens. Peaky Blinders nasceu como uma série profundamente enraizada na realidade histórica da Birmingham do pós-Primeira Guerra Mundial. A família Shelby, liderada por Tommy, representava uma geração marcada pelo trauma, pela violência e por uma ambição desmedida de ascensão social.

Tommy Shelby — interpretado por Cillian Murphy — nunca foi apenas um gangster. É um estratega, um sobrevivente, um homem permanentemente em guerra consigo próprio. Ao longo das temporadas, vimos a sua transformação de líder de rua para figura com influência política e económica, sempre com um pé no caos e outro no controlo absoluto.

O Homem Imortal retoma essa linha, colocando Tommy novamente no centro de um mundo que nunca deixa de o puxar para a escuridão.

Um filme mais estilizado… talvez demais

Uma das primeiras coisas que salta à vista neste filme é a sua estética. Se a série sempre teve uma identidade visual forte — com slow motion, fumo, e uma banda sonora anacrónica — aqui essa abordagem é levada ao extremo.

O resultado é um filme visualmente impactante, mas que, em vários momentos, se aproxima mais de um teledisco estilizado do que de uma narrativa clássica. A forma sobrepõe-se, por vezes, ao conteúdo, criando uma distância emocional que não existia com tanta intensidade na série.

Curiosamente, é precisamente na música que o filme encontra um dos seus pontos mais fortes. A selecção sonora mantém-se inspirada, reforçando o tom moderno e quase intemporal da história. É um paradoxo interessante: o mesmo elemento que contribui para o excesso visual é também aquele que sustenta grande parte da sua energia.

Tommy Shelby acima de tudo… talvez em demasia

Se há algo que define O Homem Imortal, é o foco quase absoluto em Tommy Shelby.

Por um lado, isso faz sentido. Cillian Murphy continua a oferecer uma interpretação magnética, carregando o filme com uma intensidade rara. Cada olhar, cada silêncio, cada decisão tem peso. É impossível desviar os olhos.

Mas esse foco tem um custo.

Personagens que sempre foram essenciais no universo Peaky Blinders acabam por surgir mais esvaziadas, com menos espaço para respirar e evoluir. A dinâmica familiar — um dos pilares da série — perde alguma da sua força, tornando o filme menos equilibrado do que seria desejável.

Um sucesso… apesar das reservas

Apesar destas reservas, há um facto incontornável: Peaky Blinders: O Homem Imortal está a ser um sucesso na Netflix.

A curiosidade em torno do regresso deste universo, aliada à força da marca e ao carisma de Tommy Shelby, garantem uma adesão massiva por parte do público. E, sejamos justos, há muito aqui que continua a funcionar.

A tensão, o ambiente, a construção do mundo — tudo isso mantém a identidade que tornou Peaky Blinders especial. O filme pode não atingir o equilíbrio narrativo da série, mas continua a oferecer momentos de grande impacto.

Vale a pena?

Sim — sem hesitação.

Mas com uma nota importante: este não é exactamente o Peaky Blinders que conhecíamos.

É uma versão mais estilizada, mais centrada, mais intensa… e, por isso mesmo, menos colectiva. Um filme que aposta tudo na força do seu protagonista, mesmo que isso signifique perder alguma da riqueza do conjunto.

No fim, O Homem Imortal não é perfeito — mas continua a ser obrigatório. Nem que seja para voltarmos a entrar naquele mundo onde estilo, violência e ambição se cruzam como poucos conseguem fazer.

E porque, no fundo, ver Tommy Shelby outra vez… continua a valer a pena.

Especial “Cineastas em Foco” no TVCine: cinema com assinatura de autor

11 de abril, a partir das 16h20, no TVCine Edition e TVCine+

Abril é mês de celebrar o cinema de autor no TVCine. Num especial intitulado “Cineastas em Foco”, o canal reúne cinco realizadores de eleição — Costa-Gavras, Paul Thomas Anderson, Hal Hartley, Sharunas Bartas e Christian Petzold — numa maratona de filmes que privilegia a identidade estética, a narrativa singular e o olhar sobre as fragilidades humanas.

O programa arranca às 16h20 com “O Último Suspiro” (2024), do franco-grego Costa-Gavras, figura maior do cinema político europeu. Num registo contido e rigoroso, o realizador aborda o fim da vida com uma intensidade que cruza o ético e o emocional.

Às 18h00, é a vez de “Punch-Drunk Love — Embriagado de Amor” (2002), de Paul Thomas Anderson, vencedor este ano do Óscar de Melhor Realizador por Batalha Atrás de Batalha. Com Adam Sandler numa performance surpreendente, o filme mistura romance e ansiedade numa linguagem única, que lhe valeu o prémio de Melhor Realização em Cannes.

Segue-se, às 19h35“Onde Aterrar” (2025), do independente norte-americano Hal Hartley. Fiel ao seu estilo minimalista e aos diálogos afiados, Hartley constrói um universo de ironia e distanciamento, onde personagens desencontradas buscam sentido no quotidiano.

A programação prossegue às 20h50 com “Laguna” (2025), do lituano Sharunas Bartas. Filme contemplativo, quase sem palavras, acompanha a viagem de um pai e uma filha na costa do Pacífico mexicano, onde a paisagem e o silêncio se tornam protagonistas da solidão humana.

O especial encerra às 22h30 com “Miroirs No. 3” (2025), de Christian Petzold, nome incontornável da Escola de Berlim. Com a sua habitual elegância e subtileza, Petzold cruza memória, identidade e relações humanas num filme que promete ficar na retina.

Imperdível para quem aprecia um cinema que se assume como assinatura e não como produto.

The Boys: O Criador Revela Por Que a Morte que Abre a Temporada Final Foi “Uma Decisão Muito Difícil”

Atenção: este artigo contém spoilers da estreia da quinta temporada de The Boys.

A quinta e última temporada de The Boys chegou ontem à Prime Video — e começou exactamente como a série sempre prometeu terminar: sem piedade, sem aviso e sem rede de segurança. A morte que abre o primeiro episódio — que já está a fazer circular a internet em modo de choque colectivo — foi descrita pelo criador Eric Kripke como “uma decisão realmente difícil” que demorou muito tempo a tomar.

“Foi uma decisão muito difícil”, disse Kripke numa entrevista ao Deadline. “Mas queríamos que a temporada final tivesse peso real desde o primeiro minuto. Que as pessoas percebessem, logo no arranque, que desta vez ninguém está a salvo.” A frase resume seis anos de uma série que nunca tratou as suas personagens como propriedade protegida — e que sempre esteve disposta a destruir o que construiu para provar um ponto sobre o mundo em que vivemos.

Kripke revelou também que há conversas internas activas sobre um possível spin-off centrado num dos membros do elenco principal, cujo nome não quis revelar por razões óbvias de spoiler. A franquia The Boys já tem o spin-off Gen V, centrado numa universidade de super-heróis em formação, e o The Boys: Mexico, em desenvolvimento. A hipótese de expandir ainda mais o universo com uma série centrada numa personagem da série-mãe é um sinal de que a Amazon não tenciona deixar este mundo morrer com a temporada final.

A série, criada por Kripke e produzida por Seth Rogen e Evan Goldberg a partir das BD de Garth Ennis, foi ao longo de cinco temporadas muito mais do que uma paródia de super-heróis. Foi um comentário político em tempo real, um espelho desconfortável da América contemporânea e, paradoxalmente, uma série com um coração enorme escondido sob litros de sangue artificial e cinismo bem calibrado. Karl Urban como Butcher, Antony Starr como Homelander, Jack Quaid como Hughie e todo o elenco souberam sempre que estavam a fazer algo diferente — e isso vê-se em cada episódio.

Para os fãs portugueses, que acompanharam a série desde o início e que fizeram de Homelander uma das referências culturais da sua geração, este é o fim de uma era. Os episódios são lançados semanalmente na Prime Video. Bom é saber que ainda há algumas semanas de The Boys pela frente — mesmo que a conta decrescente já tenha começado.

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Há realizadores que resistem à inteligência artificial como se fosse uma ameaça existencial. Steven Soderbergh não é um deles. Numa entrevista à Filmmaker Magazine, o realizador de TrafficErin Brockovich e Contágio revelou que o seu próximo filme de ficção — sobre a Guerra Hispano-Americana de 1898, com Wagner Moura no papel principal — vai recorrer extensivamente à IA para recriar batalhas navais, cenários históricos e toda a logística visual de um conflito do séc. XIX que nunca foi filmado com esta ambição.

“É uma história muito boa e ninguém a fez ainda”, disse Soderbergh. “Todos os dias que passam ela torna-se mais oportuna.” A afirmação não é despropositada: a Guerra Hispano-Americana foi o conflito que transformou os Estados Unidos numa potência imperial — a guerra em que Cuba ganhou a independência de Espanha com ajuda americana, e em que as Filipinas, Porto Rico e Guam passaram para soberania dos EUA em circunstâncias que continuam a ser discutidas. Num momento em que o debate sobre imperialismo, poder e influência americana está mais activo do que nunca, a escolha do tema tem uma camada política que Soderbergh claramente reconhece.

Wagner Moura está confirmado no elenco. O actor brasileiro, conhecido internacionalmente pelo papel de Pablo Escobar em Narcos e mais recentemente pela sua nomeação ao Óscar de Melhor Actor pelo papel em The Secret Agent, traz ao projecto exatamente o tipo de gravidade e ambiguidade moral que uma história destas exige. Soderbergh ainda está a montar o elenco — “preciso de mais algumas pessoas” — e tem dois estúdios interessados, mas diz que o orçamento final depende de quem mais consegue atrair. “Se conseguir juntar o elenco certo, isso vai torná-lo num evento, e as pessoas vão sentir que têm de o ver no cinema em vez de esperar dois meses até chegar ao streaming.”

A frase é, em si mesma, um diagnóstico da indústria. Soderbergh, que conhece Hollywood melhor do que a maioria, está a descrever exactamente o problema central do cinema comercial em 2026: a única razão pela qual as pessoas ainda saem de casa para ir ao cinema é o sentido de urgência — e esse sentido de urgência só existe quando o elenco é suficientemente poderoso para criar o momento.

A IA, neste contexto, não é uma substituição do talento humano mas uma ferramenta de produção que permite a Soderbergh fazer um filme de guerra de grande escala com um orçamento controlado. Está a usar a mesma tecnologia no seu documentário sobre John Lennon e Yoko Ono — John Lennon: The Last Interview, que será exibido em Cannes este mês como sessão especial —, para criar “imagens surrealistas que ocupam um espaço onírico, não um espaço literal.” “Precisas de um doutoramento em literatura para lhe dizer o que fazer”, admite. “Mas como qualquer outra ferramenta tecnológica, exige supervisão humana muito próxima.”

James Gunn Procura a Vilã do Próximo Superman — e Adria Arjona é a Favorita

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James Gunn Procura a Vilã do Próximo Superman — e Adria Arjona é a Favorita

O universo DC de James Gunn está a ganhar velocidade. Com o primeiro Superman a ter faturado 618 milhões de dólares globalmente em 2025, a sequela — Superman: Man of Tomorrow, prevista para Julho de 2027 — está em preparação activa em Atlanta, e esta semana realizaram-se os testes para a personagem feminina mais disputada do filme: Maxima, uma rainha alienígena de Almerac que nos BD já foi vilã, aliada e interesse amoroso do Homem de Aço.

As finalistas são quatro, segundo o Hollywood Reporter: Adria Arjona, Eva De Dominici, Sydney Chandler e Grace Van Patten. Testes foram realizados esta semana em Atlanta, e Arjona é apontada como a favorita. A actriz guatemalteca-porto-riquenha tornou-se num dos nomes mais solicitados da indústria após o seu trabalho em Andor — a série de Star Wars da Disney+ onde interpretou Bix Caleen com uma mestria que deixou muita gente com vontade de ver mais. Tem também um papel de destaque em Hit Man, o filme de Glen Powell que foi um dos êxitos de crítica de 2024. Entraria no universo DC com o tipo de personagem que ela própria escolheria: poderosa, moralmente ambígua e com uma história que vai muito além do estereótipo de “vilã alienígena”.

As restantes finalistas têm currículos igualmente interessantes. Sydney Chandler destacou-se como protagonista de Alien: Earth, a série da Disney+ que foi uma das estreias mais elogiadas do ano passado. Grace Van Patten construiu uma reputação de actriz de séries de culto com Tell Me Lies. Eva De Dominici tem um papel na comédia Balls Up, de Peter Farrelly, que estreia na Prime Video este mês.

A selecção final não foi ainda anunciada, mas o próprio Gunn entrou em cena nas redes sociais para desmentir uma lista anterior publicada pelo Deadline, que incluía nomes que a DC Studios considerou incorrectos — um episódio que transformou o que seria um rumor de casting numa notícia de topo durante algumas horas. Gunn escreveu no Threads que se a Deadline tivesse confirmado os nomes com o seu estúdio, “teríamos dito que era disparate” — uma forma de dizer que a sua equipa não é fonte, mas também não se cala quando os factos são errados.

Man of Tomorrow traz de volta David Corenswet como Superman, Rachel Brosnahan como Lois Lane, Nicholas Hoult como Lex Luthor e Lars Eidinger como Brainiac. Sara Sampaio — actriz e modelo portuguesa — mantém o papel de Eve Teschmacher que estreou no primeiro filme. O universo DC de Gunn está a ser construído peça a peça, com uma consistência e uma visão editorial que a maioria dos fãs reconhece como muito diferente do caos que marcou os anos anteriores sob Zack Snyder.

O Filme Que Mudou o Cinema Está no Streaming — e Continua a Ser uma Experiência Única
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O Filme Que Mudou o Cinema Está no Streaming — e Continua a Ser uma Experiência Única

Há filmes que marcam uma época… e depois há aqueles raros que redefinem completamente a forma como o cinema é feito. Avatar, de James Cameron, pertence claramente à segunda categoria. Mais de uma década após a sua estreia original, continua a ser uma obra de referência — e está disponível no Disney+ para uma nova geração (e para quem quiser redescobrir tudo de novo).

Um mundo que parecia impossível… até existir

Quando Avatar chegou aos cinemas em 2009, o impacto foi imediato. Pandora não era apenas um cenário — era um mundo vivo, respirável, quase tangível. As florestas bioluminescentes, as montanhas flutuantes e as criaturas exóticas criaram um universo visual que rapidamente se tornou icónico.

A história segue Jake Sully, um ex-marine que, através de um programa científico, passa a habitar um corpo Na’vi — os habitantes nativos de Pandora. Aquilo que começa como uma missão transforma-se numa jornada de descoberta, conflito e, inevitavelmente, escolha.

Revolução técnica… mas também emocional

Muito se falou — e com razão — da revolução tecnológica que Avatar trouxe. O uso avançado de captura de movimento e o 3D imersivo elevaram o cinema a um novo patamar. Mas reduzir o filme apenas à tecnologia é ignorar o que realmente o sustenta.

No centro da narrativa está um conflito clássico, mas eficaz: natureza versus exploração, identidade versus dever, pertença versus poder. Jake, interpretado por Sam Worthington, é o veículo através do qual o espectador entra neste mundo — mas é Neytiri, vivida por Zoe Saldaña, que lhe dá alma.

Há também uma clara dimensão política e ambiental que continua, hoje, mais актуal do que nunca. A exploração de recursos, a destruição de ecossistemas e o choque entre culturas são temas que ressoam muito para além da ficção.

O fenómeno que dominou o mundo

Durante anos, Avatar foi o filme mais visto de sempre, dominando o box office global com números históricos. Mais do que um sucesso comercial, tornou-se um verdadeiro fenómeno cultural.

O seu impacto foi tal que influenciou não só o cinema, mas também a forma como os estúdios passaram a olhar para o potencial das grandes produções. Pandora abriu caminho para uma nova era de blockbusters — mais ambiciosos, mais imersivos e tecnologicamente mais avançados.

Ver hoje… continua a valer a pena?

A resposta curta: sim, sem qualquer dúvida.

Mesmo passados tantos anos, Avatar mantém uma capacidade rara de deslumbrar. Em casa, perde-se inevitavelmente alguma da escala da experiência cinematográfica original — mas ganha-se a possibilidade de revisitar detalhes, emoções e nuances que talvez tenham passado despercebidos.

E com as sequelas já a expandirem este universo, regressar ao primeiro filme é quase essencial para compreender a dimensão total da história que James Cameron começou a contar.

No fim, Avatar continua a ser aquilo que sempre foi: um espectáculo visual impressionante… mas também uma história surpreendentemente humana.


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Contagem de palavras: 612

Extraction 3 é Oficial: Hemsworth, Idris Elba e Golshifteh Farahani Regressam — Rodagens em Junho

Tyler Rake não morre. É uma regra não escrita do universo Extraction — e a Netflix confirmou ontem, de forma oficial e sem rodeios, que a regra se mantém. Extraction 3 está confirmado, com Chris Hemsworth de volta ao papel do mercenário mais resistente do streaming, Idris Elba e Golshifteh Farahani de regresso ao elenco, e rodagens previstas para arrancar em Junho na Austrália e em vários locais da Europa.

A saga começou em 2020 com um timing perfeito e inesperado: o primeiro Extraction estreou durante o confinamento pandémico e tornou-se o filme mais visto da história da Netflix naquele momento, com mais de 99 milhões de visualizações nas primeiras quatro semanas. Hemsworth interpretava Tyler Rake, um mercenário australiano contratado para resgatar o filho sequestrado de um senhor do crime em Bangladesh — e a missão corria, previsível e magnificamente, muito mal. O filme foi um fenómeno global precisamente porque chegou quando toda a gente estava em casa e precisava de adrenalina pura. O segundo filme, em 2023, confirmou que não foi sorte: Extraction 2 foi ainda melhor recebido pela crítica, mais ambicioso no alcance, e voltou ao topo das tabelas da plataforma em todo o mundo, incluindo em Portugal.

Sam Hargrave, o antigo coordenador de acrobacias que se tornou realizador e que assinou os dois primeiros filmes, regressa à cadeira de realizador para o terceiro. É uma escolha que diz tudo sobre a confiança da Netflix e da AGBO — a produtora dos irmãos Russo — no que está a ser construído. A principal novidade nos bastidores é o guionista: David Weil, conhecido por Hunters (Prime Video) e pela série Citadel (Prime Video), substitui Joe Russo, que escreveu os dois primeiros filmes mas se mantém como produtor. A mudança de pena pode trazer uma camada narrativa diferente — Weil tem uma voz mais literária e mais orientada para personagens do que para pura mecânica de acção.

O enredo é mantido em segredo. O que se sabe é que Idris Elba, que fez um cameo no final de Extraction 2 como o misterioso Alcott — o homem que tira Rake da prisão em troca de um favor —, tem agora um papel mais substancial. A pergunta que ficou no ar no final do segundo filme — quem é o chefe de Alcott, e o que quer ele de Tyler Rake? — deverá ser respondida neste terceiro capítulo. Golshifteh Farahani, a actriz iraniana que interpreta Nik Khan, parceira e aliada de Rake, foi dos pontos altos do segundo filme e regressa de forma confirmada.

As rodagens arrancam em Junho, maioritariamente em Sydney, na Austrália — onde Hemsworth vive —, com produção adicional em locais europeus ainda não revelados. O actor termina primeiro o thriller policial Kockroach, com Taron Egerton e Zazie Beetz, que começa a rodar este mês. Extraction 3 deverá estrear na Netflix em 2027.

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Cannes 2026 Revela a Selecção: Almodóvar, Farhadi, Koreeda e Hamaguchi em Competição — Hollywood Quase Ausente

Todos os anos, em Abril, Paris para durante uma manhã para ouvir Thierry Frémaux anunciar os nomes que vão disputar a Palma de Ouro. É um ritual que define o calendário do cinema de autor para o resto do ano — e a edição de 2026, revelada hoje, tem uma característica que vai gerar conversa durante semanas: Hollywood está praticamente ausente da competição. O cinema internacional tomou a Croisette.

A 79.ª edição do Festival de Cannes, que decorre de 12 a 23 de Maio, tem em competição alguns dos nomes mais respeitados do cinema mundial contemporâneo. Pedro Almodóvar leva Bitter Christmas — já exibido em Espanha, agora em estreia internacional —, numa nova incursão num universo de emoções intensas que o manchego domina como ninguém. Asghar Farhadi, o realizador iraniano de A Separação e O Vendedor, apresenta Parallel Tales, filmado em francês. Hirokazu Koreeda, o japonês que ganhou a Palma de Ouro em 2018 com Assunto de Família, está em competição com Sheep in the Box, descrito como um drama de ficção científica próxima sobre um casal que acolhe um androide como filho — uma escolha que, vindo de Koreeda, promete ser muito mais sobre amor e solidão do que sobre tecnologia. Ryûsuke Hamaguchi, cujo Drive My Car ganhou o Óscar de Melhor Filme Internacional em 2022, regressa à Croisette com All of a Sudden, uma co-produção franco-japonesa com Virginie Efira como directora de um lar de idosos que vê a vida transformada pelo encontro com um dramaturgo japonês em fase terminal, interpretado por Tao Okamoto.

A lista não fica por aqui. Cristian Mungiu, o romeno que ganhou a Palma de Ouro em 2007 com 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, apresenta Fjord, o seu primeiro filme em inglês, com Sebastian Stan e Renate Reinsve — a actriz norueguesa de A Pior Pessoa do Mundo — como um casal religioso que se muda para uma aldeia remota na Noruega. O belga Lukas Dhont, que revelou ao mundo o prodígio emocional de Close em 2022, está em competição com Coward, um drama passado na Primeira Guerra Mundial sobre o que significa ser herói ou cobarde — filmado parcialmente nos campos de batalha reais perto de Ypres, na Bélgica, e entregue à organização do festival apenas ontem à noite, segundo Frémaux. O polaco Paweł Pawlikowski, realizador de Ida e Cold War, apresenta Fatherland, com Sandra Hüller. O sul-coreano Na Hong-jin, cujo The Wailing se tornou um clássico instantâneo do terror asiático em 2016, regressa a Cannes pela primeira vez em dez anos com Hope, um thriller com Michael Fassbender, Alicia Vikander, Hoyeon e Taylor Russell — um elenco de fazer dobrar os joelhos.

A presença americana é, por contraste, quase simbólica. Ira Sachs é o único realizador dos Estados Unidos em competição, com The Man I Love, uma fantasia musical passada no Nova Iorque dos anos 80 durante a crise da SIDA, com Rami Makel no papel principal. É um filme deliberadamente contra-corrente — pequeno, íntimo, político — numa selecção que claramente decidiu ignorar o calendário de Hollywood e apostar no cinema que não chega às multisalas.

Fora de competição, há presença assinalável: Steven Soderbergh apresenta John Lennon: The Last Interview, o seu documentário sobre o casal mais icónico do rock, que usa inteligência artificial para criar imagens surrealistas a partir de uma entrevista de três horas gravada poucas horas antes do assassinato de Lennon em 1980. Ron Howard apresenta Avedon, um documentário sobre o fotógrafo Richard Avedon. Nicolas Winding Refn regressa com Her Private Hell, com Charles Melton e Sophie Thatcher. Quentin Dupieux, o realizador de Rubber e Mandibules, traz Full Phil com Kristen Stewart e Woody Harrelson às sessões de meia-noite. A cerimónia de abertura, a 12 de Maio, fica a cargo de The Electric Kiss de Pierre Salvadori. O júri é presidido por Park Chan-wook, realizador de Oldboy e A Criada.

Como prémios honorários, Barbra Streisand e Peter Jackson recebem cada um uma Palma de Ouro honorária — duas personalidades que raramente são associadas ao mesmo festival, o que diz muito sobre a vontade de Cannes em celebrar o cinema em toda a sua diversidade.

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Há Um Dia em Abril em Que o Cinema Vai Ter Assinatura — e Não Vais Querer Perdê-lo

O Fim de um Canal Jovem… e o Nascimento de Uma Nova Nostalgia na Televisão Portuguesa

Há decisões no universo televisivo que dizem mais sobre o presente do que sobre o futuro. A substituição do canal Biggs pela nova VinTV é uma delas — e revela, sem rodeios, uma mudança profunda nos hábitos de consumo de várias gerações.

A Dreamia, joint-venture entre a NOS e a AMC Networks International Southern Europe, decidiu encerrar um dos seus canais mais associados ao público jovem. No lugar do Biggs surge agora a VinTV, um canal assumidamente dirigido a espectadores com mais de 45 anos, numa aposta clara na nostalgia e na fidelidade à televisão tradicional.

A decisão, já aprovada pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social, não surge do nada. O Biggs tem vindo a perder relevância de forma consistente ao longo dos últimos anos. Aquilo que começou, em 2009, como Panda Biggs — um canal pensado para crianças — foi evoluindo, adaptando-se a diferentes faixas etárias, numa tentativa contínua de acompanhar o crescimento do seu público.

Mas o problema não estava apenas no posicionamento. Estava no próprio público.

Nos últimos anos, a migração dos mais jovens para plataformas de streaming tornou-se inevitável. O consumo deixou de estar preso à grelha televisiva e passou a ser imediato, personalizado e, acima de tudo, digital. A televisão linear perdeu terreno — e o Biggs sentiu isso de forma particularmente dura.

Os números ajudam a perceber a dimensão da mudança: menos de 7% da audiência do canal corresponde a espectadores com menos de 14 anos. No segmento dos 15 aos 24 anos, a presença também é residual. Em contraste, mais de 40% da audiência já tem mais de 45 anos.

Ou seja, o canal já não era, na prática, aquilo que dizia ser.

É neste contexto que surge a VinTV — não como uma reinvenção, mas como uma formalização de uma realidade que já existia. A aposta passa por conteúdos clássicos, com forte carga nostálgica, centrados sobretudo nas décadas de 80 e 90. Séries como O Príncipe de Bel-AirBeverly Hills 90210ER – Serviço de Urgência ou até produções nacionais como Morangos com Açúcar prometem ocupar a grelha e recuperar memórias de uma geração que cresceu com estes títulos.

Mas há aqui um detalhe interessante: a Dreamia não quer apenas falar para um público mais velho. Quer também captar uma audiência mais jovem através do chamado “vintage-cool” — essa tendência crescente de redescoberta cultural por parte de millennials e até da Geração Z.

É uma estratégia que mistura pragmatismo com alguma ambição. Por um lado, aposta-se num público que ainda vê televisão de forma tradicional. Por outro, tenta-se transformar a nostalgia em produto transversal.

A VinTV não é, aliás, um conceito totalmente novo. O canal já existe em Espanha desde 2025, integrado no portefólio da AMC Networks, o que demonstra que esta mudança faz parte de uma estratégia mais ampla e não de uma decisão isolada para o mercado português.

No fundo, o desaparecimento do Biggs simboliza algo maior: o fim de uma era em que a televisão conseguia falar directamente com os mais jovens. Hoje, essa batalha foi perdida para o streaming.

E talvez a verdadeira questão seja esta: não é a televisão que está a mudar de público — é o público que deixou de ver televisão.

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Há Um Dia em Abril em Que o Cinema Vai Ter Assinatura — e Não Vais Querer Perdê-lo

Num panorama dominado por blockbusters e fórmulas repetidas, há momentos raros em que o cinema regressa à sua essência mais pura: a visão de um autor. É precisamente isso que o TVCine propõe com o especial Cineastas em Foco, uma programação que reúne alguns dos nomes mais marcantes do cinema contemporâneo e que chega no dia 11 de Abril ao TVCine Edition.

Mais do que uma simples selecção de filmes, este especial é uma viagem por diferentes linguagens cinematográficas, todas unidas por um elemento comum: uma assinatura inconfundível. De Costa-Gavras a Paul Thomas Anderson, passando por Hal Hartley, Sharunas Bartas e Christian Petzold, estamos perante cineastas que recusam o óbvio e que continuam a explorar o cinema como forma de pensamento.  

A programação arranca com O Último Suspiro (2024), de Costa-Gavras, um realizador cuja carreira está profundamente ligada ao cinema político europeu. Aqui, o foco desloca-se para o fim da vida, num filme que evita respostas fáceis e prefere mergulhar nas ambiguidades éticas e emocionais de um tema universal. É um cinema de confronto — não com o espectador, mas com as suas próprias certezas.

Segue-se Punch-Drunk Love – Embriagado de Amor (2002), uma das obras mais singulares de Paul Thomas Anderson. Num registo inesperado, o realizador constrói uma história de amor atravessada pela ansiedade e pelo isolamento, oferecendo a Adam Sandler um dos papéis mais surpreendentes da sua carreira. O resultado é um filme delicado, desconcertante e emocionalmente preciso, que confirma Anderson como um dos grandes autores do cinema contemporâneo.  

Com Onde Aterrar (2025), Hal Hartley regressa ao seu território habitual: personagens deslocadas, diálogos carregados de ironia e uma abordagem minimalista que transforma o quotidiano em reflexão. É um cinema que exige atenção e que recompensa o espectador disposto a entrar no seu ritmo particular.

Mais tarde, Laguna (2025), de Sharunas Bartas, leva-nos para um registo ainda mais contemplativo. Quase sem palavras, o filme acompanha uma viagem de pai e filha ao longo da costa mexicana, onde o silêncio e a paisagem ganham protagonismo. É um exercício de cinema puro, onde o tempo e o espaço substituem a narrativa tradicional, convidando a uma experiência mais sensorial do que narrativa.

A fechar, Miroirs No. 3 (2025), de Christian Petzold, confirma a elegância e subtileza de um dos nomes mais consistentes do cinema europeu actual. Com uma abordagem contida, o realizador explora temas como memória e identidade, construindo um filme que se revela aos poucos e que permanece muito depois de terminar.  

O que une todos estes filmes não é o género, nem o orçamento, nem sequer o público-alvo. É algo mais raro: uma visão. Num tempo em que o cinema muitas vezes se dilui em tendências, este especial reafirma a importância do olhar individual — aquele que transforma histórias em experiências e imagens em pensamento.

No dia 11 de Abril, o TVCine Edition propõe assim algo mais do que entretenimento. Propõe cinema com assinatura. E isso, hoje, é cada vez mais valioso.

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Estreias da semana

Hei-las a pedido de várias famílias … bom, pelo menos das nossas … aqui vai o nosso apontamento para as estreias da semana.
Sabemos encaixar uma crítica, pelo que não se acanhem a deixar as vossas sugestões.

O Filme Que Promete Revelar o Verdadeiro Michael Jackson Está Quase a Chegar — e o Trailer Final Já Levanta Expectativas

Há poucas figuras na história da música com o peso cultural de Michael Jackson. Ícone global, génio criativo e figura envolta em polémica, o chamado “Rei do Pop” prepara-se agora para regressar — desta vez ao grande ecrã — num dos projectos mais aguardados dos últimos anos.

Michael, a cinebiografia oficial, acaba de revelar o seu trailer final e a promessa é clara: não se trata apenas de revisitar uma carreira lendária, mas de tentar compreender o homem por detrás do mito. No centro de tudo está Jaafar Jackson, sobrinho do artista, que assume o papel principal numa escolha que desde cedo despertou curiosidade e expectativa.

Realizado por Antoine Fuqua, o filme acompanha o percurso de Michael Jackson desde os tempos dos Jackson 5 até ao início da sua carreira a solo — período crucial onde se começa a desenhar a transformação de jovem prodígio em fenómeno global. A ambição do projecto é evidente: esta será apenas a primeira parte de uma história maior, com a possibilidade de continuação caso o sucesso de bilheteira o justifique.

O elenco que acompanha Jaafar Jackson reforça essa ambição. Colman Domingo e Nia Long interpretam os pais do cantor, enquanto Miles Teller surge como o agente do protagonista. A estes juntam-se ainda nomes como Laura Harrier, Kat Graham e Derek Luke, compondo um conjunto que equilibra experiência e novas presenças.

Por trás das câmaras, o argumento fica a cargo de John Logan, o que sugere uma abordagem narrativa sólida e potencialmente mais aprofundada do que outras biografias musicais recentes.

Quanto à estreia, o filme está confirmado para chegar aos cinemas internacionais em Abril de 2026. No caso de Portugal, tudo indica que deverá ser já no dia 23 de Abril.

Mais do que um simples filme biográfico, Michael carrega consigo uma responsabilidade rara: revisitar uma figura cuja influência ultrapassa gerações e cuja história continua a suscitar fascínio e debate. O trailer final deixa antever uma produção ambiciosa, emocional e visualmente cuidada, com especial atenção aos momentos mais marcantes da carreira do artista.

Resta saber se o filme conseguirá equilibrar o espectáculo com a complexidade de uma vida que nunca foi simples. Porque contar a história de Michael Jackson não é apenas revisitar sucessos — é entrar num território onde talento, pressão, genialidade e controvérsia coexistem de forma inseparável.

E talvez seja precisamente isso que torna este projecto tão aguardado.

Greta Gerwig Assina com a CAA — e a Nárnia é o Próximo Destino Depois do Barbie

Há realizadores que fazem um grande filme e desaparecem durante anos à procura do próximo. Greta Gerwig não parece ser esse tipo. Depois de Barbie — o maior êxito de bilheteira de 2023, com 1,4 mil milhões de dólares arrecadados em todo o mundo e uma conversa cultural que durou meses —, a realizadora acaba de assinar contrato com a CAA, uma das maiores agências de talentos do mundo, numa movimentação que a indústria de Hollywood acompanhou com atenção. O próximo projecto confirmado é a adaptação de As Crónicas de Nárnia para a Netflix.

A notícia tem mais peso do que parece. A CAA não é apenas uma agência — é um símbolo de estatuto dentro de Hollywood, e assinar com ela depois de Barbie é a formalização de algo que já era óbvio: Gerwig passou de realizadora respeitada para um dos nomes mais poderosos da indústria. Com Lady Bird e Mulherzinhas no currículo antes de Barbie, tem uma consistência criativa rara entre os realizadores que também trabalham com grandes orçamentos de estúdio. Não sacrificou o seu ponto de vista pelo espectáculo — ela encontrou uma forma de os fazer coexistir.

As Crónicas de Nárnia é, em termos de escala e expectativa, um projecto completamente diferente de tudo o que fez até agora. A série de sete livros de C.S. Lewis — publicados entre 1950 e 1956 — é uma das mais vendidas da história da literatura infantil e juvenil, com mais de 100 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Portugal não é excepção: Nárnia é uma referência cultural transgeracional, lida por crianças nos anos 70, 80, 90 e 2000 com a mesma intensidade. A Netflix adquiriu os direitos em 2018, mas o projecto ficou paralisado durante anos à espera de uma visão criativa que fosse à altura do material.

A escolha de Gerwig sugere que a plataforma quer exactamente o que ela fez a Barbie: tomar um ícone cultural conhecido por toda a gente, tratá-lo com seriedade e sensibilidade, e devolvê-lo ao mundo de uma forma que surpreenda mesmo quem achava que já sabia tudo sobre ele. A questão da fé — central nos livros de Lewis, que eram declaradamente uma alegoria cristã — será certamente um dos pontos mais delicados a navegar. Gerwig, que cresceu numa família religiosa e tem falado sobre a sua relação complexa com espiritualidade, pode ser exactamente a pessoa certa para o fazer com honestidade e sem condescendência.

Datas de produção ainda não confirmadas. Mas com Greta Gerwig a assinar e a Netflix a investir, Nárnia voltou a estar em movimento — e o leão voltará a rugir.

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