“Berlim e a Dama com Arminho” estreia amanhã — e a máscara dourada confirma que La Casa de Papel não acabou

Há duas notícias neste artigo. A primeira é que Berlim e a Dama com Arminho — a segunda temporada do spin-off de La Casa de Papel centrado no personagem mais elegante e mais insuportável da série — estreia amanhã, 15 de Maio, no Netflix, com todos os oito episódios disponíveis em simultâneo. A segunda é que, durante a pré-estreia realizada em Sevilha na semana passada, a Netflix confirmou que o universo de La Casa de Papel vai continuar muito além de Berlim — com um teaser de 50 segundos e uma máscara de Salvador Dalí dourada que deixou os fãs em polvorosa.

Comecemos pelo que chega amanhã. A segunda temporada abandona Paris — onde a primeira temporada decorreu, com o gangue a fazer desaparecer 44 milhões de euros em jóias — e move a acção para Sevilha, onde Berlim e a sua equipa planeiam roubar A Dama com Arminho, uma das obras mais célebres de Leonardo da Vinci. O título não é uma metáfora — é literalmente o quadro que está no centro do plano. Em paralelo, Berlim organiza um segundo golpe em Paris, desta vez mirando 434 diamantes avaliados em 44 milhões de euros na Champs-Élysées. Dois golpes em simultâneo, duas cidades, uma equipa que já conhecemos e uma nova personagem interpretada por Inma Cuesta cujos contornos a produção manteve em segredo até à pré-estreia. 

Pedro Alonso regressa como Andrés de Fonollosa — o homem que La Casa de Papel apresentou como vilão e que o spin-off foi transformando numa figura muito mais complexa, capaz de planear um roubo como se fosse uma composição musical e de destruir uma relação com a mesma precisão. Ao seu lado estão Tristán Ulloa como Damián, Michelle Jenner como Keila, Begoña Vargas como Cameron, Julio Peña Fernández como Roi e Joel Sánchez como Bruce. A frase de campanha da temporada — “Ele não rouba, ele faz arte” — define o tom com uma exactidão que o próprio Berlim provavelmente aprovaria. 

E depois há o teaser. Durante a pré-estreia em Sevilha, Álvaro Morte — o Professor — confirmou o regresso ao universo, e a Netflix exibiu um teaser de 50 segundos com a máscara de Salvador Dalí agora dourada e uma barra de ouro a ser desenterrada, com a narração: “Tudo começou com dinheiro, depois veio o ouro e tesouros que não têm preço, mas a revolução ainda não acabou.” Não há título, não há elenco, não há data. Há apenas a confirmação de que a franchise mais vista da história da Netflix em língua não inglesa não ficou por aqui. 

Para Portugal, onde La Casa de Papel foi uma das séries mais vistas de sempre na plataforma, amanhã é dia de maratona.

“A Melhor Despedida de Solteira” tem 15 anos — e continua a ser a melhor comédia feminina de sempre

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“A Melhor Despedida de Solteira” tem 15 anos — e continua a ser a melhor comédia feminina de sempre

Há filmes que envelhecem. E há filmes que ficam exactamente onde os deixaste — prontos a fazer-te rir nas mesmas cenas, a surpreender-te com as mesmas piadas que já conheces de cor. A Melhor Despedida de Solteira pertence ao segundo grupo. Estreou em Maio de 2011, fez 288 milhões de dólares globalmente com um orçamento de 32 milhões, foi nomeado ao Óscar de Melhor Argumento Original, e redefiniu o que uma comédia feminina podia ser — e podia custar, e podia render. Está disponível no Disney+ em Portugal desde o início do mês.

Kristen Wiig escreveu o argumento com Annie Mumolo a partir de uma premissa simples: e se uma comédia de casamento fosse protagonizada por mulheres que se comportam exactamente como os homens se comportam nas comédias de casamento? Sem filtros, sem elegância, sem o decoro que o género habitualmente impõe às suas personagens femininas. O resultado foi uma das comédias mais fisicamente ousadas e emocionalmente honestas da história recente do cinema americano — com a cena do vestido de noiva a tornar-se imediatamente num dos momentos mais citados do género.

O elenco é um exercício de casting perfeito. Wiig como Annie, a madrinha de casamento em colapso existencial. Maya Rudolph como Lillian, a noiva que tenta manter tudo unido. Rose Byrne — que este ano ganhou o BAFTA de Actriz em Comédia por Amandaland — como a rival elegante e aparentemente perfeita que esconde mais do que mostra. Ellie Kemper, Wendi McLendon-Covey e, acima de todos, Melissa McCarthy como Megan, numa performance que lhe valeu a nomeação ao Óscar de Melhor Actriz de Apoio e que transformou a sua carreira de forma irreversível.

Paul Feig realizou com uma leveza que o argumento exigia — deixar as actrizes trabalhar, confiar no ritmo e não tentar controlar o caos. O mesmo Feig realizaria depois O Táxi das LoucasA Espia que Me Valeu e o reboot de Ghostbusters — sempre com mulheres no centro, sempre com a mesma filosofia. A Melhor Despedida de Solteira foi o início de tudo isso. Quinze anos depois, ainda é o melhor.

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“Diários de uma Princesa 3”: Anne Hathaway vai ser rainha — e Chris Pine provavelmente também volta

Existe um castelo algures na Europa alugado e à espera. A autora dos livros originais, Meg Cabot, confirmou-o em Maio: “Um dia ela vai aparecer no castelo que realmente alugámos e que está ali à espera.” O “ela” é Anne Hathaway. O castelo é Genóvia. E o filme é Diários de uma Princesa 3, que está em desenvolvimento há anos e que finalmente parece ter encontrado o seu caminho.

A realizadora Adele Lim disse à Variety esta semana que o projecto “está a correr bem” e que a premissa mudou deliberadamente de uma história sobre uma princesa para uma história sobre uma rainha. “Há tantos filmes de realização de sonhos para princesas. Não temos muitos filmes de realização de sonhos para rainhas. É isso que queremos fazer — mostrar uma mulher no pleno do seu poder.”

Cabot foi mais longe numa recente aparição pública em Nova Iorque, confirmando que Chris Pine — que interpretou o Príncipe Nicholas no segundo filme — regressa: “Há um papel para toda a gente. Robert Schwartzman está. Chris Pine, obviamente, está — embora ele diga que não, mas está.” A formulação é exactamente o tipo de negação que confirma tudo o que nega. Variety

Lim confirmou também que o filme vai ser rodado em parte na Europa — “vamos poder mostrar Genóvia em toda a sua glória” — e que os fãs dos filmes originais podem “esperar muitos regressos divertidos” do elenco. Julie Andrews, que interpretou a Rainha Clarisse, não foi especificamente mencionada, mas a sua presença na franchise tornou-se tão central que seria difícil imaginar o filme sem ela.

O que ainda não existe é data de rodagens confirmada ou greenlight formal do estúdio — o que significa que o filme não chegará aos cinemas em 2026 e possivelmente não em 2027. Mas o castelo está alugado, o argumento está a ser escrito por Flora Greeson, e Anne Hathaway está comprometida. Para uma franchise que esteve em limbo durante quase uma década após a morte do realizador original Garry Marshall em 2016, isso é mais do que suficiente para acreditar que desta vez é mesmo a sério.

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Sebastian Stan e Annabelle Wallis vão ser pais — o Soldado de Inverno e Grace de “Peaky Blinders” à espera do primeiro filho

Sebastian Stan e Annabelle Wallis estão à espera do primeiro filho juntos, confirmou o Deadline esta semana, após quase quatro anos de namoro. É a primeira vez que ambos serão pais.

Stan, de 43 anos, é um dos actores mais reconhecíveis do MCU — Bucky Barnes, o Soldado de Inverno, que acompanhou a saga desde Capitão América: O Primeiro Vingador em 2011 até Falcon and the Winter Soldier. Fora do universo Marvel, tem construído uma carreira paralela de escolhas deliberadamente arriscadas: I, Tonya, Pam & Tommy, e o recente A Different Man, de Aaron Schimberg, que lhe valeu uma nomeação ao Óscar de Melhor Actor e o prémio de melhor actor em Berlim. É um dos actores da sua geração com o percurso mais interessante entre o mainstream e o cinema de autor.

Wallis, de 41 anos, é conhecida em Portugal principalmente pelo papel de Grace Burgess em Peaky Blinders — a cantora irlandesa que se torna no grande amor de Tommy Shelby e cuja saída da série continua a ser um dos momentos mais discutidos pelos fãs. Tem também no currículo Missão: Impossível — Nação Proscrita, Annabelle e Mortdecai. Os dois foram fotografados juntos pela primeira vez em Julho de 2022 e mantiveram a relação com uma discrição considerável desde então.

A notícia foi confirmada pelo Deadline sem adicionais detalhes sobre a data prevista. O filho do Soldado de Inverno e de Grace Shelby vai ter uns pais com um currículo cinematográfico considerável para estar à altura.

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Os BAFTA de Televisão são amanhã — e “Adolescence” parte como favorito em quase tudo

Os BAFTA Television Awards realizam-se amanhã, 10 de Maio, no Royal Festival Hall em Londres, com transmissão na BBC One e BBC iPlayer a partir das 19h00 hora portuguesa. O apresentador é Greg Davies — o actor e comediante galês que toda a gente conhece do Taskmaster — e o favorito claro da noite é uma série que muitos já viram mas que merece ser relembrada: Adolescence, o thriller de Stephen Graham e Jack Thorne que estreou no Netflix em Março de 2025 e se tornou num dos fenómenos televisivos mais comentados dos últimos anos.

Adolescence lidera as nomeações com 11 candidaturas, seguida de A Thousand Blows com 7 e de Andor e Trespasses com 6 cada. A série — que conta a história de uma família destruída quando o filho de 13 anos é acusado de matar uma colega, filmada em plano-sequência contínuo em cada episódio — já ganhou oito Emmys em 2025 e dominou os BAFTA de Televisão de Craft realizados há duas semanas, onde empatou com The Celebrity Traitors no número de vitórias. 

Aimee Lou Wood tem dupla nomeação — Melhor Actriz de Apoio por The White Lotus e Melhor Actriz pela série Film Club da BBC Three — tal como Erin Doherty, nomeada por Adolescence e por A Thousand Blows. São as duas histórias individuais mais interessantes da noite, numa cerimónia que reconhece programas emitidos durante 2025. 

O BAFTA Fellowship — a mais alta distinção da Academia britânica — será entregue a Dame Mary Berry, a apresentadora e autora de culinária que se tornou numa das figuras mais amadas da televisão britânica. Martin Lewis receberá o BAFTA Television Special Award. Para o leitor português, Adolescence está disponível no Netflix e pode ser (re)vista antes da cerimónia de amanhã — que vai, muito provavelmente, consolidar o seu estatuto como uma das séries britânicas mais importantes dos últimos anos.

Reese Witherspoon e Selma Blair reuniram-se 25 anos depois de “Legalmente Loira” — e as fotos são tudo

Em 2001, Reese Witherspoon entrou em tribunal com um fato cor-de-rosa e um chihuahua na mala e mudou para sempre o que se entendia por filme de comédia feminina. Selma Blair estava ao seu lado como a vilã que acaba por não ser bem vilã. Vinte e cinco anos depois, as duas publicaram esta semana fotografias juntas que circularam imediatamente em todas as redes sociais — e que, no contexto do percurso de Blair desde então, têm um peso emocional que vai muito além da nostalgia.

Selma Blair foi diagnosticada com esclerose múltipla em 2018 e tornou a sua doença pública numa entrevista que gerou uma onda de solidariedade considerável. Desde então, tem documentado a sua recuperação com uma abertura que é, por si só, uma forma de activismo. As fotografias com Witherspoon mostram Blair bem disposta e visivelmente bem — e esse é, provavelmente, o detalhe mais comentado nas redes sociais, onde a actriz tem uma base de seguidores que a acompanha com um afecto genuíno.

Legalmente Loira estreia em Junho de 1926 — um gracejo inevitável: é Junho de 2001 — e celebra este ano um quarto de século com uma persistência cultural que os seus produtores certamente não anteciparam. O filme foi considerado superficial pela crítica na altura, fez 141 milhões de dólares globalmente com um orçamento de 18 milhões, e tornou-se progressivamente num dos filmes mais citados sobre competência feminina, preconceito social e a forma como as aparências enganam sistematicamente quem as usa para julgar. “What, like it’s hard?” é uma das frases mais citadas da comédia americana dos últimos vinte e cinco anos — e continua a aparecer em cartazes de formatura, em perfis de LinkedIn e em qualquer conversa sobre subestimação.

Witherspoon está actualmente em pré-produção de Legally Blonde 3, confirmado pela MGM em Março. Blair não está confirmada no elenco — mas as fotografias desta semana sugerem que a amizade entre as duas sobreviveu aos vinte e cinco anos. O que acontece a seguir é uma questão aberta.

Natalie Portman está grávida — e esta é a primeira vez que fala abertamente sobre a nova relação

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Natalie Portman confirmou esta semana que está grávida do seu primeiro filho com Tanguy Destable, o bailarino francês com quem começou a ser fotografada no final de 2024, após o fim do casamento com Benjamin Millepied depois de onze anos juntos. A actriz partilhou a novidade de forma discreta — uma fotografia no Instagram com uma legenda que não dizia nada explicitamente mas que dizia tudo — e os meios de comunicação trataram de fazer o resto.

Portman tem 44 anos e dois filhos do casamento anterior: Aleph, de 13 anos, e Amalia, de 8. A relação com Destable — que tem 34 anos e é primeiro bailarino do Ballet de Paris, onde Millepied foi director artístico antes de sair em 2016 — tem sido mantida com uma privacidade considerável desde o início, o que torna esta confirmação pública num gesto deliberado. A actriz está actualmente a promover Melody, o drama musical de Todd Haynes que estreia em Cannes na secção Un Certain Regard, o que significa que nas próximas duas semanas haverá inevitavelmente mais perguntas e provavelmente mais respostas do que Portman costuma dar.

Para quem acompanha a carreira da actriz — Óscar por Black Swan em 2011, nomeação por Jackie em 2017, presença consistente no cinema de autor mais exigente da última década — a notícia é também um capítulo numa história pessoal que a imprensa seguiu com atenção desde que o affair de Millepied com uma estudante de dança vazou para os tablóides em 2023. Portman nunca comentou publicamente o divórcio com o detalhe que os tablóides esperavam. A gravidez é, à sua maneira, uma declaração de que seguiu em frente.

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O drama que ficou por contar do Met Gala: Rihanna, A$AP Rocky e um mal-entendido que a internet amplificou

O artigo do Met Gala que publicámos na semana passada contou os looks, os momentos e as reacções. Mas houve um episódio que ficou de fora — não por falta de interesse, mas porque na altura ainda não havia factos suficientes para o contar com rigor.

O vídeo circulou durante horas: Rihanna no tapete vermelho, A$AP Rocky a falar com outra mulher, Rihanna a afastar-se com uma expressão que a internet leu imediatamente como irritação. Em minutos havia teorias, em horas havia certezas — nenhuma delas correcta. A mulher em questão era Giovanna Battaglia Engelbert, estilista italiana que conhece Rihanna há anos. Fontes próximas do casal disseram ao TMZ que a interacção tinha começado com Rihanna a falar com Giovanna, e que as duas “estavam a rir juntas antes de ela continuar a conversa com Rocky por perto”. O vídeo que circulou mostrava apenas uma parte da conversa — precisamente a parte que, fora de contexto, parecia confirmar o que a internet queria ver. 

É um episódio menor no contexto de uma noite com muito mais para contar. Mas é também um exemplo perfeito de como o ciclo de notícias de celebridades funciona em 2026: um vídeo de seis segundos, uma leitura imediata, uma narrativa construída antes de existirem factos, e depois — quando os factos chegam — muito menos interesse em corrigi-la do que havia em construí-la. Nessa mesma noite, Lauren Sánchez Bezos era descrita por testemunhas como “o centro gravitacional da sala” — com Anna Wintour ainda no título de anfitriã mas Sánchez a deter “o calor” que toda a gente perseguia. Isso gerou muito menos conversa do que seis segundos de Rihanna a olhar para o lado.

O Met Gala é, entre outras coisas, uma máquina de produzir momentos. Alguns são reais. Muitos são projecção. A distinção raramente importa tanto quanto deveria.

Mark Ruffalo e Cooper Raiff em “Hal & Harper”: a minissérie do Sundance que estreia hoje no IndieLisboa antes de chegar ao TVCine

Cooper Raiff tem 27 anos, dois filmes aclamados no currículo — Shithouse (2020), Óscar do júri em SXSW, e Cha Cha Real Smooth (2022), premiado em Sundance — e uma capacidade rara de filmar a vulnerabilidade masculina sem a transformar em espectáculo. Hal & Harper, a sua primeira minissérie, estreou no Sundance em Janeiro e chega hoje a Portugal em antestreia no IndieLisboa, às 16h45 no Cinema São Jorge, Sala 3, no último dia do festival. A estreia televisiva está marcada para 15 de Junho, às 22h10, no TVCine Edition.

A premissa é simples e densa ao mesmo tempo. Hal e Harper são dois irmãos na casa dos vinte anos que, apesar de tecnicamente adultos, continuam presos aos traumas de uma infância marcada pela perda da mãe. Quando o pai — interpretado por Mark Ruffalo — decide recomeçar a vida e vender a casa de família, os dois são obrigados a confrontar não apenas o passado mas a dependência emocional que os manteve juntos e que os impediu, cada um à sua maneira, de crescer. Raiff interpreta Hal; Lili Reinhart — conhecida de Riverdale mas cada vez mais presente no cinema independente — é Harper.

É exactamente o tipo de projecto que define o que Raiff é como realizador: histórias sobre pessoas que se amam de formas que as prejudicam, contadas com o humor subtil e a atenção ao detalhe que tornam os momentos de ruptura emocional genuinamente devastadores. A crítica do Sundance foi unanimemente calorosa, com particular destaque para Ruffalo num papel de apoio que a Variety descreveu como “o melhor trabalho do actor em anos” — a contenção de um homem que quer seguir em frente sem saber como fazê-lo sem magoar os filhos que deixa para trás.

A parceria entre o IndieLisboa e os canais TVCine para esta antestreia é o tipo de gesto que ambas as partes beneficiam — o festival ganha um título com nome e a plataforma chega ao público cinéfilo que é exactamente o seu. Para quem está no festival hoje, a sessão das 16h45 é a melhor forma de entrar em Hal & Harper antes de toda a gente. Para quem não está, o TVCine Edition tem a estreia marcada para 15 de Junho.

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“Legends” estreia hoje no Netflix: Steve Coogan lidera a série britânica de crime mais aguardada do mês

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Neil Forsyth criou The Gold — a série sobre o maior assalto da história britânica — e Guilt, o thriller familiar da BBC que encontrou uma base de fãs considerável em Portugal. Legends, que estreia hoje no Netflix com todos os seis episódios disponíveis em simultâneo, é o seu projecto mais ambicioso: uma série baseada em eventos reais sobre uma das operações policiais mais extraordinárias e menos conhecidas do Reino Unido.

A história passa-se no início dos anos 90, quando o serviço de alfândegas britânico — Her Majesty’s Customs and Excise — enfrentava uma crise sem precedentes: o tráfico de droga crescia mais rápido do que a capacidade de o combater pelos métodos convencionais. A solução foi radical: recrutar funcionários comuns das alfândegas — sem treino de espionagem, sem experiência de trabalho encoberto — e enviá-los a viver durante meses ou anos com identidades completamente falsas, as chamadas “legends”, infiltrados nas redes de tráfico mais perigosas do país. É uma história sobre pessoas completamente impreparadas para o que lhes foi pedido — e sobre o que isso faz a uma pessoa.

Steve Coogan lidera o elenco como Don, o recrutador que selecciona e lança estes agentes improváveis na sua missão. Tom Burke — conhecido de Strike e The Musketeers — é Guy, o inspector de malas de Heathrow que se torna o agente central da operação. O elenco inclui ainda Aml Ameen, Hayley Squires e Jasmine Blackborow, num conjunto de personagens que Forsyth construiu com o mesmo cuidado de The Gold — sem heróis limpos, sem vilões simples, e com uma atenção ao custo humano do trabalho encoberto que raramente aparece no género.

A série chega ao Netflix num momento em que o crime britânico de qualidade — AdolescenceThe GoldThe Day of the Jackal — está a ser visto em Portugal com uma regularidade que há dez anos seria improvável. Legends parece feita para esse mesmo público.

Brady Corbet vai fazer um filme sobre misticismo americano — e Selena Gomez pode ser a protagonista
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Demi Moore, Ruth Negga e Chloé Zhao completam o júri de Cannes — e Jacob Elordi saiu por lesão
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The Brutalist ganhou o Leão de Ouro em Veneza, seis Óscares incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador, e transformou Brady Corbet no nome mais aguardado do cinema independente americano. O próximo projecto foi confirmado ontem pelo próprio realizador ao The Playlist — e é exactamente tão inesperado quanto se poderia esperar de alguém que fez um épico de três horas e meia sobre um arquitecto húngaro refugiado na América do pós-guerra.

O filme explora, segundo as palavras de Corbet, “misticismo americano e a história do ocultismo” — uma descrição deliberadamente vaga que é também, provavelmente, o máximo que o realizador estava disposto a revelar. Selena Gomez está em negociações para o papel principal, segundo fontes próximas do projecto citadas pelo Deadline. A ligação não é tão improvável quanto parece à primeira vista: Gomez esteve em A Stranger of the Lake de Alain Guiraudie, trabalhou com James Gray em Selena Gomez: My Mind & Me e tem uma história de escolhas que privilegiam a substância sobre a visibilidade — Spring BreakersThe Dead Don’t DieOnly Murders in the Building.

Corbet produz com a sua parceira habitual Mona Fastvold, que co-escreveu The Brutalist. A distribuidora ainda não foi confirmada, mas a A24 e a MUBI são as apostas óbvias dado o perfil do projecto. O que é certo é que o anúncio vai alimentar especulação durante meses — Corbet tem um talento particular para deixar pouca informação a circular e muito espaço para o imaginário dos fãs. Um filme sobre o ocultismo americano com Selena Gomez, realizado pelo homem de The Brutalist, é exactamente o tipo de premissa que não precisa de sinopse para criar expectativa.

Demi Moore, Chloé Zhao e Stellan Skarsgård completam o júri de Cannes — e a composição diz muito sobre o que o festival quer premiar

Faltam sete dias para o arranque do 79.º Festival de Cannes e o júri da Competição Oficial está finalmente completo. Park Chan-wook preside — o realizador sul-coreano de Oldboy e Decisão de Partir na mais alta função que Cannes atribui a um cineasta convidado. Juntam-se-lhe Demi Moore, Chloé Zhao, Stellan Skarsgård, a realizadora francesa Mia Hansen-Løve, a actriz brasileira Fernanda Torres e o escritor marroquino Fouad Laroui.

A presença de Demi Moore é o dado mais comentado. A actriz regressou ao primeiro plano com A Substância — o body horror de Coralie Fargeat que ganhou o Óscar de Melhor Argumento Original em Março e que foi, desde a estreia em Cannes no ano passado, um dos filmes mais discutidos da temporada. Moore sentou-se na sala de imprensa de Cannes há menos de doze meses como actriz em competição; agora regressa como juíza. É uma das trajectórias mais rápidas e mais merecidas da história recente do festival.

Chloé Zhao traz uma perspectiva que o júri necessitava: a realizadora de Nomadland — Palma de Ouro e Óscar de Melhor Realização — conhece o festival dos dois lados e tem uma leitura do cinema de autor que equilibra o instinto comercial de Eternals com a sensibilidade indie dos seus primeiros filmes. Stellan Skarsgård, o sueco que em cinquenta anos de carreira trabalhou com Ingmar Bergman, Lars von Trier, David Fincher e Denis Villeneuve, é a encarnação da memória cinematográfica europeia que Cannes gosta de ter à mesa.

A composição do júri sugere algumas coisas sobre o que pode acontecer a 24 de Maio, quando a Palma de Ouro for entregue. Um júri com Demi Moore e Chloé Zhao não vai necessariamente premiar o mais hermético — há abertura ao cinema que comunica com o grande público sem perder exigência. Park Chan-wook, como presidente, é o factor imprevisível: os seus filmes recusam categorias e o seu gosto é notoriamente difícil de antecipar. Com Hope de Na Hong-jin e Paper Tiger de James Gray entre os favoritos, a Palma de Ouro de 2026 está genuinamente em aberto.

Met Gala 2026: Katy Perry pôs-se em chamas, Bad Bunny chegou velho e a internet não perdoou Rihanna
“The Night Agent” termina na quarta temporada — e o Netflix avisou logo no primeiro dia de rodagens
“A Complete Unknown” estreia esta sexta no TVCine Top: Timothée Chalamet é Bob Dylan e é impossível não acreditar

Met Gala 2026: Katy Perry pôs-se em chamas, Bad Bunny chegou velho e a internet não perdoou Rihanna

O tema era Costume Art — a arte do traje como forma de expressão. A interpretação foi, como sempre no Met Gala, generosa o suficiente para incluir tudo, desde a erudição histórica à pirotecnia literal. Ontem à noite, na escadaria do Metropolitan Museum of Art em Nova Iorque, aconteceu a edição de 2026 do evento que, todos os anos, transforma a moda em espectáculo e o espectáculo em conversa global.

O momento da noite foi de Katy Perry — e foi, no sentido mais literal, ardente. O vestido da cantora soltava faíscas reais na escadaria do Met, num efeito que a equipa de segurança do evento acompanhou de perto e que a internet tratou com a mistura habitual de espanto e meme. Perry tem um historial de apostas visuais maximizadas nos grandes eventos — e desta vez foi além do que qualquer um esperava. Viral imediato, sem discussão.

Heidi Klum — que tem nas entradas no Met Gala um historial de transformações completas — chegou como uma figura saída directamente de um quadro de Vermeer: luz dourada, pose calculada, execução impecável. É o tipo de look que exige investigação prévia e que recompensa quem a faz. Bad Bunny optou por uma leitura conceptual do tema: apareceu como uma versão envelhecida de si próprio, com caracterização de décadas adicionadas ao rosto, num comentário sobre o tempo e a identidade artística que dividiu opiniões — metade da internet achou genial, a outra metade não percebeu.

Rihanna e A$AP Rocky foram, para variar, o tema mais comentado pelos motivos errados. Os looks do casal — que nas últimas edições tinham definido o nível de ambição do evento — foram recebidos com frieza considerável nas redes sociais, com muitos a considerar que ficaram aquém do tema e da história do próprio casal no Met. As ausências notáveis incluíram Ariana Grande e Zendaya — duas das presenças mais aguardadas em qualquer edição — sem explicação pública.

Para quem segue o Met Gala pela sua ligação ao cinema, a presença de O Diabo Veste Prada 2 em cartaz deu ao evento uma ressonância particular: Miranda Priestly teria muito a dizer sobre algumas das escolhas da noite. E provavelmente diria em dois sílabas.

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Ted Lasso regressa a 5 de Agosto: o treinador mais optimista da televisão vai agora gerir uma equipa feminina

A última vez que Ted Lasso apareceu no ecrã foi em Maio de 2023. Deixou Richmond, voltou para Kansas City para estar com o filho Henry, e muita gente achou — incluindo os próprios criadores, que tinham descrito a terceira temporada como o fim da história que queriam contar — que era o fim. Não era. A Apple TV+ confirmou ontem a data de regresso: 5 de Agosto de 2026, com episódios semanais às quartas-feiras até 7 de Outubro.

O teaser divulgado esta semana deixa tudo claro em pouco mais de um minuto: Ted (Jason Sudeikis) está de volta a Richmond, mas desta vez não é para gerir os homens do AFC. O seu novo desafio é a equipa feminina de segunda divisão do clube — uma premissa que foi sendo construída ao longo da terceira temporada, quando Keeley Jones propôs a Rebecca Welton a criação de uma equipa feminina. A cena sempre pareceu um fio deixado em aberto. Agora é o argumento central de toda uma temporada.

O regresso do elenco principal é confirmado: Hannah Waddingham como Rebecca, Brett Goldstein como Roy Kent, Juno Temple como Keeley, Brendan Hunt como Coach Beard e Jeremy Swift como Higgins. A estes juntam-se novos nomes, com Tanya Reynolds a assumir o papel de nova treinadora assistente. Phil Dunster, que interpretava Jamie Tartt, não regressa como regular devido a incompatibilidades de agenda — uma ausência notável, embora esperada. O papel de Henry Lasso, o filho de Ted, passa de Gus Turner para Grant Feely.

O teaser abre com Ted a cruzar uma rua de Richmond e a ser interpelado por um adepto que, num gesto de boas-vindas genuinamente britânico, comenta: “Que pena estares a treinar um bando de raparigas.” É um segundo de imagem, mas define o tom da temporada: a luta contra o sexismo casual no desporto, tratada com o humor e a humanidade que tornaram Ted Lasso na série mais improvável da última década — uma comédia sobre futebol que ganhou Emmys falando de saúde mental, amizade e como ser uma pessoa melhor. A quarta temporada promete adicionar o futebol feminino ao seu vocabulário. Para um país onde o futebol feminino tem crescido em visibilidade, isso não é detalhe menor.

Pode ver o Trailer aqui

“A Casa dos Espíritos” no Prime Video: Isabel Allende tem finalmente a adaptação que merecia

“O Diabo Veste Prada 2” abre o verão de Hollywood amanhã com projecção de 180 milhões globais

Há um realizador português a tomar conta das noites de sábado — e não é por acaso

“A Casa dos Espíritos” no Prime Video: Isabel Allende tem finalmente a adaptação que merecia

Havia algo de errado na adaptação de 1993. Não nas intenções — o filme de Bille August era tecnicamente competente, respeitoso até — mas no elenco. Meryl Streep como Clara del Valle, Glenn Close como Férula, Winona Ryder como Blanca, Jeremy Irons como Esteban Trueba: actores excelentes, escolhas desastrosas. O romance de Isabel Allende, publicado em 1982 e há décadas considerado um dos pilares da literatura latino-americana, merecia vozes e rostos do seu próprio mundo. Trinta e três anos depois, o Prime Video entregou exactamente isso.

A Casa dos Espíritos estreia hoje na plataforma da Amazon com os três primeiros episódios, disponíveis em simultâneo em mais de 240 países e territórios. Os restantes cinco episódios serão lançados semanalmente às quartas-feiras, com o episódio final previsto para 13 de Maio. A série de oito partes é a primeira adaptação televisiva em língua espanhola do romance, filmada no Chile — exigência que as realizadoras Francisca Alegría e Fernanda Urrejola impuseram desde o início das negociações com o Prime Video e a FilmNation Entertainment, a produtora por detrás de Anora e Conclave.

A história é conhecida de quem leu o livro ou viu o filme: a saga da família Trueba ao longo de meio século numa nação sul-americana sem nome, mas inconfundivelmente Chile, onde três gerações de mulheres — Clara, Blanca e Alba — navegam entre o amor, o poder, a violência política e o realismo mágico que Allende ajudou a definir enquanto género literário. Nicole Wallace e Dolores Fonzi partilham o papel de Clara em diferentes fases da vida; Alfonso Herrera interpreta Esteban Trueba. A própria Isabel Allende é produtora executiva, ao lado de Eva Longoria e Courtney Saladino.

A recepção crítica tem sido calorosa. A Variety descreve a série como “espectacular e de partir o coração”, enaltecendo a autenticidade que vem de ser rodada em castelhano e nas paisagens que Allende descreveu. O RogerEbert.com fala de uma das adaptações literárias mais ambiciosas que o streaming prometeu e finalmente cumpriu. A série não esquiva o lado mais sombrio do romance — violência sexual, tortura, abuso doméstico — mas faz-o com a mesma seriedade com que Allende os abordou na página.

Em Portugal, onde o romance de Allende tem uma base de leitores consolidada, a chegada desta série preenche uma lacuna há muito sentida. É o tipo de produção que justifica a existência das plataformas de streaming enquanto veículo para histórias que o cinema de estúdio raramente tem paciência — e orçamento — para contar com rigor.

“O Diabo Veste Prada 2” abre o verão de Hollywood amanhã com projecção de 180 milhões globais

Vinte anos são muito tempo no cinema. São suficientes para uma geração crescer com um filme, para os seus diálogos se tornarem citações e para Miranda Priestly se instalar definitivamente no panteão dos vilões mais fascinantes da história recente. São também suficientes para que uma sequela passe de improvável a inevitável — e para que O Diabo Veste Prada 2 se transforme num dos lançamentos mais aguardados de 2026. O filme estreia amanhã nos Estados Unidos e a 30 de Abril em Portugal, mas as expectativas da indústria já estão definidas: entre 80 e 100 milhões de dólares só na América do Norte no fim-de-semana de abertura, e perto de 180 milhões a nível global — números que colocariam este regresso à Runway entre os maiores arranques do ano.

A produção da 20th Century Studios ocupa um slot de peso máximo: o primeiro fim-de-semana de Maio estava originalmente reservado a Vingadores: Juízo Final, antes de a Marvel recuar na data. Que um filme sem super-heróis nem efeitos especiais explosivos tenha tomado esse lugar diz muito sobre a confiança do estúdio. As previsões do Deadline e do Box Office Theory baseiam-se em pré-vendas que, segundo fontes do sector, duplicam as de produções comparáveis recentes — e o mercado europeu é visto como particularmente sólido, dado o desempenho histórico do primeiro filme no continente: 26 milhões de dólares no Reino Unido, 23 milhões na Alemanha, 19 milhões em Itália.

David Frankel regressa à realização, Aline Brosh McKenna ao argumento, e Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci regressam às suas personagens com toda a bagagem de duas décadas entretanto vividas. A história, baseada no romance A Vingança Veste Prada de Lauren Weisberger (2013), coloca Miranda Priestly a braços com o declínio da imprensa tradicional e com uma rival inesperada: Emily Charlton, a antiga assistente interpretada por Blunt, agora à frente de uma poderosa marca de luxo cujo financiamento pode salvar — ou destruir — a Runway. Incorporam o elenco pela primeira vez Justin Theroux, Kenneth Branagh e Lucy Liu. Lady Gaga e Doechii assinam em conjunto a canção original “Runway”, cuja prévia no segundo trailer reuniu mais de 185 milhões de visualizações nas primeiras 24 horas.

O primeiro filme, recorde-se, foi um fenómeno que o tempo só fez crescer. Orçado em 35 milhões de dólares, faturou mais de 326 milhões globalmente em 2006. O regresso à Runway chega curiosamente na semana do Met Gala, a grande noite da moda nova-iorquina, numa coincidência de calendário que não parece acidental. Nenhum franchise Marvel poderia ter marcado melhor o início do verão cinematográfico de 2026.

Em Portugal o filme pode ser visto a partir de amanhã ( 30 de Abril) nas salas portuguesas.

Carla Simón preside ao júri de curtas de Cannes 2026: a realizadora de “Alcarràs” no coração do festival

Faltam duas semanas para o arranque do 79.º Festival de Cannes, marcado para 12 de Maio, e as peças vão tomando o seu lugar. Hoje, o festival confirmou que Carla Simón presidirá ao júri das curtas-metragens e da secção La Cinef — a mais jovem das suas competições, dedicada a filmes de escolas de cinema de todo o mundo. É uma escolha com uma lógica impecável: Simón ganhou o Urso de Ouro em Berlim por Alcarràs em 2022, esteve em Competição em Cannes no ano passado com Romería, e é uma das vozes mais reconhecidas do cinema ibérico contemporâneo. O júri inclui ainda a actriz sul-coreana Park Ji-Min, o realizador iraniano Ali Asgari, o actor francês Salim Kechiouche e o realizador sueco Magnus von Horn.

Em paralelo, a Promoção Europeia de Cinema (EFP) revelou os 20 produtores seleccionados para a 27.ª edição do programa Producers on the Move, que decorre durante o festival. O grupo inclui dois produtores ligados a títulos da Selecção Oficial: a austríaca Lixi Frank, produtora de Everytime de Sandra Wollner — em Un Certain Regard — e co-produtora de The Dreamed Adventure de Valeska Grisebach, em Competição; e o italiano Stefano Centini, na equipa de Death Has No Master de Jorge Thielen Armand, nas Jornadas dos Cineastas. O programa é um dos mais respeitados instrumentos de networking da indústria europeia, e a selecção de 2026 reflecte, segundo o próprio EFP, “um foco assinalável na narrativa conduzida por mulheres”.

A Selecção Oficial deste ano, anunciada a 9 de Abril, tem Park Chan-wook como presidente do júri da Competição — o realizador de Oldboy e Decisão de Partir na mais alta função que Cannes atribui a um cineasta convidado. O festival abre com The Electric Kiss de Pierre Salvadori e inclui a atribuição de duas Palmas de Ouro honoríficas: a Peter Jackson e a Barbra Streisand. O poster oficial desta edição reproduz Geena Davis e Susan Sarandon no set de Thelma & Louise(1991), trinta e cinco anos depois de o filme de Ridley Scott ter estreado precisamente em Cannes.

Para o cinema português e ibérico, Cannes 2026 chega num momento de visibilidade crescente, com a presença de Carla Simón num papel de destaque a confirmar que o cinema da Península mantém um lugar sólido no mapa do festival mais influente do mundo.

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Há um realizador português a tomar conta das noites de sábado — e não é por acaso
“A Casa dos Espíritos” no Prime Video: Isabel Allende tem finalmente a adaptação que merecia

O Diabo Veste Prada 2: O Realizador Queria o Nate de Volta — Mas a Agenda Não Deixou

Há personagens que envelhecem mal. E depois há o Nate, o namorado chef de Andy Sachs em O Diabo Veste Prada, que envelheceu tão mal que se tornou um fenómeno cultural à parte — não pelo que faz no filme, mas pela forma como as audiências o foram relendo ao longo de quase vinte anos. Hoje, nas redes sociais, Nate é canonicamente o vilão da história: o rapaz que ficou ressentido porque a namorada quis ter uma carreira. Uma leitura que Adrian Grenier, o actor que o interpretou, parece ter abraçado com humor notável.

David Frankel, realizador de O Diabo Veste Prada 2, confirmou à Entertainment Weekly que chegou a ponderar incluir Grenier numa aparição surpresa na sequela. A ideia era “infiltrá-lo” discretamente, mas os calendários de produção não colaboraram e o cameo ficou pelo caminho. Frankel não revelou como teria incorporado a personagem na trama, mas deixou escapar um elogio inesperado: ficou encantado com o facto de Grenier ter feito recentemente um anúncio da Starbucks que brinca directamente com a sua ausência da sequela — “muito engraçado e autodepreciativo”, disse o realizador. “Adoro a humildade e a comédia.”

Grenier, por seu lado, já tinha falado sobre o assunto em Março ao Page Six, com uma candura que também tem o seu charme: “Foi uma desilusão não ter recebido a chamada para a sequela, mas percebo que existe alguma reacção negativa em relação ao Nate enquanto personagem, por isso talvez isso tenha tido algo a ver.” Acrescentou que a situação deixa espaço para um possível spin-off, e concluiu com uma frase que é simultaneamente diplomática e ligeiramente melancólica: “Somos todos fãs do filme, estejamos ou não nele.”

A sequela, que estreia a 1 de Maio nos cinemas — incluindo em Portugal, com o título O Diabo Veste Prada 2 —, reúne Anne Hathaway, Meryl Streep, Emily Blunt e Stanley Tucci vinte anos depois dos acontecimentos do primeiro filme. Andy regressa à Runway numa altura em que a revista luta para sobreviver num panorama mediático irreconhecível, e a trama obriga-a a convencer Emily — agora à frente de uma marca de luxo — a comprar publicidade que pode salvar a publicação. Miranda Priestley, naturalmente, continua a ser Miranda Priestley.

A ausência do Nate é, de certa forma, poeticamente justa. A personagem foi construída para ser o peso que puxa Andy de volta à mediocridade confortável, e o facto de a sequela o ignorar por completo é a vingança silenciosa que vinte anos de releituras feministas do filme estavam a pedir. Se Grenier vier a aparecer num spin-off, será porque a cultura pop tem um sentido de humor que não falha.

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O fim de semana foi de Antoine Fuqua. O biopic Michael, sobre a vida de Michael Jackson, arrecadou 97 milhões de dólares no mercado norte-americano e mais de 217 milhões a nível global na estreia — o melhor arranque de sempre para um biopic musical, num resultado que surpreendeu a própria indústria. Agora, com os números na mão, Fuqua falou com a Deadline sobre as decisões que moldaram o filme: a sequela que já está implicitamente preparada, os 50 milhões de dólares em reshoots que ninguém esperava, e a ausência das acusações de abuso sexual que continuam a definir a herança de Jackson.

O filme termina com um cartão a dizer “A Sua História Continua” — uma indicação clara de intenções. Fuqua confirmou que existe material filmado para uma segunda parte e que a estrutura narrativa do primeiro filme foi deliberadamente concebida como prólogo. A ideia era simples na teoria e complicada na execução: antes de poder confrontar o público com a complexidade e as sombras do Jackson adulto, era preciso construir empatia suficiente pelo Jackson humano — o rapaz de Indiana, o filho de Joe Jackson, o artista que se tornou num fenómeno sem precedentes.

A ausência das acusações de abuso sexual levantadas por Jordan Chandler não foi uma escolha criativa pura. Fuqua revelou que o filme originalmente abria com a invasão policial à Neverland Ranch em 1993, na sequência das alegações de abuso do então adolescente de 13 anos. Essa cena foi removida quando, já na fase de entrega do director’s cut, a produção descobriu que o acordo de resolução civil entre Chandler e o espólio de Jackson incluía uma cláusula que impedia que o caso fosse dramatizado. O resultado foi 50 milhões de dólares em reshoots — numa produção que já custava 200 milhões — e uma reconfiguração completa da estrutura do filme. “Foi um dia difícil”, disse Fuqua, com a contenção de quem está a descrever uma catástrofe logística de forma civilizada.

Jackson chegou a acordo civil com a família Chandler por um valor reportado de 25 milhões de dólares, após o que Chandler deixou de cooperar com os procuradores. Em 2005, Jackson foi absolvido de outras acusações de abuso de menores. O seu espólio continua a negar todas as alegações levantadas contra o cantor, incluindo as documentadas em Leaving Neverland, o documentário de 2019 que reacendeu o debate público sobre o seu legado. O filme de Fuqua não toma posição sobre nada disto — e é precisamente essa ausência que alimentou grande parte da discussão crítica em torno do projecto.

O realizador defende a opção com uma lógica que é cinematograficamente coerente, ainda que eticamente questionável para muitos: “A menos que possas verdadeiramente tomar o teu tempo, voltemos ao princípio e mostremos às pessoas quem ele era em palco. É um super-herói em palco. O cinema tem o poder da empatia para dizer que isto é um ser humano. Ninguém é perfeito.” A sequela — cuja existência Fuqua confirma “absolutamente” — será o espaço onde essas questões terão de ser enfrentadas, ou onde a franchise provará definitivamente que prefere a hagiografia à complexidade.

O que os números do fim de semana demonstram, acima de tudo, é que o público tem apetite para Michael Jackson independentemente do debate — ou talvez precisamente por causa dele. A crítica foi fria, com 38% no Rotten Tomatoes, mas o público respondeu com 97% na mesma plataforma, uma das maiores divergências do ano. Jaafar Jackson, sobrinho do cantor e protagonista do filme, convenceu quem foi ver: a performance física e musical é, por consenso, o elemento mais forte de uma produção que em tudo o resto divide opiniões.

Fuqua nunca chegou a conhecer Michael Jackson — o cantor morreu em Junho de 2009, aos 50 anos, de intoxicação aguda por propofol — mas esteve perto de o fazer: foi considerado para realizar o videoclipe de Remember the Time. Décadas depois, acabou por construir o retrato mais ambicioso que o cinema já fez do rei do pop. Se a sequela confirmar o que o primeiro filme apenas esboça, ficará a saber-se se estava à altura do desafio.

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Abril está a acabar e com ele um dos meses mais intensos do ano em termos de streaming. Antes de virar a página para Maio — que também não vem de mãos a abanar —, vale a pena fazer o ponto da situação: o que ainda está por ver, o que chegou nos últimos dias, e o que merece atenção já a partir de esta semana.

Na Netflix, o destaque de fim de mês é a estreia hoje de Straight to Hell, nova série dramática, que se junta a um Abril já considerável. O mês trouxe a Stranger Things: Tales from ’85 — o spin-off que expande o universo de Hawkins para os anos 80 com um elenco novo —, a segunda temporada de Beef, agora uma antologia com Oscar Isaac e Carey Mulligan, e a terceira temporada de Euphoria, um dos regresos mais aguardados da televisão dos últimos dois anos. Quem ainda não arrancou com nenhum destes títulos tem material suficiente para semanas. Para os próximos dias, o calendário de Maio indica ainda o regresso de Berlim — o spin-off de A Casa de Papel — com segunda temporada a 15 de Maio, e a estreia de A Good Girl’s Guide to Murder, segunda temporada, a 27 de Abril.

Na Prime Video, a semana que começa traz um título que não passa despercebido: Spider-Noir, com Nicolas Cage como detetive e super-herói nos anos 30 de Nova Iorque, chega globalmente a 27 de Maio — mas a Prime Video já confirmou que Portugal está incluído nos mais de 240 territórios do lançamento simultâneo. É o título de streaming mais aguardado de Maio. Antes disso, quem ainda não terminou a quinta e última temporada de The Boys tem um bom motivo para o fazer: o episódio final está marcado para 20 de Maio, encerrando uma das séries mais celebradas da plataforma.

Na Max, The White Lotus continua a ser o elefante na sala — ou melhor, no quarto de hotel. A temporada 4 está em rodagem em França e não deve chegar ao serviço antes do final do ano. Enquanto isso, quem ficou com a quinta temporada de House of the Dragon no horizonte pode confirmar: ainda sem data, mas com produção confirmada. O que está disponível e merece atenção nestas semanas é a segunda temporada de Criminal Record, a série britânica com Peter Capaldi e Cush Jumbo, que estreou a 22 de Abril.

Na SkyShowtime, Abril foi um mês de apostas europeias. Gomorrah: The Origins, a prequela que recua às origens de Don Pietro Savastano, está disponível na íntegra desde 1 de Abril — para os fãs do universo napolitano de Roberto Saviano, é leitura obrigatória. O thriller galês Under Salt Marsh, que acompanha uma ex-detetive a investigar a morte suspeita de um aluno numa comunidade costeira, está a ser emitido em episódios semanais. E já em Maio, a plataforma prepara Dutton Ranch, mais uma extensão do universo Yellowstone de Taylor Sheridan, que chega a 22 de Maio. Para quem segue as séries do criador de Yellowstone com regularidade, é o próximo capítulo de uma saga televisiva que não dá sinais de abrandar.

No Filmin, o mês de Abril trouxe cinema de autor de qualidade assinalável. A adaptação de François Ozon para O Estrangeiro, de Albert Camus — vencedora do César de Melhor Actor Secundário — chegou a 10 de Abril, assim como Franz Kafka, o biopic do escritor realizado por Agnieszka Holland (três vezes nomeada ao Óscar), que passou pelos festivais de Toronto e San Sebastián. Para Maio, a plataforma prepara Nouvelle Vague de Richard Linklater, a grande triunfadora dos prémios César, que chega a 1 de Maio; e A Cronologia da Água, a estreia de Kristen Stewart na realização, adaptando as memórias de Lidia Yuknavitch, prevista para 8 de Maio. O Filmin continua a ser, para o cinéfilo português, a melhor porta de entrada para o cinema de festival que não chega facilmente às salas.

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