Vinte anos são muito tempo no cinema. São suficientes para uma geração crescer com um filme, para os seus diálogos se tornarem citações e para Miranda Priestly se instalar definitivamente no panteão dos vilões mais fascinantes da história recente. São também suficientes para que uma sequela passe de improvável a inevitável — e para que O Diabo Veste Prada 2 se transforme num dos lançamentos mais aguardados de 2026. O filme estreia amanhã nos Estados Unidos e a 30 de Abril em Portugal, mas as expectativas da indústria já estão definidas: entre 80 e 100 milhões de dólares só na América do Norte no fim-de-semana de abertura, e perto de 180 milhões a nível global — números que colocariam este regresso à Runway entre os maiores arranques do ano.
A produção da 20th Century Studios ocupa um slot de peso máximo: o primeiro fim-de-semana de Maio estava originalmente reservado a Vingadores: Juízo Final, antes de a Marvel recuar na data. Que um filme sem super-heróis nem efeitos especiais explosivos tenha tomado esse lugar diz muito sobre a confiança do estúdio. As previsões do Deadline e do Box Office Theory baseiam-se em pré-vendas que, segundo fontes do sector, duplicam as de produções comparáveis recentes — e o mercado europeu é visto como particularmente sólido, dado o desempenho histórico do primeiro filme no continente: 26 milhões de dólares no Reino Unido, 23 milhões na Alemanha, 19 milhões em Itália.
David Frankel regressa à realização, Aline Brosh McKenna ao argumento, e Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci regressam às suas personagens com toda a bagagem de duas décadas entretanto vividas. A história, baseada no romance A Vingança Veste Prada de Lauren Weisberger (2013), coloca Miranda Priestly a braços com o declínio da imprensa tradicional e com uma rival inesperada: Emily Charlton, a antiga assistente interpretada por Blunt, agora à frente de uma poderosa marca de luxo cujo financiamento pode salvar — ou destruir — a Runway. Incorporam o elenco pela primeira vez Justin Theroux, Kenneth Branagh e Lucy Liu. Lady Gaga e Doechii assinam em conjunto a canção original “Runway”, cuja prévia no segundo trailer reuniu mais de 185 milhões de visualizações nas primeiras 24 horas.
O primeiro filme, recorde-se, foi um fenómeno que o tempo só fez crescer. Orçado em 35 milhões de dólares, faturou mais de 326 milhões globalmente em 2006. O regresso à Runway chega curiosamente na semana do Met Gala, a grande noite da moda nova-iorquina, numa coincidência de calendário que não parece acidental. Nenhum franchise Marvel poderia ter marcado melhor o início do verão cinematográfico de 2026.
Em Portugal o filme pode ser visto a partir de amanhã ( 30 de Abril) nas salas portuguesas.
