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O Diabo Veste Prada 2: O Realizador Queria o Nate de Volta — Mas a Agenda Não Deixou

Há personagens que envelhecem mal. E depois há o Nate, o namorado chef de Andy Sachs em O Diabo Veste Prada, que envelheceu tão mal que se tornou um fenómeno cultural à parte — não pelo que faz no filme, mas pela forma como as audiências o foram relendo ao longo de quase vinte anos. Hoje, nas redes sociais, Nate é canonicamente o vilão da história: o rapaz que ficou ressentido porque a namorada quis ter uma carreira. Uma leitura que Adrian Grenier, o actor que o interpretou, parece ter abraçado com humor notável.

David Frankel, realizador de O Diabo Veste Prada 2, confirmou à Entertainment Weekly que chegou a ponderar incluir Grenier numa aparição surpresa na sequela. A ideia era “infiltrá-lo” discretamente, mas os calendários de produção não colaboraram e o cameo ficou pelo caminho. Frankel não revelou como teria incorporado a personagem na trama, mas deixou escapar um elogio inesperado: ficou encantado com o facto de Grenier ter feito recentemente um anúncio da Starbucks que brinca directamente com a sua ausência da sequela — “muito engraçado e autodepreciativo”, disse o realizador. “Adoro a humildade e a comédia.”

Grenier, por seu lado, já tinha falado sobre o assunto em Março ao Page Six, com uma candura que também tem o seu charme: “Foi uma desilusão não ter recebido a chamada para a sequela, mas percebo que existe alguma reacção negativa em relação ao Nate enquanto personagem, por isso talvez isso tenha tido algo a ver.” Acrescentou que a situação deixa espaço para um possível spin-off, e concluiu com uma frase que é simultaneamente diplomática e ligeiramente melancólica: “Somos todos fãs do filme, estejamos ou não nele.”

A sequela, que estreia a 1 de Maio nos cinemas — incluindo em Portugal, com o título O Diabo Veste Prada 2 —, reúne Anne Hathaway, Meryl Streep, Emily Blunt e Stanley Tucci vinte anos depois dos acontecimentos do primeiro filme. Andy regressa à Runway numa altura em que a revista luta para sobreviver num panorama mediático irreconhecível, e a trama obriga-a a convencer Emily — agora à frente de uma marca de luxo — a comprar publicidade que pode salvar a publicação. Miranda Priestley, naturalmente, continua a ser Miranda Priestley.

A ausência do Nate é, de certa forma, poeticamente justa. A personagem foi construída para ser o peso que puxa Andy de volta à mediocridade confortável, e o facto de a sequela o ignorar por completo é a vingança silenciosa que vinte anos de releituras feministas do filme estavam a pedir. Se Grenier vier a aparecer num spin-off, será porque a cultura pop tem um sentido de humor que não falha.

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