Carla Simón preside ao júri de curtas de Cannes 2026: a realizadora de “Alcarràs” no coração do festival

Faltam duas semanas para o arranque do 79.º Festival de Cannes, marcado para 12 de Maio, e as peças vão tomando o seu lugar. Hoje, o festival confirmou que Carla Simón presidirá ao júri das curtas-metragens e da secção La Cinef — a mais jovem das suas competições, dedicada a filmes de escolas de cinema de todo o mundo. É uma escolha com uma lógica impecável: Simón ganhou o Urso de Ouro em Berlim por Alcarràs em 2022, esteve em Competição em Cannes no ano passado com Romería, e é uma das vozes mais reconhecidas do cinema ibérico contemporâneo. O júri inclui ainda a actriz sul-coreana Park Ji-Min, o realizador iraniano Ali Asgari, o actor francês Salim Kechiouche e o realizador sueco Magnus von Horn.

Em paralelo, a Promoção Europeia de Cinema (EFP) revelou os 20 produtores seleccionados para a 27.ª edição do programa Producers on the Move, que decorre durante o festival. O grupo inclui dois produtores ligados a títulos da Selecção Oficial: a austríaca Lixi Frank, produtora de Everytime de Sandra Wollner — em Un Certain Regard — e co-produtora de The Dreamed Adventure de Valeska Grisebach, em Competição; e o italiano Stefano Centini, na equipa de Death Has No Master de Jorge Thielen Armand, nas Jornadas dos Cineastas. O programa é um dos mais respeitados instrumentos de networking da indústria europeia, e a selecção de 2026 reflecte, segundo o próprio EFP, “um foco assinalável na narrativa conduzida por mulheres”.

A Selecção Oficial deste ano, anunciada a 9 de Abril, tem Park Chan-wook como presidente do júri da Competição — o realizador de Oldboy e Decisão de Partir na mais alta função que Cannes atribui a um cineasta convidado. O festival abre com The Electric Kiss de Pierre Salvadori e inclui a atribuição de duas Palmas de Ouro honoríficas: a Peter Jackson e a Barbra Streisand. O poster oficial desta edição reproduz Geena Davis e Susan Sarandon no set de Thelma & Louise(1991), trinta e cinco anos depois de o filme de Ridley Scott ter estreado precisamente em Cannes.

Para o cinema português e ibérico, Cannes 2026 chega num momento de visibilidade crescente, com a presença de Carla Simón num papel de destaque a confirmar que o cinema da Península mantém um lugar sólido no mapa do festival mais influente do mundo.

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