IndieLisboa 2026: os vencedores, o cinema português que ganhou e o que ainda pode ser visto esta semana

A 23.ª edição do IndieLisboa encerrou ontem à noite no Pequeno Auditório da Culturgest com a entrega dos prémios que coroam onze dias de cinema independente em Lisboa. A boa notícia para quem não acompanhou o festival — ou para quem quer voltar a ver o que ganhou — é que os filmes premiados regressam ao Cinema Ideal esta semana, com sessões de domingo a terça-feira.

O Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa, dotado de 15 mil euros, foi para Barrio Triste de Stillz — um realizador que chega ao IndieLisboa com um filme que, nas palavras do júri, “não se contém em provocar-nos emoções fortes e despoletar raiva, porém há momentos de luz e esperança que nos ligam profundamente à vida daqueles protagonistas”. A menção especial da Competição Internacional foi para Bouchra, de Orian Barki e Meriem Bennani, elogiado pela “frescura” e pela “reconstrução original e evocativa da relação entre uma filha e a sua mãe”. Ambos podem ser vistos amanhã, segunda-feira, no Cinema Ideal — Barrio Triste às 21h30, os filmes de curtas premiadas às 19h30.

Na Competição Nacional, o destaque vai para dois nomes do cinema português que merecem atenção. Cochena de Diogo Allen ganhou o Prémio TVCine para Melhor Longa-Metragem Nacional — dotado de 5 mil euros — com um retrato de comunidade que o júri descreveu como “uma celebração sentida que destaca o calor dos laços familiares e sociais de uma forma profundamente humanista e cinematográfica”. O mesmo filme levou ainda o Prémio Universidades. João Nicolau, por sua vez, ganhou o Prémio de Melhor Realização por A Providência e a Guitarra — o filme com Salvador Sobral que abriu o Festival de Roterdão e que chega ao IndieLisboa com um júri a elogiar “uma abordagem essencial à condição de artista, com um humor inteligente e uma construção narrativa audaciosa e distintiva”. Cochena e as curtas nacionais premiadas podem ser vistas na terça-feira, 12 de Maio, no Cinema Ideal — curtas às 19h30, longa às 21h30.

Na secção Silvestre, My Wife Cries de Angela Schanelec — a realizadora alemã de I Was at Home, But — ganhou o prémio de Melhor Longa-Metragem com uma descrição do júri que capta bem o seu cinema: “à primeira vista parece reservado, deliberadamente distanciado, mas gradualmente revela profundidade e complexidade emocional”. O prémio de curta da mesma secção foi para Lover, Lovers, Loving, Love de Jodie Mack. Nos Novíssimos — a secção dedicada às primeiras obras do cinema português — venceu Abril de Helena, de Maria Moreira e Victor Hugo Oliveira, descrito como um filme sobre “algo que deveria ser dado como garantido, mas que não é: o amor de uma mãe pela filha”. A mesma obra ganhou ainda o Prémio MUTIM, que distingue a curta que melhor contribui para um imaginário cinematográfico não estereotipado.

O IndieLisboa encerra oficialmente esta segunda-feira, 12 de Maio, com a sessão de The History of Concrete de John Wilson na terça-feira à noite no Cinema Ideal às 21h30 — o documentário sobre betão que começou num workshop da Hallmark e acabou num dos títulos mais aguardados do encerramento. Uma boa forma de fechar um festival que, edição após edição, continua a ser o espaço mais importante do cinema independente em Portugal.

“A Quiet Place Part III” começou a rodar em Nova Iorque — e Michael Sarnoski está de volta

Michael Sarnoski confirmou esta semana nas redes sociais que as rodagens de A Quiet Place Part III arrancaram em Nova Iorque — com uma publicação simples que dizia apenas “Here we go!” e uma fotografia de uma rua de Manhattan em silêncio. Para os fãs da franchise de terror da Paramount, foi suficiente.

Sarnoski realizou A Quiet Place: Dia Um — a prequel lançada em Junho de 2024 que fez 261 milhões de dólares globalmente e foi recebida como a melhor entrada da franchise desde o original de John Krasinski. A sua abordagem ao universo — centrada em personagens novos em vez de continuar directamente a história de Evelyn e Marcus Abbott — provou ser a fórmula certa para revitalizar uma série que parecia ter chegado ao limite criativo com A Quiet Place Part II. A Paramount apostou nele para o terceiro filme, e Sarnoski aceitou.

Os detalhes do argumento estão completamente guardados — nem o elenco foi confirmado, nem a trama foi revelada. O que se sabe é que as rodagens decorrem em Nova Iorque, o que sugere um regresso ao ambiente urbano de Dia Um em vez do ambiente rural dos dois primeiros filmes. A data de estreia está prevista para 2027. Para uma franchise que assenta precisamente no que não se diz, é uma quantidade de informação perfeitamente adequada.

Joan Collins tem 92 anos, está a tomar aulas de dança — e quer ir a Cannes mostrar o seu filme
O Diabo Veste Prada 2” voltou a ganhar — e “Mortal Kombat II” ficou logo atrás num fim-de-semana que diz muito
Adolescence” varreu os BAFTA de Televisão — e completou uma temporada de prémios sem precedentes

Joan Collins tem 92 anos, está a tomar aulas de dança — e quer ir a Cannes mostrar o seu filme

Há uma determinação específica que só certos actores têm — a recusa absoluta em deixar de fazer cinema apenas porque o mundo lhes diz que já fizeram o suficiente. Joan Collins, 92 anos, é um caso de estudo nessa determinação. Em declarações ao Deadline esta semana, a actriz britânica revelou que está a tomar aulas de dança para estar em forma para o tapete vermelho de Cannes — onde quer apresentar My Duchess, o projecto que tem desenvolvido há anos e que finalmente parece estar a tomar forma.

My Duchess é descrito como um drama de época centrado numa duquesa britânica — um papel à medida de Collins, que passou décadas a construir uma persona de elegância aristocrática que começa em Dynasty e nunca parou. O projecto tem enfrentado os obstáculos habituais do cinema independente britânico: financiamento intermitente, mudanças de elenco, datas que se deslocam. Mas Collins não desistiu — e as aulas de dança são, segundo ela, parte de uma preparação física que leva com a seriedade que sempre dedicou ao ofício.

Cannes é o sítio certo para apresentar My Duchess. O festival tem uma relação de longa data com os actores que recusam envelhecer discretamente — Jeanne Moreau foi lá até ao fim, Catherine Deneuve continua a aparecer com uma presença que define o tapete vermelho, e Sophia Loren fez uma aparição em 2021 que toda a gente que estava na sala se lembra. Joan Collins na Croisette com o seu próprio filme, aos 92 anos, depois de aulas de dança, é exactamente o tipo de momento que Cannes existe para criar.

“Legends” estreia hoje no Netflix: Steve Coogan lidera a série britânica de crime mais aguardada do mês
“Criaturas Extremamente Inteligentes” estreia hoje no Netflix: Sally Field, um polvo mal-humorado e lágrimas garantidas
Mark Ruffalo e Cooper Raiff em “Hal & Harper”: a minissérie do Sundance que estreia hoje no IndieLisboa antes de chegar ao TVCine

“O Diabo Veste Prada 2” voltou a ganhar — e “Mortal Kombat II” ficou logo atrás num fim-de-semana que diz muito

O Diabo Veste Prada 2 ultrapassou o Mortal Kombat II na bilheteira americana deste fim-de-semana, com 41 milhões de dólares contra aproximadamente 40 milhões do filme de luta. Uma diferença mínima que esconde uma história muito mais interessante do que os números sugerem.

Miranda Priestly e Sub-Zero na mesma semana, a lutar pelo mesmo público, com resultados quase idênticos. É um empate que não era esperado por ninguém: Mortal Kombat II tinha a força de uma franchise de videojogo com décadas de fãs dedicados e um orçamento de efeitos especiais considerável; O Diabo Veste Prada 2 tinha a nostalgia, o elenco e a Meryl Streep. Na prática, o público americano dividiu-se exactamente ao meio — o que é, em si mesmo, uma declaração sobre o estado do cinema de entretenimento em 2026.

O contexto da segunda semana de O Diabo Veste Prada 2 é particularmente relevante: a queda entre o primeiro e o segundo fim-de-semana foi de apenas 47%, um número baixo para um blockbuster e que indica word-of-mouth positivo — as pessoas estão a recomendar o filme aos seus círculos, e esses círculos estão a ir. O total acumulado nos EUA está nos 118 milhões ao fim de dois fins-de-semana. Em paralelo, Michael — o biopic de Michael Jackson — atingiu esta semana os 570 milhões de dólares acumulados globalmente desde a sua estreia, consolidando-se como um dos maiores sucessos do ano. Para Portugal, onde O Diabo Veste Prada 2 está em cartaz desde a semana passada, os números nacionais não foram ainda divulgados — mas o desempenho europeu do primeiro fim-de-semana sugere que o mercado ibérico correspondeu às expectativas.

Cannes abre na terça-feira: o que não perder nos primeiros dias do festival

Reese Witherspoon e Selma Blair reuniram-se 25 anos depois de “Legalmente Loira” — e as fotos são tudo

“Criaturas Extremamente Inteligentes” estreia hoje no Netflix: Sally Field, um polvo mal-humorado e lágrimas garantidas

BAFTA de Televisão 2026: “Adolescence” fez história com seis prémios — e a noite teve duas surpresas que ninguém esperava

Quando a cerimónia terminou no Royal Festival Hall em Londres, o número estava lá: seis BAFTA para Adolescence na totalidade da noite — quatro nos Television Awards e dois nos Television Craft Awards realizados há duas semanas. É o maior número de prémios conquistados por uma série numa única edição dos BAFTA de Televisão, superando o recorde anterior de Chernobyl, que tinha ganho nove prémios em 2020 mas distribuídos entre as duas cerimónias com um peso diferente. Para uma série de quatro episódios sobre um rapaz de 13 anos e o que a internet lhe fez, é um resultado que diz tudo sobre o impacto que Adolescence teve no ano televisivo britânico.

Os quatro prémios desta noite foram Melhor Actor Principal para Stephen Graham — o seu primeiro BAFTA individual, numa carreira de décadas de trabalho excepcional —, Melhor Actriz de Apoio para Christine Tremarco, Melhor Actor de Apoio para Owen Cooper e Melhor Série Limitada. Cooper, que com 16 anos se tornou no actor mais jovem a ganhar o prémio de Actor de Apoio na história dos BAFTA, citou John Lennon no discurso de aceitação: “Só precisas de três coisas para ter sucesso: uma obsessão, um sonho — e os Beatles.” Tremarco, visivelmente emocionada, disse: “Sinto-me tão honrada por fazer parte de Adolescence. Carrego este BAFTA alto. Para Hannah Walters e Stephen Graham — obrigada por acreditarem em mim.”

A noite teve duas surpresas genuínas. A primeira foi Narges Rashidi ganhar Melhor Actriz Principal por Prisoner 951, uma série da BBC sobre uma mulher iraniana presa pelo regime — batendo Aimee Lou Wood, Erin Doherty, Jodie Whittaker, Sheridan Smith e Siân Brooke numa das categorias mais competitivas da noite. É o seu primeiro BAFTA. A segunda foi The Studio da Apple TV+ ganhar Melhor Série Internacional, numa categoria que tinha The Bear, Severance, The White Lotus e The Diplomat como favoritos. Seth Rogen, que recolheu o prémio, brincou que “é bom ganhar dramas com uma comédia” e prestou homenagem a Catherine O’Hara, co-estrela da série que faleceu em Janeiro.

Fora de Adolescence, Code of Silence da ITV e BritBox — com Rose Ayling-Ellis no primeiro papel de protagonista, como uma mulher surda cujas competências de leitura labial a levam a ser recrutada pela polícia — ganhou Melhor Série Dramática, a maior surpresa da noite numa categoria que tinha A Thousand Blows, Blue Lights e This City Is Ours. The Celebrity Traitors ganhou Melhor Reality e o Prémio do Momento Memorável votado pelo público — Alan Carr a ganhar o programa, segundo os telespectadores britânicos, foi o momento televisivo mais marcante de 2025. Last One Laughing do Prime Video ganhou Melhor Entretenimento e Melhor Performance de Entretenimento para Bob Mortimer.

O BAFTA Fellowship foi entregue a Dame Mary Berry por Mel Giedroyc e Sue Perkins — uma reunião do trio do Great British Bake Off que o público recebeu com evidente emoção. O Television Special Award foi para Martin Lewis CBE, apresentado pelo seu amigo Richard Osman. Greg Davies, que apresentou a cerimónia, foi excelente — seco, preciso, sem exageros. A observação de que “uma pesquisa rápida de IA” lhe revelou que a televisão começou quando David Attenborough “abraçou um macaco pela primeira vez” — dita enquanto a BAFTA celebrava o centenário do naturalista — foi o melhor momento de humor da noite.

CategoriaVencedor
Melhor Actor PrincipalStephen Graham — Adolescence
Melhor Actriz PrincipalNarges Rashidi — Prisoner 951
Melhor Actor de ApoioOwen Cooper — Adolescence
Melhor Actriz de ApoioChristine Tremarco — Adolescence
Melhor Actor em ComédiaSteve Coogan — How Are You? It’s Alan (Partridge)
Melhor Actriz em ComédiaKatherine Parkinson — Here We Go
Melhor Série LimitadaAdolescence
Melhor Série DramáticaCode of Silence
Melhor Comédia EscritaAmandaland
Melhor Série InternacionalThe Studio
Melhor RealityThe Celebrity Traitors
Melhor EntretenimentoLast One Laughing
Melhor Performance de EntretenimentoBob Mortimer — Last One Laughing
Melhor SoapEastEnders
Melhor DaytimeScam Interceptors
Melhor Cobertura DesportivaUEFA Women’s Euro 2025
Melhor Evento em DirectoVE Day 80: A Celebration to Remember
Melhor Factual EntertainmentGo Back to Where You Came From
Melhor Série FactualSee No Evil
Melhor DocumentárioGrenfell: Uncovered
Momento Memorável (voto público)The Celebrity Traitors — Alan Carr a ganhar
BAFTA FellowshipDame Mary Berry
BAFTA Television Special AwardMartin Lewis CBE

Adolescence está disponível no Netflix em Portugal. Para quem ainda não viu — e para quem quer revisitar depois desta noite — nunca houve melhor altura.

Cannes abre na terça-feira: o que não perder nos primeiros dias do festival

Reese Witherspoon e Selma Blair reuniram-se 25 anos depois de “Legalmente Loira” — e as fotos são tudo

Natalie Portman está grávida — e esta é a primeira vez que fala abertamente sobre a nova relação

Estão abertas as submissões para a 5.ª edição dos Prémios Curtas — a única premiação dedicada exclusivamente ao formato curto em Portugal

O cinema português em formato curto tem casa própria desde 2023. Os Prémios Curtas — criados para distinguir e valorizar as curtas-metragens nacionais independentemente do género ou da escola de origem — abriram esta semana as submissões para a sua quinta edição, e o convite é simples: se fizeste uma curta em Portugal este ano, tens um lugar nesta competição.

A iniciativa nasceu de uma constatação óbvia para quem conhece a realidade do cinema português: as curtas-metragens são quase sempre as primeiras obras de realizadores e realizadoras que virão a definir o cinema nacional nas próximas décadas, mas raramente têm uma plataforma de reconhecimento à sua medida. Os grandes festivais têm secções de curtas, mas a competição é global e o espaço é limitado. Os Prémios Curtas existem precisamente para preencher esse vazio — uma cerimónia anual, em Lisboa, dedicada inteiramente ao formato curto e ao talento nacional.

Esta quinta edição conta com 19 categorias a concurso, que cobrem tanto géneros — ficção, documentário, animação, experimental — como áreas técnicas e artísticas: realização, interpretação, argumento, montagem, fotografia, som, banda sonora, direcção artística, guarda-roupa, caracterização e efeitos visuais. São elegíveis curtas-metragens maioritariamente realizadas em Portugal, com duração máxima de 30 minutos, produzidas ou finalizadas em 2026 — ou que tenham estreado em festivais, mostras ou plataformas de streaming em Portugal durante este ano. As obras em Língua Gestual Portuguesa são aceites desde que incluam legendas em português.

As submissões fazem-se exclusivamente através da plataforma FilmFreeway, onde cada submissão tem um custo de 7 euros — ou 2 euros para obras realizadas em contexto escolar ou universitário. Produtoras ou distribuidoras com múltiplos filmes podem contactar a organização para negociar condições. O prazo de submissão está aberto até ao final de 2026.

O júri será anunciado ao longo do ano, antes das nomeações serem reveladas. A cerimónia de entrega de prémios — que nas edições anteriores decorreu em Lisboa — tem data ainda por confirmar.

Toda a informação em premioscurtas.pt e as submissões em filmfreeway.com/PremiosCurtas.

Cannes abre na terça-feira: o que não perder nos primeiros dias do festival

Faltam quatro dias. O 79.º Festival de Cannes abre a 12 de Maio com The Electric Kiss de Pierre Salvadori na cerimónia de abertura no Grand Théâtre Lumière, e nos onze dias que se seguem Park Chan-wook e o seu júri vão ter de escolher uma Palma de Ouro entre 22 filmes que, pelo menos no papel, incluem alguns dos trabalhos mais aguardados dos últimos anos.

Os primeiros três dias são os mais importantes para perceber o estado geral do festival. A 13 de Maio, Hope de Na Hong-jin — o thriller de ficção científica com Alicia Vikander, Michael Fassbender e Hoyeon que toda a gente aponta como favorito à Palma — estreia na Competição Oficial. É o regresso do realizador de The Wailing após uma década de silêncio, com um dos maiores orçamentos de sempre no cinema coreano e o director de fotografia de Parasite por detrás da câmara. Se corresponder à expectativa, o tom do festival fica definido logo no primeiro fim-de-semana.

A 14 de Maio, Fatherland de Pawel Pawlikowski — com Sandra Hüller como a filha de Thomas Mann numa viagem pela Alemanha em ruínas do pós-guerra — é a segunda grande estreia da Competição. Pawlikowski ganhou o Óscar de Melhor Filme Internacional por Ida em 2015 e foi a Cannes com Cold War em 2018; conhece o festival e o festival conhece-o. Hüller vem de uma temporada de prémios em que foi nomeada ao Óscar por Anatomia de uma Queda e por Zona de Interesse em simultâneo — uma façanha sem precedentes. É uma das presenças mais aguardadas na Croisette este ano.

Fora da Competição, os primeiros dias têm Propeller One-Way Night Coach de John Travolta nas Cannes Premières — a estreia do actor como realizador, com um filme dedicado ao filho Jett — e nas Cannes Classics, John Lennon: The Last Interview de Steven Soderbergh, um documentário sobre a entrevista que Lennon deu 48 horas antes de ser assassinado. É o tipo de título que passa discretamente pelo festival e que toda a gente lamenta não ter visto quando chega ao streaming meses depois.

Em Un Certain Regard, Victorian Psycho de Zachary Wigon — com Maika Monroe como uma governanta vitoriana que começa a dar nas vistas pelas razões erradas — estreia a 15 de Maio e é o filme de género mais aguardado das secções paralelas. Para quem segue Cannes a partir de Portugal, a cobertura da imprensa especializada começa na segunda-feira e os primeiros veredictos reais chegam na terça. É a semana mais importante do calendário cinematográfico do ano.

Os BAFTA de Televisão são amanhã — e “Adolescence” parte como favorito em quase tudo
Reese Witherspoon e Selma Blair reuniram-se 25 anos depois de “Legalmente Loira” — e as fotos são tudo
Natalie Portman está grávida — e esta é a primeira vez que fala abertamente sobre a nova relação

Os BAFTA de Televisão são amanhã — e “Adolescence” parte como favorito em quase tudo

Os BAFTA Television Awards realizam-se amanhã, 10 de Maio, no Royal Festival Hall em Londres, com transmissão na BBC One e BBC iPlayer a partir das 19h00 hora portuguesa. O apresentador é Greg Davies — o actor e comediante galês que toda a gente conhece do Taskmaster — e o favorito claro da noite é uma série que muitos já viram mas que merece ser relembrada: Adolescence, o thriller de Stephen Graham e Jack Thorne que estreou no Netflix em Março de 2025 e se tornou num dos fenómenos televisivos mais comentados dos últimos anos.

Adolescence lidera as nomeações com 11 candidaturas, seguida de A Thousand Blows com 7 e de Andor e Trespasses com 6 cada. A série — que conta a história de uma família destruída quando o filho de 13 anos é acusado de matar uma colega, filmada em plano-sequência contínuo em cada episódio — já ganhou oito Emmys em 2025 e dominou os BAFTA de Televisão de Craft realizados há duas semanas, onde empatou com The Celebrity Traitors no número de vitórias. 

Aimee Lou Wood tem dupla nomeação — Melhor Actriz de Apoio por The White Lotus e Melhor Actriz pela série Film Club da BBC Three — tal como Erin Doherty, nomeada por Adolescence e por A Thousand Blows. São as duas histórias individuais mais interessantes da noite, numa cerimónia que reconhece programas emitidos durante 2025. 

O BAFTA Fellowship — a mais alta distinção da Academia britânica — será entregue a Dame Mary Berry, a apresentadora e autora de culinária que se tornou numa das figuras mais amadas da televisão britânica. Martin Lewis receberá o BAFTA Television Special Award. Para o leitor português, Adolescence está disponível no Netflix e pode ser (re)vista antes da cerimónia de amanhã — que vai, muito provavelmente, consolidar o seu estatuto como uma das séries britânicas mais importantes dos últimos anos.

Reese Witherspoon e Selma Blair reuniram-se 25 anos depois de “Legalmente Loira” — e as fotos são tudo

Em 2001, Reese Witherspoon entrou em tribunal com um fato cor-de-rosa e um chihuahua na mala e mudou para sempre o que se entendia por filme de comédia feminina. Selma Blair estava ao seu lado como a vilã que acaba por não ser bem vilã. Vinte e cinco anos depois, as duas publicaram esta semana fotografias juntas que circularam imediatamente em todas as redes sociais — e que, no contexto do percurso de Blair desde então, têm um peso emocional que vai muito além da nostalgia.

Selma Blair foi diagnosticada com esclerose múltipla em 2018 e tornou a sua doença pública numa entrevista que gerou uma onda de solidariedade considerável. Desde então, tem documentado a sua recuperação com uma abertura que é, por si só, uma forma de activismo. As fotografias com Witherspoon mostram Blair bem disposta e visivelmente bem — e esse é, provavelmente, o detalhe mais comentado nas redes sociais, onde a actriz tem uma base de seguidores que a acompanha com um afecto genuíno.

Legalmente Loira estreia em Junho de 1926 — um gracejo inevitável: é Junho de 2001 — e celebra este ano um quarto de século com uma persistência cultural que os seus produtores certamente não anteciparam. O filme foi considerado superficial pela crítica na altura, fez 141 milhões de dólares globalmente com um orçamento de 18 milhões, e tornou-se progressivamente num dos filmes mais citados sobre competência feminina, preconceito social e a forma como as aparências enganam sistematicamente quem as usa para julgar. “What, like it’s hard?” é uma das frases mais citadas da comédia americana dos últimos vinte e cinco anos — e continua a aparecer em cartazes de formatura, em perfis de LinkedIn e em qualquer conversa sobre subestimação.

Witherspoon está actualmente em pré-produção de Legally Blonde 3, confirmado pela MGM em Março. Blair não está confirmada no elenco — mas as fotografias desta semana sugerem que a amizade entre as duas sobreviveu aos vinte e cinco anos. O que acontece a seguir é uma questão aberta.

Natalie Portman está grávida — e esta é a primeira vez que fala abertamente sobre a nova relação

O drama que ficou por contar do Met Gala: Rihanna, A$AP Rocky e um mal-entendido que a internet amplificou

Mark Ruffalo e Cooper Raiff em “Hal & Harper”: a minissérie do Sundance que estreia hoje no IndieLisboa antes de chegar ao TVCine

Natalie Portman está grávida — e esta é a primeira vez que fala abertamente sobre a nova relação

Natalie Portman confirmou esta semana que está grávida do seu primeiro filho com Tanguy Destable, o bailarino francês com quem começou a ser fotografada no final de 2024, após o fim do casamento com Benjamin Millepied depois de onze anos juntos. A actriz partilhou a novidade de forma discreta — uma fotografia no Instagram com uma legenda que não dizia nada explicitamente mas que dizia tudo — e os meios de comunicação trataram de fazer o resto.

Portman tem 44 anos e dois filhos do casamento anterior: Aleph, de 13 anos, e Amalia, de 8. A relação com Destable — que tem 34 anos e é primeiro bailarino do Ballet de Paris, onde Millepied foi director artístico antes de sair em 2016 — tem sido mantida com uma privacidade considerável desde o início, o que torna esta confirmação pública num gesto deliberado. A actriz está actualmente a promover Melody, o drama musical de Todd Haynes que estreia em Cannes na secção Un Certain Regard, o que significa que nas próximas duas semanas haverá inevitavelmente mais perguntas e provavelmente mais respostas do que Portman costuma dar.

Para quem acompanha a carreira da actriz — Óscar por Black Swan em 2011, nomeação por Jackie em 2017, presença consistente no cinema de autor mais exigente da última década — a notícia é também um capítulo numa história pessoal que a imprensa seguiu com atenção desde que o affair de Millepied com uma estudante de dança vazou para os tablóides em 2023. Portman nunca comentou publicamente o divórcio com o detalhe que os tablóides esperavam. A gravidez é, à sua maneira, uma declaração de que seguiu em frente.

O drama que ficou por contar do Met Gala: Rihanna, A$AP Rocky e um mal-entendido que a internet amplificou

Mark Ruffalo e Cooper Raiff em “Hal & Harper”: a minissérie do Sundance que estreia hoje no IndieLisboa antes de chegar ao TVCine

“Criaturas Extremamente Inteligentes” estreia hoje no Netflix: Sally Field, um polvo mal-humorado e lágrimas garantidas

O drama que ficou por contar do Met Gala: Rihanna, A$AP Rocky e um mal-entendido que a internet amplificou

O artigo do Met Gala que publicámos na semana passada contou os looks, os momentos e as reacções. Mas houve um episódio que ficou de fora — não por falta de interesse, mas porque na altura ainda não havia factos suficientes para o contar com rigor.

O vídeo circulou durante horas: Rihanna no tapete vermelho, A$AP Rocky a falar com outra mulher, Rihanna a afastar-se com uma expressão que a internet leu imediatamente como irritação. Em minutos havia teorias, em horas havia certezas — nenhuma delas correcta. A mulher em questão era Giovanna Battaglia Engelbert, estilista italiana que conhece Rihanna há anos. Fontes próximas do casal disseram ao TMZ que a interacção tinha começado com Rihanna a falar com Giovanna, e que as duas “estavam a rir juntas antes de ela continuar a conversa com Rocky por perto”. O vídeo que circulou mostrava apenas uma parte da conversa — precisamente a parte que, fora de contexto, parecia confirmar o que a internet queria ver. 

É um episódio menor no contexto de uma noite com muito mais para contar. Mas é também um exemplo perfeito de como o ciclo de notícias de celebridades funciona em 2026: um vídeo de seis segundos, uma leitura imediata, uma narrativa construída antes de existirem factos, e depois — quando os factos chegam — muito menos interesse em corrigi-la do que havia em construí-la. Nessa mesma noite, Lauren Sánchez Bezos era descrita por testemunhas como “o centro gravitacional da sala” — com Anna Wintour ainda no título de anfitriã mas Sánchez a deter “o calor” que toda a gente perseguia. Isso gerou muito menos conversa do que seis segundos de Rihanna a olhar para o lado.

O Met Gala é, entre outras coisas, uma máquina de produzir momentos. Alguns são reais. Muitos são projecção. A distinção raramente importa tanto quanto deveria.

Mark Ruffalo e Cooper Raiff em “Hal & Harper”: a minissérie do Sundance que estreia hoje no IndieLisboa antes de chegar ao TVCine

Cooper Raiff tem 27 anos, dois filmes aclamados no currículo — Shithouse (2020), Óscar do júri em SXSW, e Cha Cha Real Smooth (2022), premiado em Sundance — e uma capacidade rara de filmar a vulnerabilidade masculina sem a transformar em espectáculo. Hal & Harper, a sua primeira minissérie, estreou no Sundance em Janeiro e chega hoje a Portugal em antestreia no IndieLisboa, às 16h45 no Cinema São Jorge, Sala 3, no último dia do festival. A estreia televisiva está marcada para 15 de Junho, às 22h10, no TVCine Edition.

A premissa é simples e densa ao mesmo tempo. Hal e Harper são dois irmãos na casa dos vinte anos que, apesar de tecnicamente adultos, continuam presos aos traumas de uma infância marcada pela perda da mãe. Quando o pai — interpretado por Mark Ruffalo — decide recomeçar a vida e vender a casa de família, os dois são obrigados a confrontar não apenas o passado mas a dependência emocional que os manteve juntos e que os impediu, cada um à sua maneira, de crescer. Raiff interpreta Hal; Lili Reinhart — conhecida de Riverdale mas cada vez mais presente no cinema independente — é Harper.

É exactamente o tipo de projecto que define o que Raiff é como realizador: histórias sobre pessoas que se amam de formas que as prejudicam, contadas com o humor subtil e a atenção ao detalhe que tornam os momentos de ruptura emocional genuinamente devastadores. A crítica do Sundance foi unanimemente calorosa, com particular destaque para Ruffalo num papel de apoio que a Variety descreveu como “o melhor trabalho do actor em anos” — a contenção de um homem que quer seguir em frente sem saber como fazê-lo sem magoar os filhos que deixa para trás.

A parceria entre o IndieLisboa e os canais TVCine para esta antestreia é o tipo de gesto que ambas as partes beneficiam — o festival ganha um título com nome e a plataforma chega ao público cinéfilo que é exactamente o seu. Para quem está no festival hoje, a sessão das 16h45 é a melhor forma de entrar em Hal & Harper antes de toda a gente. Para quem não está, o TVCine Edition tem a estreia marcada para 15 de Junho.

“Criaturas Extremamente Inteligentes” estreia hoje no Netflix: Sally Field, um polvo mal-humorado e lágrimas garantidas

“Legends” estreia hoje no Netflix: Steve Coogan lidera a série britânica de crime mais aguardada do mês

Novo “Planeta dos Macacos” confirmado com o realizador de “Quarteto Fantástico”

“Criaturas Extremamente Inteligentes” estreia hoje no Netflix: Sally Field, um polvo mal-humorado e lágrimas garantidas

Shelby Van Pelt publicou o seu romance de estreia em 2022 sem grande fanfarra. Quatro anos depois, Remarkably Bright Creatures vendeu mais de quatro milhões de exemplares, tornou-se num dos livros mais recomendados em clubes de leitura de toda a Europa e chega hoje ao Netflix numa adaptação que a crítica recebe com a mesma divisão afectuosa com que o público recebeu o livro: uns adoram sem reservas, outros adoram com reservas, e quase ninguém fica indiferente.

A história é de uma simplicidade aparente que esconde considerável profundidade emocional. Tova Sullivan (Sally Field) é uma viúva de meia-idade que trabalha no turno nocturno de limpeza de um pequeno aquário na costa do Pacífico americano. O seu único companheiro de turno é Marcellus, um polvo gigante de voz azeda e opiniões ainda mais azedas sobre a espécie humana — e sobre Tova em particular, a quem considera “tolerável, ao contrário da maioria”. Marcellus é interpretado por Alfred Molina, que empresta ao papel uma combinação de arrogância e ternura que é, de longe, o maior passo de magia do filme. Quando Cameron (Lewis Pullman), um jovem músico desempregado à procura do pai que nunca conheceu, entra no aquário por acidente e acaba contratado como auxiliar de Tova, os três formam uma aliança improvável que vai revelar segredos que ninguém esperava.

A crítica do Deadline chama-lhe “funny, wise and moving”, elogiando especialmente Alfred Molina e a química entre Field e Pullman. O Hollywood Reporter é mais cauteloso: “A poor octopus movie but a charming human one” — o que é, ao mesmo tempo, uma crítica e um elogio. O Rotten Tomatoes situa-se nos 74% e o Metacritic nos 57, uma diferença que reflecte exactamente essa divisão: a crítica mais exigente encontra contrivances e sentimentalismo fácil; o público encontra exactamente o que procurava. A realizadora é Olivia Newman, cujo historial em adaptações de literatura popular — Where the Crawdads Sing — sugere uma competência específica neste território: respeitar o livro sem o fotografar.

Field rodou a cena climática do filme numa chuva intensa numa doca em Vancouver, durante duas noites, sem hesitar. “Sally foi uma trouper. Não foi fácil, mas ela é uma actriz tão comprometida que queria que fosse o mais verdadeiro possível”, disse a realizadora. É o tipo de detalhe que diz tudo sobre uma actriz — e sobre um filme que, com todas as suas imperfeições, foi feito com seriedade.

“Legends” estreia hoje no Netflix: Steve Coogan lidera a série britânica de crime mais aguardada do mês

Brady Corbet vai fazer um filme sobre misticismo americano — e Selena Gomez pode ser a protagonista

Novo “Planeta dos Macacos” confirmado com o realizador de “Quarteto Fantástico”

“Legends” estreia hoje no Netflix: Steve Coogan lidera a série britânica de crime mais aguardada do mês

Neil Forsyth criou The Gold — a série sobre o maior assalto da história britânica — e Guilt, o thriller familiar da BBC que encontrou uma base de fãs considerável em Portugal. Legends, que estreia hoje no Netflix com todos os seis episódios disponíveis em simultâneo, é o seu projecto mais ambicioso: uma série baseada em eventos reais sobre uma das operações policiais mais extraordinárias e menos conhecidas do Reino Unido.

A história passa-se no início dos anos 90, quando o serviço de alfândegas britânico — Her Majesty’s Customs and Excise — enfrentava uma crise sem precedentes: o tráfico de droga crescia mais rápido do que a capacidade de o combater pelos métodos convencionais. A solução foi radical: recrutar funcionários comuns das alfândegas — sem treino de espionagem, sem experiência de trabalho encoberto — e enviá-los a viver durante meses ou anos com identidades completamente falsas, as chamadas “legends”, infiltrados nas redes de tráfico mais perigosas do país. É uma história sobre pessoas completamente impreparadas para o que lhes foi pedido — e sobre o que isso faz a uma pessoa.

Steve Coogan lidera o elenco como Don, o recrutador que selecciona e lança estes agentes improváveis na sua missão. Tom Burke — conhecido de Strike e The Musketeers — é Guy, o inspector de malas de Heathrow que se torna o agente central da operação. O elenco inclui ainda Aml Ameen, Hayley Squires e Jasmine Blackborow, num conjunto de personagens que Forsyth construiu com o mesmo cuidado de The Gold — sem heróis limpos, sem vilões simples, e com uma atenção ao custo humano do trabalho encoberto que raramente aparece no género.

A série chega ao Netflix num momento em que o crime britânico de qualidade — AdolescenceThe GoldThe Day of the Jackal — está a ser visto em Portugal com uma regularidade que há dez anos seria improvável. Legends parece feita para esse mesmo público.

Brady Corbet vai fazer um filme sobre misticismo americano — e Selena Gomez pode ser a protagonista
Scarlett Johansson vai fazer um filme com Ari Aster — e a A24 continua a apostar nele apesar de tudo
Demi Moore, Ruth Negga e Chloé Zhao completam o júri de Cannes — e Jacob Elordi saiu por lesão
As estreias de 7 de Maio: Billie Eilish e James Cameron, Hugh Jackman e ovelhas tagarelas e Mortal Kombat de volta

Brady Corbet vai fazer um filme sobre misticismo americano — e Selena Gomez pode ser a protagonista

The Brutalist ganhou o Leão de Ouro em Veneza, seis Óscares incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador, e transformou Brady Corbet no nome mais aguardado do cinema independente americano. O próximo projecto foi confirmado ontem pelo próprio realizador ao The Playlist — e é exactamente tão inesperado quanto se poderia esperar de alguém que fez um épico de três horas e meia sobre um arquitecto húngaro refugiado na América do pós-guerra.

O filme explora, segundo as palavras de Corbet, “misticismo americano e a história do ocultismo” — uma descrição deliberadamente vaga que é também, provavelmente, o máximo que o realizador estava disposto a revelar. Selena Gomez está em negociações para o papel principal, segundo fontes próximas do projecto citadas pelo Deadline. A ligação não é tão improvável quanto parece à primeira vista: Gomez esteve em A Stranger of the Lake de Alain Guiraudie, trabalhou com James Gray em Selena Gomez: My Mind & Me e tem uma história de escolhas que privilegiam a substância sobre a visibilidade — Spring BreakersThe Dead Don’t DieOnly Murders in the Building.

Corbet produz com a sua parceira habitual Mona Fastvold, que co-escreveu The Brutalist. A distribuidora ainda não foi confirmada, mas a A24 e a MUBI são as apostas óbvias dado o perfil do projecto. O que é certo é que o anúncio vai alimentar especulação durante meses — Corbet tem um talento particular para deixar pouca informação a circular e muito espaço para o imaginário dos fãs. Um filme sobre o ocultismo americano com Selena Gomez, realizado pelo homem de The Brutalist, é exactamente o tipo de premissa que não precisa de sinopse para criar expectativa.

Novo “Planeta dos Macacos” confirmado com o realizador de “Quarteto Fantástico”

Matt Shakman tem um verão muito ocupado. Quarteto Fantástico: Primeiros Passos estreia a 24 de Julho nos cinemas portugueses — e antes de a sala sequer esfriar, a 20th Century Studios confirmou ontem que o realizador vai fazer o próximo filme do Planeta dos Macacos. Josh Friedman, o argumentista de A Guerra dos Mundos de Spielberg e de Avatar: O Caminho da Água, escreve o guião.

O anúncio chega num momento de saúde invulgar da franchise. O Reino do Planeta dos Macacos (2024), realizado por Wes Ball, fez 397 milhões de dólares globalmente — um número que surpreendeu a indústria dado o hiato desde A Guerra do Planeta dos Macacos (2017) e relançou a série com uma nova geração de personagens, vários séculos depois dos eventos da trilogia de Caesar. O novo filme de Shakman continuará esse fio narrativo, mas os detalhes da trama são ainda desconhecidos.

Shakman tem um perfil que a 20th Century claramente valoriza: é um realizador confortável em projecto de grande escala — WandaVisionAndor, o próximo Quarteto Fantástico — mas com uma atenção à dinâmica de personagem e ao ritmo dramático que distingue o seu trabalho do blockbuster mais genérico. No contexto do Planeta dos Macacos, onde a força das últimas trilogias veio precisamente da profundidade emocional dos protagonistas, é uma escolha que faz sentido.

Friedman é o nome que mais entusiasma os fãs da franchise: o seu trabalho em Avatar mostrou que consegue construir mundos complexos sem perder o fio narrativo central, e o histórico do Planeta dos Macacos — que inclui alguns dos argumentos de ficção científica mais bem construídos do cinema americano — merece essa qualidade de escrita. Data de estreia ainda não confirmada, mas a produção está prevista para arrancar em 2027.

As estreias de 7 de Maio: Billie Eilish e James Cameron, Hugh Jackman e ovelhas tagarelas e Mortal Kombat de volta
Demi Moore, Ruth Negga e Chloé Zhao completam o júri de Cannes — e Jacob Elordi saiu por lesão

Scarlett Johansson vai fazer um filme com Ari Aster — e a A24 continua a apostar nele apesar de tudo

Ari Aster tem um currículo invulgar: dois filmes aclamados e rentáveis (Hereditary e Midsommar), dois filmes aclamados e deficitários (Beau Is Afraid e Eddington), e uma A24 que continua a financiá-lo. Scapegoat será o quinto — e desta vez com Scarlett Johansson à frente.

A notícia foi confirmada ontem pelo Deadline: Johansson é a primeira actriz a juntar-se ao projecto, que Aster escreveu e vai realizar, com produção da Square Peg, a sua empresa com Lars Knudsen. A A24 distribui, como em todos os seus filmes anteriores. O argumento — naturalmente — está completamente guardado. O título é a única pista: Scapegoat, o bode expiatório, sugere que Aster não abandonou os seus territórios favoritos de paranóia, culpa e violência social. Seja horror, ficção científica ou outra coisa qualquer, a armadilha só revela a sua forma depois de se fechar.

O detalhe que torna o anúncio mais rico é o contexto de Johansson. A actriz está neste momento em rodagens de The Exorcist com Mike Flanagan para a Universal — o seu segundo grande horror no espaço de poucos meses — e tem The Batman Part II marcado para o verão. Vai também a Cannes com Paper Tiger de James Gray. Tem Ray Gunn de Brad Bird em pós-produção. E dirigiu o seu próprio primeiro longa-metragem, Eleanor the Great. Num momento em que poderia escolher qualquer projecto, escolheu Aster. Segundo o Deadline, foi a primeira escolha do realizador, e Johansson leu o argumento e quis começar o mais depressa possível. As rodagens estão previstas para o final de 2026 para acomodar a agenda existente.

Para a A24, Scapegoat é também uma aposta de continuidade numa relação que a lógica puramente comercial já poderia ter encerrado. Beau Is Afraid custou 35 milhões e fez 4,5 milhões na bilheteira. Eddington custou 30 milhões e fez 13,7 milhões. Mas a A24 não é uma distribuidora que abandona os seus realizadores quando os números não batem certo — e Aster, com a sua capacidade de criar expectativa a partir do nada, continua a ser um dos activos mais valiosos do cinema independente americano. Johansson a protagonizar um filme de Aster é exactamente o tipo de projecto que não precisa de sinopse para gerar conversa.

Sydney Sweeney é Christy Martin no TVCine — e este é o papel que ninguém esperava dela
As estreias de 7 de Maio: Billie Eilish e James Cameron, Hugh Jackman e ovelhas tagarelas e Mortal Kombat de volta

Demi Moore, Ruth Negga e Chloé Zhao completam o júri de Cannes — e Jacob Elordi saiu por lesão

O júri completo da Competição Oficial do 79.º Festival de Cannes foi confirmado ontem — e chegou com uma alteração de última hora. Jacob Elordi, que estava inicialmente previsto como membro do painel, retirou-se por lesão antes de o anúncio ser feito. O seu lugar foi preenchido pelo actor camaronês Isaach De Bankolé, presença habitual em filmes de Claire Denis e Jim Jarmusch.

Park Chan-wook preside. Juntam-se-lhe Demi Moore, a actriz irlandesa Ruth Negga — nomeada ao Óscar por Loving(2016) —, a realizadora Chloé Zhao (NomadlandEternals), o actor sueco Stellan Skarsgård, o realizador chileno Diego Céspedes, a realizadora belga Laura Wandel (Playground), o argumentista Paul Laverty — colaborador de toda a carreira de Ken Loach, com duas Palmas de Ouro no currículo — e Isaach De Bankolé.

É um júri geograficamente diverso e com perspectivas muito diferentes sobre o que o cinema pode ser. Demi Moore regressa à Croisette menos de doze meses depois de ter estado em competição com A Substância — o body horror de Coralie Fargeat que ganhou o Óscar de Melhor Argumento e que foi um dos filmes mais discutidos de Cannes 2025. Skarsgård vem de Sentimental Value de Joachim Trier, que ganhou o Grand Prix no ano passado e lhe valeu uma nomeação ao Óscar. Chloé Zhao, coming off Hamlet — o seu regresso ao cinema independente depois de Eternals — traz uma leitura do cinema que equilibra a sensibilidade de autor com o apelo popular.

A Palma de Ouro será entregue a 23 de Maio. Com Hope de Na Hong-jin, Paper Tiger de James Gray e Fatherland de Pawel Pawlikowski com Sandra Hüller entre os favoritos, a corrida está genuinamente aberta.

“Gary”: The Bear lançou ontem um episódio surpresa — e Richie e Mikey têm uma história que muda tudo

Sem aviso prévio, sem trailer, sem campanha. Na tarde de terça-feira, o FX colocou no Hulu um novo episódio de The Bear — não como parte da série principal, mas como um título autónomo que só aparece se se pesquisar especificamente por ele. Chama-se “Gary”, dura uma hora, e foi escrito pelos próprios protagonistas.

Ebon Moss-Bachrach e Jon Bernthal — Richie e Mikey na série — co-escreveram o episódio juntos, com o criador Christopher Storer a realizar. É um flashback situado antes dos acontecimentos da primeira temporada: Richie e Mikey numa viagem de trabalho a Gary, no Indiana, que vai revelando as camadas da sua relação e da saúde mental de Mikey com uma profundidade que a série principal nunca teve espaço para desenvolver. A descrição oficial diz que o episódio “recontextualiza a história desde o início” — o que, vindo da produção de The Bear, não é exagero.

O anúncio foi feito por Moss-Bachrach no Instagram, numa publicação que se tornou viral imediatamente: “COUSINS! PRIMOS! CUGINI!!! Preparem-se para GARY!!!!” O tom é celebratório — e faz sentido. Os dois actores estão neste momento também em palco juntos na Broadway, numa adaptação teatral de Dog Day Afternoon, o que torna “Gary” numa espécie de presente paralelo aos fãs de ambas as expressões do seu trabalho conjunto.

The Bear foi renovada para uma quinta e última temporada em Julho de 2025, com estreia prevista para Junho de 2026. “Gary” é o amuse-bouche — a expressão é tentadora num contexto de restaurante — antes da refeição final. Em Portugal, The Bear está disponível no Disney+. “Gary” chegará pela mesma via, embora sem data confirmada.

As estreias de 7 de Maio: Billie Eilish e James Cameron, Hugh Jackman e ovelhas tagarelas e Mortal Kombat de volta

Sydney Sweeney é Christy Martin no TVCine — e este é o papel que ninguém esperava dela

Billie Eilish e James Cameron levam o concerto ao cinema — e “Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D)” já está em sala

As estreias de 7 de Maio: Billie Eilish e James Cameron, Hugh Jackman e ovelhas tagarelas e Mortal Kombat de volta

Esta semana o cartaz português tem seis estreias — e a combinação é suficientemente eclética para servir gostos muito diferentes. Da sala de concertos ao torneio de kombat, passando por uma Irlanda romântica e um piano em Paris, o que não falta é variedade.

O título mais inesperado — e provavelmente o mais comentado — é Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D), um filme de concerto co-realizado pela própria cantora e por James Cameron. A colaboração nasceu em Julho de 2025, durante as filmagens dos concertos de Manchester da digressão mundial de Eilish, quando Cameron estava na plateia com mais câmaras do que o habitual. O filme capta os concertos em 3D imersivo, com footage de bastidores e transições cinematográficas criadas especificamente para o grande ecrã — não é um registo de concerto, é uma experiência concebida para a sala. É o primeiro filme de Cameron com co-realizador desde Aliens of the Deep em 2005, e a terceira longa de concerto de Eilish depois de Happier Than Ever (2021) e Live at the O2 (2023). Distribuição NOS Audiovisuais.

As Ovelhas Detetives é a surpresa do cartaz familiar desta semana. O título original — The Sheep Detectives — diz tudo: uma comédia de mistério animada com as vozes de Hugh Jackman, Emma Thompson e Nicholas Braun, realizada por Kyle Balda, o mesmo de Minions e Gru, O Maldisposto. Com 109 minutos e classificação geral, é a escolha óbvia para quem tem crianças e quer uma tarde de cinema sem compromisso. Distribuição Big Picture.

Mortal Kombat II é a sequela do filme de 2021 com Karl Urban a liderar o elenco, realizado por Simon McQuoid. A franchise de videojogos — uma das mais longevas da história dos jogos de luta — regressa às salas com mais reinos, mais alianças e a promessa de combates à escala épica. Distribuição Cinemundo.

Para quem prefere o drama romântico, Amor em Quatro Letras (Four Letters of Love) chega com Fionn O’Shea, Ann Skelly e Pierce Brosnan num filme irlandês baseado no bestseller homónimo de Niall Williams — um romance que combina fantasia, espiritualidade e amor impossível numa paisagem rural irlandesa filmada com a beleza que o género exige. Realização de Polly Steele, distribuição NOS Audiovisuais.

Chopin – Uma Sonata em Paris é a proposta mais clássica da semana: um biopic sobre Frédéric Chopin realizado pelo polaco Michał Kwieciński, com Eryk Kulm no papel do compositor e Joséphine de la Baume como George Sand, a escritora e companheira de Chopin durante anos decisivos da sua vida criativa em Paris. Com 133 minutos e um rigor de produção que passou por vários festivais europeus, é a escolha para quem quer cinema histórico com substância. Distribuição Pris.

Por fim, Capitão Dentes de Sabre e a Condessa de Gral completa o cartaz infantil da semana: uma animação norueguesa baseada na franchise Kaptein Sabeltann — um dos personagens mais populares da cultura popular escandinava — realizada por Rasmus A. Sivertsen, Yaprak Morali e Are Austnes. Classificação M/6, 77 minutos, distribuição Films4You.

Seis filmes, seis géneros. A semana que vem traz A Providência e a Guitarra de João Nicolau com Salvador Sobral, Iron Maiden: Burning Ambition e Teresa – A Madre de Calcutá com Noomi Rapace — mas isso é conversa para daqui a sete dias.

Nota : Por Motivos de Integração vimos-nos obrigados a criar um novo canal de YouTube. Ajudem-nos a crescer subscrevendo o nosso canal aqui

Sydney Sweeney é Christy Martin no TVCine — e este é o papel que ninguém esperava dela

Billie Eilish e James Cameron levam o concerto ao cinema — e “Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D)” já está em sala

Jane Fonda despediu-se de Ted Turner: “Amei-o com todo o meu coração”

Actualizado dia 8 de Maio de 2025