Sydney Sweeney é Christy Martin no TVCine — e este é o papel que ninguém esperava dela

Sydney Sweeney construiu a sua carreira em papéis de vulnerabilidade contida — Cassie em Euphoria, Olivia em The White Lotus, a protagonista de Qualquer Coisa Como Amor. O que ninguém esperava era vê-la num ringue de boxe, com luvas, sangue e um corpo que passou meses a transformar para o papel. Christy: A Força de Uma Campeã estreia domingo, 10 de Maio, às 22h00 no TVCine Top e TVCine+, e é o filme que muda a conversa sobre o que Sweeney é capaz de fazer.

A história é real — e é extraordinária. Christy Martin cresceu numa pequena cidade da Virgínia Ocidental sem nenhum destino óbvio e encontrou no boxe uma saída, uma identidade e eventualmente a fama. Nos anos 90, tornou-se na primeira mulher pugilista a aparecer na capa da Sports Illustrated, partilhou cartaz com Mike Tyson em vários dos seus combates mais vistos, e foi durante anos o rosto do boxe feminino americano numa época em que o desporto mal reconhecia a sua existência. Por detrás do sucesso havia outra história: Christy era lésbica numa América que não perdoava isso, especialmente no mundo do desporto de combate, e a pressão social levou-a a casar com o seu treinador, James Martin — interpretado por Ben Foster —, numa relação que foi progressivamente revelando a sua natureza abusiva até chegar a um ponto de rutura literal.

David Michôd realiza — o australiano de Animal Kingdom e The Rover, dois filmes que conhecem bem a violência doméstica e a sobrevivência como temas — e a escolha não é acidental. Michôd tem uma capacidade particular de filmar a tensão que antecede a explosão, a contenção que precede o colapso, e é exactamente esse território que a história de Christy Martin habita. O filme não é sobre boxe. O boxe é o único lugar onde Christy Martin tinha controlo — e é por isso que as cenas no ringue são as únicas em que a personagem respira.

Sweeney preparou-se durante meses com treinadores de boxe profissionais, ganhou massa muscular visível e trabalhou a mecânica do combate com um rigor que se nota em cada cena. Mas a transformação mais impressionante não é física — é a forma como a actriz habita a dissociação de uma mulher que aprendeu a apresentar uma versão de si mesma para o mundo enquanto guardava outra para sobreviver. É o melhor trabalho da sua carreira, num papel que nenhum realizador de Euphoria alguma vez lhe ofereceria.

Domingo, 10 de Maio, às 22h00. TVCine Top e TVCine+.

Billie Eilish e James Cameron levam o concerto ao cinema — e “Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D)” já está em sala

Jane Fonda despediu-se de Ted Turner: “Amei-o com todo o meu coração”

TVCine Edition dedica as sextas de Maio à música que mudou o século XX — de Lennon aos Pogues, passando por Led Zeppelin e Sarajevo

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Dois vencedores de Óscares numa sala de montagem não é uma combinação que acontece todos os dias. Billie Eilish — quatro Óscares, nove Grammys, a artista mais nova a ganhar os quatro principais prémios da Academia na mesma noite — e James Cameron — o realizador de TitanicAvatar e The Abyss — co-realizaram juntos o filme-concerto que estreia hoje nos cinemas portugueses com distribuição NOS Audiovisuais. O resultado é Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D), e é exactamente tão improvável e tão inevitável quanto parece.

A colaboração nasceu durante a digressão mundial de Eilish em 2025. Cameron estava na plateia de um dos concertos de Manchester — com mais câmaras do que o habitual — e o que começou como uma presença de espectador transformou-se numa parceria criativa. O filme capta os concertos em 3D imersivo, com footage de bastidores e transições cinematográficas concebidas especificamente para o grande ecrã. Não é um registo de concerto transposto para sala — é uma experiência construída para funcionar em formato cinematográfico, com a linguagem visual que Cameron domina como poucos.

Para Eilish, é o terceiro filme de concerto da carreira, depois de Happier Than Ever: A Love Letter to Los Angeles (2021) e Billie Eilish Live at the O2 (2023) — mas o primeiro concebido desde o início como experiência de sala, e o primeiro com um co-realizador com este peso. Para Cameron, é o primeiro projecto com co-realizador desde Aliens of the Deep em 2005, e uma saída radical do universo da ficção científica que o tem ocupado nos últimos vinte anos.

A digressão Hit Me Hard and Soft foi uma das mais marcantes de 2025 — esgotou estádios em quatro continentes, foi descrita pela crítica especializada como a mais ambiciosa da carreira de Eilish em termos de produção visual, e serviu de plataforma de lançamento para o segundo álbum, que gerou os maiores números de streaming da história da plataforma Spotify na semana de estreia. Ver isso no grande ecrã, em 3D, com o som que as salas de cinema proporcionam, é uma proposta diferente de qualquer coisa que Eilish tenha feito antes — e de qualquer coisa que Cameron tenha feito antes também.

Já em cartaz nos Cinemas NOS e UCI em todo o país.

Jane Fonda despediu-se de Ted Turner: “Amei-o com todo o meu coração”
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Kenneth Branagh quer voltar a dirigir Thor — e desta vez tem um argumento difícil de contrariar

Jane Fonda despediu-se de Ted Turner: “Amei-o com todo o meu coração”

Ted Turner morreu ontem aos 87 anos. O magnata dos media que fundou a CNN em 1980 — a primeira estação de notícias por cabo a operar 24 horas por dia, numa altura em que toda a gente na indústria dizia que era impossível — deixou um legado que atravessa a televisão, o desporto, o ambientalismo e, inevitavelmente, Hollywood. Jane Fonda, sua ex-mulher durante dez anos, foi das primeiras a reagir publicamente: “Amei Ted com todo o meu coração. Era uma força da natureza — imperfeito, impossível às vezes, mas genuinamente comprometido a tornar o mundo melhor.”

A relação entre Fonda e Turner é um dos capítulos mais coloridos da vida pública de ambos. Casaram-se em Dezembro de 1991, no rancho de Turner no Montana, numa cerimónia surpresa que apanhou a imprensa de surpresa. Durante dez anos foram um dos casais mais visíveis de Hollywood — ele, o cowboy dos media que coleccionava canais de televisão e fazendas; ela, a actriz e activista que tinha acabado de regressar ao cinema depois de um hiato. Divorciaram-se em 2001, com Fonda a dizer mais tarde que a relação a tinha ensinado tanto quanto a destruído. A homenagem de ontem sugere que a destruição ficou para trás há muito.

Para o cinema, Turner importa por razões menos óbvias do que a CNN. Foi através da Turner Entertainment — a divisão que adquiriu em 1986 ao comprar a MGM — que preservou e tornou acessível um dos maiores arquivos da história de Hollywood: mais de 3.600 filmes, incluindo títulos da MGM, RKO, Warner Bros. pré-1950 e Monogram. Foi Turner quem financiou as primeiras restaurações a cores de clássicos como CasablancaO Feiticeiro de Oz e E Tudo o Vento Levou, numa altura em que a indústria não tinha ainda percebido o valor comercial do arquivo cinematográfico. É também responsável pela fundação do Turner Classic Movies — o canal que continua a ser a melhor televisão para cinéfilos no mundo anglófono.

Turner tinha defeitos que ele próprio nunca negou — um temperamento que destruiu mais do que uma relação profissional e pessoal, e uma tendência para a grandiosidade que os seus colaboradores descrevem com uma mistura de admiração e exasperação. Mas o homem que criou a CNN porque achava que as notícias mereciam mais do que meia hora por dia, e que preservou décadas de cinema americano porque achava que o passado merecia ser visto, deixa um vazio que é simultaneamente empresarial e cultural.

TVCine Edition dedica as sextas de Maio à música que mudou o século XX — de Lennon aos Pogues, passando por Led Zeppelin e Sarajevo

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Maio tem sido um mês generoso para os documentários musicais. O concerto de Billie Eilish com James Cameron chegou às salas esta semana; o Iron Maiden: Burning Ambition estreia a 14. Mas é nas noites de sexta-feira do TVCine Edition que o género vai mais fundo — e mais longe no tempo. De 8 a 29 de Maio, sempre às 22h00, o canal emite quatro documentários sobre artistas e momentos que moldaram a segunda metade do século XX, num ciclo intitulado Documentários: O Outro Lado da Música.

A abertura, a 8 de Maio, é de peso máximo. One to One: John & Yoko, realizado por Kevin Macdonald — o mesmo de Whitney, Marley e O Último Rei da Escócia — parte do único concerto completo de John Lennon após a dissolução dos Beatles: o espectáculo “One to One”, dado em Nova Iorque em Agosto de 1972. A partir desse ponto, o filme percorre dezoito meses decisivos na vida de Lennon e Yoko Ono, com imagens inéditas e material restaurado que reconstroem o ambiente íntimo do casal na cidade. É o tipo de documentário que coloca em causa tudo o que se julgava saber sobre uma das figuras mais estudadas da história da música popular.

A 15 de Maio, Led Zeppelin – O Nascimento da Lenda, realizado por Bernard MacMahon, é descrito como o primeiro documentário oficialmente autorizado pela banda — uma distinção relevante num universo de registos não oficiais que circulam há décadas. O filme concentra-se nas origens do grupo e na sua ascensão em menos de um ano, com imagens raras, actuações e testemunhos dos próprios membros. Para quem cresceu com Whole Lotta Love ou Stairway to Heaven, é a história por detrás da história.

Pote de Ouro: Nos Copos Com Shane MacGowan, a 22 de Maio, é o retrato mais imprevisível do ciclo. Julien Temple — realizador do clássico The Filth and the Fury sobre os Sex Pistols — constrói um filme sobre o líder dos The Pogues que é, ao mesmo tempo, uma celebração e um inventário de excessos. MacGowan, que morreu em Novembro de 2023, foi uma das figuras mais contraditórias da música irlandesa: poeta brilhante, alcoólico crónico, autor de Fairytale of New York e de uma das carreiras mais autenticamente inconformadas do rock. O título em inglês — Crock of Gold: A Few Rounds with Shane MacGowan — diz mais do que qualquer sinopse.

O encerramento, a 29 de Maio, é o mais inesperado dos quatro. Kiss the Future não é sobre uma banda nem sobre um concerto: é sobre o cerco de Sarajevo entre 1992 e 1995, e sobre como a música e a arte funcionaram como resistência durante um dos períodos mais sombrios da história europeia recente. O documentário segue uma comunidade criativa que mobilizou a atenção internacional durante o conflito, culminando no envolvimento dos U2 e num concerto histórico após o cessar-fogo. É um filme sobre o que a música faz quando tudo o resto falhou — e é, de longe, o mais difícil de ver dos quatro.

Quatro sextas-feiras, quatro décadas diferentes, quatro formas de perceber que a música raramente é só música. TVCine Edition e TVCine+, às 22h00.

Kenneth Branagh quer voltar a dirigir Thor — e desta vez tem um argumento difícil de contrariar
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Kenneth Branagh quer voltar a dirigir Thor — e desta vez tem um argumento difícil de contrariar

Kenneth Branagh teve uma semana movimentada. Estreou em O Diabo Veste Prada 2 como Stuart, o novo marido de Miranda Priestly — um papel que, como toda a gente que viu o filme já sabe, não é propriamente tranquilo — e aproveitou a ronda de entrevistas para revelar que ainda tem contas por ajustar com outro universo: o da Marvel.

Em declarações ao Business Insider, o realizador de 65 anos confirmou que estaria disponível para regressar ao MCU para dirigir um novo filme do Thor. Branagh realizou o primeiro Thor em 2011 — o filme que lançou Chris Hemsworth e que estabeleceu o tom shakespeariano e ligeiramente absurdo que a personagem manteve ao longo de toda a franchise. “Definitivamente estava pronto para outro, com certeza, mas não naquele momento. As rodagens da Marvel são intensas”, disse. O “não naquele momento” de 2011 tornou-se entretanto numa ausência de quinze anos — mas o interesse, segundo as suas próprias palavras, manteve-se.

O momento em que Branagh faz estas declarações não é inocente. A Marvel está em plena reestruturação criativa após Vingadores: Juízo Final — que ocupa agora o segundo lugar do ranking de maiores bilheteiras de sempre — e o estúdio tem procurado activamente realizadores com visão própria para as próximas fases do universo. Thor não tem filme solo confirmado após Love and Thunder (2022), e a narrativa de Branagh — que recorda com nostalgia o processo de casting de Hemsworth e Hiddleston, e a escolha de Anthony Hopkins como Odin — soa menos a saudosismo e mais a candidatura subtil.

O detalhe que torna tudo isto mais divertido é o contexto imediato: Branagh estreou-se nesta semana num filme que critica implicitamente a “Marvel-ização” do cinema — as palavras são de Meryl Streep, que as disse enquanto promovia o mesmo filme onde Branagh tem um papel. O marido de Miranda Priestly quer dirigir Thor. Miranda Priestly diria que isso é tudo.

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Em 2023, o Prime Video lançou Citadel com uma fanfarra proporcional ao investimento — e o investimento era de cerca de 300 milhões de dólares para a primeira temporada, um valor que colocava a série entre as produções mais caras da história da televisão. A recepção foi morna: a crítica encontrou uma série de espionagem tecnicamente impecável mas narrativamente sobrecarregada, com demasiada mitologia, demasiados saltos temporais e pouco espaço para que as personagens respirassem. O público foi suficiente para justificar uma segunda temporada — mas a conversa em torno da série nunca atingiu a dimensão que a Amazon esperava.

A segunda temporada estreia amanhã, 6 de Maio, e chega com uma proposta diferente. Priyanka Chopra Jonas e Richard Madden regressam como Nadia Sinh e Mason Kane — os agentes da organização de espionagem independente Citadel, amnésicos restaurados em guerra com a rede criminosa Manticore — mas a produção prometeu um argumento mais contido, com menos dependência da mitologia estabelecida e um ritmo que a primeira temporada reconhecidamente não conseguiu manter. Os showrunners mudaram: David Weil, responsável pela primeira temporada, saiu, e a segunda foi desenvolvida por uma equipa que estudou o que não funcionou antes de escrever uma linha de argumento.

O contexto da franchise importa para perceber o que está em jogo. Citadel é o laboratório da estratégia de universo global da Prime Video: há uma versão italiana — Citadel: Diana — e uma indiana — Citadel: Honey Bunny — a correr em simultâneo, com histórias autónomas que se cruzam com a série principal. É um modelo sem precedentes na televisão de streaming e a Amazon investiu nele com uma seriedade que vai além de uma única série. Se a segunda temporada de Citadel não convencer, o modelo todo é posto em causa.

Para quem não viu a primeira temporada — disponível na íntegra no Prime Video — a segunda foi concebida para funcionar como ponto de entrada, com um episódio de contexto que recapitula o essencial sem exigir que o espectador tenha visto tudo. É uma concessão inteligente que diz muito sobre as lições aprendidas.

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Faltam sete dias para o arranque do 79.º Festival de Cannes e o júri da Competição Oficial está finalmente completo. Park Chan-wook preside — o realizador sul-coreano de Oldboy e Decisão de Partir na mais alta função que Cannes atribui a um cineasta convidado. Juntam-se-lhe Demi Moore, Chloé Zhao, Stellan Skarsgård, a realizadora francesa Mia Hansen-Løve, a actriz brasileira Fernanda Torres e o escritor marroquino Fouad Laroui.

A presença de Demi Moore é o dado mais comentado. A actriz regressou ao primeiro plano com A Substância — o body horror de Coralie Fargeat que ganhou o Óscar de Melhor Argumento Original em Março e que foi, desde a estreia em Cannes no ano passado, um dos filmes mais discutidos da temporada. Moore sentou-se na sala de imprensa de Cannes há menos de doze meses como actriz em competição; agora regressa como juíza. É uma das trajectórias mais rápidas e mais merecidas da história recente do festival.

Chloé Zhao traz uma perspectiva que o júri necessitava: a realizadora de Nomadland — Palma de Ouro e Óscar de Melhor Realização — conhece o festival dos dois lados e tem uma leitura do cinema de autor que equilibra o instinto comercial de Eternals com a sensibilidade indie dos seus primeiros filmes. Stellan Skarsgård, o sueco que em cinquenta anos de carreira trabalhou com Ingmar Bergman, Lars von Trier, David Fincher e Denis Villeneuve, é a encarnação da memória cinematográfica europeia que Cannes gosta de ter à mesa.

A composição do júri sugere algumas coisas sobre o que pode acontecer a 24 de Maio, quando a Palma de Ouro for entregue. Um júri com Demi Moore e Chloé Zhao não vai necessariamente premiar o mais hermético — há abertura ao cinema que comunica com o grande público sem perder exigência. Park Chan-wook, como presidente, é o factor imprevisível: os seus filmes recusam categorias e o seu gosto é notoriamente difícil de antecipar. Com Hope de Na Hong-jin e Paper Tiger de James Gray entre os favoritos, a Palma de Ouro de 2026 está genuinamente em aberto.

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O tema era Costume Art — a arte do traje como forma de expressão. A interpretação foi, como sempre no Met Gala, generosa o suficiente para incluir tudo, desde a erudição histórica à pirotecnia literal. Ontem à noite, na escadaria do Metropolitan Museum of Art em Nova Iorque, aconteceu a edição de 2026 do evento que, todos os anos, transforma a moda em espectáculo e o espectáculo em conversa global.

O momento da noite foi de Katy Perry — e foi, no sentido mais literal, ardente. O vestido da cantora soltava faíscas reais na escadaria do Met, num efeito que a equipa de segurança do evento acompanhou de perto e que a internet tratou com a mistura habitual de espanto e meme. Perry tem um historial de apostas visuais maximizadas nos grandes eventos — e desta vez foi além do que qualquer um esperava. Viral imediato, sem discussão.

Heidi Klum — que tem nas entradas no Met Gala um historial de transformações completas — chegou como uma figura saída directamente de um quadro de Vermeer: luz dourada, pose calculada, execução impecável. É o tipo de look que exige investigação prévia e que recompensa quem a faz. Bad Bunny optou por uma leitura conceptual do tema: apareceu como uma versão envelhecida de si próprio, com caracterização de décadas adicionadas ao rosto, num comentário sobre o tempo e a identidade artística que dividiu opiniões — metade da internet achou genial, a outra metade não percebeu.

Rihanna e A$AP Rocky foram, para variar, o tema mais comentado pelos motivos errados. Os looks do casal — que nas últimas edições tinham definido o nível de ambição do evento — foram recebidos com frieza considerável nas redes sociais, com muitos a considerar que ficaram aquém do tema e da história do próprio casal no Met. As ausências notáveis incluíram Ariana Grande e Zendaya — duas das presenças mais aguardadas em qualquer edição — sem explicação pública.

Para quem segue o Met Gala pela sua ligação ao cinema, a presença de O Diabo Veste Prada 2 em cartaz deu ao evento uma ressonância particular: Miranda Priestly teria muito a dizer sobre algumas das escolhas da noite. E provavelmente diria em dois sílabas.

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Tony Awards 2026: “The Lost Boys” e “Schmigadoon!” lideram com 12 nomeações — e os snubs são tão bons quanto os nomeados

As nomeações para a 79.ª cerimónia dos Tony Awards foram anunciadas esta manhã em Nova Iorque por Uzo Aduba e Darren Criss — e a temporada que estava a ser descrita como “sem favorito claro” confirmou exactamente isso: The Lost Boys e Schmigadoon! lideram empatados com 12 nomeações cada, seguidos de perto por Ragtime com 11. Em décadas recentes, a Broadway tinha habituado o público a ter um Hamilton ou um Hadestown a dominar a conversa desde Outubro. Este ano, a corrida ao Melhor Musical vai mesmo até ao fim.

The Lost Boys — baseado no filme de vampiros de Joel Schumacher de 1987, com efeitos especiais ao vivo que foram o tema de conversa de toda a temporada — recebeu nomeações em todas as categorias principais, incluindo Melhor Musical, Melhor Argumento, Melhor Partitura e Melhor Actor em Papel de Apoio para Ali Louis Bourzgui. Schmigadoon!, a série Apple TV+ de Cinco Paul que começou em 2021 e chegou à Broadway em Abril deste ano depois de uma estreia no Kennedy Center, é o primeiro grande crossover streaming-Broadway da história — e as 12 nomeações confirmam que a acumulação de fãs ao longo de dois anos de televisão se traduziu em bilhetes vendidos e atenção crítica.

O revival de Ragtime com 11 nomeações é a história mais emocionante da temporada para quem conhece o musical: Joshua Henry e Caissie Levy receberam nomeações individuais, e a produção está em luta directa com os dois musicais novos pelo prémio principal. Arthur Miller’s Death of a Salesman lidera as peças com 9 nomeações, com Nathan Lane, Laurie Metcalf e Christopher Abbott todos reconhecidos — e com a marca do regresso de Scott Rudin à Broadway pela primeira vez desde as acusações de abuso em 2021 a pairar sobre a produção.

Os snubs são tão comentados quanto os nomeados. Lea Michele — que regressou aos palcos em Chess depois de anos de ausência pública — ficou sem nomeação, o que a internet tratou com a intensidade habitual. Adrien Brody, que foi a Fear of 13 directamente depois do Óscar de The Brutalist, também ficou de fora, tal como Ayo Edebiri e a produção de Beaches, The Musical com Kristin Chenoweth. A surpresa positiva mais comentada é Rose Byrne, nomeada por Fallen Angels — tornando-se numa das pouquíssimas performers a receber nomeações ao Óscar e ao Tony no mesmo ano.

A cerimónia é a 7 de Junho no Radio City Music Hall, apresentada por Pink. E lá fora vai ter transmissão na CBS e no Paramount+.

“The Night Agent” termina na quarta temporada — e o Netflix avisou logo no primeiro dia de rodagens

Há uma crueldade particular na forma como o Netflix geriu este anúncio. No dia 4 de Maio, as rodagens da quarta temporada de The Night Agent arrancaram em Los Angeles. No mesmo dia, a plataforma confirmou que seria a última. Para os fãs que aguardavam notícias da renovação com esperança, foi um presente envenenado: há mais uma temporada, mas é a última, e já começou a ser filmada hoje.

A série criada por Shawn Ryan — baseada no romance de Matthew Quirk — foi um dos maiores fenómenos do Netflix em 2023. A primeira temporada passou 17 semanas no top 10 global da plataforma e sete nas tabelas Nielsen nos Estados Unidos, números que poucos títulos do catálogo conseguiram igualar. As temporadas seguintes foram decrescendo em audiência: a segunda teve seis semanas no top 10 mundial, a terceira — estreada em Fevereiro de 2026 — quatro semanas, embora ainda sólida o suficiente para justificar a renovação em Março. Dois meses depois, o Netflix decidiu que era altura de fechar o ciclo.

A decisão foi fraseada com cuidado pela plataforma e pelo criador. Ryan insistiu que a quarta temporada foi concebida como conclusão desde o início da renovação — não é um cancelamento abrupto mas uma escolha criativa — e que Peter Sutherland terá um final digno da trajectória da série. O elenco da última temporada reforça essa ambição: Titus Welliver, que passou décadas a interpretar personagens de autoridade moral ambígua em Bosch e Lost, assume o papel de procurador especial do Ministério da Justiça; Trevante Rhodes — o actor de Moonlight e The Gray Man — é Dom, o novo parceiro de Peter; Li Jun Li regressa como a mulher de Dom; e Elizabeth Lail repete o papel de Zoe, a antiga noiva de Sutherland, num regresso que os fãs da primeira temporada vão certamente apreciar.

A temporada final abandona também a fórmula geográfica das anteriores: depois de Washington, Istambul e outras localizações internacionais, a acção concentra-se inteiramente em Los Angeles — uma escolha que Ryan descreveu como narrativamente necessária, sem adiantar pormenores. A estreia está prevista para 2027. As temporadas 1 a 3 estão disponíveis no Netflix.

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A Complete Unknown não é bem um biopic. É uma questão — sobre de onde vem o génio, sobre o que uma pessoa está disposta a sacrificar para o seguir, e sobre o que acontece quando um artista cresce mais depressa do que o mundo que o descobriu. James Mangold concentra-se em quatro anos decisivos da vida de Bob Dylan — a chegada a Nova Iorque em 1961, a ascensão fulminante na cena folk do Greenwich Village e a polémica transição para o som eléctrico no Festival de Newport de 1965 — e faz um filme que, para quem não sabe nada sobre Dylan, funciona como revelação, e para quem sabe muito, funciona como argumento.

O filme recusa a cronologia ordenada e o tom reverencial que aflige tantos filmes sobre artistas icónicos. Em vez disso, Mangold — o realizador de Walk the Line e Logan, dois filmes que percebem exactamente como o género funciona quando não capitula ao hagiográfico — concentra-se num período específico e decisivo: a chegada de Bob Dylan a Nova Iorque em 1961, a sua ascensão fulminante na cena folk do Greenwich Village, e a polémica transição para o som eléctrico no Festival de Newport de 1965, um dos momentos mais divisivos e mais estudados da história da música contemporânea. É em quatro anos que o filme conta tudo o que importa — e conta-o com uma urgência que os biopics de dois anos raramente conseguem.

Timothée Chalamet não imita Dylan. Habita-o. É uma distinção que parece óbvia mas que, na prática, muito poucos actores conseguem manter durante dois horas e dezassete minutos — especialmente quando o território inclui tocar guitarra e harmónica em palco e cantar cerca de quarenta canções do próprio Dylan. O trabalho de preparação foi de mais de um ano, e vê-se: não há o distanciamento artificial do actor consciente de que está a fazer uma caracterização. Há uma presença. O resultado valeu-lhe oito nomeações aos Óscares, incluindo Melhor Actor, e uma das críticas mais consistentemente positivas da temporada de prémios de 2024-25.

O elenco de apoio está à altura. Edward Norton como Pete Seeger — mentores raramente são interpretados com esta ternura — e Monica Barbaro como Joan Baez numa performance que mereceu mais atenção do que recebeu. Elle Fanning completa o quarteto principal como Sylvie Russo, a namorada de Dylan inspirada em Suze Rotolo, a jovem que está na capa de The Freewheelin’ Bob Dylan.

Para quem não sabe nada sobre Dylan, o filme funciona como introdução sem nunca parecer uma aula. Para quem sabe muito, há pormenores, escolhas e contradições suficientes para alimentar discussão durante horas. É exactamente o que um biopic deve ser — esta sexta-feira, no TVCine Top, às 21h30.

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Maio no Disney+ é um mês generoso para gostos muito diferentes — o que, na prática, é a melhor notícia possível para quem partilha uma conta com pessoas que não concordam em nada à hora de escolher o que ver.

O destaque mais inesperado é O Justiceiro: Uma Última Morte, disponível a 13 de Maio. Depois de anos de silêncio sobre o futuro de Frank Castle no universo Marvel, a plataforma lança uma apresentação especial da Marvel Television que recoloca Jon Bernthal no papel que definiu a sua versão do anti-herói: enquanto Castle procura um sentido para além da vingança, uma força inesperada traz-o de volta à luta. A formulação é deliberadamente vaga — a Marvel aprendeu a guardar os seus segredos — mas para os fãs de Bernthal neste papel, é suficiente para marcar a data.

A 15 de Maio chega a segunda temporada de Rivals, a adaptação do romance de Jilly Cooper que conquistou uma base de fãs considerável com a primeira temporada. A batalha pela concessão televisiva da região Central South West atinge novos níveis de brutalidade: Tony Baddingham está mais implacável do que nunca, casamentos desmoronam-se sob o peso da ambição e segredos há muito enterrados voltam à superfície com consequências explosivas. É o tipo de drama de época dos anos 80 — excessivo, glamouroso e completamente sem remorsos — que raramente é feito com esta qualidade.

A 12 de Maio, Stanley Tucci regressa a Itália para uma segunda temporada de Tucci em Itália. Desta vez visita cinco novas regiões, incluindo As Marcas — uma das menos turistificadas do país — e mergulha na controvérsia sobre as origens do tiramisu no Véneto, celebra uma casta de uva esquecida na Campânia e explora a relação entre gastronomia e longevidade na Sardenha. É exactamente o programa que parece feito para ser visto ao jantar de domingo, com algo italiano no prato.

Para completar o mês, a 28 de Maio estreia a segunda temporada de Deli Boys — a comédia de crime sobre dois irmãos que herdaram um império do crime sem saber como geri-lo, agora afogados em dinheiro sujo com os criminosos mais suspeitos da Filadélfia à espreita. E a 1 de Maio chega ao catálogo A Melhor Despedida de Solteira — o clássico de 2011 com Kristen Wiig, Melissa McCarthy e Maya Rudolph, que quinze anos depois continua a ser uma das comédias mais bem escritas da sua geração.

Uma nota para os mais novos da casa: a 20 de Maio chegam novos episódios de Bluey Curtas, a colecção de curtas de um a três minutos com Bluey e Bingo que os pais de crianças pequenas conhecem muito bem — e que os próprios miúdos pedem com uma insistência que desafia qualquer argumento.

E já que o mês começa no Dia de Star Wars — 4 de Maio, May the 4th be with you — o Disney+ aproveita para lembrar que todos os filmes da saga estão disponíveis na plataforma, com o último episódio da primeira temporada de Star Wars: Maul — Senhor da Sombra a estrear exactamente nesse dia.

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“Mission: Impossible — The Final Reckoning” está no Prime Video e Tom Cruise merece uma despedida em condições

Há filmes que chegam ao streaming de forma silenciosa e merecem mais do que isso. Mission: Impossible — The Final Reckoning, o oitavo e último filme da saga de Ethan Hunt, estreou nos cinemas em Maio de 2025, chegou ao Prime Video a 3 de Abril e está disponível em Portugal desde então — sem grandes anúncios, sem campanha de regresso, apenas ali, à espera.

O filme divide a crítica de forma invulgar para um blockbuster desta escala. Com 78% no Rotten Tomatoes, há quem o considere uma conclusão digna de trinta anos de missões impossíveis — o Guardian deu-lhe cinco estrelas, a Rolling Stone chamou-lhe “o fim de uma era” — e quem o ache demasiado longo, demasiado expositivo e estruturalmente inferior a Fallout, o ponto alto da série. O que ninguém contesta é Tom Cruise: aos 62 anos, o actor continua a fazer as suas próprias acrobacias, desta vez incluindo uma sequência subaquática que exigiu meses de preparação e uma cena num avião que redefine o que se entende por “filmado em condições reais”.

O elenco de regresso inclui Ving Rhames, Simon Pegg, Hayley Atwell e Pom Klementieff. Angela Bassett interpreta a Presidente dos Estados Unidos. Henry Czerny regressa do filme original de 1996 numa função crucial para o segundo acto. A premissa continua a partir de Dead Reckoning: a Entidade — uma inteligência artificial rogue com capacidade de controlar sistemas nucleares globais — ameaça a sobrevivência da civilização, e Ethan Hunt é, uma vez mais, a única pessoa disposta a fazer o que é necessário.

É um filme imperfeito. É também, muito provavelmente, o último de um tipo de blockbuster que deixará de existir quando Cruise decidir parar — cinema de acção filmado em localizações reais, com stunts reais, por um actor que recusa o greenscreen por princípio. Por essa razão, e independentemente das suas imperfeições, The Final Reckoning merece ser visto. Está no Prime Video. Não há desculpa.

“Paper Tiger” de James Gray completa Cannes 2026: Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller na mafia russa e no sonho americano
“Victorian Psycho”: Maika Monroe é uma governanta perturbadora numa mansão gótica — e é um dos filmes mais aguardados de Cannes
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James Gray tem uma relação de décadas com Cannes — We Own the NightTwo LoversThe ImmigrantArmageddon Time passaram todos pela Croisette em Competição — mas nunca ganhou a Palma de Ouro. Paper Tiger, o seu novo filme, completa os 22 títulos da Competição Oficial de 2026 e é, à partida, uma das candidaturas mais sólidas ao prémio principal. E chegou a Cannes de forma tortuosa: Thierry Frémaux admitiu publicamente que estava à sua espera quando anunciou a selecção a 9 de Abril, e o filme só entrou na lista oficial duas semanas depois, após a resolução de questões contratuais.

A história centra-se em dois irmãos — interpretados por Adam Driver e Miles Teller — que tentam alcançar o sonho americano e acabam enredados num esquema demasiado bom para ser verdade, terrorizado pela máfia russa. Scarlett Johansson completa o trio principal num papel ainda não revelado. A premissa é um regresso claro ao Gray mais genre — o realizador de The Yards e We Own the Night, que começou a carreira no thriller urbano antes de se tornar num autor de prestígio com The Immigrant e Ad Astra. Frémaux descreveu-o como “um filme muito James Gray, muito indie” — formulação que os fãs do realizador reconhecerão imediatamente como um elogio.

O elenco tem uma história própria que vale contar: Anne Hathaway e Jeremy Strong estavam originalmente ligados ao projecto e saíram por incompatibilidades de agenda. A substituição por Johansson e Teller não foi um recuo — foi uma reconfiguração que reuniu Driver e Johansson pela primeira vez desde Marriage Story de Noah Baumbach (2019), o filme que valeu a ambos nomeações ao Óscar. Gray nunca tinha trabalhado com nenhum dos três actores, o que torna este Paper Tiger num filme de primeiras vezes em vários sentidos.

A Neon — a distribuidora por detrás dos últimos seis vencedores da Palma de Ouro, incluindo Parasita e Anatomia de uma Queda — adquiriu os direitos norte-americanos, o que é o sinal mais claro possível de que o filme chega a Cannes com expectativas sérias. Gray será um dos dois realizadores americanos em Competição este ano, ao lado de Ira Sachs com The Man I Love. A Palma de Ouro está em aberto — e Paper Tiger é uma das razões pelas quais.

“Victorian Psycho”: Maika Monroe é uma governanta perturbadora numa mansão gótica — e é um dos filmes mais aguardados de Cannes
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O título joga com American Psycho mas o filme tem vida própria. Victorian Psycho, seleccionado para Un Certain Regard no 79.º Festival de Cannes, é a adaptação do romance de Virginia Feito — a própria autora assina o argumento — rodada na Irlanda e protagonizada por Maika Monroe numa das personagens mais prometedoras da temporada de festivais.

A história passa-se em 1858: Winifred Notty, uma jovem governanta excêntrica, chega à remota mansão gótica de Ensor House. À medida que se instala na vida da casa, funcionários começam a desaparecer inexplicavelmente — e os donos começam a suspeitar que há algo de errado com a nova governanta. É horror gótico vitoriano com Monroe do outro lado da equação: a actriz de It Follows e Longlegs, habituada a ser perseguida, é aqui a ameaça. O realizador é Zachary Wigon, cujo Sanctuary (2022) revelou um talento invulgar para dissecar relações de poder em espaços fechados.

O elenco inclui Thomasin McKenzie como a criada de quarto que cria laços com Winifred, Jason Isaacs como o dono da mansão, Ruth Wilson e o jovem Jacobi Jupe, revelação de Hamnet. Monroe substituiu Margaret Qualley, que saiu do projecto por incompatibilidades de agenda — uma substituição que, à luz das primeiras imagens divulgadas, parece ter sido uma mais-valia. A distribuidora americana é a Bleecker Street, que confirma estreia em sala a 25 de Setembro nos EUA.

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Na Hong-jin regressa com “Hope” dez anos depois — e desta vez entra pela primeira vez em Competição em Cannes

Em 2016, The Wailing de Na Hong-jin passou por Cannes fora de competição e ficou na memória de toda a gente que o viu: um thriller sobrenatural ambientado numa aldeia rural coreana que começa como um procedimento policial e se transforma em algo muito mais difícil de classificar. Dez anos depois, Na Hong-jin regressa — e desta vez está em Competição pela primeira vez, com Hope, um thriller de ficção científica com um dos elencos mais ambiciosos da sua carreira.

A premissa é reconhecivelmente Na: em Hope Harbor, uma aldeia remota perto da Zona Desmilitarizada coreana, o chefe de polícia Bum-seok recebe notícias alarmantes de jovens locais — foi avistado um tigre. À medida que o pânico se instala na aldeia, Bum-seok é forçado a confrontar uma realidade que vai muito além de um animal selvagem. É o ponto de partida de um filme que o director artístico de Cannes, Thierry Frémaux, descreveu como algo que “muda constantemente de género” e conta “uma história que nunca foi contada antes”. O orçamento supera os 50 milhões de dólares — um dos maiores de sempre no cinema coreano — e o director de fotografia é Hong Kyung-pyo, o mesmo de Parasite e Burning.

O elenco é o mais internacional da carreira de Na: Hwang Jung-min e Zo In-sung nos papéis principais coreanos, com Hoyeon (Squid Game), Alicia Vikander e Michael Fassbender — casados na vida real — Taylor Russell (Bones and All) e Cameron Britton (Mindhunter) a completar um ensemble que cruza o cinema coreano de autor com o star system ocidental de uma forma sem precedentes. É também o quarto filme de Na Hong-jin a estrear em Cannes, depois de The Chaser (2008), The Yellow Sea (2011) e The Wailing (2016) — uma consistência de presença no festival que muito poucos realizadores conseguem.

Há ainda um dado que acrescenta pressão ao momento: o presidente do júri de Cannes 2026 é Park Chan-wook — o realizador coreano de Oldboy e Decisão de Partir, que será um dos juízes do filme do seu compatriota. A Palma de Ouro seria a primeira para o cinema coreano desde Parasita em 2019.

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“The Mandalorian and Grogu” estreia a 22 de Maio — Star Wars regressa aos cinemas pela primeira vez em sete anos

“Que a Força esteja contigo”: como o cinema colonizou o calendário, a linguagem e a vida quotidiana

Hoje é 4 de Maio. Em qualquer outro contexto, seria apenas uma segunda-feira de início de mês. Mas há décadas que esta data pertence a Star Wars — e ao trocadilho tão mau que só podia ter nascido na internet: May the 4th be with you. O que começou como uma piada de fãs tornou-se num feriado global não oficial, celebrado com maratonas de filmes, promoções em merchandising, posts nas redes sociais e, este ano, com a confirmação de que The Mandalorian and Grogu chega às salas a 22 de Maio. George Lucas criou uma saga. A saga criou um dia no calendário. É difícil pensar noutro exemplo de ficção que tenha conseguido isso.

Mas Star Wars não está sozinho. O cinema tem uma capacidade única — diferente da literatura, diferente da música, diferente de qualquer outra forma de arte — de invadir a cultura de formas que os seus criadores raramente anteciparam. Não são apenas as frases que ficam. É a forma como certas imagens, certos personagens e certas histórias se tornam em referências partilhadas que funcionam como linguagem comum entre pessoas que nunca se conheceram.

“Frankly, my dear, I don’t give a damn.” “Here’s looking at you, kid.” “You can’t handle the truth.” “I’m going to make him an offer he can’t refuse.” Estas frases saíram dos ecrãs há décadas e continuam a circular na conversa quotidiana de pessoas que nunca viram os filmes de onde vêm. O cinema criou um repertório de citações que funciona como código cultural — uma forma de sinalizar pertença, humor, cumplicidade. Quando alguém diz “Eu sou o teu pai” num contexto completamente diferente, toda a gente percebe. Isso é extraordinário.

Há também os gestos. O polegar levantado de Fonzie em Happy Days veio da televisão, mas foi o cinema que universalizou a linguagem corporal como código — de Marlon Brando a ajustar o chapéu em O Padrinho ao salto de Tom Cruise numa mota em qualquer um dos seus filmes. O cinema ensinou-nos a ler corpos de uma forma que o teatro nunca conseguiu, porque a câmara vai a lugares que o palco não alcança.

E depois há as datas. O 4 de Maio é de Star Wars, mas não é o único dia que o cinema tomou de assalto. O Dia de Groundhog — 2 de Fevereiro — é inseparável do filme de Harold Ramis com Bill Murray desde 1993; o conceito de repetição cíclica e aprendizagem forçada entrou na linguagem comum com o nome do feriado americano, mas é o filme que toda a gente cita. O Dia de São Valentim foi sempre uma data comercial, mas foram décadas de comédias românticas que lhe deram a forma que tem hoje — as expectativas, o vocabulário, a iconografia das flores e do jantar à luz de velas. O Halloween, nos países onde não tinha tradição, chegou através do cinema de terror antes de chegar através dos supermercados.

Os super-heróis são o capítulo mais recente desta história. A Marvel construiu em quinze anos um universo narrativo que gerou uma comunidade de referências partilhadas de dimensão global — não apenas frases e imagens, mas uma cronologia, uma mitologia, uma forma de organizar o tempo (“antes do Snap”, “depois de Endgame“) que os fãs usam como coordenadas. É a primeira vez na história que uma franchise cinematográfica funcionou como um texto sagrado partilhado por centenas de milhões de pessoas em simultâneo.

O que torna tudo isto possível é algo que o cinema tem e que nenhuma outra forma de arte combina da mesma forma: a escala e a simultaneidade. Um livro é lido por uma pessoa de cada vez, em ritmos diferentes, em solidão. Um filme é visto por milhões de pessoas ao mesmo tempo — nas mesmas salas, com o mesmo som, com a mesma luz — e essa experiência partilhada cria uma memória colectiva que a leitura nunca consegue replicar. Quando toda a gente viu o mesmo filme no mesmo fim-de-semana, a conversa de segunda-feira tem um ponto de partida comum.

George Lucas disse uma vez que não esperava que Star Wars durasse mais do que algumas semanas em cartaz. Hoje, 4 de Maio, o mundo inteiro sabe o que isso significa. Que a Força esteja com todos nós — e com The Mandalorian and Grogu, que chega às salas daqui a dezoito dias.

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Há histórias que só fazem sentido quando se conhece o contexto. Propeller One-Way Night Coach — o título completo do filme que John Travolta vai apresentar em Cannes na secção Cannes Première — é, na superfície, uma história de aviação sobre um rapaz de oito anos e a sua mãe numa viagem de avião para Hollywood. Na realidade, é um acto de amor de um pai ao filho que perdeu.

Travolta escreveu e ilustrou o livro original em 1997, baseando-se nas suas memórias de infância a observar aviões a descolar do aeroporto de La Guardia, perto de casa. O livro foi escrito para Jett, o seu filho, que morreu em Janeiro de 2009, aos dezasseis anos, vítima de uma convulsão durante umas férias nas Bahamas. O livro existia há quase trinta anos quando Travolta decidiu adaptá-lo para o ecrã — e esta semana, aos 72 anos, fará a sua estreia como realizador no festival que, em 1994, o relançou como actor com Pulp Fiction.

O filme é uma produção Apple Original Films de média-metragem, rodada parcialmente em Kansas City, com a participação da filha Ella Bleu Travolta como assistente de bordo — o mesmo papel que a própria mãe, Kelly Preston, falecida em 2020, poderia ter facilmente interpretado. O protagonista é o jovem actor desconhecido Clark Shotwell; a mãe no filme é Kelly Eviston-Quinnett. A história é deliberadamente simples: uma viagem de avião que se transforma numa aventura de formação. O que lhe dá peso é tudo o que está por baixo — a paixão de Travolta pela aviação, o filho a quem o livro foi dedicado, a filha que está no ecrã, a mulher que já não está.

Travolta tem mais de 9.000 horas de voo no currículo, é certificado para pilotar Boeing 707, 737 e 747 e foi o primeiro piloto privado a voar um Airbus A380. Voou em dois dos seus filmes — Look Who’s Talking e Broken Arrow. É, portanto, alguém que conhece o assunto do outro lado da câmara também. Propeller One-Way Night Coach estreia no Apple TV+ a 29 de Maio. Em Cannes, será apresentado no Teatro Debussy, com Travolta em sala. A quarta vez na Croisette — a primeira vez por detrás das câmaras.

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Cinemundo em Maio: Ewan McGregor às terças, Palmas de Ouro às quartas e Anne Hathaway numa noite de cinema

Há canais que enchem a grelha. E há canais que a constroem com critério. O Canal Cinemundo entra em Maio com uma programação que merece atenção — não pelo volume, mas pela coerência das escolhas.

O destaque mais substancioso do mês é o ciclo dedicado a Ewan McGregor, que ocupa as terças-feiras às 22h30 ao longo de todo o mês. A selecção percorre quatro filmes que, juntos, mostram exactamente por que McGregor continua a ser uma das presenças mais imprevisíveis do cinema contemporâneo: O Sonho de Cassandra (5 de Maio), o thriller moral de Woody Allen que ficou injustamente na sombra da carreira do realizador; Um Traidor dos Nossos (12 de Maio), o spy thriller de John le Carré onde McGregor é um professor universitário arrastado para um esquema de lavagem de dinheiro da máfia russa; Homens que Matam Cabras Só com o Olhar (19 de Maio), a comédia absurdista sobre soldados americanos com poderes paranormais que continua a ser um dos filmes mais estranhos e divertidos da sua geração; e Uma História Americana (26 de Maio), drama de formação passado nos anos 70 com a textura e o ritmo dos melhores filmes independentes americanos. Quatro filmes, quatro géneros, um actor — é exactamente o tipo de ciclo que um canal de cinema deve fazer.

Ewan McGregor em America Pastoral

Nas quartas-feiras, a partir das 22h30, o Cinemundo propõe algo mais exigente: três Palmas de Ouro em três semanas. O Quadrado de Ruben Östlund (13 de Maio), a sátira ao mundo da arte contemporânea que ganhou em Cannes em 2017; Parasitas de Bong Joon-ho (20 de Maio), o filme que em 2019 fez o que muitos julgavam impossível — ganhar a Palma de Ouro e o Óscar de Melhor Filme no mesmo ano; e Triângulo da Tristeza (27 de Maio), o regresso de Östlund a Cannes com uma comédia negra sobre riqueza, poder e naufrágio que dividiu a crítica e encantou o público. São três filmes que passaram por Cannes e ficaram — e que o Cinemundo tem o bom gosto de programar em sequência, como se fossem uma conversa sobre o estado do mundo.

A 22 de Maio, a partir das 21h00, o canal dedica uma noite inteira a Anne Hathaway — e as escolhas são felizes. Um Dia, a adaptação do romance de David Nicholls onde dois amigos se reencontram exactamente no mesmo dia durante décadas, é um dos filmes mais emocionalmente devastadores da actriz. Serenidade, logo a seguir às 22h50, é o seu oposto completo: um neo-noir perturbador que subverte todas as expectativas do género. É uma noite que serve tanto para quem ainda não conhece estes filmes como para quem os quer rever — e que, na semana em que O Diabo Veste Prada 2 domina a conversa cinematográfica, tem um timing perfeito.

Para os domingos, o Cinemundo preparou um ciclo temático em torno do Dia da Mãe que se estende por todo o mês, com dez filmes a partir das 12h00 — da comédia ao drama, com Fátima (24 de Maio) como o título mais inesperado e mais interessante da selecção.

O Canal Cinemundo está disponível na MEO (posição 60 HD), Vodafone (posição 77 HD) e NOS (posição 40 HD).

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Disney+ em Maio: o Justiceiro regressa, Stanley Tucci volta a Itália e os anos 80 de “Rivals” chegam a Portugal
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“The Mandalorian and Grogu” estreia a 22 de Maio — Star Wars regressa aos cinemas pela primeira vez em sete anos

A última vez que Star Wars esteve nos cinemas foi em Dezembro de 2019, com A Ascensão de Skywalker. Sete anos é muito tempo numa franchise que durante décadas definiu o que significava um evento cinematográfico. A 22 de Maio, Din Djarin e Grogu chegam ao grande ecrã — e com eles regressa uma questão que a Disney tem evitado responder directamente: ainda há público para Star Wars em sala?

O filme, realizado por Jon Favreau a partir de um argumento seu com Dave Filoni e Noah Kloor, é uma continuação directa da terceira temporada da série The Mandalorian do Disney+, mas foi concebido para funcionar como ponto de entrada para quem nunca viu um único episódio. “É como a primeira temporada, episódio um”, disse Favreau ao io9. “Queremos sempre ter uma mão estendida a alguém que nunca viu Star Wars antes.” A premissa é suficientemente simples: o Império caiu, mas os seus almirantes dispersos continuam a ameaçar a galáxia, e a Nova República recrutou o caçador de recompensas mandaloriano Din Djarin — Pedro Pascal, que desta vez aparece sem máscara por tempo considerável — e o seu aprendiz Grogu para uma missão que os colocará frente a frente com os Gêmeos Hutt.

O elenco de apoio é a grande novidade. Sigourney Weaver interpreta a Coronel Ward, uma veterana da Rebelião agora em posição de liderança na República — e a sua presença no trailer final, divulgado na semana passada na CinemaCon de Las Vegas, foi o momento mais comentado da apresentação Disney. Jeremy Allen White, o actor de The Bear que se tornou num dos rostos mais procurados de Hollywood, aparece num papel ainda não revelado. A partitura é de Ludwig Göransson, Óscar por Oppenheimer e responsável pelo som inconfundível da série.

As projecções de bilheteira situam-se nos 80 milhões de dólares para o fim-de-semana de quatro dias do Memorial Day americano — um número sólido mas abaixo dos grandes arranques do universo Star Wars. Filoni, que co-escreveu o filme e substituiu Kathleen Kennedy como co-CEO da Lucasfilm, foi directo sobre as expectativas: “Não temos a pressão de O Despertar da Força. Isto não é o início de uma nova trilogia. É uma celebração destes dois personagens.” Em Portugal, o filme estreia a 22 de Maio nos Cinemas NOS e UCI, em versão normal e IMAX.

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