Questlove Abre Tribeca 2026 com Documentário Sobre Earth, Wind & Fire

O vencedor do Óscar por Summer of Soul regressa ao formato documental que o consagrou, contando a história de uma das bandas mais icónicas do século XX. A estreia mundial será seguida de um concerto histórico.

A 25.ª edição do Tribeca Festival, que decorre em Nova Iorque entre 10 e 21 de junho de 2026, terá uma abertura em grande estilo. O festival anunciou nas últimas 24 horas que a sua noite inaugural será dedicada a The Mighty Elements: The Untold Story of Earth, Wind & Fire, o novo documentário realizado por Ahmir “Questlove” Thompson.

A escolha não podia ser mais simbólica. Questlove, baterista e líder dos The Roots, tornou-se num dos documentaristas musicais mais respeitados da atualidade depois de ter vencido o Óscar de Melhor Documentário com Summer of Soul (2021), um filme que resgatou do esquecimento as imagens do Harlem Cultural Festival de 1969. Agora, o realizador volta a mergulhar nos arquivos da música negra americana para contar a história dos Earth, Wind & Fire, a banda fundada por Maurice White que redefiniu os limites do soul, funk e R&B.

Uma Noite de Cinema e Música ao Vivo

A sessão de estreia está marcada para 10 de junho de 2026, ao ar livre, no The Battery — um dos locais mais emblemáticos de Manhattan, com vista para o porto de Nova Iorque. Mas o Tribeca não se ficará pela projeção. Após o filme, o público assistirá a um momento raro e histórico: um concerto conjunto dos Earth, Wind & Fire e dos The Roots, celebrando ao vivo o legado de uma banda que marcou gerações com temas como SeptemberBoogie WonderlandLet’s Groove e After the Love Has Gone.

Robert De Niro, co-fundador do festival, comentou a escolha em comunicado: “A música sempre foi uma parte essencial da identidade do Tribeca. Ter o Questlove a regressar connosco para contar a história de uma banda que definiu uma era — e fazê-lo com um concerto ao vivo — é a forma perfeita de celebrar os nossos 25 anos.”

O Que Esperar do Documentário

De acordo com as informações reveladas pela produção, The Mighty Elements terá acesso exclusivo aos arquivos pessoais de Maurice White, o visionário fundador da banda que faleceu em 2016. O filme contará ainda com entrevistas aos membros sobreviventes, incluindo Philip Bailey(vocalista), Verdine White (baixista e irmão de Maurice) e Ralph Johnson (baterista e percussionista).

Questlove promete um retrato íntimo e profundo, que vai além dos êxitos radiofónicos. Em declarações à imprensa, o realizador afirmou: “Os Earth, Wind & Fire não foram apenas uma banda de sucesso. Foram um fenómeno cultural que combinou música, espiritualidade e uma visão artística única. O Maurice White era um místico, um filósofo e um génio musical. Este filme é uma tentativa de fazer justiça a esse legado.”

A banda, que já vendeu mais de 90 milhões de discos em todo o mundo, é conhecida tanto pela sua sofisticação musical — que fundia jazz, funk, soul, pop e elementos eletrónicos — como pelos seus espetáculos ao vivo visualmente deslumbrantes, repletos de pirotecnia, coreografias e figurinos exuberantes.

O Contexto do Documentário Musical

The Mighty Elements insere-se num momento particularmente fértil para o documentário musical. Nos últimos anos, títulos como The Beatles: Get Back (Peter Jackson, 2021), Becoming Led Zeppelin (Bernard MacMahon, 2025) e o próprio Summer of Soul provaram que há um apetite voraz do público por histórias bem contadas sobre os gigantes da música popular.

A escolha do Tribeca como plataforma de lançamento também não é inocente. O festival nova-iorquino tem-se afirmado como um espaço privilegiado para estreias de documentários musicais de alto perfil. Foi no Tribeca que estrearam, por exemplo, Clive Davis: The Soundtrack of Our Lives(2017) e The Go-Go’s (2020).

Estreia Mundial: 10 de junho de 2026, Tribeca Festival.
Distribuição em Portugal: Ainda não anunciada. Espera-se que o filme seja adquirido por uma plataforma de streaming nas próximas semanas.

🎬 Estreias da Semana: Há terror, autores consagrados e regressos inesperados — mas há um filme que vai dominar as conversas

Uma semana surpreendentemente diversa nas salas portuguesas

A semana de 16 de abril de 2026 chega às salas de cinema em Portugal com uma mistura invulgarmente rica: desde o terror de grande estúdio a cinema de autor europeu, passando por animação familiar e até reposições de clássicos japoneses que merecem redescoberta. É daquelas semanas em que tanto o espectador casual como o cinéfilo mais exigente encontram motivos para sair de casa.

Mas, no meio desta diversidade, há claros destaques — e um deles promete mesmo ser o filme mais falado dos próximos dias.

👁️ O grande destaque: o terror regressa em força com 

A Múmia

Entre todas as estreias, “A Múmia”, realizado por Lee Cronin, surge como a aposta mais comercial e mediática da semana. Depois do sucesso no género com Evil Dead Rise, Cronin mergulha agora num clássico do terror, trazendo uma nova abordagem à icónica figura da múmia.

Com um elenco liderado por Jack ReynorLaia Costa e May Calamawy, o filme aposta numa narrativa mais sombria e misteriosa, afastando-se do tom aventureiro que marcou versões anteriores da história.

A duração de 136 minutos sugere uma ambição épica — algo que poderá dividir audiências, mas que reforça a ideia de que este não é apenas mais um filme de sustos rápidos.

🎭 Cinema de autor europeu em destaque

Se o terror domina o lado mais comercial, o cinema europeu traz algumas das propostas mais interessantes da semana.

🇮🇹 La grazia, de Paolo Sorrentino

O novo filme de Paolo Sorrentino chega com expectativas elevadas. Conhecido pelo seu estilo visual sofisticado e narrativas introspectivas, Sorrentino volta a explorar temas humanos com um toque de humor e melancolia.

No elenco encontramos Toni Servillo, colaborador habitual do realizador, acompanhado por Anna Ferzetti. Com 133 minutos, “La grazia” promete ser uma experiência densa, provavelmente mais contemplativa do que narrativa.

🇮🇹 Fuori, de Mario Martone

Outro destaque italiano é “Fuori”, realizado por Mario Martone. Com Valeria Golino e Matilda De Angelis, o filme posiciona-se entre o drama e o retrato histórico.

Martone é conhecido por trabalhar temas sociais e políticos com rigor, o que faz deste um título particularmente interessante para quem procura cinema mais exigente.

🇫🇷 Mektoub, Meu Amor: Canto Segundo

O regresso de Abdellatif Kechiche à sua saga continua a dividir espectadores. Com quase 2h20 de duração, este segundo capítulo mantém o foco nas relações humanas, no desejo e na passagem do tempo.

Com Shaïn Boumedine e Salim Kéchiouche, é um filme que exige paciência — mas que recompensa quem entra no seu ritmo.

😂 Comédia e entretenimento: alternativas mais leves

Nem só de introspecção vive esta semana.

🇫🇷 Queridos Pais

Com André Dussollier e Miou-Miou, esta comédia francesa promete momentos leves e acessíveis, centrados nas dinâmicas familiares. Realizado por Emmanuel Patron, é uma opção segura para quem procura uma sessão descontraída.

🇬🇧 Fackham Hall

Misturando comédia com contexto histórico, o filme de Jim O’Hanlon junta Thomasin McKenzie e Emma Laird num registo potencialmente satírico. Um título curioso, ainda que menos mediático.

🎬 Ação e animação para todos os públicos

💥 Perseguição em Taipei

Para quem prefere ação, “Perseguição em Taipei”, de George Huang, junta Luke Evans e Sung Kang num thriller com cenário asiático. Um filme direto, pensado para entretenimento puro.

🐒 Jungle Beat 2: Viagem ao Passado

A única grande aposta familiar da semana é esta sequela animada realizada por Sam Wilson. Colorido, leve e acessível, é claramente direcionado para o público mais jovem.

🎞️ Reposições e cinema clássico: uma oportunidade rara

Uma das surpresas desta semana é a presença de várias reposições de filmes de Hiroshi Shimizu, incluindo:

  • “A Dançarina”
  • “Crianças à Procura de Mãe”
  • “O Idiota Sentimental”

Estas sessões são uma oportunidade rara para ver cinema japonês clássico em sala — algo cada vez menos comum, mas essencial para quem quer conhecer as raízes do cinema moderno.

🎥 Documentário nacional: um olhar íntimo

“¿De qué casa eres?”, realizado por Ana Pérez-Quiroga, representa a presença portuguesa na semana. Com 73 minutos, posiciona-se como uma proposta documental que deverá explorar identidade e pertença — temas recorrentes no trabalho da autora.

📊 Conclusão: uma semana para todos os gostos — mas com um claro protagonista

A diversidade é, sem dúvida, a palavra-chave desta semana. No entanto, tudo aponta para que “A Múmia” seja o filme que vai dominar as atenções do grande público.

Ainda assim, ignorar propostas como “La grazia” ou “Fuori” seria um erro para qualquer amante de cinema. E as reposições de Shimizu são um verdadeiro presente para os mais atentos.

Ou a minha recomendação pessoal o Fackham Hall

No fundo, esta é uma semana que prova algo simples: o cinema continua vivo — e recomenda-se.

🎬 Billie Eilish leva a sua digressão ao cinema em 3D — e promete uma experiência imersiva sem precedentes

A música de estádio chega ao grande ecrã com tecnologia de James Cameron

O fenómeno global Billie Eilish vai chegar aos cinemas portugueses de uma forma totalmente diferente do habitual. O novo filme-concerto “HIT ME HARD AND SOFT: THE TOUR (LIVE IN 3D)” estreia nas salas nacionais a 7 de maio, com pré-vendas a arrancarem já a 16 de abril, segundo comunicado oficial da NOS Audiovisuais.

Mais do que um simples registo de digressão, trata-se de uma experiência cinematográfica pensada para o grande ecrã, captada ao longo da digressão mundial esgotada da artista.

🎥 Um projeto assinado por James Cameron e Billie Eilish

Um dos grandes destaques deste projecto é a realização conjunta de dois nomes de peso: James Cameron e Billie Eilish.

Cameron, conhecido pelo seu trabalho em cinema de grande escala e inovação tecnológica, junta-se à artista para criar uma experiência em formato 3D imersivo, com o objectivo de transportar o espectador directamente para o centro do espectáculo.

Segundo o comunicado, o filme foi gravado ao longo da digressão mundial Hit Me Hard And Soft, permitindo capturar diferentes momentos de um espectáculo que esgotou salas em vários países.

🌍 Uma das artistas mais influentes da sua geração

Com nove prémios Grammy e duas estatuetas dos Óscares, Billie Eilish consolidou-se como uma das figuras mais influentes da música contemporânea.

Este novo projecto reforça essa posição, ao transformar a experiência de concerto num evento cinematográfico pensado para salas IMAX e formatos imersivos, onde som e imagem procuram recriar a energia da digressão original.

A aposta em 3D e em tecnologia de ponta sugere um produto desenhado não apenas para fãs, mas também para quem procura uma experiência audiovisual diferenciada no cinema.

🎬 O que esperar do filme-concerto

De acordo com a sinopse oficial, “HIT ME HARD AND SOFT: THE TOUR (LIVE IN 3D)” oferece uma nova leitura da digressão mundial da artista, combinando performance ao vivo com linguagem cinematográfica.

O objectivo é claro: aproximar o público da intensidade emocional dos concertos, mas com o detalhe visual e sonoro que apenas o cinema pode proporcionar.

A produção aposta numa abordagem sensorial, onde o espectador deixa de ser apenas observador para se tornar parte da experiência.

🎟️ Pré-vendas arrancam a 16 de abril

Os bilhetes para as sessões especiais começam a ser disponibilizados já a partir de 16 de abril, antecipando a estreia oficial marcada para 7 de maio nos cinemas portugueses.

A distribuição em Portugal está a cargo da NOS Audiovisuais, reforçando a aposta crescente em conteúdos musicais e experiências cinematográficas diferenciadas nas salas nacionais.

🎧 Quando o cinema e a música se encontram

Este tipo de projecto não é novo, mas continua a ganhar força: concertos filmados com tecnologia avançada têm vindo a aproximar o público da experiência ao vivo, sobretudo em tempos em que os espectáculos internacionais nem sempre são acessíveis a todos.

No caso de Billie Eilish, o factor diferenciador está na combinação de uma artista de topo com uma realização de grande escala, que promete elevar o formato a outro nível.

🔎 Conclusão

Entre o espectáculo ao vivo e a linguagem do cinema, este novo filme-concerto posiciona-se como uma das apostas mais ambiciosas do ano no cruzamento entre música e sétima arte.

Para fãs de Billie Eilish — e para curiosos pelo futuro do cinema imersivo — esta poderá ser uma experiência a não perder.

Aronofsky Troca o Drama pela Porrada: “Apanhado a Roubar” Chega Esta Sexta ao TVCine

Austin Butler e Zoë Kravitz protagonizam o regresso caótico e violento do realizador de O Cisne Negro à Nova Iorque dos anos 90. Um policial cult que passou despercebido nos cinemas e que merece uma segunda vida no sofá.

Se havia uma crítica que perseguia Darren Aronofsky nos últimos anos era a de um alegado “excesso de solenidade”. Depois da angústia existencial de A Baleia e do delírio psicológico de Mãe!, o realizador nova-iorquino decide dar uma guinada de 180 graus. “Apanhado a Roubar” (Caught Stealing), que estreia em exclusivo nos Canais TVCine esta sexta-feira, 17 de abril, às 21h30, é a resposta de Aronofsky a quem lhe pedia mais ritmo: um thriller de ação com humor negro, gatos indefesos e muitos, muitos ossos partidos.

Um Gato, um Ex-Jogador e a Máfia Russa

O filme adapta o romance homónimo de Charlie Huston e tem como cenário uma Nova Iorque suja e analógica dos anos 1990. No centro da confusão está Hank Thompson, interpretado por Austin Butler (num registo muito distante do glamour de Elvis). Hank é um ex-jogador de basebol caído em desgraça que agora trabalha num bar e cuja única ambição é sobreviver ao dia seguinte.

O problema começa com um favor aparentemente inofensivo: tomar conta do gato do vizinho. O vizinho em questão é Russ, um britânico excêntrico interpretado por Matt Smith (House of the Dragon), que desaparece misteriosamente deixando para trás algo muito mais valioso do que ração para gato. Quando Hank é brutalmente interrogado por gangsters que acreditam que ele sabe onde está o “tesouro” de Russ, a sua vida transforma-se numa fuga desenfreada.

O Elenco e o Regresso à Podridão Urbana

Além de Butler, o filme conta com a presença de Zoë Kravitz como Yvonne, a namorada de Hank que se vê arrastada para o olho do furacão, e um leque de personagens secundárias que parecem saídas de um filme dos irmãos Safdie ou de um primórdio de Scorsese.

Este é um território novo (e ao mesmo tempo familiar) para Aronofsky. Se visualmente o filme promete a crueza claustrofóbica que o realizador domina, o tom é surpreendentemente ligeiro e caótico. As críticas internacionais descrevem a obra como uma “comédia negra de ação” que evoca o melhor do cinema policial pulp — com perseguições de carro, gangsters russos, reviravoltas constantes e uma violência estilizada que não se leva demasiado a sério.

Uma Segunda Oportunidade no Sofá

Apesar de ter agradado à crítica especializada (conquistou 84% de aprovação no Rotten Tomatoes), Apanhado a Roubar teve uma passagem discreta pelas salas de cinema portuguesas no verão passado. Com um orçamento na casa dos $40 milhões, o filme arrecadou pouco mais de $31 milhões a nível global — um resultado comercial modesto que o torna ainda mais apetecível como descoberta cult para o espectador caseiro.

É precisamente aqui que o TVCine entra em campo. “Apanhado a Roubar” é daqueles filmes que pedem uma segunda oportunidade longe da pressão dos blockbusters de verão: um policial sujo, divertido e com uma energia contagiante que funciona na perfeição numa noite de sexta-feira no sofá.

Porquê Ver?

A oportunidade perfeita para ver Austin Butler a sujar as mãos como nunca, para testemunhar Darren Aronofsky a divertir-se como não o víamos há anos e para descobrir um dos filmes de género mais injustamente ignorados de 2025.

Estreia: Sexta-feira, 17 de abril, 21h30, no TVCine Top e TVCine+ .

Diogo Alves: o “Assassino do Aqueduto” regressa à luz em Lisbon Noir

Um serial killer do século XIX que continua a assombrar Lisboa

Lisboa volta a revisitar um dos seus capítulos mais sombrios com a chegada de Lisbon Noir, nova coprodução entre a Prime Video e a TVI. A série, protagonizada por Pêpê Rapazote, inspira-se livremente na figura de Diogo Alves, o chamado “Assassino do Aqueduto”, cuja história continua a alimentar o imaginário criminal da capital.

A produção estreou esta segunda-feira, 13 de Abril, na TVI, com exibição às 22h35, enquanto os quatro episódios já estão disponíveis na Prime Video. Mais do que uma simples adaptação histórica, a série transforma um caso real num thriller contemporâneo, onde o passado parece recusar-se a permanecer enterrado.

Entre a ficção e a sombra de um crime real

A narrativa de Lisbon Noir começa com a queda de um diplomata espanhol do topo do Aqueduto das Águas Livres, em Lisboa. Inicialmente, a Polícia Judiciária considera tratar-se de suicídio ou de um incidente isolado. No entanto, rapidamente se percebe que há algo muito mais perturbador em curso: um assassino em série está a actuar na cidade, inspirado pelos crimes de Diogo Alves.

O novo criminoso escolhe as suas vítimas e atira-as dos pontos mais altos da capital, começando precisamente pelo Aqueduto. A investigação fica a cargo dos inspetores Daniel e Laura, personagens de personalidades opostas que são obrigados a colaborar numa corrida contra o tempo para travar uma ameaça que coloca Lisboa sob tensão máxima.

O elenco conta ainda com nomes como Beatriz Godinho, Mina El Hammani, Luís Filipe Eusébio, Cleo Diára, Teresa Tavares e Paulo Pires, entre outros.

O homem por trás do mito: Diogo Alves

No centro da inspiração histórica está Diogo Alves, figura que marcou o imaginário criminal português no século XIX. Nascido em 1810, na Galiza, em Espanha, emigrou jovem para Portugal, onde trabalhou como criado em casas abastadas, levando inicialmente uma vida discreta.

Tudo mudaria na década de 1830, quando começou uma série de crimes que lhe valeram o nome de “Assassino do Aqueduto”. O seu método tornou-se particularmente temido: assaltava vítimas que atravessavam o Aqueduto das Águas Livres — então utilizado como passagem pedonal — e empurrava-as de uma altura de cerca de 65 metros.

Durante algum tempo, os crimes foram confundidos com suicídios ou acidentes, devido ao isolamento do local e à ausência de testemunhas. No entanto, o número crescente de mortes levantou suspeitas e levou a uma investigação mais profunda.

Estima-se que Diogo Alves tenha sido responsável por cerca de 70 homicídios, embora o número exacto nunca tenha sido confirmado.

Do medo à captura e a um destino singular

O reinado de terror de Alves terminou não diretamente pelos crimes no aqueduto, mas após o envolvimento num violento assalto a uma casa de um médico, onde várias pessoas foram assassinadas. Esse episódio acabou por permitir às autoridades identificar e deter o grupo responsável.

Condenado à morte, Diogo Alves foi executado em 1841. Contudo, a sua história não terminou aí. Num dos episódios mais bizarros da criminologia portuguesa, a sua cabeça foi preservada para estudo científico, no contexto das teorias da frenologia — uma corrente que procurava identificar traços de criminalidade através do crânio.

Até hoje, a cabeça encontra-se conservada na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, perpetuando o fascínio e o desconforto em torno da sua figura.

Pêpê Rapazote e o desafio de dar vida ao crime

Antes das filmagens, Pêpê Rapazote admitiu não conhecer em detalhe a história de Diogo Alves, descobrindo-a apenas durante a preparação da série. O actor mergulhou depois num universo que mistura facto histórico, especulação científica e interpretações psicológicas do comportamento criminoso.

Na sua leitura, o mal não se explica apenas pela biologia. Rapazote aponta para factores mais complexos, como traumas e experiências de infância, recusando uma explicação puramente física para a violência extrema.

A sua personagem, o inspetor Daniel, também é marcada por um passado traumático, nomeadamente uma fobia profunda de alturas, o que cria uma ligação simbólica com o cenário dos crimes: o abismo do Aqueduto.

Uma Lisboa entre o passado e o medo contemporâneo

Lisbon Noir aposta num cruzamento entre história e ficção, recuperando uma das figuras mais temidas da Lisboa oitocentista para construir uma narrativa contemporânea de suspense e investigação criminal.

Ao trazer Diogo Alves de volta ao centro da ficção televisiva, a série recorda que certos crimes, mesmo passados quase dois séculos, continuam a projectar sombras longas sobre a cidade.

Curiosamente o primeiro episódio também já pode ser visto online aqui no site da TVI

Bryan Cranston e Joaquin Phoenix à frente da revolta contra megafusão em Hollywood

Uma aliança bilionária que está a incendiar a indústria do cinema

Hollywood está em ebulição. A proposta de aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Global, avaliada em cerca de 111 mil milhões de dólares, desencadeou uma onda de contestação sem precedentes dentro da indústria audiovisual norte-americana.

Mais de mil profissionais — entre actores, realizadores e argumentistas — assinaram uma carta aberta a criticar duramente o negócio, alertando para o impacto que a operação poderá ter no futuro do cinema, da televisão e das plataformas de streaming.

No centro desta contestação estão nomes de peso como Bryan Cranston e Joaquin Phoenix, a que se juntam ainda Tiffany Haddish e o realizador Yorgos Lanthimos.

“Menos oportunidades, menos diversidade, menos vozes”

Na carta, os signatários não poupam críticas. O documento alerta que a fusão poderá agravar um cenário já fragilizado, com menos produções, menos empregos e uma redução significativa da diversidade de histórias contadas em Hollywood.

A preocupação central é a crescente concentração de poder nas mãos de poucos conglomerados, que passam a controlar não só o financiamento, mas também a distribuição e o acesso ao público global. Para os críticos, este modelo pode transformar a indústria numa máquina cada vez mais homogénea, onde o risco criativo é substituído pela previsibilidade comercial.

A batalha do streaming e o novo mapa do entretenimento

A polémica surge num momento de transformação profunda no sector. A corrida entre estúdios tradicionais e plataformas digitais continua a redefinir o equilíbrio de forças em Hollywood, com a Netflix a surgir como um dos principais actores desta disputa — tendo, aliás, demonstrado interesse na aquisição da Warner antes da entrada da Paramount na operação.

Do lado da Paramount, David Ellison defende a fusão como uma forma de reforçar o cinema tradicional e competir em escala global. A promessa inclui manter uma produção anual robusta para salas de cinema, com pelo menos 30 estreias por ano, além de investimentos nas duas estruturas agora em causa.

Ellison argumenta ainda que uma eventual aquisição pela Netflix poderia criar um “superplayer” dominante no streaming, ainda mais concentrador do que o cenário actual.

O medo dos cinemas vazios

As preocupações não se limitam aos artistas. A indústria da exibição também está em alerta. Michael O’Leary, da Cinema United — organização que representa cerca de 30 mil salas nos Estados Unidos — já avisou que uma redução na produção de filmes pode acelerar o encerramento de cinemas, numa tendência que se tem agravado desde a pandemia.

Com menos estreias pensadas exclusivamente para salas, o circuito tradicional de exibição continua sob pressão, enquanto o streaming ganha terreno e redefine hábitos de consumo em todo o mundo.

Regulação, política e o futuro da fusão

A operação ainda terá de passar por um processo de aprovação regulatória. Na Califórnia, o procurador-geral Rob Bonta já sinalizou que o caso poderá ser alvo de análise detalhada, embora exista ceticismo quanto à possibilidade de intervenção mais dura a nível federal.

A carta dos artistas apela precisamente a esse escrutínio rigoroso, defendendo que a concentração mediática já teve impactos negativos profundos numa das indústrias mais influentes do mundo.

Um ponto de viragem para Hollywood?

A fusão entre a Paramount e a Warner insere-se numa tendência mais ampla de consolidação no sector do entretenimento, impulsionada pela necessidade de escala num mercado global cada vez mais competitivo.

Nos últimos anos, os grandes estúdios têm apostado em franquias seguras e blockbusters de alto retorno, deixando para segundo plano projectos mais arriscados ou autorais — precisamente o tipo de cinema que muitos dos signatários da carta defendem.

O resultado é um dilema cada vez mais evidente: como equilibrar sustentabilidade financeira, diversidade criativa e acesso do público num ecossistema dominado por poucos gigantes?

Se aprovada, esta fusão poderá redefinir o mapa de Hollywood. E, talvez, marcar o início de uma nova era — onde o poder criativo e o poder económico nunca estiveram tão próximos… nem tão em conflito.

Paddington Musical Quer a Broadway em 2027 — e o Urso Mais Famoso de Lima Tem Todas as Condições para Chegar lá

Há uma certa lógica poética no facto de o urso que chegou a Londres de chapéu velho e etiqueta de identificação ao pescoço estar agora a planear a conquista de Nova Iorque. Depois de dominar os Olivier Awards deste domingo com sete prémios — o mais premiado da noite, incluindo Melhor Musical, Melhor Realizador, Melhor Actor em Musical e Melhor Cenografia —, a produtora Sonia Friedman confirmou ao Deadline ainda durante a cerimónia no Royal Albert Hall que Paddington: The Musical está na linha de partida para uma transferência para a Broadway em 2027. “Gostaria que fosse para o ano que vem, para manter o momentum”, disse Friedman. Em linguagem de teatro, isto significa que está a acontecer.

Paddington: The Musical abriu no Savoy Theatre em Londres no outono de 2025 e tornou-se imediatamente num dos maiores sucessos do West End em anos — não apenas comercial mas também crítico, o que no teatro musical é uma combinação rara e preciosa. O London Theatre deu-lhe cinco estrelas e chamou-lhe “magia pura de teatro” e “um grande abraço de urso”. A música e letra são de Tom Fletcher, mais conhecido como membro dos McFly, e o livro é de Jessica Swale. A encenação de Luke Sheppard — que ganhou o Olivier de Melhor Realizador — resolve de forma engenhosa o problema central de qualquer adaptação de Paddington para palco: como fazer um urso de marmelada de Lima emocionalmente convincente para uma audiência ao vivo, sem recorrer nem ao disfarce humano nem à animação digital.

A solução que Sheppard encontrou foi partir o papel em dois: James Hameed dá a voz e a presença física ao Paddington que fala e interage com os outros personagens, enquanto Arti Shah opera o fato do urso com uma precisão de movimento que a crítica descreveu repetidamente como hipnótica. Os dois partilham o Olivier de Melhor Actor em Musical — uma situação sem precedentes na história do prémio, e que diz tudo sobre a forma como o espectáculo abordou o problema da representação do urso. Não como um problema a esconder, mas como uma oportunidade de fazer algo teatralmente novo.

O caminho para a Broadway não é garantido nem simples. O West End e a Broadway partilham língua e muita coisa, mas os espaços são diferentes, os custos de produção são outros, e o que funciona em Londres nem sempre funciona em Nova Iorque — e vice-versa. Paddington tem, no entanto, vários factores a seu favor. A personagem tem uma base de fãs americana considerável, o filme de 2014 e a sua sequela de 2017 foram sucessos de bilheteira nos Estados Unidos, e o terceiro filme — Paddington em Peru, de 2023 — confirmou que o urso continua a ser um fenómeno transgeracional. Um musical de Broadway baseado numa personagem com este nível de reconhecimento e com esta qualidade crítica documentada tem uma proposta de valor clara.

Para Portugal e para o resto do mundo lusófono, a trajectória de Paddington: The Musical é relevante por duas razões. A primeira é óbvia: se o espectáculo chegar à Broadway com este impulso, a probabilidade de uma digressão europeia aumenta significativamente — e Lisboa e Porto são destinos habituais dessas digressões. A segunda é mais subtil: o percurso de Paddington no teatro representa exactamente o tipo de adaptação que o cinema de família raramente consegue produzir no palco com este nível de integridade artística. É uma história sobre um estrangeiro que chega a um país novo e é acolhido por uma família que não o conhecia — e que se torna insubstituível para essa família. Em 2026, essa história tem uma ressonância que vai muito além da nostalgia.

A Vida é Injusta Voltou 20 Anos Depois — e Bateu Todos os Recordes de Estreia do Ano

Há revivais que chegam envergonhados, como se pedissem desculpa por existir. Malcolm no Meio: A Vida Continua Injusta (como dizem no Brasil)  não é um desses. A minissérie de quatro episódios que estreou a 10 de Abril no Hulu e no Disney+ — reunindo Frankie Muniz, Bryan Cranston e Jane Kaczmarek pela primeira vez em vinte anos — tornou-se em três dias na maior estreia da plataforma em 2026, com 8,1 milhões de visualizações globais. Em toda a América Latina, só a primeira temporada de Loki teve uma estreia maior no Disney+. Os números são de uma série nova, não de um revival nostálgico que os fãs vêem por obrigação sentimental.

A história de como este revival chegou a existir é quase tão boa como a série em si. Em 2021, Frankie Muniz revelou num podcast que Bryan Cranston tinha escrito um argumento para um filme de reunião e que todo o elenco estava disposto a regressar — excepto uma pessoa que se recusava. Dois anos depois, descobriu-se que o recalcitrante era Linwood Boomer, o criador da série original, que só concordaria em participar se dois guionistas específicos da série original fizessem parte do projecto. Quando essas condições foram cumpridas, em Dezembro de 2024, o anúncio chegou finalmente: quatro episódios de trinta minutos, para o Hulu, com o elenco praticamente completo.

O que a série escolhe fazer com esse regresso é inteligente porque é honesto. Malcolm tem agora 39 anos — a mesma idade que Frankie Muniz — e construiu exactamente o tipo de vida que sempre quis: está longe da família, tem uma filha adolescente a quem é dedicado, dirige uma associação de caridade alimentar e tem uma namorada estável. A série não finge que o tempo não passou. Faz exactamente o oposto: usa o tempo passado para explorar o que significa crescer numa família caótica e perceber, da perspectiva da idade adulta, que o caos que te sufocava também te formou. É uma ideia simples, mas é a ideia certa para este revival — e é executada com o ritmo e o humor ferino que tornaram a série original numa referência da comédia familiar americana dos anos 2000.

Bryan Cranston como Hal é, de longe, a maior surpresa do regresso. O actor que entretanto se tornou mundialmente famoso por Breaking Bad volta ao papel com uma leveza e uma fisicalidade cómica que confirmam que Hal Wilkerson é provavelmente a personagem que Cranston mais gosta de interpretar — e onde parece mais à vontade. Jane Kaczmarek como Lois continua a ser um dos maiores feitos de comédia da televisão americana: uma mulher que é simultaneamente o maior obstáculo e o maior motor emocional da família, sem nunca ser apenas um estereótipo. Os dois juntos têm uma química que duas décadas de ausência não arranharam.

O Rotten Tomatoes marca 81% de aprovação crítica, com o consenso a dizer que o revival “regressa aos seus antics cómicos com vigor e assurance.” O Metacritic dá 65 em 100. Nenhuma nota extraordinária — mas as notas dos revivais raramente são. O que importa é que funciona: é engraçado, é emocionalmente honesto sem ser sentimental, e tem o ritmo acelerado que fazia da série original uma experiência televisiva diferente de qualquer outra coisa que passasse na televisão em 2000. O facto de 8,1 milhões de pessoas terem visto os quatro episódios nos primeiros três dias sugere que não foi só a nostalgia que trouxe o público — foi a qualidade.

“O Passageiro do Inferno”: o terror faz-se à estrada no novo filme de André Øvredal

Um pesadelo que começa com um acidente — e nunca mais abranda

O terror volta a ganhar velocidade nas estradas portuguesas com O Passageiro do Inferno, cujo novo trailer, poster oficial e primeiras imagens já foram revelados. A promessa é clara: um thriller sufocante que transforma um cenário aparentemente banal — uma estrada isolada — num palco de puro pesadelo. A estreia nas salas de cinema nacionais está marcada para 21 de maio, com distribuição da NOS Audiovisuais.

A premissa é simples, mas eficaz: depois de testemunharem um violento acidente numa estrada deserta, um jovem casal segue viagem, acreditando ter deixado o pior para trás. No entanto, rapidamente percebem que não estão sozinhos. Algo — ou alguém — entrou com eles no carro. E não tem qualquer intenção de sair.

André Øvredal regressa ao terror que inquieta

Na realização está André Øvredal, um nome já bem conhecido dos fãs do género. Depois de filmes como Autópsia de Jane Doe e Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro, o cineasta norueguês volta a apostar num terror atmosférico, onde o desconforto cresce lentamente até se tornar insuportável.

Em O Passageiro do Inferno, Øvredal explora medos primários profundamente enraizados: a escuridão, o isolamento e a vulnerabilidade em espaços abertos e desabitados. A estrada — símbolo de liberdade — transforma-se aqui numa armadilha sem saída, onde cada quilómetro percorrido apenas aproxima as personagens do perigo.

Uma presença que não se vê… mas nunca desaparece

O grande elemento perturbador da narrativa é a entidade conhecida como “The Passenger”. Invisível, implacável e aparentemente impossível de escapar, esta presença demoníaca persegue o casal sem descanso, transformando a viagem numa luta desesperada pela sobrevivência.

Sem recorrer apenas a sustos fáceis, o filme aposta num equilíbrio entre terror psicológico e físico, criando uma sensação constante de ameaça. A ideia de que algo está sempre presente — mesmo quando não é visível — é o motor da tensão, mantendo o espectador em permanente estado de alerta.

Um elenco sólido para um confronto intenso

O filme é protagonizado por Jacob Scipio, Lou Llobell e Melissa Leo, três nomes que dão corpo a esta narrativa de sobrevivência e desespero.

A dinâmica entre as personagens será essencial para sustentar o peso emocional da história, especialmente num contexto onde o medo não vem apenas do exterior, mas também da tensão crescente entre aqueles que tentam escapar.

Uma viagem sem saída marcada no calendário

Com estreia marcada para 21 de maio nos cinemas portuguesesO Passageiro do Inferno posiciona-se como uma das propostas mais intensas do género este ano. Entre o terror psicológico e a ameaça constante de uma presença demoníaca, o filme promete uma experiência inquietante — daquelas que ficam connosco muito depois de sairmos da sala.

Para quem gosta de histórias onde o perigo espreita na escuridão… talvez seja melhor pensar duas vezes antes de voltar a pegar no carro à noite.

Olivier Awards 2026: Paddington Dominou com Sete Prémios e Rachel Zegler Ganhou por Cantar na Varanda

Coachella 2026: Sabrina Carpenter Construiu Hollywood no Deserto, Bieber Tocou Sozinho e Karol G Fez História

Beef Regressa na Quarta com Oscar Isaac, Carey Mulligan e uma Guerra de Classes num Country Club

Euphoria Estreou Como um Western — e Barbie Ferreira Regressa na Mesma Semana com Dois Filmes

Olivier Awards 2026: Paddington Dominou com Sete Prémios e Rachel Zegler Ganhou por Cantar na Varanda

Há noites em que um urso de marmelada de Lima, Peru, rouba os prémios de teatro mais prestigiados do Reino Unido. Esta foi uma dessas noites. A cerimónia dos Olivier Awards 2026 — os equivalentes britânicos dos Tony Awards de Nova Iorque —, realizada ontem no Royal Albert Hall em Londres e transmitida pela BBC, foi dominada de forma avassaladora por Paddington the Musical, a adaptação teatral do adorado urso da literatura infantil britânica. Sete prémios no total, incluindo Melhor Musical, Melhor Realizador e Melhor Argumento de Musical. Um resultado que ninguém que tivesse visto o espectáculo no Savoy Theatre teria considerado surpreendente — mas que confirmou o que a crítica vinha a dizer desde a estreia: é um dos musicais mais completamente realizados dos últimos anos no West End.

Mas a história da noite tinha um nome humano. Rachel Zegler — a actriz americana que passou de ser a Maria de West Side Story (2021) aos papéis em Barbie e Branca de Neve — ganhou o Olivier de Melhor Actriz em Musical pela sua Eva Perón na produção de Évita de Jamie Lloyd no London Palladium. A produção tornou-se um fenómeno cultural londrino ao longo do último ano, em parte pela decisão de Lloyd de ter Zegler a cantar “Don’t Cry for Me Argentina” da varanda do teatro para os transeuntes na rua Argyll Street todas as noites — um gesto que transformou o concerto num evento espontâneo e aberto à cidade. “Obrigada a Londres por me fazer sentir tão bem-vinda. Nunca poderia ter imaginado isto”, disse Zegler ao subir ao palco. “Foi a honra de uma vida cantar para as pessoas na Argyll Street oito vezes por semana.”

Rosamund Pike — que não pisava os palcos londrinos há 14 anos — venceu o Olivier de Melhor Actriz pela sua interpretação em Inter Alia, um novo drama jurídico da dramaturga australiana Suzie Miller encenado no National Theatre. Pike, conhecida pelo público português pelo seu papel em Gone Girl e pela série The Wheel of Time, confessou à BBC que sempre foi “uma pessoa bastante tímida” e que a possibilidade de ser distinguida “enquanto ela própria” — e não enquanto personagem — era sempre assustadora. “Adoro o véu protector de uma personagem. Ser isolada como só eu é sempre bastante intimidante.” O prémio, claramente, valeu o desconforto.

Paapa Essiedu — o actor britânico de origem ganesa que o público internacional conhece de Harry Potter e a Criança Amaldiçoada no West End e da série I May Destroy You —, ganhou Melhor Actor em Papel Secundário por All My Sons, o revival da peça de Arthur Miller de 1946 no Wyndham’s Theatre. All My Sons ganhou também o prémio de Melhor Revival, confirmando que o texto de Miller — sobre a culpa, a responsabilidade e o custo humano da ambição — continua a ressoar com uma urgência que as décadas não diminuem.

Para Portugal, os Olivier Awards têm um interesse que vai além do glamour da cerimónia. As produções premiadas em Londres chegam habitualmente às salas do Teatro Nacional D. Maria II, do Teatro Municipal do Porto e de outros palcos nacionais nos anos seguintes. Évita de Jamie Lloyd, Into the Woods do Bridge Theatre e Paddington the Musical são exactamente o tipo de produções que os programadores portugueses vão agora colocar no radar. A lista de vencedores desta noite é, de certa forma, um mapa do que vai acontecer nos palcos ibéricos nos próximos dois ou três anos.

Coachella 2026: Sabrina Carpenter Construiu Hollywood no Deserto, Bieber Tocou Sozinho e Karol G Fez História

O Coachella tem uma forma de revelar quem é cada artista quando lhes é dado o palco maior do mundo e a liberdade total de decidir o que fazer com ele. O primeiro fim-de-semana de 2026 — realizado entre sexta e domingo no Empire Polo Club em Indio, na Califórnia — deu exactamente isso a três artistas muito diferentes, e os três escolheram de formas que ninguém esquecerá tão depressa.

Sabrina Carpenter fez a promessa há dois anos. Em 2024, quando actuou no festival como apoio de outra artista, disse à multidão: “Até à próxima quando eu cabecear.” Na sexta-feira à noite, cumpriu — com uma exuberância que transformou o palco principal numa versão delirante de Hollywood. O cenário era “Sabrinawood”: um letreiro gigante com o nome da cantora iluminou o deserto californiano enquanto ela atravessou 20 músicas num concerto de quase duas horas que incluiu cameos de Susan Sarandon, Will Ferrell e Samuel L. Jackson. Sarandon surgiu a meio do concerto num carro antigo para declamar um monólogo de sete minutos como uma versão mais velha de Carpenter — a Variety chamou-lhe “bizarro”, as redes sociais chamaram-lhe “icónico.” São descrições que não se excluem. Carpenter é, de longe, a artista pop mais inventiva e mais consciente da sua própria mitologia da sua geração — e o Coachella 2026 foi a confirmação em formato épico.

Justin Bieber escolheu o exacto oposto. O regresso do cantor canadiano ao palco — o seu concerto de maior dimensão em anos, depois de um período de saúde mental difícil e de um hiato prolongado — foi deliberadamente despojado. Palco quase vazio, sem dançarinos, sem efeitos especiais, sem mudanças de roupa. Apenas Bieber, um halfpipe metálico que servia de estrutura de palco e, ocasionalmente, dois guitarristas e quatro convidados especiais: Tems, Wizkid, Dijon e The Kid Laroi. A audiência dividiu-se em tempo real: metade da internet elogiou a coragem de colocar a voz em primeiro plano sem adornos; a outra metade ficou desapontada com a ausência de espectáculo. “Uau, estar aqui tão perto de vocês é especial”, disse Bieber à multidão. Quem estava presente descreveu um concerto de uma intimidade que raramente se encontra num palco desta dimensão.

Karol G encerrou o domingo — e a história. A cantora colombiana tornou-se a primeira artista latina a cabecear o Coachella nos seus 25 anos de existência, fechando um fim-de-semana em que a América Latina marcou presença como nunca antes no festival. O concerto foi o oposto do de Bieber: alta energia, produção elaborada, coreografias precisas, e convidadas surpresa que incluíram Becky G. “Latina Foreva”, cantou Karol G para uma multidão que claramente concordava. A representação importa — e o Coachella finalmente reconheceu isso.

O segundo fim-de-semana do festival realiza-se de 17 a 19 de Abril, com os mesmos headliners a repetir os seus concertos. Para quem não esteve no deserto, os três concertos estiveram disponíveis em directo no YouTube — em quatro câmaras simultâneas e de graça.

Beef Regressa na Quarta com Oscar Isaac, Carey Mulligan e uma Guerra de Classes num Country Club

Há séries que se permitem o luxo de começar do zero. Beef é uma delas — e na segunda temporada, que chega à Netflix na quarta-feira dia 16, o criador Lee Sung Jin usou esse luxo com uma generosidade que poucos se atreveriam: trocou o elenco inteiro, a premissa base e o cenário geográfico, mantendo apenas o espírito essencial da série. O resultado, segundo as primeiras reacções, é uma das temporadas de televisão mais aguardadas de Abril.

A primeira temporada — que estreou em Abril de 2023 e ganhou oito Emmys, incluindo Melhor Série Limitada, Melhor Actor para Steven Yeun e Melhor Actriz para Ali Wong — começou com um incidente de estrada em Los Angeles e transformou-se num estudo da fúria acumulada, do fracasso do sonho americano e da forma como a raiva pode destruir vidas inteiras. Era uma série sobre dois estranhos que não conseguiam parar de se magoar mutuamente — e sobre o que isso dizia sobre cada um deles.

A segunda temporada parte de uma premissa diferente mas igualmente carregada. Ashley Miller e Austin Davis — interpretados por Cailee Spaeny e Charles Melton, o casal de Saltburn e The Bear —, são um casal jovem e recém-noivo que trabalha como pessoal de baixo nível num country club exclusivo. Um dia apanham o seu chefe, o director-geral Joshua Martín (Oscar Isaac), no momento em que está prestes a agredir a mulher (Carey Mulligan) com um taco de golf. O que se segue é uma série de manobras, favores e coerções enquanto os dois casais competem pela aprovação da dona milionária do clube — Youn Yuh-jung, a vencedora do Óscar de Minari —, que tem os seus próprios escândalos a gerir com o segundo marido, o Doutor Kim (Song Kang-ho, o pai de Parasitas).

O elenco é, de qualquer ângulo que se olhe, extraordinário. Oscar Isaac e Carey Mulligan são dois dos actores mais respeitados da sua geração — ele com o César Flor de Inside Llewyn Davis e Ex Machina, ela com três nomeações ao Óscar por An EducationMaestro e Promising Young Woman. Cailee Spaeny ganhou o prémio de melhor actriz em Veneza em 2023 por Priscilla. Charles Melton foi nomeado ao Óscar por May December. Song Kang-ho ganhou o Óscar de Melhor Actor em Cannes por Parasitas. É praticamente um all-star game de actores com palmares de festival — e Lee Sung Jin tem demonstrado, nas duas temporadas de Beef, que sabe exactamente como extrair o máximo de actores que estão sempre a trabalhar a um nível mais fundo do que o argumento parece exigir.

A dinâmica desta temporada é deliberadamente diferente da anterior. Lee Sung Jin disse em entrevista que quis explorar a divisão geracional entre millennials e Geração Z — o casal mais jovem entra no mundo laboral com expectativas diferentes, confronta-se com o poder de uma forma diferente, e a “beef” que resulta disso tem uma textura específica que a primeira temporada, focada em duas pessoas de meia-idade a implodir, não tinha. Os oito episódios chegam todos ao mesmo tempo na quarta-feira. A Netflix está claramente a apostar nesta temporada como candidata aos Emmys de 2026 — e com este elenco, dificilmente a aposta vai falhar.

Euphoria Estreou Como um Western — e Barbie Ferreira Regressa na Mesma Semana com Dois Filmes
CinemaCon 2026: Quatro Dias em Las Vegas para Perceber o que o Cinema Vai Ser nos Próximos Dois Anos
Justiça nas Ruas, Perigo em Casa: Anónimo T2 Chega ao TVCine Edition

Euphoria Estreou Como um Western — e Barbie Ferreira Regressa na Mesma Semana com Dois Filmes

O timing é bom demais para ser coincidência. Na semana em que Euphoria estreia a sua terceira e última temporada, a actriz que saiu da série em 2022 após um conflito público com o criador Sam Levinson regressa ao cinema com dois filmes em simultâneo — e com uma entrevista ao Deadline onde diz ser “uma pessoa completamente diferente.” Há algo de inevitavelmente poético nisso.

Barbie Ferreira, que interpretou Kat Hernandez nas primeiras duas temporadas, confirmou a saída em Agosto de 2022 com uma despedida nas redes sociais que levantou imediatamente suspeitas sobre o que teria acontecido nos bastidores. Os relatos que se seguiram apontavam para desentendimentos com Levinson sobre a direcção da personagem — Kat foi progressivamente apagada da segunda temporada, com as suas linhas de história cortadas sem explicação clara. “Sinto-me criativamente realizada”, disse Ferreira ao Deadline esta semana, sem mencionar Euphoria directamente mas tornando a referência implícita o suficiente para que ninguém precisasse de perguntar. “Estendi as asas. Sou uma pessoa completamente diferente.”

Os dois filmes chegam em dias diferentes mas na mesma semana. Faces of Death — uma reimaginação do controverso pseudo-documentário de terror dos anos 80 — estreou nas salas esta semana com Ferreira no papel principal, marcando uma entrada deliberada no género de horror que representa exactamente o oposto da fragilidade adolescente que Kat encarnava em EuphoriaMile End Kicks, uma comédia romântica com laivos musicais, chega a 17 de Abril. São dois filmes, dois géneros completamente distintos, e a mensagem é clara: a actriz quer mostrar alcance, e quer mostrá-lo agora.

Do lado da Euphoria, a terceira temporada estreou ontem à noite na HBO — e as críticas foram o que muitos esperavam e alguns temiam: divididas. O que é consensual é que a série se reinventou de forma radical. Euphoria é agora um western. A nova temporada passa-se maioritariamente no deserto californiano e no México, com Rue a fazer contrabando de droga pela fronteira enquanto paga uma dívida à traficante Laurie. A cinematografia de Marcell Rév, rodada em película de 65mm pela primeira vez na história da televisão narrativa, é de uma beleza que rivaliza com o cinema. A banda sonora de Hans Zimmer soa a Ennio Morricone. A escala expandiu-se de forma ambiciosa.

Mas o guião dividiu os críticos de forma quase cirúrgica. A Variety chamou-lhe “fan fiction entretida mas desordenada”. O Hollywood Reporter ficou entre o “provocador” e o “explorador”. A IndieWire foi mais directa: “Nunca foi tão espiritualmente oco.” O Rotten Tomatoes marca 63% de aprovação crítica — o mais baixo das três temporadas. O consenso é que Zendaya transcende o material, que a cinematografia é extraordinária, e que Sam Levinson perdeu o fio à narrativa na transição do liceu para a vida adulta. A serie continua a ser compulsiva. Mas a razão de existir tornou-se mais difícil de articular.

Há algo de simbólico no facto de Barbie Ferreira regressar exactamente nesta semana. Não como um gesto calculado de rivalidade — mas como um lembrete de que o que acontece depois de uma série muito falada pode ser mais interessante do que o que acontece dentro dela.

CinemaCon 2026: Quatro Dias em Las Vegas para Perceber o que o Cinema Vai Ser nos Próximos Dois Anos

Justiça nas Ruas, Perigo em Casa: Anónimo T2 Chega ao TVCine Edition

“Que filme extraordinário”: Spielberg e Paul Thomas Anderson conversam sobre One Battle After Another

CinemaCon 2026: Quatro Dias em Las Vegas para Perceber o que o Cinema Vai Ser nos Próximos Dois Anos

Há uma semana por ano em que Hollywood para tudo e vai a Las Vegas mostrar o que tem. Esta é essa semana. O CinemaCon 2026 — a maior convenção da indústria cinematográfica mundial, realizada no Caesars Palace — arrancou hoje com a Sony Pictures a abrir as hostilidades, e vai terminar na quinta-feira com a Disney a fechar com aquilo que os exibidores de todo o mundo mais querem ver: Avengers: Doomsday. Pelo meio, passam a Warner Bros., a Universal e a Amazon MGM. É essencialmente uma semana em que os estúdios mostram o futuro do cinema às pessoas que gerem as salas — e que inevitavelmente vaza para a internet em tempo real.

A Sony tem a apresentação mais longa do evento — dois horas e quinze minutos esta noite —, e o título central é Spider-Man: Brand New Day, que estreia a 31 de Julho e está posicionado como o maior filme de acção real do verão. Dirigido por Destin Daniel Cretton e produzido pela Marvel Studios, o quarto filme de Tom Holland como Peter Parker parte de uma premissa audaciosa: o mundo inteiro se esqueceu da existência de Peter Parker depois do feitiço de Doutor Estranho no final de No Way Home. Sozinho numa Nova Iorque que não sabe o seu nome, Peter enfrenta uma ameaça nova enquanto passa por uma transformação física inesperada. O primeiro trailer, lançado em Março, tornou-se o mais visualizado de sempre num único dia — e a Sony vai esta noite mostrar footage inédito exclusivamente para os exibidores. Sadie Sink está confirmada num papel significativo, e Zendaya regressa com presença reduzida. A Sony vai também actualizar o estado de Spider-Man: Beyond the Spider-Verse, o aguardado terceiro capítulo animado previsto para Junho de 2027.

Amanhã é a vez da Warner Bros., com um cardápio que inclui Supergirl — a estreia de Milly Alcock no papel da prima do Superman, prevista para Junho —, Mortal Kombat II com Karl Urban como Johnny Cage, e clips de Dune: Parte Três, cujos bilhetes IMAX 70mm esgotaram em minutos quando foram colocados à venda a semana passada. A Warner tem também a exibição de Godzilla Minus Zero, a sequela do vencedor do Óscar de Melhores Efeitos Visuais, com o realizador Takashi Yamazaki presente em pessoa na sua estreia no evento.

Quarta-feira traz a Universal, que vai mostrar The Odyssey de Christopher Nolan — previsto para Julho, com Matt Damon como Ulisses, Tom Holland como Telémaco e Anne Hathaway como Penélope. A Focus Features vai apresentar também vários títulos do calendário de outono. À noite, a Amazon MGM — que chegou ao CinemaCon a celebrar o êxito de Project Hail Mary, com 500 milhões de dólares em bilheteiras mundiais — vai muito provavelmente datar o próximo filme de James Bond, embora o nome do novo 007 dificilmente seja revelado. “Estamos em Las Vegas”, brincou o Hollywood Reporter. “Pode acontecer qualquer coisa.”

Quinta-feira é o dia da Disney — e o dia de Avengers: Doomsday. O filme que vai reunir praticamente todo o MCU, com Robert Downey Jr. de regresso como Doutor Destino, está previsto para 18 de Dezembro — na mesma data de Dune 3. Os exibidores esperam footage, um poster, qualquer coisa que confirme que o maior duelo de bilheteiras do ano está mesmo a acontecer. A Disney vai apresentar também Toy Story 5Moana em live-action e The Mandalorian & Grogu, o primeiro filme de Star Wars em salas de cinema em anos.

Esta semana em Las Vegas não é para o público. É para os donos das salas de cinema, que precisam de saber o que vai estar em cartaz nos próximos dois anos para decidir onde investir. Mas o que os estúdios mostrarem vai inevitavelmente circular pela internet — e vai moldar as expectativas do segundo semestre de 2026 de uma forma que nenhuma campanha de marketing consegue replicar.

Justiça nas Ruas, Perigo em Casa: Anónimo T2 Chega ao TVCine Edition

“Que filme extraordinário”: Spielberg e Paul Thomas Anderson conversam sobre One Battle After Another

Ralph Fiennes acredita que o “navio já partiu” para repetir Voldemort na série da HBO, mas sugere Tilda Swinton

Justiça nas Ruas, Perigo em Casa: Anónimo T2 Chega ao TVCine Edition

Se há série europeia que nos faz questionar onde termina a justiça e começa a vingança, essa série é Anónimo. Depois de uma primeira temporada que conquistou público nos Países Baixos e rapidamente se tornou um fenómeno de culto nos canais TVCine, a produção holandesa regressa para uma segunda temporada ainda mais tensa, sombria e perigosa.

Estreia a 14 de abril, às 22h10, no TVCine Edition.

Do anonimato à liderança

Na primeira temporada, acompanhámos Jurre e Saar — um casal comum, aparentemente igual a tantos outros — a tomar decisões extremas para enfrentar o crime organizado. Agora, em Anónimo T2, a luta deixa de ser a dois. O casal assume a liderança de Anónimo, uma rede crescente de cidadãos anónimos (nunca tão bem nomeada) que se recusa a aceitar a impunidade do crime.

Mas o sucesso tem um preço. E quanto maior a visibilidade, maior o alvo nas costas.

O regresso de uma velha ameaça

O grande trunfo narrativo desta nova temporada é o regresso de Chris Cabo, um criminoso movido a vingança. A sua presença coloca Jurre e Saar sob uma pressão implacável — tanto na rua, onde lideram acções cada vez mais arriscadas, como em casa, onde tentam desesperadamente manter uma aparência de normalidade.

É essa dualidade que torna Anónimo tão fascinante. Não é apenas um thriller de ação urbana (ambientado numa Roterdão cinematográfica e contemporânea). É um estudo sobre o desgaste moral de quem decide fazer justiça com as próprias mãos.

Criador e elenco de peso

Criada por Diederik Van Rooijen (um nome de referência no suspense europeu), a série conta com as interpretações intensas de Jeroen Spitzenberger e Anniek Pheifer. Em oito episódios, a segunda temporada aprofunda os conflitos familiares, os dilemas éticos e a linha quase invisível entre herói e fora-da-lei.

Onde e quando ver

  • Estreia: 14 de abril, terça-feira, 22h10
  • Onde: TVCine Edition (e também no TVCine+)
  • Novos episódios: todas as terças-feiras, às 22h10

Se gosta de séries como The Bureau ou Gomorrah, mas sente falta de um olhar europeu mais intimista sobre o crime e a justiça — Anónimo T2 vai segurá-lo no sofá. E não o vai largar.

“Que filme extraordinário”: Spielberg e Paul Thomas Anderson conversam sobre One Battle After Another

No dia da estreia do novo filme de PTA, os dois realizadores sentaram-se para falar da adaptação de Vineland, de Thomas Pynchon, e da forma como a paternidade moldou a visão do cineasta.

O que acontece quando dois dos maiores realizadores da atualidade se sentam para conversar sobre cinema? No caso de Steven Spielberg e Paul Thomas Anderson, o resultado é um raro vislumbre do processo criativo de um dos autores mais venerados da sua geração.

Durante a première de One Battle After Another — o mais recente filme de Anderson, que adapta o romance Vineland (1990), de Thomas Pynchon — Spielberg não poupou elogios ao colega:

“Que filme extraordinário, meu Deus. Há mais ação na primeira hora deste filme do que em todos os outros filmes que já realizaste juntos. Tudo isto é realmente impressionante. É uma mistura de coisas tão bizarras e ao mesmo tempo tão atuais que acredito que se tenham tornado ainda mais relevantes do que quando terminaste o argumento e reuniste o teu elenco e equipa.”

Spielberg perguntou então a Anderson o que o tinha levado a adaptar o livro de Pynchon. A resposta do realizador revela um fascínio antigo e uma relação complicada com o processo de adaptação:

“O cerne da história é fantástico. É um ex-revolucionário que acaba nos bosques a criar uma filha, e o passado vai voltar para o assombrar. Há também um triângulo amoroso semelhante nessa história. E eu adorava aquele livro. Adorava-o tanto que pensei em adaptá-lo. Mas o problema de adorar tanto um livro quando se vai adaptá-lo é que é preciso ser muito mais duro com ele. É preciso não ser suave. Por isso, lutei durante anos para tentar adaptá-lo.”

Anderson revela que o caminho encontrado passou por combinar elementos do livro com outras histórias que foi desenvolvendo:

“Quando tive muitas outras peças, outras histórias, comecei a combiná-las. Mantive as coisas de que mais gostava no livro, e o que mais gostava era a história entre pai e filha. Acho que, mesmo antes de ter filhos, já sentia uma ligação com a forma como aquele pai se sentia em relação à sua filha. E essa ligação só se tornou mais profunda e mais forte à medida que tive filhos e compreendi aquilo sobre que ele estava a escrever dessa maneira.”

O realizador conclui com uma reflexão sobre a liberdade criativa necessária para adaptar uma obra amada:

“Estou a tentar tirar do livro aquilo de que preciso e seguir o meu próprio caminho, deixando que siga direções que parecem querer seguir.”

One Battle After Another promete ser mais um capítulo ousado na filmografia de Paul Thomas Anderson, mantendo a relação com Pynchon — cujas obras são consideradas de difícil adaptação — mas seguindo uma rota pessoal que, segundo Spielberg, resultou num “filme extraordinário” que já nasce como um dos mais comentados do ano.

Steven Spielberg quase realizou um dos melhores filmes de Christopher Nolan

O realizador de Lincoln passou um ano a desenvolver Interstellar, mas o projeto acabou por lhe escapar. Anos mais tarde, o próprio Spielberg admitiu: a versão de Nolan “é muito melhor”.

Grandes filmes de estúdio raramente nascem na forma que o público acaba por ver. Mesmo os êxitos mais associados a um realizador passam anos a ser ajustados e a evoluir nos bastidores, trocando de estúdios, de argumentos e, por vezes, de cineastas antes de as câmaras começarem a rodar. Foi precisamente isso que aconteceu com Interstellar (2014), hoje indissociável de Christopher Nolan, mas que esteve muito perto de ser realizado por Steven Spielberg.

De acordo com uma nova entrevista à revista Empire, o projeto começou em 2006, nas mãos da produtora Lynda Obst e do físico teórico Kip Thorne. Spielberg foi a primeira escolha para realizar. Em 2007, Jonathan Nolan — irmão de Christopher — foi contratado para escrever o primeiro argumento, o que coloca os irmãos Nolan na génese do filme muito antes do que muitos fãs imaginam.

Spielberg terá passado cerca de um ano a desenvolver a épica de ficção científica antes de o projeto lhe escapar. A passagem de testemunho não terá sido resultado de um qualquer rompimento criativo, mas antes de questões de calendário e logística de estúdio. A DreamWorks mudou o seu acordo de distribuição da Paramount — que detinha os direitos de Interstellar — para a Disney em 2009, e a atenção de Spielberg desviou-se para outros filmes, como Lincoln (2012) e War Horse (2011). Com isso, o projeto perdeu o fôlego sob a sua liderança.

Foi então que a porta se abriu para Christopher Nolan. E a transição aconteceu de forma natural: Jonathan Nolan sugeriu o irmão para o lugar. Christopher pegou no argumento de Jonathan e combinou-o com algumas das suas próprias ideias “mal amanhadas” sobre viagens no tempo. É fácil perceber porque é que o material o atraiu. Mesmo na sua forma mais inicial, Interstellar já estava construído à volta do tipo de ficção científica em grande escala que convida à ambição formal.

Nas palavras do próprio Spielberg:

“Eu contratei o Jonah, irmão do Chris Nolan, para escrever o primeiro e o segundo rascunho para mim, mas não pegou. O Jonah disse-me: ‘Se chegar a um ponto em que decidas não fazer este filme, posso dizer-te quem o vai agarrar. Ele já me está a chatear com isso. E esse é o meu irmão Chris.'”

O que torna esta história especialmente interessante é o quão diferente parece ter sido a versão de Spielberg. Os primeiros detalhes do argumento sugerem um filme mais abertamente político, incluindo um elemento de corrida espacial em que a China já teria chegado primeiro às estrelas. Essa abordagem aproximaria o filme de uma ficção científica geopolítica, em vez da versão mais intimista e emocional que chegou às salas.

A relação central também terá mudado significativamente durante o desenvolvimento. A versão de Spielberg terá apostado mais forte no romance entre Cooper (Matthew McConaughey) e Amelia Brand (Anne Hathaway), enquanto o filme final de Nolan colocou o peso emocional no vínculo entre Cooper e a sua filha, Murphy. Essa mudança definiu, em grande medida, o resultado final. Interstellar continua a lidar com ideias cósmicas e teoria densa, mas a sua clareza emocional vem dessa ligação entre pai e filha.

Houve ainda outra grande diferença tonal. A abordagem de Spielberg terá explorado mais o território do primeiro contacto com vida extraterrestre, enquanto Nolan reformulou os misteriosos “outros” como versões futuras da própria humanidade. Essa decisão deu a Interstellar uma forma filosófica muito diferente, mantendo a história focada no tempo, no legado e na sobrevivência, em vez de a transformar numa narrativa mais convencional de encontro com alienígenas.

Spielberg tem sido, desde então, generoso sobre a versão que o público recebeu. Afirmou que o filme é “muito melhor” nas mãos de Nolan do que seria nas suas, e elogiou o resultado final como um clássico moderno da ficção científica.

E embora isto possa ser verdade, é difícil não olhar para as estrelas e imaginar como seria o Interstellar de Steven Spielberg.

Ser “estrela de cinema” é sinónimo de ser mau actor? Talvez estejamos a olhar para eles mal

Há uma ideia feita de que os grandes nomes de Hollywood brilham mais pelo carisma do que pelo talento. Mas será justa? O Clube de Cinema defende o contrário: a maioria das verdadeiras estrelas também são boas — e às vezes excelentes — atrizes e atores.

É comum ouvir-se que os movie stars — aqueles nomes que, por si só, enchem salas e geram expetativa — são, muitas vezes, atores limitados. Que o seu sucesso assenta mais na aura, na imagem ou na sorte do que propriamente na qualidade interpretativa. Mas será esta a realidade ou apenas um preconceito?

Antes de mais, importa definir o que se entende por “estrela de cinema”. Não falamos do ator da moda ou daquele que protagoniza um êxito ocasional. Falamos de figuras maiores do que a vida, supernovas que comandam a atenção, forças carismáticas da natureza cuja presença muitas vezes ofusca os próprios filmes em que participam. São famosas, acima de tudo, por serem quem são.

E, neste lote restrito, a maioria são, na verdade, muito boas atrizes e atores.

Pensemos em nomes como Harrison Ford, Robert Redford, Tom Cruise, Brad Pitt, Leonardo DiCaprio, Nicole Kidman, Tom Hanks, Angelina Jolie, Denzel Washington, George Clooney, Julia Roberts, Charlize Theron, Will Smith, Matt Damon, Robert Downey Jr. ou Jennifer Lawrence. Todas elas pertencem a essa elite. E, sim, umas são melhores do que outras, mas todas são, no mínimo, “boas” no que fazem.

Claro que há exceções. Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone foram dois dos maiores ícones do seu tempo, mas nunca foram particularmente dotados como intérpretes — ainda que Stallone tenha surpreendido pela positiva em Creed (2015), revelando novos registos. Dwayne Johnson herdou o manto dos dois e, embora não vá ganhar um Óscar tão cedo, é tão bom ator quanto o cinema de ação exige que ele seja.

Talvez estas estrelas e o seu talento sejam dados como garantidos. E poucos exemplos ilustram melhor esse descuido do que Tom Cruise.

Ignorem-se os brilhantes, as controvérsias e os acrobacismos impossíveis. Tom Cruise é um ator extraordinário. Sempre foi. Ao longo de uma carreira de três décadas, Cruise provou ser tão bom quanto qualquer outro da sua geração.

Basta percorrer o seu currículo para encontrar atuações de altíssimo nível em praticamente todos os géneros:

  • Drama — Magnolia (1999)
  • Comédia — Tropic Thunder (2008)
  • Ação — Edge of Tomorrow (2014)
  • Ficção Científica — Minority Report (2002)
  • Crime — Collateral (2004)
  • Guerra — Nascido a 4 de Julho (1989)
  • Épico/Época — O Último Samurai (2003)

E no topo de tudo, Jerry Maguire (1996), onde Cruise oferece uma das melhores interpretações de sempre num papel principal. Tom Cruise, o ator, não recebe o crédito que merece. E isso vale para muitas outras estrelas.

Talvez por isso surja a pergunta: “Que estrelas de Hollywood são atrizes ou atores decentes ou mesmo bons?” A resposta, para quem olha com atenção, é simples: quase todas.

Ralph Fiennes acredita que o “navio já partiu” para repetir Voldemort na série da HBO, mas sugere Tilda Swinton

“Acho que ela seria fantástica”, diz o ator britânico, que admite que o tempo para o seu regresso já passou.

Ralph Fiennes, o icónico intérprete de Lord Voldemort na saga cinematográfica Harry Potter, revelou que o “navio já partiu” no que diz respeito a uma possível reprisação do papel na nova série da HBO. Durante uma participação no programa The Claudia Winkleman Show, exibido na sexta-feira à noite, o ator foi questionado sobre os rumores que envolvem a produção e quem poderá dar vida ao Senhor das Trevas na versão televisiva.

“Lembro-me de me terem perguntado, depois de termos filmado toda a série de filmes, se eu reprisaria o papel — e isto foi há alguns anos. Eu disse: ‘Sim, adorava'”, confessou Fiennes. “Mas depois nada aconteceu e acho que esse navio já partiu.”

No entanto, o ator deixou no ar uma sugestão entusiástica: “Mas digo-vos uma coisa: a Tilda Swinton foi mencionada algures como possível candidata, e acho que ela seria fantástica.”

O nome de Swinton tem sido apontado nos círculos de rumor como uma das opções para interpretar Voldemort, ao lado de Cillian Murphy. Contudo, o ator de Oppenheimer e Peaky Blinders já veio desmentir essas especulações.

“Não sei nada disso”, afirmou Murphy no podcast Happy Sad Confused, de Josh Horowitz. “Além disso, é muito difícil seguir qualquer coisa que Ralph Fiennes faça. Ele é uma lenda absoluta da representação, por isso boa sorte para quem quer que vá calçar esses sapatos.”

Curiosamente, Fiennes já tinha manifestado o seu apoio a Murphy para o papel, em dezembro de 2024, durante uma conversa com Andy Cohen no Watch What Happens Live: “O Cillian é um ator fantástico. É uma sugestão maravilhosa. Eu seria totalmente a favor do Cillian. Sim.”

A primeira temporada da série Harry Potter da HBO tem estreia prevista para este Natal, e as expetativas são altíssimas. A nova adaptação promete explorar os livros de J.K. Rowling com maior profundidade narrativa, algo que um formato seriado permite ao contrário da saga de cinema.

Resta agora saber se os fãs verão Tilda Swinton empunhar a varinha de teixo e penas de fénix — ou se o papel ficará para outro nome. Uma coisa é certa: a bênção de Ralph Fiennes já foi dada.

Hunger Games: Sunrise on the Reaping revela primeiras imagens e elenco de luxo

Elle Fanning, Kieran Culkin e Ralph Fiennes lideram a nova prequela da saga, que chega aos cinemas em novembro.

A Lionsgate revelou esta sexta-feira as primeiras imagens de The Hunger Games: Sunrise on the Reaping, o mais recente capítulo da saga baseada nos livros de Suzanne Collins. O teaser, aguardado com enorme expetativa pelos fãs da franquia, confirma um elenco de luxo e promete revisitar o universo distópico de Panem com novas — e velhas — figuras emblemáticas.

Entre os nomes revelados no vídeo estão Elle Fanning como Effie Trinket, Kieran Culkin como Caesar Flickerman, Jesse Plemons como Plutarch Heavensbee, Kelvin Harrison Jr. como Beetee Latier, Ralph Fiennes como o Presidente Coriolanus Snow, Lili Taylor como Mags Flanagan, Joseph Zada como Haymitch Abernathy e Maya Hawke como Wiress.

O realizador Francis Lawrence — que já dirigiu vários títulos da saga — regressa atrás das câmaras, desta vez com um argumento de Billy Ray, adaptado do romance homónimo de Suzanne Collins. O filme chega às salas de cinema a 20 de novembro, consolidando-se como a mais recente adição a uma franquia que ultrapassou os 3,3 mil milhões de dólares em bilheteira mundial.

O elenco inclui ainda Glenn Close, Mckenna Grace, Billy Porter, Ben Wang, Whitney Peak e Iris Apatow, num leque de nomes que promete elevar ainda mais a fasquia da série.

Sunrise on the Reaping decorre na manhã da ceifa para os 50.º Jogos da Fome, 24 anos antes dos eventos do primeiro livro, publicado em 2008. A história centra-se em Haymitch Abernathy (interpretado por Joseph Zada), numa altura em que Panem ainda se ressente das cicatrizes da guerra e o Capitólio reforça o seu domínio.

Em novembro do ano passado, o The Hollywood Reporter avançou que Jennifer Lawrence e Josh Hutcherson vão voltar a interpretar os seus papéis como Katniss Everdeen e Peeta Mellark, respetivamente. A última vez que os dois atores integraram a saga foi em The Hunger Games: Mockingjay — Parte 2 (2015), que terminava com o casal já casado e com filhos. Jennifer Lawrence foi recentemente nomeada para um Globo de Ouro pelo seu papel em Die My Love, enquanto Hutcherson protagonizou Five Nights at Freddy’s 2.

O novo filme é uma sequela direta de The Hunger Games: The Ballad of Songbirds & Snakes (2023), protagonizado por Rachel Zegler, Tom Blyth e Hunter Schafer. A produção fica a cargo de Nina Jacobson e Brad Simpson, da Color Force, com Cameron MacConomy como produtor executivo.

As primeiras reações ao teaser sugerem um tom mais sombrio e maduro, alinhado com o momento político e emocional dos 50.º Jogos da Fome — os chamados “Jogos do Centésimo Massacre”, que na história da saga ficaram conhecidos pelo dobro do número de tributos e por um vencedor inesperado.

Até novembro, que a sorte esteja sempre do vosso lado.