Ser “estrela de cinema” é sinónimo de ser mau actor? Talvez estejamos a olhar para eles mal

Há uma ideia feita de que os grandes nomes de Hollywood brilham mais pelo carisma do que pelo talento. Mas será justa? O Clube de Cinema defende o contrário: a maioria das verdadeiras estrelas também são boas — e às vezes excelentes — atrizes e atores.

É comum ouvir-se que os movie stars — aqueles nomes que, por si só, enchem salas e geram expetativa — são, muitas vezes, atores limitados. Que o seu sucesso assenta mais na aura, na imagem ou na sorte do que propriamente na qualidade interpretativa. Mas será esta a realidade ou apenas um preconceito?

Antes de mais, importa definir o que se entende por “estrela de cinema”. Não falamos do ator da moda ou daquele que protagoniza um êxito ocasional. Falamos de figuras maiores do que a vida, supernovas que comandam a atenção, forças carismáticas da natureza cuja presença muitas vezes ofusca os próprios filmes em que participam. São famosas, acima de tudo, por serem quem são.

E, neste lote restrito, a maioria são, na verdade, muito boas atrizes e atores.

Pensemos em nomes como Harrison Ford, Robert Redford, Tom Cruise, Brad Pitt, Leonardo DiCaprio, Nicole Kidman, Tom Hanks, Angelina Jolie, Denzel Washington, George Clooney, Julia Roberts, Charlize Theron, Will Smith, Matt Damon, Robert Downey Jr. ou Jennifer Lawrence. Todas elas pertencem a essa elite. E, sim, umas são melhores do que outras, mas todas são, no mínimo, “boas” no que fazem.

Claro que há exceções. Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone foram dois dos maiores ícones do seu tempo, mas nunca foram particularmente dotados como intérpretes — ainda que Stallone tenha surpreendido pela positiva em Creed (2015), revelando novos registos. Dwayne Johnson herdou o manto dos dois e, embora não vá ganhar um Óscar tão cedo, é tão bom ator quanto o cinema de ação exige que ele seja.

Talvez estas estrelas e o seu talento sejam dados como garantidos. E poucos exemplos ilustram melhor esse descuido do que Tom Cruise.

Ignorem-se os brilhantes, as controvérsias e os acrobacismos impossíveis. Tom Cruise é um ator extraordinário. Sempre foi. Ao longo de uma carreira de três décadas, Cruise provou ser tão bom quanto qualquer outro da sua geração.

Basta percorrer o seu currículo para encontrar atuações de altíssimo nível em praticamente todos os géneros:

  • Drama — Magnolia (1999)
  • Comédia — Tropic Thunder (2008)
  • Ação — Edge of Tomorrow (2014)
  • Ficção Científica — Minority Report (2002)
  • Crime — Collateral (2004)
  • Guerra — Nascido a 4 de Julho (1989)
  • Épico/Época — O Último Samurai (2003)

E no topo de tudo, Jerry Maguire (1996), onde Cruise oferece uma das melhores interpretações de sempre num papel principal. Tom Cruise, o ator, não recebe o crédito que merece. E isso vale para muitas outras estrelas.

Talvez por isso surja a pergunta: “Que estrelas de Hollywood são atrizes ou atores decentes ou mesmo bons?” A resposta, para quem olha com atenção, é simples: quase todas.

O Último Inverno em Park City: Sundance despede-se da sua casa histórica e do legado de Robert Redford

O festival independente mais influente dos Estados Unidos vive uma edição emotiva, marcada pela mudança de cidade e pela ausência do seu fundador

Sundance Film Festival prepara-se para um adeus carregado de simbolismo. A edição de 2026, que arranca esta semana em Park City, no Utah, será a última a realizar-se nesta pequena cidade de montanha que, durante mais de quatro décadas, se tornou sinónimo de cinema independente norte-americano. Para agravar a carga emocional do momento, é também a primeira edição sem a presença do seu fundador, Robert Redford, falecido em Setembro.

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À superfície, tudo parecerá familiar: estrelas de cinema, filas intermináveis para as sessões, voluntários incansáveis apesar do frio intenso e uma programação que mistura dramas comoventes, comédias inesperadas, thrillers e filmes difíceis de catalogar. No entanto, por detrás dessa normalidade aparente, o festival atravessa um dos períodos de maior transformação da sua história. Em 2027, o Sundance muda-se definitivamente para Boulder, no Colorado, encerrando um capítulo essencial da sua identidade.

Um festival moldado por um legado

Não surpreende que a palavra “legado” atravesse toda a programação desta última edição em Park City. Estão previstas exibições de cópias restauradas de títulos marcantes do passado do festival, como Little Miss SunshineMysterious SkinHouse Party e Humpday, bem como Downhill Racer (1969), o primeiro filme verdadeiramente independente de Robert Redford. O actor e realizador será também homenageado num evento de angariação de fundos do Instituto Sundance, que distinguirá nomes como Chloé Zhao, Ed Harris e Nia DaCosta.

Para muitos cineastas, o Sundance foi mais do que um festival: foi um ponto de viragem. Realizadores como Paul Thomas Anderson, Ryan Coogler ou a própria Zhao viram as suas carreiras ganhar forma graças ao apoio do Instituto. Gregg Araki, presença habitual desde os anos 90, recorda que sem o Sundance “muitos cineastas simplesmente não teriam tido carreira”.

Estrelas, riscos e cinema sem medo

A programação de 2026 mantém a aposta em “grandes riscos” artísticos. Entre os títulos mais aguardados estão The Gallerist, sátira ao mundo da arte protagonizada por Natalie Portman, Carousel, drama romântico com Chris Pine e Jenny Slate, e I Want Your Sex, novo filme provocador de Araki. Olivia Wilde surge tanto à frente como atrás das câmaras, enquanto Alexander Skarsgård e Olivia Colman protagonizam Wicker. A presença de Charli XCX, em vários projectos, reforça a ligação do festival à cultura pop contemporânea.

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No campo documental, o Sundance volta a afirmar-se como espaço de reflexão urgente, com filmes sobre figuras públicas, direitos humanos, conflitos internacionais e injustiças históricas, mantendo a tradição de lançar obras que frequentemente chegam aos Óscares.

O fim de um lugar, não de uma ideia

Entre os habituais encontros na Main Street e as salas emblemáticas como o Egyptian Theatre, sente-se uma melancolia inevitável. Muitos participantes admitem que Park City já não comportava a dimensão do festival, mas isso não torna a despedida menos emotiva. Como recorda Gregg Araki, “os lugares mudam, mas a identidade do Sundance sobrevive”.

O festival pode abandonar Park City, mas a sua missão — dar voz ao cinema independente — segue intacta. O último inverno nesta cidade será, acima de tudo, uma celebração de tudo o que ali nasceu.

Festival de Sundance 2025: Um Panorama Diversificado do Cinema Independente

O Festival de Cinema de Sundance, uma das celebrações mais importantes do cinema independente mundial, está prestes a regressar com uma programação rica e diversificada. Entre os dias 23 de janeiro e 2 de fevereiro de 2025, Park City e Salt Lake City, no estado norte-americano do Utah, acolherão esta edição que promete combinar o brilho das estrelas de Hollywood com o talento emergente de cineastas de todo o mundo.

Uma Programação Repleta de Estrelas e Narrativas Inovadoras

A edição de 2025 trará nomes consagrados como Lily Gladstone, Benedict Cumberbatch e Melanie Griffith, que irão partilhar os holofotes com realizadores estreantes e obras de cinema independente de 33 países. Ao todo, o festival apresentará 87 longas-metragens, sendo que mais de 40% são assinadas por realizadores a estrear-se neste formato.

Entre os destaques da categoria de longas-metragens, encontra-se “The Thing with Feathers” (“A Coisa com Penas”, em tradução literal), protagonizado por Benedict Cumberbatch. O filme britânico explora a jornada emocional de um jovem pai a lidar com a perda súbita da esposa. Lily Gladstone, aclamada pelo seu desempenho em “Assassinos da Lua das Flores”, marcará presença em “The Wedding Banquet”, uma história que combina questões de imigração e fertilidade num contexto de casamentos por conveniência. Já Melanie Griffith protagoniza “By Design”, uma narrativa surreal sobre uma mulher que troca de corpo com uma cadeira, levantando questões sobre identidade e aceitação.

Documentários Que Provocam Reflexão

O festival não se limita à ficção, destacando também documentários inovadores que abordam temas sociais prementes. Entre eles, “The Perfect Neighbour” investiga como uma disputa de bairro na Flórida escalou para violência mortal, explorando as consequências da controversa lei de autodefesa “stand your ground”. Já “Predators” analisa a história de um programa televisivo que atraía abusadores de crianças para armadilhas, expondo os dilemas éticos envolvidos.

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Compromisso com o Cinema Independente

Robert Redford, fundador do Sundance Institute, reforçou o compromisso do festival em dar palco a narrativas únicas e urgentes. “O público pode esperar um programa para 2025 que apresente produções cinematográficas variadas e vibrantes de todo o mundo”, afirmou. Esta diversidade reflete-se não apenas nos temas abordados, mas também nas vozes representadas, com realizadores de diferentes origens culturais e artísticas.

Kim Yutani, diretora de programação do festival, destacou ainda que os filmes deste ano convidam o público a confrontar questões críticas do nosso tempo. “Como sempre, estamos entusiasmados por apresentar ao público novas vozes, juntamente com novos trabalhos de nomes conhecidos. Os filmes deste ano prometem desafiar, divertir e comover profundamente”, acrescentou.

Um Festival Imperdível para os Amantes de Cinema

O Festival de Sundance continua a ser uma plataforma essencial para cineastas independentes, oferecendo uma experiência cinematográfica que vai além do entretenimento. Com uma programação eclética e um foco no inesperado, a edição de 2025 promete reafirmar a sua relevância no panorama do cinema mundial.