O Coachella tem uma forma de revelar quem é cada artista quando lhes é dado o palco maior do mundo e a liberdade total de decidir o que fazer com ele. O primeiro fim-de-semana de 2026 — realizado entre sexta e domingo no Empire Polo Club em Indio, na Califórnia — deu exactamente isso a três artistas muito diferentes, e os três escolheram de formas que ninguém esquecerá tão depressa.
Sabrina Carpenter fez a promessa há dois anos. Em 2024, quando actuou no festival como apoio de outra artista, disse à multidão: “Até à próxima quando eu cabecear.” Na sexta-feira à noite, cumpriu — com uma exuberância que transformou o palco principal numa versão delirante de Hollywood. O cenário era “Sabrinawood”: um letreiro gigante com o nome da cantora iluminou o deserto californiano enquanto ela atravessou 20 músicas num concerto de quase duas horas que incluiu cameos de Susan Sarandon, Will Ferrell e Samuel L. Jackson. Sarandon surgiu a meio do concerto num carro antigo para declamar um monólogo de sete minutos como uma versão mais velha de Carpenter — a Variety chamou-lhe “bizarro”, as redes sociais chamaram-lhe “icónico.” São descrições que não se excluem. Carpenter é, de longe, a artista pop mais inventiva e mais consciente da sua própria mitologia da sua geração — e o Coachella 2026 foi a confirmação em formato épico.

Justin Bieber escolheu o exacto oposto. O regresso do cantor canadiano ao palco — o seu concerto de maior dimensão em anos, depois de um período de saúde mental difícil e de um hiato prolongado — foi deliberadamente despojado. Palco quase vazio, sem dançarinos, sem efeitos especiais, sem mudanças de roupa. Apenas Bieber, um halfpipe metálico que servia de estrutura de palco e, ocasionalmente, dois guitarristas e quatro convidados especiais: Tems, Wizkid, Dijon e The Kid Laroi. A audiência dividiu-se em tempo real: metade da internet elogiou a coragem de colocar a voz em primeiro plano sem adornos; a outra metade ficou desapontada com a ausência de espectáculo. “Uau, estar aqui tão perto de vocês é especial”, disse Bieber à multidão. Quem estava presente descreveu um concerto de uma intimidade que raramente se encontra num palco desta dimensão.

Karol G encerrou o domingo — e a história. A cantora colombiana tornou-se a primeira artista latina a cabecear o Coachella nos seus 25 anos de existência, fechando um fim-de-semana em que a América Latina marcou presença como nunca antes no festival. O concerto foi o oposto do de Bieber: alta energia, produção elaborada, coreografias precisas, e convidadas surpresa que incluíram Becky G. “Latina Foreva”, cantou Karol G para uma multidão que claramente concordava. A representação importa — e o Coachella finalmente reconheceu isso.
O segundo fim-de-semana do festival realiza-se de 17 a 19 de Abril, com os mesmos headliners a repetir os seus concertos. Para quem não esteve no deserto, os três concertos estiveram disponíveis em directo no YouTube — em quatro câmaras simultâneas e de graça.
