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Projecto Global Chega aos Cinemas Quinta-Feira — Ivo M. Ferreira Revisita as FP-25 com Jani Zhao e Gonçalo Waddington

Há um momento nos anos 80 portugueses que o cinema nunca quis verdadeiramente olhar de frente. As Forças Populares 25 de Abril — grupo armado de extrema-esquerda que entre 1980 e 1987 perpetrou dezenas de atentados, assaltos a bancos e atentados a figuras políticas e empresariais — existem na memória colectiva do país como uma ferida mal encerrada, um episódio incómodo numa democracia jovem que preferia acreditar que os excessos da revolução tinham ficado para trás. Projecto Global, o novo filme de Ivo M. Ferreira, chega aos cinemas na quinta-feira, 23 de Abril, e recusa esse conforto.

Descrita como uma das maiores produções de sempre do cinema português, a longa-metragem passa-se numa Lisboa dos anos 80 onde a euforia do 25 de Abril já se dissipou e o país atravessa uma crise profunda: fábricas fecham, trabalhadores erguem barricadas, a política domina cada esquina. É neste ambiente de sonhos adiados e ideais em colapso que surgem as FP-25 — e é a vida clandestina dos seus membros que o filme acompanha: os assaltos a bancos, os atentados, a amizade, o amor, a perda gradual de identidade de quem abandona tudo e todos excepto os companheiros de causa. Em paralelo, um inspector da polícia que os persegue enfrenta o seu próprio dilema moral. É, nas palavras do próprio realizador, um filme sobre “um sonho de igualdade do qual se é forçado a acordar, e da dificuldade em aceitar a derrota quando as ideias colidem com a realidade, feita de compromissos, interesses, mesquinhez e abdicações.”

O elenco reúne Jani Zhao, Rodrigo Tomás, José Pimentão, Isac Graça, Ivo Canelas e Gonçalo Waddington — um conjunto de actores que cobre gerações diferentes do cinema português e que promete, a julgar pela sinopse, um filme de ensemble no sentido mais exigente do termo. Ivo M. Ferreira, realizador de Cartas da Guerra (2016) — o filme baseado nas cartas de António Lobo Antunes que ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme, o maior prémio do cinema português —, regressa com um projecto de ambição histórica e política claramente maior do que qualquer coisa que fez antes.

Para assinalar a estreia, Ivo M. Ferreira e Jani Zhao vão percorrer várias salas ao longo da primeira semana com sessões especiais seguidas de conversa com o público. A primeira realiza-se na própria quinta-feira à noite, no Cinema Ideal em Lisboa, às 21h15. Ainda no mesmo dia, às 19h00, será apresentado no mesmo espaço o livro As FP-25 e o Pós-Revolução — Normalização e Violência Política, do historiador Francisco Bairrão Ruivo — trabalho de investigação histórica que esteve na base do filme —, com a presença do autor, do realizador e do escritor e jornalista Rui Cardoso Martins.

O calendário de sessões especiais estende-se até 29 de Abril e inclui o Cinema Ideal, o Cinema Fernando Lopes, os Cinemas Charlot em Setúbal, o Cinema Nimas, a Casa do Cinema em Coimbra e os Cinemas NOS Amoreiras. A sessão de 25 de Abril — data evidentemente não escolhida por acaso — realiza-se tanto nos Cinemas Charlot em Setúbal às 16h00 como no Cinema Fernando Lopes em Lisboa às 21h30. É difícil não notar que o filme sobre o que aconteceu depois do 25 de Abril estreia precisamente na semana em que Portugal celebra o que o tornou possível e o que a seguir correu mal.

Projecto Global tem distribuição pela NOS Audiovisuais e chega aos cinemas com 141 minutos de duração — tempo que sugere que Ferreira não quis simplificar nem apressar. O filme dura o que tem de durar.

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