CinemaCon 2026: O que Ficou Desta Semana Além do Trailer dos Vingadores

O CinemaCon terminou na quinta-feira em Las Vegas com quatro dias de apresentações que raramente foram tão densas em informação — e tão carregadas de subtext sobre o estado da indústria. Avengers: Doomsday dominou as conversas, como seria expectável. Mas havia outras histórias a acontecer em simultâneo, e algumas delas são mais importantes para o cinema de longo prazo do que qualquer trailer.

A Warner Bros. abriu um novo selo indie — e a primeira aquisição é Sean Baker

A revelação mais surpreendente da apresentação da Warner na terça-feira não foi Supergirl nem Mortal Kombat II nem o primeiro olhar a Practical Magic 2 com Nicole Kidman e Sandra Bullock reunidas. Foi o anúncio do Warner Bros. Clockwork, um novo selo de cinema independente criado para distribuir filmes de autor que não se encaixam no calendário de blockbusters. E a primeira aquisição do Clockwork é Ti Amo! — o novo filme de Sean Baker, o realizador de Anora, que ganhou a Palma de Ouro e o Óscar de Melhor Filme em 2025. Baker está, neste momento, no pico da sua relevância artística e comercial, e o facto de a Warner ter ido buscá-lo para inaugurar este selo diz tudo sobre a ambição do projecto.

A Paramount prometeu 30 filmes por ano — e ninguém sabe bem o que isso significa

David Ellison, o CEO da Paramount Skydance, subiu ao palco na quinta-feira para fazer aquilo que a Warner se recusou a fazer na terça: falar sobre a fusão Paramount-WBD. Ellison prometeu que a empresa combinada vai lançar até 30 filmes por ano em salas de cinema quando a fusão for finalizada — um número que os exibidores aplaudiram mas que os analistas receberam com cepticismo calculado. O Cinema United aproveitou o CinemaCon para avisar publicamente sobre os riscos de concentração de poder que a fusão representa. Por enquanto, a Paramount trouxe Johnny Depp a apresentar o novo Ebenezer: A Christmas Carol de Tim West e Billie Eilish a promover o seu filme-concerto com James Cameron — dois títulos que coexistem de forma estranha mas confirmam que Ellison quer tanto o prestígio como o populismo.

A Disney revelou que vai fazer o seu próprio IMAX

O anúncio mais estrategicamente importante da semana passou quase despercebido no meio do entusiasmo com Doomsday: a Disney está a lançar o “Infinity Vision”, o seu próprio programa de certificação de ecrãs premium, para competir directamente com o IMAX. Significa que a Disney vai deixar de depender de acordos externos para garantir ecrãs de grande formato nas suas estreias — uma independência que tem implicações enormes para a forma como os filmes da Marvel, Star Wars e Pixar vão ser distribuídos nos próximos anos. Para os cinemas portugueses que têm ecrãs certificados IMAX, é uma notícia que merece atenção: a oferta de formatos premium vai diversificar-se, e as salas vão ter de decidir em quais apostam.

O resto do cardápio: de Ridley Scott a Top Gun 3

A Universal mostrou The Odyssey de Christopher Nolan — Matt Damon como Ulisses, Tom Holland como Telémaco, Anne Hathaway como Penélope —, e Minions & Monsters, o novo capítulo da franchise com vozes de Christoph Waltz e Jeff Bridges. A Paramount confirmou que Top Gun 3 está em desenvolvimento com Tom Cruise — sem data, sem elenco confirmado, mas suficientemente real para gerar aplausos. A Disney revelou Hexed, animação de Acção de Graças com Hailee Steinfeld e Rashida Jones. E o Toy Story 5 estreia a 19 de Junho — logo a seguir a The Mandalorian & Grogu a 22 de Maio, o primeiro filme de Star Wars em salas em anos. A 20th Century apresentou o primeiro trailer de The Dog Stars, o novo filme de Ridley Scott.

O que o CinemaCon 2026 confirmou, no fundo, é que o cinema de sala está a recuperar com uma velocidade que surpreendeu os mais pessimistas. O box office já está 20% acima do mesmo período do ano passado. Os estúdios estão a comprometer-se com janelas de exibição mais longas. E há filmes suficientemente grandes no calendário — de Spider-Man: Brand New Day em Julho a Avengers: Doomsday em Dezembro — para fazer de 2026 um dos anos mais movimentados da última década nas salas de cinema.

Beef T2 Estreou — 87% nos Críticos, Mas o Público Está Mais Frio

A segunda temporada de Beef chegou à Netflix na quarta-feira com aquilo que toda a gente esperava e ao mesmo tempo temia: é boa. Muito boa, em alguns momentos. Mas não é a primeira temporada. E essa frase — “não é a primeira temporada” — vai perseguir esta série durante semanas, porque a primeira temporada de Beef tinha 98% no Rotten Tomatoes e era, por qualquer medida razoável, uma das melhores séries da última década.

Os oito episódios com Oscar Isaac, Carey Mulligan, Cailee Spaeny e Charles Melton estrearam no mercado com 87% de aprovação crítica — uma nota que qualquer outra série receberia como triunfo mas que, no contexto de Beef, inevitavelmente parece uma descida. O público foi ainda mais cauteloso: 62% de aprovação na mesma plataforma, um fosso de 25 pontos entre críticos e espectadores que raramente augura bem para o fenómeno cultural que a primeira temporada representou.

O que os críticos elogiaram é consistente: Oscar Isaac como Josh Martín — o director-geral do country club que explode de formas que o ator deixa rip com uma liberdade física e emocional que raramente se vê neste tipo de papel — é a performance da temporada. Carey Mulligan como a mulher exausta que já não consegue manter as aparências é, como sempre, extraordinária. E a premissa — dois casais de classes e gerações diferentes a competirem pela aprovação de uma milionária asiática (Youn Yuh-jung, que faz exactamente o que a série precisava) — tem uma arquitectura de comédia de costumes que a Slate descreveu como “White Lotus encontra Bong Joon-ho”, o que é simultaneamente uma comparação justa e uma forma de dizer que o destino é bom mas o caminho é às vezes tortuoso.

O que os críticos e o público assinalaram com reservas é a escala. A primeira temporada tinha dois personagens, uma premissa simples e uma economia narrativa que fazia de cada episódio um mecanismo de precisão. A segunda temporada tem quatro protagonistas, uma conspiração crescente e uma ambição que o ScreenRant chamou de “falta de coesão em contraste com o storytelling mais apertado do antecessor.” A NPR foi mais gentil — “menos raro mas ainda bem passado” — mas chegou essencialmente à mesma conclusão: Lee Sung Jin quis fazer algo maior, e às vezes o maior funciona, e às vezes perde-se o fio.

O que é inegável é que a série mantém o que a tornou original: o humor ácido, a capacidade de fazer personagens comportarem-se da pior maneira possível de formas que são ao mesmo tempo horríveis e completamente compreensíveis, e a recusa em julgar os seus protagonistas mais do que o necessário. Beef continua a ser sobre raiva — sobre o que fazemos com ela, sobre de onde vem, sobre o custo de a deixar acumular sem examiná-la. A segunda temporada muda o cenário e o elenco mas não a pergunta central. E essa pergunta continua a ser boa o suficiente para valer oito episódios.

A questão que fica no ar é se Beef vai conseguir repetir o impacto cultural de 2023 — a série que toda a gente viu num fim-de-semana e sobre a qual toda a gente tinha opinião na segunda-feira. Os números iniciais vão dizer muito. Por agora, o que existe é uma boa série com um elenco extraordinário que carrega o peso de uma primeira temporada quase perfeita. Não é pouca coisa.

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Doctor Doom Apanhou o Mjolnir a Mão Nua — e o MCU Voltou a Fazer Barulho

Há momentos em que uma sala de cinema para completamente. Na quinta-feira à noite, no Dolby Colosseum do Caesars Palace em Las Vegas, foi quando Doctor Doom estendeu a mão e apanhou o martelo de Thor sem fazer esforço. A sala de exibidores — pessoas que viram tudo, que aplaudem com educação profissional e raramente se deixam levar — explodiu. Robert Downey Jr., que tinha entrado em palco ao som dos Rolling Stones com “Sympathy for the Devil”, sorriu. E o MCU, que nos últimos dois anos andava a recuperar fôlego depois de uma fase irregular, confirmou que está de volta em força.

O primeiro trailer completo de Avengers: Doomsday — previsto para 18 de Dezembro de 2026 — foi exibido em exclusivo no CinemaCon na quinta-feira, com Robert Downey Jr. e Chris Evans em palco a apresentá-lo. Não foi lançado publicamente após o evento, ao contrário do que acontece habitualmente. A Disney quis que o primeiro contacto do mundo com o trailer fosse nos cinemas — e os teasers anteriores, que totalizaram mil milhões de visualizações combinadas, serviram exactamente para construir essa expectativa.

O que o trailer mostrou foi, por qualquer medida, impressionante. Doctor Doom — interpretado por Downey Jr. com máscara metálica e um sotaque vagamente da Europa de Leste que ele próprio descreveu como “três moves à frente de toda a gente” — surge a preparar uma invasão do multiverso enquanto os heróis do MCU tentam perceber com o que estão a lidar. Thor (Chris Hemsworth) avisa os companheiros que vão precisar de um milagre. Patrick Stewart aparece como Professor Xavier a olhar pela janela da X-Mansion enquanto uma luz intensa anuncia o perigo. Gambit de Channing Tatum e Shang-Chi lutam lado a lado. Mystique (Rebecca Romijn) transforma-se em Yelena Belova, gerando um combate Florence Pugh contra Florence Pugh que a internet vai consumir durante semanas. E então Doom apanha o Mjolnir. Com a mão nua.

Chris Evans, que entrou em palco como surpresa, disse apenas: “Este tipo — não gosto.” É exactamente o tipo de linha que Evans sabe entregar e que a audiência recebe como gasolina. Joe Russo, que co-dirige o filme com o irmão Anthony a partir de um argumento de Michael Waldron e Stephen McFeely, descreveu Doom como “não simplesmente um vilão — uma das personagens mais complexas da Marvel. Está sempre três jogadas à frente.” Kevin Feige, presidente da Marvel Studios, disse que Doomsday retoma onde Endgame ficou — e que a apresentação dos Vingadores aos X-Men é algo que tem estado a trabalhar desde que a Disney adquiriu os direitos da Fox.

Há uma questão logística que o trailer também resolveu silenciosamente. As especulações sobre se Avengers: Doomsday mudaria a data de estreia de 18 de Dezembro — porque os ecrãs IMAX estão comprometidos com Dune: Parte Três durante três semanas — desapareceram quando a Disney anunciou o seu próprio formato premium, “Infinity Vision”, que vai competir directamente com o IMAX. O programa certifica ecrãs em todo o mundo com padrões equivalentes, dando à Disney independência para garantir estreias em grande formato sem depender de acordos externos. É uma jogada de longo prazo que vai muito além de Doomsday — é a Disney a construir a sua própria infraestrutura de exibição premium.

O trailer ainda não foi lançado publicamente no momento em que este artigo é escrito. Quando sair — e vai sair em breve, porque a Disney não resiste à pressão das redes sociais —, vai ser o evento de marketing do ano. Não é exagero dizer que Avengers: Doomsday tem o potencial de ser o maior filme de 2026. Os Russos, Downey Jr., Evans, Stewart, Tatum como Gambit — é uma reunião que seria impossível há cinco anos e que agora parece inevitável.

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