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Juíza trava fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery: o que está em jogo

Alternativa: “Justiça dos EUA suspende por duas semanas negócio de 111 mil milhões de dólares entre Paramount e Warner Bros. Discovery”

Uma juíza federal dos Estados Unidos travou, esta segunda-feira, a fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery (WBD), num revés temporário mas significativo para uma das maiores operações de consolidação da história recente de Hollywood.

A juíza Araceli Martínez-Olguín, do tribunal distrital dos EUA, emitiu uma ordem restritiva temporária que suspende o negócio por duas semanas, na sequência de uma ação judicial movida por uma coligação de 12 procuradores-gerais estaduais, liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta. A ordem proíbe explicitamente as duas empresas de “fechar ou consumar a transação” ou de dar qualquer passo, direto ou indireto, para integrar ou consolidar as suas operações enquanto o processo estiver em curso.

Na decisão, a juíza escreveu que os procuradores-gerais “apresentam provas convincentes de que a empresa resultante da fusão terá uma quota de mercado substancial no mercado de distribuição teatral de grande lançamento” — e que essa quota de mercado, por si só, é suficiente para presumir que a fusão viola provavelmente a lei antitrust norte-americana.

O calendário aponta agora para 3 de agosto, data marcada para uma audiência que decidirá se a suspensão temporária se transforma numa liminar preliminar. Se isso acontecer, o negócio pode ficar congelado durante meses, atrasando os planos da Paramount, já fundida com a Skydance, para absorver o espólio da Warner Bros. — que inclui estúdios históricos, a HBO, a DC e um catálogo de streaming entre os mais valiosos do mercado.

Para lá da mecânica jurídica, o caso interessa a quem segue cinema por uma razão simples: junta debaixo do mesmo teto dois dos maiores distribuidores de cinema em sala dos Estados Unidos, numa altura em que a concentração do mercado de distribuição teatral já preocupa reguladores. Uma fusão aprovada sem condições reduziria de imediato o número de grandes estúdios independentes entre si, com efeitos previsíveis sobre calendários de estreia, negociação com exibidores e, a prazo, sobre a diversidade de oferta que chega às salas fora dos EUA, incluindo Portugal.

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