João Botelho leva “As Meninas Exemplares” ao Pico para abrir a 13ª edição do Montanha Pico Festival

O Montanha Pico Festival já tem filme de abertura para a sua 13ª edição, marcada para janeiro de 2027: “As Meninas Exemplares”, de João Botelho, que se desloca em pessoa até à montanha mais alta de Portugal para apresentar a obra na sexta-feira, 8 de janeiro, no Auditório da Madalena.

É uma escolha que pesa. Depois de 34 filmes produzidos ao longo da carreira, Botelho decidiu acompanhar esta última obra pelas salas do país, e o Pico entra assim na rota pessoal de um dos realizadores mais consistentes do cinema português das últimas décadas. “As Meninas Exemplares” adapta o clássico infanto-juvenil da escritora russa Condessa de Ségur e presta, em simultâneo, homenagem à artista Paula Rego — uma dupla referência que já rendeu ao filme dois Prémios Sophia (Melhor Figurino e Melhor Maquilhagem e Cabelos) e mais quatro nomeações, incluindo Fotografia, Argumento Adaptado e Direção Artística. O elenco reúne Rita Durão, Crista Alfaiate, Catarina Wallenstein, Margarida Marinho, Leonor Silveira, Rita Blanco e Victoria Guerra, entre outros nomes incontornáveis do cinema nacional.

Organizada pela MiratecArts, esta edição assinala também os 15 anos de programação cultural da associação na ilha, e junta ao festival, pela primeira vez, o programa bienal do Encontro Audiovisual Açoriano e os Prémios Audiovisuais Açorianos (PAA). “Esta é uma edição especial”, resume o diretor artístico Terry Costa, que enquadra ainda a programação nas comemorações dos 600 anos dos Açores, promovidas pela Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, com eventos pensados também para a diáspora açoriana espalhada pelo mundo.

A noite de abertura reserva ainda uma novidade de formato: pela primeira vez na história do festival, a sessão inaugural será dupla, juntando duas longas-metragens num só programa. Os restantes filmes e sessões de curtas-metragens serão anunciados mensalmente até à abertura, com os títulos em competição de temática ou cenário de montanha, além das produções açorianas, a ser revelados a 11 de dezembro, no Dia Mundial da Montanha.

O Montanha Pico Festival decorre entre 8 e 15 de janeiro, com sessões diárias na Biblioteca Auditório da Madalena, no Auditório Municipal das Lajes do Pico e no Auditório do Museu dos Baleeiros. A ilha do Pico é servida pelo aeroporto PIX, com ligações da SATA Azores Airlines.

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Cine Atlântico: A Redescoberta dos “Verdes Anos” e do Cinema Contemporâneo nos Açores

O Cine Atlântico, na ilha Terceira, Açores, está a preparar-se para uma viagem cinematográfica ao passado e ao presente, celebrando o cinema português de diferentes épocas. Com o objetivo de revisitar os “verdes anos” do cinema nacional e de conectar essas obras com o cinema contemporâneo, a nona edição da mostra de cinema vai decorrer em dois fins de semana especiais, de 13 a 15 de outubro e de 18 a 20 de outubro.

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Neste evento, os cinéfilos terão a oportunidade de assistir a cinco filmes icónicos das décadas de 1960 e 1970, incluindo obras marcantes como Os Verdes Anos (1963), de Paulo Rocha, Belarmino (1964), de Fernando Lopes, e Domingo à Tarde (1966), de António de Macedo. Estes filmes, muitas vezes considerados o início de uma nova era no cinema português, ajudam a compreender o contexto cultural e social da altura, em particular a migração rural-urbana e as mudanças políticas que culminaram no 25 de Abril de 1974.

O presidente do Cine-Clube da Ilha Terceira, Jorge Paulus Bruno, destacou a importância de revisitar estes filmes, que são um “embrião” do cinema português contemporâneo. Segundo ele, é fundamental para o público dos dias de hoje conhecer as raízes cinematográficas do país, que se libertou das “amarras folclóricas” do Estado Novo e abriu portas a um novo conceito de cinema.

A mostra não se fica pelo passado. No segundo fim de semana, a atenção volta-se para o cinema contemporâneo, com a exibição de obras recentes como Grand Tour, de Miguel Gomes, e A Sibila, de Eduardo Brito. A presença do realizador Luís Filipe Rocha, que será homenageado tanto pelo seu filme clássico A Fuga (1976) como pela sua obra recente O Teu Rosto Será o Último (2024), promete ser um dos pontos altos do evento.

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O Cine Atlântico reafirma, assim, o seu compromisso com a literacia cinematográfica e com a promoção do cinema português, atraindo tanto os amantes da sétima arte como novos curiosos. Este é um evento que celebra a liberdade, a criatividade e a contínua evolução do cinema português.