TIFF 2026: Almodóvar, Chris Rock e o biopic de Stallone lideram primeira leva de Toronto

Alternativa: “Festival de Toronto anuncia 64 filmes para a 51ª edição, com abertura da Apple e nova feira de mercado”

O Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) revelou esta segunda-feira a primeira leva de filmes da sua 51ª edição, que decorre entre 10 e 20 de setembro. O festival mantém-se como um dos primeiros grandes testes públicos da temporada de prémios, e a lista agora conhecida confirma o padrão dos últimos anos: menos dependência do streaming puro e um regresso visível a nomes de autor.

A cerimónia de abertura, a 10 de setembro no Roy Thomson Hall, é reservada a “Being Heumann”, produção da Apple Original Films realizada por Siân Heder, a mesma cineasta de “CODA”. O filme é uma adaptação baseada em factos reais, e a escolha da Apple para abrir o festival sinaliza a aposta continuada do streamer em conteúdo de prestígio com potencial de prémios.

Nas secções Gala e Special Presentations, o TIFF anunciou 64 títulos, 32 dos quais estreias mundiais. Entre os nomes confirmados está Peter Farrelly, que traz “I Play Rocky”, biopic sobre Sylvester Stallone, ao lado de realizadores como Anton Corbijn, John Madden e Chris Rock. Consta também da lista “Misty Green”, outra estreia mundial ainda envolta em mistério quanto a elenco e sinopse.

A componente internacional do line-up é onde o festival mais aposta este ano: assinam presença Pedro Almodóvar, Danny Boyle, Lee Chang-dong, Jesse Eisenberg, Gael García Bernal, Ryûsuke Hamaguchi, Hirokazu Kore-eda, Mike Leigh, Cristian Mungiu, Rodrigo Sorogoyen, Florian Zeller e Andrey Zvyagintsev, entre outros, com obras vindas de quase 30 países. Para o público cinéfilo, é a lista mais reveladora: confirma que Toronto continua a servir de ponte entre os festivais europeus de verão (Cannes, Veneza) e a temporada de prémios americana no outono.

O festival estreia também este ano o TIFF: The Market, uma nova plataforma de indústria que decorre entre 10 e 16 de setembro no Metro Toronto Convention Centre, pensada para compra, venda e financiamento de projetos de cinema e televisão — sinal de como os festivais A-list estão a reforçar o seu papel comercial, para além do tapete vermelho.

A programação completa, incluindo as secções Platform e Discovery, deverá ser anunciada nas próximas semanas.

Train Dreams: Joel Edgerton e Felicity Jones Numa História de Amor, Solidão e Progresso Industrial 🌲🚂

O novo filme da Netflix adapta a aclamada novela de Denis Johnson e promete uma das interpretações mais intensas de Edgerton

A Netflix divulgou o trailer completo de Train Dreams, o novo drama histórico protagonizado por Joel Edgerton e Felicity Jones, que chega aos cinemas a 7 de novembro antes de estrear em streaming a 21 de novembro.

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O filme, realizado e escrito por Clint Bentley (Jockey), teve estreia no Festival de Sundance e foi também exibido no Festival de Toronto, onde foi recebido com grande entusiasmo pela crítica, destacando-se pela sua melancolia e beleza visual.

🚂 Viver à beira do progresso

Inspirado na novela homónima de Denis Johnson (publicada em 2011), Train Dreams segue Robert Grainier (Joel Edgerton), um lenhador do início do século XX que tenta equilibrar a luta pela sobrevivência com a vida familiar num momento em que o mundo muda a uma velocidade vertiginosa.

Entre o avanço das linhas férreas e a promessa do progresso, Grainier enfrenta as consequências de uma existência marcada pelo isolamento, pela perda e por uma relação profunda com a natureza selvagem do noroeste dos Estados Unidos.

A certa altura do trailer, Felicity Jones — que interpreta a esposa de Grainier — pergunta-lhe:

“Não pensei que voltasses tão cedo.”

Ao que ele responde:

“Não consegui parar de andar até chegar aqui.”

Uma frase simples, mas que define o tom contemplativo e emocional do filme.

🌲 Um épico íntimo sobre o homem comum

Train Dreams é, nas palavras do crítico David Rooney, do The Hollywood Reporter,

“Um retrato elegíaco de um trabalhador itinerante do início do século XX, onde o peso acumulado de todos os momentos banais da vida é o verdadeiro tema do filme.”

Rooney acrescenta que esta poderá ser a melhor interpretação da carreira de Joel Edgerton, que encontra em Grainier um homem dividido entre o dever e o sonho, entre a natureza e o avanço implacável da modernidade.

🎬 Uma equipa criativa em ascensão

O argumento foi escrito por Clint Bentley em colaboração com Greg Kwedar, com quem já tinha trabalhado em Sing Sing, filme que lhes valeu uma nomeação ao Óscar.

No elenco, juntam-se ainda Kerry Condon (The Banshees of Inisherin) e William H. Macy, completando um conjunto de intérpretes de peso num filme que promete misturar realismo poético e cinema de época.

A produção é assinada por Marissa McMahon, Teddy Schwarzman, Will Janowitz, Ashley Schlaifer e Michael Heimler, com Edgerton e Kwedar também a assumir funções de produção executiva.

🕯️ A poesia das pequenas vidas

Mais do que um retrato histórico, Train Dreams é um filme sobre o tempo e a fragilidade humana, sobre o peso das pequenas escolhas que definem uma vida comum.

Com fotografia naturalista, ritmo meditativo e uma banda sonora melancólica, o filme evoca o espírito dos grandes dramas americanos de Terrence Malick e Kelly Reichardt — onde o silêncio, a paisagem e o gesto simples contam mais do que as palavras.

📅 Nos cinemas: 7 de novembro

📺 Na Netflix: 21 de novembro

Prepare-se para uma das obras mais belas e introspectivas do ano — um conto de poeira, madeira e amor perdido que mostra que até os homens mais silenciosos têm histórias que ecoam como o apito distante de um comboio.

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