Há um momento no novo trailer de Spider-Noir em que Nicolas Cage, envolto na penumbra da Nova Iorque dos anos 30, murmura qualquer coisa sobre os impulsos que tenta suprimir — na maior parte do tempo. O que se segue é uma pancadaria num bar, uma teia disparada entre arranha-céus e a confirmação de que este pode ser o projecto mais estranho e mais interessante do universo Marvel em anos. O trailer foi lançado ontem, 25 de Abril, durante um painel da CCXP México, em duas versões — a preto-e-branco e a cores completas — e o efeito imediato é difícil de ignorar.
Spider-Noir estreia a 27 de Maio na Prime Video, em todo o mundo incluindo Portugal, com os oito episódios disponíveis de uma só vez. Nos Estados Unidos, o primeiro episódio é lançado dois dias antes, a 25 de Maio, no canal linear MGM+. A série é produzida pela Sony Pictures Television exclusivamente para as duas plataformas.
O que o trailer deixa finalmente claro é a lógica narrativa da série: Ben Reilly — e não Peter Parker, por razões que os criadores prometem explicar — é um detetive particular envelhecido e com dinheiros contados na Nova Iorque de 1930, que foi outrora o único super-herói da cidade antes de uma tragédia pessoal o afastar do papel. Quando Cat Hardy, interpretada por Li Jun Li, lhe bate à porta à procura de um amigo desaparecido, Reilly é forçado a regressar ao que foi. Os vilões em cena incluem Silvermane (Brendan Gleeson), Sandman (Jack Huston) e Tombstone (Abraham Popoola), e o trailer mostra-os em dose suficiente para perceber que a série não vai ser leve em termos de ameaças.
A equipa criativa é tudo menos aleatória. Os realizadores Phil Lord e Christopher Miller — os mesmos por trás de Spider-Man: Into the Spider-Verse — estão na produção executiva, ao lado de Amy Pascal. Os showrunners são Oren Uziel e Steve Lightfoot, conhecido do universo Marvel pela série The Punisher. Os dois primeiros episódios foram dirigidos por Harry Bradbeer, o realizador responsável por Fleabag e Killing Eve, o que explica a atenção evidente ao detalhe visual e à textura emocional do que se viu até agora. Lord e Miller descreveram Ben Reilly como alguém com o seu “momento de Chinatown já consumado”, um detetive que perdeu as ilusões antes de a série começar — o que, no fundo, é a premissa perfeita para o noir clássico.
A dupla de versões — preto-e-branco “autêntico” e cores saturadas ao estilo Technicolor — é uma das apostas mais ousadas da série. Cage comparou a versão colorida ao quadro Nighthawks de Edward Hopper; do lado da crítica especializada, a Esquire já sugeriu que cada versão oferece uma experiência distinta, com a versão a cores mais próxima de Dick Tracy e a preto-e-branco mais sombria, à Raymond Chandler. A ideia de um único produto disponível em dois registos visuais completamente diferentes não tem precedentes em televisão mainstream — e pode ser precisamente o tipo de conversa que Spider-Noir precisa de gerar antes de chegar às plataformas.
Cage, que emprestou a voz ao personagem no Into the Spider-Verse de 2018, assume aqui o primeiro papel principal numa série de televisão de toda a sua carreira. O showrunner Uziel revelou que o actor assistiu à temporada completa e reagiu com entusiasmo às suas próprias falas — o que, conhecendo Cage, provavelmente quer dizer exactamente o que parece. Spider-Noir chega a 27 de Maio. Um mês é pouco tempo para uma espera tão longa.
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