“Ink”: Guy Pearce transforma-se em Rupert Murdoch no novo filme de Danny Boyle, estreado ontem em Veneza

“Ink”, o novo filme de Danny Boyle, teve a sua estreia mundial ontem, dia 2 de setembro, como filme de abertura, fora de competição, do Festival de Veneza, antes de chegar aos cinemas em exibição limitada a 11 de dezembro e à Netflix, nos Estados Unidos e na América Latina, a 8 de janeiro. O filme reconstrói um dos capítulos mais decisivos da carreira de Rupert Murdoch: o momento, em 1969, em que o magnata australiano adquiriu o jornal britânico The Sun, então em declínio, e o transformou, ao lado do editor Larry Lamb, num dos tabloides mais influentes e mais provocadores da história da imprensa britânica.

Guy Pearce interpreta Murdoch, uma escolha de casting que gerou considerável curiosidade mediática nas últimas semanas, sobretudo depois de o próprio ator ter revelado, em declarações recentes à imprensa, que o verdadeiro Rupert Murdoch, hoje com mais de noventa anos, estaria “muito feliz” com a forma como foi escolhido para o representar. Jack O’Connell interpreta Larry Lamb, o editor que Murdoch recruta para reinventar o jornal, enquanto Claire Foy dá corpo a Jules Davies, uma personagem que a produção descreve como uma amálgama das várias mulheres executivas que, na vida real, trabalharam no The Sun durante esta fase de transformação editorial radical.

O argumento é assinado por James Graham, que adapta a sua própria peça de teatro homónima, estreada em 2017 em Londres e depois na Broadway, e que rendeu ao ator Bertie Carvel os prémios Olivier e Tony pela interpretação de Murdoch no palco. Trazer “Ink” para o cinema, sob a realização de Danny Boyle, um dos nomes mais versáteis e mais premiados do cinema britânico contemporâneo, representa uma escala de produção muito superior à do espetáculo teatral original, permitindo reconstruir com maior amplitude visual a Londres do final dos anos 60 e o ambiente febril das redações que definiram a chamada “era de ouro” do tabloide britânico.

A escolha de “Ink” para abrir o Festival de Veneza, numa noite que ficou também marcada pela entrega do Leão de Ouro de carreira a George Clooney, confirma a ambição do festival italiano em reunir, logo na sessão inaugural, um elenco de peso internacional: além dos protagonistas, o tapete vermelho contou ainda com a presença de nomes como Werner Herzog, Laura Dern, Zazie Beetz, Jonathan Bailey e Nicholas Galitzine, entre outros convidados de destaque.

Para quem acompanha com interesse a forma como o cinema tem vindo a retratar a ascensão dos grandes impérios mediáticos contemporâneos, “Ink” promete ser um dos títulos mais discutidos da temporada de outono, muito antes sequer de chegar às salas de cinema.

Fall 2: Deadpoint” estreia hoje — o regresso ao vertigem depois do sucesso surpresa de “Fall”

“Fall 2: Deadpoint” estreia hoje, 2 de setembro, nos Estados Unidos, pela mão dos irmãos Michael e Peter Spierig, dando continuidade a “Fall” (2022), o thriller de sobrevivência em grande altitude que se tornou um pequeno fenómeno de bilheteira ao arrecadar muito mais do que o seu orçamento modesto alguma vez sugeria, apoiado quase inteiramente na tensão física e no vertigem genuíno que conseguiu provocar em audiências de todo o mundo.

Desta vez, a ação muda de cenário: depois da morte de Shiloh Hunter, protagonista do primeiro filme, a sua irmã Jax aceita um desafio proposto por Luce, a amiga destemida de Shiloh, como forma de homenagear a memória da irmã. As duas viajam até à Tailândia para conquistar uma travessia traiçoeira sobre uma prancha estreita no Monte Kwan, um desafio que se transforma em pesadelo quando um deslizamento de rochas súbito as deixa presas a uma altura aterradora de quase mil metros, obrigando-as a ultrapassar os seus próprios limites físicos e psicológicos para conseguirem sobreviver.

Ao elenco liderado por Harriet Slater e Arsema Thomas juntam-se ainda Tom Brittney e Virginia Gardner, mantendo a fórmula que tornou o primeiro filme popular: um elenco relativamente pouco conhecido do grande público, o que reforça a sensação de vulnerabilidade e imprevisibilidade que este tipo de thriller de sobrevivência precisa para funcionar plenamente, sem a familiaridade de estrelas consagradas a diluir a tensão genuína da situação.

Os irmãos Spierig, realizadores australianos com um histórico que inclui títulos de género tão distintos como “Daybreakers” e “Winchester”, têm-se destacado precisamente por essa capacidade de construir tensão sustentada a partir de premissas simples e altamente específicas, uma abordagem que já tinha funcionado notavelmente bem no primeiro “Fall”, um filme que, apesar de um lançamento relativamente discreto, conseguiu construir um público fiel através do boca-a-boca e de uma segunda vida particularmente forte em streaming.

“Fall 2: Deadpoint” chega, assim, com expectativas moderadas mas genuínas: repetir a fórmula que funcionou tão bem da primeira vez, desta vez com uma escala geográfica mais ambiciosa e, presumivelmente, ainda mais momentos concebidos especificamente para testar a tolerância do espectador à vertigem, mesmo estando confortavelmente sentado numa sala escura.

Tim Curry, o inesquecível Frank-N-Furter e Pennywise, morre aos 80 anos

Tim Curry, o ator britânico que se tornou um dos rostos mais reconhecíveis e mais versáteis do cinema de género das últimas cinco décadas, morreu aos 80 anos, a 26 de agosto, na sua casa em Toluca Lake, Califórnia. A morte foi confirmada pela sua representante de longa data, Marcia Hurwitz, que descreveu um falecimento pacífico, sem que uma causa específica tenha sido divulgada. Curry vivia com sequelas de um AVC grave sofrido em 2012, que o tinha afastado gradualmente dos palcos e dos ecrãs, sem nunca deixar de trabalhar por completo.

Bilheteira do fim de semana: Spider-Man continua líder, mas o verdadeiro triunfo é “Coyote vs. Acme”

Curry ficará para sempre associado ao papel de Dr. Frank-N-Furter, o cientista alienígena travestido que protagoniza “The Rocky Horror Picture Show” (1975), uma interpretação que se tornou, ao longo de cinco décadas, um dos maiores ícones camp da história do cinema, sustentando ainda hoje sessões de meia-noite e comunidades de fãs fervorosas em todo o mundo. Foi esse papel, mais do que qualquer outro, que definiu a carreira de Curry aos olhos do grande público, mas está longe de resumir a amplitude do seu trabalho.

Ao longo da carreira, Curry interpretou também Pennywise, o palhaço metamorfo nascido da imaginação de Stephen King, na minissérie televisiva “It” (1990), uma interpretação que aterrorizou uma geração inteira de espectadores e que continua a ser, para muitos, a referência definitiva do género antes do remake cinematográfico de 2017. No registo cómico, deu vida a Wadsworth, o mordomo enigmático de “Clue” (1985), e ao vilão Senhor das Trevas em “Legend” (1985), ao lado de um Tom Cruise ainda no início da carreira, além do papel do inquieto concierge de hotel em “Sozinho em Casa 2: Perdido em Nova Iorque” (1992), memoravelmente enganado pelo jovem protagonista da saga.

5 Estreias Desta Semana (um filme feito só com moradores reais de um bairro de Lisboa)

Para além do cinema em ação real, Curry construiu uma das carreiras de dobragem mais prolíficas de Hollywood, com a sua voz teatral e inconfundível a marcar centenas de séries animadas, audiolivros e videojogos ao longo de décadas, incluindo participações em “The Wild Thornberrys” e “The Mighty Ducks”, além de um Daytime Emmy conquistado pela interpretação do Capitão Gancho na série animada “Peter Pan and the Pirates”. Nos palcos da Broadway, Curry recebeu três nomeações para o Tony, por “Amadeus”, “My Favorite Year” e “Monty Python’s Spamalot”, confirmando uma versatilidade que atravessou praticamente todos os formatos de interpretação disponíveis a um ator da sua geração.

Festival de Veneza abre hoje com Leão de Ouro de carreira para George Clooney

Poucos atores conseguiram deixar tantas marcas distintas na cultura popular como Tim Curry, e mesmo depois do AVC de 2012, continuou a somar conquistas, mais recentemente também como escritor. Fica a memória de um intérprete que soube ser, em igual medida, assustador e hilariante, sedutor e grotesco, muitas vezes dentro da mesma personagem.

Bilheteira do fim de semana: Spider-Man continua líder, mas o verdadeiro triunfo é “Coyote vs. Acme”

“Spider-Man: Brand New Day” manteve-se no topo da bilheteira norte-americana pela quinta semana consecutiva, arrecadando 22,5 milhões de dólares entre 28 e 30 de agosto e aproximando-se agora dos 900 milhões de dólares acumulados em território doméstico, um total que já lhe permitiu ultrapassar marcos históricos como o de “Titanic”, confirmando o estatuto do filme como um dos fenómenos de bilheteira mais duradouros do ano.

5 Estreias Desta Semana (um filme feito só com moradores reais de um bairro de Lisboa)

Mas o verdadeiro destaque deste fim de semana pertence a “Coyote vs. Acme”, que estreou em segundo lugar com 15,9 milhões de dólares domésticos, um resultado que, por si só, já seria notável, mas que ganha uma dimensão completamente diferente à luz da história atribulada do próprio filme. Concluído em 2023, “Coyote vs. Acme” foi cancelado nesse mesmo ano pela Warner Bros. Discovery, que optou por arquivar o filme já terminado como forma de benefício fiscal, avaliado então em cerca de 30 milhões de dólares, uma decisão que gerou um protesto público generalizado por parte de cineastas, críticos e fãs, indignados com a ideia de um filme completo ser destinado ao esquecimento por puras razões contabilísticas. Depois de meses de pressão pública, a Warner Bros. colocou os direitos à venda, e a Ketchup Entertainment adquiriu a distribuição mundial por cerca de 50 milhões de dólares, um investimento que se revelou plenamente justificado: com uma pontuação de 95% no Rotten Tomatoes e uma nota máxima A no CinemaScore, “Coyote vs. Acme” quadruplicou o recorde de estreia anterior da própria distribuidora, um resultado histórico para a Ketchup Entertainment.

Festival de Veneza abre hoje com Leão de Ouro de carreira para George Clooney

Em terceiro lugar ficou “The Odyssey”, de Christopher Nolan, com 14,35 milhões de dólares, ainda em exibição semanas depois da estreia, seguido por “Insidious: Out of the Further”, em quarto, com 10,2 milhões. Já “The Dog Stars”, o mais recente filme de Ridley Scott, fechou o top 5 com apenas 7,71 milhões de dólares, um resultado modesto que reflete diretamente a receção crítica pouco entusiástica que o filme tem reunido desde a estreia, com apenas 39% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Peter Cullen, a voz de Optimus Prime durante quatro décadas, morre aos 85 anos

Este fim de semana resume bem o momento particular que a bilheteira norte-americana atravessa em 2026: ao lado de fenómenos consolidados como “Spider-Man”, há espaço para histórias improváveis de resgate e redenção, como a de “Coyote vs. Acme”, num ano em que o público parece disposto a recompensar tanto blockbusters testados como narrativas com uma boa dose de simpatia por trás.

5 Estreias Desta Semana (um filme feito só com moradores reais de um bairro de Lisboa)

Chegam esta quinta-feira aos cinemas portugueses cinco novas estreias, lideradas por “A Qualquer Custo”, thriller com Mark Wahlberg e Yahya Abdul-Mateen II. A semana traz também “O Jacaré”, rodado no bairro da Reboleira, em Lisboa, com moradores reais em vez de atores profissionais, e o regresso tardio de Angelina Jolie às salas portuguesas em “Couture”, já com um ano de circuito internacional.

A Qualquer Custo (By Any Means)

Thriller histórico realizado por Elegance Bratton, com Mark Wahlberg no papel de um matador da máfia forçado a aliar-se a um jovem agente do FBI, interpretado por Yahya Abdul-Mateen II, para investigar o assassinato de líderes dos direitos civis no Mississippi de 1966. O elenco inclui ainda Giancarlo Esposito e David Strathairn. Distribuído pela Cinemundo.

Ataque Implacável (Onslaught)

Filme de ação e terror realizado por Adam Wingard, com Adria Arjona no papel de uma mãe que tenta proteger a família de um esquadrão de supersoldados geneticamente modificados. Dan Stevens interpreta o antagonista Hans Kammler, e o atual campeão dos meio-pesados da UFC, Alex Pereira, faz a sua estreia como ator no papel de “O Carniceiro”. Produção da A24, distribuída em Portugal pela NOS Audiovisuais.

Couture

Drama realizado por Alice Winocour, com Angelina Jolie no papel de uma realizadora de cinema diagnosticada com cancro da mama durante a Semana da Moda de Paris, cujo caminho se cruza com os de uma modelo sul-sudanesa e uma maquilhadora francesa. O elenco inclui ainda Ella Rumpf e Louis Garrel. O filme estreou em festivais em setembro de 2025 e já passou pelas salas de França e dos Estados Unidos antes de chegar a Portugal. Distribuído pela NOS Audiovisuais.

Cartas Amarelas (Yellow Letters)

Drama político realizado por İlker Çatak, sucessor do aclamado “A Sala dos Professores”, nomeado para o Óscar. Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2026, o primeiro filme alemão a conquistar o prémio máximo em vinte e dois anos. Acompanha um casal turco que perde os empregos por motivos políticos e é forçado a refugiar-se em Istambul. Distribuído pela Alambique, com 128 minutos de duração.

O Jacaré

Drama realizado pelo cineasta suíço-português Basil da Cunha, filmado no bairro da Reboleira, em Lisboa, com atores não profissionais da comunidade local. Segue a história de 180 mil euros escondidos e a onda de rumores e desconfiança que essa quantia desencadeia no bairro. Estreou no Festival de Locarno 2026 e encerra aquilo que o realizador descreve como uma trilogia sobre a Reboleira. Distribuído pela Nitrato Filmes.

Festival de Veneza abre hoje com Leão de Ouro de carreira para George Clooney

O Festival de Veneza abre oficialmente hoje, dia 2 de setembro, numa cerimónia marcada pela entrega do Leão de Ouro de carreira a George Clooney, um dos momentos mais aguardados de toda a edição. É Laura Dern quem sobe ao palco para fazer a laudatio, o discurso de homenagem que antecede a entrega do prémio, numa noite que promete emoção genuína para um ator com uma relação de longa data com o festival italiano.

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Alberto Barbera, diretor artístico de Veneza, justificou a escolha de Clooney em termos elogiosos: “Na sua tripla condição de ator, realizador e produtor, George Clooney é um artista completo e carismático, apaixonado e original, que transformou uma vocação profunda numa das parábolas mais luminosas do cinema contemporâneo.” Para além do reconhecimento estritamente cinematográfico, a organização do festival destacou também o compromisso de Clooney com causas sociais e humanitárias ao longo da sua carreira, um fator que pesou na decisão de o distinguir este ano.

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O próprio Clooney reagiu à notícia do prémio com o habitual sentido de humor que lhe é reconhecido: “Já tive tantos momentos extraordinários em Veneza. Este festival é, sem qualquer dúvida, o meu preferido, e receber o Leão de Ouro é uma honra tremenda”, declarou, acrescentando ainda, com ironia: “Também provavelmente significa que estou velho, mas aceito.” A frase resume bem a relação afetuosa e duradoura entre o ator e o festival italiano, que já o recebeu por diversas vezes ao longo da carreira, tanto como intérprete como realizador.

A cerimónia de abertura coincide com a estreia mundial, em competição, de “Ink”, o novo filme de Danny Boyle sobre a ascensão de Rupert Murdoch e do tabloide britânico The Sun, protagonizado por Jack O’Connell, Guy Pearce e Claire Foy. O filme, já adquirido pela Netflix para distribuição nos Estados Unidos e na América Latina, deverá reunir grande parte das atenções mediáticas desta noite de abertura, ao lado da própria homenagem a Clooney.

Peter Cullen, a voz de Optimus Prime durante quatro décadas, morre aos 85 anos

Com este Leão de Ouro, Veneza junta-se a uma longa lista de instituições que já reconheceram o percurso de Clooney ao longo de mais de três décadas de carreira, um trajeto que atravessa desde papéis icónicos em televisão e cinema comercial até um percurso sólido enquanto realizador de filmes com forte pendor político e social. Fica agora o resto do festival, que se prolonga até 12 de setembro, para se afirmar à altura desta noite de abertura.

Peter Cullen, a voz de Optimus Prime durante quatro décadas, morre aos 85 anos

Peter Cullen, o ator norte-americano que emprestou a sua voz grave e autoritária a Optimus Prime, o lendário líder dos Autobots da franquia “Transformers”, morreu aos 85 anos, a 26 de agosto, em sua casa em Los Angeles, rodeado pela família, segundo confirmaram representantes do ator à imprensa norte-americana. A causa da morte não foi divulgada.

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Cullen originou a voz de Optimus Prime em 1984, na série animada original “The Transformers”, e manteve-se associado à personagem ao longo de mais de quatro décadas, atravessando praticamente todas as reencarnações da franquia: séries animadas, videojogos e, já no novo milénio, a saga de filmes de ação real realizada por Michael Bay, que transformou os Transformers num dos fenómenos de bilheteira mais lucrativos da história recente do cinema de ação. Essa longevidade tornou Cullen, ao longo dos anos, praticamente indissociável da própria personagem, ao ponto de a sua voz ter passado a ser, para gerações de fãs em todo o mundo, a definição sonora daquilo que significa liderança heroica dentro do universo dos Transformers.

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Para além de Optimus Prime, Cullen construiu uma carreira notavelmente prolífica na dobragem, prestando a sua voz a outra personagem de temperamento radicalmente oposto, mas igualmente icónica: o Bourrique, o burro melancólico de “Winnie the Pooh”, um contraste que, por si só, ilustra bem a versatilidade vocal do ator ao longo de décadas de trabalho. O seu currículo inclui ainda contribuições vocais para produções tão distintas como “King Kong”, os Mogwai da saga “Gremlins” e o icónico Predador, um percurso que atravessa praticamente todos os géneros do cinema de género e da animação americana das últimas décadas.

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A morte de Cullen chega numa altura em que a franquia “Transformers” continua a expandir-se ativamente nos cinemas e nas plataformas de streaming, com novos filmes e séries a manterem viva a mitologia que ele ajudou a construir com a sua própria voz desde o início. Para muitos fãs que cresceram a ver “The Transformers” nos anos 80, ou os filmes de Michael Bay já no novo milénio, a voz de Peter Cullen era, simplesmente, a voz de Optimus Prime, um caso raro em que um ator de dobragem se tornou tão indissociável de uma personagem que se torna difícil imaginar qualquer outra voz no papel.

“Christy: A Força de Uma Campeã”: Sydney Sweeney transformada em campeã de boxe, agora no NOS Studios

O NOS Studios estreia, no sábado, 19 de setembro, às 21h15, “Christy: A Força de Uma Campeã”, o biopic realizado por David Michôd sobre a vida de Christy Martin, a pugilista que se tornou, ao longo da década de 1990, a boxeadora mais reconhecível dos Estados Unidos. O filme tinha estreado mundialmente no Festival de Toronto de 2025, chegando às salas de cinema norte-americanas em novembro do mesmo ano, um percurso relativamente recente que faz desta estreia televisiva uma das mais atuais do mês.

TVCine e MOTELX celebram 20 anos de parceria, com destaque para um filme de terror rodado em Sintra

A história segue a ascensão de Christy Martin, nascida numa pequena cidade mineira da Virgínia Ocidental, desde os primeiros combates amadores até se tornar, ao longo dos anos 90, um dos rostos mais visíveis do boxe feminino norte-americano, numa altura em que a modalidade lutava ainda por reconhecimento e visibilidade num desporto historicamente dominado por homens. Mas o filme não se fica pelo triunfo desportivo: acompanha também a face mais sombria da vida de Martin, incluindo a homofobia que enfrentou ao longo da carreira, um casamento profundamente abusivo com o seu treinador, Jim Martin, interpretado por Ben Foster, e a tentativa de homicídio de que foi vítima às mãos do próprio marido em 2010, um episódio real que se tornou amplamente conhecido e que o filme recria com considerável intensidade dramática.

A interpretação de Sydney Sweeney tem sido, isoladamente, o elemento mais elogiado por toda a crítica internacional desde a estreia em Toronto: descrita por vários críticos como “uma força a reckoning com”, a atriz submeteu-se a uma transformação física notória para o papel, entregando aquilo que a generalidade da imprensa especializada considerou a interpretação mais distante de tudo o que tinha feito até então na carreira. O filme reúne, aliás, 98% de aprovação do público no agregador Rotten Tomatoes, uma pontuação excecionalmente alta que reflete bem o impacto emocional que a história consegue gerar junto de quem a vê.

Ainda assim, vale notar que a receção não foi uniformemente entusiástica: parte da crítica apontou alguma falta de coesão tonal ao longo do filme, e “Christy” acabou por ser, comercialmente, um dos resultados mais dececionantes da temporada de outono de 2025 nos Estados Unidos, ficando também surpreendentemente ausente da temporada de prémios que se seguiu, apesar do género biográfico desportivo ser, historicamente, um dos caminhos mais seguros para o reconhecimento da Academia. Foi uma ausência que surpreendeu vários observadores da indústria, dado o consenso quase unânime em torno da qualidade da interpretação central.

“Bem Bom” chega ao NOS Studios: a história das Doce revisitada, cinco anos depois da estreia nos cinemas

Para quem gosta de biopics desportivos com uma dimensão emocional mais dura do que o habitual, “Christy” oferece exatamente isso: uma história de resiliência que não poupa o espectador aos aspetos mais difíceis da vida da sua protagonista, dentro e fora do ringue.

TVCine e MOTELX celebram 20 anos de parceria, com destaque para um filme de terror rodado em Sintra

Os Canais TVCine voltam a associar-se ao MOTELX, Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, numa parceria que este ano ganha um significado especial: o festival celebra 20 anos de existência, e a TVCine assinala a efeméride com ativações de marca ao longo de todo o evento e programação especial dedicada, tanto no TVCine Action como no serviço de streaming TVCine+.

Candidaturas aos Prémios Audiovisuais Açorianos encerram a 1 de outubro

Entre 27 de agosto e 13 de setembro, o TVCine+ apresenta as “Escolhas do MOTELX”, uma seleção de 17 títulos do catálogo do serviço, curada diretamente pelos programadores do festival. A lista reúne nomes incontornáveis da história do cinema de terror e de género: John Carpenter, George A. Romero, Luis Buñuel, Ari Aster, Sam Raimi, Roman Polanski e James Cameron são apenas alguns dos realizadores representados nesta curadoria, que combina clássicos absolutos com títulos de culto mais recentes, entre eles “Midsommar, O Ritual”, “Cuckoo”, “O Projecto Blair Witch” ou o clássico surrealista de Buñuel, “Um Cão Andaluz”.

Realizadores de “Amigos Improváveis” vêm a Lisboa para antestreia de “Só Uma Ilusão” no Jardim da Estrela

Já na noite de 3 de setembro, precisamente a data de arranque oficial do MOTELX, o TVCine Action apresenta uma sessão dupla dedicada a dois títulos que já passaram pelo festival em edições anteriores: “Family Dinner”, um thriller psicológico austríaco sobre uma adolescente que suspeita de algo profundamente errado durante férias em casa da tia, e “Belo, Escuro e Profundo”, uma produção luso-americana com um detalhe particularmente interessante para o público português, apesar de retratar um parque natural algures nos Estados Unidos, o filme foi na realidade rodado em Sintra.

Realizado por Teresa Sutherland, na sua estreia a solo na realização de longas-metragens, “Belo, Escuro e Profundo” (“Lovely, Dark, and Deep”, no título original) segue Lennon, uma nova guarda florestal que aceita a colocação numa região remota e isolada, precisamente a área onde múltiplas pessoas desapareceram misteriosamente ao longo dos anos, incluindo alguém com quem Lennon tem uma ligação profundamente pessoal. O filme estreou em 2023 no festival Fantasia, antes de chegar aos cinemas norte-americanos em 2024, e conta com Georgina Campbell no papel principal, atriz britânica que se tornou um dos rostos mais reconhecíveis do terror contemporâneo depois do sucesso de “Barbarian”.

Andrew Garfield lidera uma rebelião popular contra a tirania em “A Revolta”, de Paul Greengrass

Esta parceria entre a TVCine e o MOTELX não é recente: ao longo dos anos, os dois lados têm consolidado uma relação que reforça a aposta continuada dos canais no cinema de terror e de género, uma escolha editorial que se tem mostrado particularmente rentável junto de um público fiel e cada vez mais alargado. Entre clássicos, curiosidades, produções de culto e, agora, uma curiosidade nacional como “Belo, Escuro e Profundo”, a programação especial garante que o espírito do MOTELX chega também a quem prefere ficar em casa, longe do Cinema São Jorge, mas sem abdicar de uma boa dose de terror.

“Bem Bom” chega ao NOS Studios: a história das Doce revisitada, cinco anos depois da estreia nos cinemas

“Bem Bom” chega ao NOS Studios: a história das Doce revisitada, cinco anos depois da estreia nos cinemas

O NOS Studios estreia, no sábado, 26 de setembro, às 21h15, “Bem Bom”, o drama português realizado por Patrícia Sequeira que reconta a ascensão das Doce, a banda pop feminina que, na viragem para a década de 1980, se tornou um dos maiores fenómenos populares da música portuguesa. Embora surja agora com o rótulo de “estreia” no canal, o filme não é propriamente novo: chegou originalmente às salas de cinema portuguesas em julho de 2021, depois de um adiamento forçado pela pandemia, que empurrou a estreia inicialmente prevista para novembro de 2020.

A história acompanha a formação e a ascensão meteórica das Doce, um grupo composto por quatro jovens que, em plena ditadura primeiro e depois em plena Revolução, desafiaram convenções sociais rígidas para se tornarem num fenómeno de popularidade sem precedentes em Portugal, marcando indelevelmente a cultura popular nacional numa época de profunda transformação política e social. Segundo a própria realizadora, Patrícia Sequeira, o percurso das Doce ajudou a mudar mentalidades num Portugal que ainda engatinhava na sua relação com a liberdade de expressão, sobretudo no que toca à imagem e à autonomia de mulheres jovens no espaço público.

O elenco reúne Bárbara Branco no papel de Fátima “Fá” Padinha e Lia Carvalho no papel de Teresa Miguel, duas das vozes mais reconhecíveis da formação original das Doce, ao lado de Carolina Carvalho e Ana Marta Ferreira a completar o quarteto. O argumento é assinado por Filipa Martins e Cucha Carvalheiro, com consultoria histórica de Helena Matos, um cuidado que se reflete sobretudo na recriação minuciosa do guarda-roupa e da maquilhagem que se tornaram parte central da identidade visual do grupo.

A receção crítica ao filme, na altura da estreia nos cinemas, ficou dividida: por um lado, a entrega das atrizes principais foi amplamente elogiada, com vários críticos a destacar o dinamismo e a credibilidade que Branco e Carvalho conseguiram emprestar às suas personagens, além do cuidado visual na recriação de época. Por outro, alguns críticos apontaram limitações de produção, sobretudo na repetição visual das cenas musicais, sempre filmadas no mesmo tipo de palco, o que retirava alguma da variedade que a carreira real das Doce teria justificado num tratamento cinematográfico mais ambicioso em termos de escala.

Independentemente das reservas críticas, “Bem Bom” continua a ser um dos raros exemplos recentes de cinema português a debruçar-se sobre um fenómeno de cultura pop nacional com este nível de reconhecimento popular, e a sua chegada ao NOS Studios garante uma nova oportunidade para quem perdeu a estreia em sala, ou simplesmente quer reviver a banda sonora que embalou uma geração inteira de portugueses.

“Ted Lasso” está de volta ao ativo, e a quarta temporada divide críticos e públicos

Andrew Garfield lidera uma rebelião popular contra a tirania em “A Revolta”, de Paul Greengrass

Realizadores de “Amigos Improváveis” vêm a Lisboa para antestreia de “Só Uma Ilusão” no Jardim da Estrela

Andrew Garfield lidera uma rebelião popular contra a tirania em “A Revolta”, de Paul Greengrass

“A Revolta” estreia nas salas de cinema portuguesas a 17 de setembro, trazendo Andrew Garfield ao centro de um dos episódios mais violentos e mais decisivos da história medieval inglesa. Escrito, realizado e produzido por Paul Greengrass, o nomeado para o Óscar de Melhor Realizador por “Capitão Phillips” e responsável também por títulos como a trilogia “Jason Bourne” e “Domingo Sangrento”, o filme chega com distribuição da NOS Audiovisuais e uma ambição clara: recriar, com o estilo visceral e imersivo que tornou Greengrass um dos realizadores mais reconhecíveis do cinema histórico e político contemporâneo, a Revolta dos Camponeses de 1381.

A ação decorre numa Inglaterra devastada: depois de a Peste Negra ter dizimado metade da população do país, o luto, o medo e o descontentamento social tomam conta dos sobreviventes. Quando a coroa decide impor um novo imposto sobre a população mais pobre, para financiar guerras no estrangeiro, a insatisfação transforma-se rapidamente numa rebelião de escala sem precedentes, levando dezenas de milhares de pessoas a marchar sobre Londres em nome da justiça e da liberdade, naquela que ficaria registada na História como a primeira grande revolta popular inglesa.

Andrew Garfield interpreta o Lavrador, um agricultor comum que perdeu toda a família e que, movido por essa dor, acaba por se tornar o rosto simbólico de um movimento que rapidamente lhe escapa ao controlo. Vale sublinhar um pormenor relevante que distingue este filme de uma simples biografia histórica: o Lavrador de Garfield é uma personagem fictícia, criada especificamente para o filme, distinta do verdadeiro Wat Tyler, o líder histórico da revolta de 1381, interpretado no filme por Cosmo Jarvis. É uma escolha narrativa que permite a Greengrass construir um protagonista mais universal, um “homem comum” que qualquer espectador pode reconhecer, sem ficar preso à biografia factual do verdadeiro Tyler, ainda que este continue presente na história como personagem à parte.

À medida que o movimento cresce e os rebeldes tomam Londres, o jovem rei Ricardo II vê-se forçado a decidir o destino do seu reino, enquanto o país mergulha numa espiral de violência cada vez mais difícil de conter. Ao lado de Andrew Garfield e Cosmo Jarvis, o elenco reúne ainda Jamie Bell, Stephen Dillane, Tom Hollander, Thomasin McKenzie, Jonny Lee Miller, Woody Norman, Stanley Townsend, Katherine Waterston e Sky Yang, um naipe de atores britânicos que reforça bem a ambição de escala desta produção.

Curiosamente, “A Revolta” chega às salas depois de um processo de desenvolvimento algo acidentado: o projeto já foi anunciado sob diferentes títulos ao longo dos anos, incluindo “The Hood”, numa fase em que chegou a estar associado a Benedict Cumberbatch, e mais tarde “The Rage”, antes de se fixar como “The Uprising” no título original. Nas semanas que antecederam a estreia internacional, a distribuidora chegou ainda a apostar brevemente numa campanha de marketing sob o mote “A Ascensão de Robin dos Bosques”, uma escolha que gerou alguma confusão entre fãs à espera de um filme mais fiel à revolta histórica do que a uma origem lendária do herói de Sherwood, sinal de como mesmo produções desta escala continuam a negociar, até ao último momento, a forma como se vendem ao público.

Ao revisitar este episódio da Idade Média inglesa, Greengrass procura, segundo a própria produção, estabelecer paralelos diretos com o mundo contemporâneo, explorando temas como a desigualdade, a desconfiança nas instituições e a luta por justiça, questões que, seiscentos e quarenta e cinco anos depois da revolta original, continuam incomodamente atuais.

Realizadores de “Amigos Improváveis” vêm a Lisboa para antestreia de “Só Uma Ilusão” no Jardim da Estrela

Candidaturas aos Prémios Audiovisuais Açorianos encerram a 1 de outubro

Realizadores de “Amigos Improváveis” vêm a Lisboa para antestreia de “Só Uma Ilusão” no Jardim da Estrela

O Jardim da Estrela recebe, no dia 10 de setembro, uma antestreia ao ar livre fora do comum: a de “Só Uma Ilusão”, o novo filme de Olivier Nakache e Éric Toledano, a dupla de realizadores franceses que conquistou o mundo com “Amigos Improváveis” (“Intouchables”), um dos maiores êxitos internacionais do cinema francês das últimas décadas. A sessão ganha um relevo particular por um motivo simples: os dois realizadores estarão presentes, em Lisboa, para acompanhar a exibição e conceder entrevistas, um momento raro de proximidade direta com o público português.

A iniciativa resulta de uma parceria entre a Cinemundo, a Festa do Cinema Francês e a Junta de Freguesia da Estrela, através da Cinelapa, e funciona como um verdadeiro aquecimento para a 27ª edição da Festa do Cinema Francês, que decorre em Lisboa entre 1 e 11 de outubro, com o Cinema São Jorge como principal palco do evento, complementado por outros espaços espalhados pela cidade. A escolha do Jardim da Estrela para uma sessão ao ar livre, numa das zonas verdes mais emblemáticas da capital, reforça a aposta crescente deste tipo de eventos em experiências cinematográficas fora da sala de cinema tradicional.

“Só Uma Ilusão” (“Juste une illusion”, no título original) é descrito pelos próprios realizadores como o seu filme mais pessoal até à data, uma comédia dramática sobre a passagem da infância para a adolescência. A história é ambientada em 1985, nos arredores de Paris, e acompanha Vincent, com quase 13 anos, membro de uma família de classe média, dividido entre um irmão mais velho distante e uns pais em conflito permanente. Já não é criança, mas também ainda não é adulto, e Vincent atrapalha-se com as grandes questões da vida: a identidade, a amizade, a família, as primeiras paixões, e a desconcertante descoberta de que os próprios adultos também nunca pareceram ter percebido completamente como tudo funciona.

Ao elenco juntam-se nomes de peso do cinema francês atual: Louis Garrel e Camille Cottin interpretam os pais de Vincent, ao lado de Pierre Lottin, Simon Boublil e um elenco coral que ajuda a construir o retrato de família e de época que sustenta o filme. Nakache e Toledano, que assinaram também títulos como “O Espírito da Festa” e “Um Ano Difícil” depois do fenómeno “Amigos Improváveis”, mantêm-se como uma das duplas de realizadores mais consistentes e mais queridas do cinema europeu contemporâneo, com um estilo reconhecível que combina humor, emoção genuína e um olhar atento sobre personagens à margem, ou em transição, das convenções sociais que os rodeiam.

Para quem não conseguir marcar presença na sessão especial do Jardim da Estrela, “Só Uma Ilusão” estreia em todos os cinemas portugueses a 17 de setembro, uma semana antes do início oficial da Festa do Cinema Francês. É uma oportunidade dupla: revisitar o universo sensível e humano que tornou “Amigos Improváveis” um dos maiores êxitos de sempre do cinema francês em todo o mundo, e fazê-lo, desta vez, com os próprios autores por perto.

Candidaturas aos Prémios Audiovisuais Açorianos encerram a 1 de outubro

Candidaturas aos Prémios Audiovisuais Açorianos encerram a 1 de outubro

Estão abertas, até 1 de outubro, as candidaturas à próxima edição dos PAA — Prémios Audiovisuais Açorianos, o projeto bienal organizado pela associação MiratecArts para celebrar e distinguir os profissionais e as produções do setor audiovisual na região autónoma. A iniciativa está integrada no Montanha Pico Festival e tem como objetivo central destacar trabalhos produzidos nas ilhas, funcionando simultaneamente como um incentivo direto à produção audiovisual local, uma área que, longe dos grandes centros de produção do continente, encontra nos PAA uma das poucas montras dedicadas exclusivamente ao seu trabalho.

A gala de entrega dos prémios está marcada para 9 de janeiro de 2027, no Auditório da Madalena, na ilha do Pico, e reconhecerá trabalhos em várias categorias abertas a qualquer empresa do setor audiovisual ou produtor sediado nos Açores. As categorias incluem Vídeo Promocional, destinada a realizadores ou diretores de fotografia açorianos que promovam os Açores, seja em contexto privado ou institucional; Videoclipe, para realizadores que promovam música ou músicos açorianos; Série, televisiva ou online, filmada no arquipélago; Documentário, de televisão ou cinema, realizado por um açoriano ou filmado nos Açores; Filme, curta ou longa-metragem, com os mesmos critérios de origem; e ainda Trailer e Cartaz, destinada a materiais promocionais de obras audiovisuais produzidas nos Açores entre 2025 e 2026. As entidades e artistas interessados devem registar-se em miratecarts.com e formalizar a candidatura através do email [email protected] ou da plataforma FilmFreeWay.

A última edição dos PAA decorreu em janeiro de 2025, e entre os nomes distinguidos destacou-se Rosa Coutinho Cabral, vencedora de Melhor Filme com “A Mulher Que Morreu de Pé”, um ensaio poético e ficcionado sobre a vida e a obra da escritora Natália Correia, figura incontornável da liberdade de pensamento e criação em Portugal, antes e depois do 25 de Abril. O reconhecimento aos PAA não ficou, aliás, isolado: já este ano, a mesma obra viria a conquistar o prémio de Melhor Documentário de Longa-Metragem nos Prémios Sophia, a mais importante distinção do cinema português, atribuída pela Academia Portuguesa de Cinema, batendo concorrência forte como “As Estações”, “Cartas Telepáticas” e “Lindo”. É um percurso que ajuda a validar o papel dos PAA como uma espécie de primeiro filtro de qualidade para trabalhos que, mais tarde, acabam por singrar também nos principais prémios nacionais.

Para além das candidaturas aos PAA, a MiratecArts recorda ainda que decorre, também até 1 de outubro, o prazo de submissão de filmes para o Montanha Pico Festival, aberto a obras de todo o mundo, desde que centradas em temática de cultura montanhosa ou ambientadas em cenário de montanha, sem restrição geográfica de origem dos realizadores. A 13ª edição do festival, que este ano assinala também 15 anos de programação cultural na ilha do Pico, está marcada para decorrer em três ecrãs simultâneos: o Auditório da Madalena, o Auditório Municipal das Lajes do Pico e o Auditório do Museu dos Baleeiros, distribuídos por três fins de semana, entre 8 e 15, 22 e 29 de janeiro de 2027.

Para quem acompanha o panorama audiovisual português para além do eixo Lisboa-Porto, os PAA continuam a ser um dos raros espaços dedicados especificamente a reconhecer e a incentivar a produção feita, ou inspirada, pelos Açores, numa região onde fazer cinema implica, quase sempre, lidar com desafios logísticos e de financiamento muito distintos dos do continente.